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Estudo do Livro de Esdras e Seu Contexto

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Tiberio Cesar
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Seminário Presbiteriano Fundamentalista Bíblico do Brasil

Rua Hélio Brandão, 376 – IPSEP – Recife/PE

LIVROS HISTÓRICOS
PROF: ADMIR SOUZA
ALUNO: TIBÉRIO CÉSAR

LIVRO DE ESDRAS

AUTORIA

Questões como estilo, abordagem, propósito comum e repetição de usos verbais apontam para
um compilador que trabalhou sobre os livros de Crônicas, Esdras e Neemias, como se
formassem uma só unidade. Várias fontes informativas podem ser percebidas; portanto, se
Esdras foi o autor, então ele atuou quase sempre como mero compilador de materiais já
existentes.

DATA

As várias datas atribuídas ao livro dependem da identidade do rei Artaxerxes, referido no livro,
isto é, se foi Artaxerxes I ou Artaxerxes II. Isso cria uma diferença de cinqüenta anos, de 458
A.C. para 397 A.C. Alguns estudiosos supõem que a escrita real pudesse ter ocorrido cem anos
ou mais após eventos descritos. Se o Jadua de Nee. 12.11,22 fosse identificado com o sumo
sacerdote desse nome, do reinado de Dario III (338-331 A.C), então o livro de Esdras, em sua
forma final, poderia datar dessa época. Uma cópia atualizada, entretanto, pode ter sido feita com
base nessa adição, e o restante pode ter sido preparado algum tempo antes.

PERÍODO

Este livro cobre um período de 92 anos de história judaica, desde o decreto de Ciro permitindo
que os judeus retornassem à terra (539 aC) até o decreto de Artaxerxes, que interrompeu o
trabalho de reconstrução da cidade de Jerusalém (446 aC).

O livro de Esdras começa com a história dos judeus desde a época em que Ciro da Pérsia os
libertou do exílio na Babilônia.

A maior parte da geração mais velha de israelitas que foi levada ao cativeiro por
Nabucodonosor havia morrido e a maioria da nova geração não tinha interesse em retornar para
uma terra que nunca tinha visto.

Durante o tempo de Esdras, o Império Persa atingiu sua maior extensão, engolindo quase todo o
Oriente Próximo. Em 539 a.C. Os persas sob Ciro, o Grande, derrotaram os babilônios e
absorveram seu território no império, incluindo as terras de Israel e Judá (conhecido como Além
do Rio).

No ano seguinte, Ciro permitiu que o povo de Judá voltasse para casa sob a liderança de
Zorobabel e reconstrua o templo do Senhor. Mais tarde, por volta de 458 aC, outro grupo de
exilados da Judéia retornou sob o comando de Esdras.

ESDRAS, UM ESCRIBA E SACERDOTE

Esdras era um ”Sopher”, em hebraico, “mestre” escriba um estudante da Torá.

Provavelmente nasceu na Babilônia como um dos cativos judeus que lá ficaram por setenta
anos. Esdras era bisneto de Hilquias, sumo sacerdote e um dos personagens importantes na
época do avivamento que ocorreu no tempo do bom rei Josias (conf. 2Rs 22.8), neto de Azarias
e filho de Seraías (conf. Ed 7.1). A genealogia registrada sobre ele nos dá elementos suficientes
para traçar seu parentesco sacerdotal até Arão, mostrando que ele pertencia a principal família
sacerdotal de Jerusalém (conf. Ed 7.2-5). Esdras era da linhagem sacerdotal, sendo assim
descendente de Eleazar e de Finéias.

RESUMO

Esdras Em cumprimento a uma profecia, o rei Ciro, da Pérsia, permite o retorno dos judeus, que
viviam na Babilônia, para Jerusalém a fim de reconstruírem o templo. O primeiro grupo de
judeus volta sob as ordens de Sesbazar (também conhecido como Zorobabel; ver o Guia para
Estudo das Escrituras, “Zorobabel”).

Esdras 2–4 Lista dos exilados. Sob o comando de Zorobabel, o líder judeu da região, e Jesua, o
sumo sacerdote, os judeus reconstroem primeiramente o altar do templo. Eles iniciam a
reconstrução do templo, mas são obrigados a parar devido às queixas dos samaritanos ao rei da
Pérsia.

