ARTIGO
A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DA NEUROPSICOLOGIA PARA
AS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS
THE IMPORTANCE OF THE STUDY OF NEUROPSYCHOLOGY FOR
PEDAGOGICAL PRACTICES
Amanda Luíza Messias Matos
Matheus Svóboda Caruzo
Emmy Uehara
Resumo: A Neuropsicologia atua principalmente sobre as funções cognitivas. Tais informações
são de grande relevância para o campo da educação. Em contrapartida, acredita-se que ainda possa
haver uma defasagem em relação ao conhecimento dessa ferramenta pelos educadores, em
especial aqueles que atuam em instituições públicas de ensino. Por isso, este estudo objetivou
investigar a importância do aprendizado sobre Neuropsicologia para a atuação dos docentes e a
realização das práticas pedagógicas. Utilizou-se um questionário virtual, através do Google
Forms, contendo 41 questões, para investigar a temática. Foram utilizadas técnicas de estatística
descritiva para análise dos dados coletados. Participaram do estudo 102 educadores com atuação
na Educação Infantil e os ensinos Fundamental I e II, com matrículas ativas na Educação pública
dentro do Estado do Rio de Janeiro. Através dos resultados obtidos, é pertinente afirmar que a
Neuropsicologia e seus estudos e atuação pode contribuir para as práticas pedagógicas e,
consequentemente, para a atuação dos educadores, de diversas formas. No entanto, há um déficit
na transmissão de conhecimentos neurocientíficos nas formações em docência, se fazendo
necessário a realização de cursos e formações continuadas para melhor qualificação para esses
profissionais.
Palavras-chave: Neurociências; Neuropsicologia; Aprendizagem; Educação.
Abstract: Neuropsychology acts mainly on cognitive functions. Such information is of great
relevance to the field of education. On the other hand, it is believed that there may still be a gap
in relation to the knowledge of this tool by educators, especially those who work in public
educational institutions. Therefore, this study aimed to investigate the importance of learning
about Neuropsychology for the performance of teachers and the realization of pedagogical
practices. A virtual questionnaire was used, through Google Forms, containing 41 questions, to
investigate the theme. Descriptive statistical techniques were used to analyze the collected data.
The study included 102 educators working in Early Childhood Education and Elementary Schools
I and II, with active enrollment in public education within the State of Rio de Janeiro. Through
the results obtained, it is pertinent to affirm that Neuropsychology and its studies and performance
can contribute to pedagogical practices and, consequently, to the performance of educators, in
different ways. However, there is a deficit in the transmission of neuroscientific knowledge in
teaching training, making it necessary to carry out courses and continuing education for better
qualification for these professionals.
Keywords: Neurosciences; Neuropsychology; Learning; Education.
INTRODUÇÃO
Nos dias atuais a educação brasileira passa por alguns desafios socioeconômicos
e práticos que são relacionados ao desenvolvimento da aprendizagem e à qualidade do
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serviço oferecido. Constatou-se que o aprimoramento de práticas educacionais e sociais
e o maior investimento financeiro nessas áreas são primordiais para que haja um sistema
educacional que atenda todas as demandas do Brasil (SOUZA; ALVES, 2017). É
admissível ressaltar que houve uma significativa melhora na qualidade e no acesso ao
ensino, no entanto as condições para o aprendizado no país ainda se encontram em baixa
colocação em relação a maioria das demais nações (PESTUN, 2019). Essa afirmação
pode ser certificada quando há a análise do ensino público oferecido à população.
Uma das possíveis causas dessa ineficiência é a pouca intervenção das
Neurociências no âmbito da educação. Sob essa abordagem, Sousa e Alves (2017)
dissertaram sobre o desafio evidenciado pelo não entendimento da complexidade do
processo de ensino-aprendizagem e das suas práticas. O déficit no domínio desse
conhecimento pode promover a falta de compreensão acerca das exigências do sistema
educacional e de seus educandos, bem como a deficiência de estímulos e de criação de
estratégias que poderão propiciar um melhor desenvolvimento cognitivo.
