Certo dia houve uma trombada entre duas abelhas, uma era linda, forte e
carregava um potinho lotado de néctar que acabara de retirar de uma flor, a
outra estava feia, maltratada e fraca. A abelha forte pediu desculpa pela
trombada e perguntou como ela estava, a fraca, por sua vez, repondeu que
não estava nada bem, começou a dizer indignada, a confusão que ocorria em
sua colméia: A minha colméia está horrível, anda numa interminável guerra
interna!Mas por que isso está acontecendo? A guerra é porque há uma abelha
que chamam de rainha, ela delega trabalho a todos; alguns vivem só para
procriar, outras para cuidar dos ovos, outras ficam paradas na entrada dizendo
que protegem a colméia, e a maior parte se mata de trabalhar indo de flor em
flor buscar comida para todas as outras, que não fazem quase nada, além de
comer, isso está errado!
Todos têm que fazer de tudo um pouco; por que umas fazem o serviço mais
pesado e as outras ficam na moleza?
Por que vocês vivem em sociedade, e por viverem dessa forma cada um tem
que fazer a sua parte! Vai dizer que sua colméia é igual a minha?
Lógico que é, lá nós temos uma rainha maravilhosa, que dá diversos dons a
cada uma das abelhas; umas vivem para procriar e cuidar dos ovos, e com isso
nunca vêem a beleza que é o sol e a natureza, outras ficam na porta da
colméia, nos defendendo, arriscando a própria vida para salvar a colméia e
outras, como eu, trabalham duro, carregando pesados potes de polens. Mas
em compensação sentimos os deliciosos cheiros das flores; lá na minha
colméia ninguém é melhor ou pior que ninguém porque todo mundo faz o que
sabe e o que gosta e sendo assim, consegue ver o lado bom do trabalhos e
esquecer o lado ruim.
A abelha fraca não entendeu o que a outra disse, continuava achando injusto a
forma de divisão de trabalho; terminaram a conversa e cada uma tomou seu
rumo.
A colméia da abelha forte hoje é a maior da floresta, vivem em paz e harmonia,
cada uma fazendo a sua parte para que a colméia continue crescendo.
Já a da abelha fraca foi destruída, mas não pelos bichos que as atacaram, e sim
pelo egoísmo, pela ganância e por se sentirem superiores umas às outras.