100% acharam este documento útil (4 votos)
563 visualizações103 páginas

Abiku e Egbé: Entendendo Conceitos

Este documento discute o fenômeno abiku na cultura iorubá, que se refere a crianças nascidas para morrer prematuramente. Aborda os conceitos de abiku ativo e passivo, egbé (sociedade espiritual) e momentos críticos na vida de um abiku. Também resume um mito abiku sobre um homem que ouve o pacto de seu filho ainda no útero com seu egbé no orun.

Enviado por

nbgrxykc6j
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
100% acharam este documento útil (4 votos)
563 visualizações103 páginas

Abiku e Egbé: Entendendo Conceitos

Este documento discute o fenômeno abiku na cultura iorubá, que se refere a crianças nascidas para morrer prematuramente. Aborda os conceitos de abiku ativo e passivo, egbé (sociedade espiritual) e momentos críticos na vida de um abiku. Também resume um mito abiku sobre um homem que ouve o pacto de seu filho ainda no útero com seu egbé no orun.

Enviado por

nbgrxykc6j
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

APOSTILA COMPLETA ABIKU EGBE

O Que é Abiku
Abiku e Egbé estão entre os temas que mais
interessam iniciados e não iniciados nos
orixás. Mesmo quem desconhece Egbé já
ouviu falar de abiku. Na língua iorubá a
palavra àbíkú é composta pelos verbos bi
(nascer) e kú (morrer) e significa “nascido
para morrer”. Esse termo designa as
condições biológicas que permitem um
nascimento repleto de mistérios ligados às
condições físicas, mentais, emocionais e
espirituais do abiku e à forma como viverá.
Como todos nascem para morrer, pode-se
dizer que são abiku. Entretanto, existem
graus diferentes da manifestação do
fenômeno abiku na vida de cada um.
O Que é Egbé
O termo Ẹgbẹ́ significa sociedade,
comunidade, grupo, associação,
fraternidade, círculo de amigos e companhia,
entre outros. Designa também um orixá que
remete às sociedades a que pertencemos na
terra e no plano espiritual. A sociedade
espiritual que integramos nos ajuda a vencer
as condições físicas, mentais, emocionais,
espirituais e materiais e a solucionar os
pontos que nós não precisamos na vida, mas
fazem parte da nossa existência desde o
nascimento.
O Que é Emere
Segundo narrativas mitológicas os emèré,
uma ramificação dos abiku, nascem com
poderes sobrenaturais e realizam ações
excepcionais, como estabelecer diálogo
entre o mundo material ou visível e o mundo
espiritual ou invisível e de teletransportar os
próprios corpos. Pode-se dizer que o emere é
um “abiku potencializado”.
Egbé Aiê e Egbé Orun
Ẹgbẹ́ Aiyé é o Egbé, a sociedade, à qual o ser
humano pertence no planeta terra, o seu
mundo. Ẹ gbẹ́ Ọrun é a sociedade dos amigos
espirituais que habitam no além. Os planos
material e espiritual caminham em paralelo.
É como se um corpo no Egbé Aiê tivesse a
sua sombra no Ẹgbẹ́ Ọrun: não há como
separá-los e o reflexo do corpo que a sombra
projeta equivale à relação do ser humano
com seu Egbé no orun.
Há dois tipos de abiku: o àbíkú-ọmọdé, que
morre ainda na infância, e o àbíkú-àgbà, que
morre jovem ou adulto.
O Ori do Abiku
AsclassificaçõesdeabikuserelacionamaoOri(O
rí,orixápessoal,origem, predestinação). O
abiku, como qualquer ser humano, tem o seu
Ori, que vem ao mundo predestinado com o
pacto que ele firmou com o seu Egbé no orun
antes de nascer. O orí inú (essência do Ori,
responsável pela predestinação pessoal e
pelo caráter de cada um) do abiku ativo é
muito diferente do orí inú do abiku não ativo
em termos de caráter, temperamento e
personalidade. O Ori é o responsável por
tudo o que ocorre na vida, conforme diz uma
cantiga de bori:
Vou venerar o meu Ori, porque o meu Ori é o
provedor e será eternamente o provedor de
tudo de bom na minha vida.
Abiku Ativo: Comportamento de Risco
O abiku ativo apresenta inúmeras
deficiências. As condições da sua concepção
incluem a demora para a mãe ficar grávida e
os sucessivos abortos espontâneos ou
induzidos que ela sofre antes de finalmente
conseguir manter uma gravidez até o final. O
abiku ativo não quer viver, não se sente um
cidadão pertencente ao planeta e deseja ir
embora. Quando ele insiste em ficar, ou
insistimos que fique, sem tratá-lo
adequadamente, ele desenvolve tendências
presentes em sua genética emocional e
espiritual.
Abiku Passivo: Bomba Relógio
Os devotos dos orixás podem lutar para
quebrar o pacto com o abiku ativo, que leva
à morte prematura. Mas há também o abiku
passivo, que é como uma bomba relógio:
nunca se sabe quando ele vai explodir e isto
pode ocorrer com 40, 90 ou 100 anos de
idade. Ele pode não dar tanto trabalho
quanto o abiku ativo e enfrentará um
sofrimento menor durante a sua vida, mas a
morte o alcançará também: a questão é
quando e como.
Abiku: Desafio às Leis da Vida
O ser humano, pelo seu instinto natural,
carrega em seu Ori a capacidade de discernir
a dor, o sofrimento, o risco, o perigo e o
limite entre a vida e a morte, mas aqueles
que vão além do considerado razoável são
abiku ativos. É importante nos perguntarmos
se nós e aqueles que nos cercam temos
respeito por nossos limites. O abiku ativo
desafia as leis da vida e da morte. A
adrenalina, a excitação, o prazer e a alegria
dele o levam cada vez mais ao perigo e,
consequentemente, à morte.
O fenômeno abiku se inicia na concepção da
criança, quando o pacto com o seu Egbé no
orun já foi assumido. Esse pacto tem efeito
em vários momentos da gravidez e da vida
do abiku, determina quanto tempo ele
permanecerá na terra, o momento da sua
morte, as doenças que ele terá, o seu talento
e as suas virtudes e fraquezas.
Idades e Momentos Críticos na Vida do Abiku
O tempo de vida do abiku tem dois aspectos.
Em primeiro lugar, quando há algum
acontecimento fundamental, como o
nascimento, a ida à escola, o casamento, um
aniversário, a formatura na faculdade, o
nascimento de um filho ou a comemoração
de uma conquista relevante, pode ocorrer a
sua morte prematura. É por isso que algumas
pessoas têm acidentes fatais, contraem
doenças mortais ou sofrem outras
experiências terríveis em momentos
importantes.
Em segundo lugar, o abiku dispõe de uma
relação especial com a sua idade cronológica,
com fases relacionadas a datas ímpares,
como 3, 7, 11, 13, 17 ou 21 anos, por
exemplo. Combinações com os números 3 e
7 são particularmente perigosas, indicando
épocas de maior perigo na vida do abiku
mais ativo. Intervalos de 3 em 3 anos ou de 7
em 7 anos potencializam o risco de certas
ocorrências, predeterminadas em sua carga
genético-espiritual.
Mito Abiku
Umìtàn(itan,narrativamítica)dooduÌrẹtẹ̀ -
Ogbènarraquedoisamigos,AkóògùnAiyé e
Akóògùn Ọs run, enfrentavam dificuldades
relacionadas ao fenômeno abiku, pois as
esposas deles engravidavam e abortavam, e
às vezes uma criança chegava a nascer, mas
morria.
Cansados da situação, os dois resolveram
consultar os seus respectivos sacerdotes.
Akóògùn Aiyé consultou Orunmilá para saber
o que ele podia fazer para acabar com a
incidência de abiku nas gestações da sua
esposa. Na consulta a Ifá apareceu o Odù
Ìrẹtẹ̀ -Ogbè, que disse:
“Você precisa fazer um ebó e depois uma
oferenda para Exu. Exu se tornará o seu
guardião e o seu mentor e vai lhe ensinar
tudo a respeito do fenômeno abiku,
incluindo o modo como você deve se
posicionar. Depois disso a sua esposa não vai
mais perder os filhos durante a gravidez ou
depois do nascimento”.
Akóògùn Aiyé voltou para casa. Passado
algum tempo a sua esposa engravidou
novamente e ele foi fazer o ebó. Ao terminar
o ebó Orunmilá disse para ele o seguinte:
