Definicao de conceitos
Etica- segundo Caraputo e Fonseca (2019), é um modo de regulação dos comportamentos
que provém do indivíduo e que assenta no estabelecimento, por si próprio, de valores (que
partilha com outros) para dar sentido às suas decisões e ações.
Moral- é um conjunto de regras, valores e proibições vindos do exterior ao homem, ou seja,
impostos pela política, a religião, a filosofia, a ideologia, os costumes sociais, que impõem ao
homem que faça o bem, o justo nas suas esferas de atividade, (Caraputo & Fonseca, 2019).
Deontologia- é um conjunto de deveres, princípios e normas reguladoras dos
comportamentos exigíveis aos profissionais, ainda que nem sempre estejam codificados numa
regulamentação jurídica, (Caraputo & Fonseca, 2019).
Dever-
A ética do dever
O cristianismo: interioridade e dever
O cristianismo, portanto, passa a considerar que o ser humano é, em si mesmo e por si
mesmo, incapaz de realizar o bem e as virtudes. Tal concepção leva a introduzir uma nova
ideia na moral: a ideia do dever.
Por meio da revelação aos profetas (Antigo Testamento) e de Jesus Cristo (Novo
Testamento), Deus tornou sua vontade e sua lei manifestas aos seres humanos, definindo
eternamente o bem e o mal, a virtude e o vício, a felicidade e a infelicidade, a salvação e o
castigo. Aos humanos cabe reconhecer a vontade e a lei de Deus, cumprindo-as
obrigatoriamente, isto é, por actos de dever. Estes tornam morais um sentimento, uma
intenção, uma conduta ou uma acção.
Mesmo quando, a partir do renascimento, a filosofia moral distancia-se dos princípios
teológicos e da fundamentação religiosa da ética, a ideia do dever permanecerá como um das
marcas principais da concepção ética ocidental. Juntamente com ideia do dever, a moral
cristã introduziu uma outra, também decisiva na constituição da moralidade ocidental: a ideia
de intenção.
Até o cristianismo, a filosofia localizava a conduta ética nas acções e nas atitudes visíveis do
agente moral, ainda que tivessem como pressuposto algo que se realiza no interior do agente,
em sua vontade racional ou consciente. O dever não se refere apenas às acções visíveis, mas
também às intenções invisíveis, que passam a ser julgadas eticamente. Eis porque um cristão,
quando se confessa, obriga-se a confessar pecados cometidos por tos, palavras e intenções.
Sua alma, invisível, tem o testemunho do olhar de Deus, que a julga.
Natureza humana e dever
O cristianismo introduz a ideia do dever para resolver um problema ético, qual seja, oferecer
um caminho seguro para nossa vontade, que, sendo livre, mas fraca, sente-se dividida entre o
bem e o mal. No entanto, essa ideia cria um problema novo. Se a ética exige um sujeito
autónomo, a ideia de dever não introduziria a heteronomia, isto é, o domínio da nossa
vontade e de nossa consciência por um poder estranho a nós?
Um dos filósofos que procuraram resolver essa dificuldade foi Rousseau, no século XVIII.
Para Rousseau, a consciência moral e o sentimento do dever são inatos, são ``a voz da
natureza ´´ e o ``dedo de Deus´´ em nossos corações. Nascemos puros e bons, dotados de
generosidade e de benevolência para com os outros. Se o dever parece ser uma imposição e
uma obrigação externa, imposta por Deus aos humanos, é porque nossa bondade natural foi
pervertida pela sociedade, quando esta criou a propriedade privada e os interesses privados,
tornando-nos egoístas, mentirosos e destrutivos. O dever simplesmente nos força a recordar
nossa natureza originária e, portanto, só em aparência é imposição exposição. Obedecendo ao
dever, estamos obedecendo a nós mesmos, aos nossos sentimentos e às nossas emoções e não
à nossa razão, pois esta é responsável pela sociedade egoísta e perversa.
No final do século XVIII, Kant, trouxe também a sua reposta, opondo-se à ``moral do
coração´´ de Rousseau, afirmando o papel da razão na ética. Não existe bondade natural.
Afirma Kant que, por natureza somos egoístas, ambiciosos, destrutivos, agressivos, cruéis,
ávidos de prazeres que nunca nos saciam e pelos quais matamos, mentimos, roubamos. É
justamente por isso que precisamos do dever para nos tornarmos seres morais.
A exposição de Kant parte de duas distinções a saber: a distinção entre razão pura teórica ou
especulativa e razão pura pratica; e, a distinção entre acção por casualidade ou necessidade e
acção por finalidade ou liberdade.
