Introdução O cenário actual da educação como fenómeno social, não está alheio à influência
do processo de globalização e da sua repercussão num mundo em mudança vertiginosa, com
progressos e retrocessos, em busca do equilíbrio de um desenvolvimento sustentável. A
educação é a arma mais poderosa que tem o Homem para criar uma ética, para criar uma
consciência, para criar um sentido do dever, um sentido da organização, da disciplina e da
responsabilidade. A escola como instituição socializadora deve ser capaz de potenciar o
desenvolvimento profissional e a organização escolar; orientar, regular e dirigir o processo
educativo dum jeito estimulante do desenvolvimento e ao serviço da qualidade da
aprendizagem em correspondência com sua missão. A presente dissertação tem como tema: O
Contributo da Supervisão Pedagógica para a Melhoria da Qualidade do Processo de Ensino e
Aprendizagem na Escola Primária Completa ou simplesmente “EPC de Mitava” na Cidade de
Lichinga. Neste âmbito, olhamos a Supervisão Pedagógica como uma actividade altamente
contextualizada, com uma incidência reflexiva, formativa e transformadora e uma influência
no desenvolvimento da aprendizagem, na inovação pedagógica, na criação de contextos de
desenvolvimento profissional e que amplia seu campo de acção mais além das salas de aula.
As práticas de supervisão ajustam-se ao clima psicológico, político e social de cada época e
actualmente a Supervisão Pedagógica tem vital importância quando é sistemática, sistémica e
se concebe desde uma perspectiva horizontal e colaborativa, onde há o imprescindível realce
no acompanhamento do professor e do Processo de Ensino - Aprendizagem (PEA) como
objectivos da sua existência. A presente pesquisa justifica-se, precisamente, pela fraca
planificação de Supervisões Pedagógicas, com uma intenção bem marcada de comparticipação
e colaboração, particularmente nas escolas do Ensino Primário, na medida em que esta
problemática influencia negativamente no sistema educativo, olhando que este nível de ensino
constitui a base para o desenvolvimento e a melhoria da qualidade do Processo de Ensino -
Aprendizagem nos subsistemas subsequentes e tem sua incidência nos altos índices de
desistência que a nossa província tem passado nos últimos anos nas escolas (13,5% de 14
desistência em 2014) ao nível da província e a maior do país de em todos os subsistemas de
ensino, contudo, nos preocupamos tanto sobretudo no ensino primário que constitui a base da
sustentabilidade e manutenção de qualquer sistema educativo.
Metodologias
De acordo com Vilelas (2009, p.125) diz-nos que “a pesquisa bibliográfica permite ao
investigador a cobertura de uma gama de fenómenos muito mais ampla do que aquela que
poderia pesquisar directamente”. No que diz respeito aos procedimentos técnicos, teremos
uma pesquisa bibliográfica com base em material já publicado, tais como livros, artigos
periódicos e material exposto na internet.
Tema para trabalho: Supervisão Pedagógica em uma Esccola do
país (a escolha do autor)
O que pesquisar/objectivos:
Conceituar sobre a Supervisão Pedagógica;
Supervisão Ao falar de supervisão, é importante primeiro esclarecer o seu sentido etimológico
formado pelos vocábulos super (sobre) mais visão (acção de ver), indicando a atitude de ver
com mais clareza uma acção qualquer, no seu sentido estrito pode-se dizer que o termo
significa olhar o todo, dando ideia de visão global (Cardoso & Silva, 2013). O conceito de
supervisão aparece associado a normatividade, superioridade, hierarquização, reprodução de
práticas e mesmo a algum distanciamento no que respeita às questões humanas. Assim, o
termo “supervisão” utiliza-se numa multiplicidade de campos de actuação. Daí a necessidade
que se tem vindo a sentir de especificar o domínio de acção: “supervisão financeira, supervisão
de professores, supervisão pedagógica, supervisão clínica, supervisão da investigação,
supervisão da formação curricular, supervisão institucional”, entre outras (Assique, 2015).