“Antes de o seu filho nascer, você vai
conversar com Exu e Exu vai orientá-lo sobre
tudo o que você precisa fazer”.
Depois do ebó e da oferenda ele foi falar
com Exu a respeito de sua preocupação, pois
a sua esposa já tinha perdido mais de 7 filhos
entre abortos e mortes de crianças; Exu
então orientou Akóògùn Aiyé da seguinte
maneira:
“Quando faltarem algumas semanas para seu
o filho nascer venha me procurar, pois
naquela data o seu filho, que está no útero
da mãe dele, estará fazendo o pacto sobre
como será a vida dele depois de nascer. Será
neste momento que você aprenderá a lidar
com o abiku e conhecerá todas as
informações a respeito da vida que ele viverá
na Terra”.
No dia mais propício Akóògùn Aiyé procurou
Exu novamente, fez algumas oferendas e Exu
o convidou para acompanhá-lo. Ao chegarem
em determinado local Exu falou:
“Hoje o seu filho fará pacto com os amigos
dele no orun, comunicando à sua
comunidade espiritual a trajetória dele no
aiê, quanto tempo ele vai permanecer aqui e
quais são as circunstâncias favoráveis e
desfavoráveis para a vida dele. Depois ele
deixará os seus amigos no plano espiritual e
virá encarnar aqui na terra”.
Exu orientou Akóògùn Aiyé a prestar atenção
e os dois passaram a ouvir várias crianças
fazendo pactos com Egbé no orun. Alguns
diziam que ficariam doentes, outros falavam
em vícios e outros falavam em violência.
Cada uma das crianças que estavam para
nascer fazia um pacto dizendo o que
realizaria na terra e o sofrimento que teria.
Naquele momento todo o sofrimento
descrito por elas parecia muito excitante
porque facilitaria as suas voltas para o
reencontro com seus amigos no orun.
Chegou enfim a vez de o filho de Akóògùn
Aiyé, cujo corpo já estava no útero da mãe,
falar. Akóògùn Aiyé ouviu seu filho jurando
aos amigos que quando chegasse à terra ele
não demoraria para voltar, pois considerava
o orun um lugar alegre e recebera a notícia
de que o aiê não seria tão divertido assim.
No entanto, mesmo querendo voltar logo
para se juntar aos seus amigos novamente, o
filho de Akóògùn Aiyé disse que, se a sua
mãe fosse inteligente e zelosa e soubesse
cuidar do menino e lhe dar alegria, ele
poderia continuar na terra, manifestando
consciência de que cumpriria o pacto se não
houvesse uma intervenção.
Enquanto o filho estava falando Exu
recomendou a Akóògùn Aiyé que prestasse
atenção. Os amigos de seu filho perguntaram
ao menino:
“Mas afinal de contas, como é que você quer
que a sua mãe cuide de você? Que cuidado
você quer de tão especial para você não
querer voltar para ficar mais com a gente se
ela te cuidar bem?”.
O menino então respondeu:
“Eu vou exigir algo que ela não vai nem
imaginar fazer. Se quando eu nascer a minha
mãe tocar uma garrafa de bebida na minha
testa, pedir para eu ser longevo e jogar uma
parte da bebida na terra, servindo o restante
aos presentes, eu ficarei com ela na terra e
não voltarei mais no dia em que eu nascer.
Se a minha mãe fizer àkàrà (acarajé) e
oferecer para todas as pessoas do local onde
ela mora eu também vou ficar com ela”.
Exu disse para Akóògùn Aiyé escutar o pacto
que o filho dele estava fazendo. Os
amigos do menino no orun falaram para ele:
“Você está certo, não há como a sua mãe
saber disso. Você vai até lá, ela não vai lhe
cuidar como você precisa ou quer ser
cuidado e você pode vir se juntar a nós
depois disso”.
Exu e Akóògùn Aiyé ouviram atentamente os
amigos celebrando este pacto e depois
foram embora. Quando os dois estavam indo
embora Exu disse:
“Akóògùn Aiyé, você ouviu o pacto que o seu
filho fez. Assim que o seu filho nascer você
fará tudo aquilo que ele pediu para si”.
Quando a criança nasceu os pais dela
pegaram uma garrafa de bebida, a
encostaram em sua testa e falaram que a
bebida era para que a criança vivesse com
eles no aiê, ao invés de ir se juntar aos seus
amigos no orun. Depois jogaram parte da
bebida na terra, para que o menino não
fosse enterrado, e deram o restante para as
pessoas beberem.
Enquanto os pais distribuíam a bebida eles
preparavam o acarajé, que serviram a todos
repetindo para o menino que se tratava de
uma oferenda para o Egbé dele na terra e o
incentivando a permanecer no Aiê. O pai e a
mãe do menino romperam o pacto firmado
por ele ao fazerem o ritual, que funcionou
como o pagamento de uma dívida que o
obrigaria a voltar ao orun para ficar com seus
amigos.
Todos os seres humanos nascem com
compromissos com seus amigos no orun e a
morte, seja esta em idade prematura ou
avançada, é uma volta para cumprir o acordo
pré-estabelecido. A devoção a Egbé permite
romper temporariamente o pacto feito no
além, tendo-se mais sobrevida na terra. O
abiku traz a possibilidade de morte
prematura, mas Egbé traz a possibilidade de
prolongar a permanência do ser humano no
aiê. Foi desta forma que Akóògùn Aiyé
conseguiu fazer o seu filho finalmente vingar
no aiê e não morrer na data pré-
estabelecida. É isto que se aprende na
narrativa mítica.
Pode-se identificar um abiku pela gestação
da mãe, por meio da orientação oracular e
pela observação das características de
alguém durante a sua vida. Quando há
doenças ou complicações em uma gestação,
sobretudo quando as vidas da mãe, da
criança ou de ambos estão em risco, isto é
um indício de abiku. Há mulheres que,
quando grávidas, desenvolvem diabetes,
pressão alta e outras enfermidades de risco.
Do ponto de vista espiritual, a primeira
condição para que a criança nasça é que a
sua mãe sobreviva, e o que compromete a
sobrevivência da mãe é a revolta do próprio
filho abiku para interromper a gestação.
É comum que a criança não apareça em
exames médicos durante a gestação ou os
altere, não tendo a sua identidade revelada;
o abiku, dada a ligação com seu Egbé no
orun, tem a capacidade de fazer brincadeiras
de mau gosto semelhantes com a mãe.
Circunstâncias de Parto de um Abiku
O processo gestacional relacionado ao abiku
ativo é complexo. A gravidez é repleta de
riscos para a mãe e para a criança. Muitas
crianças nascem com anomalias que
comprometem a sua sobrevivência e o seu
bem-estar físico, mental e espiritual.
Em alguns casos, os traços físicos da criança
durante a gestação resultam em abortos
espontâneos, mau desenvolvimento do feto
e natimortos. Circunstâncias de parto como
nascer com a apresentação dos pés, ao invés
da cabeça, com o cordão umbilical em volta
do pescoço ou com a bolsa amniótica em
volta ao corpo (parto empelicado), também
são indicativos do fenômeno abiku, assim
como nascimentos prematuros e de criança
nascida com o auxílio de cirurgias. Vale
ressaltar que não se trata de um caso de
abiku quando uma mulher marca a data de
nascimento do filho e aceita usar
instrumentos de cesárea mesmo sem ter
nenhum problema médico. Trata-se de uma
circunstância de nascimento por
conveniência, e não por perigo ou por risco.
Por que Lutamos para Manter o Abiku no
Plano Físico?
O que move o pai e a mãe a insistirem em
fazer nascer uma criança que não quer
nascer? A teologia dos orixás prega que, até
o último minuto, devemos lutar para garantir
a sobrevivência das pessoas. Mesmo que
alguém vá morrer insistimos em fazer ebó
para tratá-lo. Caso o fenômeno abiku, em
particular, não seja tratado a próxima
gestação será idêntica, gerando um
sofrimento contínuo, sem fim; mesmo que os
pais não tentem mais ter uma criança é
possível que este mesmo espírito reapareça
na mesma família por meio de um outro pai
ou de uma outra mãe.
A criança abiku adoece e se machuca com
