Escola Secundaria Geral de Mocuba
Trab
Índice
[Link]ção.......................................................................................................................2
1.1 Memória......................................................................................................................3
1.2 Tipos de memória........................................................................................................3
1.3 A memória autobiográfica...........................................................................................3
1.4 Constituição da estrutura da Memória.........................................................................4
1.5 A Memoria na formação da identidade.......................................................................4
2. As Funções da MA........................................................................................................5
2.1 Os Efeitos das Emoções na Memoria..........................................................................6
2.2 Tipos de memoria........................................................................................................6
2.3 A memória sensorial....................................................................................................7
2.4 A Memória de Curto Prazo..........................................................................................7
2.5 A Memória de Longo Prazo........................................................................................8
Conclusão..........................................................................................................................9
Bibliografia......................................................................................................................10
[Link]ção
A memória, como base do desenvolvimento da identidade e dos esquemas cognitivos
utilizados para interpretar o contexto, e ainda como guia de comportamentos e decisões,
apresenta características particulares em diferentes tipos de populações, consoante as suas
capacidades cognitivas, traços de personalidade e estabilidade emocional. Deste modo, o
estudo da organização, funções, propriedades fenomenológicas e conteúdo de MAs
relevantes ajuda a identificar factores de desenvolvimento e manutenção de uma identidade
potenciadora de adaptação social e bem-estar psicológico, assim como factores de origem e
manutenção de psicopatologia. Assim, a investigação destas mesmas características da MA
em populações com comportamentos anti-sociais, particularmente das suas diferenças
relativamente à população geral, poderá ser um caminho promissor na compreensão dos
factores de origem e manutenção de uma identidade e de cognições disfuncionais que
favorecem comportamentos criminosos, desviantes da norma social.
A memória, bem como o modo como ocorre uma recordação e por que ela é esquecida,
sempre despertou o interesse da humanidade como se depreende da obra de Aristóteles, “On
memory and reminiscense”, datada de 350 d.C..
Também na Grécia antiga já era valorizado o facto de ter boa memória como se pode
depreender da figura mitológica de Mnemosina. O termo memória tem origem etimológica
no latim e significa a capacidade de armazenar e manipular informações (ideias, imagens,
expressões e conhecimentos) adquiridos anteriormente. Constitui uma das funções
cognitivas mais importantes e complexas do ser humano pois é a base para toda a
aprendizagem. Toda a informação que se sabe acerca do mundo, dos outros e de nós
próprios foi adquirida através da experiência e armazenada na memória. É ela que define e
distingue cada ser humano pelo conjunto de recordações próprias e pelas inúmeras
associações de ideias e pensamentos que é capaz de fazer e que constituem o suporte para
todo o conhecimento, habilidades e planeamento, fazendo-nos considerar o passado,
situarmo-nos no presente e projetarmo-nos no futuro.
1.1 Memória
A memória humana é constituída por um conjunto de subsistemas de armazenamento de
informação, cuja interacção se processa de forma complexa. De modo geral, a memória
implica os seguintes processos: a codificação de informação (para que esta possa dar
entrada e ser armazenada, transitória ou permanentemente num subsistema mnésico), a
capacidade de procurar eficazmente informação na base de dados armazenados, e a
capacidade de recuperar uma informação particular, trazendo-a à consciência, para que
possa ser utilizada (Baddeley, 2009).
1.2 Tipos de memória
Os principais subsistemas de armazenamento de informação na memória são a memória
sensorial, a memória de trabalho e a memória a longo prazo (Baddeley, 2009).
Na memória a longo prazo, distingue-se, tipicamente, entre memória não declarativa ou
implícita, que consiste na memória acedida indirectamente-como a memória procedimental
(capacidades motoras) e o efeito de priming (este reflete-se, por exemplo, na maior
probabilidade de escolher um estímulo anteriormente encontrado, sem a sua recordação
consciente – priming de repetição ou preceptivo) – e memória declarativa ou explícita, que
seria acedida de forma consciente e cuja informação é passível de ser verbalizada
(Baddeley, 2004; Franklin & Baars, 2010; Markowitsch, 2008; Squire, 1992).
Na memória a longo prazo declarativa foram distinguidos por Tulving (2002) dois tipos de
memória adicionais:
A semântica e a episódica. A memória semântica constitui uma base de conhecimento geral
sobre o mundo envolvente, enquanto a memória episódica armazena eventos passados
específicos, localizados num tempo e espaço concretos, incluindo a consciência de si
próprio nesse evento (Baddeley, 2004; Tulving, 2002).
