0 notas0% acharam este documento útil (0 voto) 35 visualizações14 páginasHistória Do Rito Moderno
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HENRIQUE CANDIDO CAMARGOPALESTRA proferida pclo Ir.’. HENRIQUE CANDIDO CA~
MARGO sobre a HISTORIA DO RITO MODERNO, em 29 de
‘Abril do 1984, E.". V.'., no Templo Nobre do Palécio Magénico,
no Vale do Lavradio.
0 Ir, HENRIQUE CANDIDO CAMARGO 6 membro efetivo
da Loja Uniao ¢ Tranquilidade, 2.8 da Ordem (Rito Modemno), ¢
seu representante na Soberana Assembléia Federal Legislativa.
E Deputado Federal perante a $.A.F.L., desde 25-09-1958.
B 12 Gr. Vig. do Supremo Conselho do Rito Moderno para 0
Bras
Eo atual Gr.", Orador da $.A.F.L..
E membro da Comissio de Liturgia do Grande Oriente do
Brasil Gay,
£(Benemérito da Ordem.
5 ex-membro dos seguintes Orgios:
a) CONSELHO FEDERAL DA ORDEM;
b) SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTICA MACONICA;
c) 29 Vig’, da S.A.F.L. :
Foi por duas vezes, Venerivel da Loja Unido ¢ TranquilidadeMeus TR.
Sejam as minhas primeiras palavras de agradecimento pela
hhonrosa misséo que me foi confiada, qual seja a de falar sobre o
RITO MODERNO, ou melhor sobre a HISTORIA DO RITO
MODERNO.
Nao vou repetir aqui, 0 velho chavo, de que a histéria do
Rito Moderno se perde na noite dos tempos...
E nio vou, porque o Rito Modemo, na realidade, é pouco
conhecido da maioria dos macons que frequentam nossa Poténcia,
© é mal interpretado em sua pureza, face a esse desconhecimento.
TE sabido que 0 GOB foi fundado sob os auspicios do Rito
‘Adonhiramita, em 17-06-1822, porém, desde sua 5. (quinta) Ses~
Sho, reatizada em 12-07-1822, passou a trabalhar no Rito Moderno.
Releva notar, ainda, que Rito Moderno foi introduzido no
Brasil em 1800, quando foi fundada a Loja REUNIAO, com Tir’.
que vieram da Franga, portanto, 22 anos antes da fundacio do
GOB.
"Antes de entrar propriamente na matéria objeto da palestra
sejarme licito falar nas 3 (trés) magonarias conkecidas, segundo o
conceit de Maurice Paillard. :
"A primeira, denominada magonaria operativa, era # dos pedre
10s livres, isto &, 2 dos construtores das catedrais, onde a condiea0
fexigida para ser macom, era ser artifice, pois tinha que saber tra-
athar na pedra, no tijolo, na madeira, no gess0, no estofo, no couro,
fou em tudo que servia para a construgao dos pavilhoes (Les Trois
Francs-Magonneries - pig. 5).
“A segunda, denominada maconaria especulativa tradicional, nas-
ida, pode-se dizer, em 1723, com advento da denominada “Cons-
tituiggo de Anderson", permitia 0 ingresso na Ordem, de homens
que por seu caréter, se obrigavam a obedecer a lei moral, nfo po-
dendo ser, jamais, um ATEU ESTUPIDO, nem um LIBERTINO
TRRELIGIOSO (ob. cit., pag. 21 € seguintes).
se‘A terceira, denominada maconaria dogmdtica, nascida em 27
de dorembro de 1813, dia de S40 Jo%o Evangelista, marca a fusio
Ga Grande Loja de Londres de 1717, denominada Loja de Sio Toko
Ge Jerusalém, com a Grande Loja Unida dos Velhos Franco-Magons
‘de Inglaterra, de 1753, nascendo daf, a Grande Loja Unida da In-
glaterra, denominada LOJA MAE (0b. cit, pég. 37 segnines):
‘A magonaria operativa tinka por objeto 2 procura, 0 ensina-
mento e 0 emprego dos meios proprios A construgio de eiifcios
de catacteristicas diversas.
"A magonaria especulativa tem por objeto a procure @ 0 ens
amento dee meios que permitem o estabelecimento da PAZ © da
PRATERNIDADE entre todos os Homens de Honra ¢ de Probic
dade do Universo.
