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TEORIA DA PERSONALIDADE E DO
COMPORTAMENTO
SUMÁRIO
ASPECTOS INTRODUTÓRIOS .................................................................................. 4
Conceito ................................................................................................................... 4
Personalidade .......................................................................................................... 5
Teoria ....................................................................................................................... 8
Teorias da Personalidade dos Teóricos................................................................ 9
Comparação entre as teorias da personalidade ................................................. 10
Humanidade ........................................................................................................... 11
Gestalt .................................................................................................................... 14
As Leis da Gestalt .................................................................................. 14
Teorias Associativas: Behaviorismo ................................................................... 15
Caixa de Skinner .................................................................................... 18
Teoria Psicodinâmica: Psicanálise ...................................................................... 20
Estágios do desenvolvimento psicossexual ...................................................... 23
O Humanismo ........................................................................................................ 25
Carl Jung e a Psicologia Analítica ....................................................................... 26
COMPORTAMENTO ................................................................................................ 28
REFRERÊNCIAS ...................................................................................................... 30
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NOSSA HISTÓRIA
A NOSSA HISTÓRIA, inicia com a realização do sonho de um grupo de
empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação
e Pós-Graduação. Com isso foi criada a INSTITUIÇÃO, como entidade oferecendo
serviços educacionais em nível superior.
A INSTITUIÇÃO tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação
no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua.
Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que
constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de
publicação ou outras normas de comunicação.
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica,
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido.
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ASPECTOS INTRODUTÓRIOS
Conceito
Por que as pessoas agem da forma como agem? Elas têm alguma escolha ao
moldarem a própria personalidade? O que justifica as semelhanças e diferenças entre
as pessoas? O que as faz agirem de maneiras previsíveis? Por que elas são
imprevisíveis? Forças ocultas inconscientes controlam o comportamento das
pessoas? O que causa os transtornos mentais? O comportamento humano é moldado
mais pela hereditariedade ou pelo ambiente?
Durante séculos, filósofos, teólogos e outros pensadores fizeram essas
indagações enquanto ponderavam sobre a essência da natureza humana – ou até
mesmo se perguntavam se os humanos possuem uma natureza básica. Até tempos
relativamente recentes, os grandes pensadores fizeram pouco progresso em obter
respostas satisfatórias para tais questões. Mais de cem anos atrás, Sigmund Freud
começou a combinar especulações filosóficas com um método científico primitivo.
Como neurologista treinado em ciências, Freud passou a ouvir os pacientes para
descobrir que conflitos se encontravam por trás dos variados sintomas deles. “Ouvir
se tornou, para Freud, mais do que uma arte; transformou-se em um método, um
caminho privilegiado para o conhecimento que seus pacientes mapeavam para ele”
(Gay, 1988, p. 70). Freud, de fato, foi o primeiro a desenvolver uma teoria
verdadeiramente moderna da personalidade, com base, principalmente, em suas
observações clínicas. Ele formulou a “Grande Teoria”, ou seja, uma teoria que tentou
explicar a personalidade para todas as pessoas.
A tendência geral durante o curso do século XX foi basear as teorias cada vez
mais em observações científicas do que em observações clínicas. Ambas as fontes,
no entanto, são fundamentos válidos para as teorias da personalidade.
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Personalidade
Os humanos não estão sozinhos em sua singularidade e variabilidade entre os
indivíduos das espécies. Os indivíduos que pertencem a cada espécie viva exibem
diferenças ou variabilidade. De fato, animais como polvos, pássaros, porcos, cavalos,
gatos e cachorros possuem diferenças individuais consistentes no comportamento,
conhecidas de outra forma como personalidade, dentro de sua própria espécie
(Dingemanse, Both, Drent, Van Oers, & Van Noordwijk, 2002; Gosling & John, 1999;
Weinstein, Capitanio, & Gosling, 2008).
Porém, o grau em que os humanos variam entre si, tanto física quanto
psicologicamente, é espantoso e singular entre as espécies. Alguns de nós somos
quietos e introvertidos, outros anseiam por contato e estimulação social; alguns de
nós somos calmos e equilibrados, enquanto outros mostram-se excitados e
persistentemente ansiosos. Neste capítulo, exploramos as explicações e ideias que
vários homens e mulheres tiveram referentes a como acontecem essas diferenças na
personalidade humana.
Os psicólogos diferem entre si quanto ao significado da personalidade. A
maioria concorda que a palavra “personalidade” se originou do latim persona, que se
referia a uma máscara teatral usada pelos atores romanos nos dramas gregos. Esses
atores romanos antigos usavam uma máscara (persona) para projetar um papel ou
uma falsa aparência. Tal visão superficial da personalidade, é claro, não é uma
definição aceitável. Quando os psicólogos usam o termo “personalidade”, eles estão
se referindo a algo que vai além do papel que as pessoas desempenham.
No entanto, os teóricos não entraram em consenso quanto a uma definição
única de personalidade. Na verdade, eles desenvolveram teorias singulares e vitais,
porque não havia concordância quanto à natureza da humanidade e porque cada um
via a personalidade de um ponto de referência individual. Os teóricos da
personalidade discutidos neste livro são de muitas procedências.
Alguns nasceram na Europa e viveram toda a sua vida lá; outros nasceram na
Europa, mas migaram para outras partes do mundo, especialmente os Estados
Unidos; há aqueles, ainda, que nasceram na América do Norte e permaneceram por
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lá. Muitos foram influenciados por experiências religiosas anteriores; outros não. A
maioria foi treinada em psiquiatria ou psicologia. Muitos utilizaram a sua experiência
como psicoterapeutas; outros se basearam mais na pesquisa empírica para reunir
dados sobre a personalidade humana.
Mesmo que todos eles tenham lidado de alguma forma com o que chamamos
de personalidade, cada um abordou esse conceito global a partir de uma perspectiva
diferente. Alguns tentaram construir uma teoria abrangente; outros foram menos
ambiciosos e lidaram apenas com alguns aspectos da personalidade.
Poucos teóricos definiram formalmente a personalidade, mas todos
apresentaram sua própria visão sobre ela. Apesar de não haver uma definição única
que seja aceita por todos os teóricos da personalidade, podemos dizer que
personalidade é um padrão de traços relativamente permanentes e características
únicas que dão consistência e individualidade ao comportamento de uma pessoa
(Roberts & Mroczek, 2008). Os traços contribuem para as diferenças individuais no
comportamento, a consistência do comportamento ao longo do tempo e a estabilidade
do comportamento nas diversas situações. Os traços podem ser únicos, comuns a
algum grupo ou compartilhados pela espécie inteira, porém seu padrão é diferente em
cada indivíduo. Assim, cada pessoa, embora seja como as outras em alguns aspectos,
possui uma personalidade única. Características são qualidades peculiares de um
indivíduo que incluem atributos como temperamento, psique e inteligência.
