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Léxico e Semântica do Inglês

Enviado por

Jéssica Sansil
Direitos autorais
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SEMÂNTICA DO INGLÊS

Unidade 2
A Semântica aplicada
ao inglês
Diretor Executivo

DAVID LIRA STEPHEN BARROS

Gerente Editorial

ALESSANDRA FERREIRA

Projeto Gráfico

TIAGO DA ROCHA

Autoria

FRANCISCO THIBÉRIO ARRUDA SALES

DÉBORA HRADEC
Francisco Thibério Arruda Sales
AUTORIA

Olá! Possuo graduação em Letras pela Universidade Estadual


do Ceará (2009), especialização em Linguística pela Universidade
Estadual do Ceará (2013) e estou concluindo o mestrado em
Análise do Discurso na Universidade de Buenos Aires, Argentina.
Atualmente, sou professor universitário e conteudista. Na
Argentina, trabalho como professor de português e de Linguística
nas seguintes universidades: Universidad Nacional de Avellaneda
e Universidad Nacional de San Martin. Participo frequentemente
de jornadas universitárias, congressos e seminários de temas
relacionados à Linguística (como ouvinte e expositor). Atualmente,
elaboro livros de conjugação e expressões idiomáticas. Também
desenvolvi uma metodologia focada na Abordagem Comunicativa
Unidade 2

para o ensino de português como língua estrangeira. No Brasil,


trabalhei como professor de língua estrangeira e de Linguística em
renomadas instituições e tenho experiência de ensino tanto em
graduação quanto em pós-graduação, presencial e on-line.

Débora Hradec

Sou mestre em Tecnologia e Gestão da Educação pela FATEC/


UNESP, especialista em Língua Inglesa pela USP e bacharel em
Letras, Tradutores e Intérpretes, além de licenciada para português
e inglês, com experiência técnico-profissional de mais de 30 anos
de docência no ensino superior, tradução, interpretação, revisão e
autoria de livros didáticos. Atuei em instituições de ensino superior
como docente e em empresas privadas como tradutora. Sou
apaixonada pelo que faço e adoro transmitir minha experiência
de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por esse
motivo, fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu
elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder
ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo!

4 SEMÂNTICA DO INGLÊS
Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que:

ÍCONES
Para o início do
Houver necessidade
desenvolvimento
de apresentar um
de uma nova
novo conceito.
OBJETIVO competência. DEFINIÇÃO

Quando necessárias
As observações
observações ou
escritas tiveram que
complementações
ser priorizadas para
para o seu
NOTA IMPORTANTE você.
conhecimento.

Curiosidades e
Algo precisa ser indagações lúdicas

Unidade 2
melhor explicado ou sobre o tema em
EXPLICANDO detalhado. estudo, se forem
MELHOR VOCÊ SABIA?
necessárias.

Textos, referências Se for preciso acessar


bibliográficas um ou mais sites
e links para para fazer download,
aprofundamento do assistir vídeos, ler
SAIBA MAIS ACESSE
seu conhecimento. textos, ouvir podcast.

Se houver a
necessidade de Quando for preciso
chamar a atenção fazer um resumo
sobre algo a acumulativo das
REFLITA ser refletido ou RESUMINDO últimas abordagens.
discutido.

Quando alguma Quando uma


atividade de competência for
autoaprendizagem concluída e questões
ATIVIDADES for aplicada. TESTANDO forem explicadas.

SEMÂNTICA DO INGLÊS 5
Teoria dos atos de fala............................................................... 9
SUMÁRIO

A Teoria dos Atos de Fala.................................................................................... 9

Os teóricos Austin e Searle............................................................................... 10

Langshaw Austin.................................................................................. 10

John Searle............................................................................................ 17

Léxico da língua inglesa........................................................... 22


A Lexicografia...................................................................................................... 22

A formação do léxico na língua inglesa ......................................................... 29

Affixation ............................................................................................... 33

Conversion............................................................................................ 35

Compounding....................................................................................... 35
Unidade 2

Metáfora textual e oral em língua inglesa............................ 36


A metáfora na língua inglesa............................................................................ 38

Os tipos de metáfora em inglês....................................................................... 40

A metáfora em língua inglesa........................................................................... 46

Sinônimos e antônimos em inglês.......................................... 49


A Semântica e a sinonímia................................................................................ 49

Aspectos textuais................................................................................................ 49

Primeiros passos na coesão e coerência na língua inglesa


(Cohesion and coherence – first steps)........................................... 50

O estudo dos sinônimos e antônimos............................................................ 55

6 SEMÂNTICA DO INGLÊS
Dentro do estudo do “significado”, existe um mundo a
ser descoberto, vários aspectos linguísticos, extralinguísticos e

APRESENTAÇÃO
paralinguísticos que devem ser levados em consideração. Como
sabemos, a Semântica é o estudo do significado e. neste material.
estudaremos os seguintes componentes: teoria dos atos de fala;
Lexicografia e formação do léxico em língua inglesa; metáfora
em língua inglesa; e, por último, uso de sinônimos e antônimos.
Definitivamente, todos esses elementos estão relacionados ao
estudo da Semântica pelo simples fato de estarem relacionados
ao estudo do significado. Percebemos que definir “significado” é
algo bastante complexo e vai depender da relação da Semântica
com outras ciências, por exemplo, a Lexicografia (uma ciência
relativamente nova se compararmos com as demais). Além de
levarmos em conta o estudo do significado, faz-se necessário o

Unidade 2
estudo do contexto, pois é por meio ele que, além de entender
o significado das palavras, os interlocutores entenderão a cena
enunciativa, ou seja, como ela está sendo produzida e quais são
as circunstâncias de produção.

SEMÂNTICA DO INGLÊS 7
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 2. Temos como
principal objetivo ajudar você a desenvolver os seguintes
OBJETIVOS

aspectos para aumentar o seu conhecimento sobre a Semântica


aplicada à língua inglesa.

1. Aplicar a teoria dos atos de fala.

2. Compreender e aplicar a estrutura do léxico em língua


inglesa.

3. Utilizar a metáfora nos textos escritos e orais.

4. Empregar os elementos produtores de sentido:


sinônimos e antônimos.

Legal, não é mesmo? Com esse conjunto de informações,


você vai aprender muita coisa e, pouco a pouco, tornar-se um
Unidade 2

profissional bem qualificado!

8 SEMÂNTICA DO INGLÊS
Teoria dos atos de fala
Ao término deste capítulo, você será capaz de
conceituar o que seria a teoria dos atos de fala
proposta por Austin e Searle, compreendendo
OBJETIVO que os atos de fala podem ser divididos em:
atos locucionários, atos ilocucionários e atos
perlocucionários. Adiante!

A Teoria dos Atos de Fala


Sabemos que a Semântica está diretamente relacionada
com a Filosofia da Linguagem e o desenvolvimento da teoria dos
atos de fala não poderia ser diferente.

Unidade 2
Na Filosofia da Linguagem, a teoria pragmática de
Ludwig Wittgenstein determinou que o sentido das palavras
é fundamentado em sua utilização em diferentes interações
linguísticas. Por isso, é preciso investigar os diferentes tipos de
enunciados. Embora a teoria dos atos de fala fundamente-se na
pragmática de Wittgenstein, ela busca identificar mais além: o
que se deseja com a língua e o que é possível fazer com ela.

A teoria dos atos de fala visa estudar os sentidos que estão


por trás do ato de falar; que coisas podemos fazer pelo uso da
fala, o que nos impulsiona a falar e como é possível agir por meio
das palavras. Nessa visão teórica, a função da fala segue além
da transmissão de informações. Falar é a ação expressa; é agir
sobre o receptor, atuando também no mundo que circunda os
interlocutores, permitindo que, através dessa ação, surjam todos
os sentidos. Ou seja, expressar-se “falando” é construir os sentidos
comunicativos. Nas palavras dos teóricos, “dizer é fazer”.

Desse modo, para conseguir levantar os elementos


necessários para a construção dos enunciados, os interlocutores

SEMÂNTICA DO INGLÊS 9
têm que conhecer e compreender o contexto, ou seja, quem está
falando, onde está falando, qual o motivo de falar, com quem
está falando, e o que é falado.
Figura 1 – O ato da fala

Fonte: Freepik
Unidade 2

Os teóricos Austin e Searle


A teoria dos atos de fala surgiu da Filosofia da Linguagem,
no começo dos anos sessenta e, posteriormente, foi a pragmática
que se apropriou dela. Os filósofos da Escola Analítica de
Oxford, inicialmente com John Langshaw Austin (1911-1960),
deram origem à teoria e esta foi, posteriormente, retomada e
sistematizada por John Searle (1932).

De maneira geral, em uma visão descritiva da língua, os


linguistas e filósofos achavam que os enunciados (ou seja, as
falas) serviam para descrever as coisas, podendo, assim, ser
verdadeiros ou falsos.

