UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES
ALÍCIA OLIVEIRA DE MELO 1171503615
AMANDA MARIA BARBOSA DE LIMA 11191502641
LAVÍNIA PALÁCIO PEREIRA 11171503268
LETICIA DOS SANTOS TEIXEIRA 11191401838
GABRIEL SILVA 11162501065
LUCAS MESQUITA 11171100408
POLÍMEROS: ELASTÔMEROS E BORRACHAS
Mogi das Cruzes, SP
2019
UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES
ALÍCIA OLIVEIRA DE MELO 1171503615
AMANDA MARIA BARBOSA DE LIMA 11191502641
LAVÍNIA PALÁCIO PEREIRA 11171503268
LETICIA DOS SANTOS TEIXEIRA 11191401838
GABRIEL SILVA 11162501065
LUCAS MESQUITA 11171100408
POLÍMEROS: ELASTÔMEROS E BORRACHA
Trabalho utilizado como requisito para
avaliação da disciplina de Processos
Químicos Industriais I, curso de
Engenharia Química da Universidade de
Mogi das Cruzes.
Prof. Orientador: Luiz Sérgio Pavanatti
Mogi das Cruzes, SP
2019
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO 5
2. HISTÓRIA 7
3. DEFINIÇÕES, TIPOS E APLICAÇÕES..............................................................................10
3.1 9
3.2 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS 10
3.2.1 Dureza 10
3.2.2 Resistência à abrasão 11
3.2.3 Características de Compressão 11
3.2.4 Resistência e flexibilidade 11
3.3 TIPOS DE ELASTÔMEROS 11
3.3.1 Borracha natural 11
3.3.2 Polibutadieno – BR 12
3.3.3 Copolímero de estireno-butadieno – SBR 13
3.3.4 Copoli (etileno-propileno-dieno) – EPDM 13
3.3.5 Borracha butílica- IIR, CIIR, BIIR. 14
3.3.6 Policloropreno - CR 14
3.3.7 Borracha Nitrílica - NBR 15
3.3.8 Borracha Nitrílica Hidrogenada – HNBR 15
3.3.9 Epicloridrina – CO, ECO 16
3.3.10 Polietileno clorado (CM) 16
3.3.11 Polietileno-clorossulfonato (CSM) 16
3.3.12 Borrachas Poliacrílicas (ACM/AEM) 17
3.3.13 Borrachas EVM ou EAM 17
3.3.14 Elastômeros fluorados (FKM) 18
3.3.15 Silicone (MQ) 18
3.3.16 Poliuretano (EU/AU) 19
3.3.17 18
[Link] 20
5. VANTAGENS E DESVANTAGENS...................................................................................21
2.7 Vantagens do uso de elastômeros 26
6. CONCLUSÃO 26
REFERÊNCIAS 26
1. INTRODUÇÃO
Os polimeros são cadeias de moléculas ligadas covalentemente, formadas por pequenas
unidades repetidas de monômeros em todo seu comprimento. Enquanto os monomeros são
unidades básicas de baixo peso molecular que se repetem na cadeia polimérica.
Visto isso, tem-sê por elastômeros ou borrachas os materiais poliméricos cujas
dimensões podem ser altamente modificadas quando submetidas a esforços (alongando-se cerca
de 200% ou mais) e retornam as suas dimensões originais (ou quase) quando os esforços são
eliminados. Há vários tipos de materiais elastômeros, mas somente os seguintes serão
discutidos: poliuretanos e os termorrígidos alifáticos (ou borrachas).
Os poliuretanos são polímeros com ligações uretanas em sua estrutura. Essa definição
genérica resulta em uma larga variedade de materiais caindo na classificação de poliuretano.
Muitos poliuretanos são usados para fazer espumas, incluindo os assentos de espuma na
maioria das cadeiras e sofás. Na forma líquida, o poliuretano é usado como uma tinta ou selante
contra água. Talvez a aplicação mais famosa do poliuretano seja o Spandex; uma fibra
polimérica flexível que facilmente se alonga e retorna a sua forma.
As fibras de Spandex contêm pelo menos 85% de poliuretano e têm propriedades únicas.
Elas podem ser alongadas mais de 500% e recuperar sua forma original, são resistentes ao suor,
óleos do corpo e a detergentes.
As primeiras aplicações do Spandex substituíram a borracha em sutiãs e cintas
femininas, mas o mercado cresceu para uma ampla gama de roupas ativas. O Spandex tira suas
propriedades das fibras poliméricas, que têm uma mistura de regiões rígidas e regiões flexíveis.
O Spandex é vendido sob os nomes comerciais de Lycra® (Invista) e Dorlasten® (Bayer).
Figura - Representação de Cadeia do Spandex
Fonte:
Já a borracha natural tem sido produzida há séculos pelos nativos da América do Sul, a
partir da seiva da árvore da borracha (Hevea braziliensis). Após a chegada dos europeus no
século XVI, a borracha encontrou usos comerciais em sapatos, coberturas à prova de água e
diversos outros produtos. Entretanto, as borrachas naturais tendiam a perder resistência e a fluir
em temperaturas elevadas.
Charles Goodyear adicionou enxofre à borracha em uma temperatura elevada e
descobriu que ligações químicas cruzadas se formavam entre cadeias poliméricas adjacentes,
em um processo que ficou conhecido como vulcanização. Esse processo aumentava
substancialmente a resistência do material sem afetar significativamente suas propriedades
elásticas.
A cadeia polimérica na borracha natural consiste principalmente em isopreno, mostrado
na Figura 5-18.
Figura - Representação de Cadeia da Borracha Natual
Fonte:
A vulcanização pode ocorrer porque a estrutura do polímero ainda contém ligações
duplas. Os átomos de enxofre formam ligações primárias entre os átomos de carbono em
cadeias poliméricas adjacentes. Um máximo de duas ligações cruzadas é possível por unidade
estrutural, embora restrições configuracionais tornem significativamente menor o número real
de ligações cruzadas.
Embora, mesmo atualmente, a reação de enxofre com borracha seja complexa e não
compreendida totalmente, como resultado final algumas das ligações duplas nas moléculas de
poli-isopreno se abrem e formam ligações cruzadas com o átomo de enxofre, como mostrado
na Figura 10.39.
A Figura 10.40 mostra esquematicamente como as ligações dos átomos de enxofre
oferecem rigidez para as moléculas de borracha,
Fonte:
Além disso, podemos ressaltar que a localização dos grupos metila na estrutura do
polímero tem um papel importante nas propriedades do polímero. Quando a maioria das
unidades estruturais tem o grupo metila do mesmo lado (a configuração cis), o material é muito
elástico e pode ser facilmente amolecido. A conformação cis é dominante na borracha natural.
