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Representação Gráfica na Arquitetura

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MEIOS DE EXPRESSÃO E

REPRESENTAÇÃO
AULA 1
Prof. Ciro Andrade Siqueira

CONVERSA INICIAL

A REPRESENTAÇÃO GRÁFICA NA ARQUITETURA

Desenhos são uma linguagem de comunicação universal. Muitos são reconhecidos com

facilidade em qualquer parte do mundo, como as setas indicativas, e outros são característicos de

uma cultura. Isso os torna uma ferramenta poderosa de comunicação, fazendo com estejam presentes

em diversas áreas do conhecimento, principalmente em cursos projetivos como arquitetura e

urbanismo, engenharias, design e outros.

CONTEXTUALIZANDO

Podemos listar diversas atribuições para a arquitetura, entre as quais soluções no

desenvolvimento de um espaço habitável pelo ser humano. O desenho é uma maneira clara e
interativa de expressar ideias, tornando-o importante para a arquitetura. Com a finalidade de

apresentar as soluções de forma compreensível às pessoas, são intrínsecos um do outro.

TEMA 1 – INTRODUÇÃO À REPRESENTAÇÃO GRÁFICA NA


ARQUITETURA

A história da arquitetura acompanha a da humanidade. Necessidade de abrigo, proteção e

conforto esteve presente sempre, desde as primeiras civilizações. Portanto, uma demanda por uma

reflexão e um raciocínio para a construção de um espaço que pudesse atender a essas necessidades

corresponde ao surgimento da arquitetura. O desenho acompanhou essa evolução, ressaltando o fato

de ter sido um dos primeiros processos de comunicação. Há pinturas rupestres aborígenes que datam

de 40000 a.C., o que torna o desenho uma ferramenta plural desde sua origem (Ching, 2014).
Com o passar das épocas, a representação gráfica, assim como a arquitetura e as técnicas
construtivas, também foi desenvolvida em seus métodos e ferramentas para realizá-la, mas sempre

preservou a essência de procurar pelo pensamento e a reflexão de soluções a problemas de


arquitetura.

O processo do projeto arquitetônico é uma exploração de ideias e tarefas realizadas pelo

arquiteto em busca de soluções baseadas em experiências, técnicas e habilidades, para que nessa

combinação se alcance um resultado (Ching, 2014).

O desenho é apresentado com diversas técnicas para oferecer possibilidades na arquitetura.

Sempre há a oportunidade de evoluir na qualidade da representação gráfica. Criar categorias no

desenho pode facilitar sua compreensão e a decisão da escolha por uma ou outra técnica. Nesse

sentido, duas classificações podem ser feitas: a representação ilustrativa e a representação técnica.

1.1 REPRESENTAÇÃO ILUSTRATIVA

O desenho ilustrativo permite exteriorizar nossa percepção, realizar análises do espaço

tridimensional e imaginar ideias em nosso mundo visual (Ching, 2012). No contexto arquitetônico,

trata-se das primeiras representações, geralmente à mão livre, com a finalidade de coletar

informações sobre o espaço e a topografia, bem como expressar as ideias iniciais para uma

edificação, suas formas geométricas e suas dimensões, como os croquis (Figura 1). Em etapas
progressivas dos projetos, aparecem como perspectivas, elevações ilustradas e desenho de espaços

urbanos. Além da expressão de ideias, também permite a representação do espaço como será

construído.

Figura 1 - Croquis arquitetônicos à mão livre


Créditos: Slavomir Valigursky/Adobe Stock.

1.2 REPRESENTAÇÃO TÉCNICA

O desenho técnico é uma forma padronizada e precisa de realizar desenhos de objetos físicos

com rigor na representação de sua forma e dimensões (Cruz, 2014). É utilizado a partir do momento
em que o arquiteto necessita representar com exatidão as dimensões e a geometria de um projeto e

que a leitura e interpretação seja de forma igual para as pessoas envolvidas no processo. São

desenhos das plantas, cortes, elevações, detalhamentos etc. demandados na execução de uma

edificação (Figura 2).

