IMPOSTO SOBRE O VALOR ACRESCENTADO
Incidência Subjectiva
O Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) incide sobre as transmissões de
bens, as prestações de serviços efectuadas no território nacional, a título
oneroso, por um sujeito passivo, agindo nessa qualidade, bem como sobre as
importações de bens.
Regimes de Tributação
a) Regime Geral
Estão enquadrados neste regime todos os contribuintes cadastrados na
Repartição Fiscal dos Grandes Contribuintes, bem como aqueles que
voluntariamente solicitem a sua adesão a este regime, desde que verificados
os requisitos previstos no artigo 62.º do Código do Imposto Sobre o Valor
Acrescentado;
b) Regime Transitório
Enquadram-se neste regime todos os contribuintes que possuem um volume
anual de facturação ou operações de importações superior ao equivalente
em Kwanzas a USD 250 000,00 (Duzentos e Cinquenta Mil Dólares
Americanos). Este regime vigora até 31 de Dezembro de 2020, findo o qual
estes contribuintes passarão para o regime geral de tributação do Imposto
sobre o Valor Acrescentado. Durante a vigência deste regime, os
contribuintes nele enquadrados pagam o imposto à taxa de 3% sobre o seu
volume de venda ou serviços efectivamente recebidos;
c) Regime de Não Sujeição
Estão enquadrados neste regime todos os contribuintes que possuem um
volume anual de facturação ou operações de importações igual ou inferior ao
equivalente em Kwanzas a USD 250 000,00 (Duzentos e Cinquenta Mil
Dólares Americanos).
Incidência Subjectiva
São sujeitos passivos do IVA:
As pessoas singulares, colectivas ou entidades que exerçam, de
modo independente, actividades económicas, incluindo de
produção, de comércio ou de prestação de serviço, profissões
liberais, actividade extractivas, agrícola, aquícola, apícola,
avícola, pecuária, piscatória e silvícola;
Pessoas singulares, colectivas ou entidades que realizem
importações de bens, que mencionem indevidamente o IVA em
factura ou documentos equivalentes, que sejam adquirentes de
serviços a entidades não residentes sem domicílio, sede ou
estabelecimento estável no território nacional;
Estado, entidades governamentais e outros organismos públicos,
quando não actuem no âmbito dos seus poderes de autoridade;
Partidos, coligações políticas, sindicatos e as instituições
religiosas, quando pratiquem operações tributáveis (transmissões
de bens, prestações de serviços e importações).
Isenções
Estão isentas do Imposto sobre o Valor Acrescentado:
1. Operações Internas (Transmissão de bens e prestações de serviços);
A transmissão dos bens alimentares, conforme anexo I do
presente código;
As transmissões de medicamentos destinados exclusivamente a
fins terapêuticos e profilácticos;
As transmissões de cadeiras de rodas e veículos semelhantes,
accionados manualmente ou por motor, para portadores de
deficiência, aparelhos, máquinas de escrever com caracteres
braille, impressoras para caracteres braille e os artefactos que se
destinam a ser utilizados por invisuais ou a corrigir a audição;
A transmissão de livros, incluindo em formato digital;
A locação de bens imóveis destinados a fins habitacionais,
designadamente prédios urbanos, fracções autónomas destes ou
terrenos para construção, com excepção das prestações de
serviços de alojamento, efectuadas no âmbito da actividade
hoteleira ou de outras com funções análogas;
As operações sujeitas ao Imposto de SISA, ainda que dele,
isentas;
A exploração e a prática de jogos de fortuna ou azar e de diversão
social, bem como as respectivas comissões e todas as operações
relacionadas, quando as mesmas estejam sujeitas a Imposto
Especial sobre o Jogos, nos termos da legislação aplicável;
O transporte colectivo de passageiros;
As operações de intermediação financeira, incluindo as descritas
no anexo III do Código do IVA, excepto as que dão lugar ao
pagamento de uma taxa, ou contraprestação específica e pré-
determinada pela sua realização;
O seguro de saúde, bem como a prestação de serviços de seguros
e resseguros do ramo vida;
As prestações de serviços que tenham por objecto o ensino,
efectuadas por estabelecimentos integrados, conforme definidos
na Lei de Bases do Sistema de Educação e Ensino, bem como por
estabelecimentos de Ensino Superior devidamente reconhecidos
pelo Ministério de Tutela;
As prestações de serviço médico sanitário, efectuadas por
estabelecimentos hospitalares, clínicas, dispensários e similares;
O transporte de doentes ou feridos em ambulâncias ou outros
veículos apropriados efectuados por organismos devidamente
autorizados;
Os equipamentos médicos para exercício da actividade dos
estabelecimentos de saúde.
A transmissão de produtos petrolíferos conforme anexo II
presente no Código do IVA.
