PEDRO HENRIQUE FONTAN
PEDRO TAVARES MENDES
Analise de viabilidade econômica em geração compartilhada em diferentes
estados
PROJETO DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO
APRESENTADO AO DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA INDUSTRIAL
DA PUC-RIO, COMO PARTE DOS REQUISITOS PARA OBTENÇÃO
DO TÍTULO DE ENGENHEIRO DE PRODUÇÃO
Orientador: Bruno Fanzeres
Departamento de Engenharia Industrial
Rio de Janeiro, XX de Junho de 2024.
RESUMO
ABSTRACT
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO.................................................................................................................7
2. REFERENCIAL TEORICO..............................................................................................9
2.1 Sistema Solar Off-Grid............................................................................................11
2.2 Sistema Solar On-Grid.............................................................................................12
2.3 Sistema Solar Híbrido..............................................................................................12
2.4 O Sistema Fotovoltaico............................................................................................13
2.5 Geração distribuida..................................................................................................13
2.5.1 Marcos legais da geração distribuída...............................................................13
2.5.2 Grupos tarifários...............................................................................................15
[Link] Tarifa do Uso do Sistema de Distribuição (TUSD).....................................16
[Link] Tarifa de Energia (TE).................................................................................16
[Link] TUSD Geração.............................................................................................16
2.6 Indicadores Financeiros...........................................................................................17
2.6.1 Valor Presente Líquido (VPL).........................................................................17
2.6.2 Taxa Interna de Retorno (TIR).........................................................................18
2.6.3 PAY-BACK Descontado.................................................................................18
2.6.3 LCOE......................................................................................................................19
3. METODOLOGIA............................................................................................................20
3.1 O Modelo de negócios.............................................................................................20
3.2 Sistema Fotovoltaico................................................................................................20
3.2.1 Arranjo fotovoltaico.........................................................................................20
3.3 Método para Análise de Viabilidade Econômica de uma UFV...............................21
3.3.1 Demonstrativo de Receita da Empresa............................................................22
3.3.2 Estimativa de Receita.......................................................................................22
3.3.3 Geração de Energia..........................................................................................22
3.3.4 Tarifa de Energia..............................................................................................24
3.3.5 Estimativa dos Custos......................................................................................24
[Link] CAPEX (Capital Expenditures)...................................................................24
[Link] OPEX (Operating Expenses)........................................................................24
[Link] Custos Fixos.................................................................................................24
[Link] Custos Variáveis...........................................................................................24
[Link] Depreciação..................................................................................................24
[Link] EBITDA.......................................................................................................25
[Link] EBIT.............................................................................................................25
[Link] EBT..............................................................................................................25
[Link] Lucro Líquido Operacional..........................................................................25
[Link] Fluxo de Caixa para a Firma....................................................................25
[Link] Fluxo de Caixa Livre para o Acionista....................................................26
[Link] Fluxo de Caixa Descontado (DFC) e o Valor Presente............................26
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES...................................................................................28
5. CONCLUSÃO.................................................................................................................29
Lista de Figuras
Figura 1 - Matriz Energética Brasileira (EPE, 2022).................................................................9
Figura 2 - Matriz Elétrica Brasileira (EPE, 2022)....................................................................10
Figura 3 - Oferta mundial de Energia (MME, 2022)...............................................................11
Figura 4 - Oferta interna de Energia Elétrica (MME, 2022)....................................................11
Figura 5 - Sistema OffGrid (Minha Casa Solar, 2023)............................................................11
Figura 6 - Sistema OnGrid (NeoSolar, 2023)..........................................................................12
Figura 7 - Sistema Híbrido (NeoSolar, 2023)..........................................................................12
Figura 8 - Parametros de entrada no PVSyst (O autor, 2024)..................................................21
Figura 9 - Diagrama de perdas (O Autor, 2024)......................................................................23
Figura 10 - Probabilidade de geração (O Autor , 2024)...........................................................23
1. INTRODUÇÃO
A maior preocupação em relação ao futuro da humanidade é a deterioração do meio
ambiente. Ações humanas relacionadas à exploração e dependência de combustíveis fósseis
(como petróleo, carvão, gás, entre outros…) são responsáveis pela emissão significativa de
dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa. Cerca de 90% das emissões de dióxido de
carbono são geradas pela utilização de combustíveis fósseis (ZIMON et al.,2023).
É de grande importância analisar políticas energéticas e climáticas relacionadas com
transição energética e descarbonização, pois a continuação do uso de combustíveis fósseis
perdurará o impacto negativo das alterações climáticas (DALEI et al.,2024).
