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Lei Maria da Penha e Pandemia: Análise Eficaz

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CENTRO UNIVERSITÁRIO ESTÁCIO DO CEARÁ

Disciplina de TCC em Direito Penal


CURSO DE DIREITO

THAYNA MARQUES DE ARAUJO

A APLICABILIDADE DA LEI MARIA DA PENHA EM TEMPO DE PANDEMIA:


UMA ANÁLISE DA EFETIVIDADE DO DISPOSITIVO LEGAL Nº 11.340/2006

FORTALEZA,
2023.1
THAYNA MARQUES DE ARAUJO

A APLICABILIDADE DA LEI MARIA DA PENHA EM TEMPO DE PANDEMIA:


UMA ANÁLISE DA EFETIVIDADE DO DISPOSITIVO LEGAL Nº 11.340/2006

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


como requisito parcial à obtenção do grau de
Bacharel em Direito do Centro Universitário
Estácio do Ceará.

Professor(a) Orientador(a): Cristiane Dupret


Filipe Pessoa.

FORTALEZA,
Parangaba,
2023.1
A APLICABILIDADE DA LEI MARIA DA PENHA EM TEMPO DE PANDEMIA:
UMA ANÁLISE DA EFETIVIDADE DO DISPOSITIVO LEGAL Nº 11.340/2006

Thayna Marques de Araujo1


RESUMO
A violência de doméstica tem tomado, a cada ano, maior destaque no debate
acadêmico e social, instituições e a sociedade civil de maneira geral tem buscado
promover a proteção integral da mulher vitimada, edificando um vasto conjunto de
posturas que devem efetivar as disposições previstas na Lei nº 11.340/2006. O tema
trazido nesta pesquisa, que tem como local de estudo a cidade de Caucaia-CE, se
mostra relevante a partir do instante em que, no contexto social contemporânea, não
se admite em hipótese nenhuma, atos de violência que atingem a mulher em sua
integridade física, psicológica, emocional, financeira ou qualquer outro elemento da
sua personalidade, cabendo a toda a sociedade construir meios suficientemente
capazes de coibir tais ações violentas. O estudo busca compreender os motivos do
nascimento das agressões contra a mulher, investigando meios de eliminação dos
atos de violência, protegendo o convívio pleno da mulher em seus domicílios e em
toda a sociedade, em especial a realidade vivenciada pelas mulheres no município de
Caucaia-CE.

Palavras-chave: violência doméstica, sistema de proteção, realidade social.

SUMARIO: 1 INTRODUÇÃO.............04. 2 A PROTEÇÃO DA MULHER NO


CONTEXTO SOCIAL MODERNO.............05. 3 A LEI MARIA DA PENHA E SEUS
EFEITOS.............09. 4 LEI MARIA DA PENHA E A REALIDADE NO MUNICÍPIO DE
CAUCAIA-CE.............13. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS.............19.
REFERÊNCIAS.............21

1 Graduanda em Direito pela UNESA –Universidade Estácio de Sá. E-mail:


thaynamarqueshvr_@[Link]
4

INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem como tema objetivo principal investigar o processo


histórico de construção do sistema de proteção da mulher, compreendendo desde os
primeiros movimentos do chamado feminismo, acompanhando até os dias atuais os
caminhos de edificação da estrutura que se conhece hoje. Muito se conquistou nas
últimas décadas em relação ao resguardo da condição da mulher em seus lares e no
convívio social, porém, ainda se faz necessário confrontar as práticas que resultam
em qualquer tipo de ofensa aos elementos mais basilares da existência feminina.
A problemática se deu a partir da seguinte indagação: O sistema de proteção
construído a partir da promulgação da Lei nº 11340/2006 (Lei Maria da Penha), tem
auferido resultado efetivos na proteção da integridade das mulheres, enquanto vítimas
recorrentes das diversas formas de violências praticas no contexto de suas relações
domesticas e/ou familiares?
Com os objetivos específicos, identificar a violência doméstica como uma
prática que vai além da agressão física. Analisar o comportamento dos índices da
violência em tempos da pandemia da Covid-19; Estudar os avanços trazidos a partir
do nascimento da Lei Maria da Penha no sistema público de segurança e durante a
pandemia da Covid-19.
A escolha do tema dá-se em decorrência da curiosidade e interesse pessoal
sobre a realidade da violência doméstica durante a Pandemia da Covid-19 e
especialmente no período de loockdown, onde as pessoas foram impelidas a um
isolamento social, restringindo a convivência quase em sua totalidade a ambiente
doméstico, não se admitindo a vida social.
A presente pesquisa trata-se de um estudo bibliográfico, onde esse tipo de
pesquisa se pauta em uma averiguação com fonte em livros, artigos e outras
produções de caráter científico já desenvolvidos, onde se realiza uma contraposição
de vários posicionamentos sobre o tema em discussão. A abordagem aplicada aos
resultados auferidos será a abordagem qualitativa, por fim, os objetivos a serem
perseguidos podem ser conceituados como um estudo de cunho descritivo (Gerhardt;
Silveira, 2009).

O estudo encontra-se segmentado em três capítulos que buscam de forma


conjunto apresentar subsídios capazes de esclarecer questionamentos basilares que
5

envolvem a inquirição principal, onde se decidiu pela divisão em três capítulos,


buscando-se um melhor desenvolvimento do tema proposto.

O primeiro capítulo do trabalho se ocupa em expor o processo histórico de


condição da mulher dentro da sociedade, investigando como a mulher e o seu papel
no seio familiar e social foi sendo gradativamente modificado, seguindo o movimento
de transformação imprimido nos demais contextos sociais.

