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Direito e Dignidade no Julgamento de Nuremberg

O documento discute o conceito de direito segundo as teorias de Kant e Habermas no contexto do Julgamento de Nuremberg. Aborda como as leis nazistas violaram a dignidade humana segundo Kant e como, de acordo com Habermas, essas leis careciam de legitimidade por não terem passado por um processo comunicativo na sociedade alemã.
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Direito e Dignidade no Julgamento de Nuremberg

O documento discute o conceito de direito segundo as teorias de Kant e Habermas no contexto do Julgamento de Nuremberg. Aborda como as leis nazistas violaram a dignidade humana segundo Kant e como, de acordo com Habermas, essas leis careciam de legitimidade por não terem passado por um processo comunicativo na sociedade alemã.
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Discente(s): Bianca Sampaio Viera

Rafael Figueredo de Carvalho

Discuta o conceito de direito, considerando-se, perante a situação de acusação,


defesa e julgamento do Tribunal de Nüremberg, nas posições de:

1. Robert H. Jackson, e adote a teoria de Immanuel Kant sobre o conceito de direito e


os crimes contra a humanidade, apontando a violação da dignidade da pessoa.

Eis o conceito de direito em Kant: “O direito é, pois, a totalidade das condições sob as
quais o arbítrio de um com o arbítrio de outro pode ser unido em conjunto segundo uma
lei geral de liberdade”. O primeiro ponto a ser ressaltado é o de que esse não é um
conceito de direito normativo. Já que a definição kantiana não retrata o direito como ele
é, mas como deveria ser. E como o direito deveria ser? Segundo Kant, como um
instrumento voltado à realização de um valor: a liberdade.

Assim, como Immanuel Kant, o promotor Robert H. Jackson não concordava com a pena
de morte para nenhuma pessoa. Uma vida não pode, e nem deve ser retirada por outra,
mesmo com a justificativa para isso seja: atos criminosos gravíssimos. Porque cada
pessoa tem um valor intrínseco, ou seja, que já possuem essência no seu ser, e por isso
suas vidas não devem ser ceifadas. Por conseguinte, Jackson queria um julgamento justo,
tanto que numa partícula do filme, o promotor americano em um diálogo com outros
promotores, fala a seguinte frase: “será o triunfo da Moral Superior”, mostrando que seus
ideias não ultrapassaram o limite da dignidade, pois ele acusou os réus, porém quem
aplicou as leis foram os magistrados do julgamento da cidade alemã, ou seja, os réus ainda
tiveram chances de defesa. E apesar da defesa invocar a teoria Kelseniana, para justificar
os crimes bárbaros cometidos diretamente ou indiretamente pelos seus clientes. Ao
utilizarmos o imperativo categórico do filósofo alemão Kant, o discurso da defesa cai por
terra, pois nenhum homem pode contrariar sua própria razão, em outras palavras os réus
tiveram convicção do que estavam fazendo no regime nazista. Portanto ao analisar o
contexto do Julgamento de Nüremberg, juntamente com o conceito de dignidade de Kant
e deparar-se com as atrocidades cometidas pelos nazistas alemães, os quais privaram de
dignidade e de liberdade, os judeus residentes na Alemanha nazista, esses os quais foram
mortos nos campos de concentração de trabalho forçado ou câmaras de gás tóxico e entre
outros cometidos. Deste modo, tanto o conceito de direito e de dignidade na teoria
kantiana foram severamente violados.

2. François de Menthon, e adote a teoria de Jürgen Habermas sobre o conceito de


direito e os crimes contra a humanidade, apontando os limites do positivismo jurídico.

Jürgem Habermas em suas teorias discursa sobre a factidade versus a validade. Isto é,
o direito positivo, e a sua legitimidade. Aqui discutiremos o Julgamento de Nuremberg
de acordo com as teorias de Harbemas.

No Julgamento de Nuremberg, a defesa invocou a teoria Kelseniana, e clamou que pelo


fato de que eles estavam sendo julgados por atitudes tomadas pelos réus em momento que
suas atitudes estavam sendo demandadas pela lei, e que se eles não a cumprirem, aí sim,
haveriam atos ilícitos pelos quais eles pudessem responder. Mais como o que eles fizeram
estava apoiado pela lei, esse não era o caso. E que além do mais, os crimes pelos quais os
réus estavam respondendo, sequer existiam antes do julgamento, e foram criados
exclusivamente para julgar os réus, e seria injusto os julgarem sobre crimes que até então
não existiam.

No entanto, a teoria discursiva do direito, por Jürgen Habermas, fala sobre o


positivismo jurídico, e sobre como o fato de uma norma ser legal, não necessariamente
implica ela ser legítima. Admitidamente, a legalidade dos atos cometidos pelos réus não
é o que deve ser discutida, mais sim a legitimidade das leis que cumpriram. Por isso, as
leis anteriores não afetariam o caso, nem o fato de "crimes contra a humanidade" fosse
um crime que anteriormente não existisse. Pois os crimes nazistas foram tais com que
fosse necessário a sua criação, para que o direito pudesse lidar com o escopo total do que
foi feito. Isso se reflete na palavra "Genocídio" que foi cunhada pelo advogado judeu
Raphael Lemkin para tratar em palavras o que aconteceu no holocausto.

De acordo com Habermas a legitimidade de uma lei é e resgatada através de discussão


social e se seus subordinados concordarem com ela, aqui discutiremos se as leis de
Nuremberg, eram ou não, legítimas. Aprovadas pela Alemanha nazista em setembro de
1935, são conhecidas coletivamente como “Leis de Nuremberg”: a Lei de Cidadania do
Reich; e a Lei de Proteção do Sangue e da Honra Alemã. Estas leis incorporavam muitas
das teorias raciais que embasavam a ideologia nazista. Elas constituíram a estrutura legal
para a perseguição sistemática dos judeus na Alemanha, mas, houve ou não discurso
social sobre essas leis na Alemanha?

De acordo com Habermas e sua definição de comunicação, não.

Habermas concebe uma força normativa inerente à linguagem que, se usada de forma
comunicativa, é um meio eficaz de integração social. Trata-se do agir comunicativo,
assim entendido como a disposição dos particulares para, a partir do diálogo, se entender
e alcançar um consenso sobre algo do mundo. A comunicação, para Habermas, é diálogo
e o agir comunicativo é o instrumento para alcançá-lo.

Na Alemanha, antes da segunda guerra mundial, haviam cerca de 525 mil judeus
vivendo em seu território. A aprovação dessas leis em si já é prova que não houve
comunicação. E devo acrescentar, que Habermas diz que para uma lei ser legítima os
seus subordinados precisam concordar com ela, o que claramente não aconteceu, de
acordo com a imigração em massa para fora da Alemanha. Haviam também, propagandas
de medo contra os judeus, que empatavam a comunicação sem mutilação das palavras,
espalhavam falsa informação que se dizia científica, e incentivava que os judeus fossem
tratados como ratos.

Portanto, a discussão social nessa classificação específica de comunicação, foi


inexistente, o quê invalida as leis de Nuremberg, e faz com que os réus tenham que
responder pelo o que fizeram em durante sua vigência.

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