Em muitos países, a utilização de usinas fotovoltaicas (UFV) para gerar energia tem sido
cada vez mais vista como uma opção para mitigar os impactos ambientais ligados às
mudanças climáticas e à dependência de combustíveis não-renováveis. (FERREIRA et
al.,2018).
Segundo Hampl (2024), no Brasil, a eletricidade tem grande potencial de ser mais limpa,
isenta de carbono, acessível e eficiente gerada a partir de fontes de energias renováveis, como
é o caso do uso da energia solar.
Nesse contexto, o Brasil, devido a sua localização na zona intertropical, possui um grande
potencial para a produção de energia por meio de células fotovoltaicas. Em zonas remotas, o
uso da energia solar proporciona vantagens de longo prazo em relação à rede elétrica
tradicional (FERREIRA et al.,2018).
Com a Resolução Normativa ANEEL nº 482/2012 no ano de 2012, entrou em vigor no Brasil
o Sistema de Compensação de Energia Elétrica (SCEE) e a Geração Distribuída (GD)
(ANEEL, 2023).
A GD é implementada por meio do SCEE que permite que as unidades geradoras produzam
energia e injetem na rede de energia elétrica da concessionária, gerando assim créditos. É
formada por pequenas unidades geradoras de energia localizadas próximas ao local de
consumo e prioriza fontes renováveis como hídrica, eólica e energia solar. (WEG, 2024)
Segundo ANEEL (2023), políticas públicas de incentivo às fontes de energia renováveis,
como o caso da Lei 14.300/202, mais conhecida como o Marco-legal da Geração Distribuída,
aprimoraram as regras para microgeração e minigeração e impulsionaram o crescimento da
GD no Brasil.
E em meio a este cenário de crescimento da GD, o objetivo deste trabalho é entender em cada
estado brasileiro a relação entre a geração e o preço da tarifa de energia, buscando entender
assim, quais os melhores estados para implantar uma UFV pela ótica de um investidor.
Através do software PVSyst, foram realizadas simulações para definir as curvas de geração
para cada cenário, já para a obtenção das tarifas foram consultados os dados abertos da
Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).
Este trabalho está dividido em seis capítulos, sendo eles introdução, referencial teórico,
metodologia, resultados, discussão e conclusão. A introdução inseriu a demanda por energia
renovável e contextualizou inicialmente o objeto de estudo do trabalho.
2. Descrição do cenário
2.1 Matriz Energética e Elétrica Brasileira
A matriz elétrica, componente da matriz energética, compreende o conjunto de fontes de
energia utilizadas para a geração de eletricidade. Já a matriz energética abrange todas as
formas de energia utilizadas em um país, incluindo combustíveis fósseis, biomassa e outras
fontes não elétricas.
Ao analisar a matriz elétrica, é possível identificar a participação de cada fonte na geração de
energia, como hidrelétrica, eólica, solar, térmica, nuclear, entre outras. Essa análise fornece
informações valiosas sobre a diversificação da matriz energética, a segurança energética e o
impacto ambiental da geração de eletricidade. A diversificação da matriz, por meio da
integração de fontes renováveis e tecnologias inovadoras, é crucial para garantir um futuro
energético sustentável e resiliente.
O gráfico abaixo sobre Matriz Energética Brasileira fornecido pela Empresa de Pesquisa
Energética indica que a somando de lenha e carvão vegetal, hidráulica, derivados de cana,
eólica e solar e outras renováveis totalizam 47,4%, quase metade da nossa matriz energética.
Já o gráfico referente à Matriz Elétrica Brasileira revela que esta é predominantemente mais
renovável em comparação com a Matriz Energética, devido à significativa contribuição das
usinas hidrelétricas na geração de energia elétrica no país e o crescimento da eólica e solar.
Figura 1 - Matriz Energética Brasileira (EPE, 2022)
Figura 2 - Matriz Elétrica Brasileira (EPE, 2022)
Segundo a análise elaborada na Resenha Energética Brasileira de 2023 divulgada Ministério
de Minas e Energia (MME) com dados referentes ao ano de 2022, o Brasil teve um
crescimento significativo das fontes renováveis na matriz energética do país.
Na matriz energética, o ano de 2022 foi um ano com expansão recorde das fontes renováveis,
com ênfase na geração solar fotovoltaica através da modalidade de Geração Distribuída
(GD). A energia solar registrou um crescimento de 20%, enquanto as demais fontes
renováveis, como a hidráulica e a eólica, registraram um crescimento respectivamente de
14% e 20%. Na matriz elétrica, a solar apresentou um crescimento expressivo de 79,8%, a
geração hidráulica teve um aumento de 17,7% e a eólica de 12,9%.
