Universidade Católica de Moçambique
Faculdade de Gestão de Recursos Florestais e Faunísticos
Licenciatura em Gestão de Recursos Florestais e Faunísticos, 2º ano
Solos Florestais
Tema: Erosão
Discente׃
Nilde Massinga
Docente:
PhD. Emílio Magaia
Lichinga, Abril de 2023
Índice
INTRODUÇÃO.........................................................................................................3
EROSÃO.......................................................................................................................4
TIPOS DE EROSÃO.....................................................................................................4
FACTORES QUE INFLUENCIAM A EROSÃO............................................................5
PROCESSOS.....................................................................................................................8
Métodos para combater a erosão e praticas de conservação do solo na minha zona........8
CONCLUSAO.........................................................................................................10
Referencias Bibliográficas...............................................................................................11
INTRODUÇÃO
Erosão é o sistema de deterioração dos solos e rochas provocado por agentes naturais
(chuva, água, vento, gelo, clima, etc.) e antrópicos (intervenção humana). As partículas
com os nutrientes da superfície são arrastadas de um local para outro, provocando
modificações nas paisagens.
O ser humano pode ser um importante agente provocador das erosões. Ao retirar a
cobertura vegetal de um solo, este perde sua consistência, pois a água, que antes era
absorvida pelas raízes das árvores e plantas, passa a infiltrar no solo. Esta infiltração
pode causar a instabilidade do solo e a erosão. A erosão tem provocado vários
problemas para o ser humano. Constantemente, ocorrem deslizamentos de terra em
regiões habitadas, principalmente em regiões carentes, provocando o soterramento de
casas e mortes de pessoas. Os prejuízos económicos também são significativos, pois é
comum as erosões provocarem fechamento de rodovias, ferrovias e outras vias de
transporte.
O presente trabalho fez-se uma abordagem em relação a erosão, os seus processos e
factores e métodos de combate.
EROSÃO
É o processo de separação, remoção, transporte e deposição de partículas de solo
causado pela influência do sol, chuva, vento, água e pode ser acelerado pela actividade
do Homem. Dentre as várias actividades Humanas destacam-se: abate de árvores,
queimadas descontroladas, práticas inadequadas na agricultura, uso e aproveitamento de
terras em áreas propensas à erosão de solos.
TIPOS DE EROSÃO
Existem vários tipos de erosão, neste documento são definidos os seguintes:
Erosão Hídrica – é erosão provocada pela água podendo ser classificada em:
Erosão Pluvial – é erosão causada pela chuva. Quando o terreno está descoberto, ou
sem vegetação, este fica desprotegido e quando chove as enxurradas carrega a camada
superficial do solo.
Erosão Laminar – Devido a formação da crosta a água que não consegue infiltrar,
começa a escorrer das áreas mais altas para as mais baixas em zonas declivosas.
Neste processo devido a turbulência, a água vai desprendendo e carregando consigo as
partículas de solo. Nesse percurso a água segue um caminho preferencial podendo
formar sulcos que por sua vez podem originar as ravinas.
Erosão Fluvial - é o desgaste provocado pelas águas dos rios. A corrente do rio
vai arrancando fragmentos das margens alterando assim os seus contornos. O material
retirado das margens é carregado pelas águas e depositado em outros locais.
Ravinas – São fissuras profundas (podem atingir muitos metros de profundidade e
largura) que ocorrem no solo e que são causadas por enormes quantidades de água que
são transportadas em pouco tempo. Geralmente este tipo de erosão é devido ao pastoreio
de gado e aos caminhos que as pessoas vão abrindo ao passar em áreas declivosas.
Sulcos – são fissuras no solo que se assemelham a ravinas mas com cerca de 30
cm de profundidade, o sulco pode-se transformar em ravina se não forem tomadas
medidas para o controlo.
Erosão Costeira – é a causada pelas águas do mar que se batem sobre as rochas e as
praias através das suas ondas.
Erosão Eólica – é provocada pelo vento. Quando o vento sopra, levanta areia do chão.
Durante o seu trajecto, os grãos de areia agem como uma lixa sobre as rochas que se
encontram pelo caminho, desgastando-as e alterando as suas formas e transportando-as
para lugares distantes.