Existem poucas palavras na nossa língua com tanto fascínio para o público em
geral como o termo personalidade. Embora a palavra seja usada em vários sentidos,
a maioria desses significados populares se encaixa em um ou dois tópicos. O primeiro
uso iguala o termo à habilidade ou à perícia social. A personalidade de um indivíduo
é avaliada por meio da efetividade com que ele consegue eliciar reações positivas em
uma variedade de pessoas em diferentes circunstâncias. É nesse sentido que a
professora que se refere a um aluno como apresentando um problema de
personalidade, provavelmente, está indicando que suas habilidades sociais não são
adequadas para manter relações satisfatórias com os colegas e com a professora.
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O segundo uso considera a personalidade do indivíduo como consistindo-se na
impressão mais destacada ou saliente que ele cria nos outros. Assim, podemos dizer
que uma pessoa tem uma “personalidade agressiva” ou uma “personalidade
submissa” ou uma “personalidade temerosa”.
Em cada caso o observador seleciona um atributo ou uma qualidade altamente
típica do sujeito, que presumivelmente é uma parte importante da impressão global
criada nos outros, e identifica sua personalidade por esse termo. Está claro que existe
um elemento de avaliação em ambos os usos. As personalidades, conforme descritas
comumente, são boas e más.
Embora a diversidade no uso comum da palavra personalidade possa parecer
considerável, ela é superada pela variedade de significados atribuídos ao termo pelos
psicólogos. Em um exame exaustivo da literatura, Allport (1937) extraiu quase
cinquenta definições diferentes que classificou em algumas categorias amplas. Na
presente disciplina, analisaremos as mais
A definição biossocial mostra uma estreita correspondência com o uso popular
do termo, uma vez que equipara personalidade ao “valor da impressão social” que o
indivíduo provoca. É a reação dos outros indivíduos ao sujeito o que define a sua
personalidade. Podemos inclusive afirmar que o indivíduo não possui nenhuma
personalidade a não ser aquela proporcionada pela resposta dos outros. Allport
contesta vigorosamente a implicação de que a personalidade reside apenas no “outro-
que-responde”, e sugere ser preferível uma definição biofísica que baseie firmemente
a personalidade em características ou qualidades do sujeito. De acordo com essa
última definição, a personalidade tem um lado orgânico, assim como um lado
aparente, e pode ser vinculada a qualidades específicas do indivíduo suscetíveis à
descrição e à mensuração objetivas.
Um outro tipo importante de definição é a globalizante ou do tipo coletânea.
Essa definição abrange a personalidade por enumeração. O termo personalidade é
usado aqui para incluir tudo sobre o indivíduo. O teórico comumente lista os conceitos
considerados de maior importância para descrever o indivíduo e sugere que a
personalidade consiste nisso. Outras definições enfatizam principalmente a função
integrativa, ou organizadora, da personalidade. Tais definições sugerem que a
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personalidade é a organização ou o padrão dado às várias respostas distintas do
indivíduo. Alternativamente, elas sugerem que a organização resulta da personalidade
que é uma força ativa dentro do indivíduo. A personalidade é aquilo que dá ordem e
congruência a todos os comportamentos diferentes apresentados pelo indivíduo.
Alguns teóricos enfatizam a função da personalidade na mediação do
ajustamento do indivíduo. A personalidade consiste nos esforços de ajustamento
variados e, no entanto, típicos, realizados pelo indivíduo. Em outras definições, a
personalidade é igualada aos aspectos únicos ou individuais do comportamento.
Nesse caso, o termo designa aquilo que é distintivo no indivíduo e o diferencia de
todas as outras pessoas. Finalmente, alguns teóricos consideram que a personalidade
representa a essência da condição humana. Essas definições sugerem que a
personalidade se refere àquela parte do indivíduo que é mais representativa da
pessoa, não apenas porque a diferencia dos outros, mas principalmente porque é
aquilo que a pessoa realmente é. A sugestão de Allport de que “a personalidade é o
que um homem realmente é” ilustra esse tipo de definição. A implicação aqui é que a
personalidade consiste naquilo que é, na análise final, mais típico e característico da
pessoa.
Teoria
A palavra “teoria” possui a distinção dúbia de ser um dos termos mais usados
indevidamente e mais pouco compreendido da língua inglesa. Algumas pessoas
contrastam teoria com verdade ou fato, mas essa antítese demonstra uma ausência
fundamental de compreensão de todos os três termos. Na ciência, as teorias são
ferramentas usadas para gerar pesquisa e organizar observações, porém nem
“verdade” nem “fato” possuem um lugar em uma terminologia científica.
Uma teoria científica é um conjunto de pressupostos relacionados que permite
que os cientistas usem o raciocínio lógico dedutivo para formular hipóteses
verificáveis. Essa definição precisa de maior explicação. Em primeiro lugar, uma teoria
é um conjunto de pressupostos. Um único pressuposto nunca pode atender a todas
as exigências de uma teoria adequada. Um único pressuposto, por exemplo, não pode
servir para integrar várias observações, algo que uma teoria útil deve fazer.
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Em segundo lugar, uma teoria é um conjunto de pressupostos relacionados.
Pressupostos isolados não podem gerar hipóteses significativas, nem possuem
consistência interna – dois critérios de uma teoria útil. Em terceiro, uma palavra-chave
na definição é pressupostos.
Os componentes de uma teoria não são fatos comprovados no sentido de que
sua validade tenha sido absolutamente estabelecida. Eles são, no entanto, aceitos
como se fossem verdade. Este é um passo prático, dado de forma que os cientistas
possam conduzir pesquisa úteis, cujos resultados continuam a construir e a reformular
a teoria original. Em quarto lugar, o raciocínio lógico dedutivo é usado pelo
pesquisador para formular hipóteses. Os princípios de uma teoria devem ser
especificados com uma precisão suficiente e com uma consistência lógica que
permitam aos cientistas deduzir hipóteses claramente propostas. As hipóteses não
são componentes da teoria, mas derivam dela.
O trabalho de um cientista imaginativo é começar com a teoria geral e, por
meio do raciocínio dedutivo, chegar a uma hipótese particular que pode ser verificada.
Se as proposições teóricas gerais forem ilógicas, elas permanecem estéreis e
incapazes de gerar hipóteses. Além do mais, se um pesquisador usa uma lógica falha
na dedução de hipóteses, a pesquisa resultante não apresentará significado e não
contribuirá para o processo contínuo de construção da teoria. A parte final da definição
inclui o qualificador verificável. A menos que uma hipótese possa ser verificada de
alguma maneira, ela será inútil. A hipótese não precisa ser verificada imediatamente,
mas deve sugerir a possibilidade de os cientistas, no futuro, desenvolverem os meios
necessários para tanto.
