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Esclarecimentos sobre Licitações e Editais

Este documento apresenta informações sobre pedido de esclarecimento e impugnação ao edital em processos licitatórios. Aborda os aspectos legais desses instrumentos de participação popular, como previsão legal, objeto, prazos e legitimidade. Fornece também respostas a questões práticas sobre esses temas.

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Esclarecimentos sobre Licitações e Editais

Este documento apresenta informações sobre pedido de esclarecimento e impugnação ao edital em processos licitatórios. Aborda os aspectos legais desses instrumentos de participação popular, como previsão legal, objeto, prazos e legitimidade. Fornece também respostas a questões práticas sobre esses temas.

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Apresentação

O presente material é organizado pela equipe do Grupo CLG


(@[Link]) , não possuindo caráter oficial.

Trata-se de material gratuito e demonstrativo de nosso


trabalho e didática. Para um maior aprofundamento,
recomendamos a aquisição de nossos materiais completos
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1. Introdução

O tema “pedido de esclarecimento e impugnações ao edital” sofreu alterações


com a Lei nº 14.133/2021, quando comparado com o texto da Lei nº 8.666/1993.

O pedido de esclarecimento e impugnação ao edital são defesas administrativas


previstas na lei, porém, com estável embasamento constitucional.

A participação popular na atividade administrativa foi incentivada pela


Constituição Federal e é importante como instrumento de controle e de
aprimoramento da atividade administrativa.

Como qualquer atividade conduzida por seres humanos, a atuação


administrativa é passível de erros e falhas, cuja identificação por quem os
cometeu nem sempre é algo comum e fácil de ocorrer. Por isso, é tão importante
oportunizar e incentivar a participação popular, em todas as suas frentes, na
atuação administrativa.
Para a participação popular na atividade administrativa, é preciso que o
interessado obtenha informações, a fim de conduzir a atuação e embasar futuros
requerimentos. A garantia ao direito de informação está no art. 5º, inciso XXXIII da
Constituição Federal que assegura que todos têm direito a receber das entidades
públicas informações relativas a questões de seu interesse pessoal.

Além da Constituição Federal, existem dispositivos infraconstitucionais que


asseguram o direito de informação em matéria de licitações e contratos
administrativos. Isso se verifica tanto na Lei de Acesso à Informação, Lei nº
12.527/2011, quanto na Lei de Licitações, Lei nº 14.133/2021, que previram
disposições específicas sobre a possibilidade de requerer informações em
matéria de licitações e contratos.

Não basta, porém, ter acesso à informação, é preciso legitimar, permitir e


incentivar o requerimento de providências com base nas informações recebidas.

Para tanto, o constituinte previu o direito de petição ao poder público, em defesa


de direitos ou contra a ilegalidade ou abuso de poder. Tal direito encontra-se

02
previsto no art. 5º, XXXIV, alínea a da Constituição Federal. Na alínea b, do art. 5º,
XXXIV, foi assegurado o direito de obter certidões.

Ainda sobre a participação popular, o art. 37, §3º da Constituição Federal


determina que a lei disciplinará as formas de participação do usuário na
administração pública direta e indireta, regulando especialmente o acesso dos
usuários a registros administrativos e a informações sobre atos de governo,
observado o disposto no art. 5º, inciso X (que dispõe ser invioláveis a
intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas) e o incido XXXIII
(que ressalva as informações indispensáveis à segurança da sociedade ou do
Estado).

03
1. PEDIDO DE ESCLARECIMENTO E IMPUGNAÇÃO AO EDITAL

E como os pleitos por informações e providências são recebidos na prática


administrativa?

Embora saibamos os diversos dispositivos constitucionais e infraconstitucionais


asseguram, oportunizam e incentivam a participação popular na atividade
administrativa, na prática, o que se verifica é que nem sempre os agentes
administrativos são receptivos aos requerimentos apresentados.

Em matéria de licitações e contratos, para a participação popular na atividade


administrativa, não é necessário apresentar ou justificar a motivação.