Langshaw Austin
Ao levar em conta a fundamentação teórica de Wittgenstein,
Austin descobre que algumas sentenças, na realidade, são ações,

10 SEMÂNTICA DO INGLÊS
ou, ainda mais, a própria concretização das ações. Veja o exemplo
a seguir.

EXEMPLO:

Do you want to marry me?

Yes, I do.
Figura 2 – Casamento

Unidade 2
Fonte: Pixabay

Perceba que essa forma de “sim” implica em uma ação, a


ação de casar-se. Observe outro exemplo.

EXEMPLO:

Let´s go to the party!

Yes, of course.

Austin entende a sentença como: unidade linguística,


composta por uma estrutura gramatical e que apresenta
significado. Visto que Austin interpreta a linguagem como forma

SEMÂNTICA DO INGLÊS 11
de ação, segundo ele, deve-se levar em consideração o contexto,
a finalidade comunicacional e o respeito às normas e convenções
da língua em geral.

Embora Austin tenha se fundamentado na pragmática


de Wittgenstein, para ele, o conceito de que uma afirmação
serve para descrever o estado de coisas, restringindo-se a ser
simplesmente verdadeira ou falsa, não era suficiente, pois,
segundo ele, alguns enunciados não servem para descrever coisa
alguma, mas sim, para realizar ações.

Com respeito ao que proferimos no ato da fala, trata-se de


algo muito particular de uma sentença e que é usado em:

• Determinado momento.
Unidade 2

• Por determinado falante.

• Em determinada circunstância.

Segundo ele, uma afirmação pode não ser dita para


descrever, mas para realizar uma ação, dependendo da
circunstância. Dentro desse raciocínio, ainda “dependendo da
circunstância”, o enunciado pode “constatar” alguma coisa ou
“realizar” alguma coisa. Austin entendia que a linguagem era uma
forma de ação, que “todo dizer é um fazer”. Em outras palavras, o
ato de falar reflete vários tipos de ações do ser humano realizadas
pelo uso da linguagem, ou seja, os “atos de fala”.

De acordo com Austin, os enunciados podem ser:


constativos ou performativos.

• Nas falas constativas, podemos ver a descrição, o relato


ou a constatação de algo ou de um estado de coisas,
que podem ser verdadeiros ou falsos. Exemplos disso
são: “The Earth is round”, “Brazilian economy is not good”
ou “The Earth turns round the Sun”.

12 SEMÂNTICA DO INGLÊS
• Já as performativas são as falas que realmente realizam
ações, como em: “I declare you husband and wife”
ou “You may now kiss the bride!”. É nesse sentido que
dizer é fazer. Se dizermos “I hereby declare the session
opened”, no momento da fala, a sessão foi efetivamente
aberta, foi uma ação. O termo performativo vem do
inglês, do verbo to perform, que significa realizar. Austin
considera o fato de que um enunciado performativo,
para se concretizar, depende de circunstâncias de
tempo e espaço. Caso não seja concretizado, não passa
a ser falso, torna-se penas nulo.

Apesar de algumas frases realizarem uma ação, o seu


“sucesso” (mencionado dessa forma por Austin) não é garantido,

Unidade 2
ou seja, existem vários fatores externos envolvidos nesse
processo. Mas como assim?

Imagine a seguinte situação:

EXEMPLO:

Let´s go to the party?

No, thank you.

Veja que agora essa sentença não teve sucesso, ou seja,


não foi o resultado esperado por parte do emissor e, dessa
forma, a “não realização” dessa ação não é culpa do emissor. Na
verdade, isso vai depender de vários fatores, externos à própria
fala, como:

• O interlocutor não quer ou não pode sair de casa.

• O interlocutor não está passando bem.

• O interlocutor tem que trabalhar etc.

SEMÂNTICA DO INGLÊS 13
Para Austin, a investigação filosófica deve estar relacionada
a uma teoria de ação.
Figura 3 – Investigação filosófica para Austin

Investigação
filosófica Teoria da ação
(Austin)

Fonte: Elaborada pelos autores (2022).

Mas ele se deparou com camadas do discurso que


representaram entraves ao tentar encontrar critérios gramaticais
para definir os enunciados performativos, como a ambiguidade,
por exemplo, e decidiu dividir esses enunciados em explícitos
(Ex.: “I want you to get off my life”) e implícitos, ou primários (Ex.:
“get off!”). O implícito seria uma forma reduzida do explícito.
Unidade 2

Fato interessante é que Austin percebe que sua teoria inicial


se desfaz, pois nota que é possível transformar um enunciado
constativo em performativo, colocando-se verbos como dizer,
afirmar, declarar na frente do enunciado, como, por exemplo, “I
hereby state that the Brazilian economy is not good”. Essa reflexão
causou a dissolução de sua divisão inicial.

Avançando em suas pesquisas, concluiu que três atos


ocorrem ao mesmo tempo em todos os enunciados:

• O ato locucionário

Que está na fala em si, na elocução de voz, ao enunciar os


elementos linguísticos; ou seja, o próprio ato de proferir um dado
conjunto de palavras, portanto, a dimensão linguística de um ato
de fala; dizer algo. Esse ato é literalmente o ato de dizer a frase.

• O ato ilocucionário

Que está na mensagem, ou seja, a parte central do ato


de fala, pois nele está a ação executada ao se dizer algo. É um

14 SEMÂNTICA DO INGLÊS
ato realizado pelo orador, em que ele afirma, sugere, exige ou
promete; realiza uma ação ao proferir algo. Ex.: “Just get out!”

• O ato perlocucionário

Que está na intenção do ato da fala e no efeito no receptor,


ou seja, a consequência do ato de fala, o que acontece por
algo ter sido dito. Ele se realiza pela linguagem e não está na
linguagem em si. Por exemplo, “I’ll arrive early today” é a indicação
da mensagem carregada de uma promessa adicional.
O ato locucionário é constituído, portanto, por
convenções essencialmente linguísticas, e logo,
variáveis de língua para língua; o ato ilocucionário,
por convenções sociais que instituem, por exemplo, a
prática de prometer; e o ato perlocucionário é o efeito

Unidade 2
não convencional produzido pela promessa (o efeito
convencional acha-se, é claro, por definição incluído no
próprio ato ilocucionário). (MARCONDES, 2012, p. 20)
Figura 4 – Tipos de atos de fala

Ato locucionário

Ato ilocucionário

Ato perlocucionário
Fonte: Adaptada de Austin (1962).

Enfim, os atos se dividem em três grandes grupos, mas isso


não quer dizer que cada sentença deve conter, obrigatoriamente,
essas três características.

O uso da linguagem é o que mais importa para Austin e


graças a esse pensamento e a essa interpretação, a análise
deixa de ser conhecida como análise de sentença e passa a ser
conhecida como análise do ato de fala. Mas por quê?

SEMÂNTICA DO INGLÊS 15
Austin interpreta a linguagem como uma forma de ação,
em que se deve levar em consideração:

• O contexto: deve-se entender o contexto, para


que seja possível entender a mensagem como um
todo, incluindo-se elementos como roupas, cenário,
participantes etc.

Quando falamos de cenário, referimo-nos ao espaço em que


está sendo produzida uma determinada situação comunicativa
entre dois ou mais indivíduos.
Figura 5 – Cenário
Unidade 2

Fonte: Pixabay

• A finalidade comunicacional.

• O respeito às normas e convenções da língua em geral.

Então, para Austin (1962), os atos de fala representam toda


ação realizada por meio do “dizer”. Essas normas e convenções
estão relacionadas diretamente com as normas gramaticais que
cada língua apresenta.

16 SEMÂNTICA DO INGLÊS
John Searle
Posteriormente, John Searle retoma e sistematiza esses
conceitos, criando uma concepção performativa e pragmática do
uso da linguagem. Mas o que vem a ser isso? Assim como para a
Filosofia da Linguagem, as reflexões que se mostram essenciais
na obra de Searle a serem plenamente compreendidas seriam,
nas palavras do próprio autor:
Como é possível que, estando um falante diante de
um ouvinte e emitindo uma sequência acústica, se
produzam factos tão interessantes como os seguintes:
o locutor quer dizer alguma coisa; os sons que emite
querem dizer alguma coisa; o ouvinte compreende

Unidade 2
o que é dito; o locutor faz um enunciado, faz uma
pergunta, ou dá uma ordem. Como é possível, por
exemplo, que, quando dizemos “João foi para casa”
de um certo modo, não seja, senão uma sequência
de ruídos, mas sim, o que queremos dizer: João foi
para casa? Qual a diferença entre dizer alguma coisa,
querer dizê-la e dizê-la sem querer dizer alguma coisa?
(SEARLE, 1981, p. 09)

Searle crê que os atos da fala têm intencionalidade —


comportamento intencional — como marca distintiva e, em seus
estudos, conclui que essa intencionalidade é uma capacidade
mental tão fundamental quanto a própria linguagem. Além disso,
Searle acredita que falar uma língua é adotar comportamentos
regidos por certas regras, e eles é que tornam possível executar
os atos da fala. Eles só podem ser realizados em função de certas
regras que regulamentam a utilização dos elementos linguísticos.
Além disso, quando o emissor da mensagem pronuncia um
enunciado em um determinado contexto, realiza atos como
afirmar, ordenar, avisar, perguntar, criticar, prometer etc.