Esdras 5–6 Depois de muitos anos de interrupção nas obras do templo, Zorobabel, Jesua e os
Profetas Ageu e Zacarias assumem a liderança na retomada da reconstrução do templo. Dario, o
rei da Pérsia naquela época, reconfirma a deliberação do rei Ciro para os judeus reconstruírem o
templo. O templo é concluído e dedicado.

Esdras 7–10 Esdras recebe do rei Artaxerxes a incumbência de guiar outro grupo de judeus até
Jerusalém. Ele descobre que muitos judeus, inclusive líderes, desobedeceram ao Senhor ao se
casarem com não israelitas que praticavam a idolatria. Aqueles que são culpados confessam seu
pecado e se separam das esposas estrangeiras.
ESBOÇO DO CONTEÚDO

O livro de Esdras divide-se em duas partes principais, a saber:

I. O Retomo dos Exilados sob Zorobabel (1.1 - 6.22)

1. Retorno dos primeiros cativos (1.1 - 2.70)

a. Ciro favorece os judeus com seu decreto (1.11)

b. A lista dos exilados (2.1-70)

2. A adoração judaica é restaurada (3.1 - 6.22)

a. O templo é reconstruído (3.1 - 6.15)

b. A dedicação do templo (6.16-22)

II. Reformas de Esdras - O Reinicio de Israel (7.1 - 10.44)

1. A segunda leva de exilados (7.1 - 8.36)

2. Divórcio forçado das esposas estrangeiras: a purificação (9.1 - 10.44)

APLICALÇÃO DOS CAPITULOS

CAPITULO 1

No primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia. Quanto à exposição essencial desses versículos,
comparando com o trecho quase idêntico de II Crônicas 36.22,23.

Refere-se não ao primeiro ano de Ciro como rei da Pérsia mas ao seu primeiro ano como
governador da Babilônia. Esse foi o ano em que os judeus tiveram seu primeiro contato com
Ciro (Esdras 5.13).

Ciro se levanta como ungido por Deus, Isaias profetizou acerca da libertação dos judeus do
cativeiro por Ciro, chamando de “ungido” referindo-se a um “Messias” (Is. 45:1). As profecias
de Jeremias também se cumpriram a respeito de Ciro (Jr. 25:12; 29:10), Ele próprio se vê como
servo de Deus, assim como a profecia diz.

“O Senhor, o Deus dos céus, deu-me todos os reinos da terra e designou-me para construir um
templo para ele em Jerusalém de Judá”.

Ciro tinha o coração fixo no projeto do templo, em Jerusalém, e até proveu fundos e transporte
para facilitar o trabalho. Mas os judeus que tinham criado fortes raízes na Babilônia (ver
Jeremias 29.4-10) não se interessaram em retomar àquela terra violenta, onde somente a tristeza
tinha reinado por tanto tempo.

Um novo êxodo estava sendo efetuado, e aqueles que quisessem voltar para Jerusalém teriam
dinheiro suficiente, animais domesticados e a ajuda de que porventura precisassem para um
novo começo. O rei cuidaria desse aspecto da questão, e também haveria oferendas voluntárias
para a construção do templo, e, presumivelmente, sobraria algo para os construtores sob a forma
de salários.

Certificou-se de que recursos abundantes seriam providos para a viagem e para os gastos
subsequentes. Duas espécies de doadores são mencionadas no presente texto:

a) o rei persa, que tinha doado dinheiro do tesouro real, e os príncipes persas;

b) os conselheiros que garantiriam que essas doações chegariam às mãos de Esdras. Além disso,
houve doações feitas pelos próprios judeus (vs. 16), conforme também acontecera no caso da
primeira expedição. A província inteira da Babilônia estaria envolvida na questão da retomada
dos judeus e a reconstrução. .

Os “príncipes” (persas) que contribuíram são mencionados em Esdras 8.25, e a entrega das
doações foi registrada em Esdras 8.24-26,33,34. Ver o vs. 20 quanto às doações do rei, retiradas
do tesouro.

APLICAÇÃO

Os tempos e as estações são determinações do Senhor, no tempo determinado elas se acabam,


tudo tem um tempo para começar e terminar. Mesmo a provação mais difícil de nossas vidas o
Senhor Jesus está no controle de cada uma delas, e tudo vai acabar um dia.

