Henrique Teodório dos Santos e Silva
Estágio com Ênfase em Processos Clínicos
Augusto Cézar de Souza Neto
9 semestre
ACT – RESUMO
A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) teve origem na década de
1980 como uma abordagem psicoterapêutica baseada na Análise do
Comportamento. Foi desenvolvida principalmente por Steven C. Hayes, Kelly G.
Wilson e Kirk Strosahl.
A ACT foi influenciada por diversas teorias e práticas, incluindo a teoria do
quadro relacional de Skinner, a teoria das molduras relacionais e a terapia
comportamental cognitiva. Ela enfatiza a importância da aceitação dos
pensamentos e sentimentos presentes, em vez de tentar controlá-los, e encoraja
os clientes a se comprometerem com ações alinhadas com seus valores e
objetivos de vida.
O contextualismo funcional considera o comportamento como altamente
influenciado pelo contexto em que ocorre, incluindo os antecedentes e as
consequências ambientais. Da mesma forma, na ACT, o foco é no contexto em
que os pensamentos, emoções e comportamentos do cliente surgem e
persistem.
O contextualismo funcional sugere que o comportamento humano pode
ser compreendido em termos de sua função ou efeito dentro de um contexto
particular. Na ACT, os terapeutas ajudam os clientes a entenderem as funções
de seus pensamentos e sentimentos, ao invés de se concentrarem apenas no
conteúdo desses eventos internos.
ACT e o contextualismo funcional compartilham uma visão holística e
contextualizada do comportamento humano, enfatizando a importância do
contexto, das funções do comportamento e da flexibilidade psicológica na
promoção do bem-estar e da saúde mental.
A ACT evidencia que o modelo de psicopatologia vem por meio da
negação e esquiva experienciais, as quais o indivíduo não passa completamente
por um momento, vivenciando ele por completo seja por emoções ambientais e
dentro da pele, o qual o mesmo retorna a remoer continuamente aquele evento,
o qual passa por uma inflexibilidade psicológica.
A literalidade é vista como uma forma de rigidez cognitiva, na qual os
indivíduos tomam seus pensamentos e sentimentos literalmente, sem considerar
o contexto ou a função deles. Isso pode levar a uma maior identificação com
pensamentos negativos ou autocríticos e à evitação de experiências emocionais
desafiadoras.
Na ACT, a evitação é vista como uma barreira para o crescimento pessoal
e para a realização dos valores individuais. Ao evitar experiências internas
difíceis, os indivíduos muitas vezes limitam suas vidas e se afastam das
atividades que são significativas para eles. Isso pode levar a um ciclo de
sofrimento, onde a evitação cria mais problemas e dificuldades.
Os terapeutas de ACT trabalham com os clientes para desenvolverem
uma relação diferente com suas experiências internas, adotando uma postura de
aceitação e abertura em relação a elas. Isso não significa que os clientes devem
gostar ou concordar com seus pensamentos e emoções difíceis, mas sim
aprender a permitir que eles existam sem lutar contra eles ou tentar suprimi-los.
A aceitação envolve a disposição de abraçar plenamente experiências
internas difíceis, como pensamentos perturbadores, emoções dolorosas ou
sensações físicas desconfortáveis, sem tentar controlá-las, suprimi-las ou evitá-
las. Em vez de lutar contra essas experiências, os clientes aprendem a permitir
que elas existam, reconhecendo que elas são uma parte natural da experiência
humana. A aceitação não significa resignação passiva, mas sim uma postura de
acolhimento e abertura em relação ao que quer que esteja acontecendo no
momento presente.
Os valores na ACT referem-se aos aspectos importantes e significativos
da vida de uma pessoa. São as qualidades que ela deseja cultivar, os objetivos
que deseja alcançar e os princípios pelos quais deseja viver. Os valores podem
ser relacionados a áreas como relacionamentos interpessoais, saúde, carreira,
lazer, espiritualidade e desenvolvimento pessoal. Na ACT, os clientes são
encorajados a identificar seus valores pessoais e a se comprometerem com
ações que estejam alinhadas com esses valores, mesmo quando enfrentam
dificuldades ou desconforto emocional.
A desfusão refere-se ao processo de separar ou distanciar-se dos
pensamentos, emoções e sensações internas, em vez de se identificar com eles
ou se fundir totalmente com eles. A palavra "fusão" refere-se à tendência natural
das pessoas de se tornarem tão absorvidas em seus pensamentos e
sentimentos que passam a acreditar neles literalmente, como se fossem fatos
concretos ou verdades absolutas.
Na ACT, a fusão cognitiva pode levar a uma série de problemas, incluindo
maior sofrimento emocional, comportamentos evitativos e dificuldade em agir de
acordo com os valores pessoais. A desfusão, por outro lado, envolve aprender a
observar os pensamentos e sentimentos de uma perspectiva mais distante e
objetiva, reconhecendo que eles são eventos mentais passageiros que não
necessariamente refletem a realidade.
O momento presente é uma área-chave de foco, onde os clientes
aprendem a cultivar uma atenção plena (mindfulness) em relação ao que está
acontecendo no momento atual, sem julgamento ou reatividade.