SEMÂNTICA DO INGLÊS 17
Por isso, ao unir o estudo formal das regras e o estudo
dos atos da fala (significação), é possível analisar as condições
necessárias e suficientes para satisfazer a execução plena do ato
de fala. Searle iniciou suas reflexões filosóficas pela análise dos
atos da fala, adentrou a questão da intencionalidade e levou suas
reflexões até a filosofia da mente.

Para que se pudesse fazer a interpretação do enunciado


considerando o que se propõe ao ser proferido, é necessário
interpretar os marcadores presentes na situação comunicativa.

Searle indica que, ao produzir um enunciado, realizamos um


ato proposicional (relacionado ao conteúdo) e um ato ilocucional
(ato realizado na linguagem)

Ainda, Searle elaborou cinco categorias de atos de fala:


Unidade 2

• Os representativos: mostram a crença do locutor


quanto à verdade, ou não, de uma proposição: afirmar,
asseverar, dizer.

EXEMPLO:

“Today is my 20 years old birthday.”

• Os diretivos: levam o emissor a fazer ou dizer alguma


coisa: convidar, ordenar, pedir, mandar etc.

EXEMPLO:

“Stay here for tonight because it is raining too much”.

18 SEMÂNTICA DO INGLÊS
• Os comissivos: comprometem o falante envolvendo
uma ação posterior ou futura: prometer, garantir etc.

EXEMPLO:

“I’ll call you”.

• Os expressivos: mostram sentimentos ou emoções:


desculpar, agradecer etc.

EXEMPLO:

“My condolences”.

• Os declarativos: seguem regras linguísticas institucionais


e geram uma situação externa nova (relacionada a
situações eclesiásticas, tribunais, governo etc.): demitir,

Unidade 2
condenar etc.

EXEMPLO:

“I hereby sentence you to a ten year time in jail”.

Por outro lado, Searle entende que a Filosofia da Linguagem


tenta fazer uma descrição mais filosófica de certos traços da
linguagem, como por exemplo:

• Referência.

• Verdade.

• Significação.

• Necessidade.
Figura 6 – Investigação filosófica para Searle

Investigação
filosófica Descrição
(Searle)

Fonte: Elaborada pelos autores (2022).

SEMÂNTICA DO INGLÊS 19
Outra distinção elaborada por Searle no interior da teoria
dos atos de fala foi a distinção de atos de fala diretos e indiretos.

Atos de fala diretos são as expressões tipicamente usadas


para fazer pedidos, por exemplo: “Shut the door, please”. Atos
de fala indiretos são, por exemplo, os pedidos em forma de
pergunta, como quando alguém deseja um cigarro: “Do you
smoke?”).

Uma vez que você entendeu os principais pilares da teoria


dos atos de fala propostos por Austin e Searle, observe o esquema
que se segue, com a junção das ideias desses dois teóricos. Vale
ressaltar que essas ideias não se opõem, elas se complementam
e formam a teoria que conhecemos hoje.
Figura 7 – Pilares da teoria dos atos de fala
Unidade 2

Investigação
filosófica
(Searle)

Investigação
filosófica Teoria da ação
(Austin)

Descrição

Fonte: Elaborada pelos autores (2022).

20 SEMÂNTICA DO INGLÊS
A teoria dos atos de fala é o resultado da
compilação de 12 conferências produzidas
por Austin. Isso aconteceu no ano de 1955 na
VOCÊ SABIA? Universidade de Harvard, Estados Unidos. Esse
material só foi publicado no ano de 1962, com o
livro How to Things with Words, e o mais interessante
de tudo isso é que foi uma publicação póstuma (da
mesma forma que aconteceu com o livro Cours de
Linguistique Générale, de Ferdinand de Saussure – o
pai do estruturalismo).

Neste primeiro capítulo, você estudou os


principais fundamentos da teoria dos atos de fala
e de que forma elas estão presentes no processo
RESUMINDO comunicativo de cada indivíduo. Além disso,
conheceu as teorias de Austin e Searle. Foi possível

Unidade 2
compreender que os enunciados ocorrem através
de um ato locucionário, um ato ilocucionário e um
ato perlocucionário.

SEMÂNTICA DO INGLÊS 21
Léxico da língua inglesa
Ao término deste capítulo, você será capaz de
entender a Lexicografia como ciência e a sua
respectiva relação com a Semântica, assim como
OBJETIVO conhecer a etimologia, terminologia e filologia.
Por último, você vai estudar um pouco sobre a
formação de palavras em inglês.

A Lexicografia
Certamente você já ouviu essa palavra, mas você sabe o que
ela realmente significa? A Lexicografia é uma área da Linguística
que estuda as palavras de um determinado idioma que, neste
estudo, é o inglês.
Unidade 2

A Lexicografia é uma ciência que estuda a composição lexical


de uma determinada língua e tem como uma das consequências
a viabilidade da produção de dicionários e glossários. Mas não é
assim tão simples, como indica Salviano (2014):
A Lexicografia é a ciência responsável pelo
desenvolvimento de métodos e técnicas de produção
das obras dicionarísticas na sua variedade de formas
(monolíngues, bilíngues, semibilíngues, escolares,
gerais, infantis etc). A Lexicografia pode ser descrita
como “um saber linguístico de natureza prática, tendo
em vista a aquisição de um domínio de língua, de um
domínio de escrita, de um domínio de enunciação
e de discurso”. De fato, alcançar o domínio efetivo
nesses campos não é tarefa exclusiva da Lexicografia,
mas a capacidade dos dicionários, como produto da
mesma, de esmiuçar as normas da palavra (sua grafia,
significados, sinônimos, usos etc.), aproxima tal ciência
dos domínios supracitados, tão importantes para a
formação linguística dos usuários da língua. Assim,

22 SEMÂNTICA DO INGLÊS
a Lexicografia desponta como ciência essencial para
contribuir para o desenvolvimento da competência
lexical. (NUNES, 2006, p. 150 apud SALVIANO, 2014,
p. 20).

Em particular, a história da Lexicografia do inglês oferece,


através dos variados trabalhos que sobreviveram até nossos
tempos, uma grande oportunidade de observar não somente
o desenvolvimento semântico das palavras, mas também o seu
formato na página, suas fontes, estilos e tamanhos, estruturando
seus significados e a posterior aquisição de símbolos e
abreviaturas. A disponibilidade on-line de dicionários históricos
permite-nos estudar comparativamente e diacronicamente o
histórico das palavras, por meio do qual, podemos reconstruir

Unidade 2
uma visão morfossemântica geral, que liga significados e usos do
passado e do presente, incluindo seu desenvolvimento semântico
(como por exemplo, no caso da polissemia, do deslocamento de
significados etc.), variações de escrita, sugestões etimológicas
e outras informações valiosas. Em muitos casos, devido às
conquistas científicas e rápidas mudanças da sociedade, é
possível observar como as mudanças sociais e culturais podem ter
sido absorvidas dentro de definições específicas ou explicações
etimológicas. A Lexicografia também tem foco na análise de
como os significados das palavras evoluem semanticamente,
que alterações Semânticas ocorrem por meio das definições, o
que se torna obsoleto com o passar do tempo e qual o estado
semântico de definições atuais em determinadas entradas.
Lexicografia é o estudo científico e teórico-analítico
das técnicas de elaboração dos dicionários
(por exemplo, sobre os princípios de seleção
DEFINIÇÃO do vocabulário, de classificação dos vocábulos,
de definição e descrição dos significados etc.)
(HOUAISS, on-line).

SEMÂNTICA DO INGLÊS 23
A Lexicografia tem caráter prático, que busca estudar
o comportamento de uso geral da língua no que diz respeito
às palavras, viabilizando, entre outras coisas, a produção de
dicionários e glossários. Em contrapartida, há a lexicologia, que é
um saber voltado para o estudo da palavra:
quanto ao seu significado, constituição mórfica e
variações flexionais, sua classificação formal ou Semântica
em relação a outros vocábulos da mesma língua, ou
comparados com os de outra língua, em perspectiva
sincrônica ou diacrônica; seu objetivo é desenvolver as
teorias que os lexicógrafos lançam mão na solução de
seus problemas práticos. (HOUAISS, on-line)

Diante da sua grande complexidade, a Lexicografia é


considerada uma ciência interdisciplinar, pois, como trabalha
Unidade 2

com o léxico de determinada língua, existem várias áreas a serem


levadas em conta.