Entretanto, quando os grupos metila tendem a ocorrer em lados opostos (a conformação trans),
o polímero se torna mais duro e menos elástico.
2. HISTÓRIA
Na civilização Olmeca, que viveu no sul do México no período compreendido entre
1800 e 150 anos AC, já era utilizada borracha natural, supostamente “vulcanizada”, por mistura
no látex da seiva de uma planta chamada “dama da noite” ou “boa noite” (ipomea alba), num
processo químico equivalente ao que viria a ser descoberto por Charles Goodyear, e que o
antecedeu em cerca de 3500 anos. O conteúdo de enxofre da seiva desta planta serviria para
vulcanizar a borracha.
Existem evidencias que era prática corrente noutras civilizações do período quaternário
mais recente (1400 – 100 A.C.), o fabrico com borracha virgem de bolas de jogar e outros
objetos, nomeadamente na Etiópia, no Antigo Egipto e na Antiga Lídia.
Também, em épocas mais recentes, o mesmo tipo de jogo com bola de borracha era
praticado por grandes civilizações que se tinham estabelecido no continente americano:
● Civilizações Mesoamericanas:
❖ Maias, que habitaram nos territórios que constituem a atual América Central
e Antilhas no período compreendido entre os anos 2000 AC e a chegada dos
espanhóis, em 1492 AD;
❖ Astecas, que habitaram o território do atual México (no período
compreendido entre os anos 1325 AD e 1521 AD)
● Civilizações Andinas:
❖ Incas, que habitaram as regiões adjacentes ao longo da Cordilheira dos
Andes no período compreendido entre os anos 1200 AD e 1553 AD, ano em que
foram conquistados pelos espanhóis. O império Inca incluía várias regiões,
desde o extremo norte (atual território do Equador e do sul da Colômbia) e ainda
os atuais territórios do Peru, da Bolívia, o noroeste da Argentina e o norte do
Chile.
A borracha natural somente viria a ser do conhecimento dos europeus depois da segunda
viagem de Cristóvão Colombo às Américas (1493-1496). Foi este navegador e os seus
companheiros de viagem os primeiros europeus a tomar conhecimento da borracha virgem. Mas
a “descoberta” deste material não teve, durante quase dois séculos, qualquer desenvolvimento.
Somente entre 1736 e 1744, os estudos levados a cabo na América do Sul, pelos
franceses Charles Marie de La Condamine e François Fresnau, levaram ao conhecimento dos
europeus dos vários tipos de árvores nas quais, uma pequena incisão praticada no caule,
possibilitava a obtenção de látex. A uma das variedades descoberta por Fresnau, nas Guianas,
foi dado o nome de “Hevea Guianensis”; à variedade predominante no Brasil foi dado o nome
de “Hevea Brasiliensis”.
Mas somente em 1860 este material foi caracterizado por Greville Williams o qual,
mediante uma destilação destrutiva da borracha, verificou ser constituída por isopreno.
O grande desenvolvimento dos polímeros sintéticos ocorre a partir de 1909-1910,
quando o processo de polimerização do polibutadieno foi descoberto pelos ingleses W. H.
Perkin, F. E. Mathews e E. H. Strange, pelo alemão C. D. Harries e pelo russo Lebedev. É a
partir desta data que se torna imparável o grande desenvolvimento dos materiais poliméricos
sintéticos, que conduziu à obtenção de borrachas sintéticas (elastómeros) e de plásticos.
No que diz respeito à borracha sintética, a primeira a ser produzida, em 1914, deve-se
ao alemão F. Hoffmann, que produziu borracha metílica a partir de dimetilbutadieno. Em 1930,
os alemães Bock e Tschunker desenvolvem o processo de fabricação da borracha de estireno e
butadieno, a que deram o nome de Buna S. Ainda em 1930 a empresa norte-americana Thiokol
Corporation desenvolve a fabricação de borracha de polissulfureto e a empresa alemã I. G.
Farbenindustrie desenvolve o processo de fabrico de borracha de acrilonitrilo, com a
denominação de Buna N. Em 1931, a empresa americana Du Pont de Nemours inicia a produção
de borracha de policloropreno, com o nome de Duprene; esta borracha foi desenvolvida por
Carothers e Collins. Mais tarde – em 1936 – esta borracha sintética passou a designar-se por
Neopreno, nome ainda hoje utilizado.
O desenvolvimento de outros tipos de borracha sintética prosseguiu no período da
Segunda Guerra Mundial – tendo constituído um verdadeiro esforço de guerra, quer pelos países
aliados, quer pela própria Alemanha. Nos anos que se seguiram à guerra o desenvolvimento de
novos tipos de borracha sintética prosseguiu, bem como a instalação de grandes fábricas para a
sua produção.
3. DEFINIÇÕES, TIPOS E APLICAÇÕES
3.1 DEFINIÇÃO DE ELASTÔMEROS
O termo elastômero tem a mesma acepção do nome borracha; aplica-se tanto às
matérias-primas como aos artefatos com ela produzidos.
Segundo a norma ASTM D156-00, a borracha é definida como um material capaz de
recuperar-se de grandes deformações rápida e energeticamente, pode ser ou já está modificado
em um estado em que é essencialmente insolúvel (mas pode inchar) em solventes em ebulição,
como o benzeno, metil etil cetona.
3.2 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS
Com excelente custo benefício e alta performance, eles são desenvolvidos para atender
as principais demandas de durabilidade e alto desempenho.
As suas características são também elementos fundamentais para se obter o elastômero
adequado à necessidade de uso, com variações de dureza, resistência à abrasão, compressão e
flexibilidade.
3.2.1 Dureza
A faixa de trabalho do elastômero de pu vai muito mais além da borracha, em relação a
amplitude de dureza e aplicações.
O método para determinação, da dureza de um elastômero, é a dureza Shore. Os
elastômeros de poliuretano têm uma faixa de dureza de 10 Shore A, até 95 Shore D, ou 110
Dureza Rockwell (peça técnica).
3.2.2 Resistência à abrasão
O elastômero é muito mais resistente em operações com desgastes intensos, com maior
flexibilidade e durabilidade. A característica de resistência também pode variar de acordo com
a aplicação e necessidade.
3.2.3 Características de Compressão
Os elastômeros apresentam excelente suporte de carga, tensão e compressão, tornando-
se eficientes para aplicações que exigem maior resistência de peso, principalmente em
ambientes industriais.
3.2.4 Resistência e flexibilidade
Em geral, os elastômeros possuem ampla resistência a rasgos e rompimentos, com
excelente flexibilidade. Isso se deve à combinação de dureza e durabilidade, que prolongam a
vida útil em relação aos materiais tradicionais.
