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Classificação e Nomenclatura dos Seres Vivos

Este documento descreve os principais conceitos de classificação e nomenclatura biológica. Ele explica a hierarquia dos táxons e como os seres vivos são organizados em grupos de acordo com suas semelhanças. O documento também discute o sistema desenvolvido por Lineu e como a taxonomia moderna incorpora evidências genéticas e evolutivas.

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Classificação e Nomenclatura dos Seres Vivos

Este documento descreve os principais conceitos de classificação e nomenclatura biológica. Ele explica a hierarquia dos táxons e como os seres vivos são organizados em grupos de acordo com suas semelhanças. O documento também discute o sistema desenvolvido por Lineu e como a taxonomia moderna incorpora evidências genéticas e evolutivas.

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Texto de apoio do conteúdo de Biologia

Professora Denise Palma

CLASSIFICAÇÃO E NOMENCLATURA DOS SERES VIVOS

A variedade de seres vivos no planeta, desde microrganismos até flora e fauna silvestres,
além da espécie humana, constitui a biodiversidade. São quase dois milhões de espécies
biológicas catalogadas, sendo que outras milhares são descobertas a cada ano. Os seres vivos
habitam os mais variados ambientes do planeta, desde as profundezas oceânicas, como é o caso
do peixe-pescador (Melanocetus johnsonii), por exemplo, encontrado nos abismos dos oceanos
Atlântico, Índico e Pacífico, da tênia (Taenia sp.), que como muitos outros parasitas, vive dentro
do corpo de seres humanos parasitados, e os micro-organismos termófilos, como as arqueas, que
crescem em lagos contendo água a altas temperaturas (45 a 80°C).
Como organizar e compreender tamanha variedade de seres vivos? Nos três últimos
séculos, naturalistas e cientistas vêm se empenhando em desenvolver um sistema eficiente para
organizar e compreender a grande diversidade das formas de vida. Esse sistema é a
classificação biológica, ou taxonomia, que distribui os seres vivos em agrupamentos
genericamente denominados táxons, tendo como base as semelhanças existentes entre eles. Os
agrupamentos taxonômicos são idealizados pelos cientistas em hierarquias, o que significa que há
grupos mais abrangentes contendo grupos mais específicos (Amabis e Martho, 2016). O táxon
mais abrangente da taxonomia tradicional é o domínio, que é constituído pelo segundo táxon
mais abrangente, o reino, o qual é constituído por táxons menores, os filos que, por sua vez, são
também subdivididos em táxons menores, as classes, e assim por diante, passando por ordem,
família e gênero, até chegar em espécies, classificação menos abrangente, como mostra a
Figura 1.

Figura 1. Hierarquia dos agrupamentos taxonômicos.


Existem 3 domínios, onde estão incluídos todos os seres vivos: Bacteria, Archea e
Eukaria. Bactérias e arqueas são seres procariontes e estão agrupados no Reino Monera. Os
demais seres vivos são eucariontes e estão distribuídos em outros 4 reinos: Protoctista, Fungi,
Plantae e Animalia. O Reino Animalia, por exemplo, apresenta 35 filos, dos quais 9 são mais
conhecidos: Porifera, Cnidaria, Plathyelminthe, Nematoda, Mollusca, Anellida, Arthropoda,
Echinodermata e Chordata.
Como já mencionado, o táxon menos abrangente é a espécie. Por isso, é importante
conhecer o conceito de espécie: categoria taxonômica em que os seres vivos apresentam maior
semelhança anatômica, fisiológica e genética, podendo cruzar livremente na natureza e gerar
descendentes férteis. Espécie é a unidade básica de classificação. Como exemplo, vejamos a
classificação do ser humano, conforme os agrupamentos taxonômicos atuais:

Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Sub-reino: Eumetazoa
Filo: Chordata
Subfilo: Vertebrata
Superclasse: Tetrapoda
Classe: Mammalia
Subclasse: Theria
Infraclasse: Eutheria
Ordem: Primates
Subordem: Haplorrhini
Infraordem: Simiiformes
Superfamilia: Hominoidea
Família: Hominida
Subfamília: Homininae
Gênero: Homo
Espécie: H. sapiens
Subespécie: H. sapiens sapiens