A Lexicografia trabalha com diferentes áreas, entre as quais


podemos citar as elencadas na figura a seguir.
Figura 8 – A Lexicografia e a interdisciplinaridade

Lexicografia

Fiologia Semântica

Terminologia Etimologia

Fonte: Adaptada de Barcía (2016).

24 SEMÂNTICA DO INGLÊS
Agora, vejamos o que abordam essas ciências.

a. Semântica

Ciência que estuda os significados das palavras. De acordo


com o dicionário Houaiss, pode ser compreendida sob cinco
vertentes:
1 - Ramo da linguística que se ocupa do estudo da
significação como parte dos sistemas das línguas
naturais, podendo ser abordada sincrônica ou
diacronicamente.

2 – Em um sistema linguístico, é o componente do


sentido das palavras e da interpretação das sentenças
e dos enunciados.

Unidade 2
3 - O significado das palavras, por oposição à sua
forma.

4 – Na filosofia e na lógica, é a teoria abstrata da


significação ou da relação entre os signos e seus
referentes (em oposição à sintaxe e à pragmática), e
constituindo com estas, uma semiótica.

5 – Na filologia, é a ciência que estuda a evolução do


significado das palavras e de outros símbolos que
servem à comunicação humana. (HOUAISS, on-line)

b. Etimologia

A etimologia é a ciência que estuda a origem e a evolução


das palavras, ou seja, como elas foram se transformando ao
longo dos anos (do grego ethymon, “verdade”).

SEMÂNTICA DO INGLÊS 25
Figura 9– Estudo da evolução das palavras

Fonte: Pixabay

c. Terminologia

Sendo termo polissêmico, em dada acepção diz respeito


à disciplina que estuda termos e conceitos a eles relacionados
Unidade 2

empregados em certa área de especialidade, com características


linguísticas específicas (sobretudo em relação ao léxico
empregado) e em uma situação comunicativa de determinada
área de conhecimento. Assim, a Terminologia como ramo da
Linguística é o estudo de itens lexicais técnicos, específicos de
uma atividade humana particular.

Em outra acepção, é o conjunto de termos de uma disciplina


específica, é o vocabulário de área. A confluência das acepções
é o fato de que a Terminologia é uma ciência que representa o
conjunto de vários vocábulos, no entanto, esses vocábulos têm
algum ponto em comum (HOUAISS, on-line).

d. Filologia

Segundo o dicionário Houaiss,


estudo das sociedades e civilizações antigas
através de documentos e textos legados por elas,
privilegiando a língua escrita e literária como fonte
de estudos, fazendo uso do estudo rigoroso dos

26 SEMÂNTICA DO INGLÊS
documentos escritos antigos e de sua transmissão,
para estabelecer, interpretar e editar esses textos,
incluindo o estudo científico do desenvolvimento de
uma língua ou de famílias de línguas, em especial a
pesquisa de sua história morfológica e fonológica
baseada em documentos escritos e na crítica dos
textos redigidos nessas línguas. (HOUAISS, on-line)
Figura 10 – Documentos antigos

Unidade 2
Fonte: Pixabay

A necessidade por criar documentos lexicais vem de


muito antes do que podemos imaginar, vem da Antiguidade
Clássica. Mas, àquela época, de acordo com Biderman (1984), os
precursores da lexicografia não produziam obras lexicográficas
como fazemos atualmente, pois só se importavam em elaborar
criações para:

• Entender os textos literários anteriores.

• Fazer correções do que seriam considerados “erros”


linguísticos.

SEMÂNTICA DO INGLÊS 27
Por exemplo, os filólogos de Alexandria elaboravam léxicos
e glossários a respeito de textos de Homero, para poderem
entender melhor sua produção. A verdadeira lexicografia só se
inicia nos tempos modernos.
Para citar um exemplo no tocante à época em
questão, existem as Glosas de Reicheneau, que
representam uma lista de palavras que eram do
SAIBA MAIS latim e foram passadas para a língua românica da
região.
Você sabe o que são glosas? As glosas são
anotações de um texto para poder ser explicado
posteriormente. No caso citado, as glosas foram
retiradas da Vulgata (primeira versão da bíblia)
e foram passadas para outra língua por conta
da sua grande dificuldade de interpretação. As
Glosas de Reicheneau são um dos glossários mais
Unidade 2

importantes datados da época medieval.

No entanto, a lexicografia não se resume somente a


isso. De acordo com Biderman (1984), o que conhecemos hoje
por lexicografia tem sua origem no século XVI, e os primeiros
dicionários que surgiram foram os dicionários bilíngues, nos
quais o latim era sempre a língua-base.

Os dicionários monolíngues só foram aparecer no século


XVII, criados pela Academia de Crusca em 1612. Esse primeiro
dicionário bilíngue é um dicionário de italiano.

Se pararmos para pensar, o século em que vivemos


apresenta várias propostas didáticas para consultar um
dicionário, não é mesmo? Hoje em dia, podemos encontrar
várias imagens, cores e um conhecimento mais específico sobre
a língua, no qual a multimodalidade se faz mais presente.

A multimodalidade, de acordo com Kress (2010), seu


idealizador, é a presença de mais de uma modalidade de

28 SEMÂNTICA DO INGLÊS
comunicação, podendo ser mediante o uso de textos, imagens etc.
Assim, a multimodalidade se refere ao uso de mais de um modo
de representação em um gênero do discurso. As ações sociais
são multimodais. Os gêneros orais e escritos são a representação
das ações sociais e, portanto, também são multimodais.
quando falamos ou escrevemos um texto, usamos,
no mínimo, dois modos de representação: palavras
e gestos, palavras e entonações, palavras e imagens,
palavras e tipográficas, palavras e sorrisos, palavras e
animações etc. (DIONÍSIO, 2007, p. 161).

É a pluralidade de linguagens ou a coexistência das múltiplas


semioses. A teoria da multimodalidade, com o passar dos anos,
foi se tornando cada vez mais útil para entender como se dá a

Unidade 2
comunicação nos dias atuais.

Para entender um pouco mais sobre os textos


multimodais, acesse o link disponível aqui.
ACESSE

A formação do léxico na língua


inglesa
A formação do léxico é algo extremamente importante em
uma língua. Cada língua tem suas particularidades e, no caso da
língua inglesa, não é uma língua muito flexionada, pois apresenta
baixo grau de flexão, sendo mais enxuta, com um número menor
de vocábulos em comparação a algumas línguas latinas, por
exemplo.

Em Linguística, um lexema (lexeme, em inglês) é a unidade


mais fundamental do léxico da língua, também chamada de
unidade lexical, item lexical ou palavra lexical. Quase sempre,

SEMÂNTICA DO INGLÊS 29
um lexema é uma única palavra que pode ter várias formas
inflexionais ou variantes gramaticais, como em “talk, talked,
talking”. A inflexão (inflexion) é a modificação de um termo para
diversas finalidades linguísticas. Podem ser formadas novas
categorias gramaticais, pode ser feita a flexão de caso, gênero,
número, pessoa, aspecto, voz e tempo. Por exemplo, a flexão
dos verbos é chamada conjugação, e a declinação é a flexão de
pronomes, adjetivos e substantivos.

As palavras são constituídas por elementos mórficos


(morphemes). Em português, temos a raiz, o radical, os afixos, a
vogal temática, o tema e a desinência. Em inglês, a estruturação é
semelhante: “roots, bases, stems, derivational endings, inflectional
endings, and occasionally, clitics”. Nem sempre as palavras têm
todas essas partes.
Unidade 2

Há dois tipos de palavras em inglês, considerando sua


formação: as que podem ser separadas em unidades menores e
as que não podem ser quebradas em unidades menores. As que
não podem ser separadas em unidades menores são chamadas
de “base words” e são elas que oferecem o significado básico da
palavra.

Na morfologia da língua inglesa, a raiz (root) é a parte


central e irredutível da palavra, que não tem significado próprio
(non stand alone), que se repete quando formamos as palavras
derivadas e que vem de outro idioma no processo de formação.
Ela fica dentro da “base word”. A “base word” é a parte da palavra
que tem carga Semântica (significado), na qual são acrescentados
os afixos ou processos derivacionais, considerada a unidade
lexical primária de um termo.

Em Linguística, a parte da palavra responsável pelo


significado lexical é chamada de “word stem”, definida em termos
dos elementos inflexionais que são acrescentados ao morfema.

30 SEMÂNTICA DO INGLÊS
É a parte da palavra que assume inflexões. Quando não houver
afixo derivacional, a raiz e o “stem” serão a mesma coisa. A escolha
pelo uso dos termos “base word” ou “word stem” é definida de
acordo com a visão teórica do linguista.