facilidade e vive perigosamente, gerando
sofrimento para os pais. Mesmo quando
adulto o abiku não tem noção do perigo e
desafia a própria sobrevivência por meio de
esportes radicais, direção perigosa, abuso de
álcool, tabaco e drogas e jogos de azar. A
teimosia integra a sua identidade e o leva a
não ver o risco, a não reconhecer o perigo.
Relação do Abiku com o Sofrimento
O abiku possui relação profunda com o
sofrimento. Alguns reclamam e choram por
tudo, mas outros são resistentes e, mesmo
com dor e desconforto, convivem
passivamente com o seu sofrimento.
O abiku ativo manipula a própria saúde e
pode atrair doenças, dores, sofrimento e
perdas, especialmente quando é contrariado
ou quando está triste. É comum ter
problemas de identidade, não conseguir se
achar ou responder quem ele é, não aceitar o
próprio corpo ou as condições emocionais ou
materiais que ele tem; é comum sofrer
processos de auto rejeição e de contestação
de tudo, incluindo as coisas boas que ele
tem. Seu bom senso não funciona para
encontrar ou enxergar prazer, alegria ou
satisfação nas coisas e ele acaba
desenvolvendo, enxergando e sentindo
tristeza, angústia e falta de vontade. O abiku
não tem sintonia com seu eu, com o meio
em que vive e seu presente, comprometendo
o seu futuro.
Morte Física e Mortes de Situações
Quando se fala em abiku se pensa na morte
do corpo, mas a morte não é apenas física. O
amor e as amizades morrem. O trabalho
morre, levando a dificuldades econômicas,
que por sua vez levam ao sofrimento. Há
uma morte social quando o abiku não
consegue se inserir na sociedade ou se sentir
pertencente a ela por não aceitar o modo
como as pessoas são ou se comportam. Os
sonhos também morrem e uma pessoa sem
sonhos não tem apego, nem paixão pela
vida, sentindo-se estática ou deslocada.
Abiku e a Questão do Suicídio
Buscamos explicações para a morte e não a
compreendemos sequer quando ela é
natural, mas o suicídio é uma questão de
extrema importância. A opção por praticá-lo,
em qualquer idade, caracteriza um abiku
extremamente ativo. Suas causas incluem a
falta de uma identidade social e o fato de o
suicida crer que este mundo não é adequado
para ele. Quem diz que não gosta do mundo
e da vida é um suicida em potencial que
pode nunca atentar contra a própria
existência, mas a rejeita.
Alguns abiku conseguem progredir bastante
com seu carisma e apreciam viver para as
pessoas e em meio às pessoas. O abiku ativo
é de extremos e, quando próspero, pode
estar entre os seres humanos mais ricos do
planeta, encontrando prazer em dezoito
horas de trabalho por dia. Assim, ele tem
conquistas intelectuais, espirituais, sociais e
materiais precoces. Alguém acima do padrão
de sua faixa etária deve ser trabalhado para
que a morte, a doença e a desgraça não
venham precocemente também.
Ele está por trás de tudo o que é excepcional,
tanto de bom quanto de ruim. As pessoas
comuns jamais viverão situações extremas,
mas alguns dos abiku terão a benção de
vivenciar a prosperidade, o carisma, o
sucesso e a vitória em níveis superiores aos
comuns. A humanidade se sustenta com o
potencial do abiku. Os aspectos negativos do
pacto comprometem a sobrevivência do
abiku, mas os poucos que enfatizam os
próprios aspectos positivos construíram o
pilar da civilização humana.
A precocidade nas conquistas materiais
também é indicativo do fenômeno abiku.
Sempre que um jovem abaixo dos 30 anos já
tiver obtido grandes conquistas materiais,
como compra de sua casa, por méritos
próprios ou acúmulo, pode tratar-se de um
abiku.
Abiku e as Virtudes dos Orixás
Na mitologia dos orixás Ogum era guerreiro e
a função de um guerreiro é matar ou morrer.
Conta-se que, quando se vai para a guerra,
vai-se com o objetivo de vencer; existe o
risco da derrota e, mesmo assim, Ogum ia e
vencia.
Os deuses civilizatórios arriscaram as suas
vidas para trazer conhecimento para nós,
mas provaram a coragem colocando as suas
próprias existências em [Link]
guerreiro, Ogum não mandava os soldados e
aprendizes dele para a guerra, sendo ele
mesmo quem os liderava, se colocando em
risco. Ogum tinha o seu próprio legado e o
único meio de deixar este legado era provar
que era possível vencer nas artes da guerra,
superação e vitória.
O abiku também se põe em risco e, ao
mesmo tempo, ele é intuitivo, perceptivo,
capaz de antever os acontecimentos. Ele
consegue enxergar além por ter vários seres
dentro de si que agem como mentores; por
isso mesmo o abiku tende a incorporar de
modo muito mais intenso que a maioria e,
em geral extremamente espiritualizado,
quando envolvido com a questão espiritual
torna-se um ser sensível e muito habilidoso.
O fenômeno abiku define o destino da
humanidade. É o abiku quem veio ensinar
para a humanidade sobre todas as
ocorrências que podem levar à morte.
Graças a ele compreendemos as doenças, as
relações entre aborto e gravidez, o fato de
algumas crianças nascerem com defeitos
físicos, limitações, sofrimento ou
dificuldades.
As doenças impulsionam o desenvolvimento
e exploram a inteligência da humanidade.
Graças à autodestruição do abiku
desenvolvemos vacinas para prevenir mortes
prematuras e uma tecnologia automobilística
capaz de reduzir a ocorrência de mortes em
acidentes com carros.
Mesmo o alcoolismo e o uso de drogas,
típicos do fenômeno, permitem conhecer as
civilizações humanas. Enfim, podemos deixar
de querer apontar o que é ruim no abiku e
observar como aquilo, devendo ser resolvido
desde os tempos primórdios, leva os seres
humanos ao conhecimento e à busca por
superação do sofrimento, das dificuldades e
também das limitações.
Graças à perseverança do abiku descobrimos
recursos na natureza e qualidades nos seres
humanos. Por conta do fenômeno abiku hoje
não se morre tão facilmente quanto no
passado, pois aprendemos a dar sobrevida a
muitas doenças. As mortes de jovens abiku
são um sacrifício social para a humanidade,
que busca a superação das doenças e,
quando cabe, até mesmo a sua cura. A
instabilidade emocional do abiku não deve
ser usada para condená-lo porque, graças às
características do abiku, que a humanidade
acumulou conhecimentos, se desenvolveu e
está se superando.
Toda pessoa tem vínculo com Egbé Aiê,
sociedade de vivos do plano material, e com
Egbé Orun, sociedade de mortos do plano
espiritual. É no orun, morada de seus amigos
espirituais, que o abiku estabelece com eles
o pacto de como será a sua vida ao chegar no
aiê. Egbé cria o axé necessário para o ser
humano se socializar, encontrar o seu lugar
na terra, descobrir o significado da sua
existência e estabelecer uma relação
equilibrada e saudável com seu Egbé Aiê.
Paralelo entre Orun e Aiê
Para cada pessoa na terra há um duplo
espiritual em um ambiente idêntico ao seu,
convivendo com um cônjuge, um filho, um
grupo de amigos, uma riqueza e um trabalho
idênticos aos seus. Isto significa que todo ser
humano une dois aspectos, o físico e o
espiritual. O Egbé Aiê e o Egbé Orun mantêm
uma comunicação contínua: tudo o que
ocorre a alguém no plano material depende
do consentimento de seu duplo no plano
imaterial.
Comunicação entre Egbé Aiê e Egbé Orun
Todos os dias nós sofremos críticas,
preconceitos, rejeições, elogios, aplausos e
tudo de bom e de ruim no planeta, mas os
nossos duplos espirituais não nos julgam:
eles estão de acordo com tudo o que nós
fazemos e fiscalizam o pacto que nós fizemos
em nossa concepção. O Egbé Orun
testemunha o acordo firmado por seu
membro no além antes do nascimento como
uma pré-condição para ele encarnar.

