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Livro Razão na Contabilidade Financeira

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CONTABILIDADE FINANCEIRA

AULA 2

Prof. Alison Martins Meurer


CONVERSA INICIAL

Nesta etapa estudaremos alguns livros contábeis que auxiliam no registro


das operações das entidades, como o livro diário, livro razão e o livro caixa. Em
seguida, vamos nos aprofundar na estrutura do balanço patrimonial, detalhando
seus grupos e subdivisões, bem como a função de cada agrupamento dentro da
análise do contexto patrimonial.

CONTEXTUALIZANDO

Vimos que a contabilidade realiza o controle do patrimônio das entidades


a partir dos registros das variações patrimoniais. Você já parou para pensar
como esses registros são operacionalizados na prática? Ou melhor, quais
relatórios que apresentam essas informações? Nesta etapa começaremos a
abordar esse conteúdo, conhecendo alguns livros contábeis, como o livro diário,
livro razão e livro caixa, bem como o balanço patrimonial, que é um dos principais
relatórios gerados pela contabilidade.

TEMA 1 – LIVRO DIÁRIO, LIVRO RAZÃO E LIVRO CAIXA

Figura 1 – Livro diário

Crédito: Iftikhar Alam/Shutterstock.

2
Neste tópico, inicialmente, estudaremos o livro diário e sua função. Em
seguida, o livro razão será abordado, para que posteriormente seja possível
compreender o uso do livro caixa.

1.1 Livro diário

O livro diário registra as operações ocorridas na entidade em ordem


cronológica por meio das partidas de diário. Esse livro é obrigatório, ou seja,
deve ser elaborado pelas entidades haja vista que os fatos contábeis que nele
são registrados devem ser pautados em documentos hábeis que comprovem
cada operação.
Cada lançamento elaborado no livro diário exige que seja informada a
data da operação que originou esse lançamento, a(s) conta(s) a ser(em)
debitada(s), a(s) conta(s) a ser(em) creditada(s), o histórico desse lançamento –
o qual consiste no detalhamento da operação – e o valor monetário referente à
operação.
Tal nível de detalhamento deriva das disposições da ITG 2000 (R1) –
Escrituração Contábil, a qual afirma no item 14:

No Livro Diário devem ser lançadas, em ordem cronológica, com


individualização, clareza e referência ao documento probante, todas as
operações ocorridas, e quaisquer outros fatos que provoquem
variações patrimoniais.

Na Figura 2 é apresentado um exemplo de registro no livro diário.

Figura 2 – Registro no livro diário

Fonte: Meurer.

Como o livro diário registra as operações por dia, em ordem cronológica,


sua guarda além de ser obrigatória serve como uma salvaguarda à organização
tendo em vista que se for necessário reelaborar os demonstrativos contábeis, o
livro diário subsidiará as informações pertinentes para esse processo.

3
1.2 Livro razão

O livro razão permite o controle individualizado dos valores movimentados


em cada conta a partir do livro diário, indicando os débitos, créditos e o saldo de
cada conta. O livro razão apresenta-se como um controle histórico que detalha
a formação do saldo contábil de cada conta.
Esse livro, além das informações da empresa (razão social, endereço e
número do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica – CNPJ), deve apresentar a
conta contábil a que se refere o relatório, a conta contábil de contrapartida do
valor, histórico do lançamento, valor a débito ou a crédito do lançamento e o
detalhamento dos saldos (saldo anterior, saldo após cada lançamento e o saldo
atual da conta). Vamos considerar as seguintes movimentações da conta
“Contas a receber” para representar o livro razão:

• 01/04/20X1 – saldo inicial de “Contas a receber” no valor de R$ 10.000;


• 05/04/20X1 – venda realizada a prazo no valor de R$ 5.000;
• 12/04/20X1 – venda realizada a prazo no valor de R$ 15.000;
• 22/04/20X1 – recebimento de venda realizada a prazo no valor de R$
5.000;
• 30/04/20X1 – saldo final de “Contas a Receber” no valor de R$ 25.000.