1.1 Previsão legal do pedido de esclarecimento e da


impugnação ao edital

O pedido de esclarecimento e a impugnação ao edital são instrumentos de


participação popular nas licitações previstos no art. 164 da Lei nº 14.133/2021.

1.2 Objeto do pedido de esclarecimento e da impugnação ao


edital

Embora o art. 164 se refira ao edital de licitação, entende-se que o pedido de


esclarecimento ao edital e a impugnação ao edital podem versar sobre o edital e
também sobre qualquer outro documento do processo licitatório.

Cabe lembrar que tanto o pedido de esclarecimento como a impugnação ao


edital são instrumentos que forçam a Administração a realizar o controle de
legalidade de seus atos.

Portanto, tendo em vista a redação do art. 164, é possível afirmar que é necessária
uma interpretação ampliativa do texto. Tal interpretação se afigura constitucional,
na medida em que amplia as garantias previstas na Constituição Federal.

1.3 Prazo para apresentar pedido de esclarecimento e a


impugnação ao edital

O prazo para apresentar pedido de esclarecimento e a impugnação ao edital é de


até 3 dias úteis anteriores à data da abertura do certame.

04
A data da abertura do certame é a data definida no edital na qual serão abertas as
propostas dos licitantes.

Questão prática: o que fazer quando houver escoado o prazo para


apresentar pedido de esclarecimento e a impugnação ao edital?
Haverá convalidação do ponto obscuro, contraditório, omisso? Haverá
convalidação da irregularidade?

Não haverá convalidação diante do escoamento do prazo para


apresentar pedido de esclarecimento e impugnação ao edital. A
Administração poderá rever o ato a qualquer tempo, com base no
poder de autotutela.1 Como medida prática, recomenda-se que, caso o
prazo para pedir esclarecimento ou impugnar edital tenha se escoado,
o agente receba o requerimento e o analise com fundamento no
direito de petição previsto no art. 5º, XXXIV, alínea a da Constituição
Federal.

1.4 Parte legítima para apresentar pedido de esclarecimento e


impugnação ao edital

A legitimidade para apresentar pedido de esclarecimento e impugnação ao edital


é ampla, podendo qualquer pessoa requerer, independente da condição ou não de
licitante.

Questão prática: uma empresa que não seja do ramo do objeto da


licitação pode impugnar edital de licitação?

Sim, a Lei nº 14.133/2021 conferiu ampla legitimidade para a


apresentação de pedido de esclarecimento e de impugnação ao
edital, não se restringindo para tanto que seja apresentado apenas
pelas empresas que potencialmente se enquadrem na condição de
licitante.

1
Súmula 473 do STF: A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios
que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de
conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos,
a apreciação judicial.
05
1.5 Prazo para a Administração divulgar a resposta ao pedido
de esclarecimento e à impugnação ao edital

A Administração deve divulgar a resposta ao pedido de esclarecimento e à


impugnação ao edital em até 3 dias úteis, limitado ao último dia anterior à data da
abertura do certame.

1.6 Onde será divulgada a resposta ao pedido de


esclarecimento

A resposta ao pedido de esclarecimento e à impugnação ao edital será divulgada


no sítio eletrônico oficial.

Sítio eletrônico oficial não é o Portal Nacional de Contratações Públicas.

Conforme art. 6º, inciso LII da Lei nº 14.133/2021, sítio eletrônico oficial é o sítio da
internet, certificado digitalmente por autoridade certificadora, no qual o ente
federativo divulga de forma centralizada as informações e os serviços de governo
digital dos seus órgãos e entidades.

1.7 Questões Práticas

a) Empresa punida pode impugnar edital?


No acórdão 365/2017, relatoria do Min. José Múcio Monteiro, o Plenário do TCU
entendeu que, independentemente de ter sido declarada inidônea, a empresa
poderia na condição de interessado apresentar impugnação ao edital, visto que o
pedido de impugnação não é restrito a licitantes.

Esse entendimento é plenamente compatível os dispositivos da Lei nº 14.133/2021,


pois essa também conferiu ampla legitimidade para apresentar pedido de
impugnação a edital, não limitando tal instrumento aos licitantes. Além disso, é
dever da Administração exercer o controle de legalidade sobre seus atos.

b) Toda impugnação ao edital gerará obrigatoriamente a


republicação do edital?