3.3 TIPOS DE ELASTÔMEROS
Ao elaborar uma formulação de borracha leva-se em conta a especificação técnica do
produto a fabricar e o processo de produção. O primeiro passo é escolher a família de
elastômeros de acordo com as principais propriedades e, dentro da família, o tipo, considerando
as características de processamento.
Desta forma, o ingrediente é escolhido principalmente pelas:
● Propriedades químicas exigidas: Resistência à solventes, óleos, ozônio e/ou produtos
químicos.
● Limite de temperatura de trabalho: ao ambiente, ao calor ou subambiente.
● Propriedades físico-químicas específicas e dinâmicas.
Assim, tem-se os seguintes tipos de elastômeros:
3.3.1 Borracha natural
Obtida pela coagulação do látex de árvores (seringueira), é um elastômero insaturado
que apresenta elevado peso molecular com larga distribuição, alta viscosidade (o que gera a
necessidade de reduzi-la, através da mastigação/peptização, a um nível adequado para o
processamento, o que demanda elevado consumo de energia e tempo) e que cristaliza a
temperaturas inferiores a 15°C, constituída basicamente de unidades estruturais tipo cis-1,4-
poliisopropeno. Apresenta elevado peso molecular e alta viscosidade, costuma ser não-
uniforme em função de fatores climáticos, solo classes e processos de produção.
Além do polímero, estão presentes na borracha natural várias outras substâncias
químicas, tais como proteínas, substâncias resinosas, umidade etc., que lhe conferem alguns
aspectos indesejados, como, por exemplo, o odor.
Existem vários tipos de borrachas naturais cujas características dependem do método de
obtenção e preparação da borracha, que apresentam diferenças significativas quanto ao
processamento e as propriedades do vulcanizado.
A vulcanização deste material é realizada predominantemente com enxofre, à
temperaturas moderadas, exceto em sistemas de vulcanização resistentes à reversão. Os
compostos desde elastômero no estado não-vulcanização apresentam boa pegajosidade é boa
resistência mecânica, favorecendo a montagem de pré-formados e obtenção de tiras, perfis, etc.
Apresenta como principais propriedades o bom processamento, alta resistência
mecânica (composto não-vulcanizado), boa afetividade (pegajosidade), boas propriedades
mecânicas à tração, ótima resiliência a temperatura ambiente até 70°C, boas propriedades
dinâmicas, alta resistência à abrasão, fácil vulcanização e boas propriedades a baixas
temperaturas. Tais propriedades e sua baixíssima resistência à temperaturas elevadas garantem
à borracha natural um uso geral, com principais aplicações para fabricação de pneus, peças
técnicas (buchas, etc), bicos de mamadeiras e chupetas, solados, artigos
farmacêuticos/hospitalares, artigos esportivos e adesivos.
Fonte:
3.3.2 Polibutadieno – BR
Obtido pela polimerização em solução do butadieno e auxílio de diversos catalisadores,
que influenciam na estrutura do polímero e em suas propriedades. É um elastômero insaturado,
usualmente vulcanizado com enxofre. Normalmente utilizado em misturas com SBR e/ou NR
em proporção de até 40 phr.
Apresenta limitada resistência ao envelhecimento e a óleos e graxas, desta forma, é
considerado um elastômero de uso geral. Tem como principais propriedades a alta resistência
à abrasão, boa flexibilidade a baixa temperatura (Tg ~ -90°C), alta resiliência, baixo
desenvolvimento de calor e alta resistência. Seu maior campo de aplicação é na indústria
pneumática (cerca de 80% do seu consumo), além de fabricação de amortecedores de vibração,
batentes, buchas, mangueiras, correias transportadoras, bandas de rodagem e camelback,
indústria farmacêutica, artefatos em contato com alimentos, artefatos translúcidos e solados.
3.3.3 Copolímero de estireno-butadieno – SBR
É um Copolímero constituído de estireno e butadieno, obtido através da polimerização
em emulsão (E-SBR) ou através da polimerização em solução (S-SBR). É um elastômero
insaturado, com peso molecular e distribuição bem controlados, possibilitando a obtenção de
produtos bem uniformes e com viscosidade adequada aos mais variados processos. Tem teor
usual de estireno combinado de 23%.
Existem vários tipos de SBR, referenciados pelo seu processo de polimerização,
antioxidantes utilizados, adição ou não de óleos no processo etc. e escolhidos de acordo com
sua aplicação. Em goma pura, apresenta propriedades úteis insuficientes para a maioria das
aplicações, Mas ao ser reforçado com negro-de-fumo, sílica precipitada e outras cargas
reforçantes, desenvolve excelentes propriedades físico-mecânicas que o tornam adequado para
a maioria das aplicações.
Considerados borrachas de uso geral, pode ser utilizado para a fabricação de quase todos
os produtos, com participação total ou parcial, excluindo -se somente artigos industriais (como
pneus de aviões e caminhões pesados). Desta forma, uma das utilizações mais importantes é
seu emprego em bandas de rodagem de pneus de carros médios e pequenos, mas pode-se citar
também aplicações em adesivos, goma de mascar, solados e artefatos técnicos.
3.3.4 Copoli (etileno-propileno-dieno) – EPDM
Obtido pela copolimerização em solução do etileno, propileno e um dieno, utilizando
catalisadores do tipo Ziegler-Natta, além de catalisadores à base de metalocenos. A introdução
do dieno permite obter um elastômero insaturado que pode ser vulcanizado com enxofre.
Pela proporção de eteno/propeno, teor e tipo de dieno, incorporação de óleo entre outras
características podem ser produzidos diversos tipos de EPDM.
Sua principal propriedade é a resistência à degradação pelo calor, luz, oxigênio e ozônio,
decorrente de sua estrutura que não possui insaturação na cadeia principal. Mas ainda pode-se
destacar outras propriedades como a baixa deformação permanente à compressão, boa
flexibilidade a baixas temperaturas, boa resistência química (ácidos, bases diluídos, solventes
polares, etc.), baixa densidade (0,86 g/cm3), aceita altos níveis de cargas, rápido ciclo de mistura
(em bunbury), excelentes características de extrusão e alta impermeabilidade à água.
Tem aplicações em isolamento elétrico, esponjados, trafilados, peças automotivas
moldadas, peças que requerem boa resistência ao ozônio e calor é mangueiras.
3.3.5 Borracha butílica- IIR, CIIR, BIIR.
Obtida através da copolimerização do isobutileno com pequena proporção de
isopropeno (1,5 a 4,5%), possui insaturação que permite a vulcanização com enxofre. Sua
proporção influencia nas características de vulcanização e propriedades.