Esta consciência de si próprio num evento passado específico é denominada consciência
automática e permite que uma recordação possa surgir na mente como um reviver desse
evento (Tulving, 2002).
1.3 A memória autobiográfica
(MA) é um conceito funcional que identifica a memória geral de eventos do passado
pessoal. Importa clarificar que, neste trabalho, a MA é entendida como incluindo um
componente episódico, contendo eventos pessoais específicos e detalhados, situados em
determinado espaço e tempo, bem como um componente semântico, que armazena
conhecimento ou factos sobre o passado do indivíduo (Conway & Pleydell- Pearce, 2000;
Piolino, Desgranges, & Eustache, 2009).
Apesar de esta visão mais ampla da MA ser actualmente a mais reconhecida e estabelecida,
alguns autores utilizam uma definição da MA como apenas memória do tipo episódico
(Franklin & Baars, 2010; Nelson & Fivush, 2004). Por outro lado, nem todas as memórias
pessoais são verdadeiramente autobiográficas. Diversos autores defendem que uma MA
deve ser pessoalmente significativa para ser considerada como tal (e.g., Bluck & Habermas,
2001; Nelson & Fivush, 2004; Singer & Blagov, 2004; Singer & Salovey, 1993).
1.4 Constituição da estrutura da Memória
No que diz respeito à constituição da estrutura da MA, esta surge tardiamente, com o
desenvolvimento cognitivo que se opera imediatamente antes do início da escolaridade,
nomeadamente com o desenvolvimento dos lobos frontais, e com o aumento da interação
social das crianças (Nelson & Fivush, 2004). Então, apenas a partir dos cinco a sete anos de
idade estariam constituídas as capacidades cognitivas necessárias à retenção a longo prazo e
recuperação de MAs episódicas (ver Pinho, 2010 para uma revisão).
Compreende-se, assim, o fenómeno amplamente documentado da amnésia infantil,
caracterizado pela incapacidade de recordação de episódios da vida respeitantes aos
primeiros 3/4 anos de vida (Nelson & Fivush, 2004).
1.5 A Memoria na formação da identidade
A MA desempenha um papel fundamental na formação da identidade, na selecção e
orientação de comportamentos para atingir objectivos, bem como na forma como são
interpretados os comportamentos de outros e o contexto envolvente (Bluck, 2003). A
identidade pode ser entendida como o sistema que permite a construção de uma sensação de
coerência e de significado na vida de um indivíduo (Singer & Blagov, 2004). Constitui uma
representação mental de si próprio e da história de vida de uma pessoa, incluindo tudo
aquilo que o caracteriza enquanto indivíduo, nomeadamente, traços de personalidade,
comportamentos, sentimentos, valores, objectivos, expectativas e relações significativas
(McAdams, 2001; Sedikides, 1993).
Para uma compreensão aprofundada das características de personalidade e para a elaboração
de inferências comportamentais a partir das mesmas, não basta saber como as pessoas se
auto-avaliam em relação a determinados traços, sendo necessário perceber como é 7 que
esse conhecimento é formado, armazenado e acedido no cérebro (Klein & Loftus, 1993). A
acessibilidade de diferentes memórias dependerá da sua consistência com as auto-
representações atuais do indivíduo, da sua utilidade para os objectivos mais relevantes a ser
atingidos, assim como outras funções, tais como a regulação do estado emocional (Bluck,
Alea, & Demiray, 2010; Conway, 2005; Moberly & MacLeod, 2006). A perspetiva numa
recordação é passível de modificação. Assim, a perspetiva de observador parece ser
assumida, principalmente, como resultado do passar do tempo em relação ao evento original
ou, então, como estratégia de distanciamento psicológico e emocional de um determinado
evento (ver Wilson & Ross, 2003 para uma revisão).
2. As Funções da MA
O estudo funcional de memórias pessoais foi defendido por Pillemer (2009) como uma das
áreas mais promissoras de investigação da MA, nomeadamente no que diz respeito à
comparação funcional de MAs em diferentes grupos populacionais ou de MAs de diferentes
valências.
A abordagem funcional da memória não se foca na precisão das memórias, mas em
perceber por que motivo as pessoas se lembram de coisas particulares de determinada
maneira, mesmo que esta possa ser enviesada (Bluck, 2003). Diversas funções têm sido
atribuídas à MA, podendo estas ser divididas em três categorias principais: social
(comunicação, estabelecimento e manutenção de relações), diretiva (orientação de
comportamentos no presente e planeamento de comportamentos futuros) e construção e
desenvolvimento do si próprio (identidade consistente e coerente; Bluck, 2003).