Teorias da Personalidade dos Teóricos
As personalidades dos teóricos e suas teorias da personalidade Como as
teorias da personalidade se desenvolvem a partir das próprias personalidades dos
teóricos, um estudo dessas personalidades é apropriado. Em anos recentes, uma
subdisciplina da psicologia chamada psicologia da ciência começou a examinar os
traços pessoais dos cientistas; isto é, ela investiga o impacto dos processos
psicológicos e das características pessoais de um cientista no desenvolvimento de
suas teorias e pesquisa (Feist, 1993, 1994, 2006; Feist & Gorman, 1998; Gholson,
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Shadish, Neimeyer, & Houts, 1989). Em outras palavras, a psicologia da ciência
examina como as personalidades dos cientistas, seus processos cognitivos, histórias
desenvolvimentais e experiência social afetam o tipo de ciência que eles desenvolvem
e as teorias que eles criam.
Na verdade, inúmeras investigações (Hart, 1982; Johnson, Germer, Efran, &
Overton, 1988; Simonton, 2000; Zachar & Leong, 1992) demonstraram que as
diferenças da personalidade influenciam a orientação teórica de um indivíduo, bem
como sua inclinação a se voltar para o lado “duro” ou “leve” de uma disciplina. Uma
compreensão das teorias da personalidade se apoia nas informações referentes ao
mundo histórico, social e psicológico de cada teórico no momento de sua formulação
teórica. Como acreditamos que as teorias da personalidade refletem a personalidade
do teórico, incluímos uma quantidade substancial de informações biográficas sobre
cada teórico importante.
Assim, as diferenças de personalidade entre os teóricos explicam as
discordâncias fundamentais entre aqueles que se voltam para o lado quantitativo da
psicologia (behavioristas, teóricos da aprendizagem social e teóricos dos traços) e
aqueles que se voltam para o lado clínico e qualitativo da psicologia (psicanalistas,
humanistas e existencialistas). Ainda que a personalidade de um teórico molde
parcialmente sua teoria, ela não deve ser a única determinante.
Comparação entre as teorias da personalidade
O fato mais notável com o qual o estudante da personalidade se depara é a
multiplicidade de teorias da personalidade. A confusão aumenta quando lhe dizem
que é impossível afirmar qual teoria está certa ou é melhor do que as outras. Essa
incerteza é tipicamente atribuída à qualidade recente do campo e à dificuldade do
assunto. Neste ponto, em vez de perguntar se as teorias estão certas ou erradas, o
estudante é aconselhado a adotar uma estratégia comparativa.
Segundo, alguns aspectos da personalidade são discutidos por diferentes
teóricos, por exemplo, a ansiedade, o senso de competência, o conflito intrapsíquico
e o nível de sociabilidade desempenham papéis centrais em muitas das teorias. Por
um lado, isso é alentador, porque a convergência de diferentes teóricos em
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determinadas facetas da personalidade sugere que essas características são reais e
importantes. Por outro lado, isso pode ser desorientador, uma vez que os diferentes
teóricos necessariamente empregam linguagens específicas das próprias teorias para
discutir essas características. Para ajudar o estudante a compreender essas
convergências, nós incluiremos uma discussão explícita das traduções entre as
teorias apresentadas. Finalmente, existem várias qualidades pelas quais as teorias da
personalidade podem ser comparadas e distinguidas. Nós agora apontamos algumas
das mais importantes destas dimensões. Os atributos se dividem naturalmente entre
aqueles referentes a questões de adequação formal e os referentes à natureza
substantiva da teoria.
Humanidade
As teorias da personalidade diferem em questões básicas referentes à natureza
da humanidade. Cada teoria da personalidade reflete os pressupostos de seu autor
sobre humanidade.
Tais pressupostos se apoiam em dimensões amplas, que separam os vários
teóricos da personalidade. Usamos seis dessas dimensões como estrutura para
examinar o conceito de humanidade de cada teórico.
A primeira dimensão é determinismo versus livre-arbítrio. O comportamento
das pessoas é determinado por forças sobre as quais elas não têm controle ou as
pessoas podem escolher ser o que desejam ser? O comportamento pode ser
parcialmente livre e parcialmente determinado ao mesmo tempo?
Ainda que a dimensão do determinismo versus livre-arbítrio seja mais filosófica
do que científica, a posição que os teóricos assumem sobre essa questão molda sua
forma de encarar as pessoas e influencia seu conceito de humanidade.
A segunda questão é pessimismo versus otimismo. As pessoas estão
condenadas a viver vidas miseráveis, conflituosas e problemáticas ou elas podem
mudar e crescer, tornando-se seres humanos psicologicamente saudáveis, felizes e
funcionando de modo integral?
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Em geral, os teóricos da personalidade que acreditam no determinismo tendem
a ser pessimistas (Skinner foi uma exceção notável), enquanto aqueles que acreditam
no livre-arbítrio em geral são otimistas. A terceira dimensão para examinar o conceito
de humanidade de um teórico é causalidade versus teleologia. Brevemente, a
causalidade sustenta que o comportamento é uma função de experiências passadas,
enquanto a teleologia é uma explicação do comportamento em termos de objetivos e
propósitos futuros. As pessoas agem como agem por causa do que aconteceu a elas
no passado ou porque têm certas expectativas do que acontecerá no futuro?
A quarta consideração que divide os teóricos da personalidade é sua atitude
em relação aos determinantes conscientes versus inconscientes do comportamento.
As pessoas normalmente estão conscientes do que fazem e de por que fazem aquilo
ou forças inconscientes interferem e as levam a agir sem consciência dessas forças
subjacentes?
A quinta questão é a das influências biológicas versus sociais na personalidade.
As pessoas são, sobretudo, criaturas da biologia ou suas personalidades são
moldadas, em grande parte, por suas relações sociais? Um elemento mais específico
dessa questão é a hereditariedade versus o ambiente; ou seja, as características
pessoas são mais o resultado da hereditariedade ou elas são determinadas pelo
ambiente?
A sexta questão é a singularidade versus semelhanças. A característica
relevante das pessoas é sua individualidade ou são suas características comuns? O
estudo da personalidade deve se concentrar naqueles traços que tornam as pessoas
parecidas ou deve se voltar para os traços que as tornam diferentes?
Essas e outras questões básicas que separam os teóricos da personalidade
resultaram em teorias da personalidade verdadeiramente diferentes, não apenas
diferenças na terminologia. Não conseguiríamos apagar as diferenças entre as teorias
da personalidade adotando uma linguagem comum. As diferenças são filosóficas e
profundas. Cada teoria da personalidade reflete a personalidade individual de seu
criador, e cada criador tem uma orientação filosófica única, moldada, em parte, pelas
experiências precoces infantis, pela ordem de nascimento, pelo gênero, pelo
treinamento, pela educação e pelo padrão de relações interpessoais. Essas
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diferenças ajudam a definir se um teórico será determinista ou adepto do livre-arbítrio,
será pessimista ou otimista, adotará uma explicação causal ou teleológica. Elas
também ajudam a determinar se o teórico enfatiza a consciência ou a inconsciência,
os fatores biológicos ou sociais, as singularidades ou as semelhanças das pessoas.
