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Roubo Majorado: Sentença de Lariel Rodrigues

O documento descreve uma ação penal movida contra Lariel da Silva Rodrigues por roubo majorado. Foi realizada audiência de instrução e julgamento onde foram coletados depoimentos das vítimas e do réu. O Ministério Público requereu a condenação do réu.

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Roubo Majorado: Sentença de Lariel Rodrigues

O documento descreve uma ação penal movida contra Lariel da Silva Rodrigues por roubo majorado. Foi realizada audiência de instrução e julgamento onde foram coletados depoimentos das vítimas e do réu. O Ministério Público requereu a condenação do réu.

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PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PIAUÍ

3ª Vara Criminal de Teresina DA COMARCA DE TERESINA


Praça Edgard Nogueira, Cabral, TERESINA - PI - CEP: 64000-830

PROCESSO Nº: 0001365-55.2018.8.18.0140


CLASSE: AÇÃO PENAL - PROCEDIMENTO ORDINÁRIO (283)
ASSUNTO(S): [Roubo Majorado]
AUTOR: MINISTÉRIO MPUBLICO DO ESTADO DO PIAUI

REU: LARIEL DA SILVA RODRIGUES

SENTENÇA

I – RELATÓRIO

Trata-se de ação penal ajuizada pelo Ministério Público

Estadual em desfavor de LARIEL DA SILVA RODRIGUES, brasileiro,


natural de Teresina/PI, nascido em 14/03/1999, filho de Francisca

Regina e Silva Gomes e Ozandir de Sousa Rodrigues, RG 4.742.307,


dando-o como incursos nas sanções penais previstas nos art.

157, §2º, incisos I e II, do Código Penal (redação anterior à Lei nº


13.654/2018).

Acompanha a denúncia, o inquérito policial n°

001.752/2ºDP/2018.

Segundo consta da denúncia: “(…) no dia 05 de março de


2018, por volta das 11h40min, no estúdio de tatuagens “Maciel Tatoo”,

localizado na Avenida Alameda Parnaíba, nº 198, bairro Marquês,

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nesta capital, NARIEL DA SILVA RODRIGUES e outro indivíduo não

identificado, subtraíram, mediante ameaça e emprego de arma de fogo,


a quantia de R$ 150,00 (cento e cinquenta reais) pertencente à vítima
Marcelo Italo de Aguiar Soares e 01 (um) aparelho celular da marca
SAMSUNG J5 pertencente à vítima Janisleyde Silva Campos.”

A denúncia foi recebida em 10/04/2018.

O acusado foi citado pessoalmente e ofereceu resposta à


acusação, através de advogado.

Decisão proferida em 02.08.2018 ratificou os termos da

decisão de recebimento da denúncia e designou audiência de instrução


e julgamento.

Sobreveio decisão datada de 26.07.2021 revogando a medida


extrema.

Certidão de antecedentes criminais (id 26625515).

Durante a instrução foram coletados os depoimentos das


vítimas (MARCELO ÍTALO DE AGUIAR SOARES e JANISLEYDE
SILVA CAMPOS) com aplicação do art. 217 do CPP. Ato contínuo, o
réu foi interrogado.

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A mídia restou colhida conforme certidão id 26599683.

Em memoriais (id 26891440), o órgão acusatório requereu


seja a presente Ação Penal julgada PROCEDENTE, com a
consequente condenação do acusado LARIEL DA SILVA RODRIGUES
pela prática do delito descrito no artigo 157, §2º, inciso II, e § 2º-A,

inciso I, do Código Penal.

Em suas alegações finais a defesa requereu a fixação da


pena base no mínimo legal, reconhecendo a atenuante da confissão

espontânea (id 27193206).

É o sucinto relatório.

Decido.

II – FUNDAMENTAÇÃO

Presentes as condições da ação e os pressupostos

processuais, passo ao exame do mérito, seguindo em toda sua


plenitude o princípio da motivação judicial previsto no art. 93, IX, da
Constituição Federal de 1988, e no art. 489, §1º, do Novo CPC (Lei
Federal nº 13.105/2015) c/c art. 3º do CPP; não se olvidando, ainda, ao

devido respeito aos precedentes judiciais oriundos dos tribunais

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superiores e do egrégio TJPI, conforme regra processual prevista no

art. 927, incisos I a V, do CPC c/c art. 3º do CPP.

