ÍNDICE
I Introdução.......................................................................................................................2
1.1 Objectivos....................................................................................................................2
1.1.1 Geral.........................................................................................................................2
1.1.2 Específicos................................................................................................................2
1.2.2 Metodologia..............................................................................................................2
2 Princípios gerais da Neuropsicologia.............................................................................3
2.1 Característica da neuropsicologia................................................................................6
2.1.1 Ramificações da neuropsicologia.............................................................................7
2.1.2 Neuropsicólogo clínico.............................................................................................7
2.2.2 Neuropsicólogos experimentais................................................................................8
2.2.3 A neuropsicologia cognitiva.....................................................................................8
III Conclusão...................................................................................................................10
IV Referências bibliográficas..........................................................................................11
2
I Introdução
O presente trabalho visa fazer uma abordagem sobre a neuropsicologia, porém a
neuropsicologia procura compreender a relação entre o cérebro e o comportamento, ou
seja, tenta explicar a maneira como a actividade do cérebro é expressa em
comportamento observável. Os mecanismos responsáveis pelo pensamento, a
aprendizagem e as emoções humanas, como funcionam esses mecanismos e quais os
efeitos das mudanças nos estados cerebrais em relação ao comportamento humano. Há
uma variedade de maneiras pelas quais os neuropsicólogos conduzem suas
investigações sobre tais questões, mas o tema central de cada uma é que, para entender
o comportamento humano, precisamos entender o cérebro humano.
1.1 Objectivos
1.1.1 Geral
Compreender princípios gerais da Neuropsicologia.
1.1.2 Específicos
Definir a Neuropsicologia;
Analisar as características da neuropsicologia;
Conhecer a ramificações da neuropsicologia.
1.2.2 Metodologia
Para a realização deste trabalho, não distantes daquilo que as directrizes para a
abordagem científica, baseou-se nos métodos bibliográficos, focado na pesquisa e na
interpretação das obras consultadas para posteriormente a compilação de informações
patentes no trabalho.
3
2 Princípios gerais da Neuropsicologia
Contexto histórico
Segundo Gomes (2018, P. 265), é intrigante descobrir há quanto tempo o estudo
neuropsicológico pode ter sido realizado. Embora a interpretação do conteúdo seja
pouco incerta, há um papiro egípcio que data de cerca de 2500 AEC, que relata alguns
casos de trauma no cérebro. Muitas sociedades primitivas, e até algumas sociedades
mais desenvolvidas, praticaram desde o início a trepanação de crânios, embora a
evidência seja geralmente em forma de artefactos e em restos humanos.
Na trepanação, as aberturas grandes ou pequenas são feitas no crânio que podem
ou não ser posteriormente reparadas. O propósito destes, seja mágico, médico, religioso
ou simplesmente punitivo, geralmente permanece obscuro, mas a prática foi registrada
em uma grande proporção do globo no último século.
Segundo Gomes (2018, P. 265), a história da Neuropsicologia pode ser
reconstruída a partir de diferentes prismas, mas uma versão amplamente aceita
estabelece cinco períodos distintos:
1º Período
Esta etapa iniciou-se com as descobertas e escritos de Paul Broca sobre
pacientes que haviam perdido a capacidade de produção da fala, decorrente de lesão em
área cerebral específica, localizada na terceira circunvolução frontal esquerda,
posteriormente denominada Área de Broca (Gomes, 2018, P. 267).
Em seguida, Karl Wernicke descreveu o caso de um paciente com deficit na
compreensão da fala, mas com a produção da mesma intacta, associada à lesão na
primeira circunvolução temporal do hemisfério esquerdo, região que passou a ser
denominada de Área de Wernicke. Diagrama da linguagem proposto por Lichthein em
1885.
A área de Wernicke está relacionada com a compreensão da linguagem; e a área
de Broca está relacionada com a produção da linguagem. Uma lesão em Wernicke leva
a uma alteração na linguagem oral e escrita, tornando a comunicação sem muita
precisão e com dificuldade de compreensão. Já uma lesão na área de Broca leva a uma
dificuldade em se expressar verbalmente, porém com a compreensão preservada.