Na Figura 3 é apresentado o livro razão considerando essas


movimentações.

Figura 3 – Livro razão de “Contas a receber”

Fonte: Meurer.

Nota-se que o livro razão apresenta as movimentações de uma conta


específica e viabiliza a visualização dos saldos da conta analisada a cada
4
lançamento. Para fins didáticos, por vezes, o livro razão é representado por
Razonetes a fim de facilitar os lançamentos contábeis durante o processo de
aprendizagem. Se as movimentações tivessem sido registradas em Razonetes,
teríamos a seguinte representação (Figura 4).

Figura 4 – Representação das movimentações em formato de razonetes

Fonte: Meurer.

Em suma, percebe-se que o livro diário (ordem cronológica) e o livro razão


fornecem informações acerca das movimentações inerentes à empresa por meio
de perspectivas distintas.

1.3 Livro caixa

No livro caixa são registradas as movimentações inerentes à conta caixa


da empresa. Esse livro apresenta as entradas e saídas de dinheiro da entidade,
ou seja, registra os recebimentos e pagamentos de valores da movimentação
em dinheiro da organização.
No livro caixa os registros dos fluxos financeiros são realizados em ordem
cronológica (dia, mês e ano). Além da data, o histórico da movimentação deve
ser apresentado, bem como os créditos e débitos que possam ter ocorrido no
caixa, para que, após cada movimentação, seja apresentado o saldo do caixa da
empresa.

5
Empresas enquadradas no regime tributário Simples Nacional são
obrigadas a fornecerem informações sobre seu fluxo de caixa ao Fisco.
Profissionais liberais também mantêm o livro caixa para acompanhar as
movimentações monetárias geradas por suas atividades.

TEMA 2 – BALANÇO PATRIMONIAL

Figura 5 – Balanço patrimonial

Crédito: Abscent Vector/Shutterstock.

O balanço patrimonial apresenta a posição patrimonial da empresa em


dado momento, ou seja, como se apresentam de forma qualitativa e quantitativa
os bens, direitos e as obrigações, bem como o patrimônio líquido da entidade
em uma data específica.

6
Gelbcke et al. (2021) citam que o balanço tem por finalidade representar
a posição financeira e patrimonial da empresa em determinada data,
representando, portanto, uma posição estática.
As contas são dispostas no balanço patrimonial de forma ordenada,
seguindo critérios específicos que serão apresentados adiante, e subdividas em
dois grandes grupos: ativo e passivo. Por ser um dos principais relatórios
gerados pela contabilidade, ao final de cada exercício social, que normalmente
possui a mesma extensão do calendário civil (1 de janeiro a 31 de dezembro), a
entidade deverá elaborar e apresentar esse relatório às autoridades fiscais.
Cabe destacar que se a empresa for uma sociedade de capital aberto, ou seja,
com ações negociadas em bolsa de valores, deverá elaborar trimestralmente
esse relatório, bem como divulgá-lo publicamente (Szuster et al., 2013).
O Código Civil, Lei n. 10.406/2002, em seu art. 1.179, explicita que é de
responsabilidade do empresário e da sociedade empresária, além de possuir um
sistema de contabilidade, realizar a escrituração contábil de maneira uniforme
em seus livros e apresentar anualmente o balanço patrimonial e o relatório
contendo o resultado econômico da organização.
A Lei n. 6.404/1976 indica que no balanço patrimonial as contas serão
classificadas conforme os elementos do patrimônio registrados, e agrupados no
intuito de facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da entidade.
O ativo, segundo a Lei n. 11.941/2009 que alterou o art. 178 da Lei n.
6.404/1976, possuirá contas dispostas nos seguintes grupos: ativo circulante e
ativo não circulante, sendo que o ativo não circulante será segregado em ativo
realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível. Por sua vez, o
passivo será subdividido em passivo circulante, passivo não circulante e
patrimônio líquido. O patrimônio líquido será disposto em capital social, reservas
de capital, ajuste de avaliação patrimonial, reservas de lucros, ações em
tesouraria e prejuízos acumulados. Esses agrupamentos serão explicados nos
tópicos seguintes.
Na Figura 6 é apresentado um exemplo da disposição dos agrupamentos
de contas no balanço patrimonial.