Devido sua incompatibilidade com a maioria dos elastômeros, desenvolveu-se tipos
halogenados (com cerca de 2% de halogenio) desta borracha, o Clorobutil (CIIR) é Bromobutil
(BIIR), o que reduziu o problema além de melhoras as características de vulcanização.
Tem como principais propriedades sua excelente impermeabilidade a gases, excelente
resistência à altas temperaturas, boa resistência ao ozônio e intemperismo, baixa resiliência e
grande absorção de choques e boa resistência química à umidade. Assim, tem aplicações em
câmara de ar para pneus, revestimento interno de pneus sem câmara, bexiga de vulcanização de
pneus, isolamento de cabos, impermeabilização de lajes, batentes de suspensão de automóveis
e calços amortecedores de vibração de máquinas.
3.3.6 Policloropreno - CR
É produzido a partir da polimerização em emulsão, estando disponível em duas fases:
uma em que o polímero foi modificado com enxofre e a outra em que o polímero foi modificado
com mercaptanos. Esse tipo de elastômero tem tendência a se cristalizar, sendo assim possível
caracteriza-los como de baixo, médio ou alto grau de cristalização. Os de alto grau de
cristalização são próprios para uso em adesivos, já os que possuem grau baixo ou médio são
utilizados em produção de artefatos de borracha. Como consequência da cristalização, o
elastômero apresenta nervo, o que causa o aumento da viscosidade com o tempo e piora o
desempenho à temperaturas subambiente e os artefatos tendem a aumentar a dureza, por outro
lado, apresenta boas propriedades físico-mecânicas mesmo sem reforço I.e., forma pura, tal
como ocorre com a borracha natural. Este polímero possui resistência ao ozônio e ao
intemperismo, resistente a propagação de chamas e boas propriedades dinâmicas aliadas à
resistência a óleos.r
Este tipo de elastômero é encontrado em diversas aplicações, tal como recobrimento de
fios e cabos, tubos e revestimento de mangueiras, produtos esponjados e suportes de pontes e
edifícios.
3.3.7 Borracha Nitrílica - NBR
A borracha nitrílica é um copolímero constituído de unidades de acrilonitrila e
butadieno, onde o teor de acrilonitrila pode variar de 18 a 50% em peso. É obtida pelo processo
de polimerização em emulsão. A acrilonitrica fornece ao elastômero uma caracteristica polar
tornando-o assim, resistente a substâncias apolares, como são a maioria dos óleos, graxas
lubrificantes e vários solventes. Já o butadieno fornece ao elastômero uma característica
elastomérica. O teor de acrilonitrica tem influência no processamento e nas propriedades
químicas e físico-mecânicas dos compostos nitrílicos, os teores de acrilonitrica mais comuns
encontrados na NBR são 18, 28, 33, 40 e 48%. Para atender aplicações onde a NBR não é
satisfatória quanto à resistência do calor (acima de 125ºC) foi desenvolvida a HNBR – Borracha
Nitrílica Hidrogenada, onde a mesma pode resisir a temperaturas maiores que 150ºC. A NBR
também possui propriedades anti-estáticas.
A NBR pode ser encontrada em adesivos, vedantes resistentes à água, luvas industriais,
selos de válvulas e mangueiras de combustíveis.
3.3.8 Borracha Nitrílica Hidrogenada – HNBR
É obtida através da reação de hidrogenação da NBR, deixando um baixo grau de
insaturação no polímero, variando de 0,8 a 6%. Dessa forma, a HNBR passa a ter excelente
resistência a temperaturas elevadas e oxidação. Os graus com menos de 3,5% de insaturação
são curados com peróxidos, enquanto os demais podem ser vulcanizados também com enxofre.
Também possui propriedades de resistência ao ozônio. Devido a suas características, é um
elastômero de alto custo.
Suas aplicações são em retentores e gaxetas.
3.3.9 Epicloridrina – CO, ECO
Estas famílias de elastômeros podem ser divididas em:
● CO - Homopolímero de Epicloridrina;
● ECO - Copolímero de Epicloridrina e Óxido de Etileno;
● GECO - Além da Epicloridina e Óxido de Etileno, possui uma terceira
unidade insaturada, usualmente o alil glicidil éter.
O CO e ECO são vulcanizados com óxido metálicos e aceleradores do tipo ETU, já o
GECO pode ser vulcanizado com enxofre ou peróxidos.
A borracha de Epicloridrina possui propriedades mecânicas similares às da borracha
natural, além de também possuir propriedades da borracha NBR, CR Polissulfeto e ACM.
Possuem resistência a temperaturas baixas até -50ºC, resistência a chamas e boas propriedades
de amortecimento.
A Epicloridrina é encontrada em gaxetas, peças automotivas e de refrigeração,
revestimentos de cilindros para impressão e mangueiras e componetes de válvulas e bombas.
3.3.10 Polietileno clorado (CM)
Seus tipos se diferenciam pelo grau de cloração (25 a 42% em peso), cristalinidade e
viscosidade de Mooney. Sendo um elastômero saturado, que é curado com peróxidos na
presença de um aceptor de ácidos (óxido de magnésio ou de chumbo).
Suas propriedades: boas propriedades mecânica, baixa DPC, boa resistência e baixas
temperaturas, excelente resistência ao envelhecimento, boa resistência a óleos, resistência a
chamas, boas resistência química e boa estabilidade da cor.
Suas aplicações são: fios, cabos e aplicações que requerem resistência ao envelhecimento em
ar quente, óleos, resistência ao ozônio, etc.
3.3.11 Polietileno-clorossulfonato (CSM)
Sendo um elastômero que apresenta 25 a 45% em peso de cloro e 0,8 a 1,5% em peso
de enxofre, sua cadeia polimérica é saturada. É curado com óxidos metálicos, substâncias
difuncionais (diálcoois e diaminas) e peróxidos. Atualmente têm sido desenvolvidos novos
tipos de CSM (Acsium - Du Pont), introduzidos grupos alquilas pendentes na cadeia polimérica,
o que confere ao elastômero uma faixa de trabalho de - 40 a + 150°C em condições dinâmicas,
substituindo a HNBR em aplicações tais como correias sincronizadas.
Propriedades: excelente retenção de cores durante exposição à luz, resistência ao ozônio
ácidos e produtos químicos diversos, resistência a chamas e propriedades dielétricas.
Suas aplicações: cabos elétricos, mangueiras para a condução de produtos químicos,
correias transportadoras para produtos químicos, banda lateral branca de pneus, construção civil
(impermeabilização de coberturas), recobrimento de tecidos, capas de chuvas e etc.
