Clério José Patrício
Higiene e Segurança no Trabalho
Licenciatura em Gestão de Recursos Humanos
Universidade Licungo
Beira
2021
Clério José Patrício
Higiene e Segurança no Trabalho
Licenciatura em Gestão de Recursos Humanos
O Docente:
Msc. Samuel Zacarias
Universidade Licungo
Beira
2021
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Índice
Capitulo I: Contextualização......................................................................................................4
1.1 Introdução............................................................................................................................4
1.2. Objectivos...........................................................................................................................4
Capitulo II: Fundamentação Teórica..........................................................................................5
2.1. Higiene e Segurança no Trabalho.......................................................................................5
2.1.1. Principais Objectivos da Higiene do Trabalho.................................................................5
2.1.2 Segurança no trabalho.......................................................................................................6
2.2.2. Deveres e obrigações do empregador e empregado.........................................................7
Obrigações Gerais do Empregador............................................................................................7
Dever de Formação....................................................................................................................8
2.2.3. Obrigações e Deveres Gerais dos Trabalhadores.............................................................9
Direitos dos Trabalhadores......................................................................................................10
2.3.3. Elementos essenciais de acidentes de trabalho:.............................................................12
2.4. Factores de Acidentes de Trabalho...................................................................................13
2.4.1. Equipamentos de Protecção Individual..........................................................................13
2.4.2. Características dos EPIs quanto à protecção ao corpo:..................................................14
Capitulo III: Conclusão............................................................................................................16
Referências Bibliográficas.......................................................................................................17
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Capitulo I: Contextualização
1.1 Introdução
As empresas Moçambicanas necessitam de constantes capacitação dos trabalhadores e
empregadores com vista a prepara-los para uma vida profissional saudável porque de nada
serve uma empresa dispor de um potencial económico e de recursos humanos consideráveis
se não tiver boa prestação e de nada serve um País dispor de um bom conjunto de normas
regulamentares sobre a protecção dos trabalhadores contra os riscos profissionais, mesmo que
providas de sanções, se não forem capazes de convencer todos os intervenientes na relação
laboral da necessidade de mudar comportamentos, adoptar atitudes de Higiene e Segurança
no trabalho e cumprirem as regras que permitam prevenir a ocorrência de acidentes de
trabalho nos locais de actividades. Com o projecto Saber para Participar, a presente Formação
vai abordar aspectos de Higiene e Segurança no Trabalho como forma de por os
Empregadores, Sindicatos e demais participantes de normas da segurança do trabalho,
relacionando a actividade com a frequente versão ao uso dos equipamentos de protecção
individual (EPI). Estes equipamentos, apesar da grande importância, são deixados de lado
pelo Trabalhadores/Empregadores, elevando o risco de problemas de saúde e acidentes.
Apesar de avanço, muitas tecnologias são desenvolvidas para facilitar o trabalho, mas não são
adoptadas nas práticas do quotidiano, pelas empresas como forma de reduzir a exposição do
trabalhador durante a execução da sua actividade. Com esta formação, busca-se todos
procedimentos de HST, também mostrando os principais mal, como a Doença Ocupacionais e
acidentes de trabalho como causadoras de redução de produtividade ao nível das empresas.
1.2. Objectivos
1.2.1 Geral
Contextualizar sobre Higiene e Segurança no Trabalho.
1.2.2. Específicos
. Identificar os objectivos de Higiene e Segurança no Trabalho;
. Descrever os tipos de equipamentos de protecção individual;
. Expor os deveres e obrigações do empregador e empregado.
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Capitulo II: Fundamentação Teórica
2.1. Higiene e Segurança no Trabalho
Filipe (2016) Higiene do trabalho ou higiene ocupacional é um conjunto de medidas
preventivas relacionadas ao ambiente do trabalho, visando a redução de doenças
ocupacionais.
A higiene no trabalho pode ser entendida como o conjunto de normas e procedimentos
voltados para a protecção da integridade física e mental do trabalhador, procurando
resguardá-lo dos riscos de saúde relacionados com o exercício de suas funções e com o
ambiente físico onde o trabalho é executado. Para (Souza et al., 2012).
