UNIVERSIDADE MUSSA BIN BIQUE
Faculdade de Direito
Curso de Licenciatura em Psicologia Clínica
Disciplina: Direitos Humanos
Tema:
Direito Internacional Humanitário
Nampula, Março de 2024
Discentes:
Ana Lisette Henriques
Catarina Gilda Bene
Ermelinda Awalo Januário
Gabene Abineiro Guite
Inês da Conceição Luis
Leocádia Firmino Madeira
Marcos Tomás Beque
Tema:
Direito Internacional Humanitário
Trabalho de caracter avaliativo da
cadeira de direitos Humanos, do
Curso de Psicologia Clínica, 2°
ano, Turma: A, 5° Grupo.
Tutor: Dr. Herminio Raibo
UNIVERSIDADE MUSSA BIN BIQUEN
Nampula, Março de 2024
Índice
Introdução..........................................................................................................................4
Introdução
Salientar que este ensaio académico é o fruto de consulta bibliográfica dos estudantes
do curso de psicologia clínica, pertencente ao quinto grupo da turma A, que surge como
exigência do docente da cadeira de direitos humanos em querer que os estudantes se
habilitem e cultivem o espírito de busca de conhecimento baseando-se em pesquisas
bibliográficas. Deste modo nos auxiliamos de metodologia científica para trazer neste
ensaio abordagens como: Origem do Direito Internacional humanitário (DIH), Fontes
do Direito Internacional Humanitário baseadas em tratados, Aplicabilidade do Direito
Internacional Humanitário, Abrangência do Direito Internacional Humanitário e
Diferença entre o Direito Internacional Humanitário e o Direito Internacional dos
Direitos Humanos.
Objectivo geral:
Descrever Direito Internacional Humanitário.
Objectivo Específico:
Descrever a origem do D.I.H;
Mencionar e descrever fontes do D.I.H baseadas em Tratados;
Descrever Aplicabilidade do Direito Internacional Humanitário;
Descrever Abrangência do Direito Internacional Humanitário;
Descrever Diferença entre o Direito Internacional Humanitário e o Direito
Internacional dos Direitos Humanos.
Metodologia
Para o desenvolvimento deste ensaio académico teve como principal método de
pesquisa quanto aos procedimentos técnicos, uma pesquisa Bibliográfica.
De acordo com Richardson (2008) a consulta bibliográfica pode ser definida como
sendo uma das etapas indispensáveis para o estudo e análise de um determinado assunto
de interesse do pesquisador e consciente na procura, seleção, pré-análise e análise da
matéria, tratado dos resultados, inferência e interpretação da leitura e disposição e a
devida adequação ao assunto em estudo, com vista alcançar os objectivos previamente
estabelecidos para a execução do relatório. (pag.184)
Direito Internacional Humanitário
O Direito Internacional Humanitário (DIH) é um conjunto de normas que, por razões
humanitárias, visa limitar os efeitos dos conflitos armados. Protege as pessoas que não
participam ou deixaram de participar direta ou ativamente das hostilidades e estabelece
limites aos meios e métodos de guerra. O DIH também é conhecido como “Direito da
Guerra” ou “Direito Internacional dos Conflitos Armados”.
O DIH faz parte do Direito Internacional Público - composto principalmente de
tratados, Direito Internacional Consuetudinário e princípios gerais de Direito patente no
artigo 38 do Estatuto da Corte Internacional de Justiça.
Origem do D.I.H
A guerra sempre esteve sujeita a determinados princípios e costumes. Portanto, pode-se
dizer que o DIH tem suas raízes nas normas das antigas civilizações e religiões.
O DIH começou a ser codificado no século XIX, notadamente com a adoção da
Convenção de Genebra de 1864 para a Melhoria da Sorte dos Feridos em Exércitos em
Campanha e a Declaração de São Petersburgo de 1868, que proibia o uso de
determinados projéteis em tempo de guerra. Desde então, os Estados estabeleceram uma
série de normas práticas para acompanhar a evolução dos meios e métodos de guerra, e
as consequências humanitárias relacionadas. As normas do DIH estabelecem um
equilíbrio cuidadoso entre as preocupações humanitárias e as exigências militares de
partes estatais e não estatais do conflito armado. Tais normas tratam de uma ampla
gama de questões, incluindo: proteção para membros das forças armadas feridos,
enfermos e náufragos; tratamento de prisioneiros de guerra e outras pessoas detidas em
conexão com um conflito armado; proteção da população civil e bens civis; e restrições
ao uso de determinadas armas e métodos de guerra.