As políticas públicas de incentivo às fontes renováveis e à Micro e Minigeração Distribuída
(GD) impulsionaram a instalação de energia fotovoltaica nos setores residencial e comercial.
A Lei nº 14.300/2022, que consolidou o marco legal da GD, assegurou a isenção da Tarifa de
Uso do Sistema de Distribuição (TUSD) até 2045 para sistemas implantados ou com
solicitações de acesso protocolados até 07/01/2023, além de permitir isenção parcial
conforme uma regra de transição para sistemas implantados até 31 de dezembro de 2028.
Esse cenário propiciou um incremento na instalação de sistemas de energia fotovoltaica nos
segmentos residencial e comercial.
O gráfico abaixo da Oferta Interna de Energia no Brasil presente na Resenha Energética
Brasileira de 2023 divulgada pelo MME indica que, ao considerar as fontes renováveis, os
números indicam um aumento de 51,5% em solar, 14% na fonte hidráulica e 12,9%. Já o
gráfico da Oferta Interna de Energia Elétrica ilustra os 87,9% de fontes renováveis na matriz
elétrica brasileira.
Figura 3 - Oferta mundial de Energia (MME, 2022)
Figura 4 - Oferta interna de Energia Elétrica (MME, 2022)
2.2 Energia Solar no brasil
2.3 Sistema Solar Off-Grid
Um sistema solar off-grid, também conhecido como sistema isolado ou autônomo,
proporciona a não dependência da rede elétrica da concessionária/distribuidora. A energia é
gerada através de painéis fotovoltaicos, e armazenada em baterias para uso posterior,
viabilizando o consumo de energia elétrica em locais remotos ou onde a rede elétrica não está
disponível.
Este sistema é composto por paineis solares, controlador de carga, banco de baterias e
inversor, pode ser dimensionado de acordo com a demanda energética do local, desde
pequenas aplicações, como iluminação e recarga de dispositivos eletrônicos até alimentar
uma pequena comunidade (SOPRANO, 2023).
Figura 5 - Sistema OffGrid (Minha Casa Solar, 2023)
O grande desafio deste sistema é vencer o elevado custo e baixa vida útil dos bancos de
baterias (LINSSEN,2015), sendo este sistema recomendado para casos em que não há o
fornecimento de energia por meio convencional ou requer estabilidade de energia.
2.4 Sistema Solar On-Grid
O sistema OnGrid solar, conhecido também como conectado à rede, proporciona a economia
e sustentabilidade sem a necessidade de armazenagem de energia por bancos de baterias. Este
sistema consiste na geração de energia e injeção desta na rede da concessionária, gerando
assim créditos para a Unidade Geradora – UG.
Figura 6 - Sistema OnGrid (NeoSolar, 2023)
2.5 Sistema Solar Híbrido
Os sistemas híbridos foram introduzidos no Brasil em 2022 quando o INMETRO, através da
portaria nº140/2022 incluiu os inversores híbridos no mercado brasileiro. Estes equipamentos
proporcionam sistemas conectados à rede armazenarem energia de forma inteligente.
Figura 7 - Sistema Híbrido (NeoSolar, 2023)
2.6 O Sistema Fotovoltaico
Em frente às vantagens e desvantagens dos potenciais sistemas, este trabalho tem como
objeto de estudo um sistema fotovoltaico OnGrid.
Os módulos fotovoltaicos possuem tecnologia capaz de converter a luz solar em eletricidade
sem auxílio de motores térmicos, essas células fotovoltaicas contêm camadas de material
semicondutor. Os circuitos devem ser organizados em série e paralelo, para que no momento
que a luz atingir a célula, os níveis de tensão e corrente sejam elevados, gerando assim
energia em corrente contínua (CC). A medida desta energia gerada é mencionada como
quilowatt pico (kWp) (RATHORE et al.,2021)
Já os inversores fotovoltaicos são os responsáveis pela transformação de CC gerada pelos
módulos fotovoltaicos para corrente alternada (CA) que alimentará a rede. Estes devem ser
dimensionados com uma potência de saída CA nominal cerca de 30% abaixo da potência
nominal (kWp) do painel fotovoltaico (BURGUER, 2006).
2.7 Geração distribuida
No Brasil há dois regimes regulamentados pela Agência Nacional de Energia Elétrica
(ANEEL) sendo Geração Centralizada (GC) e Geração Distribuída (GD).
A geração centralizada consiste em usinas em áreas remotas, com mais de 5MW de potência
instalada, tendo alto impacto ambiental, seja por queima de fontes não renováveis ou pela
criação de represas. Este modelo possui maiores perdas de energia devido à transmissão, alta
necessidade de manutenção preventiva e dependem de um alto investimento inicial.