Erosão Glacial – é a erosão causada pelo gelo e pode ocorrer de três maneiras:
1. Águas das chuvas penetram entre as fendas das rochas, quando chega a época de frio
muito intenso, essas águas congelam e o gelo que ocupa mais espaço que a água líquida
faz pressão sobre as paredes da rocha quebrando-a;
2. Os blocos de gelo que caem da geleira (topo das montanhas), deslizam pelas encostas
das montanhas quebrando-as;
3. Nas regiões onde faz muito frio, durante o inverno o gelo se acumula no topo das
montanhas. Na primavera o gelo começa a derreter e a descer lentamente as encostas.
No seu trajecto forma novos caminhos.
FACTORES QUE INFLUENCIAM A EROSÃO
Chuva
A chuva acaba sendo o principal factor climático relacionado à erosão. Entretanto, a
mesma intensidade de chuva pode levar a diferentes situações erosivas, a depender dos
demais factores que afectam a erosão.
Além da frequência entre os eventos de chuva, a quantidade e a duração são aspectos
importantes para a avaliação dos processos erosivos. Quanto maior a chuva, mais
intenso tende a ser o escoamento.
Com intervalos mais curtos tendem a manter o solo mais húmido e, assim, diminuir a
taxa de infiltração. O impacto da gota e a enxurrada, portanto, torna-se um factor
causador da erosão.
Logo, entende-se sobre a importância da manutenção da cobertura do solo.
Solo
A influência da topografia do terreno na intensidade erosiva verifica-se principalmente
pela declividade e comprimento de rampa (comprimento da encosta ou da vertente).
Estes factores interferem directamente na velocidade do escoamento das águas pluviais
(enxurradas).
Relevo
Quanto mais longa distancia percorrida pela enxurrada, sob declive, maior tende a ser a
erosão. A noção informal de efeito “bola de neve” pode fornecer analogia para o
aumento da velocidade e das perdas de solo ao longo de uma distância superficial
diferença de nível.
Geralmente, na medida em que dobra o comprimento da superfície percorrida pela
enxurrada, dobra-se, também, a erosão. Há, ainda, o formato da encosta. Paisagens
côncavas apresentam predomínio de erosão em sulcos e, ou, voçorocas, devido à
tendência de concentração do fluxo hídrico. Nas encostas convexas, no entanto, a
dispersão das enxurradas pela área tende a favorecer a erosão laminar.
Vegetação
A vegetação é o principal factor de protecção do solo em sistemas naturais. Actua na
captação da água das chuvas e na sua distribuição no perfil do solo, abastecendo os
lençóis e conferindo à bacia hidrográfica o balanço equilibrado dos fluxos da água. Gera
matéria orgânica que incrementa a agregação do solo.
Fixando os outros factores como clima, fertilidade, relevo, pode-se afirmar que espécies
anuais e em monocultura, tendem a proteger menos o solo que a diversificação das
espécies, sobretudo combinando as de crescimento rasteiro e sistema radicular
superficial, isto é, gramíneas, com as de crescimento exuberante e raízes profundas,
como as florestas.
Diversos arranjos vêm sendo testados como estratégias de manejo do solo, visando
aumentar a sua protecção pela manutenção de cobertura, sem perder de vista a questão
económica. O sistema plantio directo tem sido apontado como eficiente para manter e
aumentar a cobertura do solo e a matéria orgânica, conferindo menores perdas por
erosão, aumento da fertilidade e do retorno económico ao longo dos anos.
Consideram-se, também, os sistemas agro-florestais e, ou, agrossilvipastoris, como
adequadamente aceitáveis, tanto economicamente, como ecologicamente. São, contudo,
ainda pouco representativos em termos de área plantada.
Maneio inadequado
Manejar a cobertura do solo é o factor preventivo mais eficiente. Ao passar de
ecossistema para agroecossistema, é natural que maiores perdas aconteçam. Contudo,
pode-se atenuar e, em alguns casos, até se assemelhar ou melhorar a fertilidade do solo
e, ou, frear o processo de assoreamento e poluição dos cursos da água, controlando a
erosão.
O manejo inadequado da cobertura do solo o predispõe ao impacto das gotas das
chuvas, que resultam em aumento da erosão. São tais factores que impeliram ao
desenvolvimento do sistema de plantio directo e similares.
