Universidade Católica de Moçambique
Instituto de Educação à Distância
Figuras Monolineares e Traçado de Esteiras Rectangulares
Sonjolim Maurício – 708220859
Curso: Licenciatura em ensino de Matemática
Disciplina: Matemática na História e Etnomatemática
Ano de frequência: 3º
Tutor: Ananias Pontavida
Nampula, Abril de 2024
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Índice 0.5
Aspectos
Estrutura organizaciona Introdução 0.5
is Discussão 0.5
Conclusão 0.5
Bibliografia 0.5
Contextualização
(Indicação clara do 1.0
problema)
Introdução
Descrição dos objectivos 1.0
Metodologia adequada ao
2.0
objecto do trabalho
Articulação e domínio do
Conteúdo discurso académico
2.0
(expressão escrita cuidada,
Análise e coerência / coesão textual)
discussão Revisão bibliográfica
nacional e internacional 2.0
relevante na área de estudo
Exploração dos dados 2.0
Contributos teóricos
Conclusão 2.0
práticos
Paginação, tipo e tamanho
Aspectos
Formatação de letra, paragrafo, 1.0
gerais
espaçamento entre linhas
Rigor e coerência das
Normas APA
Referências citações/referências
6ª edição em
Bibliográfi bibliográficas 4.0
citações e
cas
bibliografia
Folha para recomendações de melhoria: a ser preenchida pelo tutor
Índice
Introdução ........................................................................................................................................ 1
1. Simetria e Monolinearidade dos Lusonas .................................................................................... 2
2. A galinha-do-mato fugitiva .......................................................................................................... 3
3. Definição de traçado de Esteiras rectangulares ........................................................................... 6
4. Traçado de Esteiras rectangulares................................................................................................ 7
5. Etnomatemática no quotidiano da Escola .................................................................................... 8
6. Aproveitamento didáctico do desenho das esteiras rectangulares ............................................. 10
Conclusão ...................................................................................................................................... 12
Referencias Biblioteca. .................................................................................................................. 13
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Introdução
O presente trabalho emerge na disciplina de Matemática na História e Etnomatemática, tendo
como tema: Figuras Monolineares e Traçado de Esteiras Rectangulares. Na contextualização
deste trabalho foram expostos, os seguintes subtemas: Simetria e Monolinearidade dos Lusonas;
A galinha-do-mato fugitiva; Definição de traçado de Esteiras rectangulares; Traçado de Esteiras
rectangulares; A Etnomatemática no quotidiano da Escola; Aproveitamento didáctico do desenho
das esteiras rectangulares. Consideramos neste trabalho como objectivo geral: Compreender
Figuras Monolineares e Traçado de Esteiras Rectangulares. Quanto a metodologia utilizada foi a
pesquisa bibliográfica, com a estruturação do trabalho contendo capa, contracapa, índice,
introdução, objectivo, desenvolvimento, metodologia, conclusão e referências bibliográficas
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1. Simetria e Monolinearidade dos Lusonas
Uma das características de alguns desenhos lusonas é que as suas linhas se podem desenhar sem
levantar o dedo (1- linear) e dizem-se Monolineares.
Este lusona é um exemplo 1 concreto:
Exemplo 2: desenha-se levantando o dedo uma vez, isto é, é composto por duas linhas (2-linear),
os chamados polineares.
O apelo estético destas criações é consequência também da sua simetria. A maioria dos Sona
apresentam pelo menos um tipo de simetria.
Os povos “Akwa kuta” conheciam uma série completa de regras de construção de padrões
monolineares e simétricos. Conforme as regras de construção de padrões monolineares,
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as figuras a seguir mostram uma das regras no caso da composição de um padrão monolinear a
partir de dois sonas parcialmente sobrepostos.
Os exemplos a seguir mostra-nos uma outra regra de construção de três e dois sona monolineares.
Eles são semelhantes um ao outro, cada um apresenta um desenho básico na forma triangular.
Portanto, o desenho inicia com o modelo triangular até a transformação para o modelo
monolinear com ajuda de um laço.