7
Figura 6 – Exemplo de disposição de contas no balanço patrimonial

Fonte: Meurer.

Note que há uma estrutura para a disposição das contas no balanço


patrimonial, sendo que os critérios para a alocação das contas em cada
agrupamento serão explicados nos tópicos adiante.

TEMA 3 – ATIVO

Figura 7 – Ativo

Crédito: Maya333/Shutterstock.

Quando o balanço patrimonial é apresentado em duas colunas, o ativo


figurará do lado esquerdo do balanço patrimonial, representando os bens e
direitos da empresa. Um bem ou direito para ser disposto no ativo deve atender
ao conceito disposto no CPC 00 (R2) – Estrutura Conceitual para Relatório
8
Financeiro que indica que o “ativo é um recurso econômico presente controlado
pela entidade como resultado de eventos passados”.
Logo, um ativo representa itens materiais ou imateriais, móveis ou imóveis
capazes de gerar benefícios econômicos para a empresa desde que ela o
controle. O controle diz respeito ao fato de a organização poder decidir acerca
do uso e dos benefícios que esse item possa gerar. Outro elemento que se faz
necessário é a capacidade de mensurar, ou seja, medir esse ativo de maneira
monetária. Por fim, o ativo deve ser capaz de gerar benefícios de caixa para a
empresa, seja no presente ou no futuro, a partir de seu uso. Por exemplo, uma
mercadoria em estoque pode gerar benefícios futuros para a organização a partir
da sua venda, enquanto um veículo utilizado nas entregas de mercadorias aos
clientes possui capacidade de gerar benefícios presentes para a organização a
partir do seu uso.
Logo, os benefícios econômicos gerados pelos ativos surgem a partir do
seu uso na produção de bens ou na prestação de serviços, pela troca por outros
ativos, pela possibilidade de utilizar esse ativo para liquidar um passivo, bem
como pela distribuição de sua renda aos proprietários da empresa.
Como vimos anteriormente, o ativo é dividido em ativo circulante e ativo
não circulante. No ativo circulante são apresentados os ativos que se espera
recuperar em até 12 meses após a data do balanço patrimonial. A exceção se
dá para aquelas companhias que possuem um ciclo operacional maior que o
exercício social, nesse caso, a classificação entre curto ou longo prazo terá como
direcionamento o prazo desse ciclo da empresa (Lei 6404/1976, Art. 179).
No ativo circulante irão figurar as disponibilidades da entidade, como caixa
e equivalentes de caixa, bem como os direitos realizáveis no curso do exercício
social subsequente, por exemplo, títulos e valores a receber até o final do ano
seguinte e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte sendo
as despesas pagas antecipadas para o próximo exercício social.
Um ativo deve ser classificado como circulante quando atender a um dos
seguintes critérios:

(a) espera-se que seja realizado, ou pretende-se que seja vendido ou


consumido no decurso normal do ciclo operacional da entidade;
(b) está mantido essencialmente com o propósito de ser negociado;
(c) espera-se que seja realizado até doze meses após a data do
balanço; ou
(d) é caixa ou equivalente de caixa, a menos que sua troca ou uso para
liquidação de passivo se encontre vedada durante pelo menos doze
meses após a data do balanço. (CPC 26 (R1), 2011, item 66).