A diferença entre razão teórica e prática encontra-se em seus objectos. A razão teórica ou
especulativa tem como matéria a realidade exterior à nós, um sistema de objectos que opera
segundo leis necessárias de causa e efeito, independentes de nossa intervenção; a razão
prática não contempla uma causalidade externa necessária, mas cria sua própria realidade, na
qual se exerce.
Por dever, damos a nós mesmos os valores, os fins e as leis de nossa acção moral e por isso
somos autónomos. Kant salienta que não somos seres morais apenas, também somos seres
naturais, submetidos à casualidade necessária da natureza. Nosso corpo e nossa psique são
feitos de apetites, impulsos, desejos e paixões. Nossos sentimentos, nossas emoções e nossos
comportamentos são a parte da natureza em nós, exercendo domínio sobre nós, submetendo-
se à casualidade natural inexorável. Quem se submete a eles não pode possuir a autonomia
ética. A natureza nos impele a agir por interesse.
Visto que apetites, impulsos, desejos, tendências, comportamentos naturais costumam ser
muito mais forte do que a razão, a razão pratica e a verdadeira liberdade precisam dobrar
nossa parte natural e impor-nos nosso ser moral. Elas o fazem obrigando-nos a passar nas
motivações do interesse para o dever. Para sermos livres, precisamos ser obrigados pelo
dever de sermos livres. O dever revela nossa verdadeira natureza, não se apresenta através de
um conjunto de conteúdos fixos, que definiriam a essência de cada virtude e diriam que tos
deveriam ser praticados e evitados em cada circunstância de nossas vidas. O dever não é um
catálogo de virtudes nem uma lista de ``faça isto´´ e ``não faça aquilo´´. O dever é uma
forma que deve valer para toda e qualquer acção moral.
Kant deduz três máximas morais que exprimem a incondicionalidade dos tos realizados por
dever. São elas:
a) Age como se a máxima de tua acção devesse ser erigida por sua vontade em lei
universal da natureza, ou seja, aquilo que todo e qualquer ser humano racional deve
fazer como se fosse um lei inquestionável, válida para todos e em todo tempo e lugar;
b) Age de tal maneira que trates a humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoa do
outrem, sempre como um fim e nunca como um meio, ou seja, é afirmada a dignidade
dos seres humanos como pessoas e, portanto, a exigência de que sejam tratados como
fim da acção e jamais como instrumento para nossos interesses;
c) Age como se a máxima de tua acção devesse servir de lei universal para todos os seres
racionais, ou seja, a vontade que age por dever institui um reino humano de seres
morais porque racionais e, portanto, dotados de uma vontade legisladora livre ou
autónoma.
As máximas deixam clara a interiorização do dever, pois este nasce da razão e da vontade
legisladora universal do agente moral. O acordo entre vontade e dever é que Kant designa
como vontade boa que quer o bem. O motivo moral da vontade boa é agir por dever. O
móvel moral da vontade boa é o respeito pelo dever, produzido em nós pela razão.
Obediência à lei moral, respeito pelo dever e pelos outros constituem a bondade da vontade
ética.
O imperativo categórico não nos diz para sermos honestos, oferecendo-nos a essência da
honestidade; nem para sermos justos, verazes, generosos ou corajosos a partir da definição da
essência da justiça, da verdade, da generosidade ou da coragem. Não nos diz para praticarmos
esta ou aquela acção determinada, mas nos diz para sermos éticos cumprindo o dever (as três
máximas morais). As respostas de Rousseau e Kant, procuram resolver a mesma dificuldade,
qual seja, explicar por que o dever e liberdade da consciência moral são inseparáveis e
compatíveis. A solução de ambos consiste em colocar o dever em nosso interior, desfazendo
a impressão de que ele nos seria importo de fora por uma vontade estranha à nossa.
Proposicoes do dever moral
A finalidade das proposicoes tratados por Kant na primeira seccao da fundamentacao da
metafisica dos costumes ee fundamentar o valor da boa vontade, do questionando se de facto
o ser humano foi dotado de razão somente para satisfazer os “ caprichos” da natureza ou com
outros propositos.
A primeira proposicao diz respeito aa diferença entre as accoes que são praticadas por dever
e das accoes praticadas em conformidade ao dever.
A segunda proposicao diz que “uma accao praticada por dever tem o seu valor moral, não no
proposito que com ela se quer atingir, mas na maxima que a determina”. O valor moral não
estaa no proposito da finalidade da accao mas sim no acto realizado por dever, articulado a
uma maxima, cujo efeito ee que daa a devida caracterizacao como uma accao como valor
moral.
A terceira e ultimaa proposicao, afirma que o dver ee a necessidade de uma accao aa lei. Este
respeito não ee devido ao objecto da accao o qual pode ser responsavel para a accao, mas
acima de tudo estaa no respeito aa lei moral, já que este respeito que constitui a actividade da
vontade.