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Fundamentos da Linguística Textual

Com base em: KOCH, Ingedore, Introdução à linguística textual: Trajetória e grandes temas. 3. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2013 MARTELOTTA, Mário Eduardo (org.); Et al. Manual de linguística. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2011

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Fundamentos da Linguística Textual

Com base em: KOCH, Ingedore, Introdução à linguística textual: Trajetória e grandes temas. 3. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2013 MARTELOTTA, Mário Eduardo (org.); Et al. Manual de linguística. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2011

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IFSP - Licenciatura em Letras

Fundamentos Teóricos da Linguística


Profª Dra Maria Aparecida Gazotti Vallim

Linguística Textual

Letícia Barbosa Magalhães, Matheus Silva Pelegrini


e Stela Vieira Franco Saraiva
Sumário
Origem
Transfrástica
Gramática Textual
Teoria do Texto
Linguística textual no Brasil
Origem
Europa, década de ‘60

“A linguística textual representa um momento em que se procura a


superação do tratamento linguístico em termos de unidades
menores — palavra, frase ou período — no entendimento de que as
relações textuais são muito mais do que um somatório de itens ou
sintagmas” (MARTELOTTA, 2011)

Fávero e Koch partem da “concepção de texto como toda e


qualquer forma de comunicação fundada num sistema de signos”
“[...] o texto é a unidade comunicativa básica, aquilo que as
pessoas têm a declarar umas às outras” (MARTELOTTA, 2011)
Coesão

Referência Substituição Elisão

Extralinguística expansão da forma — recuperação de um


(Exofórica) ou nos limites termos substituídos — constituinte processada
do texto (endofórica) correlata à expansão do num espaço
sentido formalmente vazio
Exofórica: “lembrei agora”
Endofórica: “(d)ela”, “feliz” por “contente” ou uso do “eu” na oralidade e
”sua”,”lhe” alegre na escrita
Coesão

Conjunção Coesão Lexical

Vínculos de natureza Referenciação


lógico-semântica endofórica e substituição

Oral: “então ocorreu um “[...] vinculação textual


fato”, “então eu fiquei fundado na seleção e na
muito chocada” relação dos termos lexicais
escrita: “certo dia”, “no articulados, termos esses
decorrer da sua retomados literalmente ou
adolescência” parcialmente”
Domínios da coerência

Linguístico Pragmático Extralinguístico

Controle e utilização de Condições de


recursos gramaticais nos processamento da
Conjunto de
níveis fonético- interação no ato
informações advindas do
fonológico, semântico, comunicativo em que o
cotidiano
morfossintático e texto é produzido e
seleção de itens lexicais recebido
Transfrástica
Coreferenciação

Patrícia comeu pastel. Ela é uma danadinha.

Ela se refere a Patrícia, dizendo seu


gênero.

Danadinha se refere a Patrícia,


dando-lhe uma característica.
Gramática Textual
“A partir da ideia de que o texto seria simplesmente a unidade
linguística mais alta, superior à sentença, surgiu, particularmente
(mas não só) entre os lingüistas de formação gerativista, a
preocupação de construir gramáticas textuais, por analogia com as
gramáticas da frase. Isto é, tratava-se de descrever categorias e
regras de combinação da entidade T (texto) em L (determinada
língua)” (Koch, 2013)
Tarefas básicas de uma
gramática do texto

Verificar o que faz com que


um texto seja um texto, ou
Levantar critérios para a
seja, determinar seus
delimitação de textos, já
princípios de constituição, Diferenciar as várias
que a completude é uma
os fatores responsáveis pela espécies de textos.
de suas características
sua coerência, as condições
essenciais.
em que se manifesta a
textualidade.
“Passou-se a postular a existência de uma competência textual à
semelhança da competência lingüística chomskyana, visto que
todo falante de uma língua tem a capacidade de distinguir um
texto coerente de um aglomerado incoerente de enunciados,
competência que é também especificamente lingüística, em
sentido amplo: qualquer falante é capaz de parafrasear, de
resumir um texto, de perceber se está completo ou incompleto,
de atribuir-lhe um título, ou de produzir um texto a partir de um
título dado.” (Koch, 2013)
“Abandonava-se, assim, o método ascendente - da frase
para o texto. É a partir da unidade hierarquicamente mais
alta - o texto - que se pretende chegar, por meio da
segmentação, às unidades menores, para, então, classificá-
las.” (Koch, 2013)