É importante mencionar que os aspectos socioafetivos, as relações familiares e
socioeconômicas estão relacionadas ao complexo processo de aprendizagem (PERES;
DIAS, 2011). Vygotsky (1991) afirmava que é necessário entendê-lo sob uma perspectiva
sociointeracional. Por conseguinte, acredita-se que, a partir da Neurociência cognitiva e
da Neuropsicologia, é possível obter a compreensão de uma parte do mecanismo do
aprendizado: aquela que é associada a diferentes áreas cerebrais e funções cognitivas, tais
como: memória, atenção, percepção, emoção, funções executivas, motivação, emoções,
entre outras (HAASE et al, 2015; FONSECA, et al., 2020).
Segundo Haase et al (2015), as bases das práticas educacionais modernas e
contemporâneas levam pouco em consideração os aspectos cognitivos relacionados com
a aprendizagem. Isso pode ser devido a uma série de fatores, incluindo os currículos de
formação profissional que tendem a abranger pouco os saberes neurocientíficos e
neuropsicológicos relacionados a assimilação e memorização de conteúdo, peças-chaves
para o desenvolvimento cognitivo saudável (SOUSA; ALVES, 2017).
Ainda nessa perspectiva, Malloy-Diniz (2010) ressalta que a colaboração das
Neurociências (em especial a perspectiva neuropsicológica) possibilita o reconhecimento
de características especificas, potencialidades, limitações e problemas relacionados à
aprendizagem, proporcionando o encaminhamento e a intervenção terapêutica quando
necessária. No entanto, Lopes et al (2020), constataram a possibilidade de desinteresse
por parte dos educadores sobre as Neurociências e a Neuropsicologia e sua importância.
Esse aspecto pode ser intensificado pelo fato de a formação psicológica da maioria dos
cursos de Pedagogia ser limitada as teorias do início do século XX. Sendo assim as
técnicas e práticas pedagógicas pouco consideram o rigor e o conhecimento metodológico
da psicologia cognitiva e das Neurociências (HAASE; et al, 2015).
Em vista do que foi mencionado, este estudo procura analisar se os conhecimentos
associados ao assunto auxiliam os educadores de instituições públicas, localizadas no
Estado do Rio de Janeiro em sua atuação profissional, através da apresentação do conceito
de Neurociência e dos conhecimentos neuropsicológicos associados a aprendizagem,
questionando sua relevância para os educadores e as demandas educacionais atuais. Por
fim, discutir sobre os aspectos que poderão influenciar os resultados obtidos coletados,
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através da aplicação do formulário.
Mesmo com a ampliação do acesso a escolarização para a população brasileira, a
qualidade do ensino no país ainda está distante da ideal. Por conseguinte, acredita-se que
os profissionais da psicologia, neuropsicologia e demais áreas neurocientíficas, assim
como, os conhecimentos neurobiológicos e cognitivos podem auxiliar as práticas
educacionais e, consequentemente, atuação dos profissionais de educação (PESTUN,
2015).
Cosenza e Guerra (2011) enfatizam a posição dos educadores como agentes das
mudanças neurobiológicas que resultam no aprendizado. Por isso, segundo Lopez et al
(2020), o interesse dos educadores no funcionamento dos processos cerebrais e cognitivos
relacionados pode facilitar e melhorar suas práticas pedagógicas e sua atuação
profissional. O autor também ressaltou a dicotomia entre a disposição de aprender e o
nível desses conhecimentos pelos professores de escolas particulares e públicas. Por
conseguinte, acredita-se na relevância desse estudo para a melhoria das práticas
educacionais através da análise da sapiência sobre neurobiologia e funções cognitivas e
da prática interdisciplinar (neurocientistas, terapeutas e educadores) colabore na atuação
de profissionais da educação, de forma que as estratégias pedagógicas respeitem a
neurobiologia humana, melhorando, assim, o processo de aprendizagem em escolas
públicas do Estado do Rio de Janeiro.
MÉTODO
Participantes
Participaram da presente pesquisa 102 brasileiros, educadores de ambos os sexos,
de escolas públicas situadas no Estado do Rio de Janeiro, na faixa etária acima dos 20
anos, cujo nível de formação foi do ensino médio completo até pós-graduação completa.
Instrumentos
Utilizou-se um formulário online através do Google Forms, idealizado pela
graduanda Amanda Luíza e pela Prof. Dra. Emmy Uehara. Ele continha 41 perguntas
(entre questões: socio-demográficas, do processo de formação profissional, uma
autoavaliação do nível de conhecimento sobre Neurociências e do suporte recebido dos
terapeutas dos alunos). O tempo médio de resposta ás perguntas variava entre 5 e 10
minutos.
