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Funcionamento de PLLs em Sincronismo de Fase

Este documento descreve o funcionamento de malhas de sincronismo de fase (PLL), incluindo seus componentes, estados de funcionamento, faixas de operação e comportamento dinâmico. PLLs são sistemas de realimentação que sincronizam a fase e frequência do sinal de saída com o sinal de entrada.
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Funcionamento de PLLs em Sincronismo de Fase

Este documento descreve o funcionamento de malhas de sincronismo de fase (PLL), incluindo seus componentes, estados de funcionamento, faixas de operação e comportamento dinâmico. PLLs são sistemas de realimentação que sincronizam a fase e frequência do sinal de saída com o sinal de entrada.
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PLL - PHASE LOCKED LOOP - malha de sincronismo de fase

Introdução:

As malhas de sincronismo de fase (PLL’s) são dispositivos cujo sinal interno segue o
sinal com o qual se pretende estabelecer um sincronismo. Mais precisamente, os PLL’s
ajustam a fase e a freqüência do sinal de saída de maneira que os erros entre a fase e
a freqüência do sinal de saída e o sinal de entrada sejam reduzidos ao mínimo
possível.

As malhas de sincronismo de fase ( Phase Locked Loops – PLL’s ), apesar de serem já


uma tecnologia antiga, cujos primeiros estudos remontam à década de 20, tiveram um
grande impulso, após o advento dos Circuitos Integrados. Atualmente são utilizadas em
aplicações na área de telecomunicações, instrumentação, sistemas de controle,
sistemas de navegação aeroespacial, etc.

Diagrama de Blocos e Principio de Funcionamento


PLL’s são sistemas de realimentação, constituídos por 3 elementos: detector de fase
(phase detector - PD), filtro passa baixas linear (Low Pass Filter - LPF), oscilador
controlado por tensão (Voltage Controlled Oscillator - VCO), interligados conforme a
figura abaixo.

 Sem sinal na entrada, a tensão de erro (V d) é nula e o VCO opera em uma


freqüência fixa determinada por componentes externos. Essa é chamada
freqüência livre de oscilação.

 Quando se aplica um sinal na entrada do circuito, o detector de fase recebe esse


sinal e compara a sua fase com a do sinal fornecido pelo VCO, gerando uma
tensão de erro (Vd) que é proporcional à diferença das fases dos dois sinais.
Essa tensão será tanto maior quanto mais afastados em fase estiverem os
sinais.

 A tensão (Vd), depois de filtrada e amplificada, é levada ao terminal de controle


do VCO. A tensão de controle (VC) força o oscilador a alterar sua freqüência de
tal forma a se aproximar da freqüência do sinal de entrada.
 Uma vez sincronizadas (Vo) e (Vi), isto é fo = fi, o detector de fase fornece uma
tensão (Vd), com uma componente contínua estável necessária para que o VCO
produza uma frequência igual à frequência do sinal de referência. Neste caso, se
estabelece uma diferença de fase d para produzir a tensão (Vd) descrita acima.

 Com a alteração da freqüência do VCO, em função da tensão (Vc), consegue-se


a sincronização dos circuitos, ou seja à VCO fica sincronizado ao sinal de
entrada. Se o sinal de entrada volta a variar, o circuito gera um novo sinal de
erro e o VCO procura corrigir sua freqüência de modo a obter um novo
sincronismo.

 O filtro passa baixas (Low Pass Filter-LPF) tem por objetivo suprimir o ruído e as
componentes de alta freqüência oriundas do detector de fase (PD). A malha do
PLL é um grau superior ao grau do filtro utilizado. Se o filtro for um integrador
perfeito (primeira ordem), a equação diferencial que governa a dinâmica do PLL
é de segunda ordem.

Estados de funcionamento

Estado de corrida livre (free running)

 Esta condição ocorre quando não há sinal de entrada ou há um sinal de entrada


para o qual a malha não consegue sincronismo. Nesta condição, geralmente
(Vc) = 0 ou (Vc) = VDD/2, quando o circuito é alimentado por uma tensâo VDD
não simétrica.

