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A Parábola da Figueira Infrutífera

O documento descreve uma parábola de Jesus sobre uma figueira estéril na vinha do Senhor. Ele explica que Israel era representado pela figueira e tinha recebido grandes bênçãos de Deus, mas não produzia os frutos esperados de justiça e caráter. A parábola alerta sobre a possibilidade de serem cortados se não dessem frutos.

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A Parábola da Figueira Infrutífera

O documento descreve uma parábola de Jesus sobre uma figueira estéril na vinha do Senhor. Ele explica que Israel era representado pela figueira e tinha recebido grandes bênçãos de Deus, mas não produzia os frutos esperados de justiça e caráter. A parábola alerta sobre a possibilidade de serem cortados se não dessem frutos.

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ISAÍAS 5

1-2

"Um certo homem", prosseguiu Ele, "tinha uma figueira plantada na sua vinha e foi procurar nela fruto, não o achando. E disse ao
vinhateiro: Eis que há três anos venho procurar fruto nesta figueira e não o acho; corta-a. Por que ocupa ainda a terra
inutilmente?" Lucas 13:6, 7.

Os ouvintes de Cristo não podiam interpretar mal a aplicação de Suas palavras. Davi cantara de Israel como uma vide tirada do
Egito. Isaías escrevera: "Porque a vinha do Senhor dos Exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta das Suas
delícias." Isaías 5:7. A geração à qual o Salvador tinha vindo, era representada pela figueira na vinha do Senhor, dentro do círculo
de Seus cuidados e bênçãos especiais.

O propósito de Deus para com Seu povo, e as gloriosas possibilidades que tinham perante si foram descritos nas belas palavras: "A
fim de que se chamem árvores de justiça, plantação do Senhor, para que Ele seja glorificado." Isaías 61:3. Jacó, agonizante, dissera
de seu filho predileto, por inspiração do Espírito: "José é um ramo frutífero, ramo frutífero junto à fonte; seus ramos correm sobre
o muro." Gênesis 49:22. Mais adiante diz: "Pelo Deus de teu Pai, o qual te ajudará, e pelo Todo-poderoso, o qual te abençoará
com bênçãos dos Céus de cima, com bênçãos do abismo que está debaixo." Gênesis 49:25. Assim Deus plantara a Israel como uma
vide frutífera junto à fonte da vida. Tinha Sua "vinha em um outeiro fértil. E a cercou, e a limpou das pedras, e a plantou de
excelentes vides". Isaías 5:1, 2.

"E esperava que desse uvas boas, mas deu uvas bravas." Isaías 5:2. O povo do tempo de Cristo fazia maior ostentação de piedade
do que os judeus de épocas anteriores; porém eram ainda mais destituídos das suaves graças do Espírito de Deus. Os preciosos
frutos de caráter, que tornaram a vida de José tão fragrante e bela, não se manifestavam no povo judeu.

Deus, por Seu Filho, procurara frutos mas não encontrou nenhum. Israel era um estorvo à terra. Toda a sua existência era uma
maldição, pois ocupava na vinha o lugar que uma árvore frutífera poderia preencher. Roubava o mundo das bênçãos que Deus
intencionava dar. Os israelitas mal representavam Deus aos povos. Não eram somente inúteis, mas decididamente um embaraço.
Sua vida religiosa iludia em alto grau, e em vez de salvação acarretava ruína.

Na parábola, o vinhateiro não questiona a sentença de que se a árvore permanecesse infrutífera, deveria ser decepada; porém,
conhece e partilha do interesse do proprietário na árvore estéril. Nada lhe podia dar mais alegria que vê-la crescer e frutificar.
Responde ao desejo do proprietário, dizendo: "Senhor, deixa-a este ano, até que eu a escave e a esterque; e, se der fruto, ficará."
Lucas 13:8, 9.

O jardineiro não recusa trabalhar numa planta tão pouco promissora; está pronto a prestar-lhe ainda maiores cuidados.

"Julgai, vos peço, entre Mim e a Minha vinha. Que mais se podia fazer à Minha vinha, que Eu lhe não tenha feito? E como,
esperando Eu que desse uvas boas, veio a produzir uvas bravas?" Isaías 5:3, 4. Quer tornar o ambiente mais propício, e
prodigalizar-lhe maior atenção.

O proprietário e o vinhateiro têm o mesmo interesse na figueira. Assim o Pai e o Filho eram um no amor ao povo escolhido. Cristo
dizia aos ouvintes que lhes seriam dadas maiores oportunidades. Todo meio que o amor de Deus podia sugerir, seria empregado
para tornarem-se árvores de justiça, e produzirem frutos para bênção do mundo.

Jesus não disse, na parábola, qual seria o resultado do trabalho do jardineiro. Neste ponto, interrompeu a história. A conclusão
dependia da geração que Lhe ouvia as palavras. À mesma foi dada a severa advertência: "Se não, depois a mandarás cortar."
Dependia deles se estas palavras irrevogáveis seriam pronunciadas. O dia da vingança estava próximo. Pelas calamidades
sobrevindas a Israel, o proprietário da vinha advertia-os misericordiosamente da aniquilação da árvore estéril.

Esta advertência é também dirigida a nós que vivemos nesta geração. És tu, ó coração indiferente, uma árvore infrutífera na vinha
do Senhor? Será esta sentença endereçada em breve a ti? Quanto tempo recebeste Suas dádivas? Quanto tempo tem Ele vigiado
e esperado uma retribuição de amor? Que privilégio tens, em ser plantado em Sua vinha, e estar sob a proteção do jardineiro!
Com quanta freqüência a terna mensagem do evangelho te comoveu o coração! Tomaste o nome de Cristo, exteriormente és
membro da igreja que é Seu corpo; contudo estás consciente de nenhuma ligação viva com o grande coração de amor. A corrente
de Sua vida não flui através de ti; as doces graças de Seu caráter, "os frutos do Espírito", não são vistos em tua vida. A árvore
estéril recebe a chuva, os raios do Sol e os cuidados do jardineiro; suga alimento do solo. Mas seus ramos infrutíferos só
ensombram o chão, de modo que árvores produtoras não podem florescer sob sua copa. Igualmente as dádivas de Deus a ti
concedidas não transmitem bênçãos para o mundo. Roubas a outros o privilégio que, se não fosse teu, seria deles.

Embora talvez obscuramente, reconheces que és um empecilho ao solo. Contudo, Deus em Sua grande misericórdia não te cortou.
Não te contempla friamente. Não Se volta com indiferença, nem te abandona à destruição. Olhando a ti, clama, como clamou há
tantos séculos, referindo-se a Israel, "Como te deixaria, ó Efraim? Como te entregaria, ó Israel? ... Não executarei o furor da Minha
ira; não voltarei para destruir a Efraim, porque Eu sou Deus e não homem." Oséias 11:8, 9. O misericordioso Salvador diz,
concernente a ti: Poupa-a ainda este ano, até que Eu a escave e a esterque. Com que incansável amor Cristo servia ao povo de
Israel durante o adicional período de graça! Na cruz, orava: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem." Lucas 23:34.
Depois da ascensão, o evangelho foi pregado primeiramente em Jerusalém. Ali foi derramado o Espírito Santo. Ali a primeira igreja
revelou o poder do Salvador ressurreto. Ali testemunhou Estêvão — "seu rosto como o rosto de um anjo" — e depôs sua vida.
Atos dos Apóstolos 6:15. Tudo que o Céu podia dar foi prodigalizado. "Que mais se podia fazer à Minha vinha", disse Cristo, "que
Eu lhe não tenha feito?" Isaías 5:4. Assim Seu cuidado e trabalho não foi diminuído, porém aumentado. Ainda hoje diz: "Eu, o
Senhor, a guardo e, a cada momento, a regarei; para que ninguém lhe faça dano, de noite e de dia a guardarei." Isaías 27:3.

"Se der fruto, ficará; e, se não, depois..." Lucas 13:9.

O coração que não atende às instâncias divinas se endurece até tornar-se insensível à influência do Espírito Santo. Então, sim, é
dito: "Corta-a. Por que ela ocupa ainda a terra inutilmente?" Lucas 13:7.

Hoje te convida: "Converte-te-; ó Israel, ao Senhor teu Deus. ... Eu sararei a sua perversão, Eu voluntariamente os amarei. ... Eu
serei, para Israel, como orvalho; ele florescerá como o lírio e espalhará as suas raízes como o Líbano. ... Voltarão os que se
assentarem à sua sombra; serão vivificados como o trigo e florescerão como a vide. ... De Mim é achado o teu fruto." Oséias 14:1,
4, 5, 7, 8. PJ 110.2 - PJ 113.1

A parábola dos dois filhos seguiu-se a da vinha. Numa Cristo expôs aos mestres judeus a importância da obediência. Na outra
apontou as ricas bênçãos concedidas a Israel, e nestas mostra o reclamo de Deus a sua obediência. Apresentou-lhes a glória do
propósito de Deus, que pela obediência poderiam ter cumprido. Removendo o véu do futuro mostrou como pela omissão de
cumprir Seu propósito, toda a nação estava perdendo as bênçãos e acarretando ruína sobre si.

"Houve um homem, pai de família", disse Cristo, "que plantou uma vinha, e circundou-a de um valado, e construiu nela um lagar, e
edificou uma torre, e arrendou-a a uns lavradores, e ausentou-se para longe." Mateus 21:33.

O profeta Isaías faz uma descrição dessa vinha: "Agora, cantarei ao meu amado o cântico do meu querido a respeito da sua vinha.
O meu amado tem uma vinha em um outeiro fértil. E a cercou, e a limpou das pedras, e a plantou de excelentes vides; e edificou
no meio dela uma torre e também construiu nela um lagar; e esperava que desse uvas boas, mas deu uvas bravas." Isaías 5:1, 2.

O lavrador escolhe um pedaço de terra no deserto; cerca, limpa, lavra e planta-o de vides seletas, antecipando rica colheita.
Espera que esse pedaço de terra, por sua superioridade ao deserto inculto, o honre pelos resultados de seu cuidado e serviço.
Assim Deus escolheu um povo do mundo para ser instruído e educado por Cristo. Diz o profeta: "A vinha do Senhor dos Exércitos é
a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta das suas delícias." Isaías 5:7. A este povo outorgou Deus grandes privilégios,
abençoando-o ricamente com Sua profusa bondade. Esperava que O honrassem produzindo frutos. Deveriam revelar os princípios
de Seu reino. No meio de um mundo decaído e ímpio deveriam representar o caráter de Deus.

Como a vinha do Senhor, deveriam produzir frutos inteiramente diferentes dos das nações pagãs. Estes povos idólatras
entregaram-se inteiramente à impiedade. Violência e crime, avareza e opressão, e as práticas mais corruptas eram permitidas sem
restrições. Iniqüidade, degradação e miséria eram frutos da árvore corrupta. Em notável contraste deveriam ser os frutos da vinha
do Senhor.

Tinha a nação judaica o privilégio de representar o caráter de Deus como fora revelado a Moisés. Em resposta à súplica de Moisés:
"Rogo-Te que me mostres a Tua glória", o Senhor lhe prometeu: "Farei passar toda a Minha bondade por diante de ti." Êxodo
33:18, 19. "Passando, pois, o Senhor perante a sua face, clamou: Jeová, o Senhor, Deus misericordioso e piedoso, tardio em iras e
grande em beneficência e verdade; que guarda a beneficência em milhares; que perdoa a iniqüidade, e a transgressão, e o
pecado." Êxodo 34:6, 7. Este era o fruto que Deus desejava receber de Seu povo. Na pureza do caráter, na santidade da vida, na
misericórdia, e amor, e compaixão, deveriam mostrar que "a lei do Senhor é perfeita e refrigera a alma". Salmos 19:7.

Pela nação judaica era o propósito de Deus comunicar ricas bênçãos a todos os povos. Por Israel devia ser preparado o caminho
para a difusão de Sua luz a todo o mundo. Por seguirem práticas corruptas perderam as nações da Terra o conhecimento de Deus.
Contudo, em Sua misericórdia não as destruiu. Planejava dar-lhes a oportunidade de conhecê-Lo por intermédio de Sua igreja.
Tinha em vista que os princípios revelados por Seu povo seriam o meio de restaurar no homem a imagem moral de Deus.

Para o cumprimento deste propósito, foi que Deus chamou Abraão dentre seus parentes idólatras, e lhe mandou habitar na terra
de Canaã. "E far-te-ei uma grande nação", disse, "e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome, e tu serás uma bênção." Gênesis
12:2.

Os descendentes de Abraão, Jacó e sua posteridade, foram levados ao Egito para que no meio daquela grande e ímpia nação
revelassem os princípios do reino de Deus. A integridade de José e sua maravilhosa obra em preservar a vida de todo o povo
egípcio, era uma representação da vida de Cristo. Moisés e muitos outros eram testemunhas de Deus.

Tirando Israel do Egito, o Senhor novamente mostrou Seu poder e misericórdia. Suas maravilhosas obras no livramento da
escravidão e Seu modo de proceder para com eles em suas peregrinações pelo deserto, não eram somente para seu próprio
benefício. Deveriam ser uma lição objetiva para as nações circunvizinhas. O Senhor Se revelou como Deus sobre toda autoridade e
grandeza humanas. Os sinais e maravilhas que operou a favor de Seu povo, revelaram Seu poder sobre a natureza e sobre o maior
dos que a adoravam. Deus passou pelo altivo Egito como passará nos últimos dias por toda a Terra. Com fogo e tempestade,
terremoto e morte, o grande "Eu Sou" livrou Seu povo; tirou-os da terra da escravidão. Conduziu-os através daquele "grande e
terrível deserto de serpentes ardentes, e de escorpiões, e de secura". Deuteronômio 8:15. Fez sair água para eles "da rocha do
seixal" (Deuteronômio 8:15), e alimentou-os com "trigo do Céu". Salmos 78:24. "Porque", disse Moisés, "a porção do Senhor é o
Seu povo; Jacó é a parte da Sua herança. Achou-o na terra do deserto e num ermo solitário cheio de uivos; trouxe-o ao redor,
instruiu-o, guardou-o como a menina do Seu olho. Como a águia desperta o seu ninho, se move sobre os seus filhos, estende as
suas asas, toma-os e os leva sobre as suas asas, assim, só o Senhor o guiou; e não havia com ele deus estranho." Deuteronômio
32:9-12. Deste modo atraiu-os a Si para que habitassem sob a sombra do Altíssimo.
Cristo era o guia dos filhos de Israel em suas peregrinações no deserto. Envolto na coluna de nuvem durante o dia e na de fogo
durante a noite, os conduziu e guiou. Preservou-os dos perigos do deserto; levou-os à terra da promessa, e diante de todas as
nações que não conheciam a Deus, estabeleceu Israel como Sua possessão peculiar, a vinha do Senhor.