4
2º Período
De acordo com Gomes (2018, P. 267), surge do questionamento à metodologia
dos diagramas, período denominado por neurologistas e psicólogos de pré-científica. As
críticas fundamentam-se em torno de três pontos básicos:
A falta de objectividade das observações do comportamento. As conclusões
estavam basicamente fundamentadas em impressões clínicas, e não em
observação controlada e na quantificação do fenómeno;
A fragilidade das provas utilizadas para identificação da localização da lesão;
A inadequação dos conceitos psicológicos utilizados.
Influenciados por Jackson (1866) e Freud (1891), o movimento intitulado
Holismo, Anti associacionismo rejeitou a possibilidade de localização de um
componente cerebral específico associado à linguagem. Sob a influência da Gestalt, os
anti associacionistas partiam da premissa de que os processos mentais não podiam ser
decompostos em subprocessos independentes, uma vez que a expressão do fenómeno
mental era mais complexa do que as relações entre os processos cognitivos que as
compunham. (Gomes, 2018, P. 267).
3º Período
O objectivo maior dos pesquisadores mais conhecidos desta fase foi superar as
críticas metodológicas feitas aos diagramas. Para tanto, três mudanças fundamentais
foram implementadas:
A metodologia dos estudos de caso foi substituída por metodologia específica de
estudo psicométrico com grupos;
Os dados do paciente passaram a ser contrastados com dados de indivíduos
saudáveis;
As condutas clínicas de observação efectuadas pelos neurologistas foram
substituídas pela aplicação de testes psicológicos tipificados (Haase, 2012).
5
4º Período
Segundo Haase (2012, P. 300), o quarto período é caracterizado pela
aproximação da Neuropsicologia com a Psicologia Cognitiva, constituindo um novo
campo de estudo denominado Neuropsicologia Cognitiva. Um aspecto que marcou esta
etapa foi à construção de modelos teóricos de processamento da informação baseados
em dados obtidos em laboratório com indivíduos saudáveis.
Vale salientar que este movimento ocorreu paralelamente no Reino Unido,
Estados Unidos e Canadá.
Na União Soviética, Luria desenvolveu um marco conceitual para a
interpretação dos dados neuro psicológicos, constituindo a Neuropsicologia Histórico-
Cultural, em consonância com a fisiologia e a neurologia, mas sem negligenciar a
perspectiva humanista na compreensão das doenças envolvendo disfunções cognitivas.
A partir dessa perspectiva Luria propôs a localização dinâmica das funções cognitivas,
postulando a existência de sistemas funcionais complexos e integrados, conceitos que
influenciaram fortemente pesquisadores e clínicos.
5º Período
Segundo Haase (2012, P. 300), o surgimento das técnicas de neuro imagem,
possibilitando a investigação da actividade cerebral enquanto o indivíduo realiza tarefas
cognitivas. Tais exames permitiram a identificação das redes neurais subjacentes aos
processos cognitivos, confirmando resultados obtidos por estudos clínicos prévios.
O advento de tais tecnologias cobrou da Neuropsicologia uma redefinição e
ampliação do alcance de suas práticas, para além do estabelecimento da correlação
anátomoclínica. Nesse cenário, o diagnóstico funcional, a preocupação com a avaliação
neuropsicológica contextualizada e compreensiva ganharam força.
Neuropsicologia
De acordo com Rodrigues (1993, P. 78), a Neuropsicologia é considerada uma
ciência que estuada a relações cérebro/funções cognitivas, ou seja, das funções
cognitivas e suas bases biológicas, de forma mais ampla, as relações entre cérebro e
comportamento humano.
6
Define-se também como uma ciência dedicada a estudar a expressão
comportamental, emocional e social das disfunções cerebrais, os déficits em funções
superiores produzidos por alterações cerebrais.
De acordo com Rodrigues (1993, P. 78), os princípios gerais da neuropsicologia
envolvem a compreensão das bases neurais do comportamento humano e da cognição.
Portanto alguns princípios fundamentais incluem:
Plasticidade cerebral;
Localização funcional;
Integração funcional;
Diferenciação funcional.
Plasticidade cerebral: o cérebro possui a capacidade de se reorganizar e
remodelar em respostas em novas experiencias, lesões ou mudanças, ambiente, isto é
fundamental para a reabilitação neuropsicologico e para entender como o cérebro se
adapta em diferentes situações.
A localização funcional: esta localizada em áreas específicas do cérebro, as
funções cognitivas e comportamentais estão associadas a determinados ares do cérebro.