No entanto, essas diferenças não negam a possibilidade de que dois teóricos
com visões opostas de humanidade possam ser igualmente científicos em sua reunião
dos dados e construção da teoria.
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TEORIAS
Gestalt
Estruturada por Chrinstiam von Ehrenfels (1856 a 1932), filósofo e psicólogo, a
Psicologia da Gestalt estuda as sensações (dado psicológico) de espaço-forma e
tempo-forma (o dado físico).
As bases dessa teoria psicológica partiram de estudos que estabeleciam a
forma e sua percepção na Alemanha, entre 1910 e 1920, através de Max Wertheimer
(1880–1943), Kurt Koffka (1886–1941), Wolfgang Kohler (1887–1967). A palavra
Gestalt tem origem alemã e surgiu de uma das muitas traduções da Bíblia em 1523,
significando "o que é colocado diante dos olhos, exposto aos olhares". O termo alemão
“Gestalt” se aproxima na tradução para o português correspondente como forma,
estrutura, configuração, podendo ser compreendido como uma integração de partes
em oposição à soma do "todo". A Psicologia da Gestalt, também conhecida como
Psicologia da Boa Forma, estuda as sensações de espaço, forma e tempo. As
aplicações das descobertas da Gestalt na Educação são muito importantes por não
utilizarem o exercício puramente mecânico no processo de aprendizagem. Segundo
Ehrenfels (1890), existem características da forma onde a união destas sensações
gera a percepção. Köhler e Koffka defendiam que a experiência e a percepção são
mais importantes que as respostas específicas no processo de aprendizagem.
Segundo eles, a aprendizagem acontece através de um insight, que se constitui numa
compreensão súbita para solução de problemas, até então sem resposta, sendo a
aprendizagem uma reorganização do campo cognitivo que permite a compreensão de
um problema e a sua solução.
As Leis da Gestalt
Observando-se o comportamento espontâneo do cérebro durante o processo
de percepção, foram elaboradas algumas normas para o entendimento desse
comportamento.
A Teoria da Gestalt estuda a percepção e a sensação do movimento, os
processos psicológicos envolvidos diante de um estímulo e como este é percebido
pelo sujeito.
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A Psicologia da Gestalt afirma que as partes nunca podem proporcionar uma
real compreensão do todo. O todo é diferente da soma das partes. Os psicólogos da
Gestalt analisam os fenômenos mentais e comportamentais em elementos pré-
determinados arbitrariamente, pois o todo psicológico é mais do que a soma de suas
partes, merecendo ser compreendido em sua totalidade.
A Gestalt encontra no fenômeno da percepção as condições para a
compreensão do comportamento humano. A maneira como percebemos um
determinado estímulo irá desencadear nosso comportamento. As figuras podem ser
percebidas de formas diferentes. Mais do que os traços das próprias figuras, o que
determina a interpretação é o olhar do observador. Para a Psicologia da Gestalt, o
olhar do observador é mais importante do que as características do estímulo e
diferentemente do associacionismo, vê o processo de aprendizagem como a relação
entre o todo e a parte, onde o todo tem papel fundamental na compreensão do objeto
percebido.
Já, em 1977, o russo radicado na Alemanha Hilarion Petzold (1944) propõe
uma nova abordagem em pedagogia denominada Gestalt pedagogia para as
situações de ensino e aprendizagem, que propõe alternativas para os problemas na
atualidade, uma transferência dos princípios terapêuticos da filosofia da Gestalt para
o contexto da educação. A experiência passada, apesar de não conseguir resolver o
problema, facilita a compreensão de uma nova situação. É objetivo central da Gestalt
pedagogia possibilitar ao indivíduo o desenvolvimento completo das capacidades e
de todo o seu potencial, segundo Burow e Scherpp (1981), (...) é apenas preciso que
se criem as condições necessárias.
Teorias Associativas: Behaviorismo
O Behaviorismo, também conhecido como comportamentalismo, é uma área
da psicologia que tem o comportamento como objeto de estudo. Esta palavra tem
origem no termo behavior, que em inglês significa comportamento ou conduta.
John Watson (1878-1958) foi o principal divulgador do Behaviorismo. O
behaviorismo contempla o comportamento como uma forma funcional e reacional de
organismos vivos.
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Os principais tipos de behaviorismo são o Behaviorismo Metodológico, que tem
como precursor o psicólogo John B. Watson e o Behaviorismo Radical, que tem como
pai o psicólogo Burrhus F. Skinner. Sendo o behaviorismo de Watson o primeiro da
evolução da escola de pensamento comportamental seguido por trabalhos de Edward
Chace Tolman (1886-1959), cujo Behaviorismo intencional propunha uma explicação
cognitiva para a aprendizagem, sugerindo que a repetição do desempenho de uma
tarefa reforça a relação aprendida entre as dicas ambientais e as expectativas do
organismo. Clark Leonard Hull (1884-1952) com seu behaviorismo objetivo,
reducionista e mecanicista, a teoria da aprendizagem de Hull concentra-se no
princípio do reforço. Skinner com o behaviorismo radical. Esses behavioristas
entendem que o estudo da aprendizagem constitui o tópico central da psicologia onde
na maioria das vezes os comportamentos, independentemente da sua complexidade,
podem ser entendidos pelas leis do condicionamento. Depois aparece Albert Bandura
(1925-) com o behaviorismo social cognitivo, cuja abordagem consiste em uma teoria
de aprendizagem "social", porque estuda informação e a modificação do
comportamento nas situações sociais. Julian Rotter (1916-) com estudos dos
processos cognitivos sociais, mas mantendo o enfoque na observação do
comportamento manifesto.
Os behavioristas metodológicos estudavam os aspectos objetivos, observáveis
e mensuráveis da atividade psicológica, deixando de lado aspectos subjetivos,
considerados não mensuráveis, diferentemente dos behavioristas radicais que se
preocupavam em estudar os comportamentos observáveis (inatos e aprendidos) e
comportamentos privados ou encobertos (como pensamento, sentimento, resolução
de problemas etc.). A partir do século XX, o estudo do comportamento animal é parte
importante do behaviorismo com o objetivo de fazer comparações, sem “aproximar” o
ser humano de outros animais.
Watson entendia que, se a observação objetiva era um método adequado para
conhecer o comportamento animal, também seria eficaz em seres humanos. A
associação de um estímulo inicialmente neutro a uma resposta, por meio do
treinamento ou repetição, era a chave para a compreensão do comportamento. Ele
estudava os comportamentos reflexos ou respondentes, os quais eram explicados a
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partir da relação entre um estímulo antecedente, estímulos eliciadores a uma resposta
involuntária do organismo como salivar, sudorese, taquicardia.