Foulquié (1971) como citado em (Ferreira, 2008), define a supervisão como acção de velar
sobre alguma coisa ou sobre alguém a fim de assegurar a regularidade de seu funcionamento
ou de seu comportamento.
Tomando como referência o pensamento dos autores acima citados pode-se dizer que
supervisão, apesar de sua conotação muitas vezes ligada a superioridade, hierarquização,
entre outros aspectos é um processo sistemático onde um profissional mais experiente através
de um olhar abrangente no exercício duma determinada tarefa de área específica, em
coordenação com os profissionais ‘’menos experientes’’, orienta o serviço em questão com
vista a assegurar a regularidade de todas actividades nele existente para garantir melhores
resultados ou esperados.
Supervisão pedagógica. A actividade de supervisão constitui um momento crucial para o
desenvolvimento de acções com vista à obtenção de informações relativas ao processo de
implementação de políticas educacionais. O conceito de supervisão aparece associado a
normatividade, superioridade, hierarquização, reprodução de práticas e mesmo a algum
distanciamento no que respeita às questões humanas. Assim, o termo “supervisão” utiliza-se
numa multiplicidade de campos de actuação. Daí a necessidade que se tem vindo a sentir de
especificar o domínio de acção: “supervisão financeira, supervisão de professores, supervisão
pedagógica, supervisão clínica, supervisão da investigação, supervisão da formação curricular,
supervisão institucional”, entre outras. Então, no contexto da presente pesquisa, entenda-se
supervisão “como a orientação da prática pedagógica como um processo lento que, iniciado na
formação inicial, não deve terminar com a profissionalização, mas prolongar-se sem quebra de
continuidade não tão falada e tão pouco considerada “formação contínua”. Ou seja, a
dinâmica da supervisão deve continuar através da auto-supervisão ou da supervisão realizada
no seio do grupo dos colegas. Então, supervisão é, fundamentalmente, interagir: informar,
questionar, sugerir, encorajar, avaliar”. Alarcão e Tavares (2003).
De acordo com Vieira (1993), a supervisão pode definir-se como “actuação de monitorização
sistemática da prática pedagógica, sobretudo através de procedimentos de reflexão e
experimentação nas suas dimensões analítica e interpessoal, de observação como estratégia
de formação e de didáctica como campo especializado de reflexão/experimentação pelo
professor.” Nesta perspectiva, identificamos que o objecto da supervisão é a prática
pedagógica do professor, cuja função essencial da supervisão é a monitorização dessa prática e
contribuir directamente para o desenvolvimento profissional do professor.
Logo, Alarcão & Tavares (2003) “o objectivo da supervisão não é apenas o desenvolvimento do
conhecimento, visa também o desabrochar de capacidades reflexivas e o repensar de atitudes,
contribuindo para uma prática de ensino mais eficaz, mais comprometida, mais pessoal e mais
autêntica”. Vieira (2009, p.199) apresenta uma definição onde não deixa dúvidas sobre o
objectivo da supervisão: “teoria e prática de regulação de processo de ensino e de
aprendizagem em contexto educativo formal, instituindo a pedagogia como o seu objecto”.
Assim, a supervisão pedagógica, procura articular num processo conjunto a observação, a
recolha de informação sobre o processo de ensino e a sua análise para uma consequente
reconstrução de significados sobre a prática dos protagonistas em acção: alunos, professor e
supervisor. Nesta perspectiva, a dimensão da colaboração, como princípio ou condição
essencial no modelo da supervisão pedagógica, torna-se essencial no processo de formação
contínua do professor como um factor de transformação e mudança das práticas e das
próprias escolas, reflectindo - se na aprendizagem dos alunos.
Porém, o professor não deve ficar à espera que alguém do exterior lhe diga o que deve ou
como deve fazer, isso não chega, tem de ser ele a descobrir, por si próprio, a melhor forma de
actuar e a responsabilidade que lhe cabe no processo, Goldhammer e Cogan, (1987, p.137),
em Alarcão e Tavares (1987). Contudo, a supervisão, deve ser considerada como processo de
preparação técnica, metodológica e didáctico - pedagógica que permita o desenvolvimento
das competências profissionais e sua aplicação, sobre a acção duma reflexão conjunta entre
supervisor/professor e professor/aluno.