EXEMPLO:

A palavra “happy” não pode ser quebrada em unidades


menores, mas “unhappy” pode, porque é uma palavra formada
acrescentando-se o afixo “un-“.

a. Reading – reader - readers – unreadable.

b. Port - transport - transports - transported - transporting –


transportation.

Unidade 2
• Port – root word – do latim, significa “to carry”.

• Transport – base word

c. Maternity – maternallym- maternalism.

• Do latim - mater.

As palavras no inglês são formadas de diversas formas,


entre elas, pelo uso de afixos (affixes) que é um processo
morfológico em que um grupo de letras (o afixo) é acrescentado
à base da palavra para formar uma nova palavra. Esse acréscimo
pode trazer um significado totalmente novo ou simplesmente
acrescentar mais informações gramaticais. Prefixo é o afixo
posicionado à frente da base, e sufixo é o afixo acrescentado
ao final da palavra.

Exemplo:

Veja a seguir as partes irredutíveis e os afixos:

• Childish – child + ish

• Reinvention – re + invent + ion

SEMÂNTICA DO INGLÊS 31
• Reusable – re + use + able

• Unacceptable – un + accept + ble

• Disqualified – dis + qualify + ed

• Disappear – dis + appear

• Unhappiness – un + happy + ness

• Unlikely – un + like + ly
Quadro 1 – Base word versus root word
Unidade 2

Fonte: Elaborado pelos autores (2022).

A composição lexical de palavras, em inglês,


“lexical word formation”, é o estudo da formação
de palavras e de novos lexemas, usando as
SAIBA MAIS regras da morfologia, mais do que de outros
tipos de regras linguísticas, como as de sintaxe. A
formação de palavras pela inflexão de afixos não é
considerada processo de formação lexical porque
não cria novos lexemas. Desse modo, o estudo
do processo denominado “lexical word formation”
não se aplica às palavras formadas pela inflexão
de afixos (inflectional affixation), por exemplo,
palavras contendo sufixos gramaticais: “historian,
musical, helpful, methodical, coldish, badly” etc.
(HUDDLESTON; PULLUM, 2017).

32 SEMÂNTICA DO INGLÊS
Para saber mais sobre “root and stem”, acesse os
links disponíveis aqui e aqui.
ACESSE

A formação das palavras em inglês (word formation) é


estudada sob diferentes abordagens, dependendo da linha
teórica do linguista. Vamos falar sobre três dessas abordagens.
Figura 11 – Word formation

Affixation

Unidade 2
Conversion Compounding

Fonte: Elaborada com base em University of Texas (s.d., on-line).

Affixation
Nesse caso, um vocábulo é formado ao adicionarmos um
prefixo ou um sufixo. Como foi visto, entende-se como prefixo
um elemento que vem antes da palavra e sufixo, um elemento
que vem depois da palavra.

AFFIXO = PREFIXO - SUFIXO

Para entender melhor, observe o quadro a seguir.

SEMÂNTICA DO INGLÊS 33
Quadro 2 – Alguns prefixos em inglês

Fonte: Elaborado pelos autores com base em University of Texas (s.d., on-line).

Os prefixos não alteram a categoria de uma


palavra. A sua relação é Semântica, ou seja, muda
somente o significado da palavra. Já os sufixos
IMPORTANTE podem mudar a classe gramatical de uma palavra.
Unidade 2

Observe o quadro subsequente.


Quadro 3 – Alguns sufixos em inglês (de substantivo para adjetivo)

Fonte: Elaborado pelos autores com base em University of Texas (s.d., on-line).
Quadro 4 – Alguns sufixos em inglês (de adjetivo para substantivo abstrato)

Fonte: Elaborado pelos autores com base em University of Texas (s.d., on-line).

34 SEMÂNTICA DO INGLÊS
Conversion
Essa formação de palavras acontece quando elas são
usadas em outra classe de palavras sem nenhuma mudança, por
exemplo:
Quadro 5 – Conversion

Fonte: Elaborado pelos autores com base em University of Texas (s.d., on-line).

Compounding

Unidade 2
Essa formação ocorre ao unir duas ou mais palavras para
formar uma terceira. Veja os exemplos.
Quadro 6 – Compounding

Fonte: Elaborado pelos autores com base em University of Texas (s.d., on-line).

Para saber mais sobre esses três processos de


formação das palavras, acesse o link disponível aqui.
ACESSE

Neste capítulo, você estudou o léxico e a formação


de palavras em língua inglesa. Além disso,
conheceu o conceito de Lexicografia. Por último,
RESUMINDO compreendeu o processo de formação de palavras,
o qual pode ocorrer com base em: affixation,
conversion e compounding.

SEMÂNTICA DO INGLÊS 35
Metáfora textual e oral em
língua inglesa
Estimado aluno, ao término deste capítulo, você
será capaz de conceituar a metáfora, assim como
entender como esse elemento é composto por
OBJETIVO meio dos aspectos culturais e cognitivos de uma
comunidade linguística. Você saberá também que a
metáfora pode representar uma marca expressiva,
demonstrando características bem específicas de
um grupo e, ao mesmo tempo, verá que ela está
conectada ao cotidiano dos indivíduos.

A metáfora envolve todo um processo comunicacional que


pode variar de indivíduo para indivíduo. Porém, ela está sempre
conectada ao uso cotidiano da língua em sociedade. Levando-
Unidade 2

se em conta que a metáfora depende diretamente do processo


comunicacional entre indivíduos, vamos falar um pouco sobre o
canal da comunicação.
Figura 12 – Elementos de comunicação conforme a teoria do linguista Roman Jakobson

REFERENTE
Assunto, situação comunicativa,
contextualização

MENSAGEM RECEPTOR
EMISSOR
O que se deseja A quem se destina
Quem produz a
comunicar, se não a mensagem (um
mensagem
houver ruído* leitor, ouvinte etc.)

CÓDIGO CANAL
Língua ou linguagem Meio de veiculação (jornal,
comum aos interlocutores livro, TV, telefone etc.)

Fonte: Hradec (2022a, p. 19).

Veja agora o que cada elemento desse canal significa.

• Código: esse elemento é entendido como um conjunto


de sinais acrescidos do uso de determinadas regras,

36 SEMÂNTICA DO INGLÊS
para que a comunicação possa ser realizada. Nesse
caso, o código pode ser representado pela língua (seja
ela oral ou escrita), assim como pelo uso de gestos,
como é o caso da língua de sinais.
A linguagem verbal consiste em toda expressão
oral (da fala) ou escrita. Para nos comunicarmos,
usamos uma língua, como o inglês, que é um
SAIBA MAIS código a ser decodificado pela pessoa que recebe
a mensagem. A linguagem não verbal inclui outras
formas de comunicar ideias, como imagens,
desenhos, símbolos, mímica, fotos, pinturas e
até a postura do corpo ou a representação facial.
Os participantes do ato comunicativo são os
interlocutores: um que emite a mensagem e outro
que recebe a mensagem que se deseja comunicar

Unidade 2
em dado contexto (HRADEC, 2022a).

• Emissor: é aquele que transmite a mensagem,


podendo ser um ou vários, dependendo da situação
comunicativa.

• Receptor: é aquele que recebe a mensagem por


diferentes formas. O receptor pode ser um ou vários;
isso vai depender muito da situação comunicacional.

• Mensagem: é a informação que é transmitida. É o que


fica exatamente entre o emissor e o receptor.
Quando a mensagem não é compreendida ou
decodificada pelo receptor devido a uma interferência
no ambiente, problemas de interferência em uma
DEFINIÇÃO conversa telefônica, voz muito baixa, entre outros,
temos o RUÍDO. O ruído impede a concretização da
comunicação (HRADEC, 2022a).

• Canal: é o elemento que garante que a mensagem saia


corretamente do emissor em direção ao receptor. Em
linhas gerais, o canal pode ser auditivo e visual.

SEMÂNTICA DO INGLÊS 37
• Contexto: o contexto está relacionado diretamente
com a situação da comunicação, ou seja, para transmitir
uma mensagem, deve existir um contexto para que o
receptor possa entendê-la melhor.
Os fatos da linguagem em um contexto comunicativo
que produzem os sentidos, ou seja, os fatores
pragmáticos da produção de sentidos na comunicação
são de ordem situacional, o que significa que
dependem do contexto e da intenção comunicativa do
emissor da mensagem. Eles envolvem a aceitabilidade
ou o desejo por parte do receptor de receber a
mensagem e também dependem da informação a ser
transmitida, além da relação com outros textos, ou
seja, da intertextualidade. A intertextualidade pode
ser classificada conforme sua relação com o texto-
Unidade 2

fonte, isto é, se aparece de forma direta (explícita


– facilmente identificável pelo leitor) ou indireta
(implícita – necessita de conhecimentos específicos
sobre o assunto). (HRADEC, 2022a, p. 20)
Intertextualidade é a relação entre dois ou mais
textos, ou a criação de um elemento textual a partir
de outro, sendo que um é chamado de texto-fonte.
DEFINIÇÃO Existem dois tipos de intertextualidade: implícita
(se o texto-fonte não é obviamente reconhecido
pelo leitor, precisando de algum tipo de expertise
ou conhecimento específico) e explícita (quando
os leitores conseguem identificar rapidamente o
texto-fonte) (HRADEC, 2022a).