2. Importações
As importações definitivas de bens cuja transmissão no território
nacional seja isenta de imposto;
As importações de ouro, moedas ou notas de banco, efectuadas
pelo Banco Nacional de Angola;
A importação de bens destinados a ofertas para atenuar os efeitos
das calamidades naturais, tais como cheias, tempestades, secas,
ciclones, sismos, terramotos e outros de idêntica natureza, desde
que devidamente autorizado pelo Titular do Poder Executivo;
A importação de mercadorias ou equipamentos destinados
exclusivos e directamente à execução das operações petrolíferas
e mineiras, nos termos da Lei que estabelece o Regime Aduaneiro
do Sector Petrolífero e do Código Mineiro, respectivamente.
As importações de bens efectuadas no âmbito de tratados e
acordos internacionais de que a República de Angola seja parte,
nos termos previstos nesses tratados e acordos;
As importações de bens efectuadas no âmbito de relações
Diplomáticas e Consulares, quando a isenção resulte de tratados
e acordos internacionais celebrados pela República de Angola;
A importação de moeda estrangeira efectuada pelas Instituições
Financeiras Bancárias, nos termos definidos pelo Banco Nacional
de Angola.
3. Exportações, operações assimiladas e transportes internacionais;
As transmissões de bens expedidos ou transportados com destino
ao estrangeiro pelo vendedor ou por um terceiro por conta deste;
As transmissões de bens de abastecimento postos a bordo das
embarcações que efectuem navegação marítima em alto mar e
que assegurem o transporte remunerado de passageiros ou o
exercício de uma actividade comercial, industrial ou de pesca;
As transmissões de bens de abastecimento postos a bordo das
aeronaves utilizadas por companhias de navegação aérea que se
dediquem principalmente ao tráfego internacional e que
assegurem o transporte remunerado de passageiros ou o
exercício de uma actividade comercial ou industrial;
As transmissões de bens de abastecimento postos a bordo das
embarcações de salvamento, assistência marítima, pesca
costeira e embarcações de guerra, quando deixem o país com
destino a um porto ou ancoradouro situado no estrangeiro;
As transmissões, transformações, reparações, manutenção, frete
e aluguer, incluindo a locação financeira, de embarcações e
aeronaves afectas às companhias de navegação aérea e marítima
que se dediquem principalmente ao tráfego internacional, assim
como as transmissões de bens de abastecimento postos a bordo
das mesmas e as prestações de serviços efectuadas com vista à
satisfação das suas necessidades directas e da respectiva carga;
As transmissões de bens efectuadas no âmbito de relações
Diplomáticas e Consulares cuja isenção resulte de acordos e
convénios internacionais celebrados por Angola;
As transmissões de bens destinados a organismos internacionais
reconhecidos por Angola ou a membros dos mesmos organismos,
nos limites e com as condições fixadas em acordos e convénios
internacionais celebrados por Angola;
As transmissões de bens efectuadas no âmbito de tratados e
acordos internacionais de que a República de Angola seja parte,
quando a isenção resulte desses mesmos tratados e acordos;
O transporte de pessoas provenientes ou com destino ao
estrangeiro.
4. Operações específicas do regime especial aduaneiro e que são definidas
nos termos da legislação aduaneira em vigor:
As importações de bens que, sob controlo aduaneiro e de acordo
com as disposições aduaneiras especificamente aplicáveis, sejam
postas nos regimes de zona franca, que sejam introduzidas em
armazéns de regimes aduaneiros ou lojas francas, enquanto
permanecerem sob tais regimes;
As transmissões de bens que sejam expedidos ou transportados
para as zonas ou depósitos mencionados na alínea anterior, bem
como as prestações de serviços directamente conexas com tais
transmissões;
As transmissões de bens que se efectuem nos regimes a que se
refere a alínea a), assim como as prestações de serviços
directamente conexas com tais transmissões, enquanto os bens
permanecerem naquelas situações;
As transmissões de bens que se encontrem nos regimes de
trânsito, draubaque ou importação temporária e as prestações de
serviços directamente conexas com tais operações, enquanto os
mesmos forem considerados abrangidos por aqueles regimes;
A reimportação de bens por quem os exportou, no mesmo estado
em que foram exportados, quando beneficiem de isenção de
direitos aduaneiros.
Taxa
A taxa do Imposto Sobre o Valor Acrescentado é de 14%.
Na Província de Cabinda, a taxa do Imposto sobre o Valor Acrescentado para
a importação de mercadorias e transmissão de bens, é de 2%.