A sua sociedade espiritual se interessa pela


celebração do acordo e pelo seu retorno ao
mundo espiritual, mesmo porque, conforme
o ditado: “só morre aquele que nasce”. A
sociedade do orun influencia a vida no aiê
porque os dois planos são paralelos.
Quando uma criança nasce, conta-se que a
sua sociedade no orun está chorando porque
perdeu um de seus companheiros para o Aiê,
mas o oposto também vale: quando
choramos a morte de alguém aqui na terra
os seus amigos no além estão celebrando a
sua reintegração no além. A morte em si não
é problema: a questão é como e quando ela
vai ocorrer e quais são os desequilíbrios que
irão se manifestar.
Jagun e Iyalode: o Masculino e o Feminino
A vestimenta de Egbé lembra a de Egungun,
pelo corpo todo coberto e pela presença de
luvas, meias e sapatos. A complexidade e a
seriedade da devoção a Egbé podem ser
notadas quando o orixá é vestido. Uma das
incorporações é a de Jagun, que representa a
figura masculina e pode ser infantil, juvenil,
adulto ou idoso, retratando várias fases do
ser humano, mas que, com frequência, é
brincalhão e descontraído.
Jaguné[Link](
Ìyálóde),suacompanheira,usatrajes
femininos, adota uma postura mais adulta,
focada em uma idade mais avançada, e é
uma primeira-dama espiritual. Os dois são
complementares e são as representações de
Egbé. Jagun e Iyalode personificam as figuras
masculina e feminina, os duplos do gênero
humano.
10 - CONQUISTAS REPRESADAS NO ORUN
O ser humano tem o instinto necessário para
lutar pelo bem-estar, renunciar ao
sofrimento, buscar soluções para as
perturbações, as dores e o desconforto, mas
pode esbarrar em Egbé Orun. O ideal é
procurar suas conquistas e a sua sociedade
na terra, mas nem tudo é assim. Alguns não
conseguem essas conquistas porque os seus
duplos e os seus amigos no plano espiritual
mantêm ali o que tais pessoas estão
buscando aqui.
Conquistas Represadas no Orun: Marido,
Esposa, Filhos, Irmãos, Casa
A materialização do desejo de se casar
depende da anuência do “marido espiritual”
ou da “esposa espiritual”. O “filho espiritual”
também pode estar preso no além, assim
como a “família espiritual” e amigos. Muitos
não conquistam uma casa no plano material
porque já têm uma no plano imaterial e, por
mais que trabalhem e juntem dinheiro,
enfrentam sempre dificuldades que
inviabilizam a ocorrência desta compra.
Ciúmes e Inveja Espiritual
Os ciúmes e a inveja espiritual vindos do
nosso Egbé Orun também podem estar
comprometendo nossos resultados na vida.
O ciúme espiritual é sentido por familiares,
cônjuges e amigos que vivem no orun em
relação aos seus afetos no aiê.
A inveja espiritual ocorre quando um abiku
nasce, cresce e se socializa, fazendo amigos
na terra. Os seus amigos, cônjuges e
familiares espirituais sentem ciúmes e inveja
porque desejam a exclusividade e podem
manipular situações e impor perdas para ele.
É por isso que alguns jamais constroem, por
exemplo, uma relação afetiva satisfatória.
Egbé soluciona os impasses e as situações
inadequadas ou desfavoráveis que
eventualmente pactuamos com nossos
amigos espirituais, harmonizando então
conflitos espirituais que não temos força
intelectual ou emocional para combater. A
devoção a Egbé nos equilibra com a nossa
sociedade na terra e nos oferece uma
relação harmônica com nosso a nossa
sociedade no plano espiritual.
Egbé é um dos orixás que ajudam a regular o
desequilíbrio que existe na vida de um abiku.
Toda a humanidade poderia cultuá-lo, já que
todos nós nascemos para a morte e temos
uma carga energética abiku mais ou menos
diferenciada. Alguns nascem predispostos a
desenvolver várias doenças, uma atrás da
outra, ou a realizar várias cirurgias, mas Egbé
pode favorecê-los com boa saúde, bem-estar
e cura, pois a cura só é possível quando o
corpo e o espírito consentem com o
tratamento oferecido.
Nota-se em cantigas que Egbé tem a função
de prover soluções para as condições
naturais de nascimento dos seres humanos.
Se todos fôssemos iguais e vivêssemos cem
anos com as mesmas condições mentais,
físicas e emocionais isto seria uma tragédia
para a humanidade e a vida não teria graça.
Ao mesmo tempo Egbé traz o axé necessário
para que as diferenças possam ser
balanceadas e para que todos equilibrem as
suas condições mentais, emocionais e físicas.
Elegbé, o Devoto de Egbé
O orixá Egbé, como os demais, recebe
iniciações, assentamentos, oferendas e
festas. Todo ser reconhecido como abiku
ativo é chamado de ẹlẹgbẹ,́ que significa
companheiro, camarada, devoto de Egbé,
aquele que tem Egbé.
Egbé Aragbó, Erê Igbo e Erê
Egbé também é conhecido por outros
nomes: aráagbó, èré igbó e èré, os
habitantes da floresta ou do além ou, enfim,
os nossos amigos espirituais. Ère designa
também as crianças e estátuas esculpidas ou
modeladas estética e ritualisticamente em
homenagem aos orixás, mas é também um
epíteto de Egbé, considerado um protetor
das crianças.
Todos nós somos crianças diante dos orixás e
o que nos diferencia é simplesmente a
capacidade de autonomia intelectual e
emocional. Ère também remete a crianças
espirituais. Por isso, no meu entendimento, a
palavra erê, empregada em comunidades
afro-brasileiras, tenha origem na palavra
iorubá ère.
Cada cidadão do Egbé Aiê integra diferentes
núcleos sociais e cada um desses núcleos é
uma fração do seu Egbé no aiê, a começar
pela família. A genética de um corpo é
determinada por circunstâncias familiares,
mas além da composição biológica as
pessoas possuem uma genética espiritual,
adquirida dos familiares, uma genética social,
que influencia o temperamento, a
personalidade, o caráter e as reações, e a
genética material, que também influencia a
vida humana.
Genética Física e Espiritual
A respeito da genética familiar o abiku
escolhe a família em que nasce, podendo
fazê-la sofrer ou ter uma vida maravilhosa,
afortunada, repleta de alegrias, conquistas e
coisas boas. Quando há uma boa
sincronicidade entre o orun e o aiê pode-se
nascer na família ideal, mas quando não há
pode-se nascer na família errada.
Família no Egbé Aiê e no Egbé Orun
O mesmo ocorre no plano social, pois o local
onde se nasce influencia a vida
absurdamente. A criança concebida em zona
de guerra já nasce com a sobrevivência em
risco, e isso tem a ver com o pacto pré-
estabelecido no orun. Todos nascemos para
lutar pela sobrevivência, mas a sobrevivência
comprometida antes do nascimento por falta
de paz social é um sintoma do fenômeno
abiku.