Essa classificação mostra que, além dos táxons já mencionados, pode haver outras
subdivisões como sub-reino, subfilo, superclasse, subclasse, infraclasse, superordem,
infraordem, superfamília, subfamília, subespécie. Contudo, até os pesquisadores chegarem a
esses níveis de classificação, muitos estudos foram realizados ao longo da história.
Os princípios da classificação biológica moderna foram lançados pelo naturalista sueco
Carl von Linné (1707-1778), também conhecido por Carolus Linnaeus, forma latinizada de seu
nome (Lineu, em português). As ideias de Lineu sobre classificação foram inicialmente publicadas
nas primeiras edições de sua obra Species plantarum, de 1753, e na décima edição do livro
Systema naturae, de 1766. Lineu, como seus antecessores, classificou os seres vivos de acordo
com as características semelhantes que apresentavam. Sua grande inovação foi a escolha
criteriosa das características levadas em conta na classificação. Na opinião de Lineu, certos
critérios utilizados em sistemas de classificação anteriores eram inadequados. Para ele, o hábitat
dos organismos, muito empregado pelos antigos gregos na classificação, não deveria ser usado
como critério taxonômico, pois levaria a reunir, na mesma categoria, seres tão distintos como
peixes, baleias, estrelas-do-mar, camarões e ostras. Lineu concluiu que as características mais
adequadas para agrupar os seres vivos eram as estruturais e anatômicas; por isso, ele as elegeu
como principal critério de seu sistema de classificação (Amabis e Martho, 2016).
Nomenclatura taxonômica

Um dos méritos de Lineu foi associar à classificação biológica um sistema eficiente de


nomenclatura, organizando os seres vivos em categorias, segundo uma regra de ordenação. Ele
sugeriu que o nome científico de todo ser vivo fosse composto de duas palavras, a primeira
referente ao epíteto genérico, e a segunda, ao epíteto específico. O termo “epíteto” vem do grego
e significa um substantivo ou um adjetivo que denomina pessoas, divindades, seres vivos ou
objetos, qualificando-os. Por atribuir dois epítetos para denominar cada espécie, o sistema criado
por Lineu ficou conhecido como nomenclatura binomial, sendo utilizado até hoje. Uma das
regras da nomenclatura binomial lineana é que os nomes científicos sejam sempre escritos em
latim ou em uma forma latinizada. A primeira letra do epíteto genérico deve ser sempre
maiúscula, e a do epíteto específico, sempre minúscula. Além disso, o nome científico deve ser
destacado no texto em que aparece, seja em itálico, sublinhado ou grifado. Por exemplo:
Panthera onca.
Como já mencionado, podem haver variações de espécie (subespécie ou raça) e/ou
gênero. São exemplos, a ema branca (Rhea americana alba) e a ema cinza (Rhea americana
grisea), que apresentam subespécie (alba e grisea), bem como o mosquito da dengue Aedes
(Stegomyia) aegypti, que apresenta subgênero. Subespécies são escritas com inicial minúscula
e subgêneros são escritos com inicial maiúscula e entre parênteses. Além dessas variações, após
o nome da espécie pode haver o nome do autor que descreveu a espécie e o ano de
publicação. Por exemplo, o protozoário Trypanosoma cruzi Chagas, 1909, que foi nomeado pelo
brasileiro Carlos Ghagas, em 1909. Nome de autor e ano não são escritos com destaque do texto
onde o nome da espécie está inserido.
Outra observação importante sobre as regras de nomenclatura é o uso de sp., que
significa “qualquer espécie”, quando não se sabe qual é a espécie referente a determinado gênero
ou quando não se deseja citá-la. Por exemplo, existem 4 espécies do gênero Plasmodium
(Plasmodium vivax, Plasmodium falciparum, Plasmodium malariae e Plasmodium ovale). Esse
conjunto pode ser resumido por Plasmodium sp. O termo sp. não recebe destaque no texto.
Ainda, no caso do táxon família, há terminações específicas: sufixos -idae para os animais
e -aceae para os vegetais. Exemplos: famílias Felidae (felinos como gato, tigre, onça e leopardo),
Canidae (caninos como cão, lobo e raposa), Cactaceae (família dos cactos) e Bromeliaceae
(família das bromélias).