9
Por sua vez, no ativo não circulante serão classificados os ativos que não
se encaixam na definição de ativo circulante, os quais irão figurar em um dos
quatro subgrupos a seguir: (i) ativo realizável a longo prazo; (ii) investimento; (iii)
imobilizado; e (iv) intangível.
O art. 179 da Lei n. 6.404/1976 expõe que no ativo realizável a longo prazo
são apresentados os direitos realizáveis após o término do ano seguinte, bem
como adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas,
diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não
constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia.
Por exemplo, títulos que serão recebidos após 12 meses da data do
balanço patrimonial deverão figurar no realizável a longo prazo e não no ativo
circulante. Então, ao elaborar o seu balanço patrimonial em 31/12/20X1, os
valores que serão recebidos após 31/12/20X2 irão figurar no ativo realizável a
longo prazo dentro do ativo não circulante.
Referente aos adiantamentos e empréstimos a sociedades coligadas ou
controladas, diretores e participantes no lucro da companhia, deve-se observar
a natureza da operação. Suponha que um diretor de uma empresa de vestuário
realize um empréstimo na companhia para ser devolvido em seis meses, mesmo
esse montante sendo quitado antes de 12 meses da data do balanço, ele deverá
figurar no ativo realizável a longo prazo pois não constitui um negócio usual da
empresa, visto que as atividades usuais de uma empresa do ramo de vestuário
não estão pautadas na realização de empréstimos.
Em investimentos serão alocados as participações permanentes em
outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo
circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou
da empresa. Por exemplo, se a Cia. Delta controla a Cia. Beta, então o valor
investido na Cia. Beta figurará no balanço patrimonial da Cia. Delta no grupo de
investimento.
No imobilizado são apresentados os bens corpóreos, ou seja, aqueles que
possuem matéria física, os quais são destinados à manutenção das atividades
da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os
decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e
controle desses bens, como é o caso de operações de leasing. Assim, máquinas,
equipamentos, veículos, edifícios, imóveis, móveis e demais bens utilizados para
desempenhar as atividades da organização irão figurar no imobilizado.

10
Cabe destacar que a observância de uso para a manutenção das
atividades da companhia é essencial para uma correta classificação desses
itens. Uma concessionária que realiza a venda de veículos, por exemplo,
classificará em imobilizado somente os automóveis utilizados para desempenhar
as atividades da organização, como atividades administrativas, os veículos
destinados à revenda serão classificados como estoques para a revenda no ativo
circulante.
No intangível são classificados os direitos que tenham por objeto bens
incorpóreos destinados à manutenção da companhia ou exercidos com essa
finalidade, inclusive o fundo de comércio adquirido. Licenças de softwares são
exemplos de itens classificados nesse agrupamento.
Além disso, no ativo, as contas serão apresentadas em ordem
decrescente de acordo com o seu grau de liquidez, ou seja, aquelas que levarão
menos tempo para serem transformadas em dinheiro serão apresentadas por
primeiro (Lei 6.404/1976, Art. 178).

TEMA 4 – PASSIVO

Figura 8 – Passivo

Crédito: Simakova Mariia/Shutterstock.

11
Quando o balanço patrimonial é apresentado em duas colunas, o passivo
figurará do lado direito do balanço patrimonial, representando as obrigações da
empresa. Para ser classificado como um passivo, o item deverá atender à
seguinte definição “uma obrigação presente da entidade de transferir um recurso
econômico como resultado de eventos passados” (CPC 00 (R2), 2019, p. 22).
Uma obrigação presente diz respeito a uma provável saída de recursos
para liquidar essa obrigação. Empréstimos a pagar são exemplos de passivos,
pois é provável que a empresa tenha que desembolsar algum recurso econômico
para quitar essa obrigação. Evento passado se refere ao fato que gerou a
obrigação do passivo assumido pela empresa. Portanto, uma obrigação é criada
quando a empresa não tem alternativa a não ser a liquidação desse montante.
O passivo é subdividido em passivo circulante, passivo não circulante e
patrimônio líquido, conforme art. 178 da Lei n. 6404/1976. O patrimônio líquido
é apresentado como um subgrupo do passivo, mas será tratado em item
específico nesta etapa.
No passivo circulante são classificados os itens que atenderam a um dos
seguintes critérios:

(a) espera-se que seja liquidado durante o ciclo operacional normal da


entidade;
(b) está mantido essencialmente para a finalidade de ser negociado;
(c) deve ser liquidado no período de até doze meses após a data do
balanço; ou
(d) a entidade não tem direito incondicional de diferir a liquidação do
passivo durante pelo menos doze meses após a data do balanço. (CPC
26 (R1), 2011, item 69).