As usinas em GD estão mais próximas aos consumidores (na mesma área da concessionária),
possuem potência entre 75kW e 3MW, sendo estas de fontes renováveis. Pelo fato de estarem
próximas aos consumidores, as perdas de transmissão são minimizadas.
2.7.1 Marcos legais da geração distribuída
A Lei Nº 10.848/2004, sendo esta o marco regulatório do Setor Elétrico Brasileiro (SEB)
durante duas décadas, inseriu o termo GD no Brasil, proporcionou a realização de leilões de
contratação de energia em GC. No mesmo ano, o Decreto Nº 5.163/2004 regulamentou a
comercialização da energia elétrica e os procedimentos de outorga, a REN Nº 77/2004 que
determinou procedimentos relacionados com a redução das tarifas de uso do sistema de
transmissão/distribuição (TUST/D) para geração solar distribuída e a REN Nº 414/2010
firmou condições de fornecimento de energia elétrica.
Já em 2012 a REN Nº 482/2012 segmentou a GD em Micro e Minigeração Distribuída
(MMGD) com potências até 100 kW para Microgeração e entre 100 e 1000 kW para
Minigeração. A normativa inseriu o Sistema de Compensação de Energia Elétrica (SCEE),
viabilizando assim que quaisquer consumidores de energia possam injetar energia na rede e
ser compensado por meio de créditos. A priori a compensação destes créditos ocorriam
somente no mesmo CPF ou CNPJ, podendo ser utilizado com prazo de 36 meses, no mesmo
local de geração ou não, desde que na mesma área de concessã[Link] mesmo ano, a REN Nº
502/2012 regulamentou os sistemas de medição de energia elétrica de unidades consumidoras
do Grupo B (baixa tensão)(SANTOS, 2017).
Em 2015, a REN Nº 687/2015 mudou os limites de minigeração até 75 kW e microgeração
entre 75 kW e 5.000 kW( sendo 3.000,0 kW para a fonte hídrica). Pela primeira vez foi
possível nestas modalidades de MMGD: Imóveis individuais, condomínios, cooperativas e
consórcios. Alterou a validade dos créditos de 36 para 60 meses.
Os modelos de negócio em MMGD desde 2015 são:
I – Autoconsumo local: mesma unidade consumidora que injeta a energia elétrica, para ser
utilizado em ciclos de faturamento subsequentes, transformando-se em créditos de energia
elétrica;
II – Autoconsumo remoto: outras unidades consumidoras do mesmo consumidor-gerador,
inclusive matriz e filiais, atendidas pela mesma concessionária ou permissionária de
distribuição de energia elétrica;
III – Empreendimento com múltiplas unidades consumidoras (EMUC): outras unidades
consumidoras localizadas no empreendimento com múltiplas unidades consumidoras que
injetou a energia elétrica; ou
IV – Geração compartilhada: unidades consumidoras de titular integrante de geração
compartilhada atendidas pela mesma concessionária ou permissionária de distribuição de
energia elétrica.
Em 2022, a Lei Nº 14.300/2022 traz mudanças consideráveis ao setor com alterações na
compensação dos componentes da tarifa, em respaldos jurídicos e reduzindo também a
potência de Minigeração de 5MW para 3MW para fontes não despachaveis (solar).
Anteriormente à Lei Nº14300, a compensação da energia por meio de GD era equivalente a
todos os componentes da Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD) e Tarifa de
Energia (TE). Com esta nova regulamentação todos os componentes da TUSD continuam
sendo compensados, com exceção ao Fio B. Esta transição representa uma redução de até
36% da compensação da tarifa de energia, dependendo de fatores como modelo de negócio,
potência da unidade geradora (UG), entre outros (GREENER, 2023).
A regra para a transição para este modelo será dada gradualmente até 2028, quando a ANEEL
definirá uma nova norma para a tarifação. Para os novos empreendimentos após 2023 (ano
em que a lei 14300 entrou em vigor), a não compensação será de:
I - 15% a partir de 2023;
II - 30% a partir de 2024;
III - 45% a partir de 2025;
IV - 60% a partir de 2026;
V - 75% a partir de 2027;
VI - 90% a partir de 2028;
A partir de 2029 será disposta uma nova regra de compensação para GD. Este modelo de
compensação se chama GDII, em outros casos, a não compensação de energia pode ser dada
por 100% do Fio A, 40% do Fio B e 100% dos encargos de P&D e Taxa de Fiscalização de
Serviços de Energia Elétrica (TFSEE).
