O Nu na Fotografia Contemporânea
O Nu na Fotografia Contemporânea
Conceitual e Artística
Material Teórico
Os Temas: Ensaios e Estudos de Caso
Revisão Textual:
Prof. Me. Claudio Brites
Os Temas: Ensaios e Estudos de Caso
OBJETIVO DE APRENDIZADO
• Reconhecer a importância do tema no processo de criação e como esse pode ser
abordado de diferentes formas: documental, conceitual ou expressiva;
• Conhecer o conceito de ensaio fotográfico e entender que uma sequência de fotos
pode contar uma história, pois se trata de uma narrativa visual;
• Apresentar como um tema amplo tem suas diferentes abordagens na produção fo-
tográfica contemporânea.
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua
formação acadêmica e atuação profissional, siga
algumas recomendações básicas:
Conserve seu
material e local de
estudos sempre
organizados.
Aproveite as
Procure manter indicações
contato com seus de Material
colegas e tutores Complementar.
para trocar ideias!
Determine um Isso amplia a
horário fixo aprendizagem.
para estudar.
Mantenha o foco!
Evite se distrair com
as redes sociais.
Seja original!
Nunca plagie
trabalhos.
Não se esqueça
de se alimentar
Assim: e de se manter
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte hidratado.
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e
horário fixos como seu “momento do estudo”;
No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos e
sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam-
bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão
sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e
de aprendizagem.
UNIDADE Os Temas: Ensaios e Estudos de Caso
O tema é o ponto de partida de muitos projetos fotográficos que têm por ob-
jetivo uma investigação criativa sobre algo específico. O processo criativo possui
várias fases/componentes, conforme vimos na Unidade 2, e o tema é uma delas.
Conforme Simmons (2015), é a inicial (ver o Digrama 1). O tema é algo a ser
explorado, garantindo, através da pesquisa, novos conhecimentos e percepções
sobre ele e, com isso, através das experimentações, será possível tomar decisões
sobre o trabalho. Há muitos fotógrafos que são motivados por temas específicos
nas fases das suas carreiras, seus projetos fotográficos são realizados por uma in-
quietação ou um interesse em investigar sobre algo, alguém ou algum lugar.
Escolha do tema
Identificação
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Form
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Reflexão
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Revisão
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ideias para além das relações diretas com essas categorias que estão ligadas a tipos
específicos de fotografia.
O autor define que as perspectivas criativas conduzem a forma com que esse
quadro de referência será explorado, seja uma abordagem documental (a fotografia
que está voltada para fora, que se vale de fatos reais), expressionista (abordagem
voltada para dentro, que parte de experiências singulares do fotógrafo e que está
centrada em uma questão específica sobre o tema) e a conceitual (trabalho particu-
lar que se preocupa com as ideias a serem exploradas). Por questões específicas
relacionadas ao tema, Simmons se refere ao foco particular do trabalho ou ao
tema subjacente – que pode ser político, religioso, sociocultural ou de qualquer
outra área de pesquisa: “aqui, seu quadro de referência e sua perspectiva criativa
passam a ser mecanismos por meio dos quais a ideia que está por trás do trabalho
poderá ser articulada” (SIMMONS, 2015, p. 87).
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UNIDADE Os Temas: Ensaios e Estudos de Caso
Ensaios Fotográficos
Quando falamos sobre o tema na produção fotográfica, podemos abordá-lo
como uma categoria de conteúdo das imagens ou também como uma prática inves-
tigativa criativa, ou seja, a realização de fotografias focadas em um tema específico,
o que nos leva ao ensaio fotográfico. O termo ensaio fotográfico é amplamente
explorado por fotógrafos de diversas áreas, seja no campo jornalístico, em jornais
impressos ou revistas femininas e masculinas, ou em editoriais de moda. É um
termo familiar para os leigos, pois o ensaio passou a entrar para o vocabulário
comum. Vulgarmente, o termo pode ser utilizado para definir uma simples união
de fotografias que tratem do mesmo tema e que tenham a mesma autoria, tal Erico
Elias, que denomina o ensaio como um trabalho fotográfico que “conta uma histó-
ria, tem uma unidade entre as imagens e não é redundante, pois cada foto traz uma
nova pose ou revela uma nova nuance” (ELIAS, 2007, p. 50).
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Já no campo da fotografia, os autores Govignon, Bajac e Caujolle (2004, p.
166) apontam um trabalho do fotógrafo Paul Nadar como sendo o primeiro ensaio
fotográfico da história. Se trata de uma entrevista ilustrada, com uma sequência de
fotos que faz fronteira com o storyboard (roteiro feito com imagens), com o cien-
tista Michel Eugene Chevreul em 1886. De acordo com autores como Magalhães
e Peregrino (2004) e Sousa (2004), o ensaio fotográfico surge em um contexto
editorial de revistas, como a Berliner Illustrierte, a Munchener Illustrierte Presse,
a francesa Vu e a American Life, sendo que essa última, segundo Kossoy, explo-
rou “o potencial da fotografia em sua possibilidade narrativa, isto é, através da uma
sucessão de imagens que narrassem histórias” (KOSSOY, 2007, p. 90).