Tipos de supervisão 2.3.1 Supervisão educacional Supervisão educacional situa, mais
amplamente, no que diz respeito as questões e serviços da educação, a acção supervisora. O
educacional, portanto, extrapola as actividades da escola para alcançar, em nível macro, os
aspectos estruturais sistémicos, da educação. Abrange serviços das instâncias intermediárias e
centrais do sistema e da política da educação (Rangel, 1998 como citado em Ferreira, 2008). A
Supervisão Educacional (SE) exerce um papel importante na criação da necessária rotina dos
processos, não só nos estabelecimentos escolares, como também nos próprios órgãos gestores
centrais, provinciais, distritais, e os de base. Uma rotina que engloba aspectos como a
sistematização dos processos de relacionamento entre várias instâncias, pontualidade,
assiduidade por parte de todos os membros das respectivas comunidades, correcta
planificação, adequada consentânea implementação do PEA (Remane, 2015). No entanto,
pode-se perceber que a supervisão educacional é um processo que visa o controlo das
actividades educacionais no seu todo, desde o nível macro até a base. Esta supervisão visa
ainda uma boa rotina nos estabelecimentos de ensino e promove um PEA dinâmico e inovativo
e, garante que cada interveniente nele envolvido actue consoante as suas atribuições.
Supervisão escolar A Supervisão escolar por sua vez supõe a supervisão da escola nos serviços
administrativos, de funcionamento geral, como também os pedagógicos. Neste sentido
observam-se acções semelhantes às de direcção (Ferreira, 2008). Na óptica de Silva (2013) a
supervisão escolar é um instrumento de garantia para execução do que foi planeado, exigindo
um profissional preparado para o exercício desta função, visto que ele acaba desempenhando
diversas funções dentro da sua função precípua, facto que o supervisor também dá assessoria
ao professor mediando-o nas suas relações com os alunos, estabelecendo uma acção
pedagógica de parceria para a superação de problemas surgidos no âmbito escolar. Portanto a
supervisão escolar cinge-se na escola, dando orientação nas suas actividades gerais,
observando e estabelecendo ligação entre todas as partes da escola, como também dando
ferramentas e recursos necessários para o alcance dos objectivos plasmados.
Supervisão pedagógica A supervisão pedagógica pode ser entendida como um processo de
trabalho desenvolvido nas escolas com os professores que visa melhorar a prática educativa e
promover a construção e o crescimento profissional dos seus autores (Duffy, 1998 como citado
em Ferreira & Fernandes, 2015). Uma outra contribuição é feita por Ferreira (2008) que
considera a supervisão como um trabalho de assessoramento aos professores e à equipe
escolar, tendo em vista o desenvolvimento de um projecto colectivo que propõe mudanças
não só nas práticas usuais mas também nas concepções que as embasam, esse trabalho terá
que ser encarado como uma interacção entre iguais, onde não existe diferença de posições
entre os membros do grupo, mas uma relação de colaboração. O mesmo autor refere ainda
que, para o sucesso desse trabalho de assessoramento aos professores, algumas condições são
imprescindíveis nomeadamente: Manter um clima de abertura, cordialidade, encorajamento
fortalecer o sentimento grupal; Trabalhar com professores, propiciando ideias, estimulando e
fortalecendo as lideranças, reflexão sobre a prática, sugerindo, trazendo contribuições,
mostrando caminhos e alternativas;
Estimular o desenvolvimento de experiências e seu compartilhamento com o grupo; Atentar
para as dificuldades apresentadas pelos professores, criando mecanismos que permitam a
consulta e a discussão do assunto; Subsidiar os docentes com informações e conhecimentos
actuais sobre temas complexos, de forma directa ou indirecta, orientando leituras, dando
referências ou propiciando encontros com especialistas na área; Actuar junto à
administração da escola no sentido de viabilizar encontros para debates de estudos e
intercâmbios, agilizando meios e condições para tanto. Retomando as afirmações iniciais, para
que a supervisão educacional ganhe seu verdadeiro sentido no contexto escolar, é necessário
despir-se do autoritarismo que a caracterizou em épocas passadas e assumir seu verdadeiro
papel de estimuladora e organizadora de um projecto de mudança necessária que envolva, de
forma responsável, toda a comunidade escolar (ibidem, p.180). Portanto a supervisão
pedagógica deve ser entendida como um processo de orientação aos professores desde a fase
da iniciação de suas carreiras podendo alargar-se durante toda vida do profissional, e que
pode ser realizada por especialistas em supervisão como também por colegas do mesmo
contexto educativo através da interacção, avaliação e auto-avaliação dos autores desta prática
estimulando deste modo mudanças no desenvolvimento de aprendizagem.