Além do espaço, a questão social do


nascimento envolve o tempo, pois é possível
nascer em meio a um conflito passageiro em
um ambiente que não tivera uma guerra por
mais de cem anos. O abiku pode nascer em
um tempo árduo, sem mobilidade, com
dificuldades sociais, perseguições e outras
condições que o exponham a riscos e possam
levá-lo a uma morte prematura.
Sincronização da Família do Orun com a
Família do Aiê
Só é possível prosperar no plano material e
obter sucesso, vitórias e reconhecimento
quando há uma situação favorável no plano
imaterial. Também a qualidade da sua saúde
depende muito do seu Egbé Orun; aliás, duas
questões muito fortes na relação entre o
abiku e os seus amigos espirituais são as
relacionadas às doenças,
independentemente de sua gravidade, e as
relacionadas às fatalidades frequentes,
incluindo acidentes e situações trágicas. A
única forma de quebrar este pacto é por
meio da devoção a Egbé.
Orixás Ewe: Vida e Juventude
Egbé integra o conjunto dos Orişà Ewe, os
"orixás da junventude", patronos da infância;
esta expressão é usada porque, por mais
velha que uma pessoa seja, ela é sempre
uma filha dos orixás. Protetores da infância,
da juventude, da vida e dos abiku, eles lutam
para que os seres humanos superem as
expectativas, os riscos de morte prematura e
as dificuldades, buscando romper pactos não
adequados para as nossas vidas.

Os Orişà Èwe incluem Egbé, Kori, Iroko, Ibeji,


Logolo e Oluweri. Também possuem
relações muito fortes com alguns outros
orixás, como Exu, Ifá e Egungun. Atenção
para não

confundir Ewe, que significa "juventude",


com Ewé, que significa "folha".

Relação de Egbé com Egungun: A Herança


Familiar

Egungun equilibra tudo aquilo que se herdou


dos antepassados. Egbé também trabalha
muito com questões de herança familiar, já
que doenças, dificuldades materiais,
intelectuais, emocionais e espirituais e
outras formas de sofrimento podem ser
hereditárias.

Relação de Egbé com Exu

Exu é um orixá presente em tudo e todos.


Egbé personifica a vida, a socialização e a
integração do ser humano em seu meio e em
sua sociedade, mas as virtudes de Exu são
necessárias para esta integração.
Egbé e Orixá Oluweri
Oluweri, orixá das águas doces, limpa o Ori
de tudo o que está ruim. Graças ao seu axé,
cada vez que se toma banho, o poder das
águas elimina as impurezas que atrapalham
o desenvolvimento, o progresso e o
equilíbrio do Ori.
Relação de Egbé com Ori e Ifá
Orunmilá e Ori têm conexão com Egbé já
que, como eles, é ligado à predestinação.
Egbé busca em Ifá as respostas para Ori
entender o fenômeno abiku e busca em Ori
as permissões para que a sua luta por uma
vida mais leve e longeva seja aceita e para
que se tenha mais saúde, amor, dinheiro e
bem-estar emocional e social.
Relação de Egbé com Ibeji
É impossível abordar Egbé sem falar de Ibeji.
Acredita-se que Eledunmare, o Ser Supremo,
criou o orixá Ibeji, protetor das crianças e dos
gêmeos, para trazer o axé do progresso, da
prosperidade e da cura para toda a
humanidade.
Diversos odus do jogo de búzios e do sistema
oracular de Ifá fazem referências ao universo
de Ibeji; no jogo de búzios, por sinal, o odu
de número dois é chamado de Èjìòkò e é
diretamente associado a Ibeji.
Algumas cantigas de Ibeji enfatizam a sua
capacidade de transformar a vida de uma
pessoa. Todos aqueles que desejarem
podem venerar este orixá para ter saúde,
fertilidade, progresso, trabalho, dinheiro,
harmonia e bem-estar. Ibeji é o orixá da
transformação, da melhora, capaz de
quebrar o pacto com a morte prematura e
trazer saúde e cura.
Acredita-se que a família em que os gêmeos
nasceram foi abençoada com a presença de
Ibeji e deve, obrigatoriamente, cultuar esse
orixá. Cultua-se Ibeji, entre outras razões,
para que ambas as crianças gêmeas
sobrevivam por muitos e muitos anos, já que
foram concebidas sob a benção do orixá a
partir de uma alteração de sua genética
biológica e espiritual ainda na ovulação no
útero.
Macaco: o Totem de Ibeji
Os principais símbolos de Ibeji são as
crianças gêmeas, os gorilas e macacos como
os chimpanzés – tanto que a palavra ädun é
um modo mítico, sagrado, de designar tanto
“gêmeos” quanto “macaco”, e um dos
epítetos e Ibeji é Ìbéjì ädunjåbí. A divindade
também é simbolizada por duas estátuas de
gêmeos.
O Assentamento de Ibeji
O assentamento de Ibeji é um conjunto de
duas estátuas, que podem ser uma
masculina e a outra feminina, representando
o gênero masculino e o feminino, ou que
podem corresponder ao gênero das crianças
gêmeas nascidas na família.
O assentamento de Ibeji canaliza o axé
curativo do orixá, que promove curas no
plano biológico, plano emocional, tratando
condições como tristeza, depressão,
angústia, e desespero e plano social,
combatendo a derrota e a falta de trabalho,
dinheiro e prosperidade, atraindo paz,
harmonia, tranquilidade e serenidade.
Como lidar com Ibeji Quando se Perde um
dos Gêmeos
Quando ocorre a infelicidade de uma das
crianças gêmeas morrer, a criança restante
passa a sofrer a sua influência. É necessário
fazer uma escultura de madeira que
representa o par que morreu para que o
sobrevivente e o restante da família o
cultuem. Este é um meio de equilibrar a vida
da criança que perde o irmão. Isto não
significa que a criança morta tem uma má
intenção ou fará o mal para o irmão restante.
A questão é que essas duas crianças
compartilham durante nove meses um
ambiente não preparado para elas e passam
a compartilhar também a mesma genética e
a mesma predestinação. Prepara-se a
escultura para que cada uma delas siga o seu
caminho sem ser atrapalhada pela outra.