Por exemplo o Lobo frontal está relacionado a tomada de decisões e ao controle
comportamental, enquanto o lobo temporal está envolvido na memória e nos
reconhecimentos de padrões (Rodrigues, 1993).
Integração funcional: as funções cognitivas e comportamentais são resultados
de interacção entre diferentes áreas do cérebro. Por exemplo, a linguagem envolve a
integração de processamentos sensoriais, motores e cognitivas.
Diferenciação funcional: as diferentes áreas do cérebro têm funções específicas
e especializadas. Como por exemplo, o córtex visual processa informações visuais
enquanto o córtex auditivo processa informações auditivas.
2.1 Característica da neuropsicologia
Abordagem interdisciplinar: a neuropsicologia é íntegro conceito e métodos da
neurociência e da psicologia para entender as relações entre o cérebro e o
comportamento humano (Rodrigues, 1993).
7
Avaliação neuropsicologica: realiza avaliação detalhada das funções cognitivas,
emocionais, e comportamentais para identificar padrões de funcionamento cerebral e
diagnostica distribuem neurológicos.
Aplicações práticas: o conhecimento do neuropsicologicos tem aplicações no
contexto clinico, educacionais, organizações e forenses.
Essas características destacam a natureza dinâmica e multifacetada da
neuropsicologia que combina uma base teórica solido com aplicações pratica para
compreender e intervir em questões relacionados ao funcionamento cerebral e ao
comportamento humano.
2.1.1 Ramificações da neuropsicologia
Segundo Luria (1981, P. 98), a neuropsicologia é, muitas vezes, dividida em
duas áreas principais:
Neuropsicologia clínica;
Neuropsicologia experimental.
2.1.2 Neuropsicólogo clínico
Segundo Luria (1981, P. 98), o neuropsicólogo clínico a neuropsicologia clínica
trata de pacientes com lesões cerebrais. Essas lesões podem ser os efeitos de doenças ou
tumores, podem resultar de dano físico ou trauma no cérebro, ou ser o resultado de
outras alterações bioquímicas, talvez causadas por substâncias tóxicas. O trauma pode
ser acidental, causado por ferimentos ou colisões, pode resultar de alguma falha no
sistema vascular que fornece sangue ao cérebro, ou pode ser o resultado pretendido da
intervenção neurocirúrgica para corrigir algum problema neurológico.
O neuropsicólogo clínico mensura déficits na inteligência, personalidade e
funções sensório-motoras por procedimentos de testes especializados e relaciona os
resultados com as áreas específicas do cérebro que foram afectadas. As áreas
danificadas podem estar claramente circunscritas e limitadas em extensão,
particularmente no caso de lesões cirúrgicas (quando uma descrição objectiva das partes
do cérebro que foram removidas pode ser obtida), ou podem ser difusas, afectando
células em várias partes do cérebro, como é o caso de certas doenças cerebrais.
8
Os neuropsicólogos clínicos empregam essas mensurações não apenas na
investigação científica das relações cérebro-comportamento, mas também no trabalho
clínico prático de auxiliar no diagnóstico de lesões cerebrais e na reabilitação destes
pacientes (Luria, 1981).
O neuropsicólogo comportamental, como uma forma de neuropsicologia clínica,
também trata de pacientes clínicos, mas a ênfase é sobre definições conceituais de
comportamento e não operacionais. Os casos individuais, em vez de estatísticas de
grupo, são o foco da atenção, e esta abordagem geralmente envolve testes menos
formais para estabelecer desvios qualitativos do funcionamento "normal". Estudos em
neurologia comportamental geralmente podem experimentar aspectos mais amplos do
comportamento do que é usual na neuropsicologia clínica.
2.2.2 Neuropsicólogos experimentais
Em contraste, neuropsicólogos experimentais trabalham com indivíduos normais
com cérebros intactos. Esta é a área mais recente da neuropsicologia a se desenvolver, e
cresceu rapidamente desde a década de 1960, com a invenção de uma variedade de
técnicas que podem ser empregadas no laboratório para estudar funções superiores do
cérebro.
