CAPA
Índice
CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO ...................................................................................... 1
1.1. Objectivos .......................................................................................................... 2
1.1.1. Objectivo Geral........................................................................................... 2
1.1.2. Objectivos específicos ................................................................................ 2
1.2. Justificava .......................................................................................................... 2
1.3. Metodologia ....................................................................................................... 2
CAPÍTULO II – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ........................................................ 3
2.2. Legislação no contexto de Moçambique ........................................................... 5
2.2.1. Legislação antes da Independência Nacional ............................................. 5
2.2.2. Legislação depois da Independência Nacional ........................................... 5
2.2.3. Deveres das entidades patronais e dos trabalhadores ................................. 7
2.2.4. Deveres dos trabalhadores .......................................................................... 8
2.2.5. Direitos dos funcionários e agentes do Estado no trabalho ........................ 8
CAPÍTULO III – CONCLUSÕES ................................................................................... 9
3.1. Conclusão........................................................................................................... 9
Referências Bibliográficas .......................................................................................... 10
CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO
1.
A Higiene, Saúde e Segurança no Trabalho (HST) devem ser considerados valores
fundamentais de qualquer organização, uma vez que garantem que os indivíduos
possam desempenhar as suas funções laborais de maneira segura e saudável. Por isso
importa desde já esclarecer alguns conceitos que por vezes as empresas confundem,
como é o caso de higiene, saúde e segurança e acima de tudo as leis que servem de
baliza quando se fala Higiene e Segurança no Trabalho que é o tema do presente
trabalho de pesquisa.
As condições de segurança no trabalho constituem, hoje, uma realidade com uma
relevância incontornável, quer no domínio da qualidade de vida, qualificação e
realização pessoais, quer em matéria de competitividade das empresas. Se a organização
da empresa interiorizar a importância da Segurança e Saúde no Trabalho (SST) e
implementar uma estrutura adequada ao cumprimento dos objetivos consagrados na lei
e nos códigos de boas práticas, os resultados serão constatáveis, não apenas em função
da redução dos acidentes de trabalho e doenças profissionais mas, também, da melhoria
das relações sociais, dos processos, da produtividade, da qualidade dos produtos ou
serviços e da disponibilidade da empresa para a inovação.1
Segurança do Trabalho pode ser definida como a ciência que, através de metodologias e
técnicas apropriadas, estuda as possíveis causas de acidentes do trabalho, objetivando a
prevenção de sua ocorrência, cujo papel é assessorar o empregador, buscando a
preservação da integridade física e mental dos trabalhadores e a continuidade do
processo produtivo. (Votorantim, 2005).
O trabalho apresentar-se em três capítulos dispostos da seguinte forma: I Capítulo
(Introdução, Objectivos, Justificativa e Metodologia), o II Capítulo apresenta a
Fundamentação Teórica e por fim o III Capítulo apresenta as conclusões e as referências
bibliográficas.
1
[Link]
1
1.1. Objectivos
1.1.1. Objectivo Geral
O presente trabalho debruça sobre o tema Enquadramento Legal da HST para melhor
estudá-lo iremos tomar como objectivo geral o seguinte:
Descrever o Enquadramento Legal da HST.
1.1.2. Objectivos específicos
Como forma de aprofundar e explicar o objectivo que se pretende alcançar com o
presente trabalha será abordado especificamente da seguinte forma:
Definir os conceitos básicos;
Referenciar a legislação antes da independência nacional
Apresentar a legislação depois da independência nacional
1.2. Justificava
A necessidade do estudo deste tema surge do facto de ser preciso conhecer o
enquadramento legal da HST e, por conseguinte, poder compreender o nível de
cumprimento das normas internacionais e nacionais nas empresas públicas e privadas de
Moçambique.
1.3. Metodologia
Nessa etapa do trabalho são apresentados os procedimentos metodológicos que foram
usados para levar a cabo o presente estudo e atender aos seus objectivos. O estudo foi
conduzido com base na abordagem qualitativa, uma vez que essa abordagem é coerente
com a pesquisa exploratória. A abordagem foi de índole qualitativa, pois trouxe
contributos capitais olhando para o seu carácter descritivo, investigativo e deu primazia
às percepções dos actores envolvidos.
2
CAPÍTULO II – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.
2.1. Definição de conceitos
i. Higiene e Segurança do Trabalho (HST)
A Higiene e Segurança do Trabalho são o conjunto de metodologias adequadas à
prevenção de acidentes. Tem como objetivo a identificação e o controlo dos riscos
associados ao local de trabalho e ao processo produtivo. Para a prevenção de acidentes
de trabalho é necessária a eliminação das condições inseguras do ambiente e educar os
trabalhadores a utilizarem medidas preventivas, (Freitas, 2008).