Os demais itens que não satisfizerem a um desses critérios deverão ser


classificados como não circulantes.
Por exemplo, considere que determinada empresa realizou em 31 de
dezembro de 20X0 um empréstimo que será quitado em 24 parcelas mensais e
iguais, sendo a primeira com vencimento para janeiro de 20X1. Nesse caso, a
empresa deverá identificar quais parcelas estão englobadas no curto prazo
(passivo circulante) e quais parcelas são abrangidas pelo longo prazo (passivo
não circulante), para então reconhecer esses valores no balanço patrimonial. Na
Figura 9 é apresentada a segregação desses montantes.

12
Figura 9 – Classificação das parcelas em curto e longo prazo

Fonte: Meurer.

Nota-se que no exemplo anterior, das 24 parcelas do empréstimo, 12


foram classificadas no passivo circulante, por serem de curto prazo, e outras 12
foram classificadas como passivo não circulante, por serem de longo prazo.
O passivo pode ser visualizado como as fontes de recursos que a
empresa capta a fim de financiar o seu ativo no intuito de executar as suas
atividades operacionais e administrativas e, como consequência, gerar
benefícios econômicos.
Por exemplo, ao adquirir um veículo por meio de um financiamento
realizado em uma instituição financeira, a fonte dos recursos para a aquisição do
veículo advém do passivo e de um valor que pertence a terceiros. Por isso, a
empresa passa a ter obrigação com a instituição financeira devido à aquisição
desse veículo. Mesma linha de raciocínio pode ser adotada para outros itens
como a aquisição de mercadorias a prazo, a empresa utilizou como fonte de
recursos um crédito com os seus fornecedores. Quando essa fonte de recursos
não advém dos sócios, dizemos que a empresa está utilizando capitais de
terceiros, ou seja, de entes externos à organização que terão essas obrigações
representadas pelo passivo circulante e passivo não circulante.
Por sua vez, quando os recursos utilizados para financiar os ativos
originam-se dos sócios ou acionistas da empresa, classificamos como fontes
vindas do capital próprio, as quais são representadas pelo patrimônio líquido que
será detalhado adiante.
O passivo em termos de fonte de recursos pode ser representado
conforme a Figura 10.

13
Figura 10 – Fontes de capital

Fonte: Meurer.

Em suma, o passivo representa as fontes que financiam o ativo, sendo


obtidas por meio do patrimônio líquido ou de obrigações de curto e/ou de longo
prazo assumidas com terceiros.

14
TEMA 5 – PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Figura 11 – Patrimônio líquido

Crédito: lemono/Shutterstock.

O patrimônio líquido é conceituado como “a participação residual nos


ativos da entidade após a dedução de todos os seus passivos” (CPC 00 (R2),
2019, p. 22) ou como as reivindicações contra a entidade que não atendem ao
conceito de passivo. Por representar o valor residual do ativo após a liquidação
das obrigações com terceiros (passivo circulante e passivo não circulante), o
patrimônio líquido pode ser representado da seguinte forma:

Patrimônio Líquido = Ativo – Passivo

O patrimônio líquido se subdivide em seis subgrupos, a saber: (I) capital


social; (ii) reservas de capital; (iii) ajustes de avaliação patrimonial; (iv) reservas
de lucros; (v) ações em tesouraria; e (vi) prejuízos acumulados. O capital social
representa os valores alocados pelos sócios na entidade e os lucros utilizados
para incorporar ao capital social. Esse grupo deverá indicar o valor subscrito
pelos sócios deduzidos da parcela ainda não realizada. Por exemplo, se uma
entidade for constituída em seu contrato social por um capital social de R$

15
50.000 e os sócios integralizarem no ato R$ 40.000, então, no capital social irá
figurar a seguinte subdivisão (Tabela 1):

Tabela 1 – Apresentação da composição do capital social da empresa

Capital subscrito R$ 50.000

Capital a integralizar (R$ 10.000)

Capital Social Realizado R$ 40.000


Fonte: Meurer.