A Boca como Caminho de Construção ou


Destruição
É com a boca que nós desfazemos o que é
bom, depreciamos coisas magníficas,
destruímos as pessoas do bem, falamos mal
dos outros e fazemos fofoca. Mas boca que
tem o poder da destruição é a mesma boca
que abençoa e deseja coisas boas. Tudo de
bom vem para os seres humanos por meio
da boca e é por este motivo que entre as
modalidades de oferenda para os orixás
encontram-se os atos de alimentar os seres
humanos.
Um desses atos é o sàra, confraternização
espiritual com poder equivalente ao de um
ebó na qual o ofertante prepara uma comida
deliciosa e promove uma reunião ou festa
para oferecê-la aos seus amigos; esta
confraternização desperta a alegria do Egbé
Orun do ofertante. Quando uma criança
manifesta problemas de abiku muito sérios,
como perturbações do sono ou dos sonhos,
perturbações emocionais, doenças e outros
tipos de desequilíbrios, então a família faz
oferendas para Egbé ou para qualquer outro
orixá que protege os abiku e pode ter a
recomendação de preparar um sàra.
Egbé, Ori e Predestinação
Ori rege a predestinação e é responsável por
tudo o que nos acontece de bom e de ruim.
Cabe a Ori escolher e reconhecer os nossos
destinos e cabe a nós trabalharmos para que
Ori se conscientize de todo o seu potencial,
das suas inclinações e da sua missão na terra.
Esse orixá nos convence, por meio da
orientação oracular de Ifá, de que nascemos
para algo e de que ele é o grande aliado.
Todos os seres possuem aspectos positivos e
aspectos negativos, que dependem de Ori.
Mas Egbé, assim como Ori, sabe muito bem o
que cada um de nós será. Egbé Orun, assim
como Ori, influencia o que ocorrerá em
nossas vidas, pois Ori determina a
predestinação, mas pode ser manipulado
para o bem ou para o mal.
Cultuamos os orixás por acreditarmos que
tudo pode melhorar ou piorar e que eles
podem nos influenciar. A respeito de Ori,
convém lembrar os dizeres:
Se eu prosperar na vida devo ao meu Ori; Se
eu tive sorte no amor devo ao meu Ori; Se eu
conseguir ter minha casa na terra devo ao
meu Ori; Tudo de bom que eu fizer na vida
deverei ao meu Ori.
Egbé e a Materialização do Destino no Aiê
Egbé Orun é capaz de reter consigo todas as
coisas boas que podem nos ocorrer no Aiê,
mas o orixá Egbé liberta essas bençãos e Ori
as materializa para nós. Cada um de nós tem
o direito de viver e a responsabilidade de
cuidar da própria vida, e as orientações
relativas a esses cuidados são oferecidas pela
consulta a Ifá. Orunmilá conhece os mistérios
do Ori de cada um e sabe como os amigos
espirituais querem ser tratados.
A consulta a Ifá por meio do jogo de búzios,
dos ikin ou da corrente opelé evidencia que
cada um de nós tem uma genética particular
influenciada por Egbé, mas Orunmilá possui
a sabedoria necessária para revelar esse
ministério.
Egbé legitima a natureza humana, que inclui
conquistas, doenças, derrotas, tristeza,
alegria, ignorância e sabedoria. Para a
teologia dos orixás é importante reconhecer
o mal para conquistar o bem, pois o bem é a
ausência do mal.
Há uma disputa entre os aspectos de um ser
no aiê e os seus aspectos no orun, e o orixá
que ajuda em sua resolução é Egbé. Quem
sofre a influência mais negativa e menos
adequada desta competição entre dois
mundos são o abiku e o emere, que
nasceram com necessidades mais intensas
de apaziguar as relações que possuem com
os seus Egbé Orun.
Sacerdotes, orientadores, pais, professores e
outros responsáveis por pessoas observam
ocorrências que fogem da lógica. Muitos
ficam anos sem relações sexuais ou afirmam
que todos os homens ou que todas as
mulheres não têm graça, mas Egbé Orun os
domina e os induz a pensamentos negativos,
críticas severas e obsessão por uma
perfeição inexistente. Assim, permanecem
sozinhos na terra e leais aos seus cônjuges
no além.
Divisão dos Ganhos entre Egbé Orun e Egbé
Aiê
Tudo o que Egbé Orun sequestra fica com
Egbé Orun. Vamos supor que alguém abriu
uma empresa com um sócio, com cinquenta
por cento do negócio para cada. Se ambos os
sócios trabalharam por igual o esperado é
dividir os lucros por igual porque é isto o que
foi acordado no contrato, mas se um dos
sócios ficar com noventa por cento dos
lucros isso não parecerá razoável. É
exatamente o que ocorre quando a relação
com o Egbé Orun não está equilibrada e os
amigos espirituais do abiku decidem ficar
com a maior parte do que ele deveria
usufruir de bom no aiê.
Do ponto de vista mitológico Egbé está em
todas as manifestações da natureza e cada
ser humano, ao consultar Ifá, pode saber em
que parte da natureza se manifestam os
aspectos físicos do Egbé que ele deve
cultuar.
Mitologia de Egbé
Na cosmogonia iorubá o mundo era feito
apenas de água nos tempos primórdios.
Eledunmare, o Ser Supremo, deu a Obatalá
uma concha com areia para que espalhasse
essa areia sobre a superfície da água, e deu a
ele também o axé necessário para que
transformasse aquela areia em terra sólida.
Isto significa que os primeiros habitantes da
terra haviam habitado a água e a vida do
planeta surgiu dela. Assim, antes da criação
da terra Egbé, Olokum, Olossá, Oluodo,
Oluweri e todos os outros seres habitavam a
água.
Originalmente todos os espíritos membros
de Egbé habitavam a água, mas em dado
momento Iyalode e Jagun, os líderes da
corporação, resolveram enviar cada um deles
para uma parte desta terra sólida.
Há vários locais na natureza nos quais se
pode cultuar Egbé e solicitar a sua bênção, a
sua influência sobre o Ori humano e a sua
interseção pelo equilíbrio das relações entre
Egbé Orun e Egbé Aiê. De acordo com a
mitologia, quando os membros de Egbé
deixaram a sua morada original eles foram
viver em ambientes particulares, como as
águas, a floresta, a montanha e as pedras,
para que os seres humanos pudessem usar
vários elementos da natureza para combater
vários tipos de problemas, como pode ver
nas citações a seguir:
Egbé para Acalmar Perturbações
Egbé para Prevenir Aborto e Morte
Prematura
● Fica junto ao pé de bananeira e ajuda
quem enfrenta sucessivos abortos ou
sucessivas mortes de crianças, adolescentes
e jovens adultos.
Egbé para Preservação da Vida e das
Conquistas
● Consultas oraculares orientam sobre onde
este Egbé quer ficar. Egbé para Pessoas
Difíceis, Perversas e Destrutivas
● É assentado junto à planta aridan.
Egbé para Quebrar Repetição de Sofrimentos
e Dificuldades
● Assentado junto a rochas ajuda a quebrar
o ciclo de repetições do sofrimento, das
dificuldades e dos prejuízos que ocorrem em
sua vida.
Egbé para Resistência e Vitalidade Espiritual
● É feito no quintal da casa e traz confiança,
coragem, inspiração, apoio e determinação.
Egbé para Mostrar os Caminhos da Vida
● É colocado na beira da estrada para abrir
os caminhos do devoto e para lhe dar
direções. Egbé para Revelar Mistérios
Interiores
● Esse assentamento fica no interior de uma
floresta e ajuda a revelar ao devoto os
mistérios que abriga.
Egbé para Trazer Progresso e
Reconhecimento do Trabalho
● É assentado onde há plantações e abençoa
o seu esforço para que o progresso, o