Procedimentos
Foi aplicado entre os dias 19 de outubro e 04 de novembro do ano de 2021 um
formulário online. Indivíduos que compunham o público-alvo (professores da rede
pública de ensino do Estado do Rio de Janeiro) foram convidados, por meio de diversas
redes sociais, a preencherem o questionário através do aplicativo GoogleForms. A coleta
de dados iniciava com a concordância do termo de consentimento livre e esclarecido
(TCLE) pelos participantes, que serviu como requisito ético para certificá-los sobre seus
direitos e o caráter voluntário da pesquisa.
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Análise de dados
Como forma de análise de dados esse estudo utilizou as técnicas de estatísticas
descritivas (médias, porcentagem e desvio-padrão). A montagem dos gráficos presentes
na pesquisa foi realizada através do programa EXCEL.
RESULTADOS
Dados demográficos
Considerou-se dados sociodemográficos as variáveis: sexo, faixa-etária, cidade
onde trabalham e escolaridade.
Tabela 1. Características sociodemográficas dos participantes
N %
Sexo
Feminino 89 87,3
Masculino 13 12,7
Faixa etária
20-30 anos 3 2,9
30-40 anos 28 27,5
40-50 anos 37 36,3
50-60 anos 28 27,5
Acima de 60 anos 6 5,9
Escolaridade
Ensino Médio completo 2 2
Superior (cursando) 5 4,9
Superior completo 27 26,5
Pós-graduação/especialização 8 7,8
(cursando)
Pós-graduação/especialização 59 57,8
completa
Cidade onde trabalha
Rio de Janeiro 79 77,4
Duque de Caxias 9 8,82
Nova Iguaçu 5 4,90
Seropédica 3 2,94
Demais cidades 5 4,9
Fonte: Os autores
Na Tabela 1, é possível concluir que grande parte dos participantes era do sexo
feminino (83,3%) e possuía entre 40 e 50 anos de idade (36,3%), sendo seguido por
indivíduos entre 30 e 40 e 50 e 60 anos (com 27,5% cada). Sobre o nível de escolaridade,
observa-se que a maior porcentagem de participantes possuía pós-graduação completa
(57,8%), após esse nível o mais recorrente foi os que obtinham o ensino superior completo
(26,5%). É importante mencionar que, a porcentagem mais inferior para a escolaridade
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foram o dos participantes cuja formação era ensino médio completo, significando apenas
2% da população da pesquisa. Ao se observar a distribuição regional de trabalho dos
participantes, é possível salientar a discrepância dos profissionais que trabalham em
instituições localizadas na Cidade do Rio de Janeiro, representando cerca de 77,4%.
Dentre as demais cidades as que mais se destacaram, foram Duque de Caxias (8,82%),
Nova Iguaçu (4,90%) e Seropédica (2,94%).
Formação acadêmica e profissional dos participantes
Em relação à formação dos profissionais, os cursos mencionados foram: Artes,
Artes Cênicas, Biologia, Ciências Sociais, Direito, Educação Física, Geografia, História,
Letras, Matemática, Normal Superior, Pedagogia e Psicologia. O curso de graduação com
maior abrangência foi Pedagogia com 34,31%, seguido por Letras com 12,74% e História
e Artes plásticas com 6,86% cada. É importante considerar que, por volta de, 83% dos
cursos apresentados são de licenciatura. Em contrapartida, 6,86% dos participantes não
possuíam ou não informaram a graduação. Sobre o ano de término de graduação,
aproximadamente, 72% dos profissionais concluíram sua formação principal antes de
2010. Em relação a 2010 e 2015 e 2015 e 2020, apresentaram 15% e 13%
respectivamente. Esta pesquisa não obteve dados de indivíduos com graduação ou
formação normal com ano de conclusão após 2020.
Conhecimentos abordados ao longo de sua formação
A seguir serão apresentadas as informações sobre a frequência que alguns
assuntos relativos à Neuropsicologia foram mencionados ao longo da formação principal
dos participantes.