Identificar tipos de Supervisão Pedagógica;
Mencionar a importância da Supervisão Pedagógica;
Embora exista diversidade de opiniões sobre os critérios de avaliação de qualidade no ensino,
há necessidade de se estabelecer o padrão de qualidade que oriente as finalidades de cada
escola em determinado contexto. Segundo o Manual de apoio a supervisão pedagógica
abordar sobre as práticas de supervisão pedagógica leva a olhar um pouco para a figura do
professor uma vez tido como um modelo a ser seguido na escola, bem como na sociedade. E,
como também é atribuído a ele o papel de motivador aos seus alunos, incentivo a criatividade,
é o professor que incute nos alunos o sentido de responsabilidade em relação as acções a
desenvolver. É o professor que tem o privilégio de conhecer e vivenciar os problemas da
aprendizagem detectados no decurso do PEA (MINED, 2003).
Segundo Libânio (1990) citado em Novela (2017) o professor contribui para a formação
cultural e científica do povo à medida que prepara os alunos para se tornarem cidadãos activos
e participantes na família, no trabalho, nas associações de classe, na vida cultural e política. “A
supervisão pedagógica reveste-se da máxima importância, visto que cabe ao supervisor o
papel de ajudar o professor a estruturar metodologias reflexivas, que por sua vez, o ajudarão
no seu processo de desenvolvimento profissional repercutindo-se no desenvolvimento dos
seus alunos” (Vicente, 2010, p.2). A supervisão também pode ser vista como o processo
enquadrador da formação, onde o professor busca a inserção na sua careira seja ela inicial ou
em exercício e tem como função proporcionar e rendibilizar experiências diversificadas em
contextos diferentes, originando interacções, experiências e transições ecológicas que se
constituem em etapas de desenvolvimento formativo (Alarcão, 2001).
Ainda na mesma linha Oliveira e Formosinho (2002) citados em Ferreira e Fernandes (2015)
sustentam a ideia de partilha comunicacional durante o processo de supervisão que pode ser
suportada por um trabalho em equipa baseado em reuniões informais regulares. Que vai
ajudar a impedir o isolamento do professor em formação que necessita de partilhar em grupo
os seus problemas e as suas realizações para auto-conhecer, auto-avaliar e finalmente se
reposicionar quanto ao ensino e aprendizagem inovando as suas práticas (Alves, 2008). Neste
contexto como afirma Alarcão e Tavares (1987) como citados em Gaspar et al. (2012), ensinar
os professores a ensinar deve ser o objectivo principal de toda a supervisão pedagógica, pois,
se a educação em sim é um processo contínuo e sistemático resultante de experiências e
vivências, logo, o educador deve estar sempre em constante actualização de sua experiência e
conhecimento sobre o processo de ensino e aprendizagem para melhor exercer a sua
profissão, com zelo, dedicação e responsabilidade. E por fim, a supervisão pode ser vista na
óptica de Formosinho (2002) citado em Alves (2008) como sendo uma prática que visa o
melhoramento da prática educativa, o desenvolvimento do potencial individual para a
aprendizagem e a promoção da capacidade de auto-renovação da organização.