CAPITULO 2

Então se levantaram os cabeças de famílias de Judá e de Benjamim. Esse Cap., Esdras registra o
nome das famílias que retornaram a Judá e Jerusalém que só havia ruinas onde antes se viu a
glória e a majestade de Deus. O Espirito Santo colocou no coração de Esdras a direção de
documentar seus nomes.

A Liderança Desperta. Tirando vantagem da generosidade de Ciro, e sentindo o despertar do


nacionalismo e o impulso interior de Yahweh, os principais líderes ergueram-se para conduzir o
povo de Judá de volta à Terra Prometida. Entre os líderes, havia sobreviventes proeminentes de
Judá e de Benjamim, além de certo número de sacerdotes e levitas. Notemos que foi um
remanescente do sul (Judá-Benjamim) que reiniciou a nação de Israel, em sua Terra Prometida.
Esse remanescente tinha a autoridade política de Zorobabel (2.2), descendente de Davi, bem
como a autoridade espiritual de sacerdotes e levitas qualificados, ou seja, eles contavam com
todos os requisitos da legislação mosaica. O minúsculo fragmento de Judá tornou-se assim o
Novo Israel, e as coisas recomeçaram.

Zorobabel foi o líder da primeira geração. Por ter deixado Jerusalém como cativo quando era
jovem, o retorno tinha grande significado. Já com cerca de 90 anos de idade, ele sentia que seu
lar estava em Jerusalém. Seu coração, profundamente comovido e saudoso, ansiava por retornar.

Zorobabel era filho de Sealtiel e neto de Jeoaquim (1 Cr 3:17), um dos últimos reis de Judá.
Ultimo membro da linhagem davidica a ser investido de autoridade politica. Zorobabel foi
ancestral de Jesus, conforme (Mt 1:12-13; Lc 3:27)
Naturalmente, a dinastia davídica (que o cronista nunca se cansou de exaltar) perdeu-se, exceto
pelo fato de que continua na pessoa de Jesus Cristo, da descendência de Davi, o Rei dos reis.

APLICAÇÃO

Os nomes daqueles que confiam em Jesus Cristo e abandonam o pecado, tem um memorial
gravado no livro da vida. Nossa confiança e perseverança não se perdem com o tempo, o Senhor
Jesus está atento as nossas obras. Deus sempre preservara famílias de servos e servas fieis ao
Senhor. Se você é vocacionado, se mantenha firme no Senhor, porque no tempo determinado
Ele lhe colocará em evidência.

CAPITULO 3

Começa mostrando a forma progressiva do estabelecimento dos cativos em Israel, e suas


prioridades, ele se reuniram “como um só homem”, ou seja, em um único proposito para
começar a construir o altar do Senhor Deus. A intenção era voltar a oferecer os sacrifícios
regulares ao Senhor. O Deus da obra inclinou o coração do estrangeiro Ciro, para financiar a
reconstrução do templo e dos muros de toda cidade.

No dia da reinauguração do templo, os sacerdotes se vestiram com as vestes adequadas e os


levitas com os instrumentos louvaram ao Senhor. Há um misto de alegria e tristeza por parte do
povo, os mais jovens se alegram, para eles um novo tempo esta chegando. Para os mais velhos,
há uma grande tristeza; eles viram o lançamento do templo de Salomão, choraram ao ver esse
novo e humilde templo, para eles a gloria de Israel havia desaparecido.

Mês de Tisri, cerca de três meses após a chegada dos exilados a Judá. Tisri era um dos meses
mais sagrados do calendário judaico, conforme (Lv 23) “Festas de Israel”

APLICAÇÃO

Precisamos saber discernir os tempos. Sempre teremos a oportunidade de lamentar ou celebrar.


A depender do ponto de vista, olharemos para frente ou para trás. Não espere pelas condições
ideais para fazer a obra de Deus, devemos começar com o que temos.

A palavra de Deus nos mostra, que quando estamos recomeçando o mais importante é olhar para
frente. Aquele povo estava 70 anos longe de casa, do templo e da Lei. Por menor e mais singelo
que fosse, esse recomeço era glorioso.