“O texto é considerado o signo lingüístico


primário, atribuindo-se aos seus
componentes o estatuto de signos
parciais,” (Koch, 2013)
“Dentro desta perspectiva, portanto, o texto, visto como a
unidade lingüística hierarquicamente mais elevada, constitui
uma entidade do sistema linguístico, cujas estruturas possíveis
em cada língua devem ser determinadas pelas regras de uma
gramática textual. Exemplos destas gramáticas são as
postuladas por Weinrich (1964, 1971, 1976), Petõfí (1973) e van
Dijk (1972).” (Koch, 2013)
Harald Weinrich

“Como estruturalista, define o texto como


uma sequência linear de lexemas e morfemas
Imagem: Detroia Aitaca
que se condicionam reciprocamente e que,
Harald Weinrich (Wismar, 24 de setembro de 1927 – também reciprocamente, constituem o
Münster, 27 de fevereiro de 2022) foi um escritor,
filólogo e filósofo alemão. contexto. Isto é, o texto é uma "estrutura
determinativa", onde tudo está
1982: Gramática textual de língua francesa necessariamente interligado. Assim sendo,
(Textgrammatik der franzoeischen Sprache)
1993: Gramática textual da língua alemã
para ele, toda linguística é necessariamente
(Textgrammatik der Deutschen Sprache) linguística de texto.” (Koch, 2013)
János S. Petõfi
“O modelo de Janos Petõfi consta de uma base
textual, que consiste em uma representação
semântica indeterminada com respeito às
manifestações lineares do texto, as quais são
determinadas pela parte transformacional. Segundo
Imagem: Reprodução: János S Petöfi
ele, este modelo torna possível: a) a análise de textos,
isto é, a atribuição a uma manifestação linear, de todas János S. Petõfi (1934 - 2013), linguista e
as bases textuais possíveis; b) a síntese de textos, ou semiótico húngaro
seja, a geração de todas as bases textuais possíveis; c)
a comparação de textos. De suma relevância no 1973: Teoria TeSWeST
modelo é o léxico, com suas representações (fextstrukturWeltstrukur), ou seja, da
semânticas intensionais.” (Koch, 2013) Estrutura do Texto/Estrutura do Mundo
Teun Adrianus van Dijk
Seu modelo de gramática textual apresenta três características
principais:

Insere-se no quadro teórico gerativo;