Liquidação e Pagamento
A liquidação do Imposto sobre o Valor Acrescentado deve ser efectuada:
Pelos sujeitos passivos;
Pelos Serviços Aduaneiros, no caso de importação de bens;
Pela Administração Geral Tributária, no caso de liquidação
oficiosa do Imposto;
Imposto Cativo
As Sociedades Investidoras Petrolíferas, o Estado, bem como quaisquer dos
seus serviços, estabelecimentos e organismos, ainda que personalizados e
as autarquias locais, exceptuando as Empresas Públicas, devem efectuar a
cativação de 100% do IVA que conste das facturas ou documentos
equivalentes emitidos pelos seus fornecedores de bens ou serviços;
O Banco Nacional de Angola, os bancos comerciais, as seguradoras e
resseguradoras e as operadoras de telecomunicações devem efectuar a
cativação de 50% do IVA que conste das facturas ou documentos
equivalentes emitidos pelos seus fornecedores de bens ou serviços;
O Imposto cativo deve ser entregue pelos adquirentes de bens e serviços
que efectuaram a cativação.
Direito Cativo
Para o apuramento do imposto a entregar ao Estado, os sujeitos passivos do
Imposto sobre o Valor Acrescentado têm direito de deduzir ao imposto
liquidado nas transmissões de bens e prestações de serviços que
efectuaram o seguinte:
O Imposto que lhes foi facturado na aquisição de bens e serviços
por outros sujeitos passivos;
O Imposto pago na importação de bens;
O Imposto liquidado resultante de operações tributáveis
efectuadas por sujeitos passivos estabelecidos no estrangeiro,
quando estes não tenham no território nacional um representante
fiscal e não tenham incluído o imposto na factura ou documento
equivalente.
O pagamento do Imposto sobre o Valor Acrescentado é da responsabilidade
dos sujeitos passivos nas transmissões de bens ou prestações de serviços e
do importador no caso de importações de bens.
O Imposto sobre o Valor Acrescentado deve ser entregue até ao final do mês
seguinte relativamente às operações realizadas no mês anterior.
O pagamento do Imposto sobre o Valor Acrescentado é da responsabilidade
dos sujeitos passivos nas transmissões de bens ou prestações de serviços e
do importador no caso de importações de bens.
O Imposto sobre o Valor Acrescentado deve ser entregue até ao final do mês
seguinte relativamente às operações realizadas no mês anterior.
Obrigações Declarativas
Os sujeitos passivos do Imposto sobre o Valor Acrescentado estão obrigados
a entregar a declaração de início, de alteração ou cessação da sua
actividade e entregar mensalmente a declaração periódica e seus anexos
correspondentes às operações efectuadas no exercício da sua actividade no
decurso do mês procedente.
O que é o IVA?
O Imposto Sobre o Valor acrescentado (IVA) é um imposto geral, aplicado
sobre o consumo de bens e serviços e sobre as importações.
Como funciona o IVA?
Os agentes económicos (Produtor, importador, distribuidor e comerciante)
são os responsáveis pela cobrança do imposto aos seus clientes, através da
venda de bens e serviços, fazendo constar o imposto na factura emitida. Do
imposto cobrado aos clientes, os agentes económicos devem subtrair o
imposto que lhes foi facturado nas suas compras de bens e serviços,
devendo entregar aos cofres do Estado apenas a diferença quando for
positiva, e quando esta for negativa, o Estado deve reembolsar o imposto aos
agentes económicos.
Quais são as vantagens para o sistema fiscal angolano com a
implementação do IVA?
Aponta-se Cinco (5) grandes vantagens com a implementação do IVA:
Impede o efeito cascata (Imposto sobre Imposto) do imposto de
consumo, que onerava os preços do consumo;
Redução da fraude e da evasão fiscal, com o cruzamento de dados
electrónicos entre sujeitos passivos (contribuintes);
Transformação do mercado informal para o mercado formal, por
intermédio das exigências na emissão de facturas e da
contabilidade dos contribuintes;
Maior transparência e neutralidade fiscal, permitindo assim a
dedução dos impostos suportados e consequentes reembolsos
nos casos de créditos fiscais, originando maior justiça fiscal;
Alargamento da base tributária, ou seja, mais pessoas a
contribuirem e consequente aumento das receitas fiscais; Maior
robustez nos sistemas informáticos dos contribuintes e da
Administração Tributária;
Todos os agentes económicos podem fazer a cobrança do IVA?
Não. Apenas estão autorizados a fazer a cobrança do IVA aqueles
contribuintes classificados como sujeitos passivos, ou seja, aqueles a quem
recai a obrigatoriedade de pagar ao Estado, sendo que para o ano de 2019,
os sujeitos passivos foram os contribuintes cadastrados na Repartição Fiscal
dos Grandes Contribuintes, bem como aqueles que aderiram voluntariamente
ao regime do IVA.
Para o ano 2021, serão sujeitos passivos todos os contribuintes com volume
anual de facturação ou de operações de importação superior ao equivalente
em Kwanzas a USD 250.000,00 (Duzentos e cinquenta mil dólares).
O que significa sujeito passivo do IVA?
