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Toxina Botulínica na Assimetria Facial Pós-AVC

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TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC)

TOXÍNA BOTULÍNICA PARA CORREÇÃO DE ASSIMETRIA FACIAL PÓS AVC

1
LUANA PICHETTI LONGO

1 INTRODUÇÃO

No Acidente Vascular Cerebral (AVC), existem vários possíveis sintomas,


incluindo danos nas funções motoras, sensitivas, mentais, perceptivas e nas funções
de linguagem. Dentre esses sintomas, a paralisia facial, que ocorre quando há um
entupimento ou rompimento de vasos que levam sangue ao cérebro, podendo
ocorrer uma perda do controle muscular voluntário, uma assimetria. Depois o
paciente pode desenvolver um aumento desproporcional da contração muscular
involuntária. A paralisia facial pode ocasionar dificuldades na alimentação,
mastigação, deglutição, paladar, salivação, fala e insatisfação com a estética facial.
Na estética facial, a paralisia provoca assimetria na face, sendo caracterizada por
uma desigualdade entre ambos os lados causando um desequilíbrio nas estruturas
faciais. O lado paralisado tem poucas rugas, sulco nasolabial menos evidente e
queda de comissura labial e do supercílio. O lado contralateral responde com reação
hipercinética muscular devido à falta de tônus no lado paralisado.
Neste caso, a toxina botulínica pode ser usada para tratamento alternativo na
paralisia facial, ao invés de intervenções cirúrgicas, pois ela propicia inibição
muscular química reversível, sendo assim, pode ser usada como exame terapêutico
antes de modificar a função muscular por meio de cirurgias. A mesma é realizada
sem necessidade de anestesia local, via intramuscular, com uma grande margem de
segurança, trazendo melhora significativa nas questões funcionais, autoestima e
questões psicológicas do paciente. É um procedimento não cirúrgico e minimamente
invasivo.
A toxina botulínica é uma neurotoxina, obtida através da bactéria Clostridium
botulinum, sendo a toxina Tipo A a mais potente e mais usada na área estética e
terapêutica. O fármaco provoca a diminuição da tonicidade dos músculos, de forma

1
Acadêmico (a) do Curso de Biomedicina, Universidade Cesumar - UNICESUMAR. Email-
luupichetti@[Link].
2

temporária, promovendo suavidade nas expressões, e vem sendo utilizada para


vários fins, desde estéticos no tratamento de linhas de expressões, rugas e
preenchimentos, como para reabilitação de pacientes com paralisia facial. Além de
melhorar a simetria, o uso da toxina botulínica auxilia na capacidade motora facial do
paciente, impulsionando mais força e reduzindo espasmos e mordidas na mucosa,
possibilitando a realização de movimentos faciais coordenados com a região
contralateral, devolvendo atividades necessárias para que esse possa falar, sorrir e
comer adequadamente. Seu efeito inicial pode aparecer dentro de 48 horas e atingir
seu efeito máximo em 15 dias, com duração de três a seis meses, perdendo a ação
gradativamente. A aplicação apresenta riscos, contudo, os índices de complicações
ou efeitos colaterais são baixos. Os efeitos adversos são geralmente leves e
passageiros, tendo a duração de alguns dias após a aplicação e podem ser
evitados. Evidências e estudos mostraram resultados benéficos e satisfatórios em
pacientes que utilizaram toxina botulínica pós AVC. Como consequência, melhora a
autoestima e a autoconfiança diante de ambientes sociais.
Com isso, a presente pesquisa se justifica com base nos benefícios do uso da
toxina botulínica para minimizar os efeitos físicos de assimetria da face, em
indivíduos com sequelas pós Acidente Vascular Cerebral (AVC).

2 METODOLOGIA

A metodologia utilizada para a coleta de dados foram, pesquisas bibliográficas


utilizadas a partir das bases de dados Google Acadêmico, Scielo (Scientific Eletronic
Library Online), Biblioteca Digital Unicesumar, entre outros. E por uma busca
sistematizada, em publicações e artigos, que contém informações sobre o tema
deste trabalho.
Tendo como critérios de inclusão artigos e pesquisas com referências, com
propostas e temas que cooperaram nesta pesquisa. Tendo como critério de
exclusão artigos com abordagem distintos do objetivo pesquisado.