CAPITULO 4

A oposição a obra – os adversários do povo de YHWH chamados “AMHAAREK” em hebraico


“gente da terra ou gente da região” (vs 4). Aqui se trata dos descendentes dos desterrados que o
Rei Sargon II da Assíria levou para Samaria depois de ter destruído o Reino do Norte (Israel), (2
Rs 17:6-24). Esses remanescentes formados de vários povos mesopotâmicos passaram a ser
denominados “Samaritanos” (Jo 4:39; At 8:25).

Na reconstrução do templo, seus inimigos enviaram uma carta difamatória ao Rei Artaxexes,
dando a entender que se a cidade fosse reconstruída, serviria como núcleo de resistência ao
governo persa inflamando a ira do rei sobre a nação de Israel. Assim foram forçados a desistir
do trabalho de reconstrução até o reinado de Dário.

APLICAÇÃO

Quando Deus começa a agir em nossa vida, para edificar, reconstruir, prosperar, precisamos
estar muito atentos à oração e a vigilância. O Diabo e extremamente astuto e possui muitos
servos e servas ao seu dispor. Com isso, a nossa atitude de intimidade com Deus e fundamental.
Dessa forma o Senhor Jesus nos manterá seguros e seu projeto em nossas vidas não vai parar.

CAPITULO 5

A obra, entretanto, foi interrompida pela oposição, dezesseis anos mais tarde em 520 a.C., a
obra foi reiniciada com o encorajamento dos profetas Zacarias e Ageu (Ed 4:24, 5:1-2; Ag 1:14-
15). Depois de Dário ter localizado uma copia do decreto de Ciro, o Rei Dário ordenou a
Tetanai um dos opositores que apoiasse a reconstrução (Zc 1:1,7; 7:1; Ag 1:1,15; 2:10).

Mediante a pregação da palavra de Deus a obra reiniciou-se em função da pregação profética, os


Judeus “crentes” entenderam sua posição. Sendo assim a segunda construção do Templo.

No ano 20 a.C. o Templo foi desconstruído por Herodes o Grande para levantar o terceiro
Templo, que mais uma vez foi destruído pelo Império Romano em 70 d. C., profetizado pelo
Senhor Jesus Cristo (Mt 24:1-28; Mc 13:1-31; Lc 21:5-37).

APLICAÇÂO - Além dos templos físicos, há uma série de alusões aos templos ideais que Deus
quer em nossas vidas, não é megas construções, mas, corações circuncidados para a habitação
do Espírito Santo (EZ 40:43; Jo 2:21; 1 Co 3:16-19; Ef 2:20-22; Hb 9:11, 24; 1 Pe 2:4-8; Ap
11:19).

CAPITULO 6

O objetivo da carta do governador Tatenai, é saber se Dario permite que a obra continue. Após a
leitura dos arquivos da Babilônia. Dario emite sua resposta, sendo completamente favorável a
retomada da obra.

Começa a retomada do trabalho do templo, sobre a ordem de Dario que mandando investigar os
registros de Ciro que autorizava os judeus a reconstruir o templo que estava escrito em
Aramaico, a língua oficial do Império Persa. Também é citado abreviado em (2 Cr 36:23).
Contudo, Ciro estava determinado a ser benevolente, em vez de governar com mãos de ferro.

Sobretudo, a ordem real sobre Tatenai governador além do Eufrates para que colaborasse com a
restauração não deixando faltar recursos e salario aos reconstrutores da obra.

Do outro lado, os servos de Deus encorajados pela pregação do profeta Ageu e Zacarias, dessa
forma concluíram a obra do Templo. O povo celebrou por sete dias a festa dos pães sem
fermento, em reconhecimento do agir de Deus para mudar o coração do rei da Assíria.
Cerca de 70 anos depois de sua reconstrução, o templo reconstruído volta a funcionar. De
acordo com o profeta Ageu, os membros mais idosos que se recordavam do esplendor do
Templo de Salomão, ficaram decepcionados ao contemplar a restauração do templo de
Zorobabel (Ag 2:3), é o que Esdras registra (3:12). Embora não tão grandioso quanto o
primeiro, acabou servindo ao povo e durando por muito mais tempo.