A metáfora na língua inglesa


Você já deve ter percebido que a Semântica estuda diversos
elementos para a composição do sentido, não é mesmo? A
metáfora é um deles e é, inclusive, um dos mais interessantes,
porque é por meio dela que percebemos a importância do

38 SEMÂNTICA DO INGLÊS
contexto, visto que a viabilidade da metáfora é gerada por esse
contexto.
Metáforas seriam casos de flexibilidade Semântica
também presentes em outros fenômenos linguísticos.
Para o minimalismo, metáforas podem ser tratadas
através da introdução de um operador lexical que
garantiria a flexibilidade contextual necessária a
termos semânticos contextualmente dependentes.
(SCHIOCHETT, 2019, on-line)

Você sabe o que é metáfora? É um fenômeno cognitivo-


social, que vai depender de cada comunidade linguística. Isso
acontece porque um simples objeto pode ser interpretado de
várias formas, dependendo da comunidade linguística.

Unidade 2
A metáfora é uma técnica literária pela qual comparamos
uma coisa a outra, indicando que possuem as mesmas qualidades,
embora sejam completamente diferentes.

EXEMPLO:

Se algo é muito caro, podemos dizer que “it costs an arm


and a leg”. É claro que ninguém vai pagar por alguma coisa com
uma parte do corpo. Esta é meramente uma forma em sentido
figurado para dizer que algo é absurdamente oneroso.

A metáfora é uma figura de linguagem (“figure of speech”)


que compara duas coisas de forma a aplicar os atributos, ou uma
qualidade particular, de uma (no estudo da metáfora, chamada
de “vehicle”) a outra (chamada de “tenor” – objeto descrito).

A comparação de uma coisa com outra se dá para efeitos


retóricos. Pela metáfora, fazemos a comparação declarando que
algo é “outra coisa”. As metáforas mexem com a imaginação,
provocando comparações que podem ser maravilhosas ou

SEMÂNTICA DO INGLÊS 39
estranhas entre duas coisas ou ideias que, na verdade, não têm
relação alguma.

Usamos metáforas quando descrevemos simbolicamente


um objeto ou uma ação, de tal forma que não consiste de
uma verdade literal, mas ajuda a explicar a ideia ou fazer uma
comparação. É uma linguagem figurada.

Esse processo permite ao emissor falar algo do “tenor” de


forma mais elaborada e até mais atraente ou interessante. Por
exemplo, quando um poeta compara amor a uma jornada, ele
está sugerindo que, como uma jornada, a relação amorosa pode
ter altos e baixos, ou ainda, que todo amor chega ao fim, dura
bastante etc. A interpretação de amor como jornada depende de
fatores sociais e individuais.
Unidade 2

EXEMPLOS:

• My relationship with my brother is a caos.

• The priest has a gold heart.

• The snow over my car is a white blanket.

• Raindrops are dancing over my head.

• My classroom is a zoo.

• The lake we visited was a mirror.

• You’re such a lion concerning your kids

O termo “metaphor”, em inglês, vem do francês antigo


“métaphore”), que, por sua vez, veio do latim “metaphora”, que
significa transferir, transportar. O termo em latim se originou na
língua grega, “metaphorá”, que significa transferir.

Os tipos de metáfora em inglês

40 SEMÂNTICA DO INGLÊS
Existem alguns tipos diferentes de metáfora, cada um
servindo para um propósito diferente na língua inglesa. Estão
classificados conforme o disposto a seguir.

• Metáfora padrão (standard)

Uma metáfora padrão é aquela que compara duas coisas


diferentes de forma simples, explícita e direta. As duas coisas
são comparadas em um eixo de igualdade, embora não tenham
sentido literal.

EXEMPLO: “My marriage is a rollercoaster” – significa que o


casamento tem altos e baixos como uma montanha russa.
Figura 13 – Sentido literal

Unidade 2

Fonte: Freepik

• Metáfora implícita (implied)

Como o nome sugere, uma metáfora implícita é aquela que


compara duas coisas sem fazer uma comparação direta entre as
duas ideias; o ouvinte tem que “advinhar” o que está implícito na
mensagem.

EXEMPLO:

SEMÂNTICA DO INGLÊS 41
“The general barked an order to the soldiers to stand up”.

Nessa metáfora, o comandante foi severo na ordem


que deu aos soldados, comparando ao latido de um cão, sem
mencionar a palavra “cão”.
Figura 14 – Cão latindo (sentido literal)
Unidade 2

Fonte: Freepik

• Metáfora visual (visual)

A metáfora visual compara alguma coisa a uma imagem


visual que sugere uma associação.

EXEMPLO:

Esse tipo de metáfora é muito usado na propaganda,


quando, por exemplo, em um comercial, um carro aparece junto
com uma pantera, sugerindo que o veículo é ágil, silencioso nos
movimentos e belo como o animal.
Figura 15 – Panther

42 SEMÂNTICA DO INGLÊS
Fonte: Freepik

Unidade 2
• Metáfora estendida (extended, also called sustained)

A metáfora estendida é uma versão em linguagem descritiva


que se estende sobre várias linhas, parágrafos ou estrofes, por
todo um livro, uma música etc., tanto na prosa quanto na poesia.

Extended metaphor is a literary device that authors use to


convey complex ideas in an interesting way. They help break up
tedious prose. An extended metaphor is more likely to stay in a
reader’s memory than one simple metaphor/simile or a list of
facts. (CHESSON, 2022, on-line)

EXEMPLO:

Simple metaphor example: “That man is a snake.”

Extended metaphor example: “You’re a snake! Everything you


hiss out of your mouth is a lie. You frighten children, and you have no
spine” (CHESSON, 2022).

• Metáfora morta (dead)

SEMÂNTICA DO INGLÊS 43
A metáfora morta é o tipo que já foi tão usado socialmente,
que até se tornou cliché. Recomenda-se não usar essas metáforas,
porque já não possuem mais impacto pelo excesso de uso.

EXEMPLO:

• “I´ve been currently kicking the bucket in situations like


that”.
Figura 16 – Sentido literal
Unidade 2

Fonte: Freepik

Aristóteles entendia a metáfora como um ornamento


dentro do discurso. No entanto, com o passar do tempo, essa
definição sofreu profundas transformações e a vemos, inclusive,
como uma ferramenta composta de traços culturais e cognitivos
de uma comunidade linguística. Essa noção de metáfora como
um ornamento dentro de um discurso durou aproximadamente
23 séculos.

A partir de 1970, essa definição passou a ser questionada e


foi a partir daí que os estudos sobre a metáfora se intensificaram.
Os elementos mais debatidos foram:

44 SEMÂNTICA DO INGLÊS
• A ausência de valores cognitivos.

• Determinação do significado.

Acredita-se que essa visão equivocada da metáfora se deu


porque, naquela época (aristotélica), eles tinham uma visão
muito objetiva das coisas e por esse motivo o uso da metáfora
não foi amplamente discutido durante séculos.

A metáfora é um elemento que nos rodeia todos os dias,


visto que está sempre presente nas cenas enunciativas do nosso
cotidiano e, de uma certa forma, ela é passada de geração para
geração.
Figura 17 – Geração

Unidade 2

Fonte: Pixabay

Em linhas gerais, as metáforas podem ser entendidas


como expressões linguísticas que podem ser estruturalmente
compostas em forma de:

• Palavras.

• Sentenças.

SEMÂNTICA DO INGLÊS 45
• Parágrafos.

A metáfora está presente em uma comunidade linguística:

• Por meio da língua.

• Por meio da cultura de uma determinada comunidade


linguística.

• Como algo que está baseado na experiência pessoal de


cada indivíduo.

• Como algo que envolve o mapeamento de um domínio


de origem a um domínio-alvo. Esse mapeamento seria
composto por estruturas sistemáticas interligadas no
processo de transmissão de uma mensagem até sua
recepção por parte do interlocutor.
Unidade 2

Devemos considerar que há uma ligação direta da metáfora


com o uso cotidiano da língua.

A metáfora em língua inglesa


Vale lembrar que o inglês é idioma oficial em vários países
e isso implica que nem sempre uma metáfora usada na Irlanda
surte o mesmo efeito que nos Estados Unidos, por exemplo. Por
outro lado, existem metáforas que são entendidas e aplicadas
por diversas comunidades linguísticas.