Figura 1. Frequência que os conhecimentos neurocientíficos foram abordados durante a
formação dos participantes
Fonte: Os autores
Na pergunta sobre a frequência que os conhecimentos neurocientíficos foram
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abordados na formação principal dos participantes, foi observado que a opção com maior
prevalência foi “ocasionalmente” com 34 (33,3%) respostas. Seguido por “raramente”
com 23 (22,5%) e “nunca” com 19 (18,6%). As respostas com menor percentual foram
“frequentemente” com 18 (17,6%) e “muito frequentemente” 5 (4,90%) cada. Em
seguida, é possível visualizar que o tema funções cognitivas apresentou 31 (30,3%) de
respostas com “ocasionalmentente”, seguido por “frequentemente” com 30 (29,4%) e
“muito frequentemente” com 24 (23,2%). As alternativas com menor porcentagem fora
“raramente” 11 (10,7%) e “nunca” com 6 (5,88%). Por fim, sabe- se que 32 (31,3%)
participantes declararam que o assunto neuroplasticidade “nunca” foi abordado em sua
graduação ou formação de professores. Já 25 (24,5%) e 23 (22,5%) disseram que o tema
foi “ocasionalmente” ou “raramente” mencionado. Apenas 11 (10,7%) participantes
afirmaram que foi “frequentemente” ou “muito frequentemente” explanados durante a
faculdade ou ensino normal.
Autoavaliação
Esta seção foi dedicada a autoavaliação dos participantes acerca de seus níveis de
conhecimento sobre aspectos continuamente estudados na Neuropsicologia.
Posteriormente, será apresentada uma figura que representa o nível de conhecimento dos
profissionais da educação sobre as práticas pedagógicas.
Figura 2. Nível de conhecimento sobre funções cognitivas
Fonte: Os autores
O resultado que está exposto na Figura 2 é referente as perguntas de autoavaliação
sobre o grau de domínio dos participantes sobre as seguintes funções cognitivas:
sensopercepção, atenção, memória, linguagem, funções executivas e motivação. Para
sensopercepção, a opção mais frequente foi “discordo totalmente” com 29 (28,4%),
depois “discordo parcialmente” apresentando 26 (25,4%), “nem concordo nem discordo”
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com 23 (22,5%), “concordo parcialmente” apresentando 15 (14,7%) e “concordo
totalmente” com 9 (8,8%). Sobre atenção, a opção com maior porcentagem foi “discordo
totalmente” com 34 (33,3%), ela também apresentou duas opções a mesma prevalência
“nem concordo nem discordo” e “concordo parcialmente” com 22 (21,5) respostas cada.
Os menores percentuais para processos atencionais foram “discordo parcialmente” com
15 (14,7%) e “concordo totalmente” com 9 (8,8%). Em relação aos processos
mnemônicos, a maioria das respostar foi “discordo parcialmente” com 31 (30,3%)
participantes, a segunda opção mais presente foi “discordo totalmente” apresentando 28
(27,4%) respostas, a terceira mais frequente foi “concordo parcialmente” com 19
(18,6%), depois para “nem concordo nem discordo” e “concordo totalmente” ocorreu um
empate, já que as duas alternativas apresentaram 12 (11,7%) participantes. A função
linguagem teve como mais respondida a alternativa “concordo totalmente” com 35
(34,3%), logo após estava “concordo parcialmente” com 34 (33,3%), “nem concordo nem
discordo” com 22 (21,5), “discordo parcialmente” que obteve 10 (9,8%) e “discordo
totalmente” com apenas 1 resposta. A respeito das funções executivas, houve a
preferência para “nem concordo nem discordo” que obteve 24 (23,5%) participantes e
“discordo totalmente” com 23 (22,5%). A posteriori estavam “discordo parcialmente” e
“concordo totalmente” que obtiveram 20 (19,6%) cada e “concordo parcialmente” com
15 (14,7%) componentes. Por fim, com relação a motivação, houve a predominância da
alternativa “concordo totalmente” que apresentou 40 (39,2%). As demais opções foram
“concordo parcialmente”, “nem concordo nem discordo”, “discordo totalmente” e
“discordo parcialmente”, com 29 (28,4%), 22 (21,5%), 5 (4,5%) e 2 (1,96%),
consecutivamente.