3.3.12 Borrachas Poliacrílicas (ACM/AEM)
Este elastômero ACM é obtido através da polimerização em emulsão de acrilatos, sendo
normalmente utilizado o acrilato de etila, acrilato de butila e um comonômero, do qual depende
a forma de cura. É um polímero saturado em que o grupo éster lhe confere polaridade e,
consequentemente, resistência a fluidos com óleos e graxas.
No entanto a borracha AEM (VAMAC) é obtida pela polimerização do etano e
monômeros acrílicos, como o acrilato de metila, e/ou ácidos acrílico, sendo este seu sítio de
reticulação.
Apresenta melhores propriedades mecânicas do que a ACM, resistência ao calor um
pouco inferior e amortecimento contínuo em ampla faixa de temperatura.
Suas propriedades: faixa de temperatura de trabalho entre -40 a 200°C, resistência a
óleos e altas temperaturas, resistência ao ozônio e outros produtos oxidantes, mesmo em altas
temperaturas, resistente aos solventes alifáticos, resistentes à luz e intempéries.
Sua maior aplicação é em peças automotivas (retentores, O-rings, mangueiras, cabos,
dutos etc.), quando a temperatura de trabalho excede ao tolerado pelas borrachas nitrílicas.
3.3.13 Borrachas EVM ou EAM
Um elastômero obtido pela polimerização do etileno com o vinil acetato (VA) na faixa
de 40 a 60%.
Quando o copolímero apresenta teores de VA menores que 40% ou maiores que 80%,
o polímero é termoplástico e denominado EVA, e quanto maior for o teor de VA, melhor será
a resistência ao calor, óleos e solventes, mas piora sua resistência a baixas temperaturas. É um
elastômero saturado, reticulado com peróxidos.
Propriedades: boa resistência ao envelhecimento, moderada resistência a óleos (inferior
ao CR) e boas propriedades elétricas.
A principal aplicação do EVM é em fios e cabos, embora suas propriedades elétricas
sejam inferiores às do EPDM. É utilizado, também, em artigos médicos, normalmente
extrudados.
3.3.14 Elastômeros fluorados (FKM)
Os elastômeros são obtidos através da co- ou terpolimerização dos monômeros: fluoreto
de vinilideno, hexafluoro propileno (HFP), tetrafluoro etileno (TFE), perfluoro (éter metil
vinílico)(FMVE), clorotrífluoroetileno e 1-hidropentafluoro propileno (HFPE). O flúor confere
ao polímero excelente resistência química, às chamas e ao calor, características que compensa
seu alto custo em muitas aplicações. O teor de flúor do polímero é de suma importância para
determinar sua resistência química, os mais resistentes são os com alto teores de 70%.
A borracha FKM pode ser reticulada com vários sistemas de cura, tal como diaminas,
ditióis, substâncias aromáticas difenílicas como o bisfenol A. As modificações químicas destes
tipos e/ou a inserção de outras unidades monoméricas tem propiciado a cura com várias outras
substâncias, bem como confere a esta borracha outras propriedades desejáveis. Um tipo de
FKM, constituído de TFE e FMVE, possui propriedades que se situam entre o PTFE (Teflon)
e a borracha FKM convencional. Este tipo de FKM, denominado kalrez, é considerado o mais
estável química e termicamente, e um dos mais caros. Terpolímeros de VF2, TFE e FMVE,
numa proporção molar de 75/10/15, apresentam Tg (temperatura de transição vítrea) de -37°C
e temperatura de fragilidade de -50°C, sendo assim mais propícios para aplicações a
temperaturas subambiente.
As principais propriedades são a resistência a altas temperaturas e a produtos químicos,
menos aos solventes polares tipo cetonas e ésteres (o Aflas resiste), além de ser resistente a
chamas. Possuem uso bastante específico, principalmente devido a seu alto custo. Densidade
de 1,85g/cm³.
Suas aplicações são em retentores, diafragmas, tubos e mangueiras especiais.
3.3.15 Silicone (MQ)
A composição da estrutura química polimérica deste elastômero é de grupos alternados
de silício e oxigênio (inorgânicos) na cadeia com grupos orgênicos pendentes.
Entretanto as borrachas podem ser divididas entre três tipos principais: RTV
(vulcanizável a temperatura ambiente), sendo normalmente abordada como selante, HCR
(vulcanizáveis a temperaturas elevadas) e o LSR ( borrachas de silicone líquida).
A cura pode ser obtida através do uso de peróxidos ou através da reação de adição, sendo
esta última dependentes do tipo de funcionalidade introduzida no polímero.
Suas propriedades são: excelente resistência a altas e baixas temperaturas -100 °C a
320°C, excelente deformação permanente à compressão, excepcionais características de
isolamento elétrico, boas características de absorção de vibração. excelentes propriedades de
resistência ao ozônio, oxigênio, luz solar e umidade, excelentes propriedades fisiológicas (não
é tóxico, não tem cheiro, nem gosto), resistente a fungos, boa resistência à flamabilidade,
facilidade de pigmentação, podendo também ser transparente e boa resistência química.
Entre suas aplicações estão: tubos, gaxetas, isolamento de aeronaves e veículos
espaciais, selantes, revestimentos de cabos de ignição, encapsulamento, revestimento de fios de
componentes eletrônicos, moldes flexíveis, artigos farmacêuticos, artigos médicos. elementos
isolantes de eletricidade, implantes cirúrgicos.
3.3.16 Poliuretano (EU/AU)
É um polímero que compreende uma cadeia de unidades orgânicas unidas por ligações
uretânicas. A principal reação de produção de poliuretanos tem como reagentes um
diisocianato, disponível nas formas alifáticas ou aromáticas, e um diol (como o etileno glicol,
1,4 butanodiol, dietileno glicol, glicerol) ou um poliol poliéster, na presença de catalisador e de
materiais para o controle da estrutura das células (surfactantes), no caso de espumas e tintas.
Quando, na reação de polimerização, o diol é substituído por uma diamina, obtém-se uma
poliureia, porque a unidade básica torna-se uma ureia e não um carbanato.
Propriedades: Dureza de 15 a 98 Shore A, excelente resistência à abrasão, alta
resistência ao rasgamento e a tração, moderada resistência aos óleos e aos solventes.
Aplicações: pneus para aplicações industriais (truck, rodas para carrinhos de
supermercados.), vedantes de componentes eletrônicos, solados, fibras elásticas, rodas de
skates, espumas e revestimento de cilindros.
3.3.17 Borrachas termoplásticas TPE
Elastômero obtido por síntese de copolímeros em bloco e pós mistura de polímeros.
Constituí uma classe intermediária, apresentando propriedades/características de elastômeros,
quando em uso, e processam da mesma maneira que os termoplásticos. Está propriedade
termoplástica permite seu processamento ao calor e a reciclagem das peças defeituosas e das
rebarbas de fabricação.
