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Transtorno de Personalidade Borderline: Sintomas e Tratamento

Este documento descreve o transtorno de personalidade borderline, incluindo sua etiologia, sinais e sintomas, diagnóstico e tratamento. O transtorno se caracteriza por instabilidade nos relacionamentos, autoimagem e humor, além de impulsividade. O diagnóstico é clínico e o tratamento envolve psicoterapia e medicamentos.
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Transtorno de Personalidade Borderline: Sintomas e Tratamento

Este documento descreve o transtorno de personalidade borderline, incluindo sua etiologia, sinais e sintomas, diagnóstico e tratamento. O transtorno se caracteriza por instabilidade nos relacionamentos, autoimagem e humor, além de impulsividade. O diagnóstico é clínico e o tratamento envolve psicoterapia e medicamentos.
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Transtorno de personalidade borderline

Por

Mark Zimmerman
, MD, Rhode Island Hospital

Revisado/Corrigido: mai 2021 | modificado set 2022


• Etiologia VISÃO EDUCAÇÃO PARA O
• Sinais e sintomas PACIENTE
• Diagnóstico
• Tratamento
• Informações adicionais
O transtorno de personalidade borderline é caracterizado por um

padrão generalizado de instabilidade e hipersensibilidade nos

relacionamentos interpessoais, instabilidade na autoimagem,

flutuações extremas de humor e impulsividade. O diagnóstico é por

critérios clínicos. O tratamento é com psicoterapia e fármacos.

(Ver também Visão geral dos transtornos de personalidade.)


Pacientes com transtorno de personalidade borderline não toleram estar
sozinhos; fazem esforços frenéticos para evitar o abandono e geram
crises, como tentativas suicidas, de tal forma que levam os outros a
resgatá-los e cuidar deles.
A prevalência descrita dos transtornos de personalidade limítrofe nos
Estados Unidos varia. Estima-se que prevalência média seja de 1,6%, mas
pode chegar a 5,9%. Nos pacientes tratados durante uma internação
psiquiátrica por transtornos mentais, a prevalência é cerca de 20%. Cerca
de 75% dos pacientes diagnosticados com esse transtorno são mulheres,
mas na população norte-americana em geral, a proporção entre homens
e mulheres é de 1:1.
As comorbidades são complexas. Os pacientes com frequência têm
alguns outros transtornos, especialmente depressão transtornos de
ansiedade (p. ex., síndrome do pânico), transtornos de humor, transtorno
de estresse pós-traumático, transtornos de personalidade, bem
como transtornos alimentares e transtornos de uso de fármacos.
Etiologia do transtorno de personalidade borderline
Estresses durante a primeira infância podem contribuir para o
desenvolvimento do transtorno de personalidade borderline. História
infantil de abuso físico e sexual, negligência, separação dos cuidadores
e/ou perda de um pai é comum entre pacientes com transtorno de
personalidade borderline.

Certas pessoas podem apresentar tendência genética de ter respostas


patológicas ao estresse do meio-ambiente e o transtorno de
personalidade borderline parece claramente ter um componente
hereditário. Parentes de primeiro grau de pacientes com transtorno de
personalidade borderline são 5 vezes mais propensos a ter a doença do
que a população em geral.

Distúrbios nas funções reguladoras dos sistemas cerebrais e de


neuropeptídeos também podem contribuir, mas não estão presentes em
todos os pacientes com transtorno de personalidade borderline.

Sinais e sintomas do transtorno de personalidade borderline


Quando os pacientes com transtorno de personalidade borderline acham
que estão sendo abandonados ou negligenciados, eles sentem medo
intenso ou raiva. Por exemplo, eles podem ficar em pânico ou furiosos
quando alguém importante para eles está alguns minutos atrasado ou
cancela um compromisso. Eles pensam que esse abandono significa que
eles são ruins. Eles temem o abandono em parte porque não querem
estar sozinhos.

Esses pacientes tendem a mudar o ponto de vista que têm de outras


pessoas de forma abrupta e dramática. Eles podem idealizar um
potencial cuidador ou amante no início do relacionamento, exigir que
passem muito tempo juntos e compartilhem tudo. De repente, eles
podem achar que a pessoa não se importa o suficiente, e ficam
desiludidos; então eles podem desprezar ou ficar irritados com a pessoa.
Essa mudança da idealização para desvalorização reflete o pensamento
maniqueísta (divisão e polarização do bem e do mal).