sucesso e a remuneração conspirem a seu
favor.
Egbé para as negociações e transações
comerciais
● É assentado em feiras, zela por relações
comerciais, empresariais e pelas
negociações. Egbé para a prosperidade e
equilíbrio das relações financeiras
● Equilibra as relações financeiras e cria
harmonia, generosidade e reconhecimento.
Além dos búzios colocam-se conchas, que
simbolizam Ajê, em seu assentamento.
Egbé para equilíbrio, harmonia e
tranquilidade
● É assentado na base da árvore sagrada
Iroko. Esta qualidade de Egbé traz
resistência, harmonia e equilíbrio, ajudando
a quebrar o pacto com os abiku.
Egbé para parcerias ideais
● Assentado na beira de rios, lagos, represas
e cachoeiras, trabalha com o axé das águas
para limpar todos os fenômenos negativos
da vida do abiku.
Egbé para recuperação, regeneração e
superação
● O Egbé assentado junto à planta dracena
regenera a vitalidade do seu devoto, que
passa a superar qualquer angústia, doença
ou derrota.
Egbé para longevidade, nobreza, vitória e
liderança
● É assentado junto à árvore Baobá para
harmonizar as relações entre Egbé Orun e
Egbé Aiê e romper pactos de morte
prematura, doença, derrota e todas as
formas de sofrimento. Traz, sobretudo, o
reconhecimento da sua importância na
sociedade.
Egbé para adaptação ao meio e convivência
em grupo
● É assentado em construções fabricadas por
insetos em campos abertos, como os
formigueiros. Esta qualidade de Egbé confere
ao abiku as capacidades de adaptação ao
meio e de cooperação.
Egbé da encruzilhada: o que tenho, o que
não tenho e o que preciso ter
● É assentado nas encruzilhadas ou inclui
elementos delas, como terra e [Link]
qualidade de Egbé favorece a compreensão
profunda do relacionamento tríplice entre o
“ser”, o “não ser” e o “dever ser”.
Egbé dos pontos cardeais: proteção em
todos os tempos e direções
● O assentamento de Egbé que simboliza os
quatro pontos cardeais protege o seu devoto
de qualquer mal, vindo de qualquer direção
ou circunstância, capacitando-o intelectual,
espiritual e emocionalmente para superar
qualquer desafio e obstáculo.
Egbé para a limpeza de tudo o que não nos
serve na vida
● É assentado nas proximidades de aterros
sanitários. Pode parecer estranho e anti-
higiênico, mas espiritualmente Egbé transita
em vários locais do planeta. Essa qualidade
de Egbé é para beneficiar aquele que não
consegue viver decentemente, tem
pensamentos muito negativos,
comportamentos autodestrutivos,
perturbações ou problemas de ordens
mentais, psiquiátricas e espirituais.
Egbé do espaço de encontros de Egbés
● É assentado em locais da cidade onde
diferentes grupos de devotos de Egbé se
encontram para cultuá-lo, cada um desses
com seu próprio a
Afinal, Sou um Abiku?
Se você está se perguntando se você é um
abiku, a resposta é sim, você é um abiku.
Todos somos abiku porque, como citei, todos
nascemos para morrer.
Iniciação como Caminho de Solução
Egbé aceita oferendas e iniciações, como
qualquer orixá, mas não há iniciação em
abiku porque abiku é a condição de ser. Egbé
é o orixá que trata a condição deste ser
abiku. O processo iniciático para qualquer
uma das qualidades de Egbé é único; o
conhecimento e a experiência do sacerdote
contam muito neste processo, nas oferendas
para a quebra de pactos com os abiku e nos
demais rituais em homenagem ao orixá,
como o sàra.
A Importância do Preparo do Sacerdote que
Conduzirá a Quebra do Pacto
O processo de quebra de pacto é complexo e
exige muito conhecimento do sacerdote. A
quebra não afasta o duplo, o que é
impossível, mas permite trabalhar
ciclicamente para que ele conceda a
permissão para vivermos aqui na terra. Se o
marido espiritual de uma senhora, não
permite que ela tenha sorte no amor no aiê,
é necessário quebrar o pacto estabelecido
entre os dois e reforçar esta quebra
sucessivas vezes para que ele possa permitir
que ela tenha mais sorte na terra.
Se alguém possui filhos espirituais pode ser
impedido por eles de conceber filhos
biológicos no aiê, sendo necessário obter a
permissão para isso junto aos seus filhos
espirituais. O mesmo ocorre com o sócio
oculto, que gasta o seu dinheiro por meio de
despesas imprevistas no aiê sem que esta
pessoa encontre justificativas plausíveis para
justificar a perda desses recursos.
Primeiro Passo: o Diagnóstico
Entre os iorubás da Nigéria que cultuam Egbé
o primeiro passo para quebrar o pacto com
os abiku é consultar o jogo divinatório por
meio do jogo de búzios, ikin ou opelé. Não é
difícil reconhecer tais manifestações e
qualquer um consegue se identificar com a
parcela abiku que possui, mas é importante
que nossos duplos no orun nos deixem viver
aqui no aiê.
Soluções para Interferências Negativas do
Fenômeno Abiku
Quando nos harmonizamos com os nossos
amigos no orun podemos viver bem com os
nossos amigos no aiê. Quando Egbé é bem
cuidado vale a pena viver na terra, pois Egbé
traz progresso, vitória, alegria, saúde, cura,
vitória e bem-estar. Muitas abordagens
oferecem a solução das dificuldades
relacionadas a abiku.
Uma oferenda para Egbé ajuda a melhorar a
predestinação do Ori, quando o Ori de
alguém não favorece o bom andamento das
coisas, é duro, resistente ou inflexível, deixa
tudo de mal acontecer ou nega o amor ou a
sorte. Os nomes que designam e protegem o
abiku podem ser considerados os seus
maiores símbolos, assim como os nomes em
homenagem a Egbé, e muitos deles
demonstram o desafio que essas crianças
enfrentam para chegar à terra. Outros
símbolos do abiku são o pente de madeira
em formato de garfo, que afasta a morte
prematura, o guizo de metal sacralizado e
colocado no quarto do abiku para suas
influências negativas não terem acesso tão
fácil ao interior de sua casa, e algumas
plantas como Pinhão Branco, Dracena,
Baobá, Iroco e Acocô.
Alimentos Oferecidos para Proteção do
Abiku
Egbé aceita oferenda de todo tipo de
alimento doce, como por exemplo caldo de
cana e mel, acará ou acarajé, acaçá, òlòngbò
(mingau de acaçá diluído em água e
temperado com azeite de dendê ou mel),
adùn (preparo com farinha de milho, azeite
de dendê e sal), amendoim, milho, feijão
fradinho, obi, orobô e tudo o que a boca
come.
Assentamento de Egbé
O assentamento de Egbé inclui um pote,
búzios e a pedra yangí. O atori, sua principal
base, simboliza a comunicação entre o
mundo visível e o mundo invisível. Usam-se
penas de pássaros sagrados para atrair a
sorte, promover a superação de dificuldades
e alcançar vitória e posição de evidência,
importância e liderança.
As Cores de Egbé
AscoresdeEgbésãomúltiplas,emboraamaioria
dasroupasqueoẹlẹ́gùndeEgbé vistam sejam
em si brancas.
Nomes para Proteção do Abiku
Nomes que "declaram" o fenômeno Abiku
● Ayédùn - A vida é doce para nela se viver.
● Kókúmọ́ - Esssa criança não morrerá mais.
● Dúrójayé - Fique para gozar a vida.
● Ikúkọ̀ yí - A morte o rejeitou.
● Mạ́lomọ́ - Não vá mais embora.
● Ọmọtọjí - O filho renasceu/ressurgiu.
● Bámikalẹ̀ - Viva comigo até a minha
velhice.
● Déyòókù - Se esse ser não morrer ele ficará
velho.
● Yémitàn - Pare de me iludir/enganar.