As funções da MA não são mutuamente exclusivas e podem conter subfunções mais
específicas, tais como a manutenção de um autoconceito positivo e a regulação emocional,
que podem ser integradas na função de desenvolvimento da identidade pessoal (Bluck,
2003).
Apesar desta tipologia tripartida ser a mais comum, recentemente, Rasmussen e Habermas
(2011) defenderam que o modelo teórico das três principais funções da MA deveria ser
modificado, com a divisão da função social em dois tipos distintos: manutenção de relações
pré-existentes e criação de novas relações.
Os autores testaram este modelo com amostras de dois países diferentes e verificaram que
este modelo revisto, com quatro factores, era mais adequado do que o modelo original.
Adicionalmente, Pillemer 16 (2009) sugere que a subfunção de regulação emocional da MA
não encaixa adequadamente em nenhuma das três funções principais da MA e, como tal,
deveria ser considerada uma função independente. Anteriormente, Pasupathi (2003) já tinha
referido que determinadas recordações, principalmente de valência positiva, desempenham,
por vezes, apenas a função de regulação do estado de humor negativo, através da indução
ou do aumento das emoções positivas.
2.1 Os Efeitos das Emoções na Memoria
A emoção é um aspecto fundamental da MA, em particular, das MAs episódicas. De facto,
observa-se o envolvimento de diversas estruturas do sistema límbico na aquisição de
eventos pessoais a serem armazenados na memória (ver Markowitsch, 2008 para uma
revisão). Podemos considerar dois eixos essenciais na caracterização de memórias de
experiências pessoais em termos emocionais: valência e nível de ativação (ou arousal,
estado de activação geral do sistema nervoso em resposta a um estímulo relacionado com
uma elevada activação emocional, aumentando o nível de atenção) (Kensinger, 2004). Em
1984, Gilligan e Bower resumiram a influência da emoção na memória em quatro aspetos
principais, que incluem efeitos de valência, bem como do nível de ativação emocional: a) O
desempenho da memória é superior quando o estado de humor na evocação corresponde ao
estado de humor do momento da codificação; b) Informação cujo conteúdo é congruente
com o estado emocional actual é mais fácil de recordar; c) Informação com conteúdo
emocional é mais facilmente recordada do que informação neutra; d) As interpretações e
avaliações do material recordado são congruentes com o estado de humor presente. Estes
aspectos têm encontrado fundamento empírico (Singer & Salovey, 1993). No que diz
respeito, especificamente, ao segundo aspecto, vários estudos têm revelado 32 o chamado
efeito da recordação congruente com o estado de humor (mood-congruent recall). Este
fenómeno consiste na maior facilidade de recordar informação positiva quando uma pessoa
se encontra num estado de humor positivo e, por outro lado, em recordar informação
negativa, quando o estado de humor é negativo
2.2 Tipos de memoria
Não obstante passarmos a abordar estes três tipos de memória como armazéns de memória
distintos, contudo não podemos esquecer que os mesmos não se reduzem a mini armazéns
localizados em partes especificas do cérebro e que representam três tipos diferentes de sistemas
de memória, com características também diferentes (Feldmam, 2001). Resumidamente
apresentamos como se caracterizam estes três tipos de memória:
2.3 A memória sensorial
Abrange o armazenamento inicial e momentâneo da informação, ou seja, ela é constituída por
estímulos de muito curta duração, mas que podem, apesar disso, proporcionar informação que
requeira alguma resposta. Estes estímulos são primeiro armazenados na memória sensorial,
enquanto primeiro armazém de informação. A memória sensorial abrange vários tipos de
memórias sensoriais, cada uma delas relacionada com uma fonte diferente de informação.
Assim existe a memória icónica, que reflete a informação proveniente da nossa visão e a
memória ecoica que armazena informação proveniente dos ouvidos. Esta informação deverá
posteriormente passar para a memória de curto prazo (MCP) sob pena de se perder para sempre.
As provas da existência deste tipo de memórias foram estudas, conforme atrás mencionado, por
Sperling (1960) que foi capaz de determinar com bastante precisão o período de tempo durante
o qual a informação ficava armazenada na memória sensorial (Feldmam, 2001). Para este autor
a memória sensorial acua como uma espécie de fotografia instantânea que armazena informação
tanto visual como auditiva ou de qualquer outra natureza sensorial, por um breve período de
tempo e que necessita ser imediatamente transferida para outro tipo de memória
2.4 A Memória de Curto Prazo
Recebe a informação que foi por breves momentos registada na memória sensorial e à qual
precisamos atribuir um sentido de modo a tornar possível a sua retenção a longo prazo.