Já o segundo capítulo se ocupa em compreender como o legislador pátrio


buscou edificar o direito da mulher dentro do chamado Estado Democrático de Direito,
buscando sempre trazer novos contornos no resguardo da integridade da mulher,
mediante as demandas que se tornaram públicas e urgentes de regulamentação.

No último momento do estudo é possível encontrar uma análise da


eficiência do sistema de proteção da mulher, tal como previsto na Lei Maria da Penha
e nos demais dispositivos legais, em especial, durante o período de isolamento social,
buscando identificar como os órgãos de proteção da mulher atuaram no
enfrentamento do acréscimo de registros dos casos de agressões, efetivando de
maneira gradativa e eficiente os múltiplos sistemas de manutenção da integridade da
mulher.

2 A PROTEÇÃO DA MULHER NO CONTEXTO SOCIAL MODERNO

Com o surgimento do Estado, como ente detentor do poder de orientar a forma


de viver em sociedade, ferramentas de controle legislativo também foram criadas com
o intuito de justamente garantir direitos e deveres, impondo a sociedade uma certa
limitação por parte do Estado e garantis individuas e coletivas também garantidas por
este.
Apesar do peso de todas essas convenções e da relevância de cada uma delas,
tem-se que se levar em consideração a particularidade de cada país em relação às
políticas públicas voltadas para o grupo das mulheres e sua representatividade na
política. Um Estado ativo politicamente para proteger seu povo e uma representação
feminina forte são essenciais para a construção de uma sociedade mais justa e
igualitária.
6

Lopes (2018, online) ensina que tanto em 1994 e 1995, houveram convenções
e conferencia s voltada a temática feminina, organizações mundiais, organizações
não-governamentais líderes de países discursavam e debatiam exatamente sobre
esse tema tão delicado para a época, porém apesar de se estar no ano de 1994/95, a
atual Constituição Federal é do ano 1988, e nela o Legislador já havia inserido vários
artigos que visavam justamente diminuir essa diferença herdade pelo patriarcado
entre homens e mulheres2.
Em seu artigo 5º, no inciso primeiro a Constituição Federal optou por deixar
bem claro que mulheres e homens são e serão tratados de formas iguais perante a
Lei e perante o Estado Maior, não podendo haver distinção entre esses dois seres
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade, nos termos seguintes: I - homens e mulheres são iguais em
direitos e obrigações, nos termos desta Constituição 3.

A Constituição de 1988 é considerada a mais democrática de todas, sendo


popularmente denominada de Constituição Cidadã, pois seu corpo traz vários artigos,
princípios e nortes a serem obedecidos e aplicados ao caso concreto, sempre tendo
o princípio da dignidade da pessoa humana como bússola, objetivando justamente
que o Estado não possa cometer abusos ao se buscar um direito.
Toda essa graça vista pela Constituição não pode ser considerada uma mera
coincidência, o Legislado inseriu vários artigos garanticionistas e protecionistas
visando exatamente coibir aquilo que tinha acontecido no passado obscuro do Brasil.
Com a Estruturação organizacional política do país, elaboração de leis que
garantissem direitos individuais, sociais, coletivos e difusos foram os benefícios
trazidos pela Constituição de 1988, como dito, o próprio artigo 5º confere o direito a
mulher a ser tratada de forma humana, como um ser humano de quereres e vontades,
deixando de ser tratada como mero objeto de organização caseira ou de satisfação
masculina. Um exemplo de voz trazida pela Constituição está descrito no parágrafo 7º
do artigo 226 da mesma carta:
Art. 226, §8º, da CF: O Estado assegurará a assistência à família na pessoa
de cada um dos que a integram, criando mecanismos para coibir a violência
no âmbito de suas relações. § 7º Fundado nos princípios da dignidade da

2 LOPES, Daniela, As lutas do feminismo. Disponível


em:<[Link] Acesso em 19 de jan. de 2023.
3 BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília,

DF: Presidência da República, [2020]. Disponível em:


[Link] Acesso em: 11 de jan. de 2023
7

pessoa humana e da paternidade responsável, o planejamento familiar é livre


decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e
científicos para o exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva
por parte de instituições oficiais ou privadas4.

O referido parágrafo relata que o princípio dignidade da pessoa humana deverá


ser obedecida dentro do núcleo familiar, cabendo aos pais, de forma igualitária, decidir
sobre a condução do relacionamento e da criação dos seus filhos, não podendo um
ou outro se sobressair ou suprimir os demais. Levando-se em consideração o ano de
1988, tal instituto era considerado uma evolução histórica para a época, visto que o
país ainda passava pela transição de um Regime Militar para um Regime Democrático
de Direito.
Farias; Melo (2021, online) ensinam que:
No plano jurídico nacional a Constituição de 1988 significou um marco no
tocante aos novos direitos da mulher e à ampliação da cidadania. Fato este
que se deveu, principalmente, à articulação das próprias mulheres na
Assembléia Nacional Constituinte com a apresentação de emendas
populares garantidoras de seus direitos. A Constituição como documento
jurídico e político das cidadãs e cidadãos brasileiros buscou romper com um
sistema legal fortemente discriminatório negativamente em relação ao gênero
feminino. Foi assim constitucionalizado como fundamento da República
Federativa do Brasil a dignidade da pessoa humana (não só do homem ou
da mulher). Um dos objetivos fundamentais em nosso país é a promoção do
bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer
outras formas de discriminação. Para reforçar ainda mais, a Constituição de
1988 prevê como direito constitucional a igualdade de todos perante a lei sem
distinção de qualquer natureza e a igualdade de homens e mulheres em
direitos e obrigações5.