Sistemática moderna

A classificação biológica faz parte da Sistemática, o ramo da Biologia que estuda


comparativamente todos os aspectos da diversidade biológica. Esse conceito se refere a todos os
tipos de variações existentes entre os seres vivos nos diferentes níveis de organização biológica,
desde o nível molecular até os ecossistemas (Amabis e Martho, 2016). A sistemática moderna faz
comparações das características genéticas e evolutivas dos seres vivos, ou seja, compreende as
relações filogenéticas entre os organismos. Segundo o evolucionismo, todas as formas de vida
são parentes em algum grau, pois necessariamente tiveram ancestrais comuns. Assim, filogenia
ou cladística é o estudo do parentesco entre as espécies, levando em conta ancestralidade e
descendência. Esse ramo da Biologia visa testar as hipóteses sobre a evolução dos seres vivos,
compreender as características e relações entre essas teorias e as linhagens de espécies
extintas, compreender o processo de classificação das espécies e estudar a biodiversidade do
planeta.
Para atender a esses objetivos, os filogenistas representam o parentesco entre as
espécies estudadas em diagramas denominados árvores filogenéticas ou cladogramas. Em
uma árvore filogenética, a divisão de um ramo (nó) em dois indica que uma espécie ancestral deu
origem a duas novas espécies, ou seja, que ocorreu especiação. Assim, cada espécie atual
representa a extremidade de um ramo da árvore filogenética e cada nó indica o ancestral mais
recente que duas espécies têm em comum (Figura 2).

Figura 2. Representação de uma árvore filogenética.

Na árvore filogenética do exemplo há um ancestral comum a todos os 6 táxons


representados. À medida que a árvore é analisada de baixo para cima, são observados os nós,
cada um representando um ancestral mais recente na linha evolutiva. Assim, o nó número 2
representa o ancestral comum mais recente dos táxons A, B e C, enquanto que o nó número 4
representa o ancestral comum mais recente dos táxons B e C. Isso significa que os táxons B e C
são mais aparentados entre si do que o são em relação ao táxon A. Ou seja, por apresentarem
um ancestral comum mais recente e exclusivo, A e B são táxons irmãos. O nó número 3
representa uma politomia, ou seja, ponto de ramificação de onde emergem mais de dois
descendentes. Isso pode indicar que as relações evolutivas desses grupos ainda não foram
completamente esclarecidas ou que essas várias linhagens têm o mesmo grau de parentesco
como resultado da ocorrência de múltiplos eventos de especiação simultâneos.
Outro conceito importante em uma árvore filogenética é o de clado: grupo de espécies
constituído por uma espécie ancestral e todos os seus descendentes, como mostra a Figura 3.
Esse conceito foi introduzido no começo dos anos 1950, pelo entomologista alemão Willi Hennig
(1913-1976).
Figura 3. Representação e um clado na árvore filogenética da ordem Carnivora.

Os cladogramas podem ter representações estéticas diferentes, com ramos mais


quadrados e ramos mais curtos, por exemplo (Figura 4). Contudo, isso não altera a leitura.
Inclusive, a inversão de um cladograma não altera as relações entre os táxons.

Figura 4. Diferentes representações dos cladogramas.

A proposta básica da cladística é que, se uma “novidade evolutiva” surge e passa no teste
da adaptação, fixando-se em uma espécie, todas as espécies que dela surgirem no curso da
evolução herdarão e compartilharão a nova característica. Essa característica, compartilhada por
dois ou mais táxons e por seu ancestral comum mais recente, é denominada sinapomorfia. Por
outro lado, uma característica primitiva que antecede a ramificação do clado na árvore
filogenética, é denominada de plesiomorfia. Um exemplo de plesiomorfia é a unicelularidade,
presente no ancestral protista dos animais, mas não nas linhagens descendentes (poríferos são
multicelulares e os demais filos são de animais pluricelulares). Já uma característica derivada que
não estava presente no ancestral comum da espécie e que surge na determinada espécie é
denominada apomorfia. Por exemplo, a multicelularidade dos poríferos, a coluna vertebral nos
craniados (apomorfia em relação à sua ausência nos demais cordados).
O esquema abaixo (Figura 5) representa a classificação das plantas atuais e algumas
características desses grupos. Quais características podem ser identificadas como plesiomórficas
e quais são apomórficas?

Figura 5. Grupos de plantas e respectivas características.

ADENDO

Como mencionado no texto, espécie é um grupo de seres vivos em que os indivíduos são
capazes de cruzar entre si livremente na natureza e gerar descendentes férteis. Isso não significa
que não possam existir seres vivos resultantes do cruzamento de indivíduos de espécies distintas,
porém parecidas. Contudo, esses seres vivos não são férteis e não pertencem à espécie de
nenhum dos progenitores. Eles são chamados de híbridos. Veja o arquivo dos slides para
conhecer alguns exemplos de animais e plantas híbridas.

Referência bibliográfica:

Amabis, José Mariano; Martho, Gilberto Rodrigues. Biologia Moderna: 2. 1ª ed. São Paulo:
Moderna, 2016.

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