Mais tarde, Ivan Petrovich Pavlov (1849-1936) buscou explicar sobre
comportamentos reflexos aprendidos ou respondentes aprendidos. O estudo de tais
comportamentos é fundamental para a compreensão sobre as emoções dos seres
humanos, incluindo situações em contexto educacional.
O behaviorista Burrhus Frederic Skinner (1904-1990) foi o pesquisador
behaviorista mais conhecido. Sua extensa produção teórica influenciou a Psicologia e
ficou conhecida por Behaviorismo Radical, designando uma filosofia da Ciência do
Comportamento (que ele se propôs defender) por meio da Análise Experimental do
Comportamento humano, que tem sua base teórico-conceitual na formulação do
comportamento operante que se caracteriza por estímulos que seguem a resposta
permitindo modelar um determinado comportamento pretendido.
O comportamento operante pode ser público (observável) e privado ou
encoberto (sentimento, pensamento, raciocínio, resolução de problema etc.), assim
como o meio pode ser interno ou externo. Ainda o condicionamento operante refere-
se ao de contingência tríplice, ou seja, a relação entre a situação que antecedente a
ocorrência de uma resposta do indivíduo (pública ou privada), a ocorrência da
resposta e as consequências que a resposta opera (produz) sobre o meio (externo ou
interno). Segundo o autor, “os homens agem sobre o mundo, modificam-no e são
modificados pelas consequências de suas ações”, Skinner (1953). Enfim, nesta
afirmação, Skinner expressa qual a concepção de ser humano que o Behaviorismo
Radical e a Análise do Comportamento apresentam: sujeito ativo, interativo e
participativo em seu meio (externo e interno). Ou seja, no processo ensino-
aprendizagem tanto professor como estudante são vistos como sujeitos ativos em
interação constante de conhecimentos e habilidades.
O Condicionamento operante é a modificação do comportamento (reações e
ações do ser humano), através do controle das consequências que se seguem a um
determinado comportamento. O Behaviorismo Radical contempla os estímulos dados
aos indivíduos pelo meio ambiente. Há vários tipos de estímulos antecedentes, por
exemplo: estímulo discriminativo e estímulo neutro. Há estímulos consequentes:
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reforço (positivo e negativo) e punição (positiva e negativa). A retirada de estímulos
aversivos é chamada de reforço negativo. Esta retirada também aumenta a
probabilidade que a resposta desejada ocorrer. Para chegar a estes conceitos,
Skinner utilizou-se de experimentos que ficaram famosos, realizados com ratos de
laboratório num equipamento que ganhou o nome de Caixa de Skinner.
Caixa de Skinner
Cada rato era colocado sozinho no interior da caixa, a qual era equipada com
um bebedouro acionável pelo experimentador ou pelo próprio rato, na medida em que
pressionasse numa pequena barra existente no interior do equipamento.
Figura 1: Caixa de Skinner.
Dentre os behavioristas, o trabalho de Skinner é o que tem mais implicações
educacionais. As contribuições do Behaviorismo Radical e Análise do Comportamento
são inúmeras para a educação. Sua abordagem teve profundo impacto nas
tecnologias de ensino (tecnologias para melhorar o ensino e facilitar a vida de
professores e alunos como, por exemplo, o quadro negro digital, o ensino a distância),
especialmente no que se refere à instrução programada que segundo Glória Della
Monica (1977):
A "instrução-aprendizagem programa", um dos mais modernos métodos
pedagógicos, destina-se a aumentar a eficiência do processo de ensino-
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aprendizagem, tendo em vista a proficiência dos educandos e levando em
conta, principalmente, o ritmo de aprendizado de cada um, relativo aos
diferentes ramos do conhecimento humano.
Em entrevista dada a uma revista brasileira de análise do comportamento, em
1974, Skinner definiu sua máquina de ensinar da seguinte maneira: Minha “máquina
de ensinar” consiste, muito simplesmente, em programar o material didático de
maneira que o estudante seja recompensado pelos seus esforços não no fim do curso
ou de seus estudos – o que é causa de baixa produtividade –, mas em cada uma das
etapas de sua aprendizagem. Isto é, ao aprender uma lição, o aluno não é
recompensado pelos seus esforços um mês depois, quando recebe a nota X, mas
enquanto está trabalhando na lição. Se um aluno pode ver a resposta de um problema
matemático apenas quando terminou de resolvê-lo, ele é estimulado por vários
fatores: o triunfo de ter resolvido o problema corretamente ou o descobrimento da
resposta correta. Se ele fica esperando a nota do professor, que deve ter um valor
punitivo, ele não tem verdadeiras razões positivas para se interessas por problemas
matemáticos. É fundamental entender que o organismo humano, em relação com o
seu comportamento, é reforçado pela sua capacidade de efetividade. (SKINNER,
1974)
Em sua obra “Escola do Futuro” de 1989, Skinner defende a ideia de que os
professores terão mais tempo para falarem com seus alunos. Funcionarão como
conselheiros, provavelmente permanecendo em contato com determinados
estudantes por mais de um ano e tendo a oportunidade de conhecê-los melhor. Os
professores deverão ser mais capazes de ajudar os estudantes a escolher campos de
interesse, seu futuro. Terão a satisfação de fazer parte de um sistema que ensina
habilidades de forma direta e com acompanhamento ponto a ponto.
Na educação, o behaviorismo é utilizado de forma a proporcionar melhoria no
aprendizado, a partir das modificações comportamentais do aluno e do professor,
aplicando, por meio da psicologia, técnicas diversas, acreditando-se que, conforme já
defendido por Watson, é possível transformar um indivíduo por meio do processo da
educação.
19
Teoria Psicodinâmica: Psicanálise
A Psicanálise desenvolveu-se a partir do trabalho de Sigmund Freud (1856-
1939) na Áustria. Este médico propôs a Psicanálise com suas técnicas de hipnose,
expressão e associação livre de ideias pelos pacientes, como uma proposta
terapêutica para os distúrbios emocionais e também como uma via de investigação
dos processos mentais.
A partir da Psicanálise, originaram-se inúmeras abordagens, como a Psicologia
Analítica (Cari [Link]), a Psicologia Reichiana (W. Reich) e ainda a Psicanálise
Kleiniana (Melanie Klein), a Psicanálise Lacaniana (J. Lacan). Freud publicou
trabalhos durante toda a sua vida, relatando sobre suas descobertas e formulando leis
gerais sobre a psique humana, sua estrutura e seu funcionamento. A Psicanálise
enquanto método de investigação caracteriza-se pelo método interpretativo, de um
significado oculto daquilo que é manifestado por meio de ações e palavras ou pelas
produções imaginárias.