2.7.2 Grupos tarifários
No Brasil, a ANEEL classifica as unidades consumidoras em dois grandes grupos tarifários:
grupos A e B, com base na tensão de fornecimento e no perfil de consumo. Essa divisão visa
garantir um sistema tarifário mais justo e equilibrado, adequando os preços da energia aos
diferentes cenários de cada tipo de consumidor.
O grupo A possui como característica maior consumo e demanda, a tarifação é composta pela
cobrança de energia e pela potência (demanda) contratada. As tensões de fornecimento são
acima de 2,3 kV sendo divididos em seis grupos:
A1: Grandes consumidores industriais e comerciais;
A2: Grandes consumidores de serviço público;
A3: Consumidores de serviço público e pequenos consumidores industriais e
comerciais;
A3a: Consumidores de serviço público e pequenos consumidores industriais e
comerciais em MT;
A4: Consumidores de MT;
AS: Consumidores de sistemas subterrâneos;
Já o grupo B são referentes aos consumidores de menor porte, sendo eles na maioria das
vezes residenciais, a tarifação para este grupo é composta de apenas uma componente,
diferenciando apenas a faixa horária (branca e azul) e o fornecimento de energia ocorre em
Baixa Tensão (BT). O Grupo B possui quatro subgrupos:
B1: Residencial;
B2: Rural;
B3: Demais classes (comercial, industrial, serviços públicos);
B4: Iluminação Pública;
2.7.3 Composições tarifárias
INSERIR IMAGEM DAS COMPONENTES
[Link] Tarifa do Uso do Sistema de Distribuição (TUSD)
A Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição está atrelada à prestação do serviço
necessário para o consumo de energia elétrica (disponibilização, manutenção e
operação da infraestrutura do setor elétrico). A TUSD é subdividida em Fio onde é
cobrado dois encargos diferentes, sendo TUSD Fio A (transmissão) e TUSD Fio B
(distribuição).
A TUSD Fio A é refere-se ao custo da manutenção e operação das linhas de
transmissão da rede básica. Fio A é formada por custos regulatórios pelo uso de
ativos de propriedade de terceiros, como o uso dos sistemas de transmissão da
rede básica, uso dos transformadores de potência da rede básica, uso dos sistemas
de distribuição de outras distribuidoras e conexão às instalações de transmissão ou
de distribuição.
A TUSD Fio B é regulamentada pela ANEEL e é uma tarifa para cobrir os custos
para o uso da rede de distribuição de energia, referente à infraestrutura da
concessionária, a utilização da rede se dá pela dispensa da energia não consumida
para a linha de distribuição.
[Link] Tarifa de Energia (TE)
A Tarifa de Energia (TE) compreende todos os custos com a aquisição da energia e
é determinada pela Aneel em R$/kWH paga à concessionária pelo consumo de
energia mensalmente. Essa tarifa depende do aumento ou diminuição da gestão de
energia.
[Link] TUSD Geração
A TUSD G foi instaurada pela Lei 14.300 e é uma variação da tarifa TUSD aplicável
a uma central geradora ligada a uma rede de baixa tensão, cobrada na Tarifa de
Energia Elétrica. Este encargo é cobrado quando a injeção de energia for maior que
o consumo de energia em uma unidade geradora.
3. METODOLOGIA
3.1 Método para Análise de Viabilidade Econômica de uma UFV
Este estudo apresenta uma metodologia amplamente utilizada no contexto de projetos de
investimento. A partir das estimativas de custo e de receita, foi elaborado uma avaliação do
Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE) durante 25 anos de operação (fluxo de
caixa), em seguida foi definido custo de capital para o projeto, o Fluxo de Caixa Descontado
(DFC) e por fim, os indicadores econômicos para realizar a análise de viabilidade econômica.
Uma vez estabelecido o método de avaliação a ser utilizado na análise comparativa dos
empreendimentos, torna-se fundamental apresentar conceitos relevantes para este tipo de
avaliação.
A seguir, serão detalhados os principais conceitos:
3.1.1 Demonstrativo de Receita da Empresa
O Demonstrativo de Resultados do Exercício (DRE) é uma ferramenta utilizada para avaliar
o desempenho financeiro de uma empresa durante um período específico, no caso deste
trabalho anual, durante 25 anos com objetivo de determinar se houve lucro ou prejuízo.
Independentemente do tamanho e porte da empresa, o procedimento consiste em subtrair os
custos, despesas e impostos da receita. Se a receita superar , a empresa registra lucro; caso
contrário, registra prejuízo.
3.1.2 Estimativa de Receita
A estimativa da receita leva em consideração a geração de energia multiplicada pela Tarifa de
Energia adotada na localidade em que a usina fotovoltaica se instala.