Estado de sincronismo (locked)


 É o estado que corresponde à condição em que a malha está em sincronismo de
fase, fo = fi exceto por uma diferença de fase finita d. Quando a malha está em
sincronismo, para cada ciclo do sinal de entrada, existe um e apenas um ciclo do
sinal de saída. Se o comparador de fase não exceder a sua faixa linear, o
cumprimento desta condição é assegurado.

Estado de aquisição (capture)


 É o estado anterior ao sincronismo, é quando o VCO está mudando a
frequência, tentando sincronizar com a frequência do sinal de referência.

Faixas de operação
É conveniente definir as faixas de operação a partir das variações de (V C) quando se
varia a frequência do sinal de referência (entrada).
Vc em função da freqüência de entrada fi

Faixa de captura ou aquisição (Fa) (“Capture Range”)

 A faixa de aquisição do PLL (“Capture Range”) corresponde ao intervalo de


frequências, em que partindo de uma situação de malha aberta, o PLL consegue
adquirir sincronismo (fo = fi).

Faixa de sincronismo ou travamento (Fs) (“Lock Range”)

 A faixa de sincronismo (ou de travamento) do PLL (“Lock Range”) corresponde


ao intervalo de frequências, em que partindo de uma situação de sincronismo, o
PLL consegue manter esse sincronismo (fo = fi).

Na figura acima podemos observar o comportamento do PLL em função da freqüência


fi do sinal de entrada.

 Injetando por exemplo uma freqüência fx menor que f4, o PLL não consegue se
travar, ou seja, o VCO não acompanha a freqüência de entrada, ficando em fc, a
freqüência central.
 Aumentando fi (seta azul) lentamente, o PLL continua não travado até fi atingir
f1 onde o PLL se trava, ou seja fo do VCO é igual a fi.
 Aumentando mais fe (reta inclinada azul), o PLL continua travado, fo
acompanhando fi e Vd aumentando junto com fi, até chagar a fi = f2, onde o
PLL perde o sincronismo ou não está mais travado.
 Mesmo voltando com fi para traz, o PLL continua sem sincronismo (ou ainda
subindo mais até fy).
 Baixando mais ainda a freqüência fi (seta vermelha) até atingir fi = f3, o PLL
volta a se travar.
 Se agora fi subir de novo, o PLL continua travado até fi = f2, e se fi continuar
diminuindo, o PLL se mantém travado até fi = f4 abaixo da qual perde o
sincronismo.
(obs.: na figura do comportamento do PLL acima, na verdade as retas inclinadas azul e
vermelha estão uma em cima da outra, sendo destacadas lado a lado apenas para
melhor visualização).

Conclusão: para o PLL poder sincronizar-se (travar) a partir da condição não


travada, é preciso que fi esteja acima de f1 ou abaixo de f3, ou seja, dentro da faixa
de aquisição Fa = f3 - f1. E uma vez sincronizado, o PLL se mantém sincronizado
desde que fi não passe acima de f2 e nem abaixo de f4, ou seja, fi não saia da faixa
de sincronismo Fs = f2 - f4. Obs.: Fa =< Fs, ou seja, Fa é menor ou no máximo igual
a Fs, dependendo do projeto do PLL.

Comportamento Dinâmico ou Transiente do PLL


Até agora, vimos o comportamento do PLL em regime estático ou para variações lentas
da freqüência do sinal de entrada. Veremos agora os princípios básicos do
comportamento dinâmico ou transiente do PLL, ou seja, como Vc acompanha
variações rápidas ou bruscas da freqüência do sinal de entrada, como por exemplo,
uma mudança de freqüência de entrada em forma de degrau (curva vermelha na figura
seguinte):
Se o PLL fosse perfeito, a freqüência fo do VCO ou a tensão de controle Vc também
teriam a mesma forma do degrau de entrada. Acontece que o filtro passa baixo
principalmente, e o VCO também, introduzem atrasos e defasamentos variáveis,
fazendo com que a resposta do PLL não seja instantânea. As curvas em preto mostram
como se comporta um PLL com resposta de segunda ordem. Podemos observar que
alem do atraso no tempo, podem ocorrer oscilações amortecidas até que seja atingido
o valor final. Estas oscilações provocam a ultrapassagem momentânea do valor final,
para mais ou menos. O comportamento do PLL depende do fator de amortecimento 
que depende essencialmente do filtro e do ganho do elo (malha).