Obs: Um detalhe que se ocorreu até os dias de Jesus é que, o Santo dos Santos foi deixado
vazio porque a Arca da Aliança se havia extraviada ou destruída na invasão babilônica. De
acordo com o historiador Flávio Josefo, foi colocada uma placa de pedra no local da Arca e uma
mesa para os pães e os incensos.

APLICAÇÃO

Devemos ser instrumentos de benção sobre a vida daqueles que fazem parte de nossa vida de
alguma forma. Quer estejam pertos ou longe. A oposição virá, mas se formos fieis a Deus em
nosso procedimento, seremos promovidos e tudo o que nos atrapalhava antes, ficara para trás.

CAPITULO 7

O Cap. Começa com a genealogia de Esdras descendente de Arão o Sumo Sacerdote, irmão de
Moises. Esdras se tornou um escriba na babilônia. Artaxexes rei da Babilônia permitiu a Esdras
que retorna-se a Judá como líder espiritual do povo judeu.

(v. 10) Esdras revela quais as características de um bom ministro da Palavra do Senhor.

1) Um servo de Deus o tempo todo, um discípulo do Mestre aprendendo e ensinando a verdade.

2) Um homem de Deus obediente a Palavra do Senhor.

3) Zeloso da sã doutrina.

O paralelo está em (1 Tm 4:16)

E qual foi a contribuição de Esdras para a segunda geração? Vejamos que ele trouxe duas
contribuições.

A Primeira Contribuição: ele procurou embelezar o templo (Ed 7.27 – “ornar” a casa do
Senhor ou “glorificar”, em outra versão). Traduzindo isso para a linguagem do Novo
Testamento, significa que a igreja deve crescer para atingir a maturidade. Na primeira geração,
o fundamento está seguro.

Mas, depois, na segunda geração, Esdras não construiu outro templo. Não. Ele edificou algo
sobre o fundamento para embelezar a construção original. É a igreja como segunda geração.

Lembre-se: a igreja não é só algo exato, algo “correto” de acordo com o entendimento da
verdade. Esse é o primeiro passo, e é maravilhoso quando o alcançamos. Mas a igreja, o corpo
de Cristo, deve crescer. Portanto, o que significa embelezar o templo? Muito simples. Por meio
da segunda geração, a igreja chega a ser muito mais bela, mais amadurecida, sem mancha,
pronta para ser apresentada a Cristo como uma igreja gloriosa.
A segunda contribuição: foi a restauração da autoridade da Palavra de Deus. Quando Esdras
leu a Palavra, muitas pessoas choraram, foram tocadas (Ne 8.9). Então, a geração mais jovem
deve ter uma palavra muito mais rica do que a primeira.

Como pode a igreja tornar-se gloriosa, sem mancha e sem ruga? A Bíblia diz que é “pela
lavagem de água pela palavra” (Ef 5.26). No original grego, palavra neste texto é rhema, a
palavra de vida, inspirada e aplicada pelo Espírito Santo.

APLICAÇÃO

Portanto, se o Senhor for misericordioso conosco, se ele demorar a retornar, a nossa história não
se reduzirá só aos primeiros capítulos do livro de Esdras (restauração dos fundamentos por meio
da primeira geração), mas poderemos alcançar, além disso, a experiência do capítulo 7
(levantamento de uma segunda geração com encargo, revelação e autoridade na Palavra). Que a
segunda geração do nosso tempo (nossos filhos e os filhos deles possa realizar um trabalho
excelente para Cristo). seja melhor o seu trabalho na obra de Cristo.

CAPITULO 8

Esdras nos mostra os preparativos para retornar com os exilados a Jerusalém, muitos deles
estavam vendo o agir de Deus. Para muitos dos que ficaram na Babilônia, o conforto e bem-
estar os impedia de ver o cumprimento da promessa. Dessa forma muitos deles não quiseram
voltar com Esdras.

De qualquer maneira, os nomes das famílias que acompanharam o escriba foram registrados
com o proposito de honrar a atitude de fé e coragem demonstrada por eles.

O que se destaca nesse Cap. É a ordem de Esdras em mandar buscar um grande numero de
Levitas; o jejum que ali fizeram na beira do rio Aava em humilhação para o retorno a Jerusalém
(vs. 21-23). Contudo, o jejum era considerado pelos escribas uma maneira de se colocar
humildemente na presença de Deus, com isso Jesus aprovou essa pratica em (Mc 2:18-22).