Portanto, qualquer local de trabalho é constituído pelas pessoas que nele trabalham, por
equipamentos e materiais, espaço de trabalho e o ambiente envolvente. As pessoas
relacionam-se com todos os outros elementos do posto de trabalho e têm muita
influência sobre eles. São as pessoas que exercem as funções de controlo.
ii. Saúde no Trabalho
Não se restringe ao domínio da vigilância médica (exames médicos individuais de
avaliação da saúde/aptidão física), mas ao controlo dos elementos físicos, químicos,
biológicos e mentais que possam afectar a saúde. Um exemplo concreto de promoção da
saúde no trabalho é a implementação de ambientes ergonómicos, ou seja, assegurar que
os espaços de trabalho sejam adequadamente projectados para prevenir lesões
musculoesqueléticas.2
iii. Segurança no Trabalho
Pode ser definida como medidas administrativas adoptadas com o objectivo de diminuir
ou controlar o número de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais de uma empresa,
buscando proteger a integridade física e mental do trabalhador, para que ele possa
desempenhar de maneira saudável suas funções. A segurança no trabalho pode ser
assegurada por intermédio do uso de Equipamentos de Protecção Individual (EPI), a
manutenção de equipamentos e instalações, entre outras medidas, (Miguel, 2012).
2
[Link]
3
iv. Acidente de Trabalho
Segundo Andaque, (sd), acidente de trabalho é aquele que se verifique no local e no
tempo de trabalho e produza direta ou indiretamente lesão corporal, perturbação
funcional ou doença de que resulte redução na capacidade de trabalho ou de ganho ou a
morte. Considera-se também acidente de trabalho o ocorrido, no trajeto de ida e de
regresso para e do local de trabalho. Entre a sua residência habitual ou ocasional, desde
a porta de acesso para as áreas comuns do edifício ou para a via pública, até às
instalações que constituem o seu local de trabalho. Ambiente de Trabalho - Conjunto de
elementos físicos, químicos e biológicos que envolvem o Homem, no seu posto de
trabalho, (Miguel, 2012).
v. Análise de Risco
Abordagem que tem como objetivo o levantamento de todos os fatores do sistema de
trabalho homem/máquina/ambiente que podem causar acidentes. Avaliação do Risco -
A avaliação do risco consiste no processo de identificar, estimar (quantitativamente ou
qualitativamente) e valorar os riscos para a saúde e segurança dos trabalhadores. Este
processo visa obter a informação necessária à tomada de decisão relativa a ações
preventivas a adoptar, (Conceição, 2008).
De uma forma geral, Higiene, Saúde e Segurança no Trabalho podem ser entendidas
como uma série de medidas e práticas destinadas a prevenir acidentes, lesões e doenças
relacionadas com o trabalho, bem como promover o bem-estar físico e mental dos
trabalhadores.
A Higiene, Saúde e Segurança no Trabalho procuram reduzir os riscos profissionais,
procedendo com a identificação e minimização dos factores que podem, eventualmente,
afectar o ambiente laboral dos colaboradores. São assim estabelecidas directrizes, por
várias Organizações a nível mundial (ex: Organização Mundial do Trabalho), as quais
são transcritas para a legislação dos países de modo que estabeleçam padrões de
Higiene e Segurança no ambiente de trabalho, destinados a proteger os trabalhadores e a
promover ambientes de trabalho seguros e saudáveis.
4
2.2. Legislação no contexto de Moçambique
2.2.1. Legislação antes da Independência Nacional
Desde o período colonial houve preocupação em estabelecer um quadro legislativo que
regulasse assuntos relativos à Higiene e Segurança no Trabalho. A título de exemplo:
i. O Diploma Legislativo n.º 120/71 de 13 de Novembro, aprovado pelo
Governo-Geral, aprova o Regulamento de Segurança do Pessoal e Higiene
no Trabalho, aplicável a obras de engenharia civil. Este diploma, com 126
artigos, estabelece, entre vários aspectos, valores aceitáveis de gases tóxicos
ou explosivos e de poeiras minerais.
ii. O Diploma Legislativo 48/73, de 5 de Junho, aprova o Regulamento Geral
de Higiene e Segurança no trabalho nos estabelecimentos industriais. Este
diploma apresenta 162 artigos e, dentre vários aspectos, recomenda o uso de
vestuário e equipamento apropriado para a protecção e segurança do
trabalhador.
iii. As Portarias n.º 6:231 e n.º 5:717, aprovados em 1945 pelo então
Governador-Geral, regulam aspectos relacionados com a salubridade,
segurança nos estabelecimentos industriais, das pessoas e dos bens materiais,
(Azevedo, et al. 2017).