A este povo foram confiados os oráculos de Deus. Eram circunvalados pelos preceitos de Sua lei, os eternos princípios de verdade,
justiça e pureza. A obediência a estes princípios devia ser sua proteção, pois os salvaria de se destruírem por práticas
pecaminosas. E como a torre na vinha, Deus colocou no meio da terra Seu santo templo.

Cristo era o instrutor. Como estivera com eles no deserto, assim também continuaria a ser o mestre e guia. No tabernáculo e no
templo Sua glória habitava no santo "shekinah" sobre o propiciatório. Em favor deles manifestou constantemente as riquezas de
Seu amor e paciência.

Deus desejava fazer do povo de Israel um louvor e glória. Todos os privilégios espirituais lhes foram concedidos. Deus nada reteve
que pudesse ser útil para a formação do caráter que os tornaria representantes Seus.

Sua obediência à lei de Deus os tornaria uma maravilha de prosperidade ante as nações do mundo. Ele que lhes podia dar
sabedoria e perícia em todo artifício, continuaria a ser seu mestre, e os enobreceria e elevaria pela obediência a Suas leis. Se
fossem obedientes seriam preservados das enfermidades que afligiam outras nações, e abençoados com vigor intelectual. A glória
de Deus, Sua majestade e poder deveriam ser revelados em toda a sua prosperidade. Deveriam ser um reino de sacerdotes e
príncipes. Deus lhes proveu toda a possibilidade de se tornarem a maior nação da Terra.

De modo definido, mediante Moisés, apresentou-lhes Cristo o propósito de Deus, e esclareceu-lhes as condições de sua
prosperidade. "Povo santo és ao Senhor, teu Deus", disse Ele: "O Senhor, teu Deus, te escolheu, para que Lhe fosses o Seu povo
próprio, de todos os povos que sobre a Terra há. Saberás, pois, que o Senhor, teu Deus, é Deus, o Deus fiel, que guarda o concerto
e a misericórdia até mil gerações aos que O amam e guardam os Seus mandamentos. Guarda, pois, os mandamentos, e os
estatutos, e os juízos que hoje te mando fazer. Será, pois, que, se, ouvindo estes juízos, os guardardes e fizerdes, o Senhor, teu
Deus, te guardará o concerto e a beneficência que jurou a teus pais; e amar-te-á, e abençoar-te-á, e te fará multiplicar, e
abençoará o fruto do teu ventre, e o fruto da tua terra, o teu cereal, e o teu mosto, e o teu azeite, e a criação das tuas vacas, e o
rebanho do teu gado miúdo, na terra que jurou a teus pais dar-te. Bendito serás mais do que todos os povos. ... E o Senhor de ti
desviará toda enfermidade; sobre ti não porá nenhuma das más doenças dos egípcios, que bem sabes." Deuteronômio 7:6, 9, 11-
15.

Se guardassem os mandamentos, Deus lhes prometeu dar o mais belo trigo e tirar-lhes mel da rocha. Com longa vida os havia de
satisfazer e havia de mostrar-lhes Sua salvação.

Por desobediência a Deus, Adão e Eva perderam o Éden, e por causa do pecado toda a Terra foi amaldiçoada. Mas se o povo de
Deus seguisse as instruções, sua terra seria restaurada à fertilidade e beleza. Deus mesmo lhes dera ensinos quanto à cultura do
solo, e deveriam cooperar em sua restauração. Assim, toda a Terra, sob a direção de Deus, se tornaria uma lição objetiva da
verdade espiritual. Assim como, em obediência às leis naturais, a terra deve produzir seus tesouros, da mesma forma, como em
obediência à Sua lei moral o coração do povo deveria refletir os atributos de Seu caráter em obediência à Sua lei moral. Até os
pagãos reconheceriam a superioridade dos que servem e adoram o Deus vivo.

"Vedes aqui", disse Moisés, "vos tenho ensinado estatutos e juízos, como me mandou o Senhor, meu Deus, para que assim façais
no meio da terra a qual ides a herdar. Guardai-os, pois, e fazei-os, porque esta será a vossa sabedoria e o vosso entendimento
perante os olhos dos povos que ouvirão todos estes estatutos e dirão: Só este grande povo é gente sábia e inteligente. Porque,
que gente há tão grande, que tenha deuses tão chegados como o Senhor, nosso Deus, todas as vezes que O chamamos? E que
gente há tão grande, que tenha estatutos e juízos tão justos como toda esta lei que hoje dou perante vós?" Deuteronômio 4:5-8.

O povo de Israel deveria ocupar todo o território que Deus lhes designara. As nações que rejeitassem o culto ou o serviço do
verdadeiro Deus deveriam ser desapossadas. Era propósito de Deus, porém, que pela revelação de Seu caráter por meio de Israel,
os homens fossem atraídos a Ele. O convite do evangelho deveria ser transmitido a todo mundo. Pela lição do sacrifício simbólico,
Cristo deveria ser exaltado perante as nações, e todos os que O olhassem viveriam. Todos os que, como Raabe, a cananéia, e Rute,
a moabita, se volvessem da idolatria ao culto do verdadeiro Deus, deveriam unir-se ao povo escolhido. Quando o número de Israel
aumentasse, deveriam ampliar os limites até que seu reino abarcasse o mundo.

Deus desejava trazer todos os povos sob Seu governo misericordioso. Desejava que a Terra se enchesse de alegria e paz. Criou o
homem para a felicidade, e anseia encher da paz do Céu o coração humano. Anela que as famílias da Terra sejam um tipo da
grande família do Céu.

Israel, porém, não cumpriu o propósito de Deus. O Senhor declarou: "Eu mesmo te plantei como vide excelente, uma semente
inteiramente fiel; como, pois, te tornaste para Mim uma planta degenerada, de vide estranha?" Jeremias 2:21. "Israel é uma vide
frondosa; dá fruto para si mesmo." Oséias 10:1. "Agora, pois, ó moradores de Jerusalém e homens de Judá, julgai, vos peço, entre
Mim e a Minha vinha. Que mais se podia fazer à Minha vinha, que Eu lhe não tenha feito? E como, esperando Eu que desse uvas
boas, veio a produzir uvas bravas? Agora, pois, vos farei saber o que Eu hei de fazer à Minha vinha: tirarei a sua sebe, para que
sirva de pasto; derribarei a sua parede, para que seja pisada; e a tornarei em deserto; não será podada, nem cavada; mas
crescerão nela sarças e espinheiros; e às nuvens darei ordem que não derramem chuva sobre ela. Porque... esperou que
exercessem juízo, e eis aqui opressão; justiça, e eis aqui clamor." Isaías 5:3-7.
Por intermédio de Moisés o Senhor expôs ao povo as conseqüências da infidelidade. Recusando guardar Seu pacto, segregar-se-
iam da vida de Deus, e Suas bênçãos não poderiam descer sobre eles. "Guarda-te", disse Moisés, "para que te não esqueças do
Senhor, teu Deus, não guardando os Seus mandamentos, e os Seus juízos, e os Seus estatutos, que hoje te ordeno; para que,
porventura, havendo tu comido, e estando farto, e havendo edificado boas casas, e habitando-as, e se tiverem aumentado as tuas
vacas e as tuas ovelhas, e se acrescentar a prata e o ouro, e se multiplicar tudo quanto tens, se não eleve o teu coração, e te
esqueças do Senhor, teu Deus. ... E não digas no teu coração: A minha força e a fortaleza do meu braço me adquiriram este poder.
Será, porém, que, se, de qualquer sorte, te esqueceres do Senhor, teu Deus, e se ouvires outros deuses, e os servires, e te
inclinares perante eles, hoje eu protesto contra vós que certamente perecereis. Como as gentes que o Senhor destruiu diante de
vós, assim vós perecereis; porquanto não quisestes obedecer à voz do Senhor, vosso Deus." Deuteronômio 8:11-14, 17, 19, 20.

A advertência não foi atendida pelo povo judeu. Esqueceram-se de Deus, e perderam de vista o alto privilégio de representantes
Seus. As bênçãos que receberam não reverteram em bênçãos para o mundo. Todas as prerrogativas foram usadas para a
glorificação própria. Roubaram a Deus do serviço que deles requeria, e roubaram a seus semelhantes a direção religiosa e o santo
exemplo. Como os habitantes do mundo antediluviano, seguiam toda imaginação de seu coração mau. Assim faziam as coisas
sagradas parecerem uma farsa, dizendo: "Templo do Senhor, templo do Senhor, templo do Senhor é este" (Jeremias 7:4), ao passo
que representavam falsamente o caráter de Deus, desonrando-Lhe o nome, e poluindo o Seu santuário.

Os lavradores a quem Deus colocara como guardas de Sua vinha, foram infiéis à missão a eles confiada. Os sacerdotes e mestres
não eram fiéis instrutores do povo. Não lhes expunham a bondade e misericórdia de Deus, e Seu direito a Seu amor e serviço.
Esses lavradores procuravam a própria glória. Desejavam apropriar-se dos frutos da vinha. Era seu intento atrair para si a atenção
e homenagem.

A culpa destes guias de Israel não era a mesma que a do pecador vulgar. Estes homens estavam sob a mais solene obrigação para
com Deus. Haviam-se comprometido a ensinar um "Assim diz o Senhor", e a prestar estrita obediência na vida prática. Em vez de
assim proceder, estavam pervertendo as Escrituras. Sobrecarregavam os homens com pesados fardos, obrigando-os à prática de
cerimônias que se relacionavam com cada passo da vida. O povo vivia em contínuo desassossego; porque não podiam cumprir
todas as exigências impostas pelos rabinos. Ao verem a impossibilidade de guardar os mandamentos dos homens, tornaram-se
negligentes em guardar os de Deus.

O Senhor instruíra o povo de que Ele era o proprietário da vinha, e que todas as possessões somente lhes foram confiadas para
usá-las para Ele. Os sacerdotes e mestres, porém, não executavam os deveres de seu ofício sagrado como se estivessem
administrando a propriedade de Deus. Roubavam-Lhe sistematicamente os meios e recursos a eles confiados para o progresso da
obra. Sua avareza e ganância levaram-nos a ser desprezados até pelos pagãos. Assim foi dada oportunidade aos gentios para
interpretarem mal o caráter de Deus e as leis de Seu reino.

Deus suportou Seu povo com coração de pai. Pleiteou com eles por bênçãos dadas e retiradas. Pacientemente lhe expôs seus
pecados, e com longanimidade esperava seu reconhecimento. Profetas e mensageiros foram enviados para reclamar os direitos de
Deus sobre os lavradores; mas em vez de serem bem-vindos, eram tratados como inimigos. Os lavradores perseguiam-nos e
matavam-nos. Deus enviou ainda outros mensageiros, porém receberam o mesmo tratamento que os primeiros, apenas os
lavradores mostraram ódio ainda mais decidido.

Como último recurso, Deus enviou Seu Filho, dizendo: "Terão respeito a Meu filho." Mateus 21:37. Mas a sua resistência tornara-
os vingativos, e disseram entre si: "Este é o herdeiro; vinde, matemo-Lo e apoderemo-nos da Sua herança." Mateus 21:38. Então
ser-nos-á permitido possuir a vinha, e faremos o que nos aprouver com o fruto.

Os maiorais judeus não amavam a Deus. Por isso romperam com Ele e rejeitaram todas as propostas para uma reconciliação justa.
Cristo, o Amado de Deus, veio para reivindicar os direitos do Proprietário da vinha; mas os lavradores O trataram com declarado
desprezo, dizendo: Não queremos que este reine sobre nós. Invejavam a beleza do caráter de Cristo. Sua maneira de ensinar era
muito superior à deles e temiam Seu êxito. Argumentava com eles desmascarando-lhes a hipocrisia, e mostrando-lhes a
conseqüência certa de seu procedimento. Isso lhes provocou a ira ao extremo. Torturavam-se ante as repreensões que não
podiam silenciar. Odiavam o alto padrão de justiça que Cristo constantemente apresentava. Viam que Seus ensinos acabariam
revelando seu egoísmo, e resolveram matá-Lo. Odiavam Seu exemplo de fidelidade e piedade, e a elevada espiritualidade revelada
em tudo quanto fazia. Toda a Sua vida lhes era uma reprovação do egoísmo, e ao chegar a prova final, prova que significava
obediência para vida eterna ou desobediência para morte eterna, rejeitaram o Santo de Israel. Ao ser-lhes pedido escolherem
entre Cristo e Barrabás, exclamaram: "Solta-nos Barrabás." Lucas 23:18. E ao perguntar Pilatos: "Que farei, então, de Jesus?"
gritaram: "Seja crucificado!" Mateus 27:22. "Hei de crucificar o vosso Rei?" interrogou Pilatos; e dos sacerdotes e maiorais veio a
resposta: "Não temos rei, senão o César." João 19:15. Ao lavar Pilatos as mãos, dizendo: "Estou inocente do sangue deste justo",
os sacerdotes uniram-se à turba ignorante, gritando exaltados: "O Seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos." Mateus 27:24,
25.

Desse modo os guias judeus fizeram a escolha. Sua decisão foi registrada no livro que João viu na mão dAquele que estava
assentado no trono, no livro que ninguém podia abrir. Essa decisão lhes será apresentada em todo o seu caráter reivindicativo
naquele dia em que o livro há de ser aberto pelo Leão da tribo de Judá.

O povo judeu acariciava a idéia de que eram os favoritos do Céu, e seriam sempre exaltados como igreja de Deus. Eram filhos de
Abraão, declaravam, e o fundamento de sua prosperidade parecia-lhes tão firme, que desafiavam Terra e Céu para desapossá-los
de seus direitos. Por sua conduta infiel, porém, estavam-se preparando para a condenação do Céu e separação de Deus.
Na parábola da vinha, depois de retratar aos sacerdotes o ato culminante de sua impiedade, Cristo lhes fez a pergunta: "Quando,
pois, vier o Senhor da vinha, que fará àqueles lavradores?" Mateus 21:40. Os sacerdotes acompanhavam com profundo interesse
a narrativa, e sem considerar sua relação com o tema, uniram-se à resposta do povo: "Dará afrontosa morte aos maus e arrendará
a vinha a outros lavradores, que, a seu tempo, lhe dêem os frutos." Mateus 21:41.

Inconscientemente pronunciaram sua própria condenação. Jesus mirou-os, e sob Seu olhar esquadrinhador sabiam que lhes lia os
segredos do coração. Sua divindade lampejava diante deles com poder inconfundível. Viram nos lavradores seu próprio retrato e
exclamaram, involuntariamente: "Assim não seja."

Solene e pesarosamente, perguntou Cristo: "Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os edificadores rejeitaram, essa foi posta por
cabeça do ângulo; pelo Senhor foi feito isso e é maravilhoso aos nossos olhos? Portanto, Eu vos digo que o reino de Deus vos será
tirado e será dado a uma nação que dê os seus frutos. E quem cair sobre esta pedra despedaçar-se-á; e aquele sobre quem ela cair
ficará reduzido a pó." Mateus 21:42-44.