Fontes do D.I.H baseadas em Tratados
As quatro Convenções de Genebra de 1949 (CG I, II, III e IV), que foram
universalmente aceitas ou ratificadas, constituem os tratados centrais do DIH. As
convenções foram complementadas pelos Protocolos Adicionais I e II de 1977 (PA I e
PA II), relativos à proteção das vítimas de conflitos armados internacionais e não
internacionais, respectivamente; e pelo Protocolo Adicional III de 2005 (PA III),
relativo a um emblema distintivo adicional (o cristal vermelho).
Outros tratados internacionais que proíbem o uso de determinados meios e métodos de
guerra e protegem algumas categorias de pessoas e objetos contra os efeitos das
hostilidades. Esses tratados incluem:
O Protocolo de 1925 para a Proibição do Uso na Guerra de Gases Asfixiantes,
Venenosos e Outros e de Métodos Bacteriológicos de Guerra;
A Convenção de 1954 para a Proteção de Bens Culturais em Caso de Conflito
Armado e os seus dois Protocolos de 1954 e 1999;
A Convenção de 1972 sobre a Proibição do Desenvolvimento, Produção e
Estocagem de Armas Bacteriológicas (Biológicas) e tóxicas e sobre a sua
Destruição;
A Convenção de 1976 sobre a Proibição de Uso Militar ou Hostil de Técnicas de
Modificação Ambiental;
A Convenção de 1980 sobre Proibições ou Restrições ao Emprego de Certas
Armas Convencionais que Podem Ser Consideradas Excessivamente Lesivas ou
Geradoras de Efeitos Indiscriminados (Convenção sobre Certas Armas
Convencionais) e os seus cinco Protocolos de 1980 (I, II e III), 1995 (IV), e
2003 (V);
A Convenção de 1993 sobre a Proibição do Desenvolvimento, Produção,
Estocagem e Uso de Armas Químicas e sobre a sua Destruição;
A Convenção de 1997 sobre a Proibição do Uso, Armazenamento, Produção e
Transferência de Minas Antipessoal e sobre a sua Destruição;
O Protocolo Facultativo de 2000 para a Convenção sobre os Direitos da Criança
relativo ao Envolvimento de Crianças em Conflitos Armados;
A Convenção Internacional de 2006 para a Proteção de Todas as Pessoas contra
o Desaparecimento Forçado;
A Convenção de 2008 sobre Munições Cluster.
O Direito Consuetudinário como fonte do DIH
Juntamente com os tratados, o direito consuetudinário continua sendo uma importante
fonte do DIH. Pode preencher lacunas se o tratado de DIH não for aplicável (p. ex.:
devido à falta de ratificação ou se os critérios para a aplicabilidade dos tratados não
forem cumpridos), ou quando o direito do tratado for menos desenvolvido, como é o
caso de conflitos armados não internacionais.
O DIH Consuetudinário é formado por “uma prática geral aceita como direito”. Em
princípio, o DIH Consuetudinário vincula todos os Estados e, em conflitos armados não
internacionais, as partes não estatais do conflito.
Em 2005, com base em um mandato da 26.ª Conferência Internacional da Cruz
Vermelha e do Crescente Vermelho, a CICV publicou um estudo sobre o DIH
Consuetudinário. Uma descoberta importante do estudo foi que há mais DIH
Consuetudinário regendo conflitos armados não internacionais do que o estabelecido
nos tratados de DIH. As regras aplicáveis aos conflitos armados não internacionais têm
um alcance mais limitado do que as que regem os conflitos armados internacionais.
Aplicabilidade do Direito Internacional Humanitário
O DIH rege os conflitos armados. Além de algumas obrigações que exigem
implementação em tempos de paz (p. ex.: adoção de legislação de implementação,
difusão do DIH), esse não se aplica fora do conflito armado.