A) Das questões preliminares

O feito se encontra saneado, sem qualquer questão preliminar


(ou prejudicial) pendente(s) de apreciação, razão pela qual passo ao

exame do mérito.

B) Do mérito

B1) Da materialidade, autoria e tipicidade delitiva

MATERIALIDADE

A materialidade do crime encontra-se demonstrada através

da juntada do Inquérito Policial nº 001.752/2ºDP/2018, dos


depoimentos em sede judicial e dos demais elementos presentes no
feito.

AUTORIA

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A autoria também restou comprovada, diante dos

depoimentos coletados em sede judicial e reconhecimento de pessoa.


Além disso, o acusado confessou a prática do delito.

Ouvida em juízo, a vítima MARCELO ÍTALO DE AGUIAR


SOARES relatou o seguinte: “(…) “Que era por volta das 10h ou 11h30

da manhã; Que na época o estúdio de tatuagem era dividido por baias,


onde ficavam dispostas as macas e os artistas; Que o primeiro rapaz
da dupla de bandidos entrou e se dirigiu até a última baia, na qual se

encontrava CARLOS MACIEL, um dos proprietários do

estabelecimento; Que o criminoso não chegou nem a se passar por

cliente, ele já entrou e foi direto anunciando o assalto; Que o outro


criminoso ficou na porta, recolhendo os celulares dos demais clientes

que estavam na recepção; Que a vítima CARLOS MACIEL não sabia


se o criminoso que chegou perto dele estava armado ou não, então ele

reagiu ao assalto e abraçou o assaltante, começando uma luta


corporal; Que o comparsa desse assaltante, o que tinha ficado mais
pra fora, na porta, sacou uma arma e efetuou pelo menos três

disparos; Que no meio daquela confusão, os disparos foram efetuados


contra o primeiro assaltante e o CARLOS MACIEL; Que os disparos
atingiram o acusado LARIEL; Que foi roubado dele a quantia de cento
e cinquenta reais, a qual nunca recebeu de volta; Que não se recorda

exatamente qual dos dois recolheu esse dinheiro dele, mas acha que
foi o LARIEL, por que a sua carteira estava na bancada e o único que
ele conseguiu observar bem por que chegou mais perto e entrou mais
no salão, foi o LARIEL; Que o segundo criminoso ficou mais próximo
da porta mesmo; Que os tiros que atingiram LARIEL foram os

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efetuados pelo próprio comparsa dele; Que depois dos tiros, LARIEL já

baleado, se encaminhou pro fundo do estúdio, onde fica uma


barbearia; Que o criminoso ficou no chão, ensanguentado, até que logo
chegou a ambulância e o levou para o hospital; Que o segundo
assaltante se evadiu do local; Que foi para a Delegacia e ficou muito

tempo esperando, mas não viu LARIEL por lá; Que descreveu na
delegacia as características física do homem que tinha acabado de lhe
assaltar, um homem de cerca de 1,70m, magro, moreno e

aproximadamente 27 anos; Que não tem dúvidas de que a pessoa que

foi baleada dentro do estúdio é o LARIEL; Que se lembra inclusive que


enquanto ele estava baleado, pessoas do local perguntaram o nome do

bandido, e ele mesmo disse que se chamava ‘LARIEL’; Que não

conhecia o assaltante antes daquele dia mas que o viu muito bem; Que
o rosto do LARIEL não estava coberto no dia; Que reconhece sem

dúvidas que o homem presente na audiência é aquele que cometeu o

roubo e foi alvejado no dia do crime (…)”

A segunda vítima ouvida, JANISLEYDE SILVA CAMPOS,

afirmou que: ““Que havia agendado para fazer uma tatuagem naquele
dia no estúdio do Maciel; Que acabou chegando mais tarde do que o
previsto, por volta das 10h; Que observou que entraram dois rapazes
mais jovens do que os demais, mas que não desconfiou de nada; Que

de repente um dos dois homens que chegaram juntos, bateu no seu


ombro e verbalizou ‘PASSA O CELULAR. NÃO CORRE. DO JEITO
QUE TÁ, FICA’; Que ela estava sentada no sofá, de costas para a
vidraça, e por isso não tinha percebido ainda que estava acontecendo
o assalto; Que entregou o celular e permaneceu no mesmo lugar; Que