Cristo teria mudado o destino da nação judaica, se o povo O houvesse recebido. Inveja e ciúme os tornaram implacáveis, porém.
Decidiram que não aceitariam a Jesus de Nazaré como o Messias. Rejeitaram a Luz do mundo, e daí em diante sua vida estava
envolta em trevas tão densas como as da meia-noite. A predita ruína veio sobre a nação judaica. Suas próprias paixões violentas e
irrefreadas lhes causaram a destruição. Em sua ira cega aniquilaram-se uns aos outros. Pelo orgulho rebelde e obstinado atraíram
sobre si a ira dos conquistadores romanos. Jerusalém foi destruída, arrasado o templo, e seu sítio arado como um campo. Os filhos
de Judá pereceram pelas mais horríveis formas de matança. Milhões foram vendidos para servirem como escravos nos países
pagãos.

Como povo os judeus deixaram de cumprir o propósito de Deus, e a vinha lhes foi tirada. Os privilégios de que abusaram e a obra
que negligenciaram foram confiados a outros. PJ 149.2 - PJ 157.1

A história de mais de mil anos do favor especial de Deus e de Seu cuidado protetor manifestos ao povo escolhido, estava patente
aos olhos de Jesus. Ali estava o Monte Moriá, onde o filho da promessa, como vítima submissa, havia sido ligado ao altar —
emblema da oferenda do Filho de Deus. Gênesis 22:9. Ali, o concerto de bênçãos e a gloriosa promessa messiânica tinham sido
confirmados ao pai dos crentes. Gênesis 22:16-18. Ali as chamas do sacrifício, ascendendo da eira de Ornã para o céu, haviam
desviado a espada do anjo destruidor (1 Crônicas 21) — símbolo apropriado do sacrifício e mediação do Salvador em prol do
homem culpado. Jerusalém fora honrada por Deus acima de toda a Terra. Sião fora eleita pelo Senhor, que a desejara "para Sua
habitação". Salmos 132:13. Ali, durante séculos, santos profetas haviam proferido mensagens de advertência. Sacerdotes ali
haviam agitado os turíbulos, e a nuvem de incenso, com as orações dos adoradores, subira perante Deus. Ali, diariamente, se
oferecera o sangue dos cordeiros mortos, apontando para o vindouro Cordeiro de Deus. Ali, Jeová revelara Sua presença na
nuvem de glória, sobre o propiciatório. Repousara ali a base daquela escada mística, ligando a Terra ao Céu (Gênesis 28:12; João
1:51) — escada pela qual os anjos de Deus desciam e subiam, e que abria ao mundo o caminho para o lugar santíssimo. Houvesse
Israel, como nação, preservado a aliança com o Céu, Jerusalém teria permanecido para sempre como eleita de Deus. Jeremias
17:21-25. Mas a história daquele povo favorecido foi um registro de apostasias e rebelião. Haviam resistido à graça do Céu,
abusado de seus privilégios e menosprezado as oportunidades.

Posto que Israel tivesse zombado dos mensageiros de Deus, desprezado Suas palavras e perseguido Seus profetas (2 Crônicas
36:16), Ele ainda Se lhes manifestara como "o Senhor, Deus misericordioso e piedoso, tardio em iras e grande em beneficência e
verdade" (Êxodo 34:6); apesar das repetidas rejeições, Sua misericórdia continuou a interceder. Com mais enternecido amor que o
de pai pelo filho de seus cuidados, Deus lhes havia enviado "Sua palavra pelos Seus mensageiros, madrugando, e enviando-lhos;
porque Se compadeceu de Seu povo e da Sua habitação." 2 Crônicas 36:15. Quando admoestações, rogos e censuras haviam
falhado, enviou-lhes o melhor dom do Céu, mais ainda, derramou todo o Céu naquele único dom.

O próprio Filho de Deus foi enviado para instar com a cidade impenitente. Foi Cristo que trouxe Israel, como uma boa vinha, do
Egito. Salmos 80:8. Sua própria mão havia lançado fora os gentios de diante deles. Plantou-a "em um outeiro fértil." Seu protetor
cuidado cercara-a em redor. Enviou Seus servos para cultivá-la. "Que mais se podia fazer à Minha vinha", exclama Ele, "que Eu lhe
não tenha feito?" Posto que quando Ele esperou que "desse uvas, veio a produzir uvas bravas" (Isaías 5:1-4), ainda com esperança
compassiva de encontrar frutos, veio em pessoa à Sua vinha, para que porventura pudesse ser salva da destruição. Cavou em
redor dela, podou-a e protegeu-a. Foi incansável em Seus esforços para salvar esta vinha que Ele próprio plantara.

Durante três anos o Senhor da luz e glória entrara e saíra por entre o Seu povo. Ele "andou fazendo o bem, e curando a todos os
oprimidos do diabo" (Atos 10:38), aliviando os quebrantados de coração, pondo em liberdade os que se achavam presos,
restaurando a vista aos cegos, fazendo andar aos coxos e ouvir aos surdos, purificando os leprosos, ressuscitando os mortos e
pregando o evangelho aos pobres. Lucas 4:18; Mateus 11:5. A todas estas classes igualmente foi dirigido o gracioso convite:
"Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei." Mateus 11:28.

Conquanto Lhe fosse recompensado o bem com o mal e o Seu amor com o ódio (Salmos 109:5), Ele prosseguiu firmemente em
Sua missão de misericórdia. Jamais eram repelidos os que buscavam a Sua graça. Como viajante sem lar, tendo a ignomínia e a
penúria como porção diária, viveu Ele para ministrar às necessidades e abrandar as desgraças humanas, para insistir com os
homens a aceitarem o dom da vida. As ondas de misericórdia, rebatidas por aqueles corações obstinados, retornavam em uma
vaga mais forte de terno e inexprimível amor. Mas Israel se desviara de seu melhor Amigo e único Auxiliador. Os rogos de Seu
amor haviam sido desprezados, Seus conselhos repelidos, ridicularizadas Suas advertências.

A hora de esperança e perdão passava-se rapidamente; a taça da ira de Deus, por tanto tempo adiada, estava quase cheia. As
nuvens que haviam estado a acumular-se durante séculos de apostasia e rebelião, ora enegrecidas de calamidades, estavam
prestes a desabar sobre um povo criminoso; e Aquele que unicamente os poderia salvar da condenação iminente, fora
menosprezado, injuriado, rejeitado e seria logo crucificado. Quando Cristo estivesse suspenso da cruz do Calvário, teria terminado
o tempo de Israel como nação favorecida e abençoada por Deus. A perda de uma alma que seja é calamidade infinitamente maior
que os proveitos e tesouros de todo um mundo; entretanto, quando Cristo olhava sobre Jerusalém, achava-se perante Ele a
condenação de uma cidade inteira, de toda uma nação — sim, aquela cidade e nação que foram as escolhidas de Deus, Seu
tesouro peculiar.

Profetas haviam chorado a apostasia de Israel, e as terríveis desolações que seus pecados atraíram. Jeremias desejava que seus
olhos fossem uma fonte de lágrimas, para que pudesse chorar dia e noite pelos mortos da filha de seu povo, pelo rebanho do
Senhor que fora levado em cativeiro. Jeremias 9:1; 13:17. Qual não era, pois, a dor dAquele cujo olhar profético abrangia não os
anos mas os séculos! Contemplava Ele o anjo destruidor com a espada levantada contra a cidade que durante tanto tempo fora a
morada de Jeová. Do cume do Monte das Oliveiras, no mesmo ponto mais tarde ocupado por Tito e seu exército, olhava Ele
através do vale para os pátios e pórticos sagrados, e, com a vista obscurecida pelas lágrimas, via em terrível perspectiva, os muros
rodeados de hostes estrangeiras. Ouvia o tropel de exércitos dispondo-se para a guerra. Distinguia as vozes de mães e crianças
que, na cidade sitiada, bradavam pedindo pão. Via entregues às chamas o santo e belo templo, os palácios e torres, e no lugar em
que eles se erigiam, apenas um monte de ruínas fumegantes.

Olhando através dos séculos futuros, via o povo do concerto espalhado em todos os países, semelhantes aos destroços de um
naufrágio em praia deserta. Nos castigos prestes a cair sobre Seus filhos, não via Ele senão o primeiro gole daquela taça de ira que
no juízo final deveriam esgotar até às fezes. A piedade divina, o terno amor encontraram expressão nestas melancólicas palavras:
"Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis Eu ajuntar os teus filhos,
como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!" Mateus 23:37. Oh! se houveras conhecido, como nação
favorecida acima de todas as outras, o tempo de tua visitação e as coisas que pertencem à tua paz! Tenho contido o anjo da
justiça, tenho-te convidado ao arrependimento, mas em vão. Não é meramente a servos, enviados e profetas que tens repelido e
rejeitado, mas ao Santo de Israel, teu Redentor. Se és destruída, tu unicamente és a responsável. "E não quereis vir a Mim para
terdes vida." João 5:40.

Cristo viu em Jerusalém um símbolo do mundo endurecido na incredulidade e rebelião, e apressando-se ao encontro dos juízos
retribuidores de Deus. As desgraças de uma raça decaída, oprimindo-Lhe a alma, arrancavam de Seus lábios aquele clamor
extremamente amargurado. Viu a história do pecado traçada pelas misérias, lágrimas e sangue humanos; o coração moveu-se-Lhe
de infinita compaixão pelos aflitos e sofredores da Terra; angustiava-Se por aliviar a todos. Contudo, mesmo a Sua mão não
poderia demover a onda das desgraças humanas; poucos procurariam a única fonte de auxílio. Ele estava disposto a derramar a
alma na morte, a fim de colocar a salvação ao seu alcance; poucos, porém, viriam a Ele para que pudessem ter vida.

A Majestade dos Céus em pranto! O Filho do infinito Deus perturbado em espírito, curvado em angústia! Esta cena encheu de
espanto o Céu inteiro. Revela-nos a imensa malignidade do pecado; mostra quão árdua tarefa é, mesmo para o poder infinito,
salvar ao culpado das conseqüências da transgressão da lei de Deus. Jesus, olhando para a última geração, viu o mundo envolto
em engano semelhante ao que causou a destruição de Jerusalém. O grande pecado dos judeus foi rejeitarem a Cristo; o grande
pecado do mundo cristão seria rejeitarem a lei de Deus, fundamento de Seu governo no Céu e na Terra. Os preceitos de Jeová
seriam desprezados e anulados. Milhões na servidão do pecado, escravos de Satanás, condenados a sofrer a segunda morte,
recusar-se-iam a escutar as palavras de verdade no dia de sua visitação. Terrível cegueira! estranha presunção! GC 18.2 - GC 22.2

Foi com o propósito de transmitir os melhores dons do Céu a todos os povos da Terra, que Deus chamou Abraão do meio de sua
parentela idólatra, e mandou-o habitar na terra de Canaã. "Far-te-ei uma grande nação", disse Deus, "e abençoar-te-ei, e
engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção." Gên. 12:2. Foi uma alta honra aquela para a qual Abraão fora chamado – a de
ser o pai do povo que por séculos devia ser o guardião e preservador da verdade de Deus para o mundo, povo esse por cujo
intermédio todas as nações da Terra deveriam ser abençoadas no advento do prometido Messias.

Os homens haviam quase perdido o conhecimento do verdadeiro Deus. Sua mente estava entenebrecida pela idolatria; pois os
estatutos divinos, que são santos, justos e bons (Rom. 7:12), haviam eles procurado substituir por leis em harmonia com os
propósitos de seu próprio coração cruel e egoísta. Contudo, em Sua misericórdia Deus não os apagou da existência. Ele Se propôs
dar-lhes a oportunidade de se familiarizarem com Ele por intermédio de Sua igreja. Foi Seu desígnio que os princípios revelados
por intermédio de Seu povo seriam o meio de restaurar no homem a imagem moral de Deus.

A lei de Deus devia ser exaltada, sua autoridade mantida; e à casa de Israel foi entregue esta grande e nobre obra. Deus separou-
os do mundo, para que pudesse confiar-lhes o sagrado encargo. Fê-los depositários de Sua lei, e propôs preservar por intermédio
deles o conhecimento de Si mesmo entre os homens. Assim devia a lei do Céu brilhar no mundo envolvido em trevas, e uma voz
devia ser ouvida apelando a todos os povos para que volvessem da idolatria, a fim de servirem ao Deus vivo.

"Com grande força e com forte mão" (Êxo. 32:11), Deus tirou Seu povo escolhido da terra do Egito. "Enviou Moisés, Seu servo, e
Arão, a quem escolhera. Fizeram entre eles os seus sinais e prodígios, na terra de Cão". Sal. 105:26 e 27. "Repreendeu o Mar
Vermelho e este se secou, e os fez caminhar pelos abismos como pelo deserto." Sal. 106:9. Ele os libertou de sua condição de
servos, para que pudesse levá-los a uma boa terra – uma terra que em Sua providência havia-lhes preparado como refúgio de seus
inimigos. Queria trazê-los para Si, e envolvê-los em Seus braços eternos; e em retribuição de Sua bondade e misericórdia deviam
eles exaltar Seu nome e fazê-lo glorioso na Terra.

"Porque a porção do Senhor é o Seu povo; Jacó é a corda da Sua herança. Achou-a na terra do deserto, e num ermo solitário cheio
de uivos; trouxe-o ao redor, instruiu-o, guardou-o como a menina do Seu olho. Como a águia desperta o seu ninho, se move sobre
os seus filhos, estende as suas asas, toma-os e os leva sobre as suas asas, assim só o Senhor o guiou, e não havia com ele deus
estranho." Deut. 32:9-12. Assim trouxe o Senhor os israelitas para junto de Si, para que habitassem como que à sombra do
Altíssimo. Miraculosamente preservados dos perigos do errante viajar pelo deserto, foram eles finalmente estabelecidos na terra
da promessa como uma nação favorecida.

Mediante o uso de uma parábola, Isaías narrou com tocante sentimento a história do chamado e preparo de Israel para ser no
mundo representante de Jeová, frutífero em toda boa obra:

"Agora cantarei ao meu amado o cântico do meu querido a respeito de sua vinha. O meu amado tem uma vinha num outeiro
fértil, e a cercou, e a limpou das pedras, e a plantou de excelentes vides; e edificou no meio dela uma torre, e também construiu
nela um lagar; e esperava que desse uvas." Isaías 5:1 e 2.

Por intermédio do povo escolhido, tinha Deus o propósito de abençoar toda a espécie humana. "A vinha do Senhor dos exércitos",
declarou o profeta, "é a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta das Suas delícias." Isaías 5:7.