2.2.2. Legislação depois da Independência Nacional
Depois da Independência Nacional foi aprovada a Constituição da República (Lei-mãe),
que no artigo 85 estabelece o direito à retribuição e segurança no emprego. Na base
deste artigo foram promulgadas outras leis que regulam aspectos relacionados com as
condições, Higiene e Segurança no Trabalho, dos quais se destacam:
i. À luz do artigo n.º 2 do art. 85 da Constituição da República, foi promulgada
a Lei n.º 23/2007, de 1 de Agosto, que aprova a Lei do Trabalho e revoga a
Lei n.º 8/98, de 20 de Julho. Esta lei contém um total de 273 artigos e resulta
da dinâmica da situação social, económica e política, que exige a
conformação do quadro jurídico-legal que discipline o trabalho, o emprego e
a segurança social. Nestes termos, o artigo 54, ponto 5, estabelece, a cada
empregado, o direito de desfrutar de medidas adequadas de protecção,
5
Segurança e Higiene no Trabalho, capazes de garantir a sua integridade
física, moral e mental, (Azevedo, et al. 2017).
ii. Os empregadores são responsáveis pela criação e desenvolvimento de meios
adequados para proteger a integridade física e mental dos colaboradores e
melhoria contínua das condições de trabalho. Os empregadores também são
obrigados a tomar todas as precauções adequadas para assegurar que todos
os postos de trabalho e meios de acesso e de saída para o trabalho sejam
seguros e livres de riscos para a segurança e saúde dos trabalhadores. (art. 59
e 216 da Lei n,º 23/2007, de 1 de Agosto, 2007).
iii. Igualmente, a Lei do Trabalho exige os empregadores forneçam
equipamentos de protecção e vestuário de trabalho adequado, a fm de
prevenir o risco de acidentes ou efeitos prejudiciais á saúde dos
trabalhadores, e instrui-os sobre o cumprimento adequado das normas de
Higiene e Segurança no Trabalho. (art. 216; pontos 2 e 5).
iv. O Decreto n.º 61/2006, de 26 de Dezembro, aprovado pelo Conselho de
Ministros, aprova o Regulamento de Segurança Técnica e de Saúde para as
Actividades Geológico-Minerais. Este regulamento integra 323 artigos e,
dentre vários aspectos, obriga a que exploração mineira seja precedida de um
plano de segurança e saúde (artigo 5, ponto 1). Integra, igualmente, a Ficha
de Comunicação de Acidente (Anexo II).
v. O Decreto n.º 62/2013, de 4 de Dezembro, do Conselho de Ministros,
aprova o regulamento que estabelece o Regime Jurídico de Acidentes de
Trabalho e Doenças Profssionais e revoga o Diploma Legislativo n.º 1706,
de 19 de Outubro de 1957. Trata-se de um decreto com 74 artigos. Por outro
lado, e como forma de dar uma contribuição para o conhecimento dos
interessados sobre a legislação de Higiene e Segurança no Trabalho, o
Governo de Moçambique promulgou e divulgou alguns diplomas legais
defnidores de normas gerais e especifcas que regulam o regime jurídico
aplicável em estabelecimentos industriais e outros ramos de actividades, com
os seguintes objectivos:
Desenvolver a consciência de segurança no trabalho;
Permitir a aprendizagem de técnicas de prevenção e superação do risco;
Permitir a interiorização de regras de segurança e sobre a obrigatoriedade
legal de as cumprir, (Azevedo, et al. 2017).
6
Assim, apresenta-se como principal legislação de Higiene e Segurança no Trabalho
aplicável em Moçambique e com o valor de relevância universal a seguinte:
vi. O Diploma Legislativo n.º 48/73, de 5 de Julho, que aprova o Regulamento
Geral de HST em estabelecimentos industriais. Este diploma legal constitui o
quadro de normas aplicáveis em todos os sectores da indústria, com
objectivo de prevenção de riscos profissionais no ramo industrial do país.
Possui 162 artigos, que se resumem, em termos do conteúdo das suas
normas, no seguinte:
Delimita o seu âmbito de aplicação em todos os estabelecimentos industriais
(artigos 1 e 2);
Dever dos empregadores e dos trabalhadores ao cumprimento das normas de
HST (artigos 3 e 4);
Previsão de medidas de prevenção de riscos profissionais na concepção dos
projectos dos edifícios industriais, superfícies dos edifícios, iluminação,
ventilação, temperatura, humidade, ruídos, radiações, eletricidade, armazenagem
e extintores contra incêndios. (artigo 5 a 45);
Previsão de medidas de prevenção de riscos em uso de máquinas, em actividades
de reparação e manutenção das máquinas projecção de metais. (artigo 45 a 68);
Previsão de medidas de prevenção de riscos em uso de aparelhos e meios de
elevação, transporte e de armazenamento, em manobras, manutenção de cargas,
conservação, empilhamento de materiais, na tubagem e canalização, vias férreas
e descolamento, equipamento eléctrico entre outras operações susceptíveis de
expor riscos diversos aos trabalhadores, (Azevedo, et al. 2017).