3.1.3 Geração de Energia
A estimativa da geração de energia da UFV é realizada através do software PVSyst que
considera parâmetros como a localização geográfica, a insolação local, o tipo de módulo
fotovoltaico e a eficiência do inversor. O diagrama a seguir indica a previsão de geração
anual considerando as perdas sistêmicas.
Figura 8 - Diagrama de perdas (O Autor, 2024)
Para garantir a confiabilidade e conservadorismo no cálculo, será considerada a geração com
maior probabilidade de realização.
Figura 9 - Probabilidade de geração (O Autor , 2024)
3.1.4 Tarifa de Energia
A tarifa de energia local é um fator crucial para a viabilidade do projeto, pois define o valor
que a usina receberá pela venda da energia gerada. A tarifa varia de acordo com a região, o
tipo de consumidor e a modalidade tarifária. Neste caso, a tarifa será dada pela tarifa de
aplicação com desconto ofertado ao consumidor
3.1.5 Estimativa dos Custos
A estimativa dos custos envolve a consideração de diferentes categorias:
[Link] CAPEX (Capital Expenditures)
Representam os investimentos iniciais na construção da usina, incluindo custos com
materiais, mão de obra, equipamentos e instalações. Para este estudo, o CAPEX é
considerado igual para todas as UFVs, assumindo-se um modelo padronizado de construção e
manutenção.
[Link] OPEX (Operating Expenses)
As Despesas Operacionais (em inglês, Operating Expenses) é uma categoria de custos que
uma empresa tem no seu dia a dia para funcionar. De forma resumida, são os gastos para
manter a empresa aberta, como luz, funcionários, aluguel e material de escritório.
[Link] Custos Fixos
Incluem despesas que não variam com o nível de produção da usina, como depreciação dos
equipamentos, seguros, tributos e taxas de administração.
[Link] Custos Variáveis
Variam de acordo com o nível de produção da usina, como a tarifa de uso do Sistema de
Distribuição (TUSD), impostos sobre a geração de energia e custos de manutenção
preventiva e corretiva.
[Link] Depreciação
A depreciação não se enquadra em custo nem em receita. Ela é considerada um
desdobramento do custo de aquisição de um ativo fixo, distribuído ao longo da sua vida útil.
[Link] EBITDA
O EBITDA (Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) se destaca como
um indicador financeiro muito utilizado para avaliar empresas presentes no mercado da bolsa
de valores, representando a capacidade de uma empresa gerar caixa a partir das suas
principais operações, informando o lucro de uma companhia antes de serem descontados os
juros e impostos, além das perdas com depreciação e amortização.
[Link] EBIT
O EBIT (Lucros Antes de Juros e Impostos) é um indicador muito relevante na avaliação do
desempenho operacional de uma empresa, isolando os efeitos de decisões financeiras (juros)
e obrigações fiscais (impostos) sobre os resultados e é útil para analisar a capacidade da
empresa de gerar lucro a partir de suas operações principais, independentemente de sua
estrutura de capital (dívida) e das obrigações fiscais.
[Link] EBT
O EBT, sigla para Lucros Antes de Impostos (em inglês, Earnings Before Taxes), é um
indicador financeiro que mede o lucro de uma empresa antes dos tributos serem descontados
e reflete o desempenho operacional da empresa considerando as receitas menos os custos
diretos e indireto.
[Link] Lucro Líquido Operacional
O Lucro Líquido Operacional é calculado a partir da dedução das Despesas Operacionais na
Receita Bruta e é um indicador que mede a capacidade da empresa de gerar receita com o
desempenho do negócio, determinando sua lucratividade após o pagamento dos impostos.
[Link] Fluxo de Caixa para a Firma
O Fluxo de Caixa Livre para a Firma (FCFF), também conhecido em inglês como Free Cash
Flow to the Firm (FCFF), é um indicador financeiro que avalia a saúde econômica de uma
empresa e revela a capacidade da empresa de arcar com as despesas geradas a partir de suas
operações e atividades, em outras palavras, sua capacidade de cumprir as obrigações
contraídas.
A fórmula a seguir detalha o cálculo do Fluxo de Caixa para a Firma:
Fórmula – Cálculo do Fluxo de Caixa Livre para a Firma (FCFF)
[Link] Fluxo de Caixa Livre para o Acionista
O Fluxo de Caixa Livre para o Acionista (FCFE), também conhecido em inglês como Free
Cash Flow to Equity (FCFE), é um indicador financeiro crucial para avaliar a saúde
financeira e a capacidade de geração de valor de uma empresa para seus acionistas.