‘A maconaria dogmética tem por objetivo o estudo © & prope
gaqdo duma religido deista determinada sobre 2 qual os omens do
Seiverso erentes em Deus se unirdo fraternalmente,
G Rito Modemo se situa dentro dos pardmetros da magonaria
cespeculativa, embasado na Constituigéo de Anderson de 1723, que
aiabelece no item I, relative @ Deus ¢ & Religifo o scguinte:
0 magom esté obrigado por seu caréter a obedecer a lei
moral, ¢ si devidamente compreende a Arte, ndo seré ja-
mais am ateu estipido nem um liberting irreligioso. Ape-
ar de nos tempos antiges os magons estarem obrigados
4 permanccer na religiio dominante em seu pais ou emt
utro que habitasse, se considera hoje muito mais conve”
fiiente obrigilos tdo s6 a professar aquela religido que
todo o homem aceite, deixando a cada um livre em suas
proprias opinies; quer dizer, ser Homem de bem ¢ Jal
Fiomem Honrado © de Probidade, quaisquer que sejam
as DenominagSes ou Confissdes que ajudem a os distin
fuir. Desta maneira 2 Magonaria vem a ser o Centro DE
UNIAO © 0 meio de ligar uma Amizade sincera entre
pessoas que teriam perpetuamente permanesido distanci
das.”
Kote em sintese, 0 objetivo do Rito Moderno.CRIAGAO DO RITO MODERNO
© Rito Moderno foi criada em 1761, constituido em 24 de De-
zembro de 1772 e prociamado pelo Grande Oriente de Franca, om
(09 de Marco de 1773 e ampliado pela reforma litirgiea em 1786,
para 3 graus simbélicos ¢ 4 ordens filoséficas
Os 3 graus simbélicos so os tadicionais:
aprendiz, grau 1, onde se cultiva a Moral e a Tolerincia, Onde se
procura estabelecer a Justica na Humanidade © imperar a Frater-
nidade, onde se cultua 0 respeito mituo c a liberdade absolute da
coosciéncia, tendo como divisa a Liberdade consciente, a Tgualdade
fentre os iguais e a Fraternidade que irmana seus participes, pro-
curando aprimoramento da sociedade, através a pratica da Solida-
tiedade, que € 0 coroamento de toda a jornada Macénica.
Numa Loja de Aprendiz, se combate a tirania, a jgnordncia, os
preconceitos e 03 erros: glorifica-se o dircito, a Justiga, a verdade
ea razio. B 0 que os antigos formulérios traduzem por estas pa~
lavras:
ELEVAM-SE TEMPLOS A VIRTUDE
E CAVAM-SE MASMORRAS
AO VICIO.
No grau de companheiro, grau 2, 0 magom é levado a descor~
tinar os mistérios da letra “G”, cujo significado constitul mono~
rama de Geragio, de Gravitacio, de Geometrie, de Génio e de
Ggnose.
Geragio, 6 a forca vital que perpetua a série dos séres.
Gravitagio, é a forga primordial que regula 0 movimento ¢ 0
equilibrio da matéria.
Geometria, é 0 fundamento da Ciéncia Positiva, sem ela o es-
pitito do homem perder-se-ia em vas especulacoes.Génio, 6 a inteligéncia humana brilhando com o seu maior es-
Pleador. © homem que o possuir, deve empregévlo para guiar os
Outros no caminho da Justica e da Verdade,
Gnose, 6 0 conhecimento moral mais extenso, 0 mais generoso
também, € a impulsio que leva o homem a aprender sempre mais,
© que € 0 principal fator do progresso,
E nesse grau que o magom, através as cinco vigens que prow
cede, aprimora os SENTIDOS, desenvolve 0 senso de elucagio ¢
desenvolvimento da coletividade, estudando as ARTES que é 0 ver.
culo mediante © qual se manifestam as civilizacées jé desaparecidas,
Procura compreender a Natureza, através 0 estudo da CIENCIA,
hhonra os Inventores, os Artistas, os Cientistas, os Moralistas, os Esta.
distas, que se constituem nos BENFEITORES DA HUMANIDADE.