Acção antrópica
A forma como se usa o solo tem grande influência no processo erosivo, iniciada pelo
desmatamento e seguida pelo cultivo das terras, implantação de estradas, criação e
expansão das cidades, sobretudo quando efectuada de modo inadequado, constitui o
factor decisivo da aceleração dos processos erosivos. Dentre os factores formadores de
erosão, o principal detonante e que agrava, sobremaneira tais processos é a actividade
humana. As principais agressões causadas pela acção antrópica decorrentes são:
• Retirada da cobertura vegetal, seguida pela queimada;
• Agricultura praticada sem conservação do solo, tais como plantio abaixo, sem rotação
de cultura etc.;
• Formação de pastos com alta densidade de animais, proporcionando um excessivo
pisoteio em determinadas direcções, formando trilhas e sulcos;
• Divisa de propriedades, de culturas perpendiculares às curvas de nível;
• Aberturas de estradas e carregadores sem o devido cuidado na execução de obras de
drenagem para colectar e transportar águas pluviais;
• Execução de loteamentos sem implantação da infra-estrutura.
PROCESSOS
Um factor de grande importância que diminui o processo erosivo é a preservação da
cobertura vegetal, já que as plantas funcionam como uma protecção do solo, pois
ajudam a diminuir o impacto da chuva.
Os processos erosivos são, basicamente, divididos em três etapas: desgaste do solo,
transporte de partículas (sedimentos) e deposição desses sedimentos nas áreas mais
baixas do relevo, tal qual o leito dos rios.
Métodos para combater a erosão e praticas de conservação do solo na minha zona
Plantio de mais árvores: aumentando assim a cobertura vegetal, diminuindo o
impacto da chuva no solo (erosão em splash) e auxilia a manutenção de nutrientes.
Rotação de culturas: que é o cultivo de tipos diferentes de plantas a cada ano, criando
assim uma rotatividade de espécies. Assim, os nutrientes retirados do solo são
alternados e as pragas não se fixam.
Plantio directo: plantando directamente no solo após a última colheita. Ocorre sem o
revolvimento do solo e ainda com a palha da planta anteriormente colhida. Pode ser
mesclado com a rotação de culturas.
Descrição do bairro:
Tipo de Habitação: habitação Unifamiliar – casas em banda
Tipo de uso de terra: Agricultura e Silvicultura.
Tipo de solo: Argilosos vermelhos (Rhodic Ferralsols ou Ferralíticos)
Tipo: Erosão Pluvial
Local: Niassa – Lichinga – Bairro N’nomba.
Data: 03 de Abril de 2023
CONCLUSAO
A erosão também depende das características físicas, químicas e biológicas de cada
solo. Dessa forma, os solos arenosos estão mais sujeitos ao movimento de terra. Embora
sejam mais permeáveis, são normalmente muito soltos, o que favorece o trabalho das
águas. Solos bem - estruturados, com maior volume de macro poros, têm
permeabilidade rápida, facilitando a retenção da água, reduzindo o escoamento
superficial e, com isso, o processo erosivo.
Os arrastamentos de terra podem cobrir terrenos férteis com materiais áridos e
transportar sedimentos até as águas. Assim, além de terras menos produtivas, a erosão
provoca a morte da fauna e flora do fundo dos rios e lagos por soterramento e turbidez
nas águas — o que dificulta a ação da luz solar na fotossíntese de algas, essencial para a
purificação e oxigenação dos cursos hídricos. A erosão também pode trazer defensivos
agrícolas e adubos até os corpos de água. Como consequência, isso pode provocar o
desequilíbrio na fauna e flora desses ecossistemas.
O processo provoca ainda o assoreamento dos rios e lagos. Assim, no período de
chuvas, esses copos-de-água extravasam, causando as enchentes. O movimento da terra
causa também instabilidade nas partes mais elevadas dos terrenos, que podem levar a
deslizamentos.
Referencias Bibliográficas
Hudson, N. (1995). Soil conservation. Ames, Iowa State University Press,
Galindo, I.C. & Margolis, E. (1989). Tolerância de perdas por erosão. R. Solo.
Marques, V. (2023). Erosão: o que é, tipos e formas de prevenir. Toda Matéria,
[s.d.]. Disponível em: [Link]