Tem como principais características sua coesão (devido sua fase termoplástica),
características mecânicas elevadas sem adição de cargas e duas temperaturas de transição vítrea
(correspondentes às duas fases, ti vida e flexível).
Este pode ainda ser classificado segundo a natureza dos domínios termoplásticos, de
acordo com os seguintes tipos: poliestirênicos, poliuretanos, poliésteres, poliamidas e
poliolefínicos.
4. PROCESSO
4.1 Processo da borracha natural
Figura - fluxograma do processo da borracha natural
Cultivo da Incisões Processa Adição de Coagulaç Calandrag
seringueira para mento do NH3 ão em
extração látex
Fonte: Acervo pessoal (2019)
O processo da borracha natural inicia-se com o cultivo da seringueira. Seu processo de
maturação leva uma média de 7 anos. Após essa etapa, ocorrem incisões para extração do
látex onde são feitos cortes para escorrimento e coleta da seiva.
O processamento do látex se dá da seguinte maneira: O látex é coado seguido da adição de
NH3, que atua como agente preservativo. Depois é feita a coagulação através da adição de
ácidos ou sais para separação da borracha. Por fim, é através da calandragem que a borracha é
finalizada em forma de placas e rolos.
4.2 Processo da borracha sintética
Figura - processo da borracha sintética
Polimerizaç Obtenç Tratam Moldag
ão da ão do ento em
matéria políme com
Fonte: Acervo pessoal (2019)
No processamento da borracha sintética faz-se primeiramente a polimerização da matéria
prima para este processo utiliza-se normalmente: acetileno e cloropreno.
Feita essa etapa, ocorre a obtenção do polímero geralmente: Polibutadieno e policloropreno.
Os tratamento posteriores dão-se com aditivos e nessa etapa introduz-se os pigmentos ou
compostos químicos que dão características específicas.
Para finalizar ocorre a moldagem que já é a finalização do produto.
4.3 Processo de produção elastômeros
Figura - fluxograma do processo de elastômeros
Borracha Tratamento
Reticulação com Moldagem
natural/sintética
pigmentos/
aditivos
Fonte: Acervo pessoal (2019)
Neste processo, a borracha natural/sintética,que é o produto dos processos anteriores passa
por uma reticulação. Trata-se de um processo que ocorre quando cadeias poliméricas lineares
ou ramificadas são interligadas por ligações covalentes (vulcanização).
Após essa etapa, inicia-se o tratamento com pigmentos/aditivos. Esses pigmentos ou
compostos químicos que dão características específicas.
O último passo desse processo é a moldagem, finalizando-se o produto.
4.4 Detalhamento de processos e visão geral
Alguns processos merecem destaque, visto que são de extrema relevância para a obtenção dos
produtos desejados.
A calandragem, por exemplo, é um dos processos de transformação mais utilizados na
Indústria da Borracha. Muitos artefactos são mesmo obtidos a partir de placas, folhas ou
membranas de borracha, ou de borracha aplicada em materiais de suporte de natureza têxtil ou
metálica, nos quais o factor geométrico comum determinante é a sua espessura. As outras
características dimensionais – largura e comprimento – podem ser também importantes, o que
depende do artefacto que se pretende produzir.
Já o processo de extrusão pode ser considerado, actualmente, como um dos processos de
transformação e uma das técnicas de fabrico mais importantes da Indústria da Borracha. O
processo consiste basicamente em forçar a passagem de um composto de borracha através de
uma fieira, obtendo-se uma tira de material cuja secção é, muito aproximadamente, a
configuração do orifício da fieira.
No processo de endução consiste em depositar camadas finas de borracha, sob a forma líquida
sobre um material de suporte, geralmente têxtil (uma tela ou tecido). Com o processo de
endução é possível depositar quantidades de borracha tão pequenas como 40 a 60 gramas de
borracha por metro quadrado, tarefa que numa calandra é praticamente impossível. A endução
tem por finalidade recobrir telas dos mais diversos tipos de materiais (algodão, poliamida,
poliéster, rayon, seda, vidro, poliaramida, materiais mistos, de um ou dos dois lados, de
forma, com uma película de borracha de espessura variável e que pode ter espessuras
diferentes, quando revestidos dos dois lados; esta película pode ser o resultado da deposição
de duas ou de três camadas.
Já a vulcanização da borracha é a adição de enxofre sob aquecimento e na presença de
catalisadores. Durante esse processo, os átomos de enxofre quebram as ligações duplas e
formam ligações unindo as moléculas da borracha, que são os poli-isoprenos. Quanto mais
enxofre for adicionado, maior será a dureza da borracha.
5. VANTAGENS E DESVANTAGENS
Os elastómeros termoplásticos constituem uma família de materiais de engenharia que
estabelecem como que uma ponte entre as famílias dos materiais plásticos e dos materiais
elastômeros. São também designados por borracha termoplástica.
Fazendo-se um comparativo entre as características dos elastómeros termoplásticos com
relação a borracha vulcanizada observam-se as seguintes vantagens: são obtidos através de
ciclos de produção mais curtos, elimina-se grandes desperdícios, os gastos com energia são
menores, menor número de peças defeituosas, maior flexibilidade no projeto, as condições
de processamento são mais amplas, praticamente não apresenta creep e as peças são
100% recicláveis.
Já como desvantagens, pode-se citar: a limitada resistência a óleos e ao calor, tensão de
rotura mais baixa, custos do polímero eventualmente mais elevados e especificações de
propriedades sem margem de manobra.
Pode-se comparar também as vantagens das características e propriedades dos
elastômeros termoplásticos em função dos plásticos convencionais, sendo elas: uma
melhor resistência a baixas temperaturas, melhor resistência a impactos, peças com
menos ruído e macias ao tato e possibilidade de variação de dureza em função de diversos
projetos. Seguindo essa mesma comparação, pode-se citar também as desvantagens, sendo
elas: um eventual aumento de custos do elastômero quando comparado ao e uma tensão de
rotura mais baixa.
A seguir, alguns exemplos de elastômeros específicos e um destaque para as vantagens
e desvantagens de seu uso e aplicação industriais:
Os modelos de elastómeros termoplásticos poliuretanos (TPU) possuem segmentos
flexíveis, que podem ser poliésteres ou poliésteres, unidos por segmentos mais rígidos,
normalmente aromá[Link] as suas vantagens pode-se destacar: excelente resistência à
abrasão, à ruptura e a substâncias químicas como bases e ácidos fracos, óleos e combustíveis.