A decisão de Esdras de ir a Jerusalém sem a proteção dos guardas era uma clara demonstração
de fé. Ele estava com uma grande quantia de ouro e prata em abundancia. Esdras queria, em
tudo ser testemunho vivo, por isso, ao invés de confiar na força do homem, ele decide confiar
em Deus, e o Senhor honrou sua atitude, (vs. 31-23).

APLICAÇÃO

Que o Senhor nos mova em oração para levantar verdadeiros adoradores em nossa casa e nessa
geração. Que a boa mão do Senhor esteja sobre nós. Para que homens e mulheres ousados possa
se ergue em favor da verdade na obra de Cristo.

CAPITULO 9

Esdras é pego de surpresa por uma grande tristeza. Muitos dos exilados haviam se casado com
mulheres estrangeiras, quebrando o mandamento do Senhor.
A noticia dos casamentos mistos entre os exilados e alguns dos lideres do povo, Esdras ficou
bastante triste. A ordem de Deus para seu povo é de que o judeu, só casaria com judeu.
Exatamente como Esdras repete em sua oração.

Esdras ao se deparar com a informação, fica profundamente triste e ora ao Senhor. Na verdade,
ele se humilha, rasga as vestes, chora e pede perdão. Mesmo não tendo pecado, porém, ele se
posiciona no lugar de todos.

Vemos a posição de um homem que sente e chora pelo pecado do outro, o que nos trás a
imagem de Cristo, se entregando pela humanidade. Transportando isso para o Novo
Testamento, o Apostolo Paulo aconselha o Povo (2 Co 6:14-18). Contudo, essa é uma pratica
extremamente comum em nossos dias, crente com descrente etc.

APLICAÇÃO

A Bíblia nos mostra claramente que não é esta a vontade de Deus. Muitas pessoas são infelizes
em seus casamentos, por decidir quebrar este principio bíblico.

CAPITULO 10

Esdras revela o desfecho dos casamentos mistos, ao se lamentar e chorando diante do povo. A
atitude dele e tão sincera, que o povo ao ver seu líder naquela situação garante o apoio a sua
decisão.

Secanias, era mais próximo do povo que Esdras e garantiu que era possível resolver o problema.
O plano decidido foi o seguinte:

“separem-se dos povos vizinhos e das suas mulheres estrangeiras”

A ordem é que eles deveriam entregar a carta de divorcio e mandar suas mulheres e filhos
embora. Portanto, oque fosse necessário fazer para não viver os traumas do cativeiro
novamente, eles fariam.

APLICAÇÃO

A atitude de Esdras e do povo naquele momento, foi coerente com o contexto vivido por eles.
Um momento único na historia, cuja atitude dificilmente se repete em nossos dias.

CRISTO REVELADO NO LIVRO DE ESDRAS

Embora não esteja em todas as linhas e talvez não em todas as páginas, a mensagem de Cristo
permeia o Antigo Testamento. Encontrar Cristo é a chave que destranca a mensagem da Palavra
de Deus. Jesus Cristo é a Palavra final, perfeita e incomparável de Deus. Essa descrição procura
seguir o exemplo do próprio Cristo que, "começando em Moisés e em todos os profetas",
expunha de todas as Escrituras as coisas que diziam respeito a si mesmo. O próprio Esdras
prefigura Cristo pela forma de vida que leva e pelo papel que cumpre. Pode se destacar isto de
três formas em particular:
Como aquele que “tinha preparada o seu para buscar a Lei do Senhor, e para a cumprir” (7.10),
Esdras traz à nossa mente a descrição que Cristo faz de si mesmo como aquele que zelosamente
obedece o Pai (Jo 5.19).

Como “o sacerdote” (7.11), Esdras prefigura o papel de Cristo como o “grande sumo Sacerdote”
(Hb 4.14).

Como o grande reformador espiritual que chama Israel ao arrependimento (cap. 10), Esdras
tipifica o papel messiânico de Cristo como aquele que transforma as perspectivas espirituais de
Israel, incluindo o chamado para abandonar o tradicionalismo morto e a impureza moral (Mt
11.20-24; 23).