3 DESENVOLVIMENTO
3

O Acidente Vascular Cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame,


resulta na restrição na irrigação sanguínea ao cérebro, causando lesões celulares e
danos às funções neurológicas. Essas lesões cerebrais são provocadas por um
enfarte, devido a isquemia ou hemorragia, de que resulta o comprometimento da
função cerebral. Vários sintomas caracterizam o AVC, incluindo danos nas funções
motoras, sensitivas, mentais, perceptivas e nas funções de linguagem (UMPHRED,
1994). Os déficits motores são caracterizados por hemiplegia (paralisias completas)
ou hemiparesia (paralisias parciais/incompletas) no hemicorpo oposto ao local da
lesão que ocorreu no cérebro. Com isso, a paralisia facial pode ocasionar
dificuldades na alimentação, mastigação, deglutição, paladar, salivação, fala e
insatisfação com a estética facial. Na estética facial, a paralisia provoca assimetria
na face, sendo caracterizada por uma desigualdade entre ambos os lados causando
um desequilíbrio nas estruturas faciais.
O tratamento é extremamente importante na recuperação do paciente com
AVC, visando o retorno desses pacientes às suas atividades funcionais, contribuindo
assim para um aumento na qualidade de vida (RODDA; GRAHAM, 2001). Os
tratamentos locais ou regionais são representados pelas neurólises químicas. Estes
são procedimentos onde o medicamento específico é injetado sobre os nervos ou
sobre os músculos. As drogas disponíveis para estas intervenções são os alcoóis,
fenol e bloqueio com Toxina Botulínica (TEIVE; ZONTA; KUMAGAI, 1998;
TEIXEIRA; FONOFF, 2004).
A toxina botulínica (TB), é uma toxina produzida através da esporulação de
uma bactéria gram-positiva e anaeróbica conhecida como Clostridium botulinum,
descoberta no ano de 1895, ano que ocorreu um surto de botulismo. Anos após da
descoberta da toxina, em 1950, Brooks divulgou que ela tem a capacidade de
promover o relaxamento dos músculos através do bloqueio na liberação de
acetilcolina que ocorre nos neurônios do tipo motores (Carruthers, 2003). Conforme
Siqueira et al (2020), as cepas de Clostridium botulinum produzem sete neurotoxinas
antigeneticamente distintas como os sorotipos A a G, dos quais a exotoxina mais
estável e potente é a toxina botulínica A. Desde a década de 2000, a toxina
botulínica do tipo A é utilizada nos procedimentos estéticos faciais no Brasil, após
ser aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Para retardar,
prevenir ou tratar o envelhecimento e os sinais que o acompanham, seu uso em
procedimentos estéticos tem aumentado significativamente (MARTINS et al., 2016).
4

As marcas de toxina botulínica que são vendidas no Brasil possuem suas


características próprias, isso se deve aos diversos fabricantes, mas a formulação e o
mecanismo de ação são os mesmos (FLÁVIO, 2019).
Os efeitos clínicos são geralmente vistos em até uma semana após a injeção,
e os benefícios geralmente duram até 6 meses. Em exames histológicos pode-se
observar que durante o período em que a toxina botulínica apresenta o seu efeito
mais intensificado, ocorre atrofia da musculatura e modificação das fibras
musculares (Unno et al., 2005). Ao final da ação e dos efeitos da toxina, surge o
período da recuperação em que ocorrerá novamente a inervação, acontecerá a
formação de brotos e de novas placas terminais de tamanho menor, o que permitirá
reverter a paralisia gerada localmente (Unno et al., 2005). Podendo ser considerada
uma substância estranha no organismo, a toxina botulínica A, pode desenvolver uma
resposta imunológica, isso por conta da reaplicação da dose contra a neurotoxina
que pode ocorrer em um resultado de fracasso no tratamento secundário. Quando
os resultados não são esperados, a falha da ação tóxica pode ser transitória pelo
fato da aplicação no tratamento falhar (RODRIGUES et al, 2009). Quando não se
tem a resposta clínica na aplicação da primeira dose, estudos comprovam, que isso
só ocorre devido aos pacientes terem sensibilidade reduzida à toxina botulínica A. A
aplicação inadequada, erros na preparação do fármaco e uma má administração
podem acabar interferindo nas respostas primárias e secundárias (BENECKE,
2012). Contudo, reaplicações, em períodos muito curtos podem levar à formação de
anticorpos, reduzindo o tempo de duração da toxina botulínica, ou provocar sua falta
de efeito. Por isso deve-se evitar os retoques nas aplicações (Marciano, 2014;
Salles, 2015).
Cada músculo apresenta a dose recomendada para que a toxina seja
aplicada de forma apropriada. A aplicação apresenta riscos, contudo, os índices de
complicações ou efeitos colaterais são baixos. Os efeitos adversos são geralmente
leves e passageiros, tendo a duração de alguns dias após a aplicação e podem ser
evitados quando obedecidos os protocolos técnicos, respeitando as normas e as
indicações. Podem ocorrer no local da aplicação ou até mesmo em locais distantes
da aplicação, estes incluem: hematomas, dor, parestesia, sensibilidade, inflamação,
hipoestesia, edema, infecção localizada, eritema, hemorragia ou ardor associados a
injeção, tanto no local quanto no músculo adjacente, fraqueza no músculo local e
também adjacente.
5