Uma das actividades da higiene do trabalho é a análise ergonómica do ambiente de trabalho,
não apenas para identificar factores que possam prejudicar a saúde do trabalhador e no
pagamento de adicional de insalubridade/periculosidade, mas para eliminação ou controlar
esses riscos, e para a redução do absenteísmo (doença). A capacidade analítica desenvolvida
nesse esforço permite ir além, na forma de identificação e proposição de mudanças no
ambiente e organização do trabalho que resultem também no aumento da produtividade, e da
motivação e satisfação do trabalhador que resultem na redução de outros tipos de
absenteísmo que não relacionado às doenças.
2.1.1. Principais Objectivos da Higiene do Trabalho
As actividades relacionadas à higiene e segurança no trabalho têm como preocupação básica
a garantia de condições adequadas à manutenção da saúde e do bem-estar dos empregados.
Além de possuírem carácter obrigatório, as acções neste sentido demonstram o grau de
seriedade com que uma organização trata seus trabalhadores e o nível de responsabilidade
social que a mesma possui (Souza, 2012).
Os esforços nesta área buscam o reconhecimento, a avaliação e o controle dos riscos à saúde
dos empregados, visando a prevenção das doenças ocupacionais, ou seja, aquelas
relacionadas à profissão. Seus principais objectivos são:
● Eliminar ou minimizar os factores que propiciam o surgimento das doenças profissionais.
●Reduzir os efeitos prejudiciais provocados pelo trabalho.
●Prevenir o agravamento de doenças, lesões ou deficiências apresentadas pelos empregados.
●Favorecer a execução da Produtividade.
O escopo, ou área de abrangência, da higiene no trabalho envolve três funções básicas:
Medicina Preventiva - Visa estabelecer a prevenção e o controle das principais doenças que
costumam se manifestar na população, evitando que os empregados da organização sejam por
elas atingidos. Os exames médicos periódicos são um exemplo deste tipo de acção.
Prevenção sanitária - Está voltada para a preservação de condições adequadas de higiene no
ambiente de trabalho, como combatendo os possíveis focos de contaminação. São exemplos
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de acções neste sentido o tratamento da água, e a manutenção do asseio nas instalações
sanitárias.
Medicina ocupacional - Visa à adaptação do empregado à sua função, ao enquadramento do
trabalhador em cargo adequado às suas aptidões fisiológicas e a protecção contra riscos
resultantes da presença de agentes prejudiciais à saúde. Como exemplo de procedimentos
relacionados à essa função, podemos citar a realização de exames médicos adicionais e
periódicos e o desenvolvimento de programas de reabilitação e readaptação funcional.
2.1.2 Segurança no trabalho
Filipe (2016) Segurança no trabalho é o conjunto de medidas tomadas com o objectivo de
prevenir acidentes. Suas principais estratégias de actuação são a eliminação das condições
inseguras do ambiente e o convencimento dos trabalhadores para que adoptem práticas
preventivas.
A segurança no trabalho constitui um dos factores decisivos para o aumento da
produtividade. Isso ocorre tanto pela redução dos afastamentos devidos a acidentes quanto
aos prejuízos para o ambiente, o clima psicológico que a falta de condições de segurança
adequadas gera.
O primeiro passo para o combate aos acidentes de trabalho é, naturalmente, a identificação
dos factores que proporcionam a sua ocorrência. Tais factores podem estar mais directamente
relacionados aos trabalhadores ou ao ambiente de trabalho. As principais causas de acidentes
são as seguintes:
● Características pessoais inadequadas, apresentando problemas relacionados à
personalidade, inteligência, motivação, aptidões sensoriais e motoras ou experiência.
●Comportamentos disfuncionais, como desatenção, esquecimento, negligência e
imprudência.
● Características de degradadas do ambiente de trabalho, como a presença de agentes
potencialmente causadores de acidentes, equipamentos mal projectados ou em precário
estado de conservação ou layout (arranjo físico) mal definido.