© homem por meio da ARTE ¢ da CIENCIA, progride pouco
pouco € acaba por clevar-se até a uma concepcio mais justa, De.
seja a elevacio do fraco, Sonha com a Fratermnidade, Compreende
2 Solidariedade, quer 0 dominio da Tustiga ¢ da Tgualdade, isto &,
igvaldade de oportunidade para todos, qualquer que seja a rasa,
nacionalidede ou religito.
Finalmente na GLORIFICAGAO DO TRABALHO o magom
se aperfcigoa, e & por meio dele que a obra da Maconaria prosse-
guiri, E por meio dele que um dia seré terminada a construcio
do Templo,
As sociedades humanas, devem preparer os trabathadores do
futuro pela educacdo © pela instrucdo. Devem impedir a opressio
dos que trabalham, e tudo fazer para thes methorar a sorte, pondo,
inclusive, a0 abrigo das necessidades, aqueles que, pela idade ow
Por acidentes, se tornarem invélidos,
Na glorificagio do trabalho se exterioriza 0 esforgo do. mais
hhumilde dos homens, para © progresso da Humanidade.
Este grau € 0 mais completo de todos, dentro da estrutura ma-
SSniea, quer pelo seu conteddo, quer pela sua finalidade.
No grau de mesire, grau 3, fruto de uma lenda, evoca o fim
twigico de um grande arquiteto que teria sido 0 precursor da Ma.
conaria
Esta lenda constitui um dos Landmarks da Ordem, tigando as
diferentes federagées magénicas espalhadas pela superticie do globo,
© atestando sua origem comum.+2 opressio
‘pondo,
A Lendave Hiran Abif, segundo uma tradicao que se transmi-
tiu durante séculos, nos dé noticia que foi ele enviado ao Rei Sa-
lomao, por Hiran, rei do Tiro, para ditigic os trabalhos de cons-
trugio do Templo de Jerusalém,
Como toda Ienda, € cla matéria passivel de controvércia om
seus meandros, porém, 0 objetivo de sua permanéncia 6, para nés,
exemplo que dé 0 Mestre Macom, e que se extrai de seu posi-
cionamento, colocando o dever acima de tudo.
Como lenda, cujo simbolismo serve de elo & Maconaria Uni-
versal, Hiran € 0 simbolo do homem que alcangou 0 dominio de si
proprio.
© grau de Mestre retraga, alegoricamente, a morte do Sol, que
ressuscitard quando de sua passagem pelo solsticio do inverno, a fim
de devolver a vida & Natureza,
mito de Hiran assume, desse modo, uma significacéio material
espiritual, como toda a Maconaria, que leva aos seus adeptos a
participarem da Natureza, tazendo com que ela neles se integre, en
sinando-os a dominé-la enquanto dela se servem, colhendo ensina-
‘mentos de ordem moral, intelectual ¢ cientifica,
‘A Lenda de Hiran, em sintese, representa a hist6ria do. justo
levado & morte pela violéncia das paixdes humanas, onde a igno-
rincia, a hipocrisia e 0 fanatismo dio vazi0 aos tres vieios que
pervertem 0 individuo, estiolam a sociedad
‘Ainda, dentro da lenda, se presta um tributo a Acacia, esse
ramo verdejanie no seio da morte, posto que foi colocado no ti
mulo de HIRAN, é 0 emblema do 28lo ardente que o Mestre deve
ter pela Verdade e pela Justica, no meio dos homens corrompidos
que traem a uma e a outra,
Simboliza, ainda, a renovagio perpétua dos seres organizados,
2 vida tirando seus elementos da propria Morte, e 2 renovacio so-
cial, pela Liberdade que sucede a Opressio.
Estas sto em sintese as caracteristicas ritualisticas do Rito Mo
demo,
No que tange as 4 ordens filoséticas que compoem a estrutura
do Rito, nfo € matéria a ser ventilada em ambiente do simbolismo.© RITO MODERNO E A HISTORIA DO BRASIL
[Ninguém neste pais, dentro do ambito da maconaria brasileira
pode ignorar a importincia do Rito Moderno, nos cometimentos
importantes de nossa Pétria,
© maior deles, a INDEPENDENCIA, foi fruto exclusivo desse
Rito.