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ouviu os tiros e se assustou; Que pulou para detrás do sofá para se

proteger; Que logo em seguida um dos homens correu e saiu do


estabelecimento; Que ela ouviu alguém falando ‘UM FOI BALEADO’;
Que o celular roubado era modelo Samsung J5; Que havia pago
apenas uma parcela até então e nunca conseguiu recuperar o

aparelho; Que o bandido que conseguiu fugir, saiu com o celular dela e
ela soube que também com o dinheiro de outra vítima; Que depois que
o criminoso correu e fugiu, ela não chegou a ir olhar o que tava

baleado, por que estava com medo e ficou do lado de fora; Que soube

que o criminoso alvejado, tinha sido baleado no abdômen; Que a


polícia e o SAMU chegaram bem rápido; Que ela foi até a Central de

Flagrantes para prestar o depoimento dela, mas não chegou a fazer o

reconhecimento do acusado; Que não consegue apontar o acusado


LARIEL como o que pegou seu celular, pois foi tudo muito rápido e ela

ficou de costas na maior parte do tempo”.

Ressalta-se que a palavra da vítima, quando prestada de


forma coerente e uníssona, tem especial relevância, principalmente em

delitos dessa natureza. Além disso, não se extraem das provas


colacionadas indícios de que tenha a vítima se equivocado ou agido
com má-fé no intuito de prejudicar o acusado, circunstância que,
fundadas em elementos concretos, serviriam para reduzir a força

probante de seus relatos.

Indo adiante, há que se salientar que, em sede de crimes


patrimoniais, praticados, em sua maioria, na clandestinidade,
configura-se preciosa a palavra da vítima para o reconhecimento

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do autor e aferição das circunstâncias do delito.

Sobre as declarações da vítima, a doutrina preleciona:

"(...) Todavia, como se tem assinalado na doutrina e


jurisprudência, as declarações do ofendido podem
ser decisivas quando se trata de delitos que se
cometem às ocultas (...) São também sumamente

valiosas quando incidem sobre o proceder de

desconhecidos, em que o único interesse do lesado é


apontar os verdadeiros culpados e narrar-lhes a
atuação e não acusar inocentes. É o que ocorre, por
exemplo, nos crimes de roubo, extorsão mediante

sequestro, etc." (Júlio Fabrini Mirabete - in Processo

Penal - Editora Atlas - 2ª ed. - página 279).

Dúvidas não pesam, portanto, em relação à autoria do crime


praticado pelo réu. Portanto, quanto ao crime de roubo, previsto no art.

157, do CP, imputado ao acusado, imperiosa a condenação, uma


vez ter restado incontroversa a autoria deste.

No que se refere ao exaurimento do delito, percebe-se que

restou consumado, tendo o acusado percorrido todas as etapas do “iter


criminis”, consoante as provas analisadas nos autos.

O STJ, acerca do tema, editou a Súmula 582, confira-se:

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Súmula 582 do STJ: “Consuma-se o crime de

roubo com a inversão da posse do bem mediante


emprego de violência ou grave ameaça, ainda
que por breve tempo e em seguida à perseguição
imediata ao agente e recuperação da coisa

roubada, sendo prescindível a posse mansa e


pacífica ou desvigiada”.

No caso, houve a inversão da posse da res, mediante grave

ameaça, consistente em utilização de arma de fogo, o que basta para

a consumação do roubo. Além de típica, congruente com o disposto


no art. 157, caput, do Código Penal, é a conduta do acusado

antijurídica, visto não haver causa de exclusão da ilicitude, e culpável,


sendo o agente imputável, tendo plena consciência da ilicitude de seus

atos, sendo-lhe exigível conduta diversa.

MAJORANTE DO EMPREGO DE ARMA (art. 157, § 2º,


inciso I, do CP)

É sabido que, com advento da Lei n°13.654 de 2018, em

vigor desde 23 de abril de 2018, foi revogado o inciso I, do artigo 157,


que previa a majorante pelo emprego de arma no crime de roubo.