Todas as causas anteriormente citadas podem ser controladas pela direcção da organização.
Logicamente, os esforços nesse sentido não poderão garantir o alcance de um índice zero de
acidentes, pois existirá sempre a possibilidades de ocorrerem falhas humanas, defeitos nos
equipamentos ou outras contingências desfavoráveis. Porém, a falta de cuidados
direccionados ao controle das causas básicas de acidentes, irá elevá-los sensivelmente.
equipamentos ou outras contingências desfavoráveis. Porém, a falta de cuidados
direccionados ao controle das causas básicas de acidentes, irá elevá-los sensivelmente.
Apresentamos de seguida, algumas definições no âmbito desta temática (Didelet et al., 2014,
p.3):
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Acidente – Acontecimento indesejado que causa danos materiais ou pessoais (mortos,
feridos).
Incidente – Acontecimento indesejado que não causa danos mas que poderia ter causado
(quase- acidentes).
Perigo – Situação que constitui ameaça de perda. Fonte de risco.
Risco – Probabilidade de ocorrência, durante um dado período de tempo, de acontecimento
(s) não desejado (s) que são resultante (s) da ocorrência de um acontecimento perigoso.
Probabilidade de perda ou dano para as pessoas e/ou as propriedades.
2.2.2. Deveres e obrigações do empregador e empregado
As actividades de segurança, higiene e saúde no trabalho constituem, ao nível da empresa,
um elemento determinante da prevenção de riscos profissionais e da promoção e vigilância da
saúde dos trabalhadores.” A organização da segurança, higiene e saúde no trabalho é da
responsabilidade da entidade empregadora e deve abranger todos os trabalhadores sob a sua
responsabilidade.
Obrigações Gerais do Empregador
O princípio geral que preside, é o de que todos os trabalhadores têm direito à prestação de
trabalho em condições de segurança, higiene e de protecção da saúde. Sempre que cabe ao
empregador uma obrigação, cabe aos trabalhadores um direito (e vice versa) em matéria de
Higiene, Segurança e Saúde.
Princípio da Prevenção
A atitude preventiva deverá transparecer e ser desenvolvida segundo princípios, normas e
programas que visem, entre outros:
● A promoção e vigilância da saúde dos trabalhadores;
● A educação, formação e informação para promover a segurança, higiene e saúde no
trabalho;
● A eficácia de um sistema de fiscalização do cumprimento da legislação relativa à
segurança, higiene e saúde no trabalho.
Dever de Planificação
É obrigação do empregador planificar a prevenção na empresa, é obrigação da entidade
empregadora, relativamente à organização do trabalho, procurar eliminar os efeitos nocivos
do trabalho monótono e do trabalho cadenciado sobre a saúde dos trabalhadores.
Dever da Vigilância Médica
É obrigação da entidade empregadora assegurar a vigilância adequada da saúde dos
trabalhadores em função dos riscos a que se encontram expostos no local de trabalho.
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Dever de Instrução
A entidade empregadora tem por obrigação adoptar medidas e dar instruções que permitam
aos trabalhadores, em caso de perigo grave e iminente que não possa ser evitado.
É sua obrigação, no domínio do dever de fornecer instruções adequadas aos trabalhadores
ter em consideração se os trabalhadores têm conhecimentos e aptidões em matéria de
segurança e saúde no trabalho que lhes permitam exercer com segurança as tarefas de que os
incumbir.
É sua obrigação permitir unicamente a trabalhadores com aptidão e formação adequadas, e
apenas quando e durante o tempo necessário, o acesso a zonas de risco grave.
Dever de Cooperação
O Empregador desenvolve, simultaneamente, actividades com os respectivos trabalhadores
em cooperação com outros sector e cooperar no sentido da protecção da segurança e da
saúde. Responde com a obrigação de assegurar condições de segurança, higiene e saúde aos
trabalhadores.