Isso vai depender de cada caso e de aspectos culturais, uma


vez que a cultura é um conjunto de compreensões compartilhadas
que caracterizam comunidades maiores e menores.
Figura 18 – Comunidade linguística

46 SEMÂNTICA DO INGLÊS
Fonte: Pixabay

Assim, as sentenças que contêm metáforas podem variar


de significado ou até mesmo não apresentar nenhum significado,
dependendo da comunidade linguística.

Unidade 2
EXEMPLO:

• My sister visits me once in a blue moon. Essa expressão


significa “raramente” em português.
Figura 19 – Lua

Fonte: Pixabay

• It’s raining cats and dogs.

SEMÂNTICA DO INGLÊS 47
Perceba que se traduzimos essa sentença ao pé da letra,
em português seria: “está chovendo gatos e cachorros”. Mas essa
expressão, em sua tradução literal do inglês, certamente tem
sentido em português. Há uma expressão que se assemelha em
português que seria: “chover canivete aberto”.

Veja abaixo algumas expressões metafóricas em inglês.


Perceba que algumas delas apresentam algum um sentido para
nós, ou podemos até sugerir alguma correspondência com a
nossa variedade linguística. No entanto, existem outras que não
se assemelham em nada ao nosso contexto cultural.
Quadro 7 – Metáforas inglês versus português
Unidade 2

Fonte: Elaborado pelos autores (2022).

Neste capítulo, você estudou a relação da Semântica


da metáfora em língua inglesa e pôde perceber
que a metáfora está relacionada diretamente com
RESUMINDO determinada comunidade linguística com base em
seus traços culturais e cognitivos. Vimos também
os tipos de metáforas em inglês e fizemos um
breve comparativo com expressões em português.

48 SEMÂNTICA DO INGLÊS
Sinônimos e antônimos em
inglês
Estimado aluno, ao término deste capítulo, você
será capaz de conceituar os termos sinônimos
e antônimos na língua inglesa e compreender
OBJETIVO seus respectivos exemplos. Você também vai
entender que esses dois elementos devem estar
relacionados à coerência e à coesão textual para
que o texto (seja ele escrito ou oral) apresente
sentido completo e que a mensagem seja
transmitida da forma correta.

A Semântica e a sinonímia

Unidade 2
A Semântica é a ramificação da Linguística que se encarrega
do estudo das palavras e seus significados, e inclui o estudo dos
conceitos de sinônimos, antônimos, parônimos e homônimos.

Tanto a coerência quanto a coesão devem ser levadas em


consideração no processo de estudo dos significados, pois é
mediante esses elementos que podemos dar sentido ao texto.

Aspectos textuais
Um texto é muito mais do que uma sequência de frases
bem escritas. Ele precisa ter coesão, coerência, adequação
ao contexto, entre outras qualidades na hora de juntar frases,
orações e períodos. De fato, falamos de uma maneira e
escrevemos de outra, pois as línguas escrita e falada são duas
modalidades diferentes de comunicação, embora caminhem
juntas, cada uma com suas características próprias (GUIMARÃES,
2012, p. 131 apud HRADEC, 2022b, p. 7).

SEMÂNTICA DO INGLÊS 49
“Texto é um tecido verbal estruturado de tal modo que
as ideias formam um todo coeso, uno, coerente” (MEDEIROS,
2008, p. 39 apud HRADEC, 2022b, p. 8). Várias palavras soltas,
sem conexão, não formam um texto. Uma palavra solta em um
dicionário, sem contexto, não é um texto. Se falta coerência, se
há contraditoriedade nas ideias, também não se constitui um
texto. Coerência, unidade e coesão são elementos fundamentais
no texto (HRADEC, 2022b, p. 8).

O texto é o produto final da textualidade. Toda produção


textual adequada apresenta um conjunto de elementos
linguísticos estruturados e organizados pelo emissor, tornando
possível ao receptor compreender o sentido e a intenção
da mensagem, interagindo e refletindo sobre o texto. A isso
chamamos de textualidade ou boa estruturação básica de todo
Unidade 2

texto, fazendo com que não seja só um aglomerado de palavras e


frases, garantida por fatores que atuam conjuntamente, como os
fatores semânticos de coesão e coerência. Em outras palavras,
os dois elementos que culminam em garantir a textualidade são
a coerência e a coesão, ou seja, de maneira geral, a boa união das
partes de um texto (HRADEC, 2022b, p. 10).

Primeiros passos na coesão e coerência


na língua inglesa (Cohesion and
coherence – first steps)
É importante que as partes de um texto estejam
corretamente conectadas, e outro nome para isso é coesão. A
palavra vem do verbo “cohere”, que significa “juntar-se uns aos
outros”. Já a coerência pode ser definida como a qualidade do
texto de ser lógico, consistente e capaz de ser entendido. Coesão,
por outro lado, é o ato de formar e estruturar a unidade textual.
Em inglês, a coesão se refere às muitas formas (gramaticais,

50 SEMÂNTICA DO INGLÊS
lexicais, semânticas, métricas, aliterativas etc) pelas quais os
elementos em um texto são ligados uns aos outros. Se um texto
só tiver coesão, mas não tiver coerência, ele não fará sentido.

A coesão consiste no conjunto de elementos linguísticos


que se referem diretamente à conexão entre palavras,
expressões, enfim, tudo aquilo faz que a sentença tenha sentido
e a mensagem seja transmitida da forma adequada. Em outras
palavras, a coesão restringe-se mais à ligação entre os elementos
da estruturação linguística do texto. Já a coerência inclui essa
estrutura, certamente, mas também considera o contexto, ou
seja, os elementos extralinguísticos, o sentido. A coesão é um
instrumento que garante a coerência de texto, uma vez
utilizados os elementos semânticos adequados para atingir

Unidade 2
essa finalidade.
Figura 20 – Aspectos textuais

Coerência

Coesão

Fonte: Elaborada pelos autores (2022).

Vale destacar que, ao falarmos de coesão e


coerência textual, estamos nos referindo a textos
escritos e orais.
IMPORTANTE

Com respeito à coerência, podemos entendê-la como um


conjunto de ideias, um conjunto de informações que apresentam
sentido, agrupadas em uniformidade. A coesão pode ser vista

SEMÂNTICA DO INGLÊS 51
de modo mais amplo, sem considerar com muitos detalhes a
análise textual, por exemplo. A coerência está mais relacionada
com o sentido das palavras, a junção das orações no processo de
formação de um texto.

A coesão é obtida de várias formas em inglês, vamos citar


seis delas: “repeated/reinforced ideas”, “reference words”, “transition
signals”, “substitution”, “ellipsis”, “shell nouns”.

• Repeated/reinforced ideas

Uma forma de obter coesão é reafirmar ideias, retomar


conceitos, mas usando palavras diferentes, ou seja, usando a
sinonímia para evitar a simples repetição de termos, o que pode
empobrecer o texto.
Unidade 2

Em um mesmo parágrafo, não é adequado permitir


a repetição de termos, portanto, a sinonímia garante uma
estruturação mais adequada.

EXEMPLO:

When I went to the country I saw a shepherd down the hill with
his group of sheep. The flock was driven by a shepherd dog. (Há
sinonímia entre “flock” e “group of sheep”, duas formas diferentes
de dizer a mesma coisa).

• Reference/Supporting words

Palavras de referência são aquelas usadas para referir-


se a alguma coisa que é mencionada em outra parte do texto,
normalmente, antes de uma sentença. As mais comuns, por
exemplo, são as locuções nominais (noun phrases) e os pronomes,
como “it”, “this”, “these”. Esse também é um recurso que se vale
da sinonímia.
“Reference words” are one of the rhetorical devices that
allow a writer to create cohesion throughout a text.

52 SEMÂNTICA DO INGLÊS
They constitute a large group of mostly “pronouns” and
“noun phrases,” less frequently other parts of speech.
Reference words represent other elements in a text
and allow the writer to manipulate these elements in
different ways. (PAINE, s.d., on-line)

• Transition signals

Os sinais transicionais também são chamados de


dispositivos de coesão (cohesive devices ou cohesive ties) ou
palavras de ligação (linking words). São palavras ou conjuntos
de palavras/locuções (phrases) que mostram a relação entre as
ideias. Existem diversos exemplos, como: “for example”, “likewise”,
“so”, “first”, “as a result”.

Unidade 2
Para ler mais sobre palavras de ligação em inglês,
acesse aqui e, para ver uma lista traduzida dessas
palavras, acesse aqui .
SAIBA MAIS

• Substitution

Esse recurso consiste na substituição de uma ou mais palavras


por outra usada anteriormente no texto. Gramaticalmente, é um
recurso parecido com as “reference words”, mas a substituição
refere-se a substantivos, locuções nominais, verbos e locuções
verbais, usando as palavras “one, ones”, “so” e “same”, e os
verbos auxiliares “do, have, be”. Esse recurso também se vale da
sinonímia.