No entanto, apesar de ter várias garantias constitucionais descritas na Carta de


1988 muitas ainda delas não tinham se quer sido elaborada, pode-se citar como
exemplo algumas legislações como: a Lei 8.069 de 13 de julho de 19906 que dispões
sobre o estatuto da criança e do Adolescente, a Lei 8.078 de 11 de setembro de 1990
que dispõe sobre a proteção do consumidor e de outras providencias, a Lei 10.741 de
1º de outubro de 20037 que dispões sobre o estatuto do idoso.

4 BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília,


DF: Presidência da República, [2020]. Disponível em:
[Link] Acesso em: 11 de jan. de 2023
5 BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília,

DF: Presidência da República, [2020]. Disponível em:


[Link] Acesso em: 11 de jan. de 2023
6 BRASIL. [Estatuto da Criança e do Adolescente (1990)]. LEI Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990.

Brasília, DF: Presidência da República, [2020]. Disponível em:


<[Link] Acesso em: 11 de jan. de 2023.
7 BRASIL. [Estatuto da Pessoa Idosa (2003)]. LEI nº 10.741, DE 1º DE OUTUBRO DE 2003. Brasília,

DF: Presidência da República, [2020]. Disponível


em:<[Link] Acesso em: 11 de jan. de 2023
8

Todas essas legislações só apareceram após a constituição Federal de 1988,


sejam por pressão política ou por pressão social a legislação das referidas leis foram
postas em pauta e elaboradas pelo Congresso Nacional (Câmara de Deputados e
Senado federal) casas responsáveis pelas elaborações de leis nacionais.
Era muito comum que casos de violência doméstica ou familiar fossem tratados
como analógicos, ou como lesão corporal ou como homicídio. Casos de repercussão
nacional, a depender do agressor, acabavam sendo só mais um dentre outros
recorrentes no país, nesses casos, provavelmente o agressor acabava saindo ileso
das acusações e não recebendo uma penalização pelo delito cometido (Carneiro;
Fraga, 2012, online)8.
A Lei 11.340 de 2006 teve muito história até sua criação, o caso da cearense
Maria da Penha Fernandes se tornou uma inspiração legislativa apara outros países
e uma obrigação para o Estado brasileiro, após se formar na Universidade de São
Paulo, em 1947, Maria da Penha se casou com Marcos Antônio em 1976, vindo a
morar em Fortaleza, capital do Ceará, na mesma época.
Depois do nascimento da segunda filha, Antônio Marcos começou a ficar
agressivo e a tomar atitudes violentas contra sua parceira. Em 1983 seu companheiro
de deu um tio nas costas enquanto dormia, deixando paraplégica, na época o crime
tinha sido retratado pelo agressor como tentativa de assalto, porém, essa versão foi
desmentida pela perícia da época.
Após passar quatro meses hospitalizada, Maria da Penha retorna para casa e
seu pesadelo continuaria a existir, 15 dias após seu retorno, seu companheiro tenta
matá-la eletrocutada durante o banho. Após o ocorrido começa em 1991uma corrido
judicial para que Marcos fosse responsabilizado pelos atos cometidos, como
apresentado no portal eletrônico do Instituto Maria da Penha:
Conforme se verificou, era preciso tratar o caso de Maria da Penha como uma
violência contra a mulher em razão do seu gênero, ou seja, o fato de ser
mulher reforça não só o padrão recorrente desse tipo de violência mas
também acentua a impunidade dos agressores. Diante da falta de medidas
legais e ações efetivas, como acesso à justiça, proteção e garantia de direitos
humanos a essas vítimas, em 2002 foi formado um Consórcio de ONGs
Feministas para a elaboração de uma lei de combate à violência doméstica e
familiar contra a mulher: Centro Feminista de Estudos e Assessoria
(CFEMEA); Advocacia Cidadã pelos Direitos Humanos (ADVOCACI); Ações
em Gênero, Cidadania e Desenvolvimento (AGENDE); Cidadania, Estudo,
Pesquisa, Informação e Ação (CEPIA); Comitê Latino-americano e do Caribe

8 CARNEIRO, Alessandra Acosta.; FRAGA, Cristina Kologeski. A Lei Maria da Penha e a proteção
legal à mulher vítima em São Borja no Rio Grande do Sul: da violência denunciada à violência
silenciada. Serv. Soc. Soc.,São Paulo, n. 110, Jun. 2012.
9

para a Defesa dos Direitos da Mulher (CLADEM/BR); e Assessoria Jurídica e


Estudos de Gênero (THEMIS), além de feministas e juristas com
especialidade no tema. Após muitos debates com o Legislativo, o Executivo
e a sociedade, o Projeto de Lei n. 4.559/2004 da Câmara dos Deputados
chegou ao Senado Federal (Projeto de Lei de Câmara n. 37/2006) e foi
aprovado por unanimidade em ambas as Casas 9.

Toda repercussão do caso Maria da Penha fez com que o Congresso Nacional
elaborasse uma lei que pudesse garantir às mulheres mais segurança em relação a
vida conjugal e seus companheiros, por recomendação da Comissão Interamericana
de Direitos Humanos foi criada a Lei Maria da Penha, Lei 11.340 de 2006 10 que
garantia proteção a todas as mulheres residentes no Brasil.