ìbà Egbé(saudação)

IORUBÁ
TRADUÇÃO

Músò

Músò

(saudação a Egbé)

Èrè n'yo sènsèn

Egbé, traga alegria aos seus devotos

Músò

Músò
(saudação a Egbé)

Egbé, eu te saúdo!

Èrè ò, Èrè ò, Èrè ò!

Orin Egbé-Cantiga de Egbé

IORUBÁ

TRADUÇÃO
Orin Egbé 1

Cantiga de Egbé 1

Egbé oníre

Egbé, o provedor de ire (tudo de bom na


vida)

Egbé mi o

Esse é o meu Egbé

Egbé oníre
Egbé, o provedor de ire (tudo de bom na
vida)

Egbé mi o

Esse é o meu Egbé

Egbé olówó

Egbé, o provedor da riqueza

Egbé olólá

Egbé, o provedor da fortuna/nobreza

Egbé aláyò
Egbé, o provedor da alegria e da felicidade

Egbé mi o

Esse é o meu Egbé

IORUBÁ

TRADUÇÃO

Orin Egbé 2

Cantiga de Egbé 2

lyá èré
lyalode, eu te saúdo!

E mà seun o

te saúdo e te agradeço por me dar a vida

Ajíbědá

São vocês que têm o poder de conversar com


a

essência do ser e fazer com que seja


favorável para sua vida (que apoia e faz o Ori
guiar pelo caminho certo)
E mà seun o

Eu te saúdo e te agradeço por me dar a vida

Èyin la gbé inú igbó ş'olá

São vocês, o Egbé, que de dentro da floresta


sagrada emanam o axé da prosperidade e da
nobreza

Èyin la gbé ábé ògèdè solá

São vocês que do pé da bananeira trazem

prosperidade nobreza e riqueza para a vida


Tudo o que vocês falam, sugerem e orientam
sempre se transforma em fatos verdadeiros
(todas as orientações e

E kò kí nbá eni sòrò kó máşe

previsões feitas por Egbé sempre são


verdadeiras)

IORUBÁ

TRADUÇÃO

Orin Egbé 3
Cantiga de Egbé 3

E fe fun toná

Acendam a lamparina com efun (ilumine a


mente, o pensamento, o Ori para que se saia
da escuridão, da

ignorância, das dificuldades, dos problemas)


Para a atuação perfeita, eficaz, do axé que
lyá ere nos

Fun lyá eré


llé mà şókúnkun

O ambiente está escuro

(as pessoas estão desorientadas)

CORO

E fe fun toná

Acendam a lamparina com efun

BABALORIXÁ

Fají bědá
As energias vitais que reorganizam Edá (o
Ori)

O ambiente está escuro

llé mà şókunkun

(as pessoas estão desorientadas)

CORO

E fe fun toná

Acendam a lamparina com efun

(iluminem o Ori)
IORUBÁ

TRADUÇÃO

Orin Egbé 4

Cantiga de Egbé 4

Fenu re soro

Diga com todo o poder, a força e o axé da


sua boca

Lójú egbé re o
Diante de todo o seu Egbé

Fenu re soro

Diga com todo o poder, a força e o axé da


sua boca

Deverá falar com todo o axé da sua boca

Ò bá sohun

tudo o que deseja para a sua vida

Tí o fé lójú egbé rę o

Dian do seu Egbé


IORUBÁ

TRADUÇÃO

Orin Egbé 5

Cantiga de Egbé 5

ìbà èré o

Saúdo meus amigos espirituais

Èrè mojúbà
Aos meus amigos espirituais minha saudação

Mojúbà mojúbà

Saúdo insistentemente

Mojúbà mojúbà

Saúdo insistentemente

ìbà ató tèlé o

Saúdo meus amigos espirituais

para que possa seguir na vida em segurança


İyálóde egbé ibà o

Saúdo lyalode de Egbé

Bộ mọdé kọ rin

Se uma criança cantar

Kojúbà èrè o

E não saudar Egbé, seus amigos espirituais,

Isso representará um descaso


Èré mojúbà

Saúdo meus amigos espirituais

10 Araagbó ìbà re o

Saúdo os amigos espirituais que habitam nas


florestas

IORUBÁ

Orin Ìbeji

Cantiga de Ibeji
BABALORIXÁ

Bó lé jó jó

Se eles são capazes de dançar

Os gêmeos são capazes

Eléjìré gbajó

Emi gba sèkèrè

de assumir o passo sagrado da dança

Eu assumi o toque sagrado de sèkèrè


CORO

Se eles são capazes de dançar

Bó lé jó jó

IORUBÁ

Orin Kórì

BABALORIXÁ

Kóri kóto

Má je kómo wa ó kú
TRADUÇÃO

Cantiga de Kori

Kóri Kóto (saudação a Kori, Orixá da vida)

Proteja nossos descendentes e parentes,


todos os seres, contra a morte prematura

CORO

Òrìsà èwe, orixá protetor das crianças, dos


jovens, de todos os seres, que mantém todos
os seres eternamente jovens, que traz a
juventude, a jovialidade, a leveza, a grande
criança
Òrìsà èwe

que está dentro de nós, eu te saúdo Proteja


nossos descendentes e parentes,

todos os seres, contra a morte prematura

Má je kómo wa ó kú

Você também pode gostar