Constitui um armazém da memória no qual a informação tem pela primeira vez um significado
não obstante a sua duração de retenção ser curta. Contudo, segundo alguns autores (Baddeley &
Wilson, 1995, in Feldman, 2001) este processo pelo qual as memórias sensoriais são
transformadas em memórias de curto prazo não está completamente esclarecido. Para
estes autores a informação tanto pode ser inicialmente traduzida em representações
gráficas ou imagens, como pode existir a hipótese de que a transferência ocorra quando
o estimulo sensorial é transformado em palavras. Contudo como já referimos a
quantidade de informação que pode ser retida na memória de curto prazo está
perfeitamente identificada: sete itens ou blocos de informação chunks (grupo de
estímulos com significado que pode ser armazenado como um todo na memória a curto
prazo), podendo variar para mais ou menos dois. Mas apesar de serem sete estes grupos
de informação não ficam durante muito tempo retidos na memória.
A transferência do material entre as memórias de curto prazo e as memórias de longo
prazo efetua-se pela sua recapitulação, ou seja, pela repetição da informação que entrou
na memória de curto prazo. Esta recapitulação cumpre dois objetivos, ou seja, enquanto
repete a informação mantém-na ativa na memória de curto prazo para poder ser
transferida. Feldman (2001) refere que quando esta recapitulação é elaborada, o material
é organizado de forma mais eficaz o que permite que de forma mais correta seja
transferido para a memória de longo prazo, não se perdendo. São o que o autor
denomina de estratégias mnemónicas. Para alguns psicólogos (e.g., Baddley, 1990;
2006 e Baddeley & Hitch, 1974,1994), esta memória de curto prazo deveria ser
considerada como uma Memória de Trabalho tripartida, em que um dos componentes é
a central executiva que coordena o material o material a considerar durante o processo
de formação do raciocínio e da tomada de decisão. Esta central, por sua vez, utiliza dois
subcomponentes: o viso espacial e o fonológico. Baddeley (1990) acredita que uma
falha na central executiva seja a responsável pelas perdas de memória características da
doença de Alzheimer.
2.5 A Memória de Longo Prazo
Constitui um armazém final de capacidade quase ilimitada. Embora este tipo de
memória tivesse sido entendida como uma unidade, contudo a maior parte da pesquisa
ente atualmente que ela engloba diferentes componentes ou módulos de memória
(Feldman, 2001), onde cada um desses módulos está relacionado com um sistema de
memória distinto no cérebro. Por exemplo podemos encontrar no âmbito desta distinção
a memória declarativa que representa a informação factual e a memória procedimental
(por vezes também referida como memória não declarativa)que diz respeito a memória
de experiências e hábitos, tais como andar de bicicleta ou jogar à bola.
A informação sobre coisas é armazenada na memória declarativa; a informação sobre
como fazer as coisas é armazenada na memória procedimental. Os factos na memória
declarativa podem ainda ser subdivididos em memória semântica ( a memória do
conhecimento geral e dos factos do mundo) e memória episódica que ao contrário é a
memória dos detalhes biográficos das nossas vidas particulares. As nossas memórias
sobre o que fizemos (Tulving, 1993, in Feldman, 2001). Estas memórias podem ser
muito detalhadas e fornecer informação sobre factos ocorridos há muito tempo.
Conclusão
A memória de trabalho, que alguns acreditam ser parte da memória de curto prazo, atua no
momento em que a informação está sendo adquirida, retém essa informação por alguns
segundos e a destina para ser guardada por períodos mais longos ou a descarta. Quando alguém
nos diz um número de telefone para ser discado, essa informação pode ser guardada se for um
número que nos interessará no futuro ou ser prontamente descartada após o uso. O
funcionamento perfeito do córtex pré-frontal e essencial para esse tipo de memória.
A memória implícita armazena dados relacionados à aquisição de habilidades mediante a
repetição de uma atividade que segue sempre o mesmo padrão. Nela se incluem todas as
habilidades motoras, sensitivas e intelectuais, bem como toda forma de condicionamento. A
capacidade assim adquirida não depende da consciência.
A memória explícita (declarativa) armazena e evoca informação de fatos e de dados levados ao
nosso conhecimento através dos sentidos e de processos internos do cérebro, como associação
de dados, dedução e criação de ideias. Esse tipo de memória é levado ao nível consciente
através de proposições verbais, imagens, sons etc. A memória declarativa inclui a memória de
fatos vivenciados pela pessoa (memória episódica) e de informações adquiridas pela
transmissão do saber de forma escrita, visual e sonora (memória semântica).
Bibliografia
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