Figura 3. Nível de conhecimento sobre Transtornos de Neurodesenvolvimento
Fonte: Os autores
A Figura 3 faz referência ao percentual de auto avalição sobre os Transtorno de
Neurodesenvolvimento. O primeiro transtorno apresentado é o TDAH. A alternativa mais
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prevalente foi “concordo parcialmente” com 34 (33,3%) participantes, por conseguinte
teve “concordo totalmente”, que obteve 28 (27,4%), “nem concordo nem discordo” com
20 (19,6%), “discordo parcialmente” 20 (19,6%) e “discordo completamente” com 4
(3,9%) respostas. Em seguida, foi exposto o percentual referente ao Transtorno do
Espectro do Autismo (TEA). A resposta mais presente foi “concordo parcialmente”
obtendo 36 (35,6%) voluntários. Sobre Deficiência Intelectual, duas opções obtiveram o
maior percentual “concordo parcialmente” e “concordo totalmente”, com 31 (30,3%)
respostas. A segunda resposta mais frequente foi “nem concordo nem discordo” com 19
(18,6%) pessoas. E, as duas com menor percentual foram “discordo parcialmente” e
“discordo totalmente” com 12 (11,7%) e 9 (8,88%) respectivamente. Por fim, a Figura 6
apontou os valores da questão sobre Transtornos de Comunicação. Nela, a alternativa
preponderante foi “concordo parcialmente”, com 32 (31,3%). As demais alternativas
“discordo parcialmente”, “nem concordo nem discordo”, “concordo totalmente” e
“discordo totalmente”, tiverem 20 (19,6%), 19 (18,3%), 18 (17,6%) e 13 (12,7%)
voluntários consecutivamente.
Figura 4. Nível de conhecimento sobre Transtornos Específico de Aprendizagem
Fonte: Os autores
Os valores sobre o conhecimento acerca dos Transtornos Específicos de
Aprendizagem foram explanados na Figura 4. Sobre a Dislexia, a alternativa mais
presente foi “concordo parcialmente” que obteve 34 (33,3%) participantes. Sendo seguida
por “concordo totalmente” com 14 (23,5%) voluntários, “nem concordo nem discordo”
que obteve 20 (19,6%), “discordo parcialmente” com 13 (12,7%) e “discordo totalmente”
com 11 (10,7%) respostas. Para a Discalculia, a maior prevalência apresentada foi
“concordo parcialmente” com 28 (27,4%). Após estavam “nem concordo nem discordo”
e “discordo totalmente” com 20 (19,6%) participantes cada, “concordo totalmente” com
18 (17,6%) e “discordo parcialmente” com 16 (15,6%) respostas. Para concluir, os dados
acerca da Disgrafia expuseram que “concordo parcialmente” e “nem concordo nem
discordo” possuíram maior prevalência com 30 (29,4%) e 24 (23,5%), consecutivamente.
Com menor percentual estavam “concordo totalmente” com 21 (20,5%), “discordo
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totalmente” que obteve 14 participantes (13,7%) e “discordo parcialmente” com cerca de
12,7%.
Apoio terapêutico
Nesta seção será explanado a opinião dos educadores acerca da necessidade de
encaminhamento para terapias e avaliações diagnósticas para alunos com alguma
dificuldade específica. Do mesmo modo, o acesso ao suporte técnico e de material
didático oferecido pelos terapeutas e profissionais da saúde dos alunos que realizam
acompanhamento terapêutico, poderá ser observado.
Nos resultados, 40 (39,2%) educadores afirmaram concordar totalmente com o
questionamento: “Você já ouviu falar de Avaliação Neuropsicológica?”. Para as demais
alternativas, 26 (25,5%) participantes responderam “concordo parcialmente”, 14 (13,7%)
“optaram por “discordo parcialmente”, 12 (11,8%) por “nem concordo nem discordo” e
10 (9,8%) por “discordo totalmente”. Para a pergunta “Você já procurou saber sobre
alguma condição específica apresentada por algum aluno (TEA, TDAH, dislexia, etc)?”,
ocorreu a prevalência da alternativa “concordo totalmente”, com 72 (71,3%), sendo
seguida por “concordo parcialmente”, com 13 (12,9%), “discordo parcialmente” e “nem
concordo nem discordo” que obtiveram 7 (6,9%) cada e “discordo totalmente” com
apenas 2 (2%) das respostas.
Discussão
Conforme mostrado na Tabela 1, quase 88% dos participantes da pesquisa foram
do sexo feminino. Essa prevalência pode ser considerada frequente na área da educação.