Pacientes com transtorno de personalidade borderline podem sentir


empatia e cuidar de uma pessoa, mas somente se eles acharem que essa
outra pessoa estará disponível para eles sempre que necessário.

Pacientes com esse transtorno têm dificuldade de controlar sua raiva e


muitas vezes se tornam inadequados e intensamente irritados. Eles
podem expressar sua raiva com sarcasmo cortante, amargura ou falação
irritada, muitas vezes direcionada ao cuidador ou amante por negligência
ou abandono. Após a explosão, eles muitas vezes sentem vergonha e
culpa, reforçando seus sentimentos de que são maus.

Pacientes com transtorno de personalidade borderline também podem


mudar abrupta e radicalmente sua autoimagem, mostrada pela mudança
súbita dos seus objetivos, valores, opiniões, carreiras ou amigos. Eles
podem ser carentes em um minuto e se sentirem justificadamente com
raiva sobre serem maltratados em seguida. Embora geralmente se vejam
como maus, eles às vezes sentem que absolutamente não existem—p.
ex., quando não têm alguém que se preocupe com eles. Eles muitas vezes
se sentem vazios por dentro.

As alterações de humor (p. ex., disforia intensa, irritabilidade, ansiedade)


costumam durar apenas algumas horas e raramente duram mais do que
alguns dias; elas podem refletir a extrema sensibilidade às tensões
interpessoais em pacientes com transtorno de personalidade borderline.

Pacientes com transtorno de personalidade borderline muitas vezes


sabotam a si mesmos quando estão prestes a alcançar um objetivo. Por
exemplo, eles podem abandonar a escola pouco antes de graduação, ou
podem arruinar um relacionamento promissor.

Impulsividade que leva à automutilação é comum. Esses pacientes


podem apostar em jogos de azar, praticar sexo inseguro, ter compulsão
alimentar, dirigir de forma imprudente, abusar de droga ou gastar
demais. Comportamentos suicidas, gestos e ameaças e automutilação (p.
ex., se cortar, queimar) são muito comuns. Embora muitos desses atos
autodestrutivos não visem acabar com a vida, o risco de suicídio nesses
pacientes é 40 vezes maior do que na população em geral.
Aproximadamente 8 a 10% desses pacientes morrem por suicídio. Esses
atos autodestrutivos são geralmente desencadeados pela rejeição por
possível abandono ou decepção com um cuidador ou amante. Os
pacientes podem se automutilar para compensar seu mau
comportamento, para reafirmar sua capacidade de sentir durante
um episódio dissociativo ou para desviar a atenção de emoções
dolorosas.
Episódios dissociativos, pensamentos paranoicos e, às vezes, sintomas do
tipo psicótico (p. ex., alucinações, ideias de referência) podem ser
desencadeados por estresse extremo, normalmente o medo de
abandono, seja real ou imaginado. Esses sintomas são temporários e não
costumam ser graves o suficiente para que sejam considerados um
transtorno separado.

Os sintomas diminuem na maioria dos pacientes; a recidiva é baixa.


Contudo, o status funcional não costuma melhorar tanto quanto os
sintomas.

Diagnóstico do transtorno de personalidade borderline


• Clinical criteria (Diagnostic and Statistical Manual of Mental
Disorders, Fifth Edition [DSM-5])
Para o diagnóstico do transtorno de personalidade limítrofe, os pacientes
devem ter

• Instabilidade persistente nos relacionamentos, na autoimagem e nas


emoções (isto é, desequilíbrio emocional), bem como acentuada
impulsividade

Esse padrão é caracterizado por ≥ 5 dos seguintes:


• Esforços desesperados para evitar o abandono (real ou imaginado)

• Relacionamentos intensos e instáveis que se alternam entre idealização e


desvalorização da outra pessoa

• Autoimagem ou senso do eu instável

• Impulsividade em ≥ 2 áreas que pode prejudicá-los (p. ex., sexo inseguro,


compulsão alimentar, dirigir de forma imprudente)
• Comportamentos, gestos e/ou ameaças repetidos de

suicídio ou automutilação
• Mudanças rápidas no humor, normalmente durando apenas algumas
horas e raramente mais do que alguns dias

• Sentimentos persistentes de vazio

• Raiva inadequadamente intensa ou problemas para controlar a raiva

• Pensamentos paranoicos temporários ou sintomas dissociativos graves


desencadeados por estresse

Além disso, os sintomas devem ter acontecido no início da idade adulta,


mas também podem ocorrer durante a adolescência.

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