Dever de Informação
Cabe ao empregador a obrigação e aos trabalhadores, assim como os seus representantes na
empresa, estabelecimento ou serviço, o direito, de fornecer/aceder a informação actualizada
sobre:
● O risco para a segurança e saúde, bem como as medidas de protecção e de prevenção e a
forma como se aplicam, relativos quer ao posto de trabalho ou função, quer, em geral, à
empresa, estabelecimento ou serviço;
● As medidas e as instruções a adoptar em caso de perigo grave e iminente;
● As medidas de primeiros socorros, de combate a incêndios e de evacuação dos
trabalhadores em caso de sinistro, bem como os trabalhadores ou serviços encarregados de as
pôr em prática. Momentos-chave são:
-A quando da admissão do trabalhador na empresa;
-Quando o trabalhador mude de posto de trabalho ou de funções;
-Quando sejam introduzidos novos equipamentos de trabalho ou os já existentes sofram
alterações;
-Quando seja adoptada uma nova tecnologia.
Dever de Formação
As entidades empregadoras têm o dever de assegurar aos seus trabalhadores uma formação
adequada e suficiente no domínio da segurança, higiene e saúde no trabalho, tendo em conta
as respectivas funções e o posto de trabalho.
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Dever de Consulta Prévia
As entidades empregadoras encontram-se ainda obrigadas a consultar previamente e em
tempo útil os representantes dos trabalhadores ou, na sua falta, os próprios trabalhadores,
sobre:
● As medidas de higiene e segurança antes de serem postas em prática ou, logo que seja
possível, em caso de aplicação urgente das mesmas;
● A designação dos trabalhadores responsáveis pela aplicação das medidas de primeiros
socorros, de combate a incêndios e de evacuação dos trabalhadores, a respectiva formação e o
material disponível;
● O material de protecção que seja necessário utilizar.
Dever de fornecer Meios e Recursos
Na aplicação destas medidas de prevenção, o empregador deve pois mobilizar os meios
necessários (nomeadamente, nos domínios da prevenção técnica, da formação e da
informação) e os serviços adequados (internos ou exteriores à empresa, estabelecimento ou
serviço), bem como o equipamento de protecção que se torne necessário utilizar, tendo
sempre em linha de conta a evolução da técnica em todos estes campos.
Dever de Reparação
Importa distinguir a natureza das obrigações do empregador relativas à prevenção de riscos
profissionais das que são relativas à reparação dos danos emergentes dos acidentes de
trabalho e das doenças profissionais.
2.2.3. Obrigações e Deveres Gerais dos Trabalhadores
Se a conduta do trabalhador tiver contribuído para originar a situação de perigo, poderá ser
de qualquer forma apurada a sua responsabilidade nessa medida; Constituem obrigação dos
trabalhadores:
● Cumprir as prescrições de segurança, higiene e saúde no trabalho estabelecidas nas
disposições legais ou convencionais aplicáveis e as instruções determinadas com esse fim
pelo empregador;
● Zelar pela sua segurança e saúde, bem como pela segurança e saúde das outras pessoas que
possam ser afectadas pelas suas acções ou omissões no trabalho;
● Utilizar correctamente, e segundo as instruções transmitidas pelo empregador, máquinas,
aparelhos, instrumentos, substâncias perigosas e outros equipamentos e meios postos à sua
disposição, designadamente os equipamentos de protecção colectiva e individual, bem como
cumprir os procedimentos de trabalho estabelecidos;
● Cooperar, na empresa, estabelecimento ou serviço, para a melhoria do sistema de
segurança, higiene e saúde no trabalho;
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● Comunicar imediatamente ao superior hierárquico ou, não sendo possível, aos
trabalhadores que na empresa ou estabelecimento desempenhem funções de organização das
actividades de segurança, higiene e saúde no trabalho, as avarias e deficiências por si
detectadas que se lhe afigurem susceptíveis de originarem perigo grave e iminente, assim
como qualquer defeito verificado nos sistemas de protecção;
●Em caso de perigo grave e iminente, não sendo possível estabelecer contacto imediato com
o superior hierárquico ou com os trabalhadores que desempenham funções específicas nos
domínios da segurança, higiene e saúde no local de trabalho, adoptar as medidas e instruções
estabelecidas para tal situação
Dever de Cooperação dos Trabalhadores
Os trabalhadores têm o dever de cooperar para que seja assegurada a segurança, higiene e
saúde nos locais de trabalho, cabendo-lhes, em especial:
Tomar conhecimento da informação e participar na formação, proporcionadas pela empresa
sobre segurança, higiene e saúde no trabalho;
Comparecer aos exames médicos e realizar os testes que visem garantir a segurança e saúde
no trabalho;
Prestar informações que permitam avaliar, no momento da admissão, a sua aptidão física e
psíquica para o exercício das funções correspondentes à respectiva categoria profissional.