Pereira (2012) ressaltou que a docência é, historicamente, considerada uma profissão
feminina. Esse fenômeno foi ainda mais estimulado com a feminização da escola normal,
o que configura a educação infantil e fundamental I com docência majoritariamente de
mulheres. A população da pesquisa também teve mais participantes que
realizaram/realizam graduação em pedagogia. Estudos comprovam a baixa entrada e
grande evasão de homens no curso de graduação em Pedagogia (PEREIRA, 2013). Sobre
o ano de término de graduação, 57,8% dos profissionais concluíram antes do ano de 2010.
Pinto (2010) classificou os conhecimentos das formações de professores em 5
qualificações: saberes pessoais do professor; saberes provenientes da formação escolar
anterior; saberes provenientes da formação profissional para o magistério; saberes
provenientes dos programas e livros didáticos usados no trabalho e saberes provenientes
de sua própria experiência na profissão, na sala de aula e na escola. Sabe-se que, nessa
perspectiva é valorizado o caráter reflexivo-político, contudo não é enfatizada a
importância do funcionamento físico e cognitivo da aprendizagem. Em contrapartida, de
Souza e da Silva (2019) ressaltam que os conhecimentos neuropsicológicos podem
possibilitar que os educadores superem os obstáculos relacionados as diferentes
características e dificuldades dos alunos, bem como o enriquecimento intelectual e
melhores qualificações para os docentes.
Ainda sobre a graduação, na Figura 1, foram apresentados os dados referentes aos
conteúdos neuropsicológicos abordados durante a formação acadêmica e o ensino médio
com formação de professores. O aprendizado de Neurociência aparece com maior
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percentual na opção “ocasionalmente” sendo seguido por “raramente” e “nunca”. Por isso
é importante refletir sobre a importância dessa área para o bom êxito da educação.
Sabe-se que o cérebro é o órgão da aprendizagem (GUERRA, 2011). Nessa
perspectiva, um estudo feito por Oliveira no ano de 2018 afirmou a relevância de um
profissional da educação não se limitar a práticas pedagógicas mecânicas, focalizadas em
“passar o conhecimento”. Com isso, há a necessidade de a formação acadêmica
proporcionar uma melhor compreensão do desenvolvimento físico, cognitivo e nervoso
dos alunos, estimulando a criação de diferentes ferramentas, atividades, testes e
avaliações que levem à um melhor aprendizado. Algo similar foi notado no assunto
“neuroplasticidade”. Acredita-se que a aprendizagem provoca modificações no sistema
nervoso, portanto há relevância sobre o conhecimento do conceito e do processo de
neuroplasticidade para compreender de forma mais completa a interação do indivíduo
com o ambiente, as dificuldades de aprendizagem e os desenvolvimentos atípicos
(FREITAS; CARDOSO, 2015). Por outro lado, para o assunto “funções cognitivas”, o
resultado expôs que esse conteúdo foi mais bem abordado, o que representa uma boa
visão pois a compreensão de como ocorre o processamento do conhecimento possibilita
ações e intervenções que melhorem o desenvolvimento dos mecanismos de atenção,
memória e esquecimento, linguagem, entre outros, através de estratégias educacionais
(DOS SANTOS; SOUZA; QUIROZ, 2016).
Os resultados apresentados na Figura 1 expõem alguns problemas que interferem
em diferentes âmbitos na atuação dos educadores. Primeiramente, há o sentimento de
insegurança dos profissionais em atuar diretamente com casos de desenvolvimento ou
níveis de aprendizagem atípicos (OLIVEIRA, 2018). Ainda existe a dificuldade no
encaminhamento para avaliação diagnóstica (DE FREITAS MARINO, 2020). Essa
defasagem influencia diretamente nos Transtornos de Neurodesenvolvimento pois, sabe-
se que os cursos de graduação em licenciatura e pedagogia brasileiros não têm o intuito
de aprofundar esses e os demais conceitos neuropsicológicos (DE FREITAS MARINO,
2020). Santos (2020) ressalta que os profissionais atuantes em ambientes escolares devem
estar atentos para não enquadrar os alunos dentro de padrões pré-estabelecidos, deste
modo há a importância de a formação de professores abranger as dificuldades e
transtornos específicos pois cabe aos educadores percebê-las, identificar os sinais de cada
transtorno e as necessidades distintas dos alunos. De Freitas Marino (2020) afirma em
seu trabalho que a capacitação de professores para o reconhecimento de problemas e
atrasos de desenvolvimento é um procedimento estratégico que possibilita o diagnóstico
e a intervenção precoce de alterações. Além disso, sabe-se que esse conhecimento pode
ajudar na criação de estratégias que promovam em sala de aula atividades que
impulsionem o desenvolvimento do Sistema nervoso central, por meio de estímulos
externos, a fim de facilitar as sinapses nervosas (DOS SANTOS; SOUZA, 2016).