Caracterização da Escola Primária Completa 3 de Fevereiro A Escola Primária Completa 3 de
Fevereiro foi inaugurada em 1934 e localiza-se no Bairro Polana Cimento A, no Distrito
Municipal KaMpfumo, Av. Eduardo Mondlane, número 445, na Cidade de Maputo. A escola
lecciona o 1º e 2º ciclo, é gerida por um Director e um Director Adjunto e conta com um
efectivo escolar de 1772 alunos, dos quais 1258 são do EP1 e 514 são do EP2, 42 professores
(16 homens e 26 mulheres), quatro funcionários da secretaria e sete auxiliares. Do ponto de
vista de infra-estrutura, a escola é constituída por 19 salas de aula, um bloco administrativo
em que se encontra o gabinete do Director, o gabinete do Director Adjunto e o gabinete do
Chefe de Secretaria. Possui quatro casas de banho, uma cantina, uma papelaria e um campo
desportivo.
Como é desenvolvida a supervisão pedagógica na EPC 3 de Fevereiro A supervisão pedagógica
pode ser entendida como um processo de trabalho desenvolvido nas escolas com os
professores que visa melhorar a prática educativa e promover a construção e o crescimento
profissional dos seus autores (Duffy, 1998 citado em Ferreira & Fernandes, 2015). Segundo
MINED (2003), o Manual de Supervisão Pedagógica define a supervisão como uma actuação de
monitorização da prática pedagógica, sobretudo, através, de procedimentos de reflexão e
experimentação. O Manual das Directrizes para a Supervisão do Ensino Primário pelos SDEJT
determina que todas as escolas primárias devem ser supervisionadas pelo menos duas vezes
por ano, e acompanhadas para garantir o cumprimento do plano curricular (MINEDH, 2015).
O segundo objectivo específico desta pesquisa era descrever como é que a supervisão
pedagógica é desenvolvida na EPC 3 de Fevereiro. Nesta descrição, foram considerados cinco
aspectos nomeadamente, o número de visitas de supervisão; o período do ano lectivo em que
são realizadas visitas de supervisão; a frequência com que os professores solicitam ajuda dos
supervisores; os responsáveis pelas visitas de supervisão; e as atribuições dos supervisores.
Sobre o número de visitas realizadas à escola, recorreu-se à entrevista com os Directores da
Escola e os supervisores, e questionários dirigidos a professores. Na entrevista com os
directores da escola, quando questionados sobre o número de visitas que são realizadas na
EPC 3 de Fevereiro, primeiro afirmaram que a supervisão é realizada e reconhecida tanto pelos
professores quanto pela direcção da escola. Mas nas suas intervenções não deixaram ficar o
número exacto das visitas de supervisão pedagógica que a escola recebe por ano. O mesmo se
verificou na entrevista com os supervisores. Estes também terão mencionado somente o que
os planos curriculares estabelecem, mas não o que ocorre na escola. A direcção da escola
assim como os supervisores revelaram desconhecer o número de visitas que são efectuadas na
escola o que pode contribuir para o não cumprimento das visitas de supervisão estabelecidas
pelo MINEDH bem como as visitas de monitoria feitas ao longo de todo o processo. Por outo
lado, o desconhecimento do número de visitas efectuadas na escola poderá afectar na
planificação das visitas subsequentes, porque a realização de uma visita de supervisão
pedagógica depende em parte da situação anteriormente encontrada e que deve ser descrita e
arquivada para o conhecimento de todos. Tal como em MINEDH (2015), no Manual das
Directrizes de Supervisão pelos SDEJT, os supervisores quando terminam uma visita, devem
compilar os dados de cada escola visitada no Mapa Resumo, onde se atribui a cada escola uma
avaliação referente a cada um dos factores-chave observados, isso permite aos técnicos
tomarem decisões sobre que escolas precisam de visitas de acompanhamento. Esta situação
demonstra haver ainda desafios para o MINEDH no desenvolvimento das práticas de
supervisão pedagógica. A mesma pergunta foi feita aos professores (pergunta A1 do
questionário). Respostas revelam que, apesar de dois (2) dos professores não terem
respondido, a maioria nove (9) disse que recebe habitualmente duas (2) visitas por ano. Ainda
nesta perspectiva, procurou-se saber como se caracterizou a situação de supervisão neste
último ano 2021, já que é um ano atípico. Evidências foram obtidas primeiro através da
pergunta A2 do questionário que pretendia saber dos professores quantas visitas receberam
em 2021. Respostas variam e revelam, tal como é observado na figura 6, que sete (7)
professores receberam duas (2) visitas, três (3) receberam uma (1) visita e um (1) dos
professores não recebeu qualquer visita de supervisão.