De acordo com Rodrigues (1993, P. 567), existem relações estreitas entre a
neuropsicologia experimental, a psicologia experimental e psicologia cognitiva, e os
métodos laboratoriais empregados nestas três áreas têm fortes semelhanças. Os sujeitos
da pesquisa geralmente são solicitados a realizar tarefas de desempenho, enquanto sua
precisão ou velocidade de resposta são registradas, das quais as inferências sobre
organização do cérebro podem ser feitas. Variáveis associadas, incluindo variáveis
psicofisiológicas ou electrofisiológicas, também podem ser registradas.
2.2.3 A neuropsicologia cognitiva
A neuropsicologia cognitiva desenvolveu-se na década de 1970 como um
relativamente distinto sub-ramo da neuropsicologia. Sempre houve um intercâmbio
produtivo entre os campos da psicologia cognitiva e da neuropsicologia. Os modelos
cognitivos das habilidades humanas informam a análise neuropsicológica e os achados
neuropsicológicos contribuíram para o desenvolvimento dos modelos cognitivos. No
entanto, isso se tornou mais formalizado na neuropsicologia cognitiva pelo
9
desenvolvimento explícito de modelos cognitivos com base em dados neuropsicológicos
e na utilização desses modelos na análise de problemas neuropsicológicos clínicos.
De acordo com Rodrigues (1993, P. 567), foram identificadas duas formas de
neuropsicologia cognitiva: uma forma "dura" e uma "suave". A forma suave aceita que
alguma referência ao que se sabe sobre a estrutura e organização neurológica do cérebro
é apropriada e que o modelo deve ser amplamente consistente com essa informação. A
anatomia do cérebro pode ser um guia útil para a estrutura do modelo neuropsicológico
cognitivo.
No entanto, a forma dura adopta a posição de que o modelo é bastante
independente das considerações anatómicas das estruturas cerebrais. A análise é
puramente a nível psicológico e as descrições formuladas em termos de processos
psicológicos. Parece estranho para muitos neuropsicólogos ter um ramo de
neuropsicologia que não precisa fazer referência ao cérebro; mas é a este caminho que a
lógica dessa abordagem conduz
A neuropsicologia cognitiva tem sido proeminente e influente na formação do
desenvolvimento da neuropsicologia nos últimos 40 anos. Modelos particularmente
bem-sucedidos foram desenvolvidos não só para leitura de palavras, mas também para
reconhecimento de rosto, percepção de objectos e várias outras habilidades. Esses
modelos também continuaram a causar impacto na psicologia cognitiva de indivíduos
normais.
No entanto, deve ser reconhecido que, além de uma sofisticação geralmente
aumentada da compreensão neuropsicologia, esses modelos tiveram relativamente
pouco impacto na prática clínica. As demandas de realizar a análise neuropsicologia
cognitiva relevante normalmente excedem o tempo disponível para um clínico em lidar
com um determinado cliente. A contribuição da neuropsicologia cognitiva e é um
contributo substancial tem sido em pesquisa e desenvolvimento teórico em vez de no
desenvolvimento de ferramentas e procedimentos úteis.
10
III Conclusão
Concluímos que a Neuropsicologia é considerada uma ciência que estuada a
relações cérebro/funções cognitivas, ou seja, das funções cognitivas e suas bases
biológicas, de forma mais ampla, as relações entre cérebro e comportamento humano.
Existem relações estreitas entre a neuropsicologia experimental, a psicologia
experimental e psicologia cognitiva, e os métodos laboratoriais empregados nestas três
áreas têm fortes semelhanças. Os sujeitos da pesquisa geralmente são solicitados a
realizar tarefas de desempenho, enquanto sua precisão ou velocidade de resposta são
registradas, das quais as inferências sobre organização do cérebro podem ser feitas.
Variáveis associadas, incluindo variáveis psicofisiológicas ou electrofisiológicas,
também podem ser registradas.
11
IV Referências bibliográficas
Gomes, E. (2018). Neuropsicologia no Brasil: passado, presente e futuro.
Estudos e Pesquisas em Psicologia, vol. 18, P. 265
Haase, V. G. (2012). Neuropsicologia como ciência interdisciplinar. ISSN Vol4.
P. 300.
Luria, A. R. (1981). Fundamentos de neuropsicologia. São Paulo: Edusp. P. 98.
Rodrigues, N. (1993). Neuropsicologia: uma disciplina científica. V.1, 1-18. São
Paulo: Tec Art. P. 78-567.