Realmente, como assinala Adelino de Figueiredo Lima, in
“Nos Bastidores do Mistério” nenhum outro Rito esteve presente
nas lutas pela independéncia nacional.
S6 esse fato bastaria para que ele merecesse 0 resptito ¢ a
admiracdo de todos os macons brasileiros.
No magistério de Adelino de Figueitedo Lima, em memordvel
conferéncia proferida quando do 1.° Simpésio Brasileiro de Maso-
naria Simbélica, levado a efeito pela Loja “José do Patrocinio”, em
1961, trouxe 2 colagSo, achegas que destacam 0 posicionamento do
Rito Moderno,
Extraise daquela pega vigorosa a sincera, excertos que valem
ser reproduzidos,
‘Afirmava o conferencista que: “O Brasil jé atingiu aquele grau
4e civismo que hé cinguenta anos atrs era 0 orgulho da velha Eu
ropa”,
“Varios fatores contribuiram para a conquista das liberdades
fondamentais ¢ para a estabilidade das instituigdes democriticas,
Xinicas que permitem, efetivamente, a liberdade do homem e da mu-
Ther; e um desses fatores, porventura o mais decisivo, foi a Maco-
naria servida pelo Rito Moderno.”
“Foi o Rito Moderno que proclamou a igualdade de racas ©
destruiu pela base as discriminagdes religioses.”
“A mancha de escravatura, Iavou-a 0 Rito Modemno.”
“A liberdade do ventre das escravas, proclamou-a o Rito Mo-
demo.”“A supremacia do Poder Civil sobre 0 poder religioso afirmou-a
9 Rito Moderno — Rito Oficial do GOB, — quando Grio-Mestre
{© Visconde do Rio Branco, primeito Ministro do segundo império,
resolvia a questio das itmandades, chamando dois bispos & ordem,
© dando aos macons, como prerrogativa impugnivel, o dieito de
‘eidada0s com igualdade perante a lei.”
“Todas estas questoes, em que foi parte 0 Rito Moderno, sio
de irrecusével cunho social. Por isso, falar do Rito Moderno, é sem-
pre uma honra, marmente quando se sente na alma a inguietacio
Gas multidées andnimas, sempre ‘Zo altamente exaltadas, mas quase
sempre, iludidlas. ..”
, terminava o lustre conferencista: “Nada mais oportuno,
pois, que um simpésio do Rito Moderno”.
‘Como se vé, 0 Rito Moderno € patriménio da Magonaria Bra-
sileira, A hist6ria do Brasil ha de ser reescrita com as achegas do
Rito Moderno, através a partcipacio das suas trés luzts Historicas,
‘que sio as trés Lojas fundadoras do GOB: Comérvio ¢ Artes, Unio
¢ Tranquilidade ¢ Esperanca de Niter6i.
Pena € que a vaidade de alguns, a incompreensio de outros,
do se deem conta da insensatez que por momentos oblitera a in-
teligéncia, amortece 0 raciocinio, e ofusca a capacidade volitiva
intelectiva, fazendo nos esquecer dos fatos histéricos, e repudiar
nnossas proprias origens,‘segundo império,
sspos & ordem,
© direito de
‘Rie Moderno, si0
‘Moderno, é sem
“ates 2 inguietacao
das, mas quase
mais oportuno,
‘= Maconaria Bra~
com as achegas do
SS Iazes Historicas,
2 Artes, Unido
io de outros,
oblitera a in-
volitiva &
e repudiar
Mas nao é sé esse Pod.
RENATO DE ALENCAR 20 tratar do Rito Moderno, assere,
depois de afirmar que o Rito tomar grande incremento quando
for mais conhecido, que:
AS ACUSACOES AO RITO MODERNO
Os trefegos opositores ao Rito Moderno, taxam-no de rito ateu.
Os mais moderados, declaram-no agnéstico, E dentro dessa ordem
de acusagées, proclamam-no irregular.
Razio nko tém esses falsos profetas.
Em primeiro lugar, porque Maconaria nfo é religido. Ela 6,
no dizer de RAGON, a religido da alma, c cla no impoe nenhum
jugo religioso a seus iniciados (Ortodoxie Maconnique, 2° Edigio
— ABI — 1972 — Paris, pig. 11).