O ensaio, por mais que tenha o aspecto de treino, quando está no contexto da
linguagem artística, é tomado como experiência artística e, por isso, é uma forma
de conhecimento. Envolve pesquisa, experimentação e descobertas. Não precisa
encerrar o assunto, mas apresentar uma visão sobre aquilo que se tem como foco
de investigação fotográfica.
Mary Jane Hoffer (1983) contribui para nossa compreensão da definição de ensaio
fotográfico e nos traz uma reflexão sobre a sua função na fotografia: se trata de um
grupo de imagens fortemente inter-relacionadas: “seu impacto depende não só de
imagens individualmente fortes, mas também da interrelação entre estas imagens”;
não há um único formato de apresentação: “o formato pode assumir várias formas e
tamanhos – de uma matéria em revista, de poucas páginas, a um livro bem maior, en-
volvendo talvez uma centena de imagens ou mais” e “os temas também podem variar”.
E finaliza: “Uma qualidade que todos os ensaios têm é sua independência estética”.
Portanto, o ensaio é uma forma do fotógrafo expressar sua visão sobre um tema
específico de forma mais intensa e, por isso, é preciso exercitar essa comunica-
ção do ponto de vista do autor para que seja essa singular e que esteja presente
no ensaio. Como foi dito, todo ensaio é uma produção de conhecimento e, dessa
forma, durante a sua realização, o fotógrafo se vê imerso em um processo criativo
que consiste em uma investigação e reflexão intensa, ou seja, é muito mais que a
simples captura de imagens. Para além da realização das fotografias, o processo de
reflexão pode se dar ainda de forma mais intensa durante a organização da sequ-
ência das imagens, buscando conexão entre elas, em como se dá a melhor forma
de expressar sua intenção no trabalho exposto ao público.
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UNIDADE Os Temas: Ensaios e Estudos de Caso
Sobre projetos que envolvem autoria coletiva, conheça o projeto Caixa de Sapato da Cia.
Explor
A partir de agora, veremos exemplos de fotógrafos que têm como marca da sua
produção a forte constância de um tema. Começaremos com um tema específico,
o retrato feminino, mostrando-o através de fotógrafos que o abordam com diferen-
tes concepções, estéticas e intenções. Ao seguirmos para a conclusão dos estudos
desta unidade, vamos também apresentar outros temas recorrentes na produção
fotográfica de autores reconhecidos nacional e internacionalmente.
O Nu e o Corpo Feminino
O nu feminino sempre esteve presente na produção artística desde a antiguidade
e é um tema alvo de investigação e produção de uma grande quantidade de fotógra-
fos nacionais e internacionais. Veremos na produção desses três fotógrafos como
o mesmo tema possui diferentes formas autorais de abordagem.
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trabalhos para a Editora Abril, após cursar faculdade de jornalismo. Tendo mon-
tado seu próprio estúdio, na década de 1980, passou a colaborar para diversas
fotografias, sendo a Playboy uma das mais importantes. Com isso, além de ser
reconhecido como fotógrafo de publicidade, passou a ser especialista em fotografia
de moda e de nus femininos, tornando-se um dos mais requisitados do país.
Figura 2 – J. R. Duran, Sem título, 1996 Figura 3 – J. R. Duran, Sem título, 1995
Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras
Figura 4 – J. R. Duran, Sem título, 1997 Figura 5 – J. R. Duran, Sem título, 1998
Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras
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UNIDADE Os Temas: Ensaios e Estudos de Caso
Figura 7 – Hamish Campbell, da série Bodyscapes Figura 8 – Hamish Campbell, da série Bodyscapes
(Paisagens do Corpo), 2013 (Paisagens do Corpo), 2013
Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras
Fantasiada ou nua, ela se retrata de forma semioculta, seja pela ausência do ros-
to ou pelo desfoque gerado pelo movimento realizado em exposições prolongadas.
As imagens apresentam um ar de fantasmagoria devido aos ambientes internos que
parecem ser abandonados, sujos e em ruínas, os quais parecem ser mais tangíveis
do que a própria presença de Francesca na foto.
Seu trabalho apresenta uma estranha singularidade até então não realizada na
produção fotográfica, como um jogo de aparecer e desaparecer. Se situa em uma
fronteira entre a fotografia e a performance, onde muitas vezes seus trabalhos fun-
cionam como documentos de uma performance ou uma dança. Tal como nos diz
Maclennan (2016, n.p.), em suas imagens, Francesca
[...] estava presente ao mesmo tempo em que se escondia. Knopper su-
gere que seu trabalho poderia ser considerado um pré-selfie, com um
significado mais profundo. Mas talvez, em uma época na qual abunda o
exibicionismo abunda sem pudor nas redes sociais, seja mais adequado
classificá-la como o anti-selfie, já que paradoxalmente nos mostrando
tanto de si, ela conseguiu manter o mistério; revelando sua alma, não sua
presença nem sua vida.