Utiliza em grande escala o instrumental teórico e
metodológico da lógica formal;
Imagem: Reprodução: van Dijk em 2013 Busca integrar a gramática do enunciado na gramática do
texto, sustentando, porém, que não basta estender a
Teun Adrianus van Dijk (Naaldwijk, 1943) é gramática da frase ("extended S-grammar"), como faziam
um linguista neerlandês conhecido por muitos autores da época, mas que uma gramática textual tem
suas contribuições aos campos da
por tarefa principal especificar as estruturas profundas a que
linguística textual e da análise do discurso.
denomina macroestruturas textuais.
“Para ele, é a macroestrutura profunda que explicita a coerência do
texto, sua estrutura temático-semântica global. Trata-se da
estrutura subjacente abstrata ou "forma lógica" do texto, que
define a significação do texto como um todo. Já a microestrutura é
a estrutura superficial do texto, constituída por um n-tuplo
ordenado de frases subseqüentes. Uma gramática textual gerativa
seria, portanto, um algoritmo que gera infinitas estruturas textuais
profundas.” (Koch, 2013)
Teoria do texto
A virada cognitivista
Década de 80 marcou uma mudança nos estudos do texto.
Reconhecimento de que a ação envolve processos cognitivos.
Quem age precisa de modelos mentais para suas operações.
Ênfase nas operações cognitivas na abordagem do texto.
O texto é considerado resultado de processos mentais.
Abordagem procedural enfatiza que os parceiros da comunicação têm
conhecimentos acumulados e expectativas.
Esses conhecimentos são ativados durante a construção textual e
compreensão de textos
Texto é resultado de várias operações cognitivas interligadas.
É um documento de procedimentos de decisão, seleção e
combinação.
A Lingüística Textual deve desenvolver modelos procedurais
de descrição textual para abordar os processos cognitivos.
Beaugrande & Dressler (1981) e Quatro grandes sistemas de conhecimento contribuem para
Heinemann & Viehweger (1991) o processamento textual: linguístico, enciclopédico,
discutem a origem do texto e a interacional e referente a modelos textuais globais.
importância de diferentes O conhecimento linguístico envolve gramática e vocabulário,
sistemas de conhecimento na influenciando a articulação som-sentido e a organização da
sua produção e compreensão. superfície textual.
O conhecimento enciclopédico, semântico ou de mundo, é
armazenado na memória e compreende conhecimentos
declarativos e modelos cognitivos adquiridos através da
experiência.
— existência de modelos cognitivos e a importância deles na compreensão textual

Modelos cognitivos são estruturas complexas de conhecimento que representam


experiências sociais e servem de base para processos conceituais.
Recebem diversas denominações, como frames, scripts, cenários, esquemas, modelos
mentais, modelos episódicos ou de situação, entre outros.
São frequentemente representados em forma de redes, onde as unidades conceituais
são variáveis preenchidas com valores concretos durante o processo de compreensão.
Os modelos contêm conhecimentos sobre cenas, situações, eventos e procedimentos
para agir em situações específicas.
— existência de modelos cognitivos e a importância deles na compreensão textual

Inicialmente, os modelos são específicos e armazenados na memória episódica, mas


com o tempo, tornam-se generalizados e fazem parte da memória enciclopédica ou
semântica.
Durante o processamento da informação, os modelos são usados para interpretar o
estado atual das coisas, e informações não explícitas no texto são inferidas com base
nesses modelos.
Os modelos são usados para levantar hipóteses a partir de manchetes ou títulos, criar
expectativas sobre o campo lexical a ser explorado no texto e produzir inferências para
preencher lacunas na superfície textual.
Conhecimento sociointeracional engloba o conhecimento sobre a interação
verbal, ou seja, como as pessoas se comunicam através da linguagem e inclui
conhecimentos como: ilocucional, comunicacional, metacomunicativos e
superestruturais.
O conhecimento ilocucional ajuda a reconhecer os objetivos ou propósitos que
um falante pretende alcançar em uma situação de interação e envolve o
reconhecimento de tipos de objetivos ou atos de fala, que podem ser expressos
de maneira direta ou indireta.
O conhecimento comunicacional refere-se a normas comunicativas gerais, como
as máximas de Grice, a quantidade de informação necessária para compreender
o objetivo do produtor do texto e a escolha da variante linguística adequada.
O conhecimento metacomunicativo permite ao produtor do texto
evitar perturbações na comunicação e resolver conflitos, seja
introduzindo sinais de articulação ou realizando atividades de
formulação textual, como paráfrases, repetições e correções, se
relacionando com as ações linguísticas que auxiliam na compreensão
do texto e na aceitação dos objetivos do produtor.
O conhecimento sociointeracional desempenha um papel crucial na
monitorização do fluxo verbal durante a comunicação.
Conhecimento sobre estruturas ou modelos textuais globais permite
reconhecer textos como exemplares de determinado gênero ou tipo.
Isso envolve o conhecimento sobre macrocategorias, superestruturas textuais e
a conexão entre objetivos, bases textuais e estruturas textuais globais.
O conhecimento específico incluído nesses modelos ainda não foi
completamente definido, mas pode estar relacionado a modelos cognitivos
contextuais, tipos de atividades e, possivelmente, gêneros textuais.
Cada sistema de conhecimento corresponde a um conhecimento específico
sobre como ativá-lo no processamento textual, incluindo conhecimento
procedural sobre como colocá-lo em prática.
Estratégias cognitivas são estratégias de uso do conhecimento e incluem
inferências, que permitem gerar informações novas a partir do texto e do
contexto.
O processo de compreensão é ativo e contínuo, envolvendo a construção de
unidades de sentido e a conexão com conhecimentos prévios.
Estratégias interacionais são socioculturalmente determinadas e visam a
estabelecer e manter interações verbais bem-sucedidas, incluindo estratégias
relacionadas a atos de fala, preservação de faces, polidez, negociação e
atribuição de causas a mal-entendidos.
O processamento textual é estratégico, envolvendo a mobilização on-line dos
diferentes sistemas de conhecimento.
Estratégias cognitivas incluem estratégias proposicionais, de coerência local,
macroestratégias e estratégias esquemáticas, além de estilísticas, retóricas, não-
verbais e conversacionais.
O uso dessas estratégias depende dos objetivos do usuário, do contexto, das
crenças, opiniões e atitudes, e pode resultar em interpretações variadas do
mesmo texto.
Preservação das faces, interacionais e textuais