Na figura acima, valores do fator de amortecimento inferiores a 1 (sub-amortecido) tem


resposta mais rápida porém as custas de oscilações. Valores maiores que 1 (super
amortecido) não tem oscilações mas um tempo de resposta mais lento. O valor
adequado do fator de amortecimento depende muito da aplicação na qual o PLL é
empregado: por exemplo, para extrair uma portadora no meio de ruído usa-se fator de
amortecimento alto, mas para extrair o sinal modulante em FM ou PSK, o fator de
amortecimento deve ser mais baixo para que o PLL consiga acompanhar as variações
rápidas de freqüência.

Componentes do PLL

Comparador de Fase

O sinal de saída do bloco responsável pela detecção da diferença de fase entre o sinal
de entrada e o sinal de saída do VCO – o detector de fase, é proporcional à referida
diferença de fase. Este bloco, assim como o VCO, é um dos blocos fundamentais de
uma PLL.

O comparador de fase é um circuito que fornece uma tensão de saída proporcional à


diferença de fase dos dois sinais de entrada:

Onde
A curva de entrada / saída típica de um comparador de fase está mostrada abaixo:

Nota-se que o comparador de fase geralmente apresenta uma região de operação


normal para diferenças de fase de entrada entre ±Δθ max, e regiões de saturação, onde o
comparador não apresenta um comportamento linear. Portanto, a faixa dinâmica do
comparador de fase é definida como

O ganho do comparador de fase, válido somente dentro da faixa dinâmica, pode ser
calculado por

É importante notar que o ganho do comparador de fase é expresso em volts por


radianos (V/rad).

 Tipos de comparadores de fase

Um comparador de fase pode ser constituído por uma simples porta XOR, por um
circuito de amostragem e retenção, por um multiplicador analógico ou por uma
combinação de circuitos digitais. O tipo de circuito a utilizar depende essencialmente do
sinal de entrada.
A porta XOR é a implementação mais simples que se pode efetuar para um
comparador de fase, sendo também uma das mais utilizadas.
 Comparador de Fase usando Porta Ou-Exclusivo (XOR)

A figura acima ilustra o funcionamento de uma porta ou-exclusivo como comparador de


fase. Observa-se que tanto o sinal de referência quanto o sinal de realimentação
devem ser digitais (ondas quadradas com ciclo de trabalho de 50%). Considerando que
o filtro de malha passa-baixa extrai o nível médio do trem de pulsos na saída do
comparador de fase, podemos relacionar a tensão de saída com o erro de fase através
da equação:

e, portanto, o ganho deste comparador de fase é dado por


Este comparador de fase só é capaz de distinguir diferenças de fase entre 0 e π.
Assim, o ponto de operação será em torno de Δθ = π/2, isto é, o PLL opera,
normalmente, com a referência adiantada de 90 o em relação ao sinal de realimentação.
Assim, neste caso, a faixa dinâmica deste comparador é de

em relação ao ponto de operação. Uma desvantagem deste comparador é que o PLL


pode sincronizar em harmônicos da freqüência de referência.

 Comparador de Fase de Três Estados


O comparador de fase de três estados, devido a sua construção através de flip-flops, é
sensível apenas às transições de subida das entradas. Devido a esta razão, este
circuito apresenta a vantagem de poder operar com pulsos de entrada de largura
arbitrária. Além disso, como pode ser observado no diagrama de estados, este
comparador é sensível à diferença de freqüência entre a referência e a realimentação (|
| > 2), mantendo, neste caso, a saída saturada no seu valor máximo. Esta
característica garante que o PLL conseguirá obter o sincronismo inicial (locking) em
qualquer condição inicial (faixa de captura infinita). A figura a seguir ilustra o
funcionamento do circuito.