O exercício da Psicanálise ocorre de muitas formas, sendo usada como base
para psicoterapias, aconselhamento, orientação. A Psicanálise também é um
instrumento importante para a análise e compreensão de fenômenos sociais
considerados relevantes do mundo contemporâneo. A relação entre Freud e sua obra
torna-se muito significativa, pois grande parte de sua produção foi baseada em
experiências pessoais, transcritas em várias de suas obras, como por exemplo: “A
interpretação dos sonhos” e “A psicopatologia da vida cotidiana”, dentre outras. Seu
principal objetivo foi o de descobrir o propósito no inconsciente do ser, suas
necessidades, os complexos, traumas e tudo que perturbe seu equilíbrio emocional,
um intérprete das necessidades humanas.
Além de ter como objeto de estudo o inconsciente e a descoberta da
sexualidade infantil, inova os estudos de Psicologia, até então definida como a ciência
da consciência e da razão. Segundo Freud (1926), o comportamento humano baseia-
se nos impulsos ou instintos inconscientes, sendo que alguns são destrutivos e outros,
tais como a fome, sede, autopreservação e o exo, fazem parte da saúde humana,
necessários à sobrevivência.
20
A prática de Freud traz para a Psicologia uma grande contribuição com a
recuperação da importância da afetividade. Freud acreditava que a personalidade
surgia após a resolução de conflitos inconscientes e das crises do desenvolvimento.
Freud distinguiu três zonas do funcionamento mental: o consciente, o subconsciente
e o inconsciente. O consciente assume um ponto de vista ideológico em relação a
alguma coisa: estava consciente do problema ambiental. O subconsciente se refere a
qualquer tipo de conteúdo da mente existente ou operante fora do estado da
consciência. Enquanto o conceito de inconsciente aparece como grande inovação na
época. No inconsciente, aparecem conteúdos disfarçados nos sonhos, nos atos
falhos, nos sintomas, mas nunca em sua forma pura.
Continuando suas pesquisas, Freud formula a Segunda Teoria do Aparelho
Psíquico, introduzindo os conceitos de Id, Ego e Superego, referindo-se aos
elementos ou instâncias que compõem o “sistema da personalidade”.
Figura 2: Id, Ego e Superego.
O id, que se constitui como o reservatório da energia psíquica onde se
localizam as pulsões da vida e a morte, é regido pelo princípio do prazer. O ego
administra a relação do indivíduo com o meio, onde os conteúdos mentais conscientes
e subconscientes são acessíveis voluntariamente pelo sujeito tornando possível saber
21
o que está sendo pensado ou sentido a respeito dos conteúdos que estão em sua
consciência, ou seja, sistema que estabelece o equilíbrio entre as exigências do id, as
exigências da realidade e as ordens do superego. O Superego vai funcionar como
censura aos conteúdos do id. Ele origina-se com o complexo de Édipo, a partir da
internalização das proibições, dos limites e da autoridade. Esta instância é constituída
a partir do moralismo e das repressões no meio social em que vive. Freud buscou
relacionar a sexualidade com a educação, focalizando a psicanálise como uma
ferramenta estimuladora de práticas intelectuais. A teoria freudiana está totalmente
sustentada na estrutura da mente que concebemos por inconsciente, atos que estão
dentro do inconsciente humano, pois é nesse local que está o conflito entre o superego
e o id.
A partir destas formulações propostas por Freud, muitos trabalhos foram se
desenvolvendo no sentido da compreensão do ser humano. No campo da educação,
os conceitos propostos por Freud são largamente utilizados para a compreensão e
intervenção sobre as dificuldades de aprendizagem pela Psicopedagogia Clínica. Para
Freud (1976), “o trabalho da Educação é algo sui generis: não deve ser confundido
com a influência psicanalítica e não pode ser substituído por ela".
Além das questões relativas a “dificuldades de aprendizagem”, a psicanálise
também trata sobre outros conceitos importantes na educação como processo de
aprendizagem, processo de transferência e contratransferência, mecanismos de
defesa, sexualidade, entre outros aspectos. Segundo Maira Sampaio Alencar Lima
(2011):
Sobre a educação, a postura de Freud mudou diversas vezes, acompanhando
as mudanças que a teoria psicanalítica sofreu. No início, ocorreu uma crítica à postura
repressora que a educação faz frente à sexualidade, o que propiciaria a neurose e a
inibição (1908/1976). Anos depois ele acreditou em medidas profiláticas na educação
através da formação psicanalítica e da análise dos professores (1932/1976). Contudo,
nos últimos escritos de Freud (1937/1976) já não havia mais a crença nas medidas
educativas profiláticas. Educar retomava o lugar de profissão impossível ao lado de
governar e curar. Assim, o conceito de pulsão de morte faz sentir seus efeitos na
postura freudiana. A psicanálise poderia ajudar a educação a compreender a criança,
mas não teria a pretensão de substituí-la. A partir das considerações entre
22
sexualidade, inibição e educação, Freud afasta a psicanálise dos demais saberes ao
desconsiderar os limites entre normal e patológico e focar a análise das dificuldades
partindo de cada sujeito, da singularidade como cada um é estruturado psiquicamente.
Estágios do desenvolvimento psicossexual
Cada evento psíquico é normalmente determinado por outros que o
precederam, essa hipótese é base para o entendimento do aparelho psíquico. O
impulso é considerado como um constituinte psíquico, que produz um estado de
tensão quando em ação, os instintos são a força propulsora ou motivadora da
personalidade. Para Freud (1914), as representações mentais dos estímulos internos
(como a fome) que motivam a personalidade do comportamento. A forma de energia,
por meio da qual se manifestam os instintos de vida, pode ser chamada de libido que,
segundo Freud (1914), é a “energia dos instintos sexuais e só deles”, o qual direciona
o indivíduo na busca de pensamentos e comportamentos prazerosos. Segundo Lacan
(1998):
A pulsão, tal como é construída por Freud a partir da experiência do
inconsciente, proíbe ao pensamento psicologizante esse recurso ao instinto com ele
mascara sua ignorância, através de uma suposição de uma moral na natureza. O afeto
é a expressão qualitativa da quantidade de energia pulsional. A pressão é o fator motor
da pulsão, a quantidade de força ou exigência do trabalho que ela representa. A rigor,
não existe pulsão passiva, apenas pulsões cuja finalidade é passiva (Freud, 1915).
Toda pulsão é ativa e a pressão é a própria atividade da pulsão. Uma zona erógena é
uma parte do corpo que recebe estímulos e tem como consequência uma sensação
de prazer.
Na teoria psicanalítica de Freud, o desenvolvimento da personalidade humana
passa pelos seguintes estágios psicossexuais, conforme Glassman; Hadad (2008).