Essa questão aparentemente teórica tem repercussões sérias na condução do


certame. Isso porque a resposta a uma impugnação pode gerar a modificação dos
termos do edital e, portanto, atrair a necessidade de republicação o que, via de
consequência, geraria a reabertura do prazo mínimo para a apresentação de

06
propostas e lances, previsto no art. 55.

Atento a essa questão, o legislador previu no art. 55, §1º que a republicação do edital na
mesma forma de sua divulgação inicial, além do cumprimento dos mesmos prazos
dos atos e procedimentos originais, deverá ocorrer quando a alteração comprometer a
formulação das propostas.

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07
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Bacharel em Direito e Administração Pública. MBA em Licitações e Contratos, MBA em

Gestão Pública, Especialista em Metodologia do Ensino Superior, Professor e Orientador

de TCC dos MBAs em Licitações e Contratos da Faculdade Polis Civitas-PR,

Pós-Graduação NAVIGARI- MA e Centro Universitário São Lucas - RO, Professor do Grupo

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Prefeitura Municipal de Porto Velho - SEMOB, Pregoeiro Oficial do CRA-RO, palestrante e

instrutor na área de licitações e contratos, planejamento das contratações e formação de

pregoeiros, Professor convidado da Academia Militar das Agulhas Negras e FIOCRUZ.

Membro Especial da Ordem dos Pregoeiros e Agentes de Contratações da Paraíba e

Membro da Rede Governança Brasil. Autor de diversos artigos, E-books e Livros.

GISELLA LEITÃO
Advogada, palestrante, professora e consultora em licitações públicas. Mestra em Direito

pela UCP. Especialista em Direito Público e Privado pela Escola da Magistratura do

Estado do Rio de Janeiro (EMERJ), e em Licitações Públicas e Contratos Administrativos

pela A Vez do Mestre (AVM). Foi militar temporária da Marinha, exercendo as funções de

Chefe do Setor de Licitações e Contratos e Pregoeira. Foi Coordenadora Técnica Adjunta

e pregoeira no CONFERE. Atualmente é Controladora Interna na FeSaúde, Niterói.

Autora de livros na área de licitações e contratos. Criadora de conteúdo digital na área de

Licitações e Contratos. Idealizadora do perfil no Instagram: @diariodalicitante

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BRUNO VERZANI
Procurador do Estado do RJ, Ex-Procurador do Município de Campinas e Ex-Oficial do

Quadro Técnico de Direito da Marinha. Foi assessor jurídico da Rede Mário Gatti de

Campinas e, atualmente, trabalha como assessor jurídico da SEEDUC-RJ. Co-autor do

livro “Nova Lei de Licitações Anotada e Comparada” e autor dos Ebooks “Nova Lei de

Licitações Esquematizada” e “Jurisprudência do TCU por Temas”. Graduado em Direito

pela Universidade Federal Fluminense. Idealizador do perfil no Instagram

@[Link]

ANDRÉ MALHEIROS
Advogado (sócio do Escritório Malheiros Advocacia) Parecerista e Professor em Cursos

preparatórios para Concursos Públicos e Exame de Ordem. Especialista em Direito

Administrativo e Ética Profissional do Servidor Público. Coordenador da pós graduação

em Direito Administrativo e Eleitoral da UNIFAN. Membro do IBRADES (Instituto

Brasileiro de Dirieto e Sustentabilidade), da ABA Direito Administrativo - Associação

Brasileira de advogados Administrativistas, membro da comissão de Licitações e

contratos da OAB. Professor do Supremo concursos, CP Iuris, curso FORUM, CEJAS,

Escola Mineira de Direito, TEC concursos, da UNICORP- Tribunal de Justiça do Estado da

Bahia e da TV JUSTIÇA - STF. Autor do livro Nova Lei de Licitações e Contratos publicado

pelas edições câmara, a Editora da Câmara dos Deputados.

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