Figura 2 - Desenho técnico arquitetônico


Créditos: Svjatoslav/Adobe Stock.

1.3 DESENHO MANUAL E DESENHO COMPUTACIONAL

A representação gráfica manual, seja à mão livre, seja com instrumentos, sempre foi a ferramenta

utilizada até a década de 1980, quando houve o advento do computador pessoal e surgiram

programas computacionais gráficos. Após esse tempo de disseminação de tal tecnologia, hoje o meio

digital é amplamente utilizado no desenho arquitetônico (Figura 3). Com diversas opções de
programas computacionais gráficos, que possuem finalidades específicas, eles trouxeram mais
agilidade e praticidade no desenvolvimento de projetos. Além disso, permitem uma circulação e

armazenagem de dados utilizados no decorrer de todo o ciclo de vida de uma edificação.

Figura 3 - Uso de programas gráficos computacionais


Créditos: Gorodenkoff/Shutterstock.

Entretanto, o desenho manual segue presente na representação da arquitetura; conforme citado,

permite ao arquiteto explorar ideias e adotar experimentações e soluções de resultados, o que é

alcançado de forma prática e rápida nessa forma de trabalho. Segundo Ching (2012, p. 9), “desenhar é

um meio de expressão que influencia o pensamento, assim como o pensamento dirige o desenho”.
Colocar uma ideia no papel permite organizar nossos pensamentos.

TEMA 2 – AS PROJEÇÕES ORTOGONAIS NA ARQUITETURA

Representar um objeto, independentemente de sua complexidade, pode ser feito de diversas

maneiras: um croqui à mão livre, uma perspectiva e uma ilustração utilizando um programa

computacional, entre outras. Todavia, um desenho gera diferentes interpretações, uma vez que é uma

atividade cognitiva que faz com que ele seja uma capacidade de percepção, raciocínio analógico-

espacial e da criatividade de cada pessoa (Bortolucci, 2005). Isso não quer dizer que técnicas

diferentes de desenho possam ser consideradas melhores do que outras; algumas são mais

apropriadas conforme o contexto. Por exemplo, se há necessidade de vender um produto, uma

representação ilustrativa pode ser mais conveniente do que uma representação técnica.
Ao se executar uma edificação, deve-se utilizar uma linguagem gráfica mais padronizada, com

convenções e simbologia em que todas as pessoas envolvidas façam uma leitura e interpretação

únicas do desenho. Desse modo, o desenho técnico assume esta linguagem convencionada.

2.1 GEOMETRIA DESCRITIVA E DESENHO TÉCNICO

A geometria descritiva foi elaborada no século XVIII por Gaspar Monge, um matemático francês.

Ela tem o fundamento do desenvolvimento de um raciocínio espacial na representação de objetos. De

forma padronizada, as representações são feitas mediante o princípio de projetar um objeto sobre
planos de representação, chamados de diedro. É como visualizar um objeto sob determinado ângulo

e desenhar essa visualização sobre uma superfície plana (Figura 4). Isso fez com que a geometria

descritiva fosse a base para o que posteriormente se consolidou como o desenho técnico (Bortolucci,

2005).

Figura 4 - Diedro e planos de projeções: geometria descritiva


Créditos: Pandawild/Adobe Stock.

2.2 PROJEÇÃO CÔNICA E PROJEÇÃO PARALELA

Para melhor entendimento da projeção ortogonal (ou projeção ortográfica), vamos estudar sua
origem na teoria. No desenho, podemos classificar as projeções em duas: a cônica e a paralela. A

primeira é compreendida como se a pessoa observasse um objeto e todos os “raios visuais” que

derivam dele fossem convergentes para os olhos do observador, como uma forma cônica, conforme a

Figura 5.