Excelente estabilidade hidrolítica, flexibilidade a baixas temperaturas, elevada resiliência, não
necessidade de plastificantes e, além disso, são mais facilmente coloridos do que os demais
elastômeros termoplásticos e em alguns casos apresentam biocompatibilidade. Referente as
desvantagens relacionadas ao uso desse material precisam passar por secagem antes do
processamento, não têm preço tão acessível quanto os demais elastômeros e têm uma vida útil
curta.
Figura - Poliuretanos TPU
Fonte: Site Educativo Tudo sobre Plásticos.
O elastômero estirênicos (TPE-S) é um polímero cuja sua base é composta de estireno.
Dentre as suas vantagens, pode-se citar: excelente aderência e qualidade superficial, baixa
densidade e fácil processamento, já que facilmente atinge uma viscosidade ideal e não exige
um processo adicional de secagem. Quanto às suas desvantagens: começa a ter suas
propriedades mecânicas deterioradas acima de 100°C, é pouco resistente a óleos e graxas.
Figura - Estirênicos TPE-S
Fonte: Site Educativo Engenheiro de Materiais
Os elastômeros termoplásticos Copoliésteres (COPE) são copolímeros de poliéster.
Além da sigla COPE, também podem ser conhecidos por TEE. Referente as vantagens de seu
uso, pode citar-se: geralmente mais rígidos sob uma ampla faixa de temperaturas do que os
uretanos, além de mais facilmente processáveis. Possuem excelentes propriedades dinâmicas,
alto módulo, bom alongamento e resistência ao rasgo, e boa resistência a fadiga por flexão em
alta e baixa temperatura (-65ºC). Quanto as suas desvantagens, têm-se: alto custo, degradados
por materiais altamente polares, ácidos e bases minerais fortes, solventes clorados, fenóis, e
cresóis. A resistência ao meio ambiente é uma das mais baixas, mas pode ser melhorada
consideravelmente pela utilização de aditivos.
Figura -Copoliéster COPE
Fonte: Site Educativo Engenheiro de Materiais
Já os elastômeros Poliésteres-poliamidas (PEBA) apresentam blocos de poliéster e de
poliamida, sendo o primeiro material o responsável pela flexibilidade. A ligação entre as duas
regiões é normalmente feita por ésteres. Pode-se destacar como vantagens do uso desse
material: sua elevada flexibilidade e tenacidade, resistência ao impacto (inclusive a baixas
temperaturas), boa inércia química, elevada resistência mecânica e grande durabilidade. Já as
suas desvantagens são: elevado custo, baixa resistência à radiação ultravioleta.
Figura - Poliésteres-poliamidas PEBA
Fonte: Site Educativo Engenheiro de Materiais
Os Termoplásticos vulcanizados (TPV) são essencialmente uma dispersão fina de uma
borracha altamente vulcanizada em uma poli olefina em fase contínua. Com essa estrutura,
consegue-se obter propriedades significativamente superior a misturas de mesma composição.
Quanto as vantagens de seu uso, pode destacar-se: um bom desempenho a temperaturas
elevadas, boa recuperação após compressão e tração, excelente inércia química e resistência à
fadiga e manutenção excelente de suas propriedades após a reciclagem. Com relação as suas
desvantagens, têm-se: são higroscópicos, exigindo secagem antes do processamento. Acima de
determinada temperatura, 110 a 135°C no caso de TPVs feitos de polipropileno, não se
comportam mais como borrachas.
Figura - Termoplásticos Vulcanizados TPV
Fonte: Site Educativo Engenheiro de Materiais
Os elastômeros de poliolefinas termoplásticas (TPO) utilizam polipropileno em uma
faixa de 50 a 80% em massa e, na maioria das aplicações, deseja-se que sejam organizados de
forma contínua ou quase contínua. Assim, a fase elastomérica existe em domínios discretos
dispersos ao longo do copolímero. Referente as vantagens de seu uso têm-se: adaptabilidade à
moldagem por injeção, menor densidade comparado aos demais grupos, preço bastante
acessível. Já como desvantagens tem-se: grande contração térmica durante o resfriamento pós-
processamento, odor forte.
Figura - Telhado de TPO
Fonte: Site Educativo Engenheiro de Materiais
6. SUSTENTABILIDADE E IMPACTOS AMBIENTAIS
A FCC é uma indústria brasileira de capital fechado fundada em 1969 que atua na indústria
química. A tecnologia FCC está presente em todas as grandes marcas de carros produzidas no
Brasil.A FCC, fabricante de elastômeros termoplásticos com sede em Campo Bom, aposta no
aumento da demanda do mercado por produtos que substituam a borracha pelo plástico. E, para
isso, reforça as ações dentro da sua linha de produção, como fornecedora de matéria-prima para
produtos usados na indústria automobilística e de saúde, entre outras.
O elastômero, material que costuma ter bastante flexibilidade e pode ser alongado, é fabricado
pela FCC utilizando uma mistura de polipropileno (plástico) e borracha artificial, gerando um
produto final capaz de oferecer uma maior sustentabilidade. Assim, quando a indústria
automobilística desenvolve uma peça de carro usando esse produto, pode ao final da vida útil
do carro moer e desenvolver uma nova peça. Quando é utilizada a borracha tradicional, não é
possível fazer reúso.
Outras vantagens são o fato de os termoplásticos serem atóxicos, antialérgicos, consumirem
menos energia e possuírem uma melhor processabilidade. Nesse caso, os ganhos acontecem na
medida em que, quando se usa a borracha, muito material é perdido até que a máquina seja
ajustada. Se for esse termoplástico, basta juntar e moer novamente. “A FCC é a única empresa
com tecnologia nacional própria para produzir elastômeros termoplásticos. Temos alcançado
ganhos importantes”, observa o gerente de negócios da Divisão de Veículos Automotores da
FCC, Marcelo Reichert. A produção anual da empresa é de 16 mil toneladas de elastômeros.
Muitos segmentos como de produção de peças técnicas, ferramentas, entre outros, já usam
elastômeros termoplásticos para muitas aplicações que até bem pouco eram ocupadas pela
borracha. Entre os produtos que utilizam essa matéria-prima da FCC estão a borracha das
escovas de dente da Johnson & Johnson, êmbolos para seringas, iscas artificiais e cabos de
ferramenta.
O automobilístico é um dos setores em que a substituição da borracha tem mais espaço para
crescer. Nos Estados Unidos, em um carro que pesa 1.600 kg, 250 kg são de plásticos e
borrachas. Deste volume, 22 quilos são peças que já podem ser tanto de borracha quanto de
termoplásticos. Por outro lado, no Brasil, um carro com o mesmo peso usa apenas 1 quilo de
termoplásticos. Em todo o mundo o consumo de borracha no mundo em média anual de 5%
desde 2001.
