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Racismo e Preconceito no Brasil

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PRECONCEITO RACIAL E

RACISMO NO BRASIL
O termo racismo não possui uma definição concreta e predominante, contudo, algumas instituições
o definem e, quase sempre, os conceitos convergem. Racismo é:

 “Teoria ou crença que estabelece uma hierarquia entre as raças (etnias);


 Doutrina que fundamenta o direito de uma raça, vista como pura e superior, de dominar outras;
 Preconceito exagerado contra pessoas pertencentes a uma raça (etnia) diferente, geralmente
considerada inferior;
 Atitude hostil em relação a certas categorias de indivíduos.

A Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial,


tratado internacional de direitos humanos adotados pela Assembleia das Nações Unidas e assinado
pelo Brasil, define discriminação racial como:
“Toda distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em raça, cor,
descendência ou origem nacional ou étnica que tenha por objeto ou resultado
anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício em um mesmo plano
(em igualdade de condição) de direitos humanos e liberdades fundamentais nos
campos político, econômico, social, cultural ou em qualquer outro campo da
vida pública”.

Tipos de racismo:

Racismo cultural: O racismo cultural defende que uma cultura seja superior à outra. Pode ser
exposto por meio de crenças, músicas, religiões, idiomas e afins, tudo que engloba cultura;
Racismo comunitarista: Também conhecido como preconceito contemporâneo, esse tipo de
racismo acredita que a raça não é biológica e sim, vinda de uma etnia ou cultura;
Racismo ecológico (ou ambiental): praticado contra à natureza (“mãe terra”), afetando
comunidade e grupos;
Racismo individual: parte de atitudes, interesses e pensamentos pessoais, inclusive de
estereótipos;
Racismo institucional: praticado por instituições e comprovado por números, dados e
estatísticas. Acontece em lugares que os negros são marginalizados – trabalho, educação -. Um
exemplo é a porcentagem de vereadores negros eleitos nas eleições de 2016 em relação aos brancos.
São 29,11% contra 70,29%, respectivamente;
Racismo primário: não conta com justificativas, acontece de forma mais psicológica e
emocional.
O que a lei brasileira prevê para o crime de racismo?

A lei brasileira diferenciava racismo e injúria racial e entendia o primeiro como crime contra o
coletivo e o segundo contra um indivíduo. Entretanto, no início de 2023, a injúria racial passou a
ser tipificada como racismo. A pena foi aumentada, passou de um a três anos para dois a cinco
anos.
A nova legislação, lei n° 14.532, de 11 de Janeiro de 2023, alterou a antiga lei de Crime Racial e
além de igualar injúria racial a racismo prever, também, suspensão de direito em caso de racismo
praticado no contexto de atividade esportiva ou artística e pena para o racismo religioso e
recreativo e para o praticado por funcionário público.
Ademais, o novo decreto acrescenta penalidade para os crimes que ocorrerem nos meios de
comunicação e redes sociais e em atividades religiosas, artísticas e culturais.

Como é ser negro no Brasil?

Se o racismo é um sistema de opressão, é necessário existir um oprimido e um opressor,


caracterizando uma relação de poder. Neste caso, seria uma determinada etnia se considerar
superior à outra.
Por isso que, quando nos deparamos com o termo “racismo”, a primeira coisa que vem à mente é o
tipo de racismo cometido contra a população negra.
No Brasil, os casos de racismo cresceram muito. Entre 2018 e 2021 houve um aumento de cerca de
31% nos casos. Além disso, é a população negra a maior vítima de homicídios, representando
77,9% dos casos. A maior parte das vítimas é jovem, tem entre 12 e 29 anos, e pertecem ao sexo
masculino. A violência policial é uma expressão do racismo estrutural no país. Entre as mortes
causadas por interferência policial, 84,1% eram pessoas negras.
A violência, também, está expressa em ambientes corporativos e institucionais. O levantamento
feito pelo Trilhas de Impacto apontou que 86% das mulheres negras já sofreram casos de racismo
em empresas. Além disso, outra pesquisa, da empresa CEGOS, identificou que 75% das empresas
levantaram o racismo como a principal forma de descriminação.

Casos de racismo que vieram a publico:

Episódios de racismo são recorrentes no Brasil e alguns vêm à tona, mas a grande maioria não.

1- um menino de 8 anos é expulso da calçada de uma loja da grife Animale, na Rua Oscar
Freire, em São Paulo, por uma funcionária do próprio estabelecimento. O pai da criança, um
americano erradicado no Brasil, Jonathan Duran, por meio de relato no Facebook, fez um desabafo
afirmando que “em certos lugares em São Paulo, a pele do seu filho não pode ter a cor errada”

2- No início de 2013, por meio de uma denúncia feita no Facebook, um casal do Rio de Janeiro
chamou a atenção do país após o filho, de 7 anos na época, negro e adotado, ter sido vítima de
preconceito racial em uma concessionária da BMW. O casal e o filho foram todos à loja Autokraft,
na Barra da Tijuca, para olhar um automóvel. No local, o garoto ficou em um espaço separado
assistindo a um desenho animado na televisão, enquanto eles foram encaminhados pela
recepcionista ao gerente de vendas da loja. A discriminação aconteceu quando o menino foi
procurar os pais e se aproximou deles. Um gerente da loja se dirigiu a ele dizendo que não poderia
ficar no local. “Aqui não é lugar para você. Saia da loja", teria dito o funcionário da concessionária
ao garoto.
3- Um simples jogo de futebol pela Copa do Brasil, em agosto do ano de 2014, foi cenário para
outro episódio de racismo. Depois de ver seu time perder por 2 a 0 do Santos, a gremista Patrícia
Moreira da Silva foi flagrada por câmeras chamando Aranha, goleiro do time rival, de macaco.
Patrícia não foi a única a ofender o goleiro, outros torcedores do Grêmio também o insultaram. Na
época, Aranha chegou a declarar que ficou chateado com a situação. No futebol, não só no Brasil,
mas em outras partes do mundo, é comum episódios de racismo.
4- Edson Lopes, um cabo da Polícia Militar, foi vítima de um episódio de racismo em um
supermercado de Vitória, no Espírito Santo. O policial afirmou na ocasião que foi obrigado a se
despir para provar aos seguranças do estabelecimento que não estava roubando dois vinhos
comprados minutos antes do ocorrido. Por ser negro e estar usando bermuda e chinelo, Lopes
declarou na ocasião que os seguranças o confundiram com ladrão.

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