A esse povo foram confiados os oráculos de Deus. Estavam protegidos pelos preceitos de Sua lei, os eternos princípios da verdade,
justiça e pureza. A obediência a esses princípios devia ser a sua proteção, pois os livraria de se destruírem a si mesmos por práticas
pecaminosas. E, como uma torre na vinha, Deus colocou no meio da terra Seu santo templo.

Cristo era seu instrutor. Assim como havia sido com eles no deserto, devia ser ainda seu Mestre e Guia. No tabernáculo e no
templo, Sua glória habitava no santo Shekinah, em cima do propiciatório. No benefício deles Ele manifestava constantemente as
riquezas do Seu amor e paciência.

Por intermédio de Moisés os propósitos de Deus deviam ser-lhes expostos, e os termos de sua prosperidade tornados claros.
"Porque povo santo és ao Senhor teu Deus", disse ele; "o Senhor teu Deus te escolheu, para que Lhe fosses o Seu povo próprio, de
todos os povos que sobre a Terra há." Deut. 7:6.

"Hoje declaraste ao Senhor que te será por Deus, e que andarás nos Seus caminhos, e guardarás os Seus estatutos, e os Seus
mandamentos, e os Seus juízos, e darás ouvidos à Sua voz. E o Senhor hoje te fez dizer que Lhe serás por povo Seu próprio, como
te tem dito, e que guardarás todos os Seus mandamentos. Para assim te exaltar sobre todas as nações que fez, para louvor, e para
fama, e para glória, e para que sejas um povo santo ao Senhor teu Deus, como tem dito." Deut. 26:17-19.

Os filhos de Israel deviam ocupar todo o território que Deus lhes indicara. Aquelas nações que haviam rejeitado a adoração e
serviço ao verdadeiro Deus, deviam ser despojadas. Mas era propósito de Deus que pela revelação de Seu caráter através de
Israel, fossem os homens atraídos para Si. O convite do evangelho devia ser dado a todo o mundo. Mediante o ensino do sistema
de sacrifícios, Cristo devia ser erguido perante as nações, e todos que olhassem para Ele viveriam. Todo aquele que, como Raabe,
a cananita, e Rute, a moabita, tornassem da idolatria para o culto ao verdadeiro Deus, deviam unir-se ao Seu povo escolhido. À
medida em que o número dos israelitas crescesse, deviam eles ampliar suas fronteiras, até que o seu reino envolvesse o mundo.

Mas o antigo Israel não cumpriu o propósito de Deus. O Senhor declarou: "Eu mesmo te plantei como vide excelente, uma
semente inteiramente fiel: como pois te tornaste para Mim uma planta degenerada, de vide estranha?" Jer. 2:21. "Israel é uma
vide frondosa; dá fruto para si mesmo." Osé. 10:1. "Agora pois, ó moradores de Jerusalém, e homens de Judá, julgai, vos peço,
entre Mim e a Minha vinha. Que mais se podia fazer à Minha vinha, que Eu lhe não tenha feito? e como, esperando Eu que desse
uvas, veio a produzir uvas bravas? Agora pois vos farei saber o que Eu hei de fazer à Minha vinha: tirarei a sebe, para que sirva de
pasto; derribarei a sua parede, para que seja pisada; e a tornarei em deserto; não será podada nem cavada; mas crescerão nela
sarças e espinheiros; e às chuvas darei ordem para que não derramem chuva sobre ela. Porque... esperou que exercessem juízo, e
eis aqui opressão; justiça, e eis aqui clamor." Isaías 5:3-7.

O Senhor havia, por intermédio de Moisés, exposto perante o Seu povo os resultados da infidelidade. Recusando guardar Seu
concerto, estariam se excluindo da vida de Deus, e Sua bênção não podia vir sobre eles. Às vezes essas advertências eram ouvidas,
e ricas bênçãos eram concedidas à nação judaica e por meio deles aos povos em redor. Mas a maior parte das vezes em sua
história eles se esqueceram de Deus, e perderam de vista seu elevado privilégio como povo que O representava. Roubaram-nO do
serviço que deles requeria, e roubaram o próximo da guia religiosa e santo exemplo. Desejaram apropriar-se do fruto da vinha
sobre a qual haviam sido postos como mordomos. Sua avidez e cobiça tornaram-nos desprezíveis aos olhos dos próprios pagãos.
Assim deu-se ao mundo gentio a ocasião de interpretar mal o caráter de Deus e as leis de Seu reino.

Com coração paternal Deus tratou com Seu povo. Argumentou com eles sobre bênçãos concedidas e bênçãos retidas.
Pacientemente pôs perante eles seus pecados, e em espírito de demência esperou por seu reconhecimento. Profetas e
mensageiros foram-lhes enviados para apresentar Seus reclamos aos lavradores; mas em lugar de serem bem recebidos, esses
homens de poder e discernimento espiritual foram tratados como inimigos. Os lavradores perseguiram-nos e mataram-nos. Deus
enviou ainda outros mensageiros, mas receberam o mesmo tratamento dispensado aos primeiros, com a única diferença que os
lavradores mostraram ainda mais determinado ódio.

A retenção do divino favor durante o período do exílio levou muitos ao arrependimento; não obstante após seu retorno à terra da
promessa, o povo judeu repetiu os erros das gerações anteriores, e entrou em conflito político com as nações circunvizinhas. Os
profetas a quem Deus enviara para corrigir os males prevalecentes, foram recebidos com a mesma desconfiança e escárnio com
que foram tratados os mensageiros dos antigos tempos; e assim, de século em século, os guardas da vinha fizeram-se mais
culpados.
A excelente vide plantada pelo divino Lavrador sobre os montes da Palestina fora desprezada pelos homens de Israel, e finalmente
foi lançada fora da vinha; tripudiaram sobre ela, pisaram-na a pés, e esperavam que a tivessem destruído para sempre. O Lavrador
removera a vinha, e a ocultara de suas vistas. Plantou-a de novo, mas do outro lado do muro, e de tal maneira que o tronco não
mais ficou visível. As varas pendiam sobre o muro, de maneira que se poderiam nelas fazer enxertos, mas o tronco mesmo foi
posto fora do alcance do homem e de poder este causar-lhe dano.

De especial valor para a igreja de Deus sobre a Terra hoje — os guardas de Sua vinha — são as mensagens de consolo e
admoestação dadas através dos profetas que tornaram claro Seu eterno propósito em favor da humanidade. Nos ensinos dos
profetas, Seu amor pela raça caída e Seu plano para a sua salvação claramente são revelados. A história do chamado de Israel, de
seus sucessos e fracassos, sua restauração ao favor divino, a rejeição do Senhor da vinha e a execução do plano dos séculos por
um bom remanescente a quem seriam cumpridas todas as promessas do concerto — tal foi o tema dos mensageiros de Deus a
Sua igreja através dos séculos já passados. E hoje a mensagem de Deus a Sua igreja — aos que Lhe estão ocupando a vinha como
fiéis lavradores — não é outra senão aquela expressa pelo profeta do passado:

"Naquele dia haverá uma vinha de vinho tinto; cantai-lhe.

Eu, o Senhor, a guardo.

E a cada momento a regarei;

Para que ninguém lhe faça dano,

De dia e de noite a guardarei." Isaías 27:2, 3.

Espere Israel em Deus. O Senhor da vinha está mesmo agora reunindo dentre todas as nações e povos os preciosos frutos pelos
quais tem há tanto tempo esperado. Logo Ele virá para o que é Seu; e nesse alegre dia, Seu eterno propósito para a casa de Israel
será finalmente cumprido. "Jacó lançará raízes, e florescerá e brotará Israel, e encherão de fruto a face do mundo." Isaías 27:6. PR
5.12 - PR 5.36

3-7

Roubaram a Deus no serviço que Ele requerera deles e roubaram ao próximo na guia religiosa e santo exemplo.

Sacerdotes e príncipes fixaram-se numa rotina de cerimonialismo. Satisfizeram-se com uma religião legal e era-lhes impossível dar
a outros as vivas verdades do Céu. Consideravam suficiente sua própria justiça e não desejavam a intromissão de um novo
elemento em sua religião. A boa vontade de Deus para com os homens não era por eles aceita como algo à parte deles próprios,
mas a relacionavam com seus próprios méritos por causa de suas boas obras. A fé que opera por amor e purifica a alma não
achava lugar na união com a religião dos fariseus, feita de cerimonialismo e injunções humanas.

De Israel disse Deus: "Eu mesmo te plantei como vide excelente, uma semente inteiramente fiel: como pois te tornaste para Mim
uma planta degenerada, de vide estranha?" (Jr 2:21). "Israel é uma vide frondosa; dá fruto para si mesmo" (Os 10:1). "Agora pois,
ó moradores de Jerusalém, e homens de Judá julgai, vos peço, entre Mim e a Minha vinha. Que mais se podia fazer à Minha vinha,
que Eu lhe não tenha feito? E como, esperando Eu que desse uvas, veio a produzir uvas bravas?

"Agora pois vos farei saber o que Eu hei de fazer à Minha vinha: tirarei a sua sebe, para que sirva de pasto; derribarei a sua parede,
para que seja pisada; e a tornarei em deserto; não será podada nem cavada; mas crescerão nela sarças e espinheiros; e às nuvens
darei ordem que não derramem chuva sobre ela. Porque a vinha do Senhor dos Exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá
são a planta das Suas delícias; e esperou que exercessem juízo, e eis aqui opressão; justiça, e eis aqui clamor" (Is 5:3-7). "A fraca
não fortalecestes, e a doente não curastes, e a quebrada não ligastes, e a desgarrada não tornastes a trazer, e a perdida não
buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza" (Ez 34:4).

Os líderes judeus imaginavam-se demasiado sábios para necessitar de instrução, demasiado justos para necessitar de salvação e
demasiado honrados para necessitar da honra que vem de Cristo. O Salvador afastou-Se deles para outorgar a outros os privilégios
de que tinham abusado e a obra que haviam negligenciado. A glória de Deus tinha de ser revelada e Sua Palavra confirmada. O
reino de Cristo tinha de ser estabelecido no mundo. A salvação de Deus tinha que se tornar conhecida nas cidades do deserto; e os
discípulos foram chamados para fazer a obra que os líderes judaicos deixaram de fazer. AA 11.5 - AA 12.2

"Mas que vos parece?" disse Ele. "Um homem tinha dois filhos, e, dirigindo-se ao primeiro, disse: Filho, vai trabalhar hoje na
minha vinha. Ele, porém, respondendo, disse: Não quero. Mas depois, arrependendo-se, foi. E, dirigindo-se ao segundo, falou-lhe
de igual modo; e, respondendo ele, disse: Eu vou, senhor; e não foi. Qual dos dois fez a vontade do pai?" Mateus 21:28-31.

Essa súbita pergunta tirou Seus ouvintes de sua habitual posição de guarda. Haviam acompanhado atentamente a parábola, e
então responderam imediatamente: "O primeiro." Fixando neles o firme olhar, respondeu Jesus em tom severo e solene: "Em
verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entram diante de vós no reino de Deus. Porque João veio a vós no caminho da
justiça, e não o crestes, mas os publicanos e as meretrizes o creram; vós, porém, vendo isto, nem depois vos arrependestes para o
crer". Mateus 21:31, 32.
Os sacerdotes e principais não podiam deixar de dar resposta correta à pergunta de Cristo, e assim obteve Ele sua opinião em
favor do primeiro filho. Este filho representava os publicanos, os que eram desprezados e odiados pelos fariseus. Os publicanos
haviam sido inteiramente imorais. Tinham sido na verdade transgressores da lei de Deus, mostrando em sua vida absoluta
resistência às Suas reivindicações. Eram ingratos e profanos; ao ser-lhes dito que fossem trabalhar na vinha do Senhor, recusaram
desdenhosamente. Mas ao vir João, pregando o arrependimento e o batismo, os publicanos receberam a mensagem e foram
batizados.

O segundo filho representava os dirigentes da nação judaica. Alguns fariseus se tinham arrependido, recebendo o batismo de
João; mas os dirigentes não quiseram reconhecer que ele viera de Deus. Suas advertências e acusações não os levaram a uma
reforma. "Rejeitaram o conselho de Deus contra si mesmos, não tendo sido batizados por ele." Trataram desdenhosamente sua
mensagem. Como o segundo filho que, quando chamado, disse: "Eu vou, senhor", mas não foi, os sacerdotes e principais
professaram obediência, mas agiram em sentido contrário. Faziam grandes profissões de piedade, pretendiam estar obedecendo à
lei divina, mas prestavam apenas uma falsa obediência. Os publicanos eram acusados e amaldiçoados pelos fariseus como
incrédulos; mas mostraram por sua fé e obras que iam para o reino do Céu antes daqueles homens cheios de justiça própria, aos
quais fora dada grande luz, mas cujas obras não correspondiam a sua profissão de piedade.

Os sacerdotes e principais não tinham vontade de suportar essas penetrantes verdades; ficaram calados, entretanto, na esperança
de que Jesus dissesse qualquer coisa que pudessem voltar contra Ele; mas tinham de suportar ainda mais.

"Ouvi ainda outra parábola", disse Cristo. "Houve um homem, pai de família, que plantou uma vinha, circundou-a de um valado, e
construiu nela um lagar, e edificou uma torre, e arrendou-a a uns lavradores, e ausentou-se para longe. E, chegando o tempo dos
frutos, enviou os seus servos aos lavradores, para receber os seus frutos. E os lavradores, apoderando-se dos servos, feriram um,
mataram outro, e apedrejaram outro. Depois enviou outros servos, em maior número do que os primeiros; e eles fizeram-lhes o
mesmo; e, por último, enviou-lhes seu filho, dizendo: Terão respeito ao meu filho. Mas os lavradores, vendo o filho, disseram
entre si: Este é o herdeiro; vinde, matemo-lo, e apoderemo-nos da sua herança. E, lançando mão dele, o arrastaram para fora da
vinha, e o mataram. Quando pois vier o senhor da vinha, que fará àqueles lavradores?" Mateus 21:33-40.