Cosenza e Guerra (2011) ressaltaram que as práticas pedagógicas que consideram os
conhecimentos neuropsicológicos e neurocientíficos que explicam o funcionamento
cerebral são os métodos com maior probabilidade de sucesso, assim, eles estarão melhor
habilitados a ensinar, avaliar e estimular os educandos eficientemente. Por fim, cabe
ressaltar que é necessário que formação docente capacite os educadores para desempenhar
a tarefa exposta na Declaração de Salamanca (1994) que enfatiza a função dos
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profissionais da educação de promover mudanças nas instituições que recebem a crianças
com deficiência.
No entanto, ao se comparar os valores da Figura 1 com as Figuras 3 e 4 há uma
discrepância entre os conhecimentos abordados na formação em docência e a
autoavaliação acerca do nível de conhecimento, principalmente com relação aos
transtornos. É cabível associar essas informações com a alta prevalência de participantes
com pós-graduação em andamento ou já concluídas (dados apresentados na Tabela 1).
Sabe-se que a formação inicial não oferece os conhecimentos suficientes para atender as
demandas presentes na sala de aula (RODRIGUES et al, 2017). Isso intensifica a
importância da formação continuada para a atuação dos docentes. Rodrigues (2017)
afirmou, também, que os educadores precisam reformular a ideia da prática educacional
como constante e imutável e planejar suas ações dentro do ambiente escolar para melhor
acesso aos alunos. Faz-se imprescindível que a formação considere as atuais
circunstâncias psicossociais e condições neuroanatômicas, fisiológicas, emocionas e
cognitivas, que indicarão melhores práticas, viabilizam identificação das singularidades
de cada indivíduo, acreditando nas múltiplas possibilidades de aprendizagem, com formas
alternativas e mais adequadas as demandas apresentadas (DOS SANTOS; SOUZA,
2016).
Os neuropsicólogos observam uma maior associação do cérebro à contextos em
que há relações auxiliadoras que lhes sejam significativas. Os próprios alunos delimitam
seus ritmos biológicos e traduzem a sua condição mental para aprender (OLIVEIRA-
SILVA, 2018). Hoje, entende-se que as técnicas e ações pedagógicas são as que fazem
uso de estímulos ambientais (externos) para impulsionar a organização do sistema
nervoso central, e, por conseguinte, resultam em mudanças comportamentais
(OLIVEIRA, 2019). Nessa perspectiva, os resultados podem expressar que há um
desequilíbrio de percentual dos níveis de conhecimento sobre as diferentes funções
cognitivas (Figura 2). No que se refere a motivação e linguagem, os professores
consideraram seu domínio de conhecimento favorável. Entretanto, os mecanismos
atencionais e sensoperceptivos não obtiveram a mesma estimativa positiva. Estudos
salientam que, para o amadurecimento cognitivo saudável, faz-se necessário uma
qualificação sobre as funções cerebrais e as condições externas que podem facilitar a
aquisição, retenção e evocação de conteúdo. Desta forma a defasagem no domínio de
algumas áreas cognitivas é altamente prejudicial pois, à partir do conhecimento de quais
condições cognitivas são fundamentais para o aprendizado, maior a eficiência para
idealização de intervenções e práticas pedagógicas mais adequadas (OLIVEIRA, 2019).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta pesquisa buscou investigar a relevância do uso da Neuropsicologia para a
atuação dos educadores. Ela foi realizada através da percepção dos participantes acerca
dos assuntos abordados ao longo da formação acadêmica em docência e da autoavaliação
do nível de conhecimento sobre os principais temas da área, cruzando os dados coletados
da pesquisa com a literatura atual. A partir disso, é possível retomar os aspectos que
enfatizam a importância desses conceitos para as práticas pedagógicas evidenciados em
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outros estudos sobre Neuropsicologia.