Em segundo lugar, porque, como observa THEOBALDO VA-
ROLI FILHO, in — Curso De Maconaria Simbélica, pag. 99,
“na verdadeira magonaria ndo pode haver rito agnéstco.
Basta existr iniciagdo para o rito ser gnéstico. Por outro
lado, se existe 0 escopo de aperfeicoamento do espirito,
subsiste intengdo de aproximar 0 iniciado do transcen.
dental, daguilo que no dizcr dos espiriualistas, corres-
onde ao entendimento aproximado das verdades divinas.
Allis, ressalvon Anderson que proceder bem & servir 20
Supremo Arquiteto dos Mundos. Disso tudo resulta a nossa
opiniéo, pela qual o Rito Moderno deve ser considerado
como um rito de livres-pensadores, mas no um rito ag-
néstico”,
= In’, que assim ponsa,
“diga-se o que se quiser, 0 Rito Moderno ou Francés, dado
© espirito filos6fico e de reforma progressiva que inspica
sua doutrina, € 0 mais racional e adequado & nossa época,,
3pdentre quantos hoje se praticam de maneira visivelmente
inconsciente pela maioria daqueles que pretendem marchar
& vanguarda do progresso empunhando 0 vetho estandarte
do Escocismo (Enciclopédia Histérica do Mundo Macé-
nico, pag. 213).
Outra no foi a razéo pela qual RAGON dedicou uma de suas
‘mais extraordindrias obras ao Rito Moderno, e 0 fez, afirmando que:
“Nés demos em nosso Curso preferéncia & Maconaria
francesa, a qual tem a vantagem de estar formada exclu
sivamente por sete graus que conservam entre si relagdes
exatas, cuja parte dogmética tem o mérito de basear-se
hos mistérios antigos (I. M. Ragon — Curso Filosético
de Las Iniciaciones Antiguas Y Modernas — Traducio
de Salvador Valera, pag. 113).
‘Outro insuspeito defensor do Rito Modemno, nosso Pod.". Ir.".
Alvaro Palmeira, tem, ao longo de sua invejével carreira macOnica
dofendido ¢ difundido 0 Rito.
Em memordvel conferéncia realizada em 06 de fevereito de
1961, neste mesmo salZo nobre, quando do primeiro Simpésio de
Maconaria Simbélica, dissecou, pode-se dizer, sem medo de errar,
todos os pontos de ataque a0 Rito.
Seu extraordinério trabalho esté inserto no’ Boletim do GOB
Nos 3 — 4 — 5, do Ano 86, 1961, E.". V."., pigs, 68/78.
Nessa verdadeira peca de apoteose a0 Rito, 0 Pod.”. Ir.”. Pal-
‘meira demonstra de maneira extrema de diivida que 0 Rito Moder-
no nfo é ateu, nem to pouco irregular.
Em outro trabalho, apresentado na X Mesa Redonda de Ma-
sonaria Simb6lica, reatizada em $20 Paulo, em maio de 1962, B.”.
V."., denominado “Em Defesa da Tradi¢do e da Unidade do Grande
Oriente do Brasil", 0 Ir.". Palmeira defenden nao sé 0 Rito Moder-
no, mas, também, 0 Adonhiramita,
Ressalte-se, por oportuno, que esses ataques nio partem s6 das
Grandes Lojas sediadas nos Estados.
Partem, também, de Tlr.". da nossa obediéncia, que sem conhe-
cer a hist6ria da Maconaria Universal, de um lado, e sem conhe-
ir= macénica
Eeverciro de
cimento da historia da Magonaria no Brasil, de outro, primam pela
exteriorizagio da ignorincia no assunto, por incapacidade absoluta
de discerirem sobre © que é nia realidade a Maconaria,
Séo 0s portadores de preguiga intelectual e espiritual, sio di-
fundidores de uma ret6rica initil e vi, vivem preocupados com a
construcgo d'uma fachada atrés da qual possam imunizar-se.
Nao alcancam os meandros da ciéncia magénica, que no dizer
de C. CHEVILLON
“ela 6 a ciéncia dos porqués, com tendéncia especial para
penetrar 0 segredo da Grande Obra.” (Le Vrai Visage de
Ja Frane - Maconneric).
Para os de nossa obediéncia, o Ir.”. Palmeita, dé de sobejo,
a resposta adequada.