Direitos dos Trabalhadores
Direito à Higiene, Segurança e Protecção da Saúde no Trabalho. Todos os trabalhadores têm
direito à prestação de trabalho em condições de segurança, higiene e de protecção da saúde.
Direito à informação
Em termos gerais, os trabalhadores têm direito a dispor de informação permanente e
actualizada sobre: Riscos, medidas, e tudo inerente a actividade.
Direito a Formação
Os trabalhadores têm direito a receber formação adequada e suficiente no domínio da
segurança, higiene e saúde no trabalho, tendo em conta as respectivas funções e o posto de
trabalho.
Direito de Participação
Os trabalhadores têm o direito de apresentar propostas; caso detectem riscos profissionais,
têm o direito de, por si ou por intermédio dos seus representantes, apresentar propostas, de
modo a minimizar esses mesmos riscos. Para tal, assiste-lhes o direito de aceder a todas as
informações técnicas objecto de registo, provenientes de serviços de inspecção e outros
organismos competentes no domínio da segurança, higiene e saúde no trabalho, e ainda a
dados médicos colectivos (não individualizados).
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Direito de consulta prévia
Os trabalhadores ou os seus representantes têm o direito de ser previamente consultados
sobre: os riscos, a equipe que vai constituir a CIPA ou a criação ou a exoneração da equipe
responsável pela segurança e higiene no trabalho e mais situações.
3.3.1. Prevenção de Acidentes
A segurança busca minimizar os acidentes de trabalhos.
Se procurarmos num dicionário poderemos encontrar “Acontecimento imprevisto, casual, que
resulta em ferimento, dano, estrago, prejuízo, avaria, ruína, etc.
Os acidentes, em geral, são o resultado de uma combinação de factores, entre os quais se
destacam as falhas humanas e falhas materiais. Vale a pena lembrar que os acidentes não
escolhem hora nem lugar. Podem acontecer em casa, no ambiente de trabalho e nas inúmeras
locomoções que fazemos de um lado para o outro, para cumprir nossas obrigações diárias.
Quanto aos acidentes do trabalho o que se pode dizer é que grande parte deles ocorre porque
os trabalhadores se encontram mal preparados para enfrentar certos riscos.
2.3.2. Acidente de trabalho
Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa,
provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte, a perda ou redução da
capacidade para o trabalho, permanente ou temporária. Ou é o sinistro que se verifica, no
local e durante o tempo do trabalho, desde que produza, directa ou indirectamente, no
trabalhador subordinado lesão corporal, perturbação funcional ou doença de que resulte a
morte ou redução na capacidade de trabalho ou de ganho.