Previsão de regras de prevenção em actividades de instalação de cubos, tanques
e reservatórios, em trabalhos de fornos, estufas, instalações, frigorífcos, caldeiras
de vapor, aparelhos sob pressão, instalações eléctricas, soldadura e corte a gás e
eléctrico, ferramentas manuais e portáteis a motor (artigo 98 a 107).
2.2.3. Deveres das entidades patronais e dos trabalhadores
i. Deveres das entidades patronais
1. As entidades patronais são responsáveis pelas condições de instalação e elaboração
dos locais de trabalho, devendo assegurar ao pessoal protecção contra acidentes e outras
causas que possam afectar a saúde dos trabalhadores ao serviço da empresa.
7
2. A entidade patronal instruirà os trabalhadores sobre os riscos do trabalho; as
precauções que devem tomar; o significado dos sinais de segurança ou sistemas de
alarme; os metodos de trabalho que oferecem maior garantia de segurança; o uso
adequado dos instrumentos de trabalho; os meios de protecção pessoal; a importância
que revestirà para a sua saúde o facto de se apresentarem com regularidade nos serviços
clínicos da empresa; o seguimento conveniente das regras de higiene e a manutenção
adequada das respectivas instalações, (Decreto n. º 14/2018).
2.2.4. Deveres dos trabalhadores
a) Respeitar e cumprir as disposições de higiene e segurança no trabalho, estabelecidas
no presente Regulamento e na demais legislação;
b) Não praticar actos que possam alterar, danificar ou retirar dispositivos de segurança
ou sistemas de protecção instaladas na instituição;
c) Usar correctamente e conservar em boas condições os equipamentos de protecção e
segurança individual ou colectiva;
d) Comparecer aos exames médicos e realizar os testes que visem garantir a segurança
no trabalho, sempre que for solicitado.
2.2.5. Direitos dos funcionários e agentes do Estado no trabalho
Segundo o Decreto n. º 14/2018 constituem direitos dos funcionários e agentes do
Estado no trabalho:
a) Prestar serviço em condições de higiene e segurança;
b) Receber formação e informação adequadas sobre higiene e segurança no trabalho, de
acordo com suas actividades ou funções.
8
CAPÍTULO III – CONCLUSÕES
3.
3.1. Conclusão
Embora a legislação de higiene, saúde e segurança no trabalho represente a estrutura
legal para proteger os trabalhadores, esta só é eficaz quando é sustentada pela sua
efectiva aplicação por parte das Empresas e com a fiscalização do Estado. Sem regras
de aplicação efectivas e adequadas, nem todas as entidades empregadoras se sentem
obrigadas a cumprir as normas e os regulamentos nesta área. Para garantir o
cumprimento das leis de HST, o Estado, por meio das suas agências governamentais de
fiscalização e regulamentação, deve realizar inspecções regulares nos locais de trabalho
para garantir que as empresas estão em conformidade com as leis estabelecidas.
Portanto, a aplicação da legislação de HST nas organizações é parte crucial da
responsabilidade corporativa e, para tal, é necessário conhecê-la. Para que as
organizações estejam em conformidade legal, é essencial ter um amplo entendimento da
legislação antes mesmo de aplicá-la. Isso permite identificar quais regulamentos ou
requisitos especificamente aplicáveis a organização em questão.
9
Referências Bibliográficas
a) Livros e manuais
Andaque, V. (sd). Higiene, Segurança e Saúde no Trabalho. UEM - FE- IAS
Azevedo, B. et all. (2017). Estudo Sobre Higiene E Segurança No Trabalho (Hst) Em
Moçambique, Maputo.
Conceição, L. (2008). Manual – Segurança e Saúde do Trabalho, Edições Sílabo,
Lisboa.
Freitas, L. (2008). Segurança e Saúde do Trabalho. Lisboa, Edições Sílabo.
Miguel, A. S. (2012). Manual de higiene e segurança do trabalho. 2º edição, Porto
Editora.
Votorantim, J. (2005). Manual do Observador. [Link]. Juiz de Fora: VOTORANTIM
METAIS.
b) Legislação
Decreto n.º 61/2006, de 26 de Dezembro
Diploma Legislativo n.º 120/71 de 13 de Novembro
Diploma Legislativo n.º 48/73, de 5 de Julho
Lei n.º 23/2007, de 1 de Agosto
10