O sujeito passivo (aquele a quem recai a obrigatoriedade de pagar) são as
pessoas singulares ou colectivas que estão registadas no regime geral de
tributação do IVA.
Quais os benefícios de ser um sujeito passivo do IVA?
Os sujeitos passivos de IVA beneficiam de reembolso do IVA pago nas suas
compras de bens e serviços, o que garante que os preços por eles praticados
sejam em regra mais competitivos no mercado.
Qual é a taxa do IVA?
A Taxa do IVA em Angola é de 14% (Em Cabinda é praticada uma taxa
excepcional de 2%). A proposta está abaixo da média da SADC (15,5%).
O IVA pago nas compras é sempre reembolsável?
Não. Apenas são permitidos reembolsos dos custos que concorram
directamente para a actividade de exploração da empresa.
Como é feito o reembolso do IVA?
O reembolso é concedido em dinheiro directamente para a conta bancária do
sujeito passivo, ou através de certificado de crédito fiscal, mecanismo que
permite ao contribuinte efectuar o pagamento de outros impostos e direitos
aduaneiros.
O que é o regime transitório do IVA e como funciona?
O “Regime Transitório do IVA” é um método simplificado de tributação do
IVA que irá operar no período de 1 de Outubro de 2019 a 31 de Dezembro de
2020, sem aplicação das exigências previstas no Código do IVA para os
contribuintes cadastrados na Repartição Fiscal dos Grandes Contribuintes.
Os contribuintes enquadrados no regime transitório são os cadastrados nas
outras Repartições Fiscais e que têm um volume de negócio ou operações de
importação anual superior ao correspondente ao equivalente em Kwanzas a
USD 250.000,00 (Duzentos e cinquenta mil dólares americanos) que não
aderiram ao regime geral do IVA.
O Regime Transitório do IVA funciona do seguinte modo:
Os contribuintes deste regime devem proceder ao pagamento do
IVA correspondente a 7% da facturação efectivamente recebida,
trimestralmente, excluindo as operações isentas nos termos do
“Regime Geral do IVA”;
Os pagamentos deste regime devem ser feitos nos meses de Abril
(referente aos meses de Janeiro, Fevereiro e Março); Julho
(referente aos meses de Abril, Maio e Junho), Outubro (referente
aos meses de Julho, Agosto e Setembro) e Janeiro (referente aos
meses de Outubro, Novembro e Dezembro);
Os contribuintes deste regime que efectuarem a submissão
mensal do mapa de fornecedores, podem reduzir do IVA a pagar
trimestralmente, o correspondente a 4% do IVA suportado nas
suas aquisições de bens e serviços.
O que ganhamos todos com o IVA?
O IVA é mais justo para todos: cidadãos, agentes económicos e Estado. Com
este imposto, há uma maior recolha de fundos para aplicar nas áreas que vão
beneficiar a vida de todos os cidadãos angolanos, de Cabinda ao Cunene, do
mar ao leste.
O pagamento trimestral do IVA efectuado pelo regime transitório é
realizado sobre o valor facturado?
O pagamento efectuado pelos contribuintes enquadrados no regime
transitório do IVA é realizado sobre o rendimento efectivamente recebido,
excluindo os rendimentos isentos de IVA.
As empresas sem contabilidade organizada, como ficam diante do IVA?
As empresas sem contabilidade organizada, estão abaixo do limiar tendo em
conta o seu volume de negócio. Estes contribuintes estão no Regime
Simplificado Declarativo, de forma a proteger os seus rendimentos. Os
contribuintes deste regime, sobre a sua declaração fiscal mensal, têm um
benefício fiscal na dedução de uma percentagem à colecta definitiva do
Imposto sobre o Rendimento.
Quais são as vantagens para o sistema fiscal angolano?
A grande vantagem do IVA é o alargamento da base tributária. A adopção do
IVA por parte dos países em vias de desenvolvimento tem sido, sem dúvida,
uma das mais importantes medidas de política fiscal em todo o mundo. Os
seus defensores argumentam que o IVA tem servido como uma ferramenta
útil para aumentar a receita fiscal dos governos e consequentemente evitar
a dupla tributação aos sujeitos passivos na cadeia de produção, distribuição
e comercialização, como acontecia com o imposto de consumo no “efeito em
cascata”. O IVA tem ajudado muito os países em via de desenvolvimento na
redução da informalidade, trazendo mais contribuintes para o sector formal
da economia.
Que bens e serviços estão isentos de IVA?
Por razões de carácter social e económico, estão isentos os serviços de
saúde, medicamentos, educação, actividade agro-pecuária e os bens que
compõem a cesta básica.
O IVA pago nas compras é sempre reembolsável?
Não. Apenas são permitidos reembolsos dos custos que concorram
directamente para a actividade de exploração da empresa.