Estratégias de preservação das faces são manifestadas linguísticamente


através de atos preparatórios, eufemismos, rodeios, mudanças de tópico e
marcadores de atenuação.
O grau de polidez é determinado socialmente, com base nos papéis sociais
dos participantes, na necessidade de preservar suas próprias faces ou a do
parceiro e em normas culturais.
Conflitos e mal-entendidos são inevitáveis na interação linguística, e para
restabelecer o consenso, é necessário identificar as dificuldades e atribuí-
las a possíveis causas subjacentes.
Preservação das faces, interacionais e textuais

A atribuição de causas pode levar a modificações nos acordos subjacentes


e à necessidade de estabelecer novos acordos para prevenir problemas
futuros.
A interação envolve a negociação de uma definição da situação e das
normas que a governam, permitindo a construção social da realidade.
Estratégias interacionais visam a garantir o sucesso de um "jogo de
linguagem".
Estratégias textuais dizem respeito às escolhas textuais realizadas pelos
interlocutores para produzir determinados sentidos.
A perspectiva sociocognitivo-interacionista

A separação tradicional entre fenômenos mentais e sociais é questionada, à medida


que várias disciplinas investigam a relação entre cognição e cultura.
O cognitivismo clássico tende a ver o ambiente como uma fonte de informações para
a mente individual, separando processos cognitivos internos da influência do
ambiente social e cultural.
Uma visão mais contemporânea considera a mente como essencialmente
corporificada, enfatizando a interação entre ação física, percepção e raciocínio
abstrato.
A perspectiva sociocognitivo-interacionista

A cognição é vista como um fenômeno situado, ocorrendo não apenas dentro das
mentes individuais, mas também na interação social.
A linguagem é entendida como uma ação conjunta que envolve coordenação entre os
participantes e não como atos individuais independentes.
A relação entre linguagem e cognição é vista como estreita, com ambas sendo
mutuamente constitutivas.
O contexto, no contexto interacional, é construído na própria interação, com os
interlocutores atuando ativamente na construção do sentido.
A perspectiva sociocognitivo-interacionista