Evidente que é uma lei mais benéfica para o réu, uma vez

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que, agora, apenas é punida, com a fração de aumento na terceira fase

da dosimetria da pena, apenas a utilização de arma de fogo no crime


de roubo, conforme redação do inciso I do §2º-A do artigo 157, do
Código Penal.
Neste sentido, Cezar Roberto Bitencourt, explica que:

“Toda lei penal, seja de natureza processual, seja de

natureza material, que, de alguma forma, amplie as

garantias de liberdade do indivíduo, reduza as proibições


e, por extensão, as consequências negativas do crime,
seja ampliando o campo de licitude penal, seja abolindo

tipos penais, seja refletindo nas excludentes de

criminalidade ou mesmo nas dirimentes de culpabilidade,

é considerada lei mais benigna, digna de receber, quando


for o caso, os atributos da retroatividade e da própria

ultratividade penal.” ( BITENCOURT, Cezar Roberto.


Tratado de Direito Penal: parte geral. v. 1. 23. ed. São

Paulo: Saraiva. p. 218.)

Tenho que, em decorrência das declarações colhidas da


vítima, restou cristalinamente comprovada a sua utilização para a
prática delitiva.

Segundo lecionado pela doutrina:

“O emprego de arma agrava especialmente a pena

em virtude de sua potencialidade ofensiva,

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conjugada com o maio poder de intimidação sobre a

vítima. Os dois fatores, na verdade, devem estar


reunidos para efeitos de aplicação da majorante”.
(...). (GREGO, Rogério, Curso de Direito Penal,
Parte Especial, p. 642).

A respeito do assunto, torna oportuno trazer à baila lições

do eminente Prof. MÁRCIO ANDRÉ LOPES CAVALCANTE em que

presta os devidos esclarecimentos quanto à jurisprudência das Cortes


Superiores referente as peculiaridades existentes no roubo

circunstanciado pelo emprego de arma, nestes termos:

“– Roubo circunstanciado pelo emprego de arma

[Grifo no Original]

(...)

3) É necessário que a arma utilizada no roubo seja


apreendida e periciada para que incida a majorante?

NÃO. O reconhecimento da causa de aumento


prevista no art. 157, §2º., I, do Código Penal
prescinde (dispensa) da apreensão e da realização
de perícia na arma, desde que provado o seu uso no
roubo por outros meios de prova.

Se o acusado alegar o contrário ou sustentar a


ausência de potencial lesivo na arma empregada

para intimidar a vítima, será dele o ônus de

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produzir tal prova, nos termos do art. 156 do

Código de Processo Penal [Grifo Nosso]” In


“VADE MECUM DE JURISPRUDÊNCIA Dizer o
Direito. Editora JusPODIVM, 4ª edição, ano 2018,
página 715.

Destarte, a não apreensão da arma, não é capaz de, por si

só, afastar a qualificadora do inciso I, do §2º-A, do art. 157, do CP,

revelando ônus da defesa, na forma do art. 156 do CPP, a


comprovação de que se tratava de simulacro ou a ausência de

potencialidade lesiva utilizada durante o roubo).

Logo, deve incidir a causa de aumento quando da fixação da


pena.

MAJORANTE DO CONCURSO DE PESSOAS (art. 157, §2°,

inciso II, CP)

Também restou evidenciado o concurso de pessoas em face


do vínculo psicológico existente entre os agentes, que agiram com

propósitos idênticos, coexistindo o conhecimento da conduta delituosa


e a vontade delitiva voltada a um fim comum (art. 157, § 2º, II, do CP).

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Nesse diapasão, a pluralidade de pessoas ensejou um maior

grau de intimidação para as vítimas, facilitando pois, a prática do delito


cometido, de maneira que deve incidir a causa de aumento prevista
no art. 157, §2º, inciso II, do CP.

III – DISPOSITIVO

Pelo exposto, e por tudo mais que consta nos autos, julgo
procedente, em parte, a pretensão acusatória deduzida na

denúncia, para submeter o acusado LARIEL DA SILVA RODRIGUES,


nas sanções penais previstas no art. 157, §2º, incisos I e II, do

Código Penal (redação à Lei n. 13.654/18).

O promovido é tecnicamente primário (id 26625515).

Na segunda fase da dosimetria da pena, deve-se atentar para

o fato de que o sentenciado confessou a prática do delito e à época


dos fatos possuía idade inferior a 21 (vinte e um) anos.