Figura 5 - Projeção cônica

Créditos: Ciro Andrade Siqueira

Esse tipo de projeção tem o propósito de representar um objeto da forma mais natural ao ser

humano, ou seja, como nós realmente o visualizamos em nosso meio. As chamadas perspectivas com

“pontos de fuga”, ilustradas na Figura 6, são um exemplo de desenho que utiliza a projeção cônica.

Essas perspectivas procuram demonstrar uma cena observada da maneira mais natural possível. São

empregadas em desenhos ilustrativos, como desenhos de uma edificação que será utilizada no

material impresso para a venda do empreendimento.


Figura 6 – Projeção cônica: perspectiva cônica de uma residência

Créditos: Svjatoslav/Adobe Stock.

Já na projeção paralela, todos os “raios visuais” são percebidos de forma paralela ao olhar do

observador, conforme ilustrado na Figura 7.

Figura 7 – Projeção paralela


Créditos: Ciro Andrade Siqueira

Percebemos que o traçado do objeto apresenta uma geometria paralela no seu desenho, fazendo

com que os elementos não tenham alterações constantes na representação das suas dimensões reais,
algo que na projeção cônica ocorre com frequência. Nesse caso, os desenhos não são representados

de forma natural que observamos, e sim de maneira formal e dimensional dos objetos. Um exemplo

de projeção paralela são as perspectivas isométricas, como representada na Figura 8.

Figura 8 – Projeção paralela: perspectiva isométrica de um ambiente


Créditos: TarasLivvy/Adobe Stock.

Dessa forma, uma das diferenças entre as duas projeções é que na cônica um objeto pode ser

representado de inúmeros ângulos diferentes, ao passo que na paralela ele dispõe de


posicionamentos definidos em relação aos planos de projeção, podendo essas posições serem

oblíquas (inclinadas) ou ortogonais (perpendiculares), tornando-se assim um desenho padronizado. A

norma NBR 17006/2021 (Requisitos para a representação dos métodos de projeção), expõe todos os

métodos projetivos que podem ser utilizados nas representações do desenho técnico (ABNT, 2021a).

O método ortogonal é caracterizado pela posição do objeto e pelo fato de as projetantes ficarem

perpendiculares em relação aos planos de projeções, conforme mostra a Figura 9.

Figura 9 – Planos de projeções e projeções ortogonais


Créditos: Ciro Andrade Siqueira.

Dessa maneira, as dimensões e a geometria de um objeto são representadas, evitando

reduções/distorções dimensionais e formais e, assim, erros de interpretação do desenho (ABNT,

2021a). Portanto, as projeções ortogonais (Figura 10) são amplamente utilizadas na arquitetura,

fazendo com que a leitura e a interpretação das representações sejam padronizadas. Isso é
fundamental nas etapas do desenvolvimento de um projeto arquitetônico e na sua construção em um

canteiro de obra.
Figura 10 – Projeções ortogonais

Créditos: Ciro Andrade Siqueira.

TEMA 3 – A CALIGRAFIA NA ARQUITETURA

Um desenho, mesmo que seja ilustrativo, é acrescido de textos no seu desenvolvimento. Sendo

uma linguagem simbólica, têm a finalidade de comunicar uma informação. No desenho arquitetônico,

sempre vão descrever referências importantes, como o nome e a área construída dos espaços da
edificação, as dimensões dos ambientes (cotas), especificações sobre materiais a serem utilizados,

funcionamento de dispositivos que irão compor a construção, como tipos de portas e janelas, e

outras informações que participam de um projeto (Figura 11). Nesse caso, os textos devem ser os

mais legíveis possível, para que não haja dúvidas ou erros de interpretação pelas pessoas. Portanto,

eles fazem parte do desenho, e deve-se ter o cuidado de também “desenhar” as letras utilizadas.

Figura 11 – Uso dos textos no desenho arquitetônico


Créditos: Mr Twister/Adobe Stock.