Os textos são considerados como locais de interação, e os interlocutores são vistos


como sujeitos ativos que constroem e são construídos pelo texto.
A produção de linguagem é vista como uma atividade altamente complexa de
produção de sentidos, que requer a mobilização de saberes (enciclopédia) e sua
reconstrução durante a interação.
Questões como progressão textual, déixis, gêneros textuais, intertextualidade e outros
temas ligados à dimensão sociointeracional da linguagem se tornam relevantes para
os estudos linguísticos.
Linguística Textual
no Brasil
Introdução no Brasil

Surgimento dos Impacto da pesquisa em


primeiros estudos Formação de núcleos de cursos de extensão,
linguísticos sobre pesquisa sobre texto em aperfeiçoamento,
texto no Brasil na universidades brasileiras. dissertações de mestrado
década de 70. e teses de doutorado.
Principais perspectivas teóricas
Pesquisas sobre texto no Brasil são influenciadas por várias perspectivas teóricas
internacionais.
Influências da Alemanha (Weinrich, Dressler, entre outros), Holanda (Van Dijk),
França (Charolles, entre outros), Inglaterra (Halliday & Hasan), EUA (Chafe,
Minsky, entre outros) e funcionalismo praguense (Daneš, Firbas).
Na década de 90, pesquisas sobre anáfora e referência também influenciadas
por trabalhos na França (projeto L’Anaphore et son traitement), Suíça (Fribourg,
Neuchâtel)
Primeiro Momento

Década de 80: Publicação de obras introdutórias sobre linguística do texto no Brasil.


1984: Realização da primeira mesa redonda sobre linguística do texto na reunião anual da
Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.
Ênfase em critérios de textualidade, como coesão textual, coerência textual, intertextualidade,
tipologia de textos, produção/compreensão/sumarização de textos, mecanismos de conexão,
entre outros.
Início da publicação de artigos e comunicações em revistas especializadas e anais de
congressos sobre critérios de textualidade.
Primeiro Momento

Coesão e coerência eram focos importantes, com uma reavaliação da coerência como um
macro-fator decisivo para a textualidade.
Pesquisa sobre o emprego textual dos tempos verbais baseada na teoria de Harald Weinrich.
Influência de Van Dijk para a descrição de tipos de texto, introduzindo conceitos como
superestrutura e macroestrutura.
Aplicação desses conceitos em diversos trabalhos sobre compreensão e produção de textos,
produção de resumos, teses e dissertações na área da Linguística Textual no Brasil.
Segundo momento

Em 1989, publicação das obras "A Coesão Textual" (Koch) e "Texto e Coerência"
(Koch & Travaglia), seguidas em 1990 por "A Coerência Textual" (Koch &
Travaglia), marcando uma segunda fase nos estudos textuais no Brasil.
Koch, a partir de 1986, começa a classificar os mecanismos de coesão com base
em sua função textual, dividindo-os em coesão remissiva ou referencial e coesão
sequencial.
Koch & Travaglia conceituam coerência como um princípio de interpretabilidade
do texto, baseando-se em pressupostos como a coerência não se limita à
qualidade do texto em si, não se confunde com coesão, e resulta da atuação
conjunta de vários fatores linguísticos, cognitivos, socioculturais e interacionais.
Segundo momento

Outras obras, como as de Fávero (1991) e Costa Val (1991), defendem posições
semelhantes sobre a coerência textual.
Estudos de E. Gülich, muitos em coautoria com T. Kotschi (Gülich & Kotschi, 1987),
influenciam pesquisas relacionadas à formulação textual nesse período.
Essa fase representa uma mudança na abordagem dos estudos textuais, com
maior foco na coerência e na função dos mecanismos de coesão, além de
considerar fatores diversos na construção da coerência textual.
Atualmente
Na primeira metade da década de 90, uma forte tendência para adotar
uma perspectiva sócio-interacional no tratamento da linguagem se
delineia no Brasil (Geraldi, Koch).
O estudo se concentra nos processos e estratégias sócio-cognitivos
envolvidos no processamento textual, tanto em termos de
compreensão como de produção.
O diálogo com outras Ciências Humanas, como Psicologia Cognitiva,
Inteligência Artificial, Neuropsicologia, Antropologia e Sociologia
Interacional, é crescente.
Atualmente