Nos termos do art. 5º, inciso XLVI, da Constituição Federal de


1988, e atento às diretrizes do art. 68, caput, do Código Penal (sistema

trifásico), com vistas a estabelecer uma justa e adequada resposta


penal do Estado, capaz de atender aos princípios da necessidade e
suficiência, para repressão e prevenção dos crimes, passo à

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individualização da pena.

1ª FASE: Circunstancias Judiciais – art. 59 do CP

É certo que o requerido possui ações penais em andamento,

mas elas não podem ser consideradas como maus antecedentes ante
o princípio da presunção de inocência, nos termos da Súmula 444 do
STJ.

1. Culpabilidade: normal à espécie, nada havendo a valorar, não

tendo se configurado exacerbação da intensidade do dolo ou outro

elemento que possa justificar uma maior censura ou repreensão;


2. Antecedentes: o acusado não possui condenação com trânsito em

julgado, por fato anterior, nada havendo a valorar;


3. Conduta Social: A mera suposição de envolvimento criminal

materializada por investigação ou ação penal em andamento não


pode refletir em valoração negativa da conduta do agente, sob

pena de ofensa ao art. 5°, inciso LVII, da CF (STJ, HC


n°81866/DF). Portanto, não há elementos concretos que venham a
desabonar o seu modo de vida, ou seja, sua interação com o meio
em que convive;
4. Personalidade: Trata-se de valoração da história pessoal da vida

de cada pessoa, da sua índole, dos antecedentes biopsicológicos.

Não há elementos que possam informar a respeito da


personalidade do agente, não podendo esta omissão ser levada
em conta em seu desfavor;

5. Motivos do Crime: estão relacionados ao objetivo perverso de

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lucro fácil, em prejuízo da propriedade e liberdade alheias;
6. Circunstâncias do Crime: o emprego de arma e o modo concursal

já constituem causa de aumento;

7. Consequências: não é gravosa, porque não extrapola os próprios

limites da figura típica e por ter sido a vítima restituída;


8. Comportamento da vítima: em nada determinou ou incentivou a

prática delitiva, eis que Raimunda estava em seu local de trabalho

quando foi abordada pelos agentes;

Por isso, fixo a pena-base no mínimo legal, perfazendo,

assim, 4 (quatro) anos de reclusão e 10 (dez) dias-multa.

2ª FASE: ATENUANTES E AGRAVANTES

Na segunda fase de fixação da pena, reconheço a incidência

das atenuantes previstas no artigo 65, inciso III, alínea “d”, do Código
Penal (confissão espontânea) não sendo permitido, contudo, a redução

das reprimendas abaixo do mínimo legal.

Ao acolher a tese defensiva de superação da Súmula 231 do


STJ, tal fato constituiria violação aos princípios da reserva legal e da
pena determinada, ambos previstos na Constituição Federal, artigo 5º,

inc. XXXIX e art. 5º, inc. XLVI, respectivamente.

Isto significa que, a pena só pode existir em virtude de

cominação legal, não existindo discricionariedade ao magistrado para

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ultrapassar para mais ou para menos os limites impostos pelo

legislador, salvo no caso em que houver expressa permissão do


próprio legislador, ou seja, nas causas de aumento e diminuição de
pena.
Nesse sentido, consoante redação da Súmula 231 do

Superior Tribunal de Justiça, “a incidência da circunstância atenuante


não pode conduzir à redução da pena abaixo do mínimo legal”.

Assim, considerando que o reconhecimento de circunstâncias

atenuantes não pode levar à redução das penas abaixo do mínimo


legal, converto a pena estabelecida na fase anterior em

intermediária.

3ª FASE: CAUSAS DE DIMINUIÇÃO E AUMENTO DA PENA

Na terceira fase, não se encontram presente quaisquer

causas de diminuição da pena. Por outro lado, encontram-se presentes


2 (duas) causas de aumento previstas no art. 157, §2º, incisos I e II,
do CP, com redação anterior à Lei nº 13.654 de 2018.

Sob esse aspecto, em atenção a Súmula 443 do STJ,


procedo o aumento da pena no patamar de 1/3 (um terço), por
entender que inexiste motivo razoável para recrudescer a reprimenda

em patamar superior ao mínimo estipulado pelo CP.

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Por isso, torno definitiva a pena do sentenciado em 5

(cinco) anos, 4 (quatro) meses de reclusão e ao pagamento de 13


(treze) dias-multa.