O uso da toxina botulínica (TB), tem se mostrado uma opção terapêutica,


benéfica, eficaz e segura, tornando-se uma opção aos tratamentos cirúrgicos
invasivos que normalmente deixam cicatrizes no paciente. Evidências mostraram os
resultados em pacientes que utilizaram toxina botulínica pós AVC associada a
sessões de fisioterapia, aumentou a amplitude de movimentos faciais, promovendo,
assim, uma reintegração dos mesmos na execução das atividades de vida diária
(Andalécio et al., 2021). Um estudo apresentou uso complementar da toxina
botulínica tipo A nas sequelas crônicas da paralisia facial, que proporcionou um
resultado satisfatório na harmonização facial ao melhorar as assimetrias faciais e
também no alívio temporário de sintomas. Como consequência, a paciente melhorou
sua autoestima e autoconfiança diante de ambiente sociais. Assim, a utilização da
toxina botulínica tipo A como um método reversível e minimamente invasivo pode
ser considerada uma alternativa segura e eficaz no tratamento de assimetria facial
(Monteiro, 2022).
Em outro estudo todos os pacientes submetidos à aplicação da TB obtiveram
melhora na assimetria facial, podendo ser percebido grande redução da mesma
(Maio et al., 2007).
Segundo Rutzen et al (2016), além de melhorar a simetria, o uso da toxina
botulínica auxilia na capacidade motora facial do paciente, impulsionando mais força
e reduzindo espasmos e mordidas na mucosa, possibilitando a realização de
movimentos faciais coordenados com a região contralateral, devolvendo atividades
necessárias para que esse possa falar, sorrir e comer adequadamente.
A paralisia facial é frequente após o AVC, assim novos estudos podem ajudar
grandemente na padronização de protocolos de reabilitação com o uso da toxina
botulínica.

Figura 1 – Formulações da toxina botulínica tipo A

Fonte: Siew (2017)


6

4 DISCUSSÃO

No mundo, a toxina botulínica tem sido usada desde a década de 1970 para
tratar condições de contração e espasmos musculares anormais, pois impede a
liberação de acetilcolina na junção neuromuscular, inibindo a contração muscular
(Ferreira, 2019), tornando-se assim, importante coadjuvante no tratamento de
pacientes acometidos por paralisia facial, por ser um tratamento minimamente
invasivo.
Em exames histológicos pode-se observar que durante o período em que a
toxina botulínica apresenta o seu efeito mais intensificado, ocorre atrofia da
musculatura e modificação das fibras musculares (Unno et al., 2005). Ao final da
ação e dos efeitos da toxina, surge o período da recuperação em que ocorrerá
novamente a inervação, acontecerá a formação de brotos e de novas placas
terminais de tamanho menor, o que permitirá reverter a paralisia gerada localmente
(Unno et al., 2005).
Um estudo apresentou uso complementar da toxina botulínica tipo A nas
sequelas crônicas da paralisia facial, que proporcionou um resultado satisfatório na
harmonização facial ao melhorar as assimetrias faciais e também no alívio
temporário de sintomas. Como consequência, a paciente melhorou sua autoestima e
autoconfiança diante de ambiente sociais. Assim, a utilização da toxina botulínica
tipo A como um método reversível e minimamente invasivo pode ser considerada
uma alternativa segura e eficaz no tratamento de assimetria facial (Monteiro, 2022).
Em outro estudo todos os pacientes submetidos à aplicação da TB obtiveram
melhora na assimetria facial, podendo ser percebido grande redução da mesma
(Maio et al., 2007).
Segundo Rutzen et al (2016), além de melhorar a simetria, o uso da TB auxilia
na capacidade motora facial do paciente, impulsionando mais força e reduzindo
espasmos e mordidas na mucosa, possibilitando a realização de movimentos faciais
coordenados com a região contralateral, devolvendo atividades necessárias para
que esse possa falar, sorrir e comer adequadamente.
Sendo assim, o uso da toxina botulínica (TB), tem se mostrado uma opção
terapêutica, benéfica, eficaz e segura, tornando-se uma opção aos tratamentos
cirúrgicos invasivos que normalmente deixam cicatrizes no paciente. Evidências
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mostraram os resultados em pacientes que utilizaram TB pós AVC aumentou a


amplitude de movimentos faciais, promovendo, assim, uma reintegração dos
mesmos na execução das atividades de vida diária (Andalécio et al., 2021).

4 CONCLUSÃO E IMPLICAÇÕES PRÁTICAS

Pode-se concluir que essa pesquisa mostrou efeitos positivos em relação ao


tratamento da Toxina Botulínica para correção de assimetria facial pós Acidente
Vascular Cerebral (AVC). O estudo mostrou a eficácia da TB para devolver estética,
simetria, função e equilíbrio muscular à face dos pacientes, e além disso, a
contribuição para a qualidade de vida.
É de grande valia ressaltar a necessidade do conhecimento teórico e prático
de profissionais especializados para indicar e tratar pacientes com esse tipo de
alteração, e também, a adaptação para cada paciente.

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8

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