3 A LEI MARIA DA PENHA E SEUS EFEITOS

Mesmo sendo criada em 2006, a Lei Maria da Penha passou por pequenas
mudanças até chagar aos aprimoramentos que hoje se conhece no mundo
jurídico brasileiro, a criminalização da espécie de violência psicológica, alterada
pela Lei 13.772 de 2018 11, é um exemplo de avanço conseguido tanto pela
sociedade quanto pelas mulheres.
O referido diploma, antes da alteração, trazia na Lei especifica o
entendimento do legislador referente a violência psicológica, porém, necessitava
de uma pena relativa ao delito cometido, coisa que o Código Penal não trazia
em seu texto. Outra mudança também inserida pela lei alteradora foi à violação
a intimidade, tratada pela nova lei como agravante da violência psicológica,
como ensina Junior 12 (2019, online):
Não raras as vezes, a mulher, dentro da violência de gênero, era e é alvo de
violação de sua intimidade, por exemplo, exposição de nudes e vídeos de
conteúdo íntimo (cenas de relação sexual ou outras intimidades de cunho

9 IMP. Instituto Maria da Penha, Quem é Maria da Penha. Disponível


em:<[Link] Acesso em 12 de jan.
de 2023.
10 BRASIL. [Lei Maria da Penha (2006)]. LEI nº 11.340, DE 7 DE AGOSTO DE 2006. Brasília, DF :

Presidência da República, [2020]. Disponível em: [Link]


2006/2006/lei/[Link]. Acesso em: 11 de jan. de 2023.
11 BRASIL. [Lei nº 13.772, de 19 de dezembro de 2018 (2018)]. LEI Nº 13.772, DE 19 DE DEZEMBRO

DE 2018. Brasília, DF: Presidência da República, [2020]. Disponível em: <


[Link] Acesso em: 11 de jan. de
2023.
12 JÚNIOR, Joaquim Leitão; OLIVEIRA, Marcel Gomes de. Comentários à Lei nº. 13.772 de 2018: O

novo conceito de violência psicológica da Lei Maria da Penha e o novo delito do art. 216-b do
Código Penal brasileiro. Disponível em:< [Link]
13-772-de-2018-o-novo-conceito-de-violencia-psicologica-da-lei-maria-da-penha-e-o-novo-delito-do-
art-216-b-do-codigo-penal-brasileiro>. Acesso em 17 de jan. de 2023.
10

sexual) compartilhados com sua pessoa de vínculo, que depois do término


das relações eram divulgados em redes sociais e outros meios da internet
por ex-namorados(as), ex-conviventes, ex-maridos(ex-mulheres), com
exposição avassaladora de sua intimidade, deixando marcas indeléveis na
sua vida perante a sociedade, a família e o círculo de amizade. A circulação
instantânea desse conteúdo com violação da intimidade da vítima pela
internet gerava desde incômodos, situações vexatórias e depressões, até
suicídios por parte dessas mulheres vítimas da exposição violadora da sua
intimidade.

Outra mudança importante foi determinada pela Lei 13.505 de 2017 foi a
orientação que as vítimas de violência doméstica e familiar sejam atendidas,
preferencialmente, por profissionais do sexo feminino devidamente qualificados.
Condutas mais cautelosas no primeiro contato com as vítimas devem ser prioridade
no atendimento, evitando perguntas danosas ou constrangedoras, protegendo a
vítima, para que esta não tenha contato direto com o agressor.

É de concordância de todos, legislador e juristas, que as legislações têm


que passar por alterações de acordo com a evolução da sociedade ou por meros
ajustes legislativos posteriores, porém, o ano de 2019 foi um pouco conturbado para
a Lei 11.340 de 2006 quanto para a população mundial, e principalmente para a
população brasileira.

A Lei Maria da Penha passou por mais de 23 alterações em seu corpo e


o planeta começava a enfrentar uma ameaça quase que invisível, a Covid -19,
um vírus respiratório de rápida contaminação e um tanto quanto letal em alguns
seres humanos.
Junior (2019, online) afirma que:
O vírus que causa a covid-19 pode ter começado a se espalhar na China em
outubro de 2019, dois meses antes de o primeiro caso oficial da doença ser
identificado na cidade chinesa de Wuhan, mostrou um novo estudo divulgado
nesta sexta-feira (25). Pesquisadores da Universidade de Kent, no Reino
Unido, usaram métodos da ciência da conservação para estimar que o Sars-
CoV-2 apareceu pela primeira vez entre o início de outubro e meados de
novembro de 2019, de acordo com artigo publicado no jornal científico PLOS
Pathogens. A data mais provável para o surgimento do vírus é 17 de
novembro de 2019, e ele provavelmente já havia se espalhado globalmente
em janeiro de 2020, estimam. O primeiro caso oficial de covid-19 na China
surgiu em dezembro de 2019 e foi vinculado ao mercado de frutos do mar de
Huanan, em Wuhan. No entanto, alguns dos primeiros casos não tinham
conexão conhecida com Huanan, o que implica que o Sars-CoV-2 já estava
circulando antes de chegar ao mercado. Estudo conjunto publicado pela
China e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no final de março
reconheceu que podem ter ocorrido infecções esporádicas em humanos
antes do surto de Wuhan.
11

Apesar de muitas alterações relevantes na referia legislação específica, o


presente trabalho vai se ater somente as mais importantes no ano de 2019 e mostrar
que com o isolamento social o aumento da violência doméstica e familiar acabaram
sendo cada vez mais comuns dentro dos lares das famílias brasileiras. ainda dentro
do ano de 2019.
O Legislador criou um dispositivo que acabasse por criar uma responsabilidade
objetiva para o agressor que cometesse o delito, a Lei 13.871 obriga o agressor a
ressarcir o Estado pelos gastos relativos ao atendimento das mulheres vítimas
ingressantes no Sistema Único de Saúde (SUS) e gastos posteriores a todo o
atendimento13.
Art. 9º A assistência à mulher em situação de violência doméstica e familiar
será prestada de forma articulada e conforme os princípios e as diretrizes
previstos na Lei Orgânica da Assistência Social, no Sistema Único de
Saúde, no Sistema Único de Segurança Pública, entre outras normas e
políticas públicas de proteção, e emergencialmente quando for o caso.