Esse capital pode ser aumentado pelos sócios a partir da integralização


de novos valores ou a partir da retenção de lucros, em que os sócios, em vez de
retirar dinheiro da empresa sob a forma de dividendos, optam por reinvestir
esses valores na própria companhia.
Já as reservas de capital representam valores que ingressaram na
companhia sem transitar pelas contas de resultados. Esses valores são
destinados ao reforço do capital da empresa e podem ser originados do ágio na
emissão de ações, reserva especial de ágio na incorporação, alienação de partes
beneficiárias e alienação de bônus de subscrição.
O ajuste de avaliação patrimonial registra as oscilações de ativos e
passivos a valor justo que não foram reconhecidas no resultado da empresa em
decorrência do regime de competência. Por exemplo, se a companhia possui um
investimento em ações mensurado pelo valor justo por meio de outros resultados
abrangentes, cujo valor nominal é de R$ 100 e o valor de mercado é de R$ 110,
os R$ 10 decorrentes da valorização dessa ação serão incorporados ao ajuste
de avaliação patrimonial.
As reservas de lucros são utilizadas para indicar a destinação dos lucros
que não foi destinada como forma de distribuição de dividendos. Essas reservas
têm por objetivo indicar a destinação desse montante de lucro que os sócios não
irão retirar. As reservas de lucros podem ser subdivididas em reserva legal,
reservas estatutárias, reservas para contingências, reserva de lucros a realizar,
reserva de lucros para expansão, reservas de incentivos fiscais e reserva
especial para dividendo obrigatório não distribuído. Cada tipo de reserva de
lucros está conceituado na Tabela 2.

16
Tabela 2 – Detalhamento dos tipos de reservas

Tipo de reserva Detalhamento


Reserva legal
Reservas estatutárias São instituídas pela organização tendo uma destinação
específica. A companhia deverá indicar em seu estatuto
social de forma objetiva qual é a finalidade da reserva
estatutária, os critérios para a determinação de seu
valor, bem como o limite máximo que esta reserva
poderá atingir.
Reservas para contingências São constituídas para a formação de reserva com o
objetivo de compensar em períodos futuros a
diminuição do lucro advinda de uma perda julgada
como provável.
Reserva de lucros a realizar É um tipo de reserva optativa utilizada quando o
montante de dividendos obrigatórios for superior ao
lucro realizado do período.
Reserva de lucros para expansão A administração da empresa poderá propor reservas
específicas voltadas à retenção de lucros com foco na
expansão de suas atividades. Para tanto, é necessário
que esses valores estejam previstos no orçamento de
capital da companhia, aprovado em assembleia geral,
e que não venha a prejudicar a distribuição de
dividendos da empresa.
Reservas de incentivos fiscais A critério da administração da empresa e, desde que
aprovados em assembleia geral, os valores recebidos
como forma de subvenção e doações governamentais
poderão compor a reserva de incentivos fiscais. Esses
valores podem ser excluídos da base de cálculo dos
dividendos desde que seja constituída essa reserva
específica.
Reserva especial para dividendo Essa reserva é constituída quando há dividendos
obrigatório não distribuído obrigatórios a serem distribuídos, mas a organização
não possui capacidade financeira para realizar essa
distribuição.
Fonte: Gelbcke et al., 2021; Lei n. 6.404/1976.

Note que há diferentes tipos de reservas de lucros, visto que o lucro não
distribuído aos sócios pode ter diferentes destinações.
As ações em tesouraria representam as ações da empresa que estão sob
sua posse, ou seja, guardadas em tesouraria e que, por consequência, não estão
em circulação com os demais acionistas.
Por fim, os prejuízos acumulados representam os resultados negativos
que empresa obtém ao longo dos períodos. Tais prejuízos podem ser
compensados por meio das reservas de lucros.