2. A galinha-do-mato fugitiva
Os sona podem ser classificados de acordo com o tipo de algoritmo geométrico usado para os
desenhar. por exemplo, a rede (9,10) da figura abaixo mostra o algoritmo usado para o desenho
das marcas deixadas no chão por uma galinha perseguida.
Rede (9,10)
De acordo com este algoritmo, a galinha do mato é considerada fugitiva quando todos os pontos
da rede tiver a fronteiras de uma única linha fechada, caso contrário a galinha é dita não fugitiva.
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De uma forma geral, a galinha do mato diz-se fugitiva da rede (t,k) se satisfaz as seguintes
condições:
1. 𝑡 𝑒 𝑘 ∈ 𝑁
2. 𝑡 ∈ *𝑛ú𝑚𝑒𝑟𝑜𝑠 í𝑚𝑝𝑎𝑟𝑒𝑠+
3. 𝑘 ∈ *𝑛ú𝑚𝑒𝑟𝑜𝑠 𝑝𝑎𝑟𝑒𝑠+
4. 𝑡 ≥ 3 ∧ 𝑘 > 𝑡
5. 𝑚. 𝑑. 𝑐(𝑡, 𝑘) = 1
6. 𝑡 𝑒 𝑘 𝑠ã𝑜 𝑛ú𝑚𝑒𝑟𝑜𝑠 𝑐𝑜𝑛𝑠𝑒𝑐𝑢𝑡𝑖𝑣𝑜
Observe que a rede (9,10) acima satisfaz as condições mencionadas, daí que a galinha pode ser
considerada fugitiva na rede. Verifique se nas seguintes redes a galinha do mato foge.
Rede (3,4)
Rede (7,8)
Ora, nas redes (3,4) e (7, 8) os valores de t e k são consecutivos e observam as condições
impostas no algoritmo da galinha fugitiva. Então, pode-se dizer que a galinha do mato foge em
ambos os casos.
Gerdes (2014,p. 99) propõe um algoritmo para a construção de linhas do tipo galo em fuga:
Passo1: Uma linha do tipo “galo-em-fuga” arranca ligeiramente acima de um dos pontos,
numerados de par (segundo, quarto, sexto, etc.), da primeira fila. O referido número par tem de
ser diferente de 2𝑛. Vira se, para a direita, em torno desse ponto e, em seguida, desce-se
verticalmente em ziguezague, como mostra a Figura.
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Se o número par for igual a 2𝑛, então avança-se com o Passo 7.
Passo 2: Quando a linha chega à última fila, vira para a direita à volta do ponto mais próximo e
sobe fazendo um ângulo de 45º com as filas e colunas, até chegar à primeira fila ou à última
coluna.
Passo 3: Quando a linha chega à primeira fila, vira para a direita à volta do ponto mais próximo.
Se este ponto é o mesmo que aquele acima do qual a linha arrancou, então para-se; um caminho
do tipo “galo-em fuga”foi completado. Se o ponto não é nem o mesmo que o ponto de arranque
nem o último ponto da fila, repete-se o passo 1. Se é o último ponto da fila, então avança-se com
o Passo 7.
Passo 4: Quando a linha chega à última coluna, vira, para cima, à volta do ponto mais próximo e
avança em seguida, horizontalmente, da direita para a esquerda, em ziguezague.
Passo 5: Quando a linha chega à primeira coluna, vira, se possível, para cima, à volta do ponto
mais próximo, e, em seguida, sobe para a direita fazendo um ângulo de 45° com as filas e
colunas.
Passo6: Se não é possível virar para cima, a linha vira para a esquerda e para baixo à volta do
ponto mais próximo, isto é, do primeiro ponto da primeira coluna, e, em seguida, desce em
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ziguezague para o último ponto da primeira coluna, vira em torno deste ponto e sobe para a
direita, fazendo um ângulo de 45° com as filas e colunas.
