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Obstáculos de Gênero na Carreira Feminina

A pesquisa explorou a percepção de mulheres sobre obstáculos e expectativas de gênero na construção de carreiras profissionais. Foram coletadas 263 respostas de mulheres que expuseram dificuldades como preconceito, estereótipos e atitudes sabotadoras, mas também trouxeram uma visão positiva de melhorias nas relações de trabalho. A pesquisa indica a necessidade de mais estudos para atualizar a problemática e alcançar igualdade de gênero em liderança, principalmente em organizações.

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Obstáculos de Gênero na Carreira Feminina

A pesquisa explorou a percepção de mulheres sobre obstáculos e expectativas de gênero na construção de carreiras profissionais. Foram coletadas 263 respostas de mulheres que expuseram dificuldades como preconceito, estereótipos e atitudes sabotadoras, mas também trouxeram uma visão positiva de melhorias nas relações de trabalho. A pesquisa indica a necessidade de mais estudos para atualizar a problemática e alcançar igualdade de gênero em liderança, principalmente em organizações.

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OBSTÁCULOS E EXPECTATIVAS DE GÊNERO NA CONSTRUÇÃO DA CARREIRA

PROFISSIONAL NA PERCEPÇÃO DAS MULHERES


GENDER OBSTACLES AND EXPECTATIONS IN PROFESSIONAL CAREER
CONSTRUCTION FROM THE PERCEPTION OF WOMEN
OBSTÁCULOS Y EXPECTATIVAS DE GÉNERO EN LA CONSTRUCCIÓN DE LA
CARRERA PROFESIONAL DESDE LA PERCEPCIÓN DE LAS MUJERES

DOI: 10.5212/Admpg.v.13.21517.006 Daniela Carvalho Fernandes 1


João Pinheiro de Barros Neto 2

Resumo
A proposta da pesquisa descrita neste artigo foi mostrar a percepção que as mulheres trabalhadoras
dos últimos anos têm em relação ao seu ambiente de trabalho, dificuldades em suas carreiras,
preconceito de gênero, estereótipos como o da diabolização da mulher, postura sabotadora dos homens
no trabalho em relação às mulheres