TROCANDO IDEIAS

Após aprendermos sobre a estrutura do balanço patrimonial, chegou a


sua vez de colocar os conhecimentos em prática. Pesquise no site de
relacionamento com investidores de alguma empresa com ações negociadas em

17
bolsa de valores o seu balanço patrimonial e aponte os principais aspectos que
lhe chamaram atenção, tanto no ativo, como no passivo e patrimônio líquido da
organização escolhida.

NA PRÁTICA

1 Dentre as contas apresentadas a seguir, assinale a alternativa que


contém apenas contas do passivo:
a) Fornecedores, títulos a receber, caixa.
b) Fornecedores, energia elétrica a pagar, estoques.
c) Duplicatas a Pagar, empréstimos a pagar, impostos a recolher.
d) Salários a pagar, licença de software, impostos a recolher.

2 Dentre as contas apresentadas a seguir, assinale a alternativa que


contém apenas contas do ativo:
a) Salários a pagar, duplicatas a receber, banco.
b) Energia elétrica a pagar, salários a pagar, impostos a recuperar.
c) Clientes, fornecedores, impostos a recolher.
d) Duplicatas a receber, veículos, impostos a recuperar.

FINALIZANDO

Nesta etapa pudemos aprender um pouco mais sobre a estrutura do


balanço patrimonial e como seus diferentes grupos se organizam em termos de
disposição das contas. Vimos, por exemplo, que tanto o ativo e o passivo
apresentam subgrupos que representam o curto e o longo prazo. O ativo
representa as aplicações de recursos pela empresa captados com capitais de
terceiros (passivo circulante e não circulante) e capital próprio. Compreender a
estrutura patrimonial é essencial para a análise correta da situação da
organização.

18
REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei 6.404/1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. 1976.
Disponível em: <[Link]
Acesso em: 30 jun. 2022.

______. Lei 10.406/2002. Código Civil. 2002. Disponível em:


<[Link] Acesso
em: 30 jun. 2022.

______. Lei 11.941/2009. Altera a legislação tributária federal […]. 2009.


Disponível em: <[Link]
2010/2009/lei/[Link]>. Acesso em: 30 jun. 2022.

COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. CPC 00 (R2) – Estrutura


Conceitual para Relatório Financeiro. 2019. Disponível em:
<[Link]
Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=80>. Acesso em: 30 jun. 2022.

______. CPC 26 (R1) – Apresentação das Demonstrações Contábeis. 2011.


Disponível em: <[Link]
Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=57>. Acesso em: 30 jun. 2022.

CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. ITG 2000 (R1) – Escrituração


Contábil. 2014. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 30
jun. 2022.

GELBCKE, E. R. et al. Manual de contabilidade societária: aplicável a todas


as sociedades: de acordo com as normas internacionais e do CPC. 3. ed. [2.
Reimpr.]. São Paulo: Atlas, 2021.

SZUSTER, N. et al. Contabilidade geral: introdução à Contabilidade Societária.


4. ed. São Paulo: Atlas, 2013.

19
Gabarito

1)
Justificativa/gabarito
A alternativa A está incorreta, pois títulos a receber e caixa são contas do ativo.
A alternativa B está incorreta, pois estoques é uma conta do ativo. A alternativa
C está correta, pois apresenta somente valores do passivo. A alternativa D está
incorreta, pois licença de software é um ativo intangível.

2)

Justificativa/gabarito
A alternativa A está incorreta, pois salários a pagar é uma conta do passivo. A
alternativa B está incorreta, pois energia elétrica a pagar e salários a pagar são
contas do passivo. A alternativa C está incorreta, pois fornecedores é uma conta
do passivo. A alternativa D está correta, pois todas as contas apresentadas são
do ativo.

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