Estágio oral – se estende do nascimento até o segundo ano de vida. Neste
estágio, a estimulação da boca é a fonte primária de satisfação erótica. “Fase Oral, na
teoria do desenvolvimento de Freud, é a primeira fase, estendendo-se desde o
nascimento até os dezoito meses, quando o foco da gratificação está na boca. Um
bebe recém-nascido é governado por suas pulsões, ou seja, somente o id está
23
presente no nascimento.” É nessa fase que o ego se forma. Estágio anal – coincide
com o período de treinamento para aprender a ir ao banheiro autonomamente e de
desenvolvimento de competências para a higiene pessoal. “Fase Anal é a segunda
fase do desenvolvimento psicossexual; durante esta fase, o foco da energia da pulsão
desloca-se para a extremidade inferior do trato digestivo, e o principal conflito é o
treinamento do uso do banheiro.” É uma fase de interiorização de normas sociais.
Estágio fálico – acontece por volta do quarto ano de idade. A satisfação erótica está
relacionada à região genital e surge muita curiosidade em torno das diferenças entre
os sexos e da origem dos bebês e ainda as crianças podem desenvolver uma forte
ligação com o genitor do sexo oposto ao mesmo tempo em que sentem ciúmes do
genitor do mesmo sexo. No caso dos meninos, Freud chamou esse conflito de
Complexo de Édipo, em homenagem ao personagem da mitologia grega que matou o
pai e casou-se com a mãe. Quanto às meninas que passam pelo equivalente, o
Complexo de Electra, que envolve o amor possessivo pelo pai e o ciúme da mãe. É
também o estágio em que se desenvolve o superego, que inflige à criança vergonha
e culpa.
Período de latência – ocorre dos cinco aos dez anos, aproximadamente.
Caracteriza-se por maior interesse em questões intelectuais e pela sublimação do
interesse por questões sexuais como mecanismo de defesa. É a fase de
desenvolvimento de amizades e laços sociais. Estágio genital – preparação para a
formação de família, início dos relacionamentos amorosos. É a fase de
desenvolvimento de amizades e laços sociais. “Seja ou não resolvido com sucesso o
complexo de Édipo, os imperativos do desenvolvimento impulsionam a criança da fase
fálica para a fase da latência em torno dos cinco anos. Na fase da latência, que se
estende até a puberdade, as pulsões parecem estar relativamente inativas – daí
serem vistas como latentes ou ocultas. Em parte, a mudança se deve ao uso da
repressão na resolução no complexo de Édipo. Devido a esses resultados no bloqueio
do acesso consciente ao id, a gratificação, daí em diante, está relacionada aos
processos secundários e, por isso, nunca e tão diretos ou tão imediatos quanto as
gratificações da primeira infância. Na latência, as pulsões reprimidas são
redirecionadas para novas atividades, com novos objetos de gratificação. Assim, os
esportes, os passatempos, a escola e as amizades vão todos proporcionar
oportunidades para a satisfação das pulsões. Os problemas que ocorrem na latência,
24
como a agressão excessiva, podem estar relacionados à repressão inadequada e/ou
ao fato de o ego ser incapaz de redirecionar a energia da pulsão para saídas
socialmente aprovadas”.
O Humanismo
Ao final do século XIX e durante as primeiras décadas do século XX, a
psicologia passou a ter o status de ciência, desenvolvendo propostas metodológicas
junto às diversas teorias sobre o funcionamento da mente e o comportamento
humano. O Humanismo teve seu início em meados do século XIV, na Itália, em meio
à transformação do homem medieval para o homem moderno, entre o final da Idade
Média e o início do Renascimento. Com o humanismo, o homem volta a ser centro
das coisas após o período dominado pela Igreja. A educação do Renascimento foi
centrada no homem, com inclusão da cultura do corpo, alcançava a formação
burguesa não chegando à população em geral.
A partir da segunda metade do século XX, o Humanismo de Carl Rogers (1902-
1987) fez-se tão forte e com tantos adeptos que poderia também ser considerado
como uma escola da psicologia.
A Psicologia Humanista concentra-se no conceito de valorização da pessoa
como um todo. Carl Rogers sofreu profundas influências do conceito de Adler (1870-
1937) de busca da perfeição onde Adler (1961) diz o seguinte:
“A primeira coisa que descobrimos na vida psíquica é que seus movimentos
se dirigem a um fim. (…) A vida psíquica do homem é determinada pelo seu
objetivo. Homem nenhum pode pensar, querer, sonhar sem que estas
atividades sejam determinadas, continuadas, modificadas e dirigidas para um
objetivo constante. Isso resulta da necessidade de adaptação do organismo
ao meio envolvente (…). Assim, todos os fenômenos da vida da alma podem
ser considerados como preparação para alguma situação futura. Parece-nos
impossível conceber a alma como outra coisa senão força a agir rumo a um
objetivo – e a Psicologia Individual considera todas as manifestações da alma
humana como dirigidas para um objetivo”.
Com isso, concluímos que podemos, como diz Adler, passar de um sentimento
de inferioridade para um sentimento de domínio. As pessoas que vivem todo o seu
potencial são aquelas que tendem a viver plenamente cada momento da vida,
deixando-se guiar por seus próprios instintos, sem levar em consideração outras
opiniões. Seus pensamentos ficam livres e com alta criatividade.
25
O pensamento de Carl Rogers influenciou a educação centrada no aluno, a
espontaneidade, as questões de aconselhamento psicológico no ambiente escolar, a
relação educação e pedagogia sendo importantes contribuições da Psicologia por
uma escola atualizada e renovada através de atitudes facilitadoras da aprendizagem.
O modelo educativo proposto por Rogers, no âmbito da Abordagem Centrada no
homem e que designou por Aprendizagem Centrada no Aluno, tem como objetivo
principal que o aluno tenha uma participação ativa no seu processo de aprendizagem.
Para o humanismo, a educação não deveria se limitar aos saberes necessários
para um exercício profissional específico. O humanismo aparece inserido em quase
todas as concepções pedagógicas do século XX. Mizukami (1986) identifica dois
enfoques tipicamente humanista, predominantes principalmente no Brasil: de Carl
Rogers e Alexandre S. Neill. O ensino nessa abordagem é totalmente centrado no
aluno que aparece como uma pessoa situada no mundo e em processo constante de
descoberta. O professor não ensina: apenas cria condições para que o os alunos
aprendam. O papel do professor se assemelha ao do terapeuta e o do aluno ao do
cliente.
Isso quer dizer que a tarefa do professor é facilitar o aprendizado que o aluno
conduz ao seu modo. Rogers propunha ainda uma aprendizagem significativa que
ocorre quando o conteúdo é percebido como relevante pelo aluno. Desse modo, as
experiências pessoais e subjetivas são fundamentais para o conhecimento no
processo de ensino-aprendizagem. O importante é aprender a aprender centrando
seu processo nas necessidades do aluno. Ainda, como representantes dessa corrente
humanista, podemos citar Célestin Freinet (1896-1966), Maria Montessori (1870-
1952) e Paulo Freire (1921-1997).