Sabe-se que após a ocorrência de violência doméstica, as mulheres ficam


muito vulneráveis, muitas vezes com poucos familiares ao seu lado para poderem
apoiá-las, várias dessas mulheres não confiam em deixar seus filhos com o agressor,
saindo de casa com seus descendentes e muitas vezes sem saber pra onde ir, não
tendo condições de manter o ensino regular de seus filhos.
Visto isso, após o estabelecimento da vítima em algum local, o Estado obriga
suas instituições de ensino a darem prioridade às vítimas de violência doméstica a
manterem matrícula escolar ativa de seus descendentes nas instituições de ensino
mais próximas de sua nova residência, como emana a Lei 13.882 de 201914.
Às vezes, companheiros com pouco preparo armamentista ou companheiros
integrantes da segurança pública utilizam a arma como meio de impor suas vontades
e por medo em suas companheiras e descendentes. O Legislador observou tal
conduta e acabou criando a Lei 13.880 de 2019, que obriga o poder público ou a
instituição em que o companheiro faça parte a apreender a arma do agressor em caso

13 BRASIL. [Lei nº 13.871, de 17 de setembro de 2019 (2019)]. Lei nº 13.871, de 17 de setembro de


2019. Brasília, DF: Presidência da República, [2020]. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 11 de jan. de
2023.
14 BRASIL. [Lei nº 13.882, de 8 de outubro de 2019 (2019)]. LEI nº 13.882, DE 8 DE OUTUBRO DE

2019. Brasília, DF: Presidência da República, [2020]. Disponível em:


<[Link] Acesso em: 11 de jan. de
2023.
12

de violência doméstica, o mesmo texto normativo ainda suspende a posse ou o porte


de arma temporariamente.
Foureaux (2019, online) afirma que:
A Lei 13.880, de 08 de outubro de 2019, altera a Lei 11.340/06 (Lei Maria da
Penha) para prever a apreensão de arma de fogo sob posse de agressor em
casos de violência doméstica. Apreender a arma de fogo consiste em recolhê-
la com o fim de evitar que o agressor a utilize para qualquer finalidade e que
a arma possa ser periciada e utilizada como prova no processo. Suspender a
posse consiste em proibir, temporariamente, que o agressor tenha a arma no
interior de sua residência ou dependência desta, ou, ainda no seu local de
trabalho, desde que seja o titular ou o responsável legal do estabelecimento
ou empresa. Restringir o porte trata de proibir, temporariamente, que o
agressor leve a arma consigo nas ruas ou em qualquer local que não seja
sua residência ou local de trabalho, em que seja o titular ou responsável legal.
A restrição pode ser total (proibição de portar arma em qualquer hipótese) ou
parcial (proibição de um policial portar arma quando não estiver em serviço).
A cassação refere-se à perda do direito de portar ou possuir arma de fogo.
Possui caráter definitivo, sendo possível a obtenção de novo direito de
portar/possuir arma de fogo após observar todos os trâmites legais e
regulamentares 15.

Tais medidas ajudam tanto o Estado quanto aos agentes de segurança pública
a buscarem o melhoramento nos institutos garanticionistas e protetores em prol das
mulheres. Outra medida importante que alterou a Lei Maria da Penha foi a Lei 13.827
de 2019, que permite que medidas de natureza protetiva sejam aplicadas por
Delegado de Polícia ou por policiais, sendo obrigatório e necessário uma posterior
homologação pelo Poder Judiciário (Leitão; Oliveira, 2019 online)16.
Observando que o problema se encontrava nas partículas de gotículas
expelidas pela saliva, infectologistas e especialistas comunicaram aos entes sanitários
que uma das soluções seria o uso de máscara, o uso de álcool em gel, para limpar as
superfícies e distanciamento social, mais conhecidos como Lockdown17.
Os problemas sociais brasileiros só se acentuaram com tais medidas impostas
por Governadores que acreditam na ciência – visto que a pandemia ainda não acabou
-, se tinha-se uma crescente estatística nos casos de violência doméstica e familiar
em tempos normais, com a pandemia, confinando as mulheres com seus agressores,
esses números dispararam desenfreadamente, pois obrigava as mulheres a conviver

15 FOUREAUX, Rodrigo, A Lei n. 13.880/19 e a apreensão de arma de fogo do autor de violência


doméstica. Disponível em:<[Link]
88019-e-apreensao-de-arma-de-fogo-autor-de-violencia-domestica/>. Acesso em 03 de jan. de 2023.
16 LEITÃO, Junior, Joaquim; OLIVEIRA, Marcel Gomes de; As implicações da nova Lei nº