Em seguida está mostrado o gráfico da característica do comparador de fase de três


estados.
A partir do gráfico obtemos que a faixa dinâmica e o ganho do comparador de fase de
três estados são respectivamente

Este comparador de fase, apresenta características gerais de desempenho melhores


que o comparador construído com porta ou-exclusivo. Entretanto, o mesmo também
apresenta desvantagens, como a maior complexidade em relação a uma porta ou-
exclusivo e, principalmente, uma certa não linearidade em torno da origem, quando
ambas entradas transicionam simultaneamente. Isto pode causar um certo aumento no
ruído de fase na saída do VCO.

 Comparador de Fase usando Multiplicador Analógico

Um multiplicador é um modulador AM-DSB-SC e, portanto, realiza o produto dos dois


sinais de entrada, Vr e Vf.. Assumindo que estes sinais têm forma de onda (co)senoidal
de mesma freqüência e fases distintas, da forma

obtemos que o sinal na saída do multiplicador é dado por

onde KC é o ganho de conversão do multiplicador. Aplicando a identidade


trigonométrica,

Obtemos que
Como o PLL tem um filtro passa-baixa em cascata com o comparador de fase, o termo
de alta freqüência da expressão acima será eliminado, e assim, a parte útil do sinal de
saída do multiplicador será

Analisando a equação obtida acima, reconhecemos que o multiplicador pode


desempenhar a função de um comparador de fase, desde que o erro de fase esteja no
intervalo entre -2 e 2. Além disso, considerando que para diferenças de fase
pequenas (|| < 6), podemos considerar que sen() , obtemos que a faixa
dinâmica do multiplicador como comparador de fase e o seu ganho são dados,
respectivamente, por

Um fato interessante a ser observado é que o ganho deste comparador de fase pode
ser ajustado através das amplitudes dos sinais de entrada, A1 e A2.

Filtro Passa-Baixa

É necessário que o filtro de malha apresente um comportamento passa-baixa, pois,


uma de suas funções é fornecer na entrada do VCO o nível médio da saída do
comparador de fase que, via de regra, apresenta componentes de alta freqüência que
devem ser eliminadas.
 Filtro Passa-Baixa Passivo (sem correção)

O filtro passa-baixa mais simples que podemos construir é o de primeira ordem, que
pode ser implementado através de apenas um resistor e um capacitor:

A função de transferência deste filtro é facilmente obtida, e dada por

Assim, se utilizarmos este filtro na malha, teremos que a função de transferência do


PLL será, então

Observando a equação acima, concluímos que o PLL apresenta um comportamento


passa-baixa de segunda ordem, ou seja, representando esta função de transferência
na forma normalizada de segunda ordem, teremos

onde, n é a freqüência natural da malha, e (csi) é o fator de amortecimento.


Comparando as duas expressões acima, obtemos que

e
Note que existe uma correspondência direta entre o fator de amortecimento e o fator de
mérito do sistema de segunda ordem:

Desta forma, temos as seguintes situações possíveis, considerando-se o valor que o


fator de amortecimento pode assumir:

 Filtro Passa-Baixa Passivo (com correcção “feedforward”)

Geralmente, a utilização do filtro passa-baixa RC simples não é possível, porque este


permite apenas um grau de liberdade de escolha dos parâmetros da malha. Assim,
caso se projete o filtro para satisfazer um dado valor para a freqüência natural n, o
fator de amortecimento  fica automaticamente determinado, e vice versa. Para
compensar a deficiência do filtro passa-baixa simples devemos introduzir um zero de
transmissão na função de transferência do filtro. O circuito abaixo, denominado
compensador lag, realiza este objetivo:

A função de transferência deste filtro pode ser obtida facilmente, e é expressa por

Podemos observar que o filtro apresenta, além do polo em |p| = 1 / (R1 + R2)C, um
zero em |z| = 1 / R2 C.
Substituindo a expressão de F(s) acima, na função de transferência do PLL para um
filtro de malha genérico, obtemos como resultado que o comportamento do PLL
continua sendo de segunda ordem, porém, a freqüência natural da malha será

e, o novo fator de amortecimento dado por

Analisando as fórmulas acima, notamos que através do termo (R1 + R2)C podemos
controlar o valor de n, e por meio de R2C, podemos escolher livremente.