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Seu interesse está na feminilidade e no ambiente, nas relações que as pessoas e
seus corpos têm com o espaço, abordando esse tema através da criação de corpos
femininos que transitam entre anjos e fantasma, entre o dentro e o fora, o eu e o
ambiente, seja flutuando, levitando ou experienciando novas leis de relação não
convencionais com o espaço.
Figura 10 – Francesca Woodman, série Space, Figura 11 – Francesca Woodman, série Space,
Providence, Rhode Island Providence, Rhode Island
Fonte: Francesca Woodman, 1976 Fonte: Francesca Woodman, 1976
Ela usa ângulos inusitados para retratar o corpo flutuante e rastejante, cortado
pelos limites do plano das fotografias, muitas vezes, com a presença de objetos
e papéis-de-parede descolados. A sensualidade dos corpos nus ou seminus joga
entre o visível e o oculto com a contemplação de fragmentos. Algumas imagens
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Figura 14 – Francesca Woodman, House #3, Figura 15 – Francesca Woodman , House #4,
Providence, Rhode Island, 1976 Providence, Rhode Island, 1976
Fonte: Francesca Woodman, 1976 Fonte: Francesca Woodman, 1976
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Na fotografia House #4 (1976), aparentemente realizada no mesmo cômo-
do, a figura de Woodman se move desajeitadamente pelo chão entre a lareira
e a parede atrás, uma perna de cada lado do pilar sustenta a lareira e a parte
superior do corpo desfocada em movimentos, deixando-a sem rosto. Embora
esteja claro que Woodman construiu essa passagem entre as estruturas fixas da
sala, afastando a moldura da lareira da parede, a estranha fisicalidade de sua
posição e a natureza quase desesperada de seu movimento deixam um impacto.
Dessa vez, a impressão de seu vestido coincide com o papel de parede floral
descascando ao lado da janela acima dela, e a natureza fugaz fantasma de sua
forma superior se dissolve na escuridão da lareira, sugerindo a fusão da mulher
com o interior doméstico.
Em uma outra vertente que aborda o feminino na fotografia, temos a fotógrafa Brigitt Angst, que
Explor
começou um projeto focado no tema de mulheres que tinham a síndrome de Turner, a partir de
uma experiência pessoal. Sua abordagem inicial se deu por uma perspectiva autobiográfica, pois
ela era portadora da síndrome, fazendo isso através de autorretratos. Em 2010, um primeiro pro-
jeto, chamado Life Mask Series [Série de Máscaras Vivas], resultou da pesquisa e influência estética
de Claude Cahun e passou a contar com outras mulheres com síndrome de Turner. Ao retratar vá-
rias mulheres na mesma posição e iluminação, colocando as fotografias lado a lado, fez com que
esse padrão visual apresentasse as mulheres como um tipo, mas possibilitando uma análise mais
profunda, onde o observador identifica a singularidade de cada uma.
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Seu trabalho é feito em fotografias e vídeos. Suas imagens podem ser definidas
como fotoperformances. Seus trabalhos abordam o embate com a natureza e
assumem uma dimensão que pode ser considerada como uma investigação psico-
lógica e ritualística. Rodrigo Braga busca a reconciliação entre homem e natureza
através do questionamento das hierarquias e conteúdos simbólicos associados aos
elementos com que trabalha (animais, pedras, águas e plantas) e atinge níveis irra-
cionais e brutais nessa relação.
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Figura 18 – Rodrigo Braga, Comunhão 1, 2 e 3
Fonte: Rodrigo Braga, 2006
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Figura 21 – Araquém Alcântara, Vale da Paz, Figura 22 – Araquém Alcântara, Amanhecer,
Parque Nacional de Itatiaia RJ Parque Nacional Grande Sertão Veredas MG
Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras
Social e Cultura
Outro fotógrafo importante no cenário contemporâneo artístico é o espanhol
Miguel Rio Branco (1946), também pintor e diretor de fotografia na produção ci-
nematográfica, trabalhando com Gilberto Loureiro e Júlio Bressane. Seu trabalho
é marcado pelo uso de cores saturadas e contratantes, pela diluição de contornos,
pelo jogo de texturas e espelhamentos e pela hibridização de fotografia, pintura e
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UNIDADE Os Temas: Ensaios e Estudos de Caso
cinema. Sua produção se concentra na exploração de vários temas, que vão desde
o social, à sensualidade, prostituição, cultura indígena, morte, entre outros.
Conheça mais o trabalho de Miguel Rio Branco através do site do artista: [Link]
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Esteticamente, sua produção trava um diálogo com a pintura, através da explora-
ção sensível da luz e da cor.
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Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
Sites
JR-Art
[Link]
Blog Inhotim
[Link]
Vídeos
Desejo Prêmio TED do JR: Usar arte para virar o mundo do avesso
[Link]
Leitura
Francesca Woodman, el espectro de la fotografía
[Link]
Encontros e mestiçagens nas fotografias de Rodrigo Braga
[Link]
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Referências
ARAQUÉM Alcântara. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura
Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <[Link]
[Link]/pessoa1906/araquem-alcantara>. Acesso em: 12 ago. 2018.
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