13.827/2019: aplicação das medidas protetivas no âmbito da Lei Maria da Penha por delegado
de polícia ou por policiais. Disponível em:<[Link] Acesso
em 19 de jan. de 2023.
17 DICIONÁRIO, Online de Português, lockdown, Disponível
em:<[Link] Acesso em 15 de mar. de 2023.
13

24h com seus agressores, telejornais começaram a publicar e alertar as autoridades


que o aumento desses índices se justificavam pelas medidas de distanciamento social
(Vieira, et al, 2021, online)18.
A própria impressa e internet começaram elaborar meios para poder alertar as
pessoas ao seu redor e as autoridades competentes, fazer um X na mão, usar um
botão de pânico em aplicativos de alerta voltados para as mulheres, fazer vídeos fake
se maquiando e expor na internet um pedido de socorro são algumas medidas
encontradas pelos meios televisivos e pela sociedade em geral para ajudar as vítimas
de violência doméstica.
O próprio Fórum Brasileiro de Segurança Pública relatou um aumento de 431%
relativos a brigas de casais e pedidos de socorro nas redes sociais entre os meses de
fevereiro e abril do ano de 2020. A relativa pesquisa realizada com os órgãos de
segurança de 12 Estado do País, os casos relativos ao feminicídios aumentaram 22%
de março a abril, em contrapartida, os registros de boletim de ocorrência diminuíram,
dentro do mesmo período19.

4 LEI MARIA DA PENHA E A REALIDADE NO MUNICÍPIO DE CAUCAIA-CE

Em uma análise sobre o registro dos casos violência contra a mulher entre os
anos de 2014 e 2020, é possível visualizar como os números de Crimes Violentos
Letais Intencionais (CVLI) contra a mulher estiveram em oscilação, apresentando o
ano de 2018 o de maior registro desses delitos. Essa investigação inicial, revela o que
a realidade de agressões não é algo linear ou isonômica, havendo ciclos de
ascendência e de redução20.

18 VIEIRA, Pâmela Rocha, et al, Isolamento social e o aumento da violência doméstica: o que isso
nos revela?. Disponível em:<[Link]
Acesso em 16 de jan. de 2023.
19 CERQUEIRA, Daniel, Atlas de Violência 2021, Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Disponível em:<[Link] Acesso em 09 de jan. de 2023.


20 SILVA, Amanda Brenda da. et al. Relatório de Gestão: 2018- 2021: Casa da Mulher Brasileira do

Ceará. Fortaleza, 2021>. Acesso em: 04 de jan. de 2023.


14

Fonte: Relatório de Gestão: 2018- 2021: Casa da Mulher Brasileira do Ceará.


Fortaleza, 2021

Investigando o período entre 2020 e 2022, com base nos dados apresentados
pelo Fórum de Segurança Pública, com parceria do Datafolha, é possível identificar
que nos dois últimos anos houve um aumento de violência doméstica e familiar. Essa
realidade demonstra que apesar dos avanços auferidos por meio da efetivação da Lei
Maria da Penha, ainda é necessário a manutenção contínua dos dispositivos
pertinentes a proteção da mulher.

De acordo com a terceira edição do relatório “Visível e Invisível: A vitimização


das mulheres no Brasil” (2021), elaborado pelo Fórum de Segurança Pública
em parceria com o Datafolha, 73, 5% da população acredita que este tipo de
violência aumentou durante a pandemia. Este é um dado nada casual.
Cotidianamente, mulheres e meninas sofrem agressões que variam desde o
assédio moral ao feminicídio, de tal modo que as vítimas têm de arcar com o
peso de consequências psicológicas, físicas e, lamentavelmente, até fatais.
Trata-se de uma situação que comprova a imprescindibilidade do movimento
feminista – para Bobbio, a revolução das mulheres foi a mais importante
revolução do século XX –, na medida em que pressupõe discriminações
sociais que, “sendo um produto artificial da sociedade dirigida pelos homens,
podem (ou devem) ser eliminadas” (BARREIRA; FONSECA, 2022) 21.

Medidas precisavam ser tomadas para que o número crescente pudesse ser
estancado, era assombroso o relato de pessoas que afirmavam ter presenciado atos
de violência na casa de familiares e vizinhos. A imprensa e canais de internet
elaboraram meios para que se pudesse alertar as pessoas ao redor e as autoridades
sobre as agressões vivenciadas, fazer um X na mão e mostrar em local público,
apertar um botão de pânico em aplicativo vinculado a órgãos de segurança, fazer

21BARREIRA, César Mortari; FONSECA, Júlia Albergaria Guedes da, Violência doméstica na
pandemia: Dados Pandêmicos #1. Disponível em:<[Link]/violencia-domestica-pandemia/>.
Acesso em 09 de jan. de 2023.
15