Jesus Se dirigiu a todo o povo presente; mas os sacerdotes e principais responderam. "Dará afrontosa morte aos maus", disseram,
"e arrendará a vinha a outros lavradores, que a seu tempo lhe dêem os frutos". Mateus 21:41. Os que assim falavam não
perceberam, a princípio, a aplicação da parábola, mas viram depois haver proferido a própria condenação. Na parábola, o pai de
família representava Deus, a vinha a nação judaica, e o valado a lei divina que lhes servia de proteção. A torre era um símbolo do
templo. O dono da vinha fizera tudo que era para prosperidade da mesma. "Que mais se podia fazer à Minha vinha", diz Ele, "que
lhe não tenha feito?" Isaías 5:4. Assim foi representado o incessante cuidado de Deus para com Israel. E como os lavradores
deviam devolver ao pai de família a devida proporção de frutos da vinha, assim o povo de Deus O devia honrar por uma vida em
correspondência com os sagrados privilégios que tinham. Mas, como os lavradores mataram os servos que o senhor lhes enviara
em busca de frutos, assim os judeus fizeram morrer os profetas que Deus mandara para os chamar ao arrependimento.
Mensageiro após mensageiro fora morto. Até aí a aplicação da parábola não podia ser posta em dúvida, e no que se seguiu não foi
menos clara. No amado filho a quem o senhor da vinha afinal mandara a seus desobedientes servos, e de quem se apoderaram
para matar, viram os sacerdotes e principais uma distinta figura de Jesus e a sorte que sobre Ele impendia. Já estavam planejando
tirar a vida Àquele a quem o Pai lhes enviara em um último apelo. Na retribuição infligida aos ingratos lavradores, estava descrita a
sorte dos que haviam de condenar Cristo à morte.

Olhando-os com piedade, continuou o Salvador: "Nunca lestes nas Escrituras: A pedra, que os edificadores rejeitaram, essa foi
posta por cabeça do ângulo; pelo Senhor foi feito isto, e é maravilhoso aos nossos olhos? Portanto Eu vos digo que o reino de Deus
vos será tirado, e será dado a uma nação que dê os seus frutos. E quem cair sobre esta pedra despedaçar-se-á; e aquele sobre
quem ela cair será reduzido a pó". Mateus 21:42-44.

Essa profecia repetiram os judeus muitas vezes nas sinagogas, aplicando-a ao Messias que havia de vir. Cristo era a pedra de
esquina da dispensação judaica, e de todo o plano da salvação. Essa pedra fundamental os edificadores judaicos, os sacerdotes e
príncipes de Israel, estavam agora rejeitando. O Salvador chamou-lhes a atenção para as profecias que lhes mostrariam seu
perigo. Buscou, por todos os meios possíveis, mostrar-lhes claramente a natureza do ato que estavam para praticar.

E Suas palavras tinham outro desígnio. Ao fazer a pergunta: "Quando, pois, vier o senhor da vinha, que fará àqueles lavradores?"
(Mateus 21:40) era intuito de Cristo que os fariseus respondessem como fizeram. Tinha em vista que eles mesmos se
condenassem. Suas advertências, deixando de despertá-los para o arrependimento, selar-lhes-iam a condenação, e Ele queria que
vissem que eles próprios haviam trazido sobre si a ruína. Intentava mostrar-lhes a justiça de Deus em retirar-lhes os privilégios
nacionais, o que já começara e terminaria, não somente na destruição do templo e da cidade, mas na dispersão da nação.

Os ouvintes reconheceram a advertência. Não obstante, porém, a sentença que eles mesmos haviam proferido, os sacerdotes e
príncipes estavam prontos a completar o quadro, dizendo: "Este é o herdeiro; vinde, matemo-lo." "E, pretendendo prendê-Lo,
recearam o povo" (Mateus 21:46), porque o sentimento público era a favor de Cristo. DTN 416.1 - DTN 418.4

O que quer que façam os jovens mediante palavras ou ações, façam-no em nome de Jesus, dando graças a Deus, o Pai, por Ele. Vi
que poucos jovens compreendem o que é ser cristãos, ser semelhantes a Cristo. Precisam aprender as verdades da Palavra de
Deus antes de poderem conformar sua vida com o Modelo. Não há um jovem entre vinte que experimentou em sua vida aquela
separação do mundo que o Senhor exige de todos os que se tornam membros de Sua família, filhos do Rei celestial. "Pelo que saí
do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; e não toqueis nada imundo, e Eu vos receberei; e Eu serei para vós Pai, e vós sereis
para Mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-poderoso." 2 Coríntios 6:17, 18.
Que promessa é feita aqui sob condição de obediência! Estão vocês dispostos a libertar-se de amigos e parentes ao decidirem
obedecer às elevadas verdades da Palavra de Deus? Tenham bom ânimo, Deus fez provisão para vocês. Seus braços estão abertos
para recebê-los. Saiam do meio deles e separem-se; não toquem "nada imundo" (2 Coríntios 6:17), e Ele os receberá. Ele promete
ser um Pai para vocês. Oh, que parentesco esse! Mais elevado e santo do que qualquer laço terrestre. Se fizerem o sacrifício, se for
preciso deixar pai, mãe, irmãs, irmãos, esposa e filhos por amor a Cristo, vocês não ficarão sem amigos. Deus os adotará em Sua
família; vocês se tornarão membros da casa real, filhos e filhas do Rei que governa no Céu dos céus. Podem vocês desejar posição
maior do que a que é aqui prometida? Isso não é suficiente? Disse o anjo: "O que Deus poderia fazer pelos filhos dos homens que
Ele já não o tenha feito? Se tal amor, tais excelsas promessas não forem apreciadas, podia Ele inventar algo mais alto, mais rico e
sublime? Tudo o que Deus poderia fazer pela salvação do homem foi feito, todavia, o coração dos filhos dos homens se
endureceu. Por causa da diversidade das bênçãos com as quais Deus os cercou, eles as recebem como coisas comuns e se
esquecem de seu misericordioso Benfeitor." T1 510.1 - T1 510.2

Deus requer que Seu povo brilhe como luzes no mundo. Não é somente dos pastores que se exige isso, mas de todo discípulo de
Cristo. Sua conversação deve ser celestial. E ao passo que desfrutam comunhão com Deus, desejarão comunicar-se com seus
semelhantes, a fim de exprimir, por palavras e atos, o amor de Deus que lhes anima o coração. Por essa maneira serão luzes no
mundo, e a luz transmitida por meio deles não se extinguirá, nem lhes será tirada. Essa luz se tornará em escuridão para aqueles
que não caminham segundo ela, mas brilhará com crescente esplendor sobre a vida daqueles que lhe obedecem e nela andam.

O Espírito, a sabedoria e a bondade de Deus revelados em Sua Palavra, devem ser manifestados pelos discípulos de Cristo, e assim
repreenderem o mundo. Deus requer de Seu povo segundo a graça e a verdade a eles concedidas. Todos os Seus justos reclamos
precisam ser plenamente atendidos. Seres responsáveis devem andar na luz que incide sobre eles. Se falharem, sua luz se tornará
em trevas tão grandes, na mesma proporção da luz que lhes fora dada tão copiosamente. Luz acumulada tem brilhado sobre o
povo de Deus, mas muitos negligenciam seguir a luz e por essa razão estão em estado de grande fraqueza espiritual.

Não é por falta de conhecimento que o povo de Deus está agora perecendo. Não serão condenados por desconhecerem "o
caminho, e a verdade, e a vida". João 14:6. A verdade que lhes alcançou o entendimento, a luz que lhes brilhou na mente, mas que
foi negligenciada ou recusada, há de condená-los. Os que nunca tiveram a luz que pudessem rejeitar, não estarão sob condenação.
Que mais poderia ter sido feito pela vinha do Senhor que não lhe fora feito? Isaías 5:4. A luz, preciosa luz, brilha sobre o povo de
Deus; mas não os salvará, a menos que consintam em ser por ela salvos, vivendo plenamente à sua altura, e transmitindo-a a
outros que se acham em trevas. Deus convoca Seu povo à ação. É necessária uma obra individual de confissão, abandono de
pecados, e de retorno ao Senhor. Ninguém pode fazer esse trabalho por outra pessoa. O conhecimento religioso tem-se
acumulado, e esse fato tem aumentado as obrigações correspondentes. Grande luz tem incidido sobre a igreja e por isso as
pessoas são condenadas por recusar-se andar na luz. Se fossem cegas, não teriam pecado. Mas têm visto a luz e ouvido muito da
verdade, todavia não se tornaram sábias nem santas. Muitos, apesar dos anos, não avançaram no conhecimento e na verdadeira
santidade. São anões espirituais. Em lugar de progredirem até à perfeição, voltam-se para as trevas e escravidão do Egito. Sua
mente não é exercitada na piedade e verdadeira santidade.

Despertará o Israel de Deus? Buscarão todos os que professam piedade descartar-se de cada erro, confessar a Deus cada pecado
secreto e afligir o coração diante dEle? Examinarão com grande humildade os motivos de cada ação, sabendo que os olhos de
Deus tudo vêem, que esquadrinham cada coisa oculta? Que essa obra seja completa, uma inteira consagração a Deus. Ele requer
submissão integral de tudo o que temos e somos. Pastores e povo necessitam nova conversão, uma transformação de mente, sem
o que não seremos um "cheiro de vida para vida", mas de "morte para morte". 2 Coríntios 2:16. Grandes privilégios pertencem ao
povo de Deus. Grande luz lhes tem sido dada, para que possam atender a seu alto chamado em Cristo Jesus, ainda que não sejam
o que Deus gostaria que fossem e deseja que se tornem. T2 122.2 - T2 124.1

Irmão _____, vi que a expressão "em falta" foi acrescentada junto ao seu nome nos registros celestiais. "Em falta" na paciência, na
tolerância, no autocontrole, na humildade e mansidão. A carência dessas graças celestiais certamente fechará as portas do Céu a
você. Seu corpo, mente, todo o seu ser, com todas as suas habilidades, Deus os reclama para Si. Seu temperamento impaciente,
descontrolado, precisa ser vencido. Doença espiritual é o seguro resultado de ceder a esse espírito murmurador, queixoso e
agitado. Tal moléstia de alma virá por sua própria culpa. Pare de lamuriar-se, deixe de ser teimoso, de mimar-se e seja um homem
corajoso, valente, para Deus. Jesus o ama. Não fez Ele, porventura, ampla provisão por você, para que recebesse auxílio quando
levado a situações difíceis? Diz Ele: "Que mais se podia fazer à Minha vinha, que Eu lhe não tenha feito? E como, esperando Eu que
desse uvas boas, veio a produzir uvas bravas?" Isaías 5:4. O fruto que Cristo reclama, após paciente cuidado exercido para com a
igreja, é fé, paciência, amor, longanimidade, piedade e mansidão. Esses são os cachos do frutos que maturam em meio a
tormentas, nuvens, escuridão, bem como sob a luz solar. T5 116.3

Acazias enviou seus servos a indagar de Baal-Zebube, em Ecrom; mas em vez de uma mensagem do ídolo, ouviu a tremenda
denúncia vinda do Deus de Israel: "Da cama a que subiste, não descerás, mas sem falta morrerás." 2 Reis 1:4. Foi Cristo que
mandou Elias dizer estas palavras ao rei apóstata. Jeová Emanuel tinha razão de ficar grandemente desgostoso com a impiedade
de Acazias. Que não fizera Cristo para conquistar o coração dos pecadores, e inspirar-lhes inabalável confiança nEle? Durante
séculos visitara Seu povo com manifestações da mais condescendente bondade e amor sem paralelo. Desde os tempos dos
patriarcas Ele manifestara como Suas "delícias" estavam com os filhos dos homens. Provérbios 8:31. Fora um socorro bem
presente para todos quantos O buscavam em sinceridade. "Em toda a angústia deles foi Ele angustiado, e o anjo da Sua face os
salvou; pelo Seu amor, e pela Sua compaixão Ele os remiu." Isaías 63:9. Todavia Israel se rebelara contra Deus, e se volvera para
os piores inimigos do Senhor.

Os hebreus eram a única nação favorecida com o conhecimento do Deus verdadeiro. Quando o rei de Israel mandou indagar de
um oráculo pagão, proclamou aos pagãos que confiava mais nos ídolos deles do que no Deus de seu povo, o Criador dos Céus e da
Terra. Da mesma maneira os que professam conhecer a Palavra de Deus O desonram, quando se voltam da Fonte da força e da
sabedoria, para pedir conselhos aos poderes das trevas. Se a ira de Deus se acendeu por tal procedimento da parte de um rei
ímpio, idólatra, como considerará Ele atitude semelhante quando seguida pelos que professam ser servos Seus? T5 195.3 - T5
196.1

O Senhor plantou Sua igreja como uma vinha em campo fértil. Com o mais terno cuidado Ele a cultivou, para que produzisse frutos
de justiça. Sua linguagem é: "Que mais se podia fazer à Minha vinha, que Eu lhe não tenha feito?" Mas essa vinha, plantada por
Deus, inclinou-se para a terra e prendeu suas gavinhas em volta de suportes humanos. Seus ramos se estendem por toda a parte,
mas produz frutos de uma videira degenerada. O Senhor da vinha declara: "Esperando Eu que desse uvas, veio a produzir uvas
bravas." Isaías 5:4.

O Senhor concedeu grandes bênçãos a Sua igreja. A justiça exige que ela devolva esses talentos com juros. Como aumentaram os
tesouros da verdade confiados a sua guarda, aumentaram também suas obrigações. Mas em vez de desenvolver esses dons e
avançar no rumo da perfeição, ela volveu atrás daquilo que alcançara em sua experiência anterior. A mudança em seu estado
espiritual processou-se gradualmente, e quase imperceptivelmente. Ao começar a buscar o louvor e amizade do mundo, sua fé
diminuiu, seu zelo acabou, sua fervorosa devoção cedeu lugar à formalidade morta. Cada passo rumo ao mundo foi um passo para
mais longe de Deus. À medida que o orgulho e ambição mundana foram acariciados, afastou-se o espírito de Cristo e insinuaram-
se rivalidade, dissensão e luta, para desviar e enfraquecer a igreja. T5 240.2 - T5 240.3

Na parábola da vinha, Cristo, nas proximidades do fim do Seu ministério terrestre, chamou a atenção dos mestres judeus para as
ricas bênçãos outorgadas a Israel, e nelas mostrou o direito de Deus a sua obediência. Claramente Ele expôs perante eles a glória
do propósito de Deus, propósito este que pela obediência eles poderiam ter cumprido. Afastando o véu que ocultava o futuro,
mostrou-lhes como, em virtude do não cumprimento do Seu propósito, toda a nação fora privada de Suas bênçãos, sobre si
acarretando ruína.

"Houve um homem pai de família", Cristo disse, "que plantou uma vinha, e circundou-a de um valado, e construiu nela um lagar, e
edificou uma torre, e arrendou-a a uns lavradores, e ausentou-se para longe". Mateus 21:33.

O Salvador Se referiu assim à "vinha do Senhor dos Exércitos", que o profeta Isaías séculos antes havia declarado ser "a casa de
Israel".

"E, chegando o tempo dos frutos", Cristo continuou, o proprietário da vinha "enviou os seus servos aos lavradores, para receber os
seus frutos. E os lavradores, apoderando-se dos servos, feriram a um, mataram a outro, e apedrejaram a outro. Depois enviou
outros servos, em maior número que os primeiros; e eles fizeram-lhes o mesmo; e por último enviou-lhes o seu filho. ... Mas os
lavradores, vendo o filho, disseram entre si: Este é o herdeiro; vinde, matemo-lo, e apoderemo-nos da sua herança. E, lançando
mão dele, o arrastaram para fora da vinha, e o mataram."