Para os Hr.". das Grandes Lojas, o Pod.’ Ir.”. Mario Behring,
que foi Grio-Mestre do GOB de 1922 a 1925, ¢ soberano Grande
Comendador do Rito Escocgs, autor da cisto de 1927, di a res-
posta fulminante, como se extrai da leitura do Boletim do GOB,
‘ano 1902, pag. 826, vazada nos seguintes termos:
0 progresso atual nio permite que a Maconaria cerre as
portas de seus templos ao deserente. Eo Rito Moderno
‘que & a expressio mais adiantada da Maconaria de hoje,
fez dar & Instituigio um passo gigantesco, abrigando no
seu sejo a profanos, que 0s outros Ritos repelem.”
Razio tinha © querido Ir." Moacyr Arbex Dinamarco, quan-
do, em palestra realizada em 15 de abril de 1965 E.". V."., afir-
mava que:
o Rito Modemo, dado ao espirito filoséfico e de reforma
progressiva que inspira suz doutrina, é racional ¢ adequa-
do ao século em que vivemos.”
Por derradeiro, queremos silenciar defintivamente 0s oposito-
res do Rito Moderno.
= i(© Supremo Conselho do Rito Moderno para o Brasil, em sesso
realizada aos 8 dias do més de setembro de 1969 E.’. V.". tendo
‘iéncia da campanha nacional ¢ internacional destechada contra 0
GOB, em razio do Rito Moderno, que sempre se colocou dentro
dos parimetros das Constituio6es da Insttvicio, baixon uma Reso-
upto declarando reconhecer 2 competéncia da Poténcia Simbolica
para adotar a resolugdo que harmonise a doutrina maginica com
espitito © a forma de seus compromissos externos, no tocante 2
(definigéo da Biblia como o Livro da Lei para o Brasil.
"A integra dessa Resolugao esté inserta no Boletim do GOB
m2 8 — Ano 98, Agosto-Sctembro de 1969 E.". V."., pig. 61/63.
"Assim caem por terra todas as acusagées a0 GOB e 20 Rito
Modemo, rito em que até hoje, trabalham os altos corpos da Ins-
tituigdo Simbética.CONCLUSAO.
‘Ao terminar esta palestra, quero langar as sementes da nova
magonatia,
‘Nés vivemos, ainda, sob a égide da Constituigo de Anderson,
de 1723.
‘© mundo evoluiu vertiginosamente, @ neste fim de séeulo, os
avangos tecnolégicos chegam a ser aterradores.
“Todas as organizacdes culturais e intelectivas buscam a refor-
mulaglo de seus conceitos.
‘Nés paramos no tempo. Ficamos apegados a uma maconaria
dogmitica que esté totalmente defasada, além de casuistica.
'No limiar do terceiro milénio precisamos estar preparados para
enfrentar 0 AVANCO COSMICO.
(O Rito Moderno se propée a estudar a possibilidade da instau-
ragdo da MAGONARIA COSMICA. E as fincas desta tarcfa serd res-
paldada pela grandiosidade dos ensinamentos do seu grau de compa-
Inheiro, porque ele conduz os mais aptos, os mais corajosos © per~
severantes &s maiores alturas, transmite-Ihes as regras da arte © os
principios da ciéncia, e estes, por sua vez, poderdo formar os futu-
os obreiros da perfeicao, dirigi-los e elevé-los, até 0 seu proprio
nivel, para permitir que 2 OBRA MACONICA seja eterna como
a HUMANIDADE.
‘$6 um Rito que nfo sendo DEISTA nem TEISTA, isto por
nio admitir DOGMAS, nem tio pouco POSITIVISTA ou ATEU,
fe muito menos AGNOSTICO, mas na realidade de
PRUDENTE NEUTRALIDADE,
fem razdo de sua préptia constituigio, e indiscutfvel flexibilidade,
‘como todos reconhecem ser 0 RITO MODERNO, € que poderd
desfraldar a bandeira da nova maconaria, isto € 2
MACONARIA DO TERCEIRO MILENIO.
‘Tenho dito, Muito Obrigado pela atengdo que os queridos
Ur.". me dispensaram,
HENRIQUE CANDIDO CAMARGO
ig