Considera-se ainda acidente de trabalho o que ocorra:
Na ida ou regresso do local de trabalho, quando utilizado meio de transporte fornecido pelo
empregador, ou quando o acidente seja consequência de particular perigo do percurso normal
ou de outras circunstâncias que tenham agravado o risco do mesmo percurso;
Antes ou depois da prestação do trabalho, desde que directamente relacionado com a
preparação ou termo dessa prestação;
Por ocasião da prestação do trabalho fora do local e tempo do trabalho normal, se se verificar
enquanto o trabalhador executa ordens ou realiza serviços sob direcção autoridade do
empregador;
Na execução de serviços, ainda que não profissionais, fora do local e tempo de trabalho,
prestados espontaneamente pelo trabalhador ao empregador de que possa resultar proveito
económico para este;
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Acidentes no local de trabalho, quando no exercício do direito de reunião ou de actividade de
representantes dos trabalhadores, nos termos da lei;
Acidentes no local de trabalho, quando em frequência de curso de formação ou, fora do local
de trabalho, quando exista autorização expressa pela empresa;
Acidentes fora do local ou do tempo de trabalho, quando verificado na execução de serviços
determinados ou consentidos pela empresa;
O acidente que ligado ao trabalho, embora não tenha sido a causa única, haja contribuído
directamente para a morte do trabalhador, para a perda ou a redução de sua capacidade para o
trabalho, ou produzida lesão que exija atenção médica para a sua recuperação.
Se a lesão resultante do acidente de trabalho ou doença profissional não for reconhecida
imediatamente, compete à vítima ou aos beneficiários legais provar que foi consequência
dele.
2.3.3. Elementos essenciais de acidentes de trabalho:
- O Espacial (local de trabalho);
- O Temporal (tempo de trabalho);
- O Causal (causa-efeito entre o evento e a lesão).
Lesão corporal é qualquer dano produzido no corpo humano, seja ele leve, como, por
exemplo, um corte no dedo, ou grave, como a perda de um membro. Perturbação funcional é
o prejuízo do funcionamento de qualquer órgão ou sentido. Por exemplo, a perda da visão,
provocada por uma pancada na cabeça, caracteriza uma perturbação funcional.
A Doença Profissional é a modificação na saúde do trabalhador, desencadeada pelo
exercício da sua actividade profissional. Por exemplo, um trabalhador com problemas
respiratório devido a exposição a Nicotina por exposição constante com as folhas do Tabaco
durante muito tempo no exercício da sua profissão ou motorista do camião que fica com um
problema de coluna por causa de problemas de postura ao conduzir o veículo.
A Doença do Trabalho é a modificação na saúde do trabalhador, desencadeada em função
de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relaciona directamente. Por
exemplo, um motorista de caminhão que adquire um problema respiratório, porque trabalha
em uma empresa de Tabaco e acaba respirando o ar do ambiente do trabalho.
Um acidente de trabalho pode ser classificado por:
Acidente sem afastamento: pode levar o trabalhador a se ausentar da empresa apenas por
algumas horas até 24 horas. É que ocorre, por exemplo, quando o acidente resulta num
pequeno corte no dedo. Ou após o acidente o empregado continua a trabalhando. Este tipo de
acidente não é considerado nos cálculos de estatística mensal de acidentes da empresa
embora deve ser investigado e anotado em relatório, além de exposto nas estatísticas mensais.
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Acidente com afastamento pode deixar o trabalhador impedido de realizar suas actividades
por dias seguidos, ou meses, ou de forma definitiva. Se o trabalhador acidentado não retornar
ao trabalho imediatamente ou até no dia seguinte, temos o chamado, que pode resultar na
incapacidade temporária ou, ainda, na incapacidade e parcial e permanente, ou, ainda, na
incapacidade total e permanente para o trabalho.
2.4. Factores de Acidentes de Trabalho
Diversos factores podem provocar acidentes de trabalho como falta de manutenção de
maquinaria, não utilização de equipamentos de segurança e até mesmo falta de organização.
No entanto, as causas desses tipos de acidentes podem ser classificadas em três grupos
principais:
ato abaixo do padrão, condição abaixo do padrão e factor pessoal de insegurança. Vamos
conhecer melhor cada um deles:
Acto inseguro (acto abaixo do padrão): são aqueles que dependem das acções dos homens
como fontes causadoras de acidentes. Ex.: deixar de usar equipamento de protecção
individual, entrar em áreas não permitidas e operar máquinas sem estar habilitado, o não
cumprimento de normas, etc. Estima – se em 80% a 86% como causa dos acidentes.