Esse trabalho explanou que pesquisas sobre Pedagogia, Psicologia Escolar,
Neuroeducação, Neurociências, Neuropsicologia, entre outras áreas, ressaltaram que a
utilização de estratégia e atividades que promovam estimulação do Sistema nervoso
central, a fim de facilitar as sinapses em sala de aula, estimulam, também, várias funções
mentais (SANTOS; SOUZA, 2016). Consequentemente, Cosenza e Guerra (2011)
afirmaram que os métodos de aprendizagem que consideram a maneira como o cérebro
aprende e ressaltam os mecanismos de repetição, elaboração e consolidação, são aqueles
com melhor perspectiva de sucesso.
A necessidade de encaminhamento à avaliação diagnóstica foi enfatizada por
cerca de 71,5%. Isso, entra em concomitância com alguns estudos explanados nesse
trabalho que afirmaram que a Neuropsicologia, também, pode auxiliar as práticas
pedagógicas através do exame e da reabilitação Neuropsicológica. Esses recursos
possibilitam a proposição de um diagnóstico mais específico das funções psicológicas
superiores, possibilitando a orientação da intervenção pedagógica e terapêutica, podendo
dar maior ênfase na estimulação e medidas para o aprimoramento de habilidades em
defasagem (DE LUCCA et al, 2008).
Os dados desse estudo também revelam que os temas neurocientíficos foram
pouco abordados na formação acadêmica da maioria dos voluntários, sendo que o assunto
melhor trabalhado foram as funções cognitivas, entretanto com relação aos aspectos da
neuroplasticidade a defasagem é maior. Por isso, acredita-se que a formação docente,
atualmente, precisa considerar a capacitação neurocientífica dos profissionais que se
encontram inseridos na escola, buscando promover a aceitação, compreensão e
intervenção para as diferenças individuais dos alunos (OLIVEIRA, 2018). No intuito de
sanar essa defasagem é cabível salientar a importância da realização de formação
continuada e de especializações para que os profissionais da educação estejam
devidamente qualificados à atuarem com a demanda apresentada por seus educandos.
Tanto que, ela foi considerada por 72,5 % dos participantes como fator que melhoraria
sua atuação profissional.
Em contrapartida, há o nível de conhecimento dos educadores sobre os
Transtornos de Neurodesenvolvimento. Foi percebido que, mesmo com a defasagem
desse assunto nas formações iniciais, os voluntários consideraram que, em sua maioria,
possuíam boa ou alguma noção, pelo menos em relação aos principais (DI, TDAH, TEA,
Transtornos de Comunicação e Transtornos Específicos de Aprendizagem). Sabe-se que
o desenvolvimento no sentido cognitivo e orgânico, implica no estabelecimento de uma
relação de troca e comunicação entre o organismo, suas condições, dificuldades e
transtornos e o meio ambiente que ele vive e para qual se direciona. Para a aprendizagem
é imprescindível considerar que organismo sofre modificações de sua estrutura física e
funcional, incluindo seus padrões de desenvolvimento maturacional e ontogenético. Por
isso conhecer os transtornos, suas implicações, prognósticos e a forma como podem
interagir com o meio possibilita a realização de práticas pedagógicas mais efetivas e
diretas para as características de cada aluno (FREITAS; CARDOSO, 2015).
A aprendizagem é um processo complexo, integra diversas demandas nas escolas.
Por isso é pertinente que o profissional da educação que não se limite em práticas
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pedagógicas mecânicas, focalizadas em “passar o conhecimento” (FREITAS;
CARDOSO, 2015). Em vista disso, os resultados desse estudo provam que o
conhecimento Neuropsicológico pode ser aproveitado pelos profissionais da educação de
diferentes formas, desde a avaliação diagnóstica, até a orientação, qualificação e
realização de práticas pedagógicas mais adequadas às demandas específicas de cada
indivíduo. Todavia, para que esses benefícios sejam completamente gozados se faz
relevante que esses assuntos sejam melhores abordados nas formações em docência, bem
como que haja maior produção acadêmica, principalmente para as áreas da Psicologia e
Neuropsicologia Escolar, visando melhorar a comunicação e qualificação com e para os
educadores.
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