Atendendo às condições econômicas do réu, arbitro cada


dia-multa no patamar mínimo, ou seja, à razão de 1/30 (um trigésimo)

do salário-mínimo vigente à época dos fatos (art. 60, CPB).

A multa deverá ser atualizada quando da execução, na

forma do art. 49, § 2º, do Código Penal Brasileiro.

Eventual isenção da pena de multa deverá ser averiguada

perante o Juiz da Execução.

Em que pese o requerimento de gratuidade, a defesa, não

trouxe documento apto a demonstrar vulnerabilidade financeira, o que,


neste momento, inviabiliza a concessão do beneplácito. Contudo, nada

obsta que venha a renovar o pedido perante as instâncias superiores


ou o Juiz da Execução.

Incabível a substituição da pena privativa de liberdade por


restritiva de direitos, em razão da ressalva posta no art. 44, inciso I, 2ª
parte, d o Código Penal (“crime não for cometido com violência ou

grave ameaça à pessoa”).

Também descabe a suspensão condicional da pena,

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por não estar presente o requisito objetivo previsto no art. 77,

caput, do Código Penal (“pena privativa de liberdade não superior


a 2 (dois) anos”).

RECURSO EM LIBERDADE

O sentenciado respondeu boa parte do processo em

segregação cautelar. Anoto, outrossim, que com as modificações na


legislação penal decorrentes da Lei nº 13.964, de 2019 (Pacote
Anticrime) é vedado ao magistrado decretar prisão preventiva de ofício.

No caso em tela, o representante do Ministério Público, em suas


alegações finais, não demonstrou a necessidade de manutenção da

medida extrema. Por outro lado, a defesa requereu a concessão do


direito de recorrer em liberdade.

Em razão disso, concedo ao sentenciado o direito de recorrer

em liberdade, restituindo-lhe liberdade plena, devendo a Secretaria do


Juízo ultimar as providências necessária junto ao CIAP, caso

necessário.

APLICAÇÃO DO § 2º, DO ART. 387 DO CPP:

Com fundamento no artigo 387, §2º, do Código de

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Processo Penal, deixo de efetuar a detração do sentenciado, eis que

preso por outro processo, estando em segregação cautelar, de forma,


que tal providência deverá ser realizada pelo Juiz da VEP, no momento
oportuno.

O condenado deverá iniciar o cumprimento da pena


imposta em regime semiaberto, à luz do art. 33, §2º, “b”, do Código

Penal.

Estabeleço a Colônia Agrícola Major César, para início


do cumprimento da pena aplicada.

Deixo de arbitrar indenização à vítima, eis que a peça inicial

não estabeleceu o quantum indenizável.

Condeno o sentenciado no pagamento de custas processuais,

observado o disposto no art. 804 do CPP.

Em conformidade com o disposto no art. 201, §2º do CPP,


proceda-se à comunicação das vítimas sobre a sentença. Não sendo

encontrados os sentenciados e/ou as vítimas nos endereços que


constam nos autos, a intimação destes deverá ser feita por meio de
edital.

Após o trânsito em julgado:

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a) proceda-se o preenchimento restante do Boletim
Individual e remessa ao Instituto de Identificação, com as formalidades
legais;

b) comunique-se ao TRE do Piauí para fins de suspensão


dos direitos políticos dos sentenciados, enquanto durarem os efeitos da

condenação (art. 15, III, da CF/88);

c) expeça-se mandado de prisão em desfavor do


sentenciado, vez que concedido o direito de recolher em liberdade,

dev e nd o s er rec olh ime nto e m est ab e lec im en to a de q ua do


(semiaberto). Após, expeça-se guia de execução definitiva à Vara de

Execução Penal desta Comarca;

d) no Juízo da Execução, providencie a Secretaria o


recolhimento da pena de multa.

Intime-se o réu, as vítimas, o representante do Ministério


Público, todos pessoalmente.

Inexistem bens apreendidos a serem destinados.

Realizadas as diligências de lei e com o trânsito em julgado


da sentença, arquivem-se os presentes autos, com baixa na

distribuição.

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Expedientes necessários.

TERESINA-PI, data registrada no sistema

Juiz(a) de Direito da 3ª Vara Criminal de Teresina

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