Em relação ao período do ano lectivo em que são realizadas visitas de supervisão, recorreu-se
também à entrevista com os Directores da Escola e os supervisores, e questionários dirigidos a
professores. Os Manuais sobre Supervisão não referem em que período do ano lectivo as
escolas devem receber visitas, mas referem através do Regulamento Atinente à Supervisão
Distrital, (MINED, s/d) como citado em Novela (2017), que a supervisão escolar deve ter um
carácter contínuo e sistemático, e a direcção da escola deve elaborar relatórios trimestrais da
supervisão e enviar aos serviços distritais. Uma visão que demonstra haver obrigatoriedade de
se realizar visitas de supervisão trimestrais. Contudo, uma vez que nem os directores nem os
supervisores não esclareceram sobre o número das visitas que a escola recebe em média
anualmente, leva-nos a crer que, a regularidade exigida pelo Ministério da Educação não é
observada na EPC 3 de Fevereiro.
Ainda nesta questão, os supervisores afirmaram que: “o trabalho não está vedado, visto que,
havendo necessidade de se verificar uma questão urgente, o supervisor está livre de fazer
visitas (relâmpago) mesmo sem avisar e sem Termos de Referência, embora este documento
seja importante para orientar o desenvolvimento do seu trabalho. As visitas relâmpago, acima
referenciadas, estão previstas no Guia Prático do Supervisor Pedagógico (MINED, 2013),
quando refere que a não comunicação prévia das visitas às escolas pode permitir que os
técnicos visualizem a situação real da escola, pois, alguns directores de escolas, quando
informados sobre a visita, retraem-se e não se fazem presentes no dia da visita, deixando a
responsabilidade com os seus adjuntos, provavelmente pelo receio de assumir irregularidades
que são de seu conhecimento.
No que diz respeito aos responsáveis pelas visitas de supervisão, respostas foram obtidas
através da entrevista com os Directores da Escola, e questionários dirigidos a professores. Os
Directores da Escola afirmaram que a responsabilidade pela supervisão é da própria Direcção
da Escola, dos professores entre si, da Direcção Distrital da Educação, da Direcção Provincial de
Educação e do MINEDH resposta que vai de encontro ao estipulado no Manual de Apoio à
Supervisão Escolar que refere “a supervisão é considerada como uma actividade sistemática
desenvolvida por vários técnicos pedagógicos das unidades orgânicas do Ministério da
Educação (gestores escolares, delegados de disciplinas e de classes, técnicos do SDEJT,
técnicos da DDEC, técnicos do MINED” (MINED, 2013).
Percepções têm os professores, directores e supervisores pedagógicos em relação a prática de
supervisão na EPC 3 de Fevereiro? O terceiro objectivo específico desta pesquisa pretendia
captar percepções dos directores, professores e supervisores sobre a supervisão pedagógica
na EPC 3 de Fevereiro. Para responder a este objectivo, foram considerados cinco aspectos
nomeadamente: a relevância da supervisão pedagógica; o relacionamento do supervisor com
o professor; as visitas inesperadas de supervisão; os professores que precisam mais do apoio
dos supervisores; o contributo da supervisão no processo de ensino e aprendizagem. Sobre a
relevância da supervisão pedagógica, recorreu-se à entrevista com os Directores da Escola e os
supervisores.