Para isso, existe um padrão de representação de textos no desenho técnico e no desenho

arquitetônico. Essas recomendações constam nas normas NBR 16861/2020 (Requisitos para

representação de linhas e escrita) e NBR 6492/2021 (Documentação técnica para projetos

arquitetônicos e urbanísticos). No caso de desenhos realizados por programas computacionais


gráficos, os textos devem ser sempre fontes sem serifas (“letra de forma”), com espessuras uniformes

e altura mínima de 2,5mm (corpo 10). Em espaços onde não há possibilidade da aplicação dessa

altura, é permitido o uso da altura de 1,8mm (corpo 7,5), conforme a NBR 6492 (ABNT, 2021b). A

altura máxima dos textos deve ser de 7mm (corpo 28), geralmente utilizado para títulos de destaque.

No desenho manual, apesar de a letra ser um item de características pessoais, deve-se seguir os

exemplos recomendados pelas normas (letra de forma). Independentemente do meio computacional

ou manual, no desenho arquitetônico se deve sempre escrever os textos em caixa alta (maiúsculas),

com o propósito de melhor legibilidade (ABNT, 2021b).

Na Tabela 1, seguem as alturas recomendadas e as respectivas aplicações para o desenho feito

em programas computacionais gráficos conforme a NBR 6492.


Tabela 1 – Aplicação das alturas dos textos

Altura da letra (mm) Corpo tipográfico (pt) Exemplo de aplicações

1,8 7,5 Numerações e espaços que não caibam na altura de 2,5mm

2,5 10 Cotas, textos em geral, chamada de detalhes

3,5 14 Nome dos ambientes, eixos

5,0 20 Títulos dos desenhos

7,0 28 Título da prancha, número da prancha

Fonte: ABNT, 2021b.

TEMA 4 – USO DE ESCALAS EM ARQUITETURA

Nem sempre é possível desenhar os objetos no tamanho natural deles. Na arquitetura, isso é

pouco provável, pois sempre representamos espaços internos, edificações, loteamentos e até uma
cidade inteira. Isso faz com que desenhar no tamanho real fique restrito a pequenos detalhes, como

um móvel ou a fixação de uma janela, por exemplo. Nesse caso, a utilização das escalas de desenho é

fundamental. Escala é a relação entre as medidas do desenho e as dimensões reais de um objeto

(Bortolucci, 2005).

Assim, é possível, além de desenhar o objeto no tamanho real, que seja aumentado ou reduzido

o tamanho do desenho. Fatores importam nessa decisão: o tamanho do papel onde será desenhado

ou impresso o desenho, o nível de detalhamento que se deseja no desenho e exigências legais


(aprovação de um projeto na prefeitura, por exemplo). Também é importante considerar as escalas

padronizadas nos escalímetros (Figura 12), pois esse instrumento de desenho será utilizado para

realizar a leitura de um desenho no papel.

Figura 12 - Utilização do escalímetro


Créditos: StockPhotoAstur/Adobe Stock.

Há dois tipos de escalas utilizadas nos desenhos: a gráfica e a numérica. Vamos conhecer cada

uma delas a seguir.

4.1 ESCALA GRÁFICA

Quando reproduzido em uma revista, em um livro e até visualizado no monitor de um

computador, um desenho terá variação em suas dimensões. Nesse caso é representada a escala

gráfica junto a ele (Figura 13), que tem uma referência das suas dimensões reais e é possível, por

meio da comparação, ter as exatas medidas da representação. São habituais, por exemplo, em

desenhos topográficos de grandes áreas ou mapas, em que, com a ajuda de um compasso, quem

examina o desenho pode realizar a leitura do dimensionamento dele.

Figura 13 – Escala gráfica


Créditos: Ciro Andrade Siqueira.

4.2 ESCALA NUMÉRICA

As escalas numéricas são amplamente utilizadas no desenho técnico e consistem em três

categorias:

Escala natural: quando o objeto é desenhado com suas dimensões reais; é utilizada em

detalhamento de projeto, como uma dobradiça de uma gaveta em um móvel ou o fecho de

uma janela. É descrita no formato 1:1 (um para um).