Carl Jung e a Psicologia Analítica
Carl Jung desenvolveu uma teoria de psicologia complexa e fascinante, que
abrange uma série extraordinariamente extensa de comportamentos e pensamentos
humanos. A análise de Jung sobre a natureza humana inclui investigações acerca de
religiões orientais, Alquimia, Parapsicologia e Mitologia. De início, sua teoria provocou
maior impacto em filósofos, folcloristas e escritores do que em psicólogos ou
psiquiatras. Hoje em dia, entretanto, a crescente preocupação com a consciência e o
26
potencial humanos fez ressurgir o interesse pelas ideias de Jung. Em suas pesquisas
e escritos, Jung de maneira alguma ignorou o lado negativo, mal ajustado da natureza
humana. Entretanto, seus maiores esforços foram devotados a investigação das
metas mais distantes da aspiração e da realização humanas. Um dos principais
conceitos de Jung é o da "individuação", termo que usa para um processo de
desenvolvimento pessoal que envolve o estabelecimento de uma conexão entre o
ego, centro da consciência, e o se/f, centro da psique total, o qual, por sua vez, inclui
tanto a consciência como o inconsciente. Para Jung, existe interação constante entre
a consciência e o inconsciente, e os dois não são sistemas separados, mas dois
aspectos de um único sistema. A psicologia junguiana está basicamente interessada
no equilíbrio entre os processos conscientes e inconscientes e no aperfeiçoamento do
intercâmbio dinâmico entre eles.
Jung desenvolveu teorias próprias a respeito da individuação ou integração da
personalidade. Mais tarde, ele se impressionou profundamente por diversas tradições
orientais, que forneciam a primeira confirmação exterior de muitas de suas próprias
ideias, em especial de seu conceito de individuação. Richard Wilhelm, um estudioso
alemão que viveu na China por muitos anos, enviou a Jung o manuscrito de sua
tradução do Segredo da Flor de Ouro, um texto espiritual chinês clássico, expresso
em termos alquímicos. Jung descobriu que as descrições orientais do crescimento
espiritual, do desenvolvimento psíquico interno e da integração, correspondem
rigorosamente ao processo de individuação que ele observou em seus pacientes
ocidentais. Jung também se preocupou em apontar importantes diferenças entre os
caminhos de individuação oriental e ocidental. A estrutura social e cultural na qual o
processo de crescimento ocorre é muito diferente no Oriente e no Ocidente, assim
como as atitudes predominantes em relação ao conceito de individuação e àqueles
que buscam ativamente esta meta. O desejo de desenvolvimento e iluminação
internos é bem aceito no Oriente onde há procedimento.
27
COMPORTAMENTO
O comportamento é a maneira na qual se porta ou atua um indivíduo. Isto é, o
comportamento é a forma de proceder que as pessoas ou os órgãos têm diante dos
diversos estímulos que recebem e em relação ao ambiente na qual se desenvolvem.
O comportamento de uma pessoa diante de um determinado estímulo incidirá
a experiência, mas também poderão ser feitos as diversas convenções sociais
existentes, que de alguma maneira, nos antecipam como a sociedade espera que
atuemos diante de certas situações.
Então, existem diferentes maneiras de comportar-se nas quais estarão
condicionadas pelas circunstâncias em questão...
O comportamento consciente é aquele que se realiza logo após um processo
de razoamento, por exemplo, cumprimentamos o professor de matemática quando o
encontramos na rua. Por outro lado, o comportamento inconsciente, diferentemente
do anterior, acontece de modo automático, quer dizer, o indivíduo não pensa ou
reflete.
sobre a conduta que desenvolverá, ela sai naturalmente, por exemplo, tocamos
e olhamos nosso dedo quando o batemos no pé da cama.
No entanto, o comportamento privado é aquele que se desenvolve justamente
na área pessoal, na intimidade de casa ou na solidão; e então, o comportamento
público, significa simplesmente o contrário, porque o desenvolvemos diante dos outros
seres humanos ou em espaços públicos onde convivemos com o restante da
sociedade ou comunidade.
Para a Psicologia é uma das disciplinas que mais trata do estudo do
comportamento. Ele envolve tudo aquilo que faz um ser humano diante de seu meio.
Cada interação, por menor que possa parecer significa um comportamento,
entretanto, quando o comportamento começa a vislumbrar padrões repetidos,
podemos falar de conduta.
Além disso, um comportamento poder ser valorizado sendo bom ou mau,
dependendo do quadro observado dentro das normas sociais estabelecidas. Por
exemplo, quando uma criança se comporta mal, seus pais ou professores podem
repreendê-lo por não cumprir com a norma pré-estabelecida, o que conhecemos com
castigo.
28
O Behaviorismo (já mencionado nos nossos estudos), também conhecido como
comportamentalismo, é uma área da psicologia, que tem o comportamento como
objeto de estudo.
Em mínimos, os comportamentos são classificados e divididos de duas formas:
→ Comportamento social operante – Esse é o tipo de comportamento que
envolve atos como comer, falar, andar, correr, entre outros.
→ Comportamento social respondente – Aquele que acaba por ser um tipo
de comportamento que parte do próprio corpo humano. Bem como glândulas,
sudorese, etc.
Tendo em vista o sujeito humano age como uma unidade, ainda que
heterogênea, de corpo-e-mente, estes dois componentes, físico e psíquico, devem
estar sempre interagindo e, de algum modo, agindo conjuntamente. Mesmo assim,
pode-se visualizar a possibilidade na qual alguns indivíduos agiriam mais sobre o
impacto de um dos componentes, enquanto outros agiriam mais sob o outro.
Como o ser humano é uma entidade una que pode ser analisada em
subsistemas variados, uma dessas análises pode ser feita em termos da
predominância dos componentes físico e psíquico em tais sistemas. Assim, um
subsistema neste ser humano é constituído por aquela região onde predomina o físico
e outra em que predomina o psíquico. Há, contudo, um momento em que o físico e o
psíquico se equilibram formando um estágio, sistema ou esfera do ser humano em
que ambos os níveis de ser atuam igualmente.
O comportamento é um termo que caracteriza toda e qualquer reação do
indivíduo, animal, órgão ou instituição perante o meio em que está inserido.
Ele trata da forma que as pessoas ou organismos procedem perante os
estímulos em relação ao entorno, mas também podem ser realizados de acordo com
as diversas convenções sociais existentes, onde a sociedade espera que as pessoas
devem agir de acordo com os padrões em determinadas situações.
Do ponto de vista psicológico, o comportamento é o modo de agir do ser
humano perante o seu ambiente. Quando uma pessoa possui um tipo de padrão
estável, falamos então que esta pessoa apresenta uma conduta. As teorias da
personalidade e do comportamento apresentadas anteriormente vem como apoio no
processo de compreensão do indivíduo e de suas relações endógenas e exógenas.
29
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