vídeo Fake se maquiando e expondo na rede seu pedido de ajuda, essas são meios
públicos que a imprensa e canais na internet viram de ajudar essas mulheres.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública ainda explanou um aumento relativo
de 431% relativos a pedidos de socorro e brigas de casais pelas redes sociais durante
os meses de fevereiro a abril de 2020. A relativa pesquisa foi realizada em 12 Estados
do Brasil, notou-se que os casos de feminicídio aumentaram em 22% entre março a
abril, porém, o número de registros de ocorrência diminuíram dentro do mesmo
interstício, esse último dado se mostra lógico, visto que as vítimas se encontravam
enclausuradas dentro de casa, sendo proibidas irem até as delegacias e realizarem
as denúncias, mesmo via telefone22.
O perfil da vítima que busca atendimento na Casa da Mulher Brasileira-CMB-
CE possui um perfil majoritário, sendo este a idade entre 25 a 34 anos (30,1%), estado
civil solteira (56,6%), de religião católica (61,2%), 95 heterossexuais (97,3%) e
identidade de gênero cisgênero (99,7%), declarando-se pardas, possuindo ensino
médio completo (35,9%) e renda entre meio até três salários (47,2%), residente no
município de Fortaleza (95%), cujo maior número de mulheres atendidas se encontra
domiciliada na regional V (28,2%), sendo a maior parte destas mulheres
encaminhadas ao Centro de Referência da Mulher Francisca Clotilde – CRM (59,2%)
(SILVA et al., 2021)23.
Compreende-se uma vitimização da mulher jovem, pobre e periférica, que se
encontram socialmente mais vulnerável, visto a sua condição econômica de
dependência e de uma ausência de perspectivas na busca pela modificação dessa
assustadora realidade. O Estado deve atuar, com políticas públicas que possam
despertar na mulher vitimada, a pretensão de alteração do quadro social de fragilidade
e que resulta na concretização da violência.
Outros dados relevantes foram trazidos pela Universidade Federal do Ceará –
UFC – e o Instituto Maria da Penha (IMP), onde elaboraram um relatório, que visa
apresentar dados referentes aos anos de 2019, 2020 e 2021 e os atos criminosos

22 CERQUEIRA, Daniel, Atlas de Violência 2021, Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Disponível em:<[Link] Acesso em 09 de jan. de 2023.
23 SILVA, Amanda Brenda da. et al. Relatório de Gestão: 2018- 2021: Casa da Mulher Brasileira do

Ceará. Fortaleza, 2021>. Acesso em: 04 de jan. de 2023.


16

dentro das famílias brasileiras. os dados foram lançados em uma plataforma digital de
vídeo do Ministério Público do Distrito Federal24.
O relatório mapeou duas espécies de violência e suas porcentagens referentes
a cada ano, a primeira, a violência física, percebeu-se um aumento seguido de queda,
sendo de 5,49%, 5,73% e 4,64% referentes aos anos de 2019, 2020 e 2021,
respectivamente. A segunda, a violência emocional ou psicológica foi a que teve um
aumento mais expressivo e assustador no país, saindo de 12,55% em 2019 para
16,16% em 2020 parando em 16,55% em 2021(UFC,2022)25.
Assim como ocorre nos demais municípios do Brasil, Caucaia-CE, localizado
na chamada região metropolitana de Fortaleza-CE, apresenta dados relativamente
consideráveis sobre a violência doméstica e/ou familiar que atinge as mulheres. Assim
é necessário que se discuta meios de confrontar a realidade vivenciada não apenas
em Caucaia-CE, mas em todas as regiões do Brasil26.
Estudo realizado pelo Tribunal de Justiça do Ceará (2022), apresenta de
maneira pormenorizada um retrato da violência de gênero nas ruas do município de
Caucaia-CE, onde 75% das entrevistadas revelaram haver sofrido alguma espécie de
violência de gênero em espaços públicos, ao tempo que 100% das mulheres que
responderam o questionário da pesquisa, afirmaram ter sofrido assédio em locais
públicos27.

24 UFC, Universidade Federal do Ceará, UFC apresenta relatório sobre impacto da pandemia na
violência doméstica e familiar, Disponível em: <[Link]
relatorio-sobre-impacto-da-pandemia-na-violencia-domestica-e-familiar> Acesso em: 13 de jan. de
2023.
25 UFC, Universidade Federal do Ceará, UFC apresenta relatório sobre impacto da pandemia na

violência doméstica e familiar, Disponível em: <[Link]


relatorio-sobre-impacto-da-pandemia-na-violencia-domestica-e-familiar> Acesso em: 13 de jan. de
2023.
26 SILVA, Amanda Brenda da. et al. Relatório de Gestão: 2018- 2021: Casa da Mulher Brasileira do

Ceará. Fortaleza, 2021>. Acesso em: 04 de jan. de 2023.


27 CEARÁ, Tribunal de Justiça do, TJCE amplia atendimento às vítimas de violência com

inauguração do Juizado da Mulher na Comarca de Caucaia. Disponível


em:<[Link]
inauguracao-do-juizado-da-mulher-na-comarca-de-caucaia>. Acesso em 15 de mar. de 2023.
17

Fonte: Relatório de Gestão: 2018- 2021: Casa da Mulher Brasileira do Ceará. Fortaleza,
202128

O quadro construído a partir dos dados apresentado sobre a violência de


gênero em espaços públicos no município da Caucaia, sugere a vulnerabilidade da
mulher, enquanto ser inserido na vida social de um município. Infelizmente, essa
assustadora realidade descrita, termina por também se consumar nos domicílios,
dando ensejo a caracterização dos chamados atos de violência doméstica e/ou
familiar contra a mulher.
No primeiro semestre do ano de 2022 a Delegacia de Defesa da Mulher de
Caucaia-CE, registrou 549 boletins de ocorrência fundamentados em ações tipificadas
na Lei nº11340/2006. Destaca-se que deste total de registros de ocorrências 196
casos, foram convertidos em inquéritos policiais e tiveram como desfecho a nível de

28
SILVA, Amanda Brenda da. et al. Relatório de Gestão: 2018- 2021: Casa da Mulher Brasileira do
Ceará. Fortaleza, 2021>. Acesso em: 04 de jan. de 2023.
18

Polícia Civil, envio de 102 inquéritos a justiça para o devido prosseguido da atividade
persecutória29.