Os objetos de pesquisa incluem a estrutura e o funcionamento da


memória, formas de representação de conhecimentos, estratégias
sócio-cognitivas, interacionais e textuais durante o processamento de
textos e estratégias de 'balanceamento' do implícito/explícito.
A tipologia textual volta a ser abordada com base em obras como as de
Adam e estudos sobre gêneros textuais.
Atualmente

Referenciação se torna um tópico de destaque na segunda metade da


década de 90, incluindo recursos anafóricos e processamento sócio-
cognitivo.
Alguns pesquisadores aplicam conceitos da Linguística Textual à
alfabetização, aquisição da escrita e ensino de língua, materna ou
estrangeira.
Estudo do texto falado
No Brasil, a pesquisa em textos falados é uma vertente
importante. É realizada em três grandes projetos: NURC,
Censo/Peul e PGPF.
O Projeto de Estudo da Norma Lingüística Urbana Culta
(NURC) coletou materiais em cinco capitais brasileiras para
pesquisar a norma objetiva do português culto falado no
Brasil, com foco em elocuções formais, entrevistas e diálogos.
Estudo do texto falado
No Projeto Censo da Variação Lingüística do Estado do Rio de
Janeiro, a abordagem é sociolinguística com ênfase na
interface com o discurso.
O Projeto Gramática do Português Falado (PGPF) visa
produzir uma gramática de referência do português culto
falado no Brasil com base nos dados do Projeto NURC. É
dividido em três projetos temáticos: Classes Lexicais e
Gramaticais, Relações Gramaticais e Organização Textual-
Interativa.
Estudo do texto falado
A pesquisa sobre texto falado dentro do Projeto Temático
'Organização Textual-Interativa no Português Falado no
Brasil' se baseia na abordagem textual-interativa e incorpora
conceitos da Lingüística Textual, Análise da Conversação e
Pragmática Lingüística. Aborda a natureza do texto falado,
sua organização tópica, estratégias de construção,
marcadores discursivos, formas de marcação de relevo, entre
outros.
Estudo do texto falado

Muitos trabalhos individuais foram produzidos por membros


da equipe e outros pesquisadores, publicados em revistas
especializadas e apresentados em congressos nacionais e
internacionais.
Conclusão
A pesquisa em Linguística Textual e estudos sobre texto, sob várias perspectivas
teóricas, encontrou terreno fértil no Brasil e continua a prosperar.
Anualmente, novos pesquisadores se juntam a essa área, que antes tinha apenas
alguns voluntários, e agora está presente em praticamente todas as regiões do
país.
Muitas universidades brasileiras têm docentes dedicados à pesquisa e ao ensino
em Linguística Textual, tanto em textos escritos quanto falados.
A pesquisa resultou em um acervo bibliográfico considerável, em termos de
quantidade e qualidade.
O futuro parece promissor, já que jovens pesquisadores em cursos de pós-
graduação escolhem essa área como campo de atuação, garantindo a
continuidade dos estudos.
Obrigado!
Referências bibliográficas
ANTONY, Adriana, Trajetória da linguística Textual. Youtube, 28 de março. de 2018. Disponível em:
[Link]
BATISTA, Amanda. linguística Textual (Teoria do texto). Youtube, 06 de maio de 2020. Disponível em:
[Link]
KOCH, Ingedore, Introdução à linguística textual: Trajetória e grandes temas. 3. ed. São Paulo: WMF
Martins Fontes, 2013
MARTELOTTA, Mário Eduardo (org.); Et al. Manual de linguística. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2011
TULLIO, Cláudia Maris; TEIXEIRA, Maria Cláudia. [LET] Linguística Textual. Youtube, 28 de julho de 2017.
Disponível em: [Link]

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