EXEMPLO:

• There are many seeds for you to plant, but the best is
to use some nice big ones.

• Would you like a cup of coffee? Yes, I do. (ao invés de


repetir, Yes, I would like a cup of coffee).

SEMÂNTICA DO INGLÊS 53
• Ellipsis

Esse recurso consiste na chamada “zero substitution”, que é


quando um termo é retirado do texto para evitar repetição, sem
que outro seja colocado em seu lugar.

EXEMPLO:

Paula likes cakes, Tom, pies. Sally nor cakes, nor pies.

After work I went to their apartment, few blocks away, then


came back.

• Shell nouns

Nesse caso, é quando usamos substantivos abstratos que


resumem o significado de algumas informações ou alguma
Unidade 2

palavra que os antecede, também fazendo uso da sinonímia,


gerando coesão. São chamados de “shell nouns”, “carrier
nouns, signalling nouns”, ou “anaphoric nouns”. Geralmente, são
usados com pronomes demonstrativos “this, that, those”.

EXEMPLO:

Virus transmission can be reduced via frequent washing of


hands, use of face masks, and isolation of infected individuals. These
methods, however, are not completely effective (Adaptado de EAP,
on-line).

Para entender melhor o que seria a coerência textual,


observe o exemplo abaixo. Veja que o fragmento a seguir está
sem sentido, embora possamos somente saber que o assunto é
esporte e saúde. No entanto, as frases e as informações não estão
dispostas na forma que deveriam estar, estão desconexas. Nesse
caso, esse texto está com problemas de coesão e de coerência.

54 SEMÂNTICA DO INGLÊS
O estudo dos sinônimos e
antônimos
A sinonímia é um aspecto linguístico diretamente
relacionado com o significado das palavras e, consequentemente,
com a Semântica. Em outras palavras, você pode observar que
a sinonímia é um recurso da Semântica que serve para obter
coesão e coerência. O sinônimo nada mais é do que o uso lexical
de palavras ou conjuntos de palavras (phrases) parecidas, que
possuem significado igual ou sentido semelhante, porém, essa
definição não para por aí.

Sinônimo é um termo que vem do grego synonymós,

Unidade 2
formado por “syn” (com); e “onymia” (nome). A sinonímia ajuda na
escolha de palavras para expressar exatamente o que se deseja
com o enunciado, de forma mais eficaz, sobretudo evitando a
repetição de termos várias vezes no parágrafo. O sinônimo é
um fenômeno linguístico-discursivo e compreende um grupo de
palavras que apresentam um mesmo significado.

A sinonímia é um dos conceitos mais clássicos da Semântica,


visto que, em outras palavras, é por meio desse recurso que
podemos trabalhar com o léxico sem deixar que o nosso texto
perca os aspectos de coerência e coesão.

Sinônimos são palavras que possuem o mesmo, ou quase


o mesmo, significado de um outro termo. Podemos falar “easy
task” ou “simple task”, porque, em inglês, “easy” e “simple” são
sinônimos. Não podemos confundir a sinonímia de palavras da
língua portuguesa com as do inglês. Outro exemplo seria “São
Paulo is a large city”, ou “São Paulo is a large metropolis”, porque
“large city” é sinônimo de “metropolis” em inglês.

SEMÂNTICA DO INGLÊS 55
Temos de conhecer bem o significado dos termos
em inglês, para sabermos se há sinonímia entre
eles. Entretanto, cumpre lembrar que nem todos
IMPORTANTE os pares de palavras que parecem sinônimos
em inglês são intercambiáveis. Por exemplo, as
palavras “boring” e “insipid” são similares, mas não
são sinônimos perfeitos, pois a primeira é mais
coloquial e a segunda é para fins mais eruditos. A
língua inglesa tem muitos pares de palavras que
apresentam leves distinções como essa, ou seja,
são parassinônimos.

O fato é que o uso de sinônimos na retomada de ideias


deixa o texto muito mais claro e rico em significados. O sinônimo,
além de compartilhar o mesmo significado, também adquire
identidade. Quando uma palavra não está contextualizada, ela
Unidade 2

pode assumir várias definições por causa da falta de contexto.


No entanto, uma vez que esse contexto exista, essas palavras
passam a ter identidade. Em inglês, para que exista a sinonímia,
é necessário que:

• Os significados das expressões sejam idênticos ou


muito similares.

• O significado das expressões deve ser semanticamente


equivalente (ou seja, possuir o mesmo valor ou quase
o mesmo valor).

Para isso, o sinônimo pode ser perfeito, compartilhando


um significado idêntico, ou imperfeito, compartilhando somente
significados semelhantes.

EXEMPLO:

Perfeitos: “lexicon” e “vocabulary”.

Imperfeitos: “happy” e “content”.

56 SEMÂNTICA DO INGLÊS
Podemos dividir os sinônimos em tipos, conforme a figura
a seguir.
Figura 22 – Tipos de sinônimos

Sinônimo conceitual

Sinônimo contextual

Sinônimo referencial

Sinônimo conativo
Fonte: Adaptada de Ruiz (2001).

a. Sinônimo conceitual

Esse tipo de sinônimo acontece quando o significado de


duas ou mais palavras é o mesmo. Veja o exemplo.

Unidade 2
Quadro 8 – Sinônimo conceitual

Fonte: Elaborado pelos autores com base em Cambridge (2022).

b. Sinônimo contextual

Como o próprio nome diz, esse tipo de sinônimo deve


estar diretamente relacionado ao contexto. É pelo contexto que
fazemos as melhores escolhas de palavras, pois percebemos
claramente a prática da língua, seja ela de forma escrita ou de
forma oral.

c. Sinônimo referencial

É quando os termos de uma oração remetem ao mesmo


referente, mas não significam a mesma coisa.

SEMÂNTICA DO INGLÊS 57
EXEMPLO:

Peter is my father.

He is our boss (Peter).

Perceba que essas duas orações falam da mesma coisa,


porém, o referencial é diferente.
Figura 23 – Sinônimo referencial/referente

Fonte: Pixabay
Unidade 2

d. Sinônimo conotativo

Esse tipo de sinônimo acontece quando as palavras


conotativas fazem referência ao mesmo significado. Não é
necessário que essas palavras se assemelhem por completo com
relação ao significado.
Quadro 9 – Sinônimo conotativo

Fonte: Elaborado pelos autores com base em Cambridge (2022).

Perceba que, no quadro anterior, algumas palavras


podem ser substituídas e elas pertencem ao léxico
de animais e flores.
NOTA

58 SEMÂNTICA DO INGLÊS
Os antônimos são palavras que apresentam sentido
contrário, sentido oposto a outra palavra. Dentro do campo
semântico, o uso do antônimo também é conhecido como
antonímia.

A antonímia é um recurso linguístico utilizado com muita


frequência nos mais diversos tipos de texto (podendo, inclusive,
ser caracterizado por dar ênfase em algo).
Figura 24 – Oposição

Unidade 2
Fonte: Pixabay

O sinônimo e o antônimo estão diretamente relacionados


um ao outro, pois, ao vermos determinada palavra, é comum
fazermos conexão com o seu oposto.

Quando você decide aprender um idioma estrangeiro,


vai construindo um vocabulário com várias palavras e,
consequentemente, aprende o seu sinônimo e o antônimo, não
é mesmo?

Esse exercício de associação terminológica é excelente


para aprender um novo idioma e é sempre recomendado. Os
sinônimos e antônimos em inglês podem ser encontrados em
um tipo de dicionário chamado “Thesaurus”. Esse dicionário tem
a finalidade específica de fornecer sinônimos e antônimos.

SEMÂNTICA DO INGLÊS 59
Para acessar dicionários “Thesaurus”, consulte o
link disponível aqui . Ao consultar um termo, você
verá uma lista com links de outros dicionários
ACESSE muito bons, além dos “Thesaurus” nos quais poderá
encontrar o sinônimo da palavra consultada.

Observe a seguir um quadro que mostra alguns sinônimos


e antônimos em inglês.
Quadro 10 – Sinônimos e antônimos em inglês
Unidade 2

Fonte: Elaborado pelos autores com base em Cambridge (2022).

Neste último capítulo, você estudou os sinônimos


e os antônimos na língua inglesa. Com o estudo
desses dois elementos da Semântica, conhecidos
RESUMINDO também como sinonímia e antonímia, você
percebeu que outros aspectos linguísticos devem
ser levados em consideração, como a coesão e a
coerência. Conhecer os sinônimos e os antônimos
das palavras faz que você aumente ainda mais
o seu vocabulário em inglês. Conforme seu
conhecimento vai aumentando no idioma, a
sua lista de sinônimos e antônimos também vai
aumentando, isso é um processo gradual.

60 SEMÂNTICA DO INGLÊS
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64 SEMÂNTICA DO INGLÊS

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