Havendo retratado ante os sacerdotes o seu ato final de impiedade, Cristo dirige-lhes agora a pergunta: "Quando pois vier o
Senhor da vinha, que fará àqueles lavradores?" Os sacerdotes haviam acompanhado a narrativa com profundo interesse; e sem
considerar a relação que havia do assunto para com eles mesmos, uniram-se ao povo na resposta: "Dará afrontosa morte a esses
maus, e arrendará a vinha a outros lavradores, que a seu tempo lhe dêem os frutos."

Inadvertidamente haviam eles pronunciado sua própria condenação. Jesus olhou para eles, e sob Seu olhar pesquisador eles
compreenderam que Ele havia lido os segredos do seu coração. Sua divindade se sobressaiu com inquestionável poder. Eles viram
nos lavradores uma figura de si mesmos, e involuntariamente exclamaram: "Não seja assim"

Solene e pesaroso Cristo perguntou: "Nunca lestes nas Escrituras: A pedra, que os edificadores rejeitaram, essa foi posta por
cabeça do ângulo; pelo Senhor foi feito isto, e é maravilhoso aos nossos olhos? Portanto Eu vos digo que o reino de Deus vos será
tirado, e será dado a uma nação que dê os seus frutos. E quem cair sobre esta pedra despedaçar-se-á; e aquele sobre quem ela
cair ficará reduzido a pó". Mateus 21:33-44.

Cristo teria evitado a condenação da nação judaica se o povo O tivesse recebido. Mas a inveja e o ciúme tornaram-nos
implacáveis. Decidiram que não receberiam a Jesus de Nazaré como o Messias. Rejeitaram a luz do mundo, e daí em diante suas
vidas foram circundadas com o negror das trevas da meia-noite. A condenação predita veio sobre a nação judaica. Suas próprias
paixões violentas, incontroladas, operaram sua ruína. Em sua cega ira destruíram-se uns aos outros. Seu orgulho rebelde e
obstinado atraiu sobre eles a ira dos conquistadores romanos. Jerusalém foi destruída, o templo foi feito em ruínas, e o sítio onde
se erguia foi lavrado como um campo. Os filhos de Judá pereceram pelas mais horríveis formas de morte. Milhões foram vendidos
para servirem como escravos em terras pagãs.

Aquilo que Deus propôs realizar em favor do mundo por intermédio de Israel, a nação escolhida, Ele executará afinal por meio de
Sua igreja na Terra hoje. Ele arrendou Sua vinha "a outros lavradores", isto é, ao Seu povo que guarda o concerto, e que fielmente
dá "os seus frutos". Jamais esteve o Senhor sem verdadeiros representantes na Terra e que fazem do interesse de Deus o seu
próprio interesse. Essas testemunhas do Senhor são contadas entre o Israel espiritual, e em relação a eles se cumprirão todas as
promessas do concerto feitas por Jeová a Seu antigo povo. PR 365.2 - PR 366.3
Por que o antigo Israel esquecia tão facilmente o trato de Deus com eles? O povo não retinha na memória as obras de grandeza
de poder ou Suas palavras de advertência. Houvessem preservado em mente Seu maravilhoso trato com eles, não lhes haveria
sido necessário receber estas palavras de reprovação:

"Eu, Eu sou aquele que vos consola; quem pois és tu,para que temas o homem, que é mortal,ou o filho do homem, que se tornará
em feno?E te esqueces do Senhor, que te criou,que estendeu os céuse fundou a Terra,e temes todo o diao furor do
angustiador,quando se prepara para destruir?Onde está o furor daquele que te atribulava?" Isaías 51:12, 13.

Mas os filhos de Israel esqueceram a Deus, a quem pertenciam por criação e por redenção. Depois de haverem presenciado todas
as Suas extraordinárias obras, tentaram-nO.

Aos israelitas foram concedidos oráculos sagrados. Entretanto, as obras reveladas de Deus foram por eles mal-interpretadas e
aplicadas erroneamente. O povo desprezou a obra do Santo de Israel.

"Porque a vinha do Senhor dos Exércitos é a casa de Israel,e os homens de Judá são a planta das Suas delícias;e esperou que
exercessem juízo, e eis aqui opressão;justiça, e eis aqui clamor."

"Ai dos que se levantam... e não olham para a obra do Senhor,nem consideram as obras das Suas mã[Link], o Meu povo será
levado cativo,por falta de entendimento."

"Ai dos que ao mal chamam beme ao bem, mal!Que fazem da escuridade luz,e da luz, escuridade,e fazem do amargo doce,e do
doce, amargo!

"Ai dos quesão sábios a seus próprios olhose prudentes diante de si mesmos!"

"Pelo que, como a língua de fogo consome a estopa,e a palha se desfaz pela chama,assim será a sua raiz, como podridão,e a sua
flor se esvaecerá como pó;porquanto rejeitaram a lei do Senhor dos Exércitose desprezaram a palavra do Santo de Israel." Isaías
5:7, 11-13, 20, 21, 24. T8 113.6 - T8 115.1

8, 11-12

Por sua apostasia e rebelião, os que podiam ter permanecido como portadores de luz entre as nações, estavam atraindo os juízos
de Deus. Muitos dos males que apressaram a rápida destruição do reino do norte, e que tinham sido recentemente denunciados
em termos inequívocos por Oséias e Amós, depressa estavam corrompendo o reino de Judá.

A perspectiva era particularmente desencorajadora em referência à condição social do povo. Em seu desejo de ganho, estavam os
homens adicionando casa a casa, herdade a herdade. Oséias 5:8. A justiça fora pervertida; e nenhuma piedade era mostrada ao
pobre. A respeito desses males Deus declarou: "O espólio do pobre está em vossas casas". "Que tendes vós que afligir o Meu povo
e moer as faces do pobre?" Isaías 3:14, 15. Mesmo os juízes, cujo dever era proteger o desajudado, faziam ouvidos moucos aos
clamores do pobre e necessitado, das viúvas e dos órfãos. Isaías 10:1, 2.

Com a opressão e a opulência vieram o orgulho e o amor à ostentação (Isaías 2:11, 12), embriaguez e o espírito de orgia. Isaías
5:22, 11, 12. E nos dias de Isaías a própria idolatria já não provocava surpresa. Isaías 2:8, 9. Práticas iníquas tinham-se tornado tão
predominantes entre todas as classes, que os poucos que permaneciam fiéis a Deus eram não raro tentados a perder o ânimo,
dando lugar ao desencorajamento e desespero. Era como se o propósito de Deus para Israel estivesse para falhar, e a nação
rebelde devesse sofrer sorte semelhante à de Sodoma e Gomorra. PR 156.4 - PR 156.6

20

Assim foi que uma vez mais, por causa do ódio nascido do fanatismo e da justiça própria, um servo de Deus volta-se para os
pagãos em busca de proteção. Foi este mesmo ódio que forçou o profeta Elias a buscar Socorro da viúva de Sarepta; e levou os
arautos do evangelho a volver-se dos judeus, para proclamar a mensagem do evangelho aos gentios. E este ódio o povo de Deus
que vive neste século terá ainda que enfrentar. Entre muitos dos professos seguidores de Cristo, existe o mesmo orgulho,
formalismo e egoísmo, o mesmo espírito de opressão que ocupou tão grande lugar no coração dos judeus. No futuro, homens que
declaram ser representantes de Cristo tomarão atitude idêntica à dos sacerdotes e príncipes no seu trato com Cristo e os
apóstolos. Na grande crise por que deverão em breve passar, os fiéis servos de Deus encontrarão a mesma dureza de coração, a
mesma determinação cruel, o mesmo ódio inflexível.

Todo o que nesse dia mau se dispuser a servir a Deus com destemor, segundo os ditames de sua consciência, necessitará de
coragem, firmeza e do conhecimento de Deus e Sua Palavra; pois os que forem fiéis a Deus serão perseguidos, seus motivos
impugnados, desvirtuados seus melhores esforços e seus nomes repudiados como um mal. Satanás trabalhará com todo o seu
poder enganador para influenciar o coração e obscurecer o entendimento, a fim de que o mal pareça bem, e o bem mal. Quanto
mais forte e mais pura a fé do povo de Deus, e mais firme sua determinação de obedecer-Lhe, tanto mais ferozmente procurará
Satanás instigar contra eles a ira daqueles que, embora se declarando justos, tripudiam sobre a lei de Deus. Requererá a mais
firme confiança, o mais heróico propósito reter firme a fé que uma vez foi entregue aos santos.

Deus deseja que Seu povo se prepare para a crise prestes a vir. Preparados ou não, todos terão de enfrentá-la; e somente os que
têm levado a vida em conformidade com a norma divina, permanecerão firmes naquele tempo de prova. Quando legisladores
seculares se unirem a ministros de religião para legislarem em assuntos de consciência, ver-se-á então quem realmente teme a
Deus e O serve. Quando as trevas são mais profundas, mais resplandece a luz de um caráter semelhante ao de Deus. Quando toda
a demais confiança falha, então se verá quem tem uma confiança permanente em Jeová. E enquanto os inimigos da verdade
estiverem, de todos os lados, observando os servos do Senhor para o mal, Deus estará vigiando sobre eles para o bem. Ele será
para eles como a sombra de uma grande rocha numa terra sedenta. AA 223.3 - AA 223.5

O espírito do povo, começando já a arremessar o jugo do papado, estava-se também tornando impaciente sob as restrições da
autoridade civil. Os ensinos revolucionários de Münzer, pretendendo sanção divina, levaram-nos a romper com todo domínio e
dar rédeas a seus preconceitos e paixões. Seguiram-se as mais terríveis cenas de sedição e contenda, e os campos da Alemanha
embeberam-se de sangue.

A agonia d'alma que, havia tanto tempo antes, Lutero experimentara em Erfurt, oprimia-o agora com redobrada força, vendo ele
os resultados do fanatismo imputados à Reforma. Os príncipes romanistas declaravam — e muitos estavam prontos a dar crédito à
declaração — que a rebelião era o fruto legítimo das doutrinas de Lutero. Conquanto esta acusação não tivesse o mínimo
fundamento, não poderia senão causar grande angústia ao reformador. Que a causa da verdade fosse assim infelicitada, sendo
emparelhada com o mais ignóbil fanatismo, parecia mais do que ele poderia suportar. Por outro lado, os chefes da revolta
odiavam a Lutero porque ele não somente se opusera a suas doutrinas e negara ser de inspiração divina o que pretendiam, mas
declarara-os rebeldes à autoridade civil. Em represália, denunciaram-no como vil pretensioso. Parecia haver acarretado sobre si a
inimizade tanto de príncipes como do povo.

Os romanistas exultavam, esperando testemunhar a rápida queda da Reforma; e culpavam a Lutero até dos erros que ele tão
zelosamente se esforçara por corrigir. A facção fanática, pretendendo falsamente haver sido tratada com grande injustiça,
conseguiu ganhar as simpatias de um grupo numeroso de pessoas e, conforme se dá freqüentemente com os que tomam o lado
do erro, vieram a ser considerados mártires. Assim, aqueles que estavam exercendo toda energia em oposição à Reforma, eram
lamentados e louvados como vítimas de crueldade e opressão. Esta era obra de Satanás, movido pelo mesmo espírito de rebelião
que manifestara primeiramente no Céu.

Satanás está constantemente procurando enganar os homens e levá-los a chamar ao pecado justiça, e à justiça pecado. Quão
bem-sucedido tem sido seu trabalho! Quantas vezes a censura e a exprobração são lançadas sobre os fiéis servos de Deus porque
se mantêm destemidos em defesa da verdade! Os homens que não passam de agentes de Satanás, são louvados e lisonjeados, e
mesmo considerados mártires, enquanto os que deveriam ser respeitados e apoiados pela sua fidelidade a Deus, são deixados sós,
sob suspeita e desconfiança.

A santidade falsificada, a santificação espúria, ainda está a fazer sua obra de engano. Sob várias formas exibe o mesmo espírito
dos dias de Lutero, desviando das Escrituras os espíritos, e levando os homens a seguir seus próprios sentimentos e impressões,
em vez de prestar obediência à lei de Deus. Este é um dos expedientes mais bem-sucedidos de Satanás, para lançar opróbrio sobre
a pureza e a verdade. GC 191.3 - GC 193.1

Terríveis se tornaram as trevas da nação que rejeitara a luz da verdade. "A graça que traz a salvação" havia aparecido; mas a
França, depois de lhe contemplar o poder e santidade, depois de milhares terem sido atraídos por sua divina beleza, depois de
cidades e aldeias terem sido iluminadas por seu fulgor, desviou-se, preferindo as trevas à luz. Haviam repudiado o dom celestial,
quando este lhes foi oferecido. Tinham chamado ao mal bem, e ao bem mal, até serem vítimas voluntárias do próprio engano.
Agora, ainda que efetivamente cressem que, perseguindo ao povo de Deus estavam fazendo a obra divina, sua sinceridade não os
inocentava. A luz que os teria salvo do engano, da mancha de sua alma pelo crime de sangue, haviam-na voluntariamente
rejeitado. GC 229.1

Se não existissem outras provas do verdadeiro caráter do espiritismo, bastaria ao cristão o fato de que os espíritos não fazem
diferença entre a justiça e o pecado, entre os mais nobres e puros dos apóstolos de Cristo e os mais corruptos dos servos de
Satanás. Representando os mais vis dos homens como se estivessem no Céu, altamente exaltados, diz Satanás ao mundo: "Não
importa quão ímpios sejais; não importa que creiais ou não em Deus e na Bíblia. Vivei como vos agradar; o Céu será o vosso
destino." Os ensinadores espíritas virtualmente declaram: "Qualquer que faz o mal passa por bom aos olhos do Senhor, e desses é
que Ele Se agrada; ou onde está o Deus do juízo?" Malaquias 2:17. Diz a Palavra de Deus: "Ai dos que ao mal chamam bem, e ao
bem mal; que fazem da escuridade luz, e da luz escuridade." Isaías 5:20. GC 556.3

Os servos de Deus não devem ficar facilmente desanimados por dificuldades ou oposições. Os que proclamam a mensagem do
terceiro anjo devem ficar animosamente em seu posto, a despeito de detrações e mentiras, combatendo o bom combate da fé, e
resistindo ao inimigo com a arma que Cristo empregou: "Está escrito." Na grande crise por que terão em breve de passar, os
servos de Deus terão de enfrentar a mesma dureza de coração, a mesma resolução cruel, o mesmo ódio tenaz enfrentado por
Cristo e os apóstolos.

Todos quantos naquele dia mau quiserem servir a Deus segundo os ditames de sua consciência, necessitarão de coragem, firmeza,
e conhecimento de Deus e de Sua Palavra; pois os que são fiéis a Deus hão de ser perseguidos, seus motivos impugnados, seus
melhores esforços mal-interpretados, e seus nomes rejeitados como um mal.