O FCFE revela o fluxo de caixa residual disponível para os acionistas após a empresa ter
cumprido suas obrigações. Ele representa o caixa que disponivel aos acionistas e credores
(EBIT) após dedução de todas as despesas, investimentos e pagamento de dívidas. Em
resumo, é o fluxo de caixa para a firma descontado do endividamento.
A fórmula a baixo indica como calcular o FCFE:
Fórmula – Cálculo Fluxo de Caixa Livre para o Acionista (FCFE)
[Link] Fluxo de Caixa Descontado (DFC) e o Valor Presente
O DFC é um método fundamental para avaliar a viabilidade econômica de projetos de
investimento que consiste em descontar os fluxos de caixa futuros do projeto para o valor
presente, utilizando uma taxa de desconto definida. Para calcular o Fluxo de Caixa
Descontado é levado em consideração o tempo de vida útil do empreendimento, as
estimativas dos fluxos de caixa durante a vida útil do ativo e a Taxa de Desconto, ou Custo de
Capital do projeto que deve refletir o custo de oportunidade do capital e os riscos do projeto.
No contexto deste trabalho sobre UFVs, o DFC é calculado da seguinte forma:
DFC = Σ [FCt / (1 + WACC)^t]
Onde:
DFC: Fluxo de Caixa Descontado
FCt = Fluxo de Caixa do período t
WACC: Custo médio ponderado do capital
t: Ano do projeto
O valor do projeto está na capacidade do empreendimento de gerar benefícios futuros. A
determinação do valor presente do projeto de investimento está diretamente ligada à taxa de
custo de capital. Os riscos e os custos de oportunidade definirão a taxa que será aplicada para
trazer as projeções de caixa ao valor presente, como indicado na fórmula abaixo:
𝑉𝑎𝑙𝑜𝑟 𝑃𝑟𝑒𝑠𝑒𝑛𝑡𝑒 = ∑ 𝐹𝐶𝑛 / (1 + 𝑖)^ 𝑛
Onde:
FC = representa o fluxo de caixa em determinado período
i = taxa de desconto
n = horizonte de projeção
3.2 Indicadores Financeiros
Para a obtenção dos indicadores financeiros, é preciso projetar o fluxo de caixa futuro, esta
composição de cada projeto analisado, incluindo o cálculo aproximado das receitas a partir
das estimativas de geração de energia de cada usina fotovoltaica analisada, assim como os
custos e as taxas empregadas no projeto, determinam também o método de avaliação por
Fluxo de Caixa Descontado como opção. O DFC se baseia na projeção de fluxos de caixa
futuros do empreendimento, recalculados a valor presente aplicando a Taxa de Custo de
Capital, em outras palavras, a taxa de retorno exigida pelo investidor. Damodaran, 2005).
3.2.1 Valor Presente Líquido (VPL)
O método do valor presente líquido (VPL) analisa, em termos de valor presente, o impacto
dos eventos futuros relacionados à uma opção de investimento. O VPL avalia o valor
presente dos fluxos de caixa gerados pelo projeto ao longo de sua vida útil com o objetivo de
identificar opções de investimento que tragam mais benefícios do que custos, considerando
tanto o consumo presente quanto o futuro, além das incertezas associadas aos fluxos de caixa
futuros. A orientação decisória a ser seguida ao se aplicar o VPL é de empreender o projeto
se o VPL for positivo, pois o projeto é economicamente viável. (SAMANEZ XXX)
A seguinte expressão define o VPL:
No cenário da análise financeira de projetos, o indicador Valor Presente Líquido (VPL) é de
grande importância, indicando a viabilidade econômica do investimento, quando o VPL é
positivo. (VALE et al..,2017)
Vale et al. (2017) realizaram uma análise econômica de projetos no Brasil utilizando geração
distribuída de energia fotovoltaica e considerando os indicadores financeiros: valor presente
líquido (VPL), taxa interna de retorno (TIR) e considerando a inflação energética ao longo de
25 anos de operação.
3.2.2 Taxa Interna de Retorno (TIR)
Por definição, a TIR é a taxa de retorno do projeto de investimento, com objetivo de
encontrar uma taxa intrínseca de rendimento. Do ponto de vista matemático, a Taxa Interna
de Retorno (TIR) é uma taxa hipotética que faz com que o Valor Presente Líquido (VPL) seja
igual a zero para fins de cálculo. (SAMANEZ, XXX)
Semelhante ao VPL, a Taxa Interna de Retorno (TIR) também é outro indicador de
considerável importância na avaliação econômica de um investimento e representa a taxa de
retorno do investimento, determinando a taxa de desconto que tornaria o valor presente
líquido de um determinado fluxo de caixa igual a zero (VALE et al..,2017).