Escala de redução: utilizada com frequência, principalmente no desenho arquitetônico, para

reduzir o desenho “n” vezes do tamanho natural. É descrita no formato 1:n (um para “n”), como

1:2, 1:5 e 1:20. Nesse caso, a unidade real do desenho será desenhada ou impressa “n” vezes

menor no papel. No caso da escala 1:2, 1cm de um objeto será desenhado com 0,5cm no papel.
Na escala 1:20, 50cm de um objeto será desenhado com 2,5cm no papel.

Escala de ampliação: utilizada quando o objeto possui dimensões pequenas e que podem

comprometer sua leitura e interpretação; este, então, pode ter o desenho ampliado em várias

vezes. É descrita no formato n:1 (“n” para 1), como 2:1, 5:1 e 10:1. Seu emprego se volta para
pequenas peças, como no desenho mecânico ou no desenho de joias. Exemplificando: na escala

2:1, 5mm de um objeto será desenhado com 10mm no papel. Na escala 10:1, 2mm de um

objeto será desenhado com 20mm no papel.

É importante destacar que em boa parte dos programas computacionais gráficos é possível

configurar qualquer valor para a escala de impressão. Mas se deve utilizar as escalas determinadas

pela norma NBR 6492, quando se trata do desenho arquitetônico:

1:1 1:2 1:5 1:10 1:20 1:25 1:50 1:100 1:200 1:250 1:500 1:1000 1:2000

Isso se deve ao fato de serem as escalas mais usuais no desenho arquitetônico e as encontradas

nos escalímetros.
TEMA 5 – AS ETAPAS DE PROJETO E AS ESCALAS DE DESENHO

A partir do primeiro contato do cliente com o arquiteto, ocorre uma série de etapas e
procedimentos necessários ao desenvolvimento de um projeto arquitetônico. O desenho estará

presente em todas essas etapas, desde um rápido croqui para expressar as primeiras ideias até a

documentação final para as futuras manutenções da edificação já construída.

À medida que os procedimentos e etapas do projeto avançam, a quantidade e a sofisticação do

desenho também evoluem. O que surge com esboços à mão livre evolui para desenhos com

instrumentos e maquetes físicas até chegar nas representações com programas computacionais

gráficos, tanto bidimensionais quanto tridimensionais. Mais detalhamento e mais quantidade de

desenhos são necessários para melhor leitura e interpretação pelas pessoas envolvidas e

principalmente para evitar problemas que possam ocorrer na evolução de um projeto arquitetônico.

Conforme a NBR 6492 (ABNT, 2021b), as etapas para o desenvolvimento de um projeto

arquitetônico obedecem a uma sequência, conforme mostraremos a seguir.

5.1 LEVANTAMENTO DE DADOS

Essa etapa se caracteriza pela coleta das informações sobre o local do projeto, topografia,

insolação, legislação e meio ambiente. Permite estudar o espaço e todos os fatores que podem

influenciar a edificação a ser feita. Esboços, croquis, fotografias, documentos de legislação sobre uso e

ocupação do solo são exemplos entre vários documentos. Quanto mais informações, melhores serão
as certezas na criação do projeto.

5.2 PROGRAMA DE NECESSIDADES

Com a análise realizada da etapa anterior, o arquiteto elabora organogramas e fluxogramas com

as funções e relações entre os ambientes a serem projetados. São feitos os primeiros desenhos do

projeto. Muitos à mão livre, começam a ser feitos para fundamentar as ideias iniciais da concepção.

5.3 ESTUDO DE VIABILIDADE

Uma vez definidas as necessidades, chega então à etapa em que o projeto começa a tomar forma

e dimensões. O que surgiu com esboços e croquis assume a forma com desenhos feitos com
instrumentos, já utilizando-se escalas apropriadas e respeitando-se as convenções do desenho
técnico. Nessa etapa também podem ser feitas maquetes físicas para estudos, pois possibilitam

melhor visualização espacial, compreensão e tomadas de decisão.