Passo 7:Quando a linha chega ao último ponto da primeira fila, vira à volta dele e desce ao longo
da última coluna em ziguezague; vira à volta do último ponto desta coluna e continua
horizontalmente para a esquerda em ziguezague.
Teorema:
Para abraçar todos os pontos duma rede de referência de dimensões 𝟐𝒎 + 𝟏 × 𝟐𝒎 precisa-se de
𝒎 + 𝟏 linhas do tipo “galo em-fuga”, ou seja, 𝒇 (𝟐𝒎 + 𝟏, 𝟐𝒎) = 𝒎 + 𝒍.
3. Definição de traçado de Esteiras rectangulares
Esteiras rectangulares são figuras com características de uma figura geométrica plana chamada
rectângulo. Elas podem ser monolineares ou polineares. Quase muitas figuras descritas nas
unidades anteriores são de forma rectangular. Por exemplo, as redes (3,4); (2,4) e (3,5) abaixo
representam figuras com as características rectangulares:
A elas chamamos de Esteiras rectangulares.
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4. Traçado de Esteiras rectangulares
O investigador Etnomatemático Paulus Gerdes desenvolveu um conceito para entender o
procedimento:
1º Passo: Partindo da primeira figura, percebam que se trata de uma rede trançada composta de m
linhas e n colunas.
2º Passo: Colocamos ao redor da figura uma caixa.
3º Passo: Se removermos o traço, teremos somente os pontos. Consideramos como se
estivéssemos olhando para uma caixa com pregos, vista de cima.
4º Passo: Agora a ideia é imaginar que se emite um feixe de luz vermelho em um ângulo de 45º a
partir do lado, directamente abaixo do ponto inferior esquerdo.
5º Passo: Este feixe de luz, saltará de todos os lados em ângulos de 45 °, seguindo um caminho
que define a forma como uma versão rectangular da rede trançada.
Exemplo:
Como desenvolver o traço para realizar a rede (ou malha (3,4)) sem tirar o dedo do chão?
Resposta: Temos aqui uma rede trançada composta por 3 linhas e 4 colunas. Vamos coloca-la
numa caixa, obtendo:
O passo a seguir é remover o traço, obtendo apenas um conjunto de pontos isolados como ilustra
a figura:
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E agora emitimos feixe de luz passando por todos os lados em ângulos de 45º , seguindo um
caminho que define a forma como uma versão rectangular da rede trançada (figura 5).
Entretanto, existem malhas que não é possível envolver todos os pontos dentro do único traço a
que chamamos de casos particulares.
Exemplo:
Quantos traços fechados serão necessários quando houver uma malha trançada com 3 linhas e 5
colunas? E se for uma malha de 3 x 6?
Resposta:
Ora vejamos as figuras das malhas mencionadas no Exemplo:
A malha 3x5 exigirá apenas um traço, uma vez que 1 é o único número que divide o número 3 e
5. No entanto, a malha 3x6 terá 3 traços, uma vez que 3 é o maior divisor comum de 3 e 6.
𝑁(3,5) = 1 𝑒 𝑁(3,6) = 3.
5. Etnomatemática no quotidiano da Escola
“A disciplina denominada matemática é, na verdade, uma Etnomatemática que se originou e se
desenvolveu na Europa mediterrânea, tendo recebido algumas contribuições das civilizações
indiana e islâmica, e que chegou à forma actual nos séculos XVI e XVII, sendo, a partir de então,
levada e imposta a todo o mundo. Hoje, essa matemática adquire um carácter de universalidade,
sobretudo devido ao predomínio da ciência e tecnologia modernas, que foram desenvolvidas a
partir do século XVII na Europa.” (D‟Ambrosio, 2008, p.7).
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Suas influências mútuas que criaram a matemática, tal como a conhecemos hoje, revestida de um
carácter universal e materializada nos currículos de nossas escolas.
O etnomatemático Paulus Gerdes na sua obra “ Da etnomatemática e arte-design e matrizes
cíclicas, 2010.” Apresenta um exemplo da consciencialização cultural ao longo da formação dos
professores de Matemática. Ora, Gerdes solicita aos estudantes de diferentes regiões do país que
expliquem como na sua região se constroem, por exemplo, as bases rectangulares das casas
tradicionais.