Fórmula matemática (i* = TIR):
(SAMANEZ)
O projeto é considerado viável se a TIR for superior à taxa de custo de capital que desconta
seus fluxos de retorno.
3.2.3 PAY-BACK Descontado
O método do pay-back descontado indica qual será o tempo para recuperar o investimento e é
utilizado em conjunto com outros métodos como VPL ou a TIR. Esse indicador aponta em
quantos anos serão necessários para que o valor presente dos fluxos de caixa previstos iguale-
se ao investimento inicial. (SAMANEZ, XXX)
Equação matemática do Pay-back descontado:
I = investimento inicial
FCt: fluxo de caixa no período t
K: custo de capital
T = pay-back descontado
Com a resolução da equação acima é possível indicar qual será o tempo para recuperar o
investimento.
2.6.3 LCOE
O custo nivelado de energia (Levelized Cost of Energy - LCOE) é uma métrica fundamental
empregada para comparar os custos relativos da produção de energia por diferentes fontes de
geração e é um dos indicadores mais eficientes para avaliar um investimento no segmento de
energia para um prazo de 25 anos.
Segundo a FGV Energia (2019), ‘’o LCOE é frequentemente citado como uma medida
conveniente da competitividade de diferentes tecnologias de geração. Ele representa o custo
por megawatt-hora, em unidades monetárias descontadas, da construção e operação de uma
usina geradora durante todo seu ciclo de vida útil econômica.’’.
Dessa forma, podemos considerar o LCOE como um parâmetro que calcula o custo da
energia gerada em R$/MWh no empreendimento. Podendo assim comparar na visão de um
investor os diferentes sistemas de forma correta e equacionada, indicando o quanto de energia
que irá produzir e o retorno sobre este investimento.
De forma geral, o LCOE pode ser representado pela seguinte fórmula:
Onde:
It = Despesas de investimento no ano t (incluindo financiamento)
Mt = Despesas de operação e manutenção no ano t
Ft = Despesas com combustível no ano t
Et = Geração de eletricidade no ano t
r = taxa de desconto
n = Vida do sistema
4. ESTUDO DE CASO
4.1 Descrição do estudo
4.1.1 O Modelo de negócios
Na modalidade do SCEE é vedada a venda de energia elétrica. Todavia, muitas unidades
consumidoras não possuem espaço ou não dispõe do capital necessário para adquirir um
sistema de energia solar fotovoltaica. Para atender a demanda desses consumidores, o modelo
de negócio adotado é o de locação de usinas solares.
Nesse modelo, o investidor faz o aporte dos recursos financeiros e constrói uma usina de
energia solar. Essa usina é alugada para um único cliente, um consórcio ou uma cooperativa e
a energia injetada na rede será utilizada para compensar a energia das unidades consumidoras
que locaram a usina. O valor do aluguel que será cobrado será menor que o custo da energia
que o locatário pagaria.
A diferença de preço entre o custo da energia se fosse pago integralmente à concessionária e
o valor do aluguel é o desconto percebido pelo cliente. Este desconto varia entre 10% e 15%
dependendo do subgrupo tarifário.
O terreno para a instalação do projeto será alugado em contrato de duração igual ao tempo de
estudo. Em adição, o capital utilizado para financiar o CAPEX do projeto será
parcialmente próprio e complementado por meio de financiamento bancário. Os
equipamentos serão definidos na fase de dimensionamento e cotados com fornecedores para
obter o valor atual de mercado. Já na frente de comercialização da energia gerada, será
considerada uma taxa das empresas gerenciadoras de energia. A tarifa de aplicação para
geração de energia considerada foi do subgrupo A4 e para tarifa de consumo o subgrupo B3.
4.1.1 Sistema Fotovoltaico
[Link] Arranjo fotovoltaico
O PVSyst é um software completo para dimensionamento, simulação e otimização de
sistemas fotovoltaicos de qualquer porte, sendo capaz de atender tanto usinas de GD e GC,
assim como sistemas Off Grid. O arranjo fotovoltaico foi dimensionado através de testes no
programa, com o objetivo de otimizar a relação entre geração de energia e potência instalada.
A UFV a ser estudada será composta de 2176 módulos de 570Wp de modelo: Trina - TSM-
DEG19RC.20-570W - Bifacial, em estrutura do tipo fixa, com cinco inversores de
200kWca de modelo: Huawei - SUN2000-215KTL-H3 - 800V. Esta combinação resulta em
uma potência nominal ( Standard Test Conditions - STC) de 1240,32 kWp em CC que
proporciona 1 MWca.
Figura 10 - Parametros de entrada no PVSyst (O autor, 2024)
5. RESULTADOS E DISCUSSÕES
6. CONCLUSÃO