 Filtro Passa-Baixa Ativo (com correcção “feedforward”)

Outro tipo de filtro de malha muito utilizado é o compensador Lag ativo. Este filtro utiliza
um amplificador operacional e se comporta como um integrador para as baixas
freqüências. A seguir mostramos duas versões deste circuito: - com entrada única
(desbalanceada) e com entrada diferencial. Esta última configuração é apropriada para
se usar em conjunto com o comparador de fase de três estados.

A função de transferência para qualquer uma das versões deste filtro é expressa por
onde o sinal negativo indica a existência de uma inversão de fase adicional de 180 o
causada pelo circuito. Como o PLL é uma malha de realimentação negativa, devemos
inverter as entradas do comparador de fase, quando usamos o filtro desbalanceado,
para manter esta condição. No caso do filtro com entrada diferencial, basta
conectarmos as entradas do filtro na ordem correta em relação às saídas do
comparador de fase.

Observa-se que este filtro apresenta um pólo na origem e, portanto, se comporta como
um integrador enquanto a freqüência de entrada for muito menor que o zero de
transmissão em 1 / R2 C. Como a função de transferência do VCO também apresenta
um pólo na origem, um sistema com este compensador é denominado de PLL tipo II,
significando que o mesmo apresenta dois integradores na sua malha.

Ao se substituir a expressão de F(s) na função de transferência genérica do PLL,


obtemos que o PLL tipo II resulta, outra vez, em um sistema de segunda ordem, cuja
freqüência natural é dada por

e, fator de amortecimento calculado através de

Assim, este tipo de filtro também permite a escolha independente de n e .

VCO – Oscilador Controlado por Tensão


Um VCO (voltage controlled oscillator) é um dispositivo que fornece uma freqüência de
saída proporcional a tensão de controle na entrada. Existem diversos tipos de VCO:
discretos ou integrados, analógicos ou digitais, de baixa freqüência ou de RF, etc..

Quando um VCO gera um sinal digital na saída, o mesmo também é denominado de


VCM (voltage controlled multivibrator), e caso incorpore um cristal piezelétrico é
denominado de VCXO (oscilador a cristal controlado por tensão). Ainda, alguns
denominam o oscilador controlado por tensão de PLO (phase locked oscillator).

Essencialmente, o princípio de operação destes dispositivos se baseia em duas


técnicas distintas:

1. Para VCMs a técnica consiste em controlar o processo de carga de um


capacitor, na entrada de um comparador de tensão com histerese (schmitt-
trigger), através de uma fonte de corrente controlada pela tensão de entrada.
Desta forma é possível controlar a velocidade com que o capacitor é
carregado/descarregado e, em conseqüência, a freqüência de oscilação.
2. Para VCOs de RF e VCXOs, geralmente utilizam-se varicaps que, na realidade,
são diodos semicondutores que apresentam a característica (realçada) de variar
a capacitância de junçãoem função da tensão reversa aplicada. Neste caso, o
varicap é usado na rede ressonante do oscilador ou associado ao cristal, no
caso do VCXO.

Uma curva característica típica de um VCO, mostrando o comportamento da freqüência


de saída versus a tensão de controle de entrada, está mostrada abaixo.

A partir do gráfico podemos identificar diversos pontos de interesse:

Definimos como o ganho incremental do VCO, a relação entre a variação da


freqüência de saída, em torno da freqüência de free-running, correspondente a uma
dada variação na tensão de controle, em torno na da tensão média de controle, isto é
A constante de ganho KV é expressa, portanto, em rad /V. s.