Estes respondentes iniciam as suas intervenções afirmando que a supervisão pedagógica
desempenha um papel muito importante no PEA. O director adjunto, por exemplo, afirmou
que: “Na área pedagógica há muito trabalho e é preciso ter alguém que zela pelo mesmo, que
permanentemente verificará se há algo por melhorar e tirar o professor da zona do conforto”.
Esse resultado corrobora com o que afirma Foulquié (1971) citado em Ferreira (2008) ao
afirmar que supervisão é acção de velar sobre alguma coisa ou sobre alguém a fim de
assegurar a regularidade de seu funcionamento ou de seu comportamento. Na mesma
perspectiva, a directora da escola afirma ser importante o trabalho do supervisor visto que,
não só controla, mas acompanha o trabalho do professor e do aluno, se o professor está a
seguir os métodos adequados como também ajuda a informar a direcção da escola sobre o
que acontece na sala de aula.
Os supervisores também argumentam que a supervisão pedagógica ajuda a melhorar os
aspectos pedagógicos, apoiando o PEA com vista a alcançarem-se os melhores resultados
educacionais. Essas ideias são igualmente partilhadas por MINED (2013) no Manual de Apoio à
Supervisão Escolar, quando afirma que os supervisores apoiam os professores na identificação
e busca de soluções dos problemas que de alguma forma afectam o desempenho do PEA com
vista a melhorar regularmente o sistema educativo. Estas evidências revelam que tanto os
directores como os supervisores da EPC 3 de Fevereiro reconhecem a importância que a
supervisão pedagógica desempenha no processo de ensino-aprendizagem. Mostrando a
necessidade de se investir nestes profissionais para efectivar a prática de supervisão e apoio
aos professores e colmatar os desafios que constituem entraves nas práticas de supervisão nas
escolas. Sobre o relacionamento do supervisor com o professor, recorreu-se à entrevista com
os Directores da Escola e os supervisores, e questionários dirigidos a professores. Para os
directores a relação supervisor-professor é tranquila porque sempre que a escola recebe uma
visita de supervisão eles são preparados de modo que saibam qual é o objectivo da visita. A
directora da escola disse o seguinte:
“Ninguém gosta de ser supervisionado, mas, antes de cada visita todos são preparados para
que possam perceber a importância da supervisão para o seu desenvolvimento técnico-
profissional”.
Os supervisores afirmam que a relação professor- supervisor é saudável, embora existam
alguns professores que tendem a resistir a mudanças em questões de pontualidade e
planificação, apontando a maior causa da falta de pontualidade a distância casa-escola e o
congestionamento do trânsito característico da cidade. Um dos supervisores ressalta ainda
que: “Para o trabalho na sala de aula, tentamos ser empáticos de modo que o trabalho corra
bem, não deve haver imposições e/ou grau de superioridade para se obter bons resultados na
supervisão”. Os directores em suas intervenções afirmaram que, ninguém gosta de ser
supervisionado, no caso os professores, esta pode ser, em parte, uma das causas da resistência
a mudanças apontadas pelos supervisores. Para eles, é necessário mais trabalho de
conscientização dos professores, esclarecendo a sua importância e estabelecimento de um
clima de abertura para o sucesso no desenvolvimento desta prática na escola esta opinião é
confirmada por Ferreira (2008), quando refere que para o sucesso do trabalho de
assessoramento aos professores, é imprescindível manter um clima de abertura, cordialidade,
encorajamento fortalecer o sentimento em grupo. Trabalhar com professores, propiciando
ideias, estimulando e fortalecendo as lideranças, reflexão sobre a prática, sugerindo, trazendo
contribuições, mostrando caminhos e alternativas estimulando o desenvolvimento de
experiências e seu compartilhamento com o grupo.
Segundo MINED (2003), a assistência às aulas deve ser comunicada com antecedência, ao
professor pois não se trata de uma acção inspectiva, mas sim de superação das dificuldades e
apoio com vista a melhorar o desempenho do professor na sala de aula. Alarcão (2001), afirma
que a supervisão pode ser vista como um processo enquadrador da formação, onde o
professor busca a inserção na sua careira seja ela inicial ou em exercício e tem como função
proporcionar e rendibilizar experiências diversificadas em contextos diferentes, originando
interacções, experiências e transições ecológicas que se constituem em etapas de
desenvolvimento formativo.