A MENSAGEM PARA OS NOSSOS DIAS

Não é difícil ver os paralelos entre estes dias e os nossos. Em meio à grande massa de gente que
se denomina crente, quão poucos são os que estão prontos a sofrer por Cristo – tornando-se
realmente ativos na fé.

A história de Israel é um lembrete deste perigo. E o livro de Esdras, um consolo para aqueles
que lutam contra o pecado. O livro de Esdras nos lembra que sempre será tempo de buscarmos
reforma e avivamento no povo de Deus. O livro de Esdras nos conforta e consola com o fato de
que Deus nunca deixará de cuidar daqueles que são dEle, não importando a distância que este
povo tenha percorrido fugindo de Seu Deus.

Só pessoas arrependidas são capazes de abandonar seu pecado, não importando as


consequências que isso traga. Assim como aquele povo fez, Deus espera que eu você façamos
também.

A aceitação da disciplina do Senhor deve nos levar à humilhação. A confissão do pecado não
pode ser misturada com acusações. Jesus chorou sobre Jerusalém, pelos pecados do povo (Lc
19.41) e, além disso, ele levou os nossos pecados sobre si. Devemos ser gratos a Deus, pois sua
disciplina é passageira (Sl 103.9). A misericórdia de Deus é que nos leva a teme-lo (Sl 130.4). A
misericórdia divina é a causa de não sermos consumidos, pois ela se renova todos os dias.

CONTEXTO BIBLICO TEOLOGICO

Esdras é um dos poucos livros das Escrituras originalmente escritos em duas línguas (Aramaico
e Hebraico).

Faz parte dos 'Escritos', livros que são focados em ensinar lições de história (tradicionalmente
ambientadas entre Daniel e Crônicas). Outras obras bíblicas do mesmo período são Ageu e
Zacarias, profetas que encorajaram o retorno a Jerusalém, e Ester, que se tornou a rainha de
Pérsia sob Xerxes. Esdras-Neemias pertence à era pós-exílica que vê o cumprimento de várias
profecias de retorno como Jeremias 25:11-12, mas também um Israel fracassado

“Esdras, o primeiro dos livros dos tempos do pós-cativeiro (Esdras, Neemias, Ester, Ageu,
Zacarias e Malaquias), registra o retorno à Palestina, sob Zorobabel, por decreto de Ciro, de um
remanescente judeu que lançou os alicerces do templo em cerca de 536 A.C. Mais tarde ainda
(458 A.C.), Esdras também voltou à Terra Prometida e restaurou a lei e o ritual. Mas a grande
maioria da nação, bem como a maioria dos príncipes, permaneceu, por preferência pessoal, na
Babilônia e na Assíria, onde estava prosperando. Os livros do pós-cativeiro tratam do
remanescente que tinha o coração voltado para Deus”

Para Esdras, como parte da segunda geração, nascida no cativeiro, que nunca vira Israel, a
situação era bem diferente. Jerusalém lhes parecia uma cidade vazia, uma cidade morta. Por
outro lado, olhe para a Babilônia! Havia um futuro brilhante esperando-os ali.

No entanto, de alguma forma, Deus estava operando na Babilônia, no meio da confusão. Se


você vive em Jerusalém, tudo está claro; porém, para quem vive neste outro mundo, tudo é
confuso. Esdras nasceu e cresceu naquele ambiente onde se adoravam ídolos, onde havia outras
esperanças, outros anseios. Mesmo assim, de alguma forma, ele procurou a Palavra de Deus e
foi cativado por ela. Esdras se tornou o grande escriba. Por meio dele, foram reunidos os 39
livros do Antigo Testamento. Pela primeira vez, a revelação do Antigo Testamento estava
completa.

Esdras não tinha um motivo natural para ir a Jerusalém. No entanto, o Senhor é capaz de fazer
algo além do que imaginamos e levantou um jovem que abandonou seu futuro brilhante na
Babilônia, voltou as costas a esse mundo e chegou a Jerusalém. O que significa isso? Que
embora a segunda geração tenha nascido fora de Jerusalém, sem revelação de primeira mão, ela
pode chegar a ser mais rica que a primeira.