Condição insegura (condição abaixo do padrão): são as condições físicas no ambiente de
trabalho que podem gerar acidentes. Ex.: piso escorregadio, ferramentas em mau estado de
conservação e iluminação e ventilação inadequadas, geralmente são representadas pelas
situações da natureza do tipo de trabalho, (estima se 14% a 20%).
Factor pessoal de insegurança: As pessoas cometem actos inseguros ou criam condições
inseguras ou colaboram para que elas continuem existindo, pelo seu modo de agir. Ex.:
desconhecimento dos riscos de acidentes, treinamento inadequado, excesso de confiança,
problemas sociais, nervosismo etc.
2.4.1. Equipamentos de Protecção Individual
EPI é um instrumento de uso pessoal, cuja finalidade é neutralizar a acção de certos acidentes
que poderiam causar lesões ao trabalhador e protegê-lo contra possíveis danos à saúde,
causados pelas condições de trabalho. A empresa é obrigada a fornecer aos empregados,
gratuitamente, o EPI adequado ao risco e exigir do funcionário o uso do mesmo, nas
seguintes circunstâncias:
̵ Sempre que as medidas de protecção colectiva forem tecnicamente inviáveis, ou não
oferecerem completa protecção contra os riscos de acidentes do trabalho ou doenças
ocupacionais;
̵ Enquanto as medidas de protecção colectiva estiverem sendo implantadas;
̵ Para atender situações de emergência.
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2.4.2. Características dos EPIs quanto à protecção ao corpo:
1 - Protecção para a cabeça:
a) Protectores faciais e óculos de segurança destinados à protecção da face e dos olhos contra
partículas, respingos, poeiras, vapores de produtos químicos e radiações intensas;
b) Capacetes de segurança, para protecção do crânio nos trabalhos sujeitos a agentes
meteorológicos, impactos provenientes de quedas, projecção de objectos, queimaduras ou
choque eléctrico.
2 - Protecção para os membros superiores:
São as luvas, mangas de protecção ou cremes protectores, que devem ser usados nos
trabalhos em que haja perigo de lesão provocada por:
a) Materiais abrasivos ou objectos escoriastes, abrasivos, cortantes ou perfurantes;
b) Produtos químicos corrosivos, cáusticos, tóxicos, alérgicos, oleosos, graxos, solventes
orgânicos e derivados de petróleo;
c) Materiais ou objectos aquecidos ou demasiadamente frio;
d) Choque eléctrico;
e) Radiações perigosas;
f) Agentes biológicos.
3 - Protecção para os membros inferiores:
As pernas e os pés são partes do corpo que, além de estarem sujeitos directamente ao
acidente, ainda mantém o equilíbrio do corpo. Por esta razão estes EPIs ganham dupla
importância, ou seja, proteger directamente os membros inferiores e evitar a queda, o que
pode ter consequências graves. São exemplos desses dispositivos:
a) Sapatos ou botas de segurança de couro, com ou sem biqueira e palmilha de aço;
b) Bota de borracha para superfícies molhadas;
c) Perneiras de raspa de couro.
4 - Protecção contra quedas com diferença de níveis:
a) Cinto de segurança para trabalho em alturas superior a 2 metros em que haja risco de
queda;
b) Cadeira suspensa para trabalho em alturas em que haja necessidade de deslocamento
vertical;
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c) Trava-quedas de segurança acoplado ao cinto de segurança independente, quando houver
movimentação de qualquer natureza em alturas.
5 - Protecção auditiva:
Protectores auriculares nos locais em que o nível de pressão sonora ultrapassar os limites
estabelecidos na NR-15. Existem dois modelos básicos:
a) Protector tipo concha;
b) Protector tipo plug de inserção (espuma ou silicone);
c) Aparelhos de isolamento (autónomos ou de adução de ar), para locais de trabalho onde a
concentração de oxigénio seja inferior a 18% em volume.