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[Link]/Informacao/distritos/niassa/Lichinga - cessado no dia
14/08/2014.
Descrever as vantatagens e desvantagens da Supervisão Pedagógica;
Abordar como e feita da Supervisão Pedagógica em uma dada Escola no país
Caracte
A Escola Primária Completa de Mitava (EPC) localiza-se na Zona de Influência Pedagógica (ZIP)
número quatro, no Posto Administrativo Urbano de Lulimile, na Cidade de Lichinga, com cinco
salas de aula. Segundo o relatório anual da escola (2014), no ano de 2013, possuía 286 alunos
de ambos os sexos, com um aproveitamento escolar de 220 alunos com 77%, suportados por
14 professores, destas 7 mulheres e dois funcionários não docentes, sendo um de apoio aos
serviços serventuários e o outro guarda, este último na idade de reforma. Em 2014 a escola
funcionou com 424 alunos dos quais 180 mulheres, tendo um aproveitamento global de
75.5%, sendo para mulheres de 73.9%. Segundo, Portal do Governo1 de 2011, a Cidade de
Lichinga está situada no extremo Oeste da província do Niassa, cerca de 50Km da margem
Leste do Lago Niassa, entre as coordenadas 13º,18 latitude Sul e 34º,14 longitude Leste, a uma
altitude de 1.358 metros; o que confere uma excelente posição geográfica e uma
extraordinária benignidade de clima e frescura. Tem uma área de 290 Km2 e uma população
global de 141.724 mil habitantes, segundo dados do último Recenseamento Geral da
População e Habitação de 2007. Em termos de limites, a Cidade de Lichinga é contornada
totalmente pelo Distrito de Lichinga actual Chimbunila, designadamente, a Norte pela
Localidade de Lussanhando, a Este pelos Postos administrativos de Lione e Meponda, a Sul e
Este pelo Posto Administrativo de Chimbunila.
É do ensino escolar, concretamente do ensino primário (1° e 2° ciclos, isto é, 1ª a 7ª Classe) no
qual foi usado para este trabalho de pesquisa. Actualmente (2014), a Cidade de Lichinga
apresenta um efectivo escolar de 30.759 alunos do ensino primário, destes 15.135 são
mulheres com 846 professores dos quais 576 mulheres leccionando da 1ª a 7ª classe e um
total de 33 escolas, das quais 27 públicas3 , 2 comunitárias e 4 privadas. Estas últimas foram
instituídas ao abrigo do Art. 1, do Decreto n0 11/90 e a lei 6/92, de 6 de Maio,
respectivamente, sobre a participação do sector privado no Sistema Nacional de Educação.
Inclui também as Instituições do Ensino Superior. Portanto, a Escola Primária Completa de
Mitava, faz parte das 33 escolas existentes nesta cidade, no Bairro 10 Mitava, no qual faremos
um breve historial ou descrição deste local onde se encontra a escola em referência
Conclusao
A Supervisão Pedagógica permite desenvolver capacidades, habilidades necessárias para
enfrentar e resolver com sucesso os desafios da vida escolar, na medida em que se reflecte na
qualidade do Processo de Ensino - Aprendizagem. Com isso queremos dizer que, a Supervisão
Pedagógica, faz parte do crescimento profissional, enquanto o supervisor deve ser visto como
um colaborador do Processo de Ensino - Aprendizagem, como aquele que presta apoio ao
desenvolvimento intelectual, institucional e social. Todavia, as políticas educacionais dão mais
ênfase ao processo de gestão participativa, como forma de tornar abrangente a educação de
qualidade. Daí que, é necessário o envolvimento escalonado da Supervisão Pedagógica, feito
isso poderíamos contribuir para o seguimento e controlo do Processo de Ensino -
Aprendizagem à favor do sucesso na sua qualidade e automaticamente para o
desenvolvimento do país.