Satanás há de operar com seu poder enganador, para influenciar o coração e obscurecer o entendimento, a fim de fazer com que
o mal pareça bem, e o bem, mal. Quanto mais forte e pura for a fé do povo de Deus, e mais firme sua resolução de obedecer-Lhe,
tanto mais cruelmente há de Satanás se esforçar por incitar contra eles a fúria dos que, ao passo que pretendem ser justos, pisam
a lei de Deus. Serão precisos a mais firme confiança, o mais heróico propósito para se apegar firmemente à fé uma vez entregue
aos santos. OE 264.1 - OE 264.3
Mais que quaisquer outras instituições que tenham de lidar apenas com interesses seculares, as câmaras legislativas e os tribunais
de justiça se devem achar isentos da praga da intemperança. Governadores, senadores, deputados, juízes, homens que decretam
e administram as leis de uma nação, homens que têm nas mãos a vida, a boa reputação e os bens de seus semelhantes devem ser
homens de estrita temperança. Somente assim podem eles ter clara a mente para discriminar entre o bem e o mal. Só assim
podem possuir firmeza de princípios e sabedoria para ministrar a justiça e mostrar misericórdia. Mas como reza o relatório?
Quantos desses homens têm a mente nublada, confuso o senso do bem e do mal pela bebida forte! Quantas leis opressivas são
decretadas, quantas pessoas inocentes condenadas à morte mediante a injustiça de legisladores, testemunhas, jurados,
advogados e mesmo juízes dados à bebida! Muitos há "poderosos para beber vinho" e "homens forçosos para misturar bebida
forte" (Is 5:22), "que ao mal chamam bem e ao bem, mal" (Is 5:20); que "justificam o ímpio por presentes e ao justo negam
justiça!" (Is 5:23). CBV 345.4

Nossa única segurança consiste em estarmos protegidos a todo instante pela graça de Deus, e em não usarmos nossa própria visão
espiritual de maneira que chamemos ao mal bem, e bem ao que é ruim. Sem hesitação, nem argumento, devemos guardar as
entradas da alma contra o mal. — Testimonies for the Church 3:324. MCH 80.2

Através dos longos séculos que têm passado desde o tempo de Elias, o registro da atividade de sua vida tem levado inspiração e
coragem aos que têm sido chamados a permanecer pelo direito em meio de apostasia. E para nós, "para quem já são chegados os
fins dos séculos" (1 Coríntios 10:11), ele tem especial significação. A História está-se repetindo. O mundo hoje tem seus Acabes e
suas Jezabéis. O presente século é tão verdadeiramente um século de idolatria como aquele em que Elias viveu. Pode não haver
nenhum altar externamente visível; pode não haver nenhuma imagem sobre que os olhos repousem, contudo, milhares estão
seguindo após os deuses deste mundo — riquezas, fama, prazeres e as agradáveis fábulas que permitem ao homem seguir as
inclinações do coração não regenerado. Multidões têm uma errônea concepção de Deus e Seus atributos, e estão servindo a um
falso deus tão verdadeiramente como o estavam os adoradores de Baal. Muitos, mesmo entre os que se declaram cristãos, têm-se
aliado com influências que são inalteravelmente opostas a Deus e Sua verdade. Assim, são levados a se afastarem do divino, e a
exaltarem o humano.

O espírito predominante em nosso tempo é de infidelidade e apostasia — espírito de professada iluminação por causa do
conhecimento da verdade, mas na realidade da mais cega presunção. Teorias humanas são exaltadas, e postas onde deviam estar
Deus e Sua lei. Satanás tenta homens e mulheres a desobedecerem, com a promessa de que na desobediência encontrarão
liberdade e independência que os tornarão deuses. Há um visível espírito de oposição à clara Palavra de Deus, de idolátrica
exaltação da sabedoria humana sobre a revelação divina. Os homens têm permitido que suas mentes se tornem tão
entenebrecidas e confusas pela conformidade aos costumes e influências mundanos, que parecem haver perdido todo o poder de
discriminação entre a luz e as trevas, a verdade e o erro. Tão longe têm-se afastado do caminho do direito a ponto de sustentarem
as opiniões de uns poucos filósofos, assim chamados, como mais dignas de crédito do que as verdades da Bíblia. As instâncias e
promessas da Palavra de Deus, suas ameaças contra a desobediência e a idolatria — tudo parece não ter poder para tocar-lhes o
coração. Uma fé como a que operou em Paulo, Pedro e João, eles a consideram como coisa do passado, misticismo, e indigna da
inteligência dos modernos pensadores.

No princípio Deus deu Sua lei à humanidade como um meio de alcançar a felicidade e vida eterna. A única esperança de Satanás
de poder frustrar o propósito de Deus é levar homens e mulheres à desobediência a essa lei; e seu constante esforço tem sido
falsear seus ensinos e diminuir sua importância. Seu principal ataque tem sido a tentativa de mudar a própria lei, assim como levar
os homens a violar seus preceitos enquanto professam obedecê-la.

Um escritor comparou a tentativa de mudar a lei de Deus a um antigo e maldoso costume de mudar a direção da flecha indicativa
numa importante junção de duas estradas. A perplexidade e contratempo que esta prática muitas vezes causava foi grande.

Um marco indicativo foi construído por Deus para os que jornadeiam através deste mundo. Um braço desta tabuleta apontava
espontânea obediência ao Criador como o caminho da felicidade e vida, enquanto o outro braço indicava a desobediência como a
estrada da miséria e morte. O caminho da felicidade era tão claramente definido como o era o caminho da cidade de refúgio na
dispensação judaica. Mas em má hora para a nossa raça, o grande inimigo de todo o bem virou a tabuleta, e multidões têm errado
o caminho.

Através de Moisés o Senhor instruiu os israelitas: "Certamente guardareis Meus sábados; porquanto isso é um sinal entre Mim e
vós nas vossas gerações; para que saibais que Eu sou o Senhor, que vos santifica. Portanto guardareis o sábado, porque santo é
para vós; aquele que o profanar certamente morrerá; porque qualquer que nele fizer alguma obra, aquela alma será extirpada do
meio do povo ... qualquer que no dia do sábado fizer obra, certamente morrerá. Guardarão pois o sábado os filhos de Israel,
celebrando o sábado nas suas gerações por concerto perpétuo. Entre Mim e os filhos de Israel será um sinal para sempre; porque
em seis dias fez o Senhor os céus e a Terra, e ao sétimo dia descansou, e restaurou-Se". Êxodo 31:13-17.

Nessas palavras o Senhor definiu claramente a obediência como o caminho para a cidade de Deus; mas o homem do pecado
mudou o sinal indicativo, fazendo que indicasse direção errada. Ele estabeleceu o falso sábado, e levou homens e mulheres a
pensar que repousando nesse falso sábado estavam obedecendo à ordem do Criador.

Deus declarou que o sétimo dia é o sábado do Senhor. Quando "os céus e a Terra foram acabados", Ele exaltou este dia como um
memorial de Sua obra criadora. Repousando no sétimo dia "de toda a Sua obra que tinha feito", "abençoou Deus o sétimo dia, e o
santificou". Gênesis 2:1-3.

Por ocasião do Êxodo do Egito, a instituição sabática foi distintamente colocada perante o povo de Deus. Enquanto ainda no
cativeiro, seus feitores tinham-nos tentado forçar ao trabalho no sábado, acrescentando trabalho ao requerido cada semana.
Cada vez mais severas e mais inexoráveis tinham sido feitas as condições de trabalho. Mas os israelitas foram libertos do cativeiro,
e levados a um lugar onde podiam observar todos os preceitos de Jeová sem serem molestados. No Sinai a lei foi proclamada; e
uma cópia, em duas tábuas de pedra "escritas com o dedo de Deus" (Êxodo 31:18), foi entregue a Moisés. E através de quase
quarenta anos de peregrinação, constantemente foi feito lembrar aos israelitas o dia de repouso de Deus, pela contenção da
queda do maná cada sétimo dia, e a miraculosa preservação da porção dobrada que caía no dia da preparação.

Antes de entrar na terra prometida, os israelitas foram admoestados por Moisés a "guardar o dia de sábado, para o santificar".
Deuteronômio 5:12. Era desígnio do Senhor que pela fiel observância do mandamento do sábado, Israel fosse continuamente
lembrado de sua responsabilidade perante Ele como seu Criador e seu Redentor. Enquanto guardassem o sábado no devido
espírito, a idolatria não poderia existir; mas fossem as exigências deste preceito do decálogo postas de lado como não mais
vigentes, o Criador seria esquecido, e os homens adorariam a outros deuses. "Também lhes dei os Meus sábados", declarou Deus,
"para que servissem de sinal entre Mim e eles; para que soubessem que Eu sou o Senhor que os santifica". Contudo "rejeitaram os
Meus juízos, e não andaram nos Meus estatutos, e profanaram os Meus sábados; porque o seu coração andava após os seus
ídolos". Em Seu apelo para que tornassem a Ele, o Senhor lhes chamou a atenção outra vez para a importância da santificação do
sábado. "Eu sou o Senhor vosso Deus", disse Ele; "andai nos Meus estatutos, e guardai os Meus juízos, e executai-os. E santificai os
Meus sábados, e servirão de sinal entre Mim e vós, para que saibais que Eu sou o Senhor vosso Deus". Ezequiel 20:12, 16, 19, 20.

Chamando a atenção de Judá para os pecados que finalmente acarretaram sobre eles o cativeiro babilônico, o Senhor declarou:
"Os Meus sábados profanaste. ... Por isso Eu derramei sobre eles a Minha indignação; com o fogo do Meu furor os consumi; fiz
que o seu caminho recaísse sobre as suas cabeças". Ezequiel 22:8, 31.

Por ocasião da restauração de Jerusalém, nos dias de Neemias, a quebra do sábado foi confrontada com a severa inquirição:
"Porventura não fizeram vossos pais assim, e nosso Deus não trouxe todo este mal sobre nós e sobre esta cidade? E vós ainda
mais acrescentais o ardor de Sua ira sobre Israel, profanando o sábado". Neemias 13:18.

Cristo, durante Seu ministério terrestre, deu ênfase aos imperiosos reclamos do sábado; em todo o Seu ensino Ele mostrou
reverência pela instituição que Ele mesmo dera. Em Seus dias o sábado tinha-se tornado tão pervertido que sua observância
refletia o caráter de homens egoístas e arbitrários, antes que o caráter de Deus. Cristo pôs de lado o falso ensino pelo qual os que
proclamavam conhecer a Deus O tinham deformado. Embora seguido com impiedosa hostilidade pelos rabis, Ele não pareceu
sequer conformar-Se a suas exigências, mas prosseguiu retamente, guardando o sábado de acordo com a lei de Deus.

Em linguagem que não pode deixar de ser compreendida, Ele testificou de Sua consideração pela lei de Jeová. "Não cuideis que Eu
vim destruir a lei ou os profetas", declarou; "não vim ab-rogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a
Terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido. Qualquer pois que violar um destes mais
pequenos mandamentos, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos Céus; aquele, porém, que os cumprir e
ensinar será chamado grande no reino dos Céus". Mateus 5:17-19.

Durante a dispensação cristã, o grande inimigo da felicidade do homem fez do sábado do quarto mandamento um objeto de
ataque especial. Satanás diz: "Eu atravessarei os propósitos de Deus. Capacitarei meus seguidores a porem de lado o memorial de
Deus, o sábado do sétimo dia. Assim, mostrarei ao mundo que o dia abençoado e santificado por Deus foi mudado. Esse dia não
perdurará na mente do povo. Apagarei a lembrança dele. Porei em seu lugar um dia que não leve as credenciais de Deus, um dia
que não seja um sinal entre Deus e Seu povo. Levarei os que aceitarem este dia a porem sobre ele a santidade que Deus pôs sobre
o sétimo dia.

"Através de meu representante, engrandecerei a mim mesmo. O primeiro dia será exaltado, e o mundo protestante receberá este
sábado falso como genuíno. Através da não observância do sábado que Deus instituiu, levarei Sua lei ao menosprezo. As palavras:
'Um sinal entre Mim e vós por todas as vossas gerações', farei que se prestem para o meu sábado.

"Assim o mundo tornar-se-á meu. Eu serei o governador da Terra, o príncipe do mundo. Controlarei assim as mentes sob meu
poder para que o sábado de Deus seja um objeto especial de desprezo. Um sinal? — eu farei a observância do sétimo dia um sinal
de deslealdade para com as autoridades da Terra. As leis humanas serão feitas tão rígidas que os homens e mulheres não ousarão
observar o sábado do sétimo dia. Pelo temor de que lhes venha a faltar alimento e vestuário, eles se unirão com o mundo na
transgressão da lei de Deus. A Terra estará inteiramente sob meu domínio".

Através do estabelecimento de um falso sábado o inimigo pensou mudar os tempos e as leis. Mas tem tido ele realmente êxito em
mudar a lei de Deus? As palavras do capítulo 31 de Êxodo são a resposta. Aquele que é o mesmo ontem, hoje e eternamente
declarou do sábado do sétimo dia: "É um sinal entre Mim e vós nas vossas gerações". "Será um sinal para sempre". Êxodo 31:13,
17. A placa virada está indicando um caminho caminho errado, mas Deus não mudou. Ele ainda é o poderoso Deus de Israel. "Eis
que as nações são consideradas por Ele como a gota de um balde, e como o pó miúdo das balanças; eis que lança por aí as ilhas
como a uma coisa pequeníssima. Nem todo o Líbano basta para o fogo, nem os seus animais bastam para holocaustos. Todas as
nações são como nada perante Ele; Ele considera-as menos do que nada e como uma coisa vã". Isaías 40:15-17. Ele é tão zeloso de
Sua lei agora como o era nos dias de Acabe e de Elias.

Mas como é esta lei desrespeitada! Vede o mundo hoje em aberta rebelião contra Deus. Esta é na verdade uma geração
obstinada, carregada de ingratidão, de formalismo, de insinceridade, de orgulho e apostasia. Os homens negligenciam a Bíblia e
odeiam a verdade. Jesus vê Sua lei rejeitada, Seu amor desprezado, Seus embaixadores tratados com indiferença. Ele tem falado
por intermédio de Suas misericórdias, mas estas não têm sido reconhecidas; tem falado por meio de advertências, mas estas não
têm sido ouvidas. O santuário da alma humana tem-se tornado lugar de não santificado intercâmbio. Egoísmo, inveja, orgulho,
malícia — tudo é aí acariciado.
Muitos não hesitam em escarnecer da Palavra de Deus. Os que crêem nesta Palavra logo que a lêem são postos em ridículo. Há
um crescente menosprezo pela lei e a ordem, oriundo diretamente da violação das claras ordenações de Jeová. A violência e o
crime são o resultado do afastamento do caminho da obediência. Vede o infortúnio e miséria de multidões que adoram no altar
de ídolos, e que buscam em vão felicidade e paz.