A IGREJA CATIVA NA BABILÔNIA

Há um paralelo muito claro com a história da Igreja. No início, havia o testemunho de Deus
porque a presença de Jesus estava no meio do povo. Quando os santos se reúnem, o lugar em
que estão torna-se a casa de Deus, o local onde a glória e a formosura de Cristo se manifestam.
As pessoas de fora o veem e dizem: “Este é o testemunho de Deus”.

Quando a Igreja se encontra numa condição de normalidade, o testemunho de Deus é visto em


todas as localidades, em todo lugar. Esse é o propósito de Deus. Porém, se examinarmos a
história da Igreja e observarmos o que ocorre em nossos dias, veremos que a Igreja foi levada
cativa, outra vez, para a Babilônia.

Babilônia significa confusão. Hoje em dia, as pessoas estão confusas e pensam que a igreja é
uma instituição. Quando você chega a uma reunião, você sabe como se comportar, como cantar,
como orar, o que esperar. Alguém vai compartilhar a Palavra, alguém muito espiritual vai ler a
Bíblia para os demais. Só precisa comparecer aos domingos e escutar, e isso é tudo. Essa é a
nossa confusão.

O que é a igreja? Sabemos que é o Corpo de Cristo. Se é corpo, cada membro deve estar
funcionando. Entretanto, por que hoje só há um ou dois membros ativos? Onde está o
testemunho? Onde está o testemunho coletivo? Se olharmos ao redor, veremos que há confusão.
Há muitas igrejas vivendo cativas na Babilônia.
RELAÇÕES E CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS

O livro de Esdras é complexo, constituído por uma porção em aramaico (Esd. 4.7 - 6.18; 7.12-
26) e uma porção em hebraico (7.1 - 10; 7.27 - 10.44). Alguns eruditos supõem que as duas
porções antes existissem separadas, mas um editor qualquer as reuniu; ou então a porção
hebraica foi unida à porção aramaica, a fim de compor uma única narrativa. O decreto real (Esd.
7.12-26) provavelmente consistia em um documento separado, que foi anexado à história. A
própria narrativa é complexa, porquanto parte dela consiste em autobiografia (Esd. 7.27 - 9.15),
ao passo que a outra parte é biográfica (7.1-26; cap. 10). Além disso, parte do material
pertencente a Esdras foi transplantado para o livro de Neemias, como porções do capítulo
sétimo, até o nono capítulo.

CONCLUSÃO

Uma pessoa espiritual será misericordiosa, amorosa, compassiva com os que caem. Esdras
ensina que espiritualidade exige empatia com os pecadores. Se ela nos aproxima de Deus e nos
afasta do pecado, não nos afasta dos pecadores. Espiritualidade deve nos levar à oração
intercessória, uma oração identificatória. Este é o maior traço da espiritualidade de Esdras, pois
a pessoa espiritual tem uma postura de misericórdia e de intercessão.

É um dos traços de Jesus, segundo a profecia: e pelos transgressores intercedeu (Is 53.12). A
verdadeira espiritualidade não nos coloca como críticos, não leva a tripudiar sobre os mais
fracos. A verdadeira espiritualidade nos leva a interceder e chorar por eles. Nossa
espiritualidade exibe estes traços?

Somente quando verdadeiramente nos arrependemos podemos usufruir do perdão que só Deus
pode nos conceder. A espiritualidade verdadeira implica em arrependimento diante de Deus.

Se você faz parte da geração “mais madura” e conheceu ao Senhor em uma experiência de
primeira mão, sua taça está cheia. Mas, o que será da geração mais jovem? O que acontecerá
nos próximos dez anos se o Senhor ainda tardar?

Temos uma grande responsabilidade: a de orar pela geração mais jovem, incentivar e estimulá-
la, ajudá-la a conhecer o Senhor diretamente.

O seu papel não é encontrar realização em seu próprio sucesso, mas fazer tudo para que a
geração mais jovem vá muito mais longe do que a sua.

Os jovens gostam de competir, de superar, de vencer desafios. Que eles recebam o nosso ânimo
e encorajamento para serem superiores a nós, para alcançarem o máximo no Reino dos céus. Se
a taça deles estiver cheia, assim como a da primeira geração, o testemunho será, de fato,
preservado, e a casa de Deus preparada para o retorno do Rei!

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