O ganho médio do VCO pode ser calculado através da expressão abaixo:

Quando a característica tensão-freqüência do VCO é linear, o ganho médio se


confunde com o ganho incremental.
Para se obter a função de transferência do VCO em termos da fase do sinal de saída,
podemos escrever

Aplicando a transformada de Laplace na equação da direita, obtemos que

e, podemos concluir que a função de transferência do VCO é dada por

 VCO construído com Transistor Bipolar


A figura anterior mostra dois exemplos de circuitos para a construção de VCO, sendo
um com configuração Hartley e outro do tipo Colpitts. A freqüência de saída destes
osciladores são calculadas, respectivamente, por

 VCO com Circuitos Integrados


Existem muitos tipos de VCO prontos em um único CI, como por exemplo, MC4324,
LM566, XR-2206, 8038, etc. Podem ser também implementados com componentes
discretos.

Exemplos de VCO.
Aplicações do PLL
 Sintetizador de Frequências

Um sintetizador de freqüências é um circuito, construído a partir de um PLL, que tem a


capacidade de gerar, precisamente, diversas freqüências de saída, a partir da
programação do divisor de malha. Existem diversas topologias que permitem a
implementação de sintetizadores de freqüências com PLL, a mais comum delas está
mostrada a seguir.

A referência do PLL é gerada, normalmente, a partir de um oscilador a cristal, devido a


sua grande estabilidade. No entanto, os cristais piezelétricos estão disponíveis,
normalmente, para freqüências acima de 500 KHz. Assim, quando necessitamos que a
freqüência de referência seja menor que este limite, podemos usar um divisor fixo em
cascata com o oscilador.

O ramo de realimentação do PLL é composto de um divisor de freqüência fixo,


denominado prescaler, e um divisor programável. Este último é um circuito digital de
média complexidade de integração, implementado, geralmente, a partir de uma
máquina de estados síncrona (o sinal de entrada está conectado a todas as entradas
de clock dos flip-flops internamente). Assim, se a freqüência de saída do sintetizador é
elevada (centenas de megahertz), torna-se difícil e oneroso produzir um divisor
programável com tais características. A função do prescaler é, portanto, compatibilizar
a freqüência de saída do sintetizador com a freqüência máxima de operação do divisor
programável. Para um sintetizador de baixa freqüência, o prescaler pode ser omitido e,
neste caso, teremos P = 1.
Considerando a existência do prescaler, temos que a razão de divisão total do PLL
será então NT = P . N e, a freqüência de saída do sintetizador calculada através de
O step de freqüência do sintetizador é o menor incremento de freqüência que é
possível se obter na saída, ao se variar o divisor programável de uma unidade. Logo,
obtemos que

e, assim, também concluímos que

Notamos que a existência do prescaler tem a desvantagem de fazer com que a


freqüência de referência tenha que ser reduzida para um dado Δƒstep.

Exemplo: Qual deve ser a freqüência de referência de um sintetizador de freqüências


com PLL, usado como oscilador local em um receptor de TV na faixa de
UHF (canais 14 a 69). Sugira uma maneira de gerar esta freqüência a partir
de um oscilador a cristal.

Solução:

Num receptor super-heterodino a conversão para F.I. é feita através do batimento da


freqüência do oscilador local ( f0 ) com a freqüência do canal a ser recebido ( fc ), isto é

Logo, as freqüências máxima e mínima de saída do sintetizador serão

Como o divisor programável admite, no máximo, 45 MHz em sua entrada, teremos que
utilizar um prescaler, e sua razão deve ser, no mínimo

Adotaremos, então, um valor de prescaler que é comercial: P =20 ([Link] o C.I. SP8657A).
O step de freqüência máximo admissível é o espaçamento entre canais (Δf = 6 MHz).
No entanto, notamos f0 max / Δf = 141,167 não é um número inteiro, sendo impossível
realizar esta razão pelo divisor programável. Assim, somos obrigados a adotar um step
menor, tal que

Seja inteiro. O desenvolvimento a seguir conduz à obtenção do menor valor inteiro para
_ __

Nmax :