Um dos métodos de construção das bases rectangulares que os estudantes apresentaram é o
seguinte:
Primeiro Começa-se por estender no chão dois paus longos de bambu. Ambos os paus têm o
comprimento igual ao comprimento desejado para a casa:
Estes dois primeiros paus são então combinados com dois outros paus, também de igual
comprimento, mas normalmente menores que os primeiros:
Em seguida, movimentam-se os paus para formar um quadrilátero fechado:
Por último, ajusta-se a figura até que as diagonais – medidas com uma corda – fiquem com igual
comprimento. Onde ficam os paus estendidos no chão são então desenhadas linhas e a construção
da casa pode começar.
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Será possível formular o conhecimento geométrico implícito nesta e noutras técnicas de
construção em termos de um axioma? Que axioma do rectângulo?
Isto é, se AD = BC, AB = DC e AC = BD, então ∠A, ∠B, ∠C, e ∠D são ângulos rectos. Por
outras palavras, um paralelogramo com diagonais iguais é um rectângulo. Deste modo, cresce ou
amadurece uma consciência de que ideias matemáticas não são alheias às culturas africanas.
6. Aproveitamento didáctico do desenho das esteiras rectangulares
De acordo com Gerdes. (Observe que a partir das esteiras rectangulares pode-se provar que a
soma dos primeiros n termos de números naturais é igual a:
𝑛(𝑛 − 1)
1 + 2 + 3 + 4 + 5+. . . +(𝑛 − 1) + 𝑛 = ,𝑛 ∈ 𝑁
2
Ora vejamos. Consideremos as diagonais das malhas (3,4); (4,5) e
(5,6):
Na primeira diagonal tem um ponto. Na segunda dois e na terceira três; em seguida a diagonal
apresenta três, dois e um ponto respectivamente. Vamos calcular:
1 ×2 ×3× 3 ×2 ×1 ×3× 4=3×4
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2(1 + 2 + 3) = 3 × 4
3×4
1+2+3=
2
Na segunda malha (4,5) temos que:
1+2+3+ 4+ 5+ 5+4+3+2+1+ 5× 6
2(1 + 2 + 3 + 4 + 5) = 5 × 6
6
1+2+3+4+5= 5 ×
2
E assim pode-se concluir através de uma indução matemática que soma dos primeiros n termos
de números naturais é igual a
𝑛(𝑛 − 1)
1+2+3+4+5= ,𝑛 ∈ 𝑁
2
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Conclusão
Depois da realização deste trabalho concluímos que a etnomatemática busca assimilar no ensino
da matemática todos os espaços socioculturais ao qual o sujeito está inserido, valorizando sua
historicidade e construindo a partir dessa compreensão, significado em torno do processo de
ensino-aprendizagem, desmistificando o mito da matemática difícil e compreendendo o sujeito
em sua singularidade. E foi constando que é de extrema importância sugerir aos futuros
professores, ao descobrir o potencial tanto didáctico como matemático de uma tradição como a
dos sona, pertencente à herança cultural de África, ganham em confiança não só nas suas
capacidades individuais e colectivas de inventar e de compreender Matemática, como também
nas potencialidades da cultura africana em geral. Por outras palavras, estimula-se, desta maneira,
a consciência cultural no seio dos (futuros) professores de Matemática, satisfazendo assim uma
das condições necessárias para a educação matemática se tornar orientada-pela-cultura.
13
Referencias Biblioteca
D’ambrósio, U. (2008). Sociedade, cultura, matemática e seu destino. Revista Educação e
Pesquisa, São Paulo.
Gerdes, P. (2014). Etnomatemática: Cultura, Matemática, Educação, ISP, Maputo – Moçambique
Maundera, G. J. (2010). Matemática na História e Etnomatemática, Manual (Módulo) do curso de
licenciatura em ensino de Matemática da UCM-CED, Beira,