6 - Protecção respiratória:
Quando houver exposições a agentes ambientais em concentrações prejudiciais à saúde do
trabalhador. São usados os seguintes tipos:
a) Respiradores contra poeiras;
b) Máscara para trabalhos de limpeza por abrasão, através de jateamento de areia;
c) Respiradores e máscaras de filtro químico para exposição a agentes químicos prejudiciais à
saúde.
7 - Protecção do tronco:
São os aventais, guarda-pós, capas e jaquetas que são usados na protecção contra riscos de
origem térmica, radioactiva, química, mecânica e meteorológica, podendo ser confeccionado
em raspa de couro, lona, plástico, etc., de acordo com o respectivo risco.
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Capitulo III: Conclusão
Conclusão
A Segurança e Higiene no Trabalho têm vindo a evoluir e desde há muito tempo que tem
vindo a ser um assunto de extrema importância nas organizações e em toda a sociedade. É
essencial a aplicação de um conjunto de medidas que visam a protecção do trabalhador na sua
actividade laboral, pois este está exposto a riscos e perigos inerentes à tarefa e a sua
segurança tem de ser prioritária, de modo a minimizar a sua exposição a acidentes de
trabalho. Para que a segurança no trabalho, numa empresa ou organização, seja eficaz é
importante a monitorização de um conjunto de processos tais como a actividade, o sistema, as
instalações e o meio ambiente que o envolva. Este controlo é feito através de sistemas de
gestão. Este relatório sintetiza os aspectos essenciais a ter em conta a nível de SHT na
empresa Lamarserv, uma empresa prestadora de serviços que labora na SECIL Outão. Aquilo
a que nos propusemos foi elaborar um manual que fosse um contributo efectivo, que
permitisse especificar alguns dos perigos e riscos no âmbito das principais actividades
exercidas na empresa, indicando ao mesmo tempo alguns procedimentos mais adequados. A
nível metodológico, a elaboração do projecto e o output do mesmo, alicerçaram-se a
entrevistas semiestruturadas, análise documental e pesquisa bibliográfica relativamente a
questões de SHT. Ao longo do presente projecto apercebemo-nos de como é importante toda
a temática que envolve a Higiene e Segurança no Trabalho, a identificação de perigos e
avaliação de riscos, a higiene no trabalho, a segurança no trabalho, a segurança entre o
homem e a máquina, a importância de equipamentos de protecção bem como a prevenção,
são temáticas abordadas ao longo do desenvolvimento do projecto que nos alertam para a
importância da integridade da vida do trabalhador. A identificação de perigos e avaliação de
riscos é essencial para garantir a segurança das empresas e de todos os seus colaboradores.
Ao longo os anos, foram e continuam a ser criados, desenvolvidos e aperfeiçoados vários
métodos que visam a identificação dos riscos e perigos presentes nos locais de trabalho e a
respectiva análise das suas consequências, bem como a eliminação ou redução de danos,
mediante a adopção de diferentes medidas de controlo.
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Referências Bibliográficas
ASSUNÇÃO, A. (2003). Uma Contribuição ao Debate sobre as Relações Saúde e
Trabalho. Ciência e Saúde Colectiva , 8 (4), pp. 1005-1018.
CAMPOS, Armando Augusto, Educação ocupacional, 5ª Ed. 2002,CIPA São Paulo;
CAETANO, A. & Vale, J. (2000). Gestão de Recursos Humanos: Contextos,
Processos e Técnicas. 2a Ed. Lisboa: Editora RH.
FILIPE, Alexandre. Manual de formação em Higiene e Segurança no Trabalho.
Comissão Consultiva do Trabalho. Maputo, 2016.
Instituto do desenvolvimento e inspecção das condições de trabalho concepção de
locais de trabalho HST- 3ª Ed. Lisboa, 1998;
MIGUEL, Alberto S.R, Manual de HST, 8ª Ed. Porto Editora, 2005;
SOUZA, Agamêmnom Rocha. Principais Objetivos da Higiene e Segurança no
Trabalho. Curso de Ciências Contábeis (Coordenador) - UniFOA. Disponível em:
[Link]/web/conteudo/7_289054.asp. Ano 2012.
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