Lei 6/92 de 06 de Maio
Princípios e objectivos
A Lei 6/92 de 06 de Maio, estabelecia que a educação é um direito e dever de todos os cidadãos.
Assim, o Estado permitia a participação de outras entidades, tais como; organizações comunitárias,
cooperativas, empresas e privados no processo educativo. A organização e promoção do ensino
ficou na responsabilidade do Estado. Desta forma, o ensino torna-se público e laico.
A educação orientava-se pelos princípios pedagógicos de desenvolvimento das capacidades e da
personalidade de uma forma harmoniosa, equilibrada e constante de modo a dar uma formação
integral. Assim, a educação incentivava o desenvolvimento da iniciativa criadora, da capacidade de
estudo individual e da assimilação crítica dos conhecimentos.
Quanto aos objectivos da Lei 6/92 de 06 de Maio, importa salientar que mantinha a necessidade de
erradicar o analfabetismo, garantir o ensino básico a todos os cidadãos olhando no desenvolvimento
do país através da escolaridade obrigatória a todos moçambicanos. Nesta lei, introduziu-se a
valorização e desenvolvimento das línguas nacionais através da introdução progressiva na educação
dos cidadãos. Neste contexto, a idade escolar passou a ser dos 6 anos, e foram igualmente
implementadas actividades e medidas de apoio e complementos educativos para contribuir na
igualdade de oportunidades de acesso e sucesso escolar, através da inclusão dos pais, comunidades,
órgãos locais de poder, famílias, e as instituições económicas e socais para contribuírem no sucesso
da escolarização obrigatória. Uma das medidas foi a promoção da inscrição das crianças em idade
escolar.
Estrutura do sistema nacional de Educação
A estrutura da Lei 6/92 de 06 de Maio, não incluía a terminologia subsistema, como era o caso da
lei anterior. Nesta lei, o termo subsistema foi substituído pelo termo ensino. Assim, esta dividia-se
em três ensinos, nomeadamente: (1) ensino pré-escolar, (2) ensino escolar e (3) ensino extra-
escolar.
No que diz respeito ao ensino pré-escolar a lei previa que este fosse realizado nas creches e jardins-
de-infância. O grupo alvo deste ensino eram as crianças com idade inferiores a 6 anos. O objectivo
fundamental era de estimular o desenvolvimento psíquico, físico e intelectual das crianças e
contribuir para a formação da sua personalidade, através de um processo harmonioso de
socialização favorável ao pleno desabrochar das suas aptidões e capacidades. O ensino pré-escolar
era implementado por iniciativa de órgãos centrais, provinciais, locais, colectivas ou individuais. A
regulamentação, apoio, fiscalização, definição de critérios e normas para abertura, funcionamento e
enceramento estavam reservadas ao Ministério da Educação em colaboração com o Ministério da
Saúde e a Secretaria de Estado da Acção Social.
O Ensino escolar era composto pelo ensino geral, ensino técnico profissional e ensino superior. O
ensino geral era o eixo central do SNE e conferia a formação integral e politécnica. os níveis e
conteúdos desde ensino constituam o ponto de referência para todo o SNE. O ensino geral
compreendia dos níveis: nível primário e Nível secundário.
O ensino geral era composto por 12 classes, sendo 7 para ensino primário e 5 para ensino
secundário. O nível primário preparava alunos para o ensino secundário e compreendia 1º grau de 1ª
a 5ª classe; 2ª grau de 6ª a 7ª. E o nível secundário do ensino geral com cinco classes subdivididos
em dois ciclos 1º ciclo, da 8ª a 10ª classe e o 2º ciclo, 11ª, a 12ª classe.
Na lei 6/92 de 06 de Maio, o ensino técnico-profissional constituía o principal instrumento para a
formação profissional da força de trabalho qualificada necessária para o desenvolvimento do país.
O ensino técnico compreendia os seguintes níveis: elementar, básico e médio. Nesta lei, a duração
dos cursos e habilidades de ingresso em cada nível eram definidas pelo Conselho de Ministros e o
Ministério da Educação era responsável pela determinação da equivalência dos cursos em
conformidade com os currículos. O ensino superior destinava-se aos graduados da 12ª classe do
ensino geral ou equivalente. Este ensino realizava-se em estreita ligação com a investigação
científica e visa assegurar a formação de técnicos e especialistas ao nível mais alto nos diversos
domínios do conhecimento científico.
O ensino especial, ensino vocacional, ensino de adultos, ensino a distância, e a formação de
professores constituíam modalidades especiais ao ensino escolar e regia-se pelas disposições
especais.
Quanto ao ensino extra-escolar compreendia actividades de alfabetização, aperfeiçoamento,
actualização cultural e científica. O objectivo do ensino extra-escolar permitia o aumento de
conhecimentos e desenvolvimento de potencialidades, como complemento da formação escolar para
a sua carreira. O ensino extra-escolar tinha carácter permanente visando globalidade e a
continuidade da acção educativa.
Gestão, Direcção e Administração
A Lei 6/92 Na segunda legislação do SNE, o Ministério da Educação era ainda responsável pela
planificação, direcção e controlo da administração do SNE. O Estado tinha mantido a
responsabilidade de assegurar a sua unicidade. Nesta lei, os currículos e programas eram do carácter
nacional e eram aprovados pelo Ministro da Educação com excepção do ensino superior. Sempre
que necessário eram introduzidas adaptações de carácter regional aos currículos e programas
nacionais por forma a garantir uma melhor qualificação dos alunos sem violar os princípios,
objectivos e concepções do SNE. Estes ofícios eram provados pelo Ministro da Educação.