Os termoplásticos oferecerem facilidades para o design, na medida em que são de fácil
pigmentação e possibilitam coinjeção. Além disso, os elastômeros termoplásticos possibilitam
ciclos mais rápidos e processos mais seguros na produção.
Figura - Peça oriunda da mistura de polipropileno (plástico) e borracha artificial
Foto: Jornal do comércio
A Norma ABNT NBR 10.004 de 09/1987 exige o tratamento com propósito de reutilização ou
pelo menos sua inertização, isto é, envio para aterros industriais, mas artefatos de borracha
vulcanizada, após sua vida útil, demoram de 400 a 800 anos para se decompor no meio
ambiente.
Seguindo esse exemplo outra empresa a DANA Incorporated que é líder mundial no
fornecimento de eixos diferenciais, eixos cardan, transmissões fora-de-estrada, vedações,
produtos de gerenciamento, seu primeiro passo para o reuso foi dado com a transformação de
sobras em pó , e sua reutilização na fabricação de novas peças, mantendo as propriedades, sem
afetar a qualidade dos produtos. O índice de aproveitamento da purga está atualmente em 6%,
ainda assim insuficiente. Mesmo tendo avaliado mais de 12 projetos encontravam diferentes
impedimentos técnicos devido aos equipamentos das empresas recicladoras não poderem
receber peças com componentes de metal/borracha, econômicos, dado o alto custo do envio
para processamento, ou ainda legais, pela falta de licenciamento ambiental dos fornecedores.
Finalmente, após uma década de tentativas, uma empresa atuante no segmento de reciclagem
de pneus, no Rio Grande do Sul, comprou a ideia de processar tais resíduos. Além do interesse
econômico, esse parceiro vislumbrou a possibilidade de trabalhar prestando um serviço
ecologicamente correto para uma marca que é referência de qualidade. Atualmente quase 50%
dos resíduos são empregados na produção de tapetes automotivos, pneus para carrinhos de mão
e apara-barro para caminhões.
Comprometendo-se a enviar apenas os resíduos de borracha, sem nenhum componente de
metal, requisito imprescindível para preservar o meio ambiente e garantir a integridade dos
equipamentos do reciclador. Os operadores de máquinas foram treinados para colocar os
resíduos em sacos plásticos transparentes que são imediatamente lacrados e, quando cheios,
recolhidos pelos auxiliares de coleta seletiva que levam os sacos até uma caçamba criada
especialmente para acondicionar essas sobras. Diariamente, é feita uma inspeção na caçamba
para garantir que nenhum componente metálico esteja contaminando a borracha. A equipe do
Sistema de Gestão Ambiental faz a conferência nas embalagens e libera o envio para a
recicladora.
A partir dessas iniciativas os resultados apareceram rápido o percentual de resíduos enviado a
aterros industriais, em 2004, representava 95% da produção total e passou para 47%, em 2014.
As conquistas estão sendo progressivas, mas a meta da empresa é reduzir a geração de resíduo
a zero. Atualmente, quase 50% dos resíduos de borracha gerados na operação estão sendo
enviados para a reciclagem, e a expectativa é que esse índice chegue a 100%. Além de tratar-
se de uma alternativa para reciclagem de um resíduo industrial, o movimento contribuiu para a
geração de empregos. A parceria está motivando os colaboradores das duas empresas e promete
resultados ainda mais positivos.
A iniciativa encontrou uma solução inovadora que se aplica a outras empresas que gerem
resíduos de borracha, sem contaminação com metais, plásticos ou outros materiais. Embora não
contemplada pela Resolução do Conama, a borracha vulcanizada tem sua destinação prevista
na Lei Nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos.
Em seu artigo 13, define “resíduos industriais” como aqueles gerados nos processos produtivos
e instalações industriais.
Portanto essa iniciativa da Dana tem potencial de impacto positivo na ampla cadeia de
fornecedores da indústria automotiva. O Brasil é um dos cinco maiores mercados mundiais de
produção de veículos, com fabricação de mais de 3 milhões de unidades/ano. Cada vez mais,
empresas que buscarem alternativas sustentáveis se tornarão líderes na geração de valor para
toda a sociedade.
O case Reciclagem de Borracha rendeu à Dana, em 2015, o Prêmio Benchmarking Brasil. É a
segunda vez que a empresa é premiada.
7. CONCLUSÃO
Os polímeros, que são materiais de extrema relevância e estão presentes no dia-a-dia do
ser humano de inúmeras formas diferentes, dividem-se em três principais categorias:
termoplásticos, termofixos e os elastômeros.
O objeto de estudo da presente pesquisa visou o aprofundamento do que são e dos
processos para obtenção dos elastômeros.
Elastômeros ou borrachas, são materiais que apresentam elevado grau de deformação,
diferenciando-se dos demais polímeros por conta dessa característica.
Essa habilidade para deformação dos elastômeros e borrachas fazem desse material
muito versátil e amplamente utilizado, seja pela indústria ou pela sociedade no geral.
Ao longo dos avanços tecnológicos e descobertas científicas, pode-se ampliar o uso
destes materiais aproveitando-se de suas capacidades elásticas. A principal descoberta
neste sentido é a vulcanização, que viabiliza o uso deste material, sem que hajam perdas
em função de altas temperaturas. Dessa forma, foi possível o emprego de pneus de
borracha vulcanizada, que são os pneus que conhecemos hoje em dia, que apesar da sua
elasticidade e alta performance, não se desgastam com tanta facilidade em função das
intempéries.
Os processos para a obtenção de borrachas (sintéticas ou naturais) e/ou dos elastômeros
são invariavelmente simples, e nas literaturas utilizadas como referências dispensam
maior complexibilidade em sua exibição.
Através do presente estudo, pode-se aprender sobre estes materiais e sua amplitude de
mercado e indústrias. Os conhecimentos adquiridos são de extrema relevância, onde foi
possível aprofundar-se em temas que já estão sendo paralelamente trabalhados pelas
outras disciplinas, assim como servem de base como pré-requisitos para aprovação em
matérias que ainda serão vistas futuramente.
REFERÊNCIAS
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McGraw-Hill, 2009.
Newell, James A., Fundamentos da Moderna Engenharia e Ciência dos Materiais. . LTC,
2010.
Apostila de Ciência e comportamento dos materiais plásticos I – Núcleo de Tecnologia do
Plástico, SENAI SP, 2012.
Michaeli W., Greif H., Kaufmann H., Vossebürger F. J. – Technologie der Kunststoffe /
TECNOLOGIA DOS PLÁSTICOS – São Paulo, Editora Edgard Blüncher, 1995.
canevarolo Jr., Sebastião V. – Ciência dos Polímeros: um texto básico para Tecnólogos e
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Disponível em: <[Link] Acesso em: 01 Out. 2019.
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