Também podem ser desenhadas as primeiras representações gráficas utilizando-se programas


computacionais gráficos, como plantas, cortes e elevações esquemáticas e perspectivas

tridimensionais.

5.4 ESTUDO PRELIMINAR

Nessa etapa o projeto arquitetônico evoluiu e já apresenta forma e dimensões de como a

edificação ficará quando finalizada. Desenhos são desenvolvidos de plantas, cortes, elevações,

implantação da edificação no terreno. Detalhamentos como acessos e deslocamento de pessoas já

são representados, bem como a aplicação de materiais.

Dependendo do tamanho que irá se tornar a edificação, trabalha-se em escalas mais reduzidas,
como 1:100, 1:200 e até 1:500, conforme as dimensões do terreno e do projeto. Não há necessidades

de detalhes muito específicos, por isso é possível utilizar essas escalas. É uma etapa de tomada de

decisões, portanto mudanças ocorrem nessa fase para definições finais do projeto.

5.5 ANTEPROJETO

Uma vez estabelecidas as decisões sobre o projeto, é o momento de organizá-lo em vários

desenhos, como plantas, cortes, elevações, coberturas, implantações, detalhamentos etc., agora

realizados com as normas técnicas, cotados e especificados. Memoriais descritivos já podem ser

elaborados para descrever materiais e especificações. Nessa etapa é solicitada a aprovação pelas

instituições públicas, por isso as representações devem atender à legislação, e normalmente são feitos

desenhos em escalas com menor redução, pois já há a exigência de maior detalhamento.

5.6 LICENCIAMENTOS

Essa etapa depende das características e finalidades de cada projeto, bem como a legislação de

cada região. Por exemplo, são projetos que atendam necessidades de meio ambiente, de prevenção

de incêndio, de levantamento radiométrico etc.


5.7 PROJETO EXECUTIVO

Essa etapa deve conter todas as representações necessárias à total informação sobre o projeto,
pois estas serão utilizadas no local da obra. Portanto, todas as dimensões, informações e
especificações precisam constar nos desenhos de forma precisa e compreensível. Detalhes

construtivos são necessários, então escalas não tão reduzidas são utilizadas, como 1:20, 1:10 e até 1:1.

Nessa fase, a documentação do projeto é bem ampla, pois deve contemplar todos os dados
necessários à construção da edificação.

A partir do anteprojeto, junto com o executivo, as representações já são feitas na maior parte

utilizando programas computacionais gráficos.

5.8 COMO CONSTRUÍDO – AS BUILT

Essa é a fase final, em que toda a representação realizada no projeto executivo é confrontada
com a edificação concluída. Alterações feitas durante a obra também são conferidas e registradas.

Esse procedimento permite obter uma documentação que seja consultada no futuro, quando houver

necessidade de manutenções, bem como de reformas.

O que é demonstrado em todas as etapas é que vários profissionais vão sendo envolvidos a cada

avanço no projeto. O projeto arquitetônico é a base de todos os demais, como o estrutural, o elétrico,

o hidráulico e outros. Novas demandas vão surgindo ao longo do desenvolvimento das etapas,

portanto é essencial a elaboração de um alto nível de representação gráfica para que haja excelente

integração na comunicação entre os profissionais envolvidos e redução de problemas que possam

surgir, o que ocasiona diminuição de custos e de tempo de execução da obra.

TROCANDO IDEIAS

Aprofunde-se na representação gráfica da arquitetura, procurando por livros, revistas e sites

especializados, e pesquise sobre o material exposto. Observe as imagens e os tipos diferentes de

representação empregados em um projeto. Busque resultados de concursos de arquitetura, veja os

classificados e como representaram suas ideias. Crie um fórum no qual você e seus colegas

compartilhem esses achados e discutam sobre eles.


A observação é um exercício constante na arquitetura; com isso, você vai adquirindo um

repertório de conhecimento que vai ajudá-lo a encontrar soluções a desafios propostos no futuro.