Logo

onde a o resultado da divisão de 847 por 6 foi expresso em termos da soma do


quociente e a razão do resto pelo divisor. Como o menor valor de n que leva a um
produto inteiro é igual a 6, implica que o valor a ser carregado no divisor programável,
para sintonizar o canal 69 será

e, assim, obtemos que o step do sintetizador deve ser igual a

Podemos calcular, também, o valor mínimo a ser carregado no divisor programável,


para sintonizar o canal 14:

Observe que para sintonizar os canais corretamente, o divisor programável será


carregado com incrementos de n = 6, isto é, N = 517, 523,..., 847, correspondendo aos
canais 14, 15,...,69.

Finalmente, a freqüência de referência do sintetizador pode ser calculada:


Existe uma variedade de combinações entre a freqüência do cristal e o valor do divisor
fixo de entrada que resultam na freqüência de referência desejada. Porém, se
adotarmos R como uma potência de 2, poderemos utilizar um contador binário comum,
facilmente disponível no mercado. Por exemplo, para R = 16 usaríamos um cristal de
freqüência igual a

 Modulador FM

A mesma estrutura básica do PLL como sintetizador de freqüência pode ser


aproveitada para se construir um modulador FM, apenas, introduzindo-se um circuito
somador entre a saída do filtro de malha e a entrada do VCO, para permitir a entrada
do sinal modulante.

Devido a estrutura de realimentação negativa da malha, que tende a cancelar as


perturbações ao seu estado de equilíbrio, o PLL se comporta como um filtro passa-alta
em relação à entrada do sinal modulante. Assim, uma restrição que deve ser
respeitada é que a freqüência do sinal modulante deve ser maior que a freqüência de
corte da malha, isto é,

Além disso, a faixa dinâmica do comparador de fase não pode ser excedida, isto
implica que a razão de divisão total da malha deve ter um valor mínimo, dado por
A tensão máxima de entrada do sinal modulante, que causa o desvio máximo de
freqüência da portadora de saída será

A freqüência da portadora é calculada de maneira idêntica ao caso do sintetizador de


freqüência, ou seja

 Demodulador FM

O PLL pode ser usado como um excelente demodulador FM. A estrutura do circuito
para esta aplicação está mostrada abaixo:

O sinal de referência do PLL é a entrada do sinal modulado FM e não há divisor de


malha neste caso (N = 1). Devido à realimentação negativa, as variações de freqüência
na entrada são seguidas por variações idênticas na saída do VCO ( f 0(t) = fr(t) ). Porém,
para que haja variação de freqüência na saída do VCO, deve existir uma variação de
tensão correspondente na entrada de controle do mesmo. Se o VCO apresentar uma
característica tensão – freqüência linear, teremos uma réplica do sinal modulante
original na entrada do VCO, isto é, na entrada do VCO teremos o sinal demodulado.

A figura acima mostra que o demodulador, além do PLL, contém um filtro passa-baixa
adicional. A razão disso é em decorrência do fato que para o PLL acompanhar um sinal
FM aleatório é necessário que a largura de faixa da malha seja maior que a freqüência
do sinal modulante, isto é
Um bom critério para se dimensionar a largura de faixa do PLL é obtido ao se satisfazer
a seguinte equação:

onde, Δƒirms é o desvio de freqüência RMS de um sinal FM aleatório, dado


aproximadamente por

Para diminuir a intensidade de ruído na saída do demodulador, utiliza-se, então, um


filtro em cascata com o PLL, com freqüência de corte B o = ƒmMax. A amplitude de saída
do demodulador será obtida por

onde, Avo é o ganho do filtro de saída, e Δƒi é o desvio de freqüência do sinal FM de


entrada.

A relação sinal-ruído na saída do demodulador pode ser calculada em função da


relação portadora-ruído de entrada, através da seguinte expressão:

 Moduladores PM

 Demoduladores PM

 Deteção síncrona de AM

 Recuperação de portadora

 Recuperação de clock (sincronismo) em sistemas digitais

 Filtros rastreáveis, etc.

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