Delegacia da Mulher de Caucaia


600

500

400

300

200

100

0
Boletins de Ocorrência Inquéritos Policiais Inquéritos enviado a Jutiça

Série 1

Fonte : Relatório de Gestão: 2018- 2021: Casa da Mulher Brasileira do Ceará.


Fortaleza, 202130

Os dados apresentados pela Delegacia da Mulher do município de Caucaia-


CE, revela que apesar de haver ainda uma disparidade entre o número de Boletins de
Ocorrência registrados e a efetiva instauração de inquéritos, após o início do inquérito,
uma parte considerável desses procedimentos terminam por serem enviados a justiça,
servindo de base inicial para a persecução estatal.
A Polícia Civil, termina, assim, por exercer uma fundamental atribuição, como
instituição de primeiro contato da vítima, em prol de uma mudança em sua realidade.
Ao registrar um Boletim de ocorrência, pertinente a violência doméstica, a delegacia
da mulher deve ser capaz de ultrapassar as funções meramente de polícia judiciária,
conduzindo a mulher agredida ao processo de alteração de sua realidade.

29SILVA, Amanda Brenda da. et al. Relatório de Gestão: 2018- 2021: Casa da Mulher Brasileira do
Ceará. Fortaleza, 2021>. Acesso em: 04 de jan. de 2023.

30SILVA, Amanda Brenda da. et al. Relatório de Gestão: 2018- 2021: Casa da Mulher Brasileira do
Ceará. Fortaleza, 2021>. Acesso em: 04 de jan. de 2023.
19

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A mulher sempre sofreu dentro da sociedade, seja pela subjugação ou pelo


simples fato de ser mulher, porém, com o caminhar da sociedade, essa visão sobre
as mulheres foram se transformando ao longo do tempo, deixando de ocupar espaço
de submissão e subjugamento frente a figuras masculinas. Essa evolução sobre a
imagem feminina trouxe à tona uma das maiores barreiras a ser superada pela
sociedade: a violência doméstica e familiar.
Porém, os direitos hoje vistos e sentidos pelos Estados democráticos Sociais e
de Direito de muitos países só são palatáveis graças a grandes manifestações e
revoluções ao longo da história. Inegável era a imagem da mulher frentes ao
patriarcado e misoginia, onde, essas mulheres eram vistas como servas dos homens,
podendo ser objetificada e substituída quando necessário. Contudo, visto o
desequilíbrio intergênero foi sufocando as mulheres e fazendo com que movimentos
fossem cada vez mais comum no globo, todos eles voltados ao direito feminino.
Relevante é que quando se há um organismo reconhecidamente internacional
agindo em prol de garantir direitos a um grupo, a probabilidade de visibilidade e
modificação normativa é muito grande e influenciava, Ano Internacional das Mulheres,
em 1975, A Segunda Conferência Mundial da Mulher, tendo como tema a “Educação,
Emprego e Saúde”, em Capenhague, foram ações realizadas pelas Organização das
Nações Unidas – ONU- que colocavam as mulheres no foco principal e tentava discutir
melhorias e garantias voltadas a esse público.
O Brasil, como um país signatário, teve sua participação e contribuição para
agir como garantidor de direitos do público feminino, antes da Constituição Federal de
1988, as mulheres eram tratadas de forma humilhante e pejorativa, porém, com o
avanço normativo e casos assombrosos envolvendo mulheres, o Legislador optou por
criar uma norma protetora e ferramentas de controle no combate à violência doméstica
e familiar, sendo criada em 2006 a Lei Maria da Penha.
A Lei 11.340 de 2006 - Lei Maria da Penha - é mais que um dispositivo
repressivo e coercitivo, trata-se de um paradigma normativo que alcança a cada vez
mais vem a desvelar a complexa estrutura de violência sofrida contra a mulher,
buscando caracterizar seus tipos e ações contra os atos lesivos que se redesenham
20

a medida da sensibilidade e percepções das problemáticas desvendas das


especificidades do feminino.
Pode-se afirmar até aqui que historicamente o direito feminino vem dando
passos importantes dentro do Brasil, visibilidade e importância da mulher na história
do mundo e no pais, signatário de um órgão internacional voltada a orientar medidas
e normas internas visando o bem social, um Estado Democrático Social de Direito,
base constitucional de assistência e proteção ao público feminino e um caso concreto
da Maria da Penha Maia Fernandes, tudo isso corrobora para um sistema normativo
valorativo e protecionista.
Demonstra-se que apesar dos inúmeros progressos atingidos no processo de
proteção da mulher no Brasil e em especial no município de Caucaia-CE, ainda se
apresenta como de muita relevância a construção e a continua manutenção de uma
rede de acolhimento e de assistência a mulher vítima de violência doméstica. Não é
apenas a delegacia da mulher que deve agir em prol da obtenção de resultados
positivos nesse processo, mas é necessário compreender que na maioria dos casos,
cabe a este órgão a porta de entrada dos registros.
Pode-se concluir que uma construção multissensorial de uma rede de apoio
contra a violência doméstica é de total relevância, essa rede permanece ativa tendo
em vista a quantidade de inquéritos que são remetidos a Justiça e conclusos, sendo
utilizado como ferramenta para combater as espécies de violências domésticas e
familiares trazidas pela Lei 11.340/06, porém, o Poder Público deve investir nas
abordagem relacionadas a coação, repressão, prevenção e celeridade nos
julgamentos em que esses tipos de denúncias, onde, elas sejam o objeto da discussão
ou ação penal.
21

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Disponível
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