NA PRÁTICA

Desenvolva a habilidade do desenho manual. O desenho é uma prática constante. Pegue uma
folha de papel e escolha um objeto de forma simples. Situe-o em algum lugar no ambiente e se

posicione em um ponto fixo para desenhá-lo à mão livre com grafite. Repare em sua forma,

dimensões e proporções, bem como no jogo de luz e sombra sobre ele. Finalizando, mude a posição

dele e o desenhe novamente. Veja o que ficou bom e o que pode ser melhorado do primeiro

desenho. Se necessário, repita várias vezes. Quando sentir segurança com objetos menores, se

direcione em desenhos de edificações: o que você observa pela janela, uma residência em sua rua,

uma construção vista de uma praça pública etc.

Saiba que o desenho é uma atividade que requer paciência, dedicação e tempo. Portanto, reserve

sempre um tempo de estudo para essa atividade para que não seja feita apressadamente, pois,
conforme já citado, a prática constante permite alcançar a qualidade na representação gráfica.

FINALIZANDO

Nesta etapa, além das bases para o desenho arquitetônico, compreendemos que uma boa
representação gráfica na arquitetura é essencial à perfeita comunicação na profissão. As

possibilidades para sofisticar um desenho são muitas e devem ser exploradas; isso é alcançado com o

conhecimento de técnicas diversas de desenho e sua constante prática.

Vimos também que, apesar de o desenho em meios computacionais ser amplamente utilizado, o
desenho manual é a base de criação e reflexão de ideias necessárias à tomada de decisões. Um bom

desenho deve ser sempre pretendido, independentemente do meio onde foi realizado.

É fundamental na arquitetura a conquista de um primor na representação gráfica, pois isso

constitui um dos fatores significativos para também alcançar a excelência no desenvolvimento de

projetos arquitetônicos.
REFERÊNCIAS

ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 6492: Documentação técnica para projetos
arquitetônicos e urbanísticos – Requisitos. Rio de Janeiro: ABNT, 2021b.

_____. NBR 16752: Desenho técnico – Requisitos para apresentação em folhas de desenho. Rio de

Janeiro: ABNT, 2020b.

_____. NBR 16861: Desenho técnico – Requisitos para representação de linhas e escrita. Rio de

Janeiro: ABNT, 2020a.

_____. NBR 17006: Desenho técnico – Requisitos para representação dos métodos de projeção.

Rio de Janeiro: ABNT, 2021a.

BORTOLUCCI, M. A. P.C.S. Desenho: teoria & prática. São Carlos: SAP/EESC-USP, 2005.

CRUZ, M. D. D. Desenho Técnico. São Paulo: Saraiva, 2014.

CHING, F. D. K. Desenho para arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012.

_____. Introdução à arquitetura. Porto Alegre: Bookman, 2014.

Common questions

Com tecnologia de IA

The statement acknowledges the contextual appropriateness of drawing techniques, emphasizing that each method serves specific needs in architecture. Illustrative drawings, such as sketches, are better for conceptualization and creative idea development, allowing freedom and flexibility in design expression . Conversely, technical drawings are required for construction, providing clear, precise, and standardized documentation that ensures accurate interpretation and implementation by various stakeholders . This distinction highlights that no single technique is superior; rather, their application depends on the stage and requirements of the architectural process.

Scale in architectural drawings is crucial to accurately represent objects that are too large to be drawn at their true dimensions. It relates the measurements in the drawing to the real-world dimensions of an object . Scales can be either graphical or numerical. Graphical scales accompany drawings and require comparison for measurement, often used in topographies . Numerical scales involve multiplication factors indicating the level of reduction or enlargement, typically described in formats like 1:n for reductions and n:1 for enlargements, guiding the drawing process in technical contexts .

