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Biografia de Arthur Schopenhauer

Arthur Schopenhauer nasceu na Polônia em 1788 e se tornou um filósofo influente conhecido por suas ideias pessimistas. Sua obra principal foi O Mundo como Vontade e Representação, na qual propôs que a vontade, e não a razão, guia a realidade. Ele defendia a compaixão como princípio ético fundamental.
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Biografia de Arthur Schopenhauer

Arthur Schopenhauer nasceu na Polônia em 1788 e se tornou um filósofo influente conhecido por suas ideias pessimistas. Sua obra principal foi O Mundo como Vontade e Representação, na qual propôs que a vontade, e não a razão, guia a realidade. Ele defendia a compaixão como princípio ético fundamental.
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BIOGRAFIA

Arthur Schopenhauer nasceu em 22 de fevereiro de 1788 como o primeiro filho de


uma família abastada, na cidade de Dantzig, Polônia. Logo, ele nasceu um ano antes do início
de um dos marcos da história ocidental: a Revolução Francesa.

Quando jovem, ganhou do pai uma viagem pela Europa, o que instigou a sua
habilidade de observação. Além disso, tornou-se uma pessoa desconfiada, sem ânimo
elevado, e tinha conflitos familiares. Com a morte de seu pai, ele passou a se dedicar mais à
vida intelectual.

Nas palavras de sua irmã, Adele: “Já não suporto a presença deste homem. É o
inimigo da minha alegria, da minha vida. Quando estou diante dele, sinto morrer em mim
toda mocidade e me sinto gelo.” Ainda, sua mãe dizia a ele: “você é insuportável, opressivo
e muito difícil de se conviver”.

De fato, os conflitos entre ele e sua mãe eram frequentes. Ainda, para além de sua
própria personalidade, atualmente ele é conhecido por suas ideias pessimistas, sendo
considerado frequentemente um niilista.

De todo modo, viveu até a velhice, sendo reconhecido pelas suas obras ainda em vida.
Assim, faleceu em 1860, ao lado de seu cachorro, tranquilamente. Diz-se ainda que ele
possuía estatuetas de Buda e de Kant em sua casa.

Influências e importância

Schopenhauer teve contato com as obras de diversos autores. Dentre eles, o


filósofo Platão exerceu grande influência, havendo concordâncias e discordâncias entre
ambos. Para Schopenhauer, não há imortalidade da alma, mas a filosofia pode ajudar a refletir
sobre a morte.

Kant também foi outra influência crucial para Schopenhauer. Nesse caso, o autor
discorda da ideia kantiana de que as ações das pessoas sejam fundamentadas apenas na razão.
Logo, a moral deve estar conectada com outros elementos da realidade além da racionalidade.

Por outro lado, Schopenhauer se tornou uma referência importante para muitos
pensadores. Nietzsche descobriu as suas obras aos 21 anos, e ficou encantado com essa
filosofia que criticava a metafísica e produzia reflexões sem um ser divino envolvido.
Além disso, Schopenhauer foi contemporâneo de Hegel. Enquanto o pensamento
hegeliano fazia sucesso na época, pois pregava um progresso dialético da história,
Schopenhauer não. Assim, ele se tornou uma espécie de contraponto nas reflexões de seus
tempos.

Pensamentos e teorias

Um dos conceitos importantes no pensamento de Schopenhauer é o da Vontade.


Segundo o filósofo, essa Vontade é aquilo que explica a conduta humana, algo que não possui
uma finalidade, é cego, e não apresenta sentido. Ou seja, a realidade é guiada pela Vontade,
e não pela razão.

Esse é um dos pontos que tornam Schopenhauer um autor “pessimista”. Afinal, se a


base de tudo é a Vontade, a vida em si não possui um significado, uma finalidade, e a
humanidade não se encaminha em um progresso contínuo. Na verdade, tudo é guiado sem
um significado inerente.

Nesse contexto, o filósofo sugere que é preciso examinar a própria vida para poder
encontrar uma felicidade e um bem-estar. Ao contrário, boa parte das pessoas estão
interessadas apenas nos divertimentos e nas distrações, sem produzir uma reflexão consciente
de si.

Portanto, Arthur Schopenhauer defende também a solidão como um componente


fundamental para a felicidade – não apenas estar só, mas em bastar a si mesmo. De qualquer
modo, é também na solidão que se alcança a verdadeira liberdade.

Principais obras

Arthur Schopenhauer escreveu diversas obras ao longo de sua vida. Todavia, por muito
tempo, não era reconhecido e suas aulas na universidade eram pouco frequentadas.
Tardiamente, começou a ser notado. Veja a seguir algumas de suas obras:

• O mundo como vontade de representação (1819);


• Dialética erística (1831);
• Sobre a vontade da natureza (1836);
• O livre arbítrio (1839);
• Os dois problemas fundamentais da ética (1841);
• Parerga e Paralipomena (1851);
• Aforismos para a sabedoria de vida (1851).
O mundo como vontade e representação

Essa é considerada sua obra prima. Ela foi finalizada em 1818, e por certo tempo em
sua vida ficou sem reconhecimento. Contudo, é nesse livro que ele realiza reflexões
importantes sobre Kant, dialoga com Platão e propõe um sistema filosófico.

Para Schopenhauer, a vida tem como consequência o sofrimento, já que ela não possui
finalidade ou significados em si. Assim, a moral só poderia ser compreendida na prática, na
relação entre indivíduos, não sendo elas boas ou más a priori.

A Ética da compaixão

Diante de um mundo de dores e sofrimentos, Schopenhauer propõe uma ética prática


e vivencial baseada na compaixão. Apesar do egoísmo e da crueldade que fazem parte da
existência humana, a caridade e a compaixão são o contraponto do egoísmo.

O egoísmo é fruto do “eu” e do “ego”. Faz o homem se considerar centro do


mundo, se opondo violentamente contra tudo que impeça seu bem-estar. O egoísmo,
contudo, cria uma falsa representação de mundo, separa os homens. A compaixão, por sua
vez, nos aproxima.

A compaixão, enquanto princípio fundamental, é a proposta ética de


Schopenhauer. Contra a razão pura kantiana, Schopenhauer acredita na compaixão inata
como princípio ético, pois está além de nossa representação de mundo e da razão
ilusória.

Por isso, desejo, em oposição à forma referida do princípio moral kantiano,


estabelecer a seguinte regra: com cada pessoa com que tenhamos contato, não
empreendamos uma valorização objetiva da mesma conforme valor e dignidade, não
consideremos portanto a maldade da sua vontade, nem a limitação do seu entendimento, e a
incorreção dos seus conceitos, porque o primeiro poderia facilmente ocasionar ódio, e a
última, desprezo; mas observemos somente seus sofrimentos, suas necessidades, seu medo,
suas dores. Assim, sempre teremos com ela parentesco, simpatia e, em lugar do ódio ou do
desprezo, aquela compaixão que unicamente forma a ágape pregada pelo evangelho.
(SCHOPENHAUER, 1983, p.188)

Schopenhauer estabelece uma metafísica baseada na vontade universal, que é


essência de todos os seres — da qual tanto o egoísmo quanto a caridade fazem parte.

Através da compaixão, percebo a unidade de todas as coisas e consigo estabelecer


uma relação que me une e me conecta com os outros, enquanto o egoísmo seria uma
“ausência metafísica” que separa os homens.

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