Considerai o quase universal desrespeito ao mandamento do sábado. Vede também a atrevida impiedade dos que, ao mesmo
tempo que estão promulgando leis para a salvaguarda do supostamente santificado primeiro dia da semana, estão também
legislando no sentido de legalizar o comércio do álcool. Revelando astuta sabedoria, eles procuram coagir a consciência dos
homens, ao mesmo tempo que outorgam sua sanção a um mal que brutaliza e destrói os seres criados à imagem de Deus. É
Satanás em pessoa que inspira tal legislação. Ele sabe muito bem que a maldição de Deus recairá sobre os que exaltam
proposições humanas acima do divino; e faz tudo que está em seu poder para levar os homens à estrada larga que termina em
destruição.

Tanto tempo têm os homens cultuado opiniões humanas e humanas instituições, que o mundo inteiro, quase, está indo após os
ídolos. E aquele que se tem esforçado por mudar a lei de Deus está usando todo enganoso artifício para induzir homens e
mulheres a se formarem contra Deus e contra o sinal pelo qual os justos são conhecidos. Mas o Senhor não permitirá sempre que
Sua lei seja quebrada e desprezada com impunidade. Tempo virá quando "os olhos altivos dos homens, serão abatidos, e a altivez
dos varões será humilhada, e só o Senhor será exaltado naquele dia". Isaías 2:11. O ceticismo pode ameaçar os reclamos da lei de
Deus com zombaria e contestação. O espírito de mundanidade pode contaminar a muitos e controlar alguns; a causa de Deus
pode conservar sua posição unicamente mediante grande esforço e contínuo sacrifício; mas no final a verdade triunfará
gloriosamente.

Na consumação da obra de Deus na Terra, a norma de Sua lei será de novo exaltada. A falsa religião pode prevalecer, a iniqüidade
se generalizar, o amor de muitos esfriar, a cruz do Calvário pode ser perdida de vista, e as trevas, como um manto de morte,
podem espalhar-se sobre o mundo; toda a força da corrente popular pode ser voltada contra a verdade; trama após trama pode
ser formada para aniquilar o povo de Deus; mas na hora de maior perigo, o Deus de Elias levantará instrumentos humanos para
dar uma mensagem que não será silenciada. Nas populosas cidades da Terra, e nos lugares onde os homens têm ido mais longe
em falar contra o Altíssimo, a voz de severa repreensão será ouvida. Corajosamente, homens indicados por Deus denunciarão a
união da igreja com o mundo. Com fervor chamarão a homens e mulheres para que voltem da observância de uma instituição de
feitura humana para a guarda do verdadeiro sábado. "Temei a Deus e dai-Lhe glória", proclamarão a toda nação, "porque vinda é
a hora do Seu juízo. E adorai Aquele que fez o céu, e a Terra, e o mar, e as fontes das águas. ... Se alguém adorar a besta, e a sua
imagem, e receber o sinal na sua testa, ou na sua mão, também o tal beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não
misturado, no cálice da Sua ira". Apocalipse 14:7-10.

Deus não quebrará Seu concerto, nem alterará aquilo que saiu de Seus lábios. Sua Palavra permanecerá firme para sempre, tão
inalterável como Seu trono. Por ocasião do juízo, este concerto será manifesto, claramente escrito com o dedo de Deus; e o
mundo será citado perante a barra da Justiça Infinita para receber a sentença.

Hoje, como nos dias de Elias, a linha de demarcação entre o povo que guarda os mandamentos de Deus e os adoradores de falsos
deuses está claramente definida. "Até quando coxeareis entre dois pensamentos?" clamou Elias; "se o Senhor é Deus, segui-O; e
se Baal, segui-o". 1 Reis 18:21. E a mensagem para hoje é: "Caiu, caiu a grande Babilônia. ... Sai dela, povo Meu, para que não sejas
participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas. Porque já os seus pecados se acumularam até ao Céu, e
Deus Se lembrou das iniqüidades dela". Apocalipse 18:2, 4, 5.

Não está longe o tempo quando virá a prova a cada alma. A observância do falso sábado será imposta sobre todos. A controvérsia
será entre os mandamentos de Deus e os mandamentos dos homens. Os que passo a passo têm-se rendido às exigências
mundanas e se conformado a mundanos costumes, então render-se-ão aos poderes existentes, em vez de se sujeitarem ao
escárnio, ao insulto, às ameaças de prisão e morte. Nesse tempo o ouro será separado da escória. A verdadeira piedade será
claramente distinguida da piedade aparente e fictícia. Muitas estrelas que temos admirado por seu brilho tornar-se-ão trevas. Os
que têm cingido os ornamentos do santuário, mas não estão vestidos com a justiça de Cristo, aparecerão então na vergonha de
sua própria nudez.

Entre os habitantes do mundo, espalhados por toda a Terra, há os que não têm dobrado os joelhos a Baal. Como as estrelas do
céu, que aparecem à noite, esses fiéis brilharão quando as trevas cobrirem a Terra, e densa escuridão os povos. Na África pagã,
nas terras católicas da Europa e da América do Sul, na China, na Índia, nas ilhas do mar e em todos os escuros recantos da Terra,
Deus tem em reserva um firmamento de escolhidos que brilharão em meio às trevas, revelando claramente a um mundo apóstata
o poder transformador da obediência a Sua lei. Mesmo agora eles estão aparecendo em toda nação, entre toda língua e povo; e
na hora da mais profunda apostasia, quando o supremo esforço de Satanás for feito no sentido de que "todos, pequenos e
grandes, ricos e pobres, livres e servos" (Apocalipse 13:16), recebam, sob pena de morte, o sinal de submissão a um falso dia de
repouso, esses fiéis, "irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e perversa",
resplandecerão "como astros no mundo". Filipenses 2:15. Quanto mais escura a noite, com maior brilho eles refulgirão.

Que estranha obra Elias teria feito enumerando Israel, quando os juízos de Deus estavam caindo sobre o povo apostatado Ele
podia contar somente um do lado do Senhor. Mas quando disse: "Só eu fiquei, e buscam a minha vida para ma tirarem", a palavra
do Senhor o surpreendeu: "Fiz ficar em Israel sete mil: todos os joelhos que se não dobraram a Baal". 1 Reis 19:14, 18.

Que nenhum homem procure numerar Israel hoje, mas cada um tenha um coração de carne, um coração de branda simpatia, um
coração que, à semelhança do coração de Cristo, se expanda para a salvação de um mundo perdido. PR 88.1 - PR 94.3
A pessoa cujo rosto reconheci quando a vi, era conhecida como Sra. I. Vi que sua vida não se destacava pela humildade que
deveria caracterizar os seguidores de Cristo. Quando pobres mortais, apesar de sua alta profissão de fé, tornam-se justos aos
próprios olhos, então Jesus permite que se enganem a si mesmos. Vi que essa mulher influenciou a outros e alguns se uniram a
ela para expor as visões ao ridículo. Esses irão responder a Deus por isso, pois cada palavra de menosprezo contra a luz que Deus
achou conveniente comunicar pelo modo que Ele próprio escolheu, é registrada.

Foi me mostrada ainda outra mulher que não se uniu ao povo a quem Deus está dirigindo. O espírito da verdade não habita em
seu coração e ela tem feito a obra que agrada ao inimigo de todo bem, para distrair e confundir as mentes. (Reconheci essa
mulher no último dia de reunião, a qual ela deixou antes do encerramento.) Ela é uma grande faladora e está sempre pronta a
ouvir e contar alguma coisa nova, demorando-se sobre o que ela entende ser erros dos outros, e declarando que suas más
conjecturas são discernimento. Ela atribui luz à escuridão e a escuridão chama luz e, por qualquer pretexto, faz longas orações.
Aprecia ser aprovada e considerada justa; assim, engana alguns. Tenciona ensinar a outros e pensa que Deus a instrui de modo
especial, preterindo os demais. Mas a verdade não acha lugar em seu coração. T1 331.2 - T1 332.1

Dois terços daqueles empenhados na obra têm estado mortos por cederem a influências erradas. Elas têm estado onde Deus não
podia impressioná-las por Seu Santo Espírito. E, oh!, como me dói o coração quando vejo que tanto tempo passou e a grande obra
que podia ter sido feita é deixada por fazer porque aqueles em posições importantes não têm andado na luz! Satanás tem estado
preparado para simpatizar-se com as pessoas em função sagrada e dizer-lhes que Deus não requer delas tanto zelo e interesse
desprendido e devoto como o irmão White espera; e eles se acomodam descuidadamente na poltrona de Satanás, e o inimigo
sempre vigilante e perseverante as amarra em cadeias de trevas enquanto pensam que tudo lhes vai bem. Satanás atua à sua
direita, à sua esquerda e a seu redor, e elas não o sabem. Chamam as trevas luz, e luz trevas. T3 206.3

Deus os ama a ambos e deseja salvá-los com abundante salvação. Mas não pode ser do seu modo, e sim do modo apontado por
Deus. Vocês precisam cumprir as condições expostas nas Escrituras da verdade, e Deus cumprirá Sua parte tão certamente como
Seu trono é seguro. Porque as admoestações que Deus envia a Seu povo são humilhantes à natureza humana, você não deve, meu
irmão, levantar-se contra estas reprovações e advertências. Você precisa morrer cada dia, experimentar uma crucifixão diária do
eu.

De acordo com a luz que Deus me deu em visão, maldade e engano estão aumentando entre o povo de Deus que professa guardar
Seus mandamentos. Discernimento espiritual para ver o pecado como ele existe, e então expulsá-lo do acampamento, está
diminuindo entre o povo de Deus; e cegueira espiritual está rapidamente vindo sobre eles. O testemunho franco precisa ser
reavivado, e ele vai separar de Israel aqueles que já estiveram em guerra com os meios que Deus ordenou para manter a
corrupção fora da igreja. Erros precisam ser chamados erros. Pecados graves precisam ser chamados por seu nome exato. Todo o
povo de Deus deve achegar-se mais perto dEle e lavar suas vestes de caráter no sangue do Cordeiro. Então verão o pecado na luz
verdadeira e reconhecerão quão ofensivo ele é à vista de Deus.

Pareceu de pouca importância a nossos primeiros pais, quando tentados, transgredir o mandamento de Deus num pequeno ato, e
comer da árvore que era "agradável aos olhos" e "boa para se comer". Gênesis 3:6. Aos transgressores era isto apenas um
pequeno ato, mas que destruiu sua lealdade para com Deus e abriu um dilúvio de dor e culpa que inundou o mundo. Quem pode
prever, no momento da tentação, as terríveis conseqüências que resultarão de um passo errado e apressado! Nossa única
segurança é abrigarmo-nos na graça de Deus cada momento, não confiando em nossa própria visão espiritual, para que não
chamemos ao mal bem, e ao bem chamemos mal. Sem hesitação ou debate, precisamos cerrar e guardar as entradas da alma
contra o mal.

Custar-nos-á esforço conseguir a vida eterna. Será somente por meio de longo e perseverante esforço, severa disciplina e árduo
conflito que sairemos vitoriosos. Mas, se nós, paciente e decididamente, no nome do Vitorioso que venceu em nosso benefício no
deserto da tentação, vencermos assim como Ele o fez, alcançaremos a recompensa eterna. Nossos esforços, nossa abnegação e
perseverança devem ser proporcionais ao infinito valor do objetivo que perseguimos. T3 323.3 - T3 324.3

Prezados irmãos e irmãs em Battle Creek:

Entendo que o testemunho* que enviei ao irmão _____, com a recomendação de que fosse lido para a igreja, foi retido de vocês
por várias semanas após ter sido recebido por ele. Antes de enviar esse testemunho, minha mente foi tão impressionada pelo
Espírito de Deus, que eu não tive descanso nem de dia nem de noite até escrevê-lo e enviar a vocês. Esse não foi um trabalho que
eu teria escolhido por mim mesma. Antes da morte de meu marido, eu havia decidido que não era meu dever dar testemunho a
quem quer que fosse como reprovação de erros ou em reivindicação do direito, porque pessoas se valeram de minhas palavras
para tratar duramente os culpados, e para exaltar outros cuja conduta eu não teria, de forma alguma, endossado. Muitos usam os
testemunhos do modo que lhes convêm. A verdade divina não está em harmonia com as tradições dos homens, nem se conforma
às suas opiniões. Como seu divino Autor, ela é imutável e a mesma ontem, hoje e eternamente. Aqueles que se afastaram de Deus
chamam à luz trevas e ao erro verdade. Porém, a escuridão nunca se provará ser luz nem o erro poderá tornar-se verdade.

A mente de muitos está tão obscurecida e confundida pelos costumes, práticas e influências mundanas, que todo o poder para
distinguir entre luz e trevas, verdade e erro dá a impressão de ter sido destruído. Tenho pouca esperança de que minhas palavras
sejam compreendidas, mas, quando o Senhor repousa sobre mim tão decididamente, não posso resistir ao Seu Espírito. Sabendo
que vocês estão presos às armadilhas de Satanás, sinto que me é muito grande o perigo de manter silêncio. t5 [Link] - T5
62.3

Sem fé é impossível agradar a Deus; pois "tudo que não é de fé é pecado". Romanos 14:23. A fé exigida não é uma simples
aceitação de doutrinas; é a fé que opera por amor e purifica a vida. A humildade, a mansidão e a obediência não são fé; mas são
os efeitos, ou frutos da fé. Essas graças vocês têm ainda de obter aprendendo na escola de Cristo. Vocês não conhecem os
sentimentos e princípios do Céu; sua linguagem é quase um idioma estranho para ambos. O Espírito de Deus ainda intercede em
seu favor; mas tenho sérias e dolorosas dúvidas se darão ouvidos àquela voz que lhes tem estado a chamar por anos. Espero que
sim, e que se volverão, e viverão.

Julgam ser demasiado grande sacrifício consagrar seu pobre e indigno eu a Jesus? Preferirão a irremediável servidão do pecado e
da morte, a separar sua vida do mundo, e uni-la a Cristo pelos laços do amor? Jesus vive ainda para interceder por nós. Isso deve
despertar dia a dia o reconhecimento de nosso coração. Aquele que avalia sua culpa e desamparo, pode ir exatamente assim
como está, e receber a bênção de Deus. Pertence-lhe a promessa, uma vez que dela se apodere pela fé. Aquele, porém, que é rico
aos próprios olhos, e digno de honra, e justo, que vê como vê o mundo, e chama ao mal bem e ao bem mal, não pode pedir e
receber, porquanto não sente necessidade alguma. Julga-se cheio; portanto, tem de sair vazio. T5 437.2 - T5 438.1

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