Hand-drawings retain significant roles in modern architectural practices despite technological advancements. They provide a direct connection between the architect's creativity and visualization, facilitating rapid idea generation and concept exploration without the constraints often found in digital tools . The tactile nature of hand-drawing enables a flexible and intuitive process, allowing architects to experiment with forms and perspectives quickly, enhancing the preliminary phases of design . Moreover, these drawings embody a personal, artistic expression that strengthens client presentations by illustrating ideas dynamically and expressively, maintaining their value alongside computational methods.

The architectural project development process evolves from initial sketches to detailed technical drawings through a sequence of increasing detailing and refinement. It begins with data collection and conceptual sketches to capture ideas and spatial analyses . Next, it progresses to viability studies that incorporate basic dimensions and scales for preliminary evaluations. As the project solidifies, the preliminary study phase generates more precise schematics to explore functionality and aesthetics. The anteproject stage formalizes designs where detailed documentation, compliant with technical and regulatory standards, is produced, including precisely detailed plans and elevations . Finally, the project enters the executive phase, ensuring all necessary construction details are meticulously represented for actualization, accompanied by 'as built' modifications after project completion .

Graphical representation in architecture distinguishes between illustrative and technical drawings by their purpose and level of detail. Illustrative drawings, such as hand-drawn sketches, perspectives, and elevations, are used to exteriorize perception and express initial ideas about a space in a visual manner. They allow for a more creative expression and are often the first step in the design process . In contrast, technical drawings are precise, standardized, and used to accurately represent the geometry and dimensions of a project, ensuring that all involved parties interpret the drawings consistently. They include plans, sections, elevations, and detailed views required for the construction of a building .

Descriptive geometry is foundational to developing architectural drawing techniques as it introduces the standardized spatial reasoning needed for accurate representation. Initially developed by Gaspar Monge in the 18th century, it provides the principles for projecting a three-dimensional object onto two-dimensional planes, known as orthographic projections . This method establishes a systematic approach to depict an object's dimensions and spatial relationships accurately, influencing both historical and modern technical drawing practices by enabling precise and consistent visual communication among architects and builders .

The transition from manual to computational graphics has significantly influenced architectural design by enhancing efficiency and precision. Prior to the 1980s, architectural drawings were created manually, limiting speed and flexible revisions. The advent of computer-aided design (CAD) software introduced not only efficiency but also enhanced capabilities in terms of accuracy and ease of modification . CAD allows architects to explore complex geometries, simulate environmental impacts, and produce detailed construction documentation quickly. Despite this shift, manual drawing remains vital for preliminary idea exploration and creative expression .

The use of scales in architectural projects facilitates communication among stakeholders by providing a common reference for interpreting drawings. Scales transform complex real-world dimensions into manageable representations on paper, allowing architects, engineers, and builders to accurately understand and convey design intents . By using standardized scales, as defined in NBR 6492, stakeholders can trust that drawings conform to expected sizing conventions, reducing confusion and ensuring consistency in interpreting plans at various design stages . This shared understanding is crucial for effective project collaboration and execution.

Architects might face several challenges when transitioning from hand-drawing to digital representation, including a potential loss of spontaneous creativity and personal touch that hand-drawings facilitate. The learning curve associated with digital tools and software can impede flexibility and natural workflow initially . Additionally, there may be a disconnect in skill sets, where technical precision overshadows the exploratory aspect inherent to hand-drawing, requiring architects to strike a balance between technical rigor and creativity . Furthermore, digital dependency can lead to difficulties in manually visualizing and interpreting spatial designs without the aid of software, impacting problem-solving capabilities in early design phases.

Different projection methods significantly influence the interpretation of architectural designs by affecting the visualization of depth and dimensional accuracy. Cónical or perspective projections offer a visual method that mimics human sight, ideal for viewer-friendly presentations and conceptual imagery used in selling the ideas of a design . In contrast, parallel or orthogonal projections provide a scale-accurate representation of objects, crucial for construction and technical assessment. They maintain dimensional fidelity and are better suited for construction details where precision is critical . This versatility in projection methods allows architects to tailor designs for both creative expression and practical implementation.

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