O DIH se aplica quando as condições para um conflito armado ou ocupação são
efetivamente satisfeitas no terreno. Aplica-se igualmente a todos os lados,
independentemente de quem tenha iniciado o conflito ou dos motivos. O DIH faz uma
distinção entre conflito armado internacional e não internacional.
Conflitos armados internacionais são aqueles em que um ou mais Estados recorrem
ao uso da força armada contra um ou mais outros Estados. Situações de ocupação
também são abrangidas pelo Direito Internacional dos Conflitos Armados, mesmo que
não encontrem resistência armada.
Os conflitos armados internacionais são regidos pelas quatro Convenções de Genebra;
pelo PA I, se aplicável; por outros tratados aplicáveis, como aqueles que regulamentam
o uso de armas; e pelo DIH Consuetudinário.
De acordo com o PA I, os conflitos em que povos lutam contra a dominação colonial e a
ocupação estrangeira e contra os regimes racistas no exercício do seu direito de
autodeterminação (coloquialmente conhecidos como “guerras de libertação nacional”)
também são tratados como conflitos armados internacionais.
Os conflitos armados não internacionais envolvem forças armadas governamentais
que lutam contra um ou mais grupos armados não estatais, ou tais grupos lutando entre
si. Nem todo confronto armado que envolve grupos armados não estatais equivale a um
conflito armado não internacional.
Para ser regido pelo DIH, tal conflito deve alcançar um determinado nível de
intensidade e as partes não estatais envolvidas devem mostrar algum nível de
organização. No que se refere a essa questão, o PA II explica especificamente que este
“não se aplica a situações de distúrbios e tensões internas, tais como motins, atos de
violência isolados e esporádicos, e outros de natureza semelhante”.
Os conflitos armados não internacionais são regidos pelo artigo 3.º comum às quatro
Convenções de Genebra; pelo PA II, se aplicável;9 por outros tratados aplicáveis, como
aqueles que regulamentam o uso de armas; e pelo DIH Consuetudinário.
O PA II se aplica a conflitos armados não internacionais que preencham os seguintes
critérios específicos: “Ocorre em território de uma Alta Parte Contratante, entre as suas
forças armadas, e forças armadas dissidentes ou grupos armados organizados que, sob a
chefia de um comando responsável, exerçam sobre uma parte do seu território um
controle tal que lhes permita levar a cabo operações militares contínuas e organizadas, e
aplicar o presente protocolo.”
A distinção entre conflito armado internacional e não internacional nem sempre é
imediatamente óbvia. Podem surgir situações em que ambos tipos de conflito armado
estejam presentes. Um enfoque que analise caso a caso, que considere o caráter estatal
ou não estatal das partes opostas, é, portanto, necessário para determinar qual marco
normativo é aplicável em cada relação conflituosa. Quando ambos conflitos estão
presentes, o CICV classifica tais situações como um “conflito armado com classificação
dupla”. Nessa situação, tanto o direito dos conflitos armados internacionais quanto o
direito dos conflitos armados não internacionais se aplicam paralelamente de acordo
com o enfoque fragmentado defendido pelo CICV.
Abrangência do Direito Internacional Humanitário
As Convenções de Genebra regulam a proteção e o tratamento de quatro categorias de
pessoas que não participam ou deixaram de participar diretamente das hostilidades
durante um conflito armado internacional:
Feridos e enfermos das forças armadas em campanha (CG I);
Feridos, enfermos e náufragos das forças armadas no mar (CG II);
Prisioneiros de guerra (CG III);
Civis (CG IV).
Diferença entre o DIH e o Direito Internacional dos Direitos Humanos
Existem semelhanças entre algumas das normas do DIH e do Direito Internacional dos
Direitos Humanos (DIDH). Ambos corpos jurídicos se esforçam para proteger a vida, a
saúde e a dignidade dos indivíduos. No entanto, esses dois ramos do Direito
Internacional Público se desenvolveram separadamente, têm diferentes âmbitos de
aplicação e estão contidos em diferentes tratados. Em particular, o DIDH-
diferentemente do DIH - se aplica tanto durante conflitos armados quanto em tempos de
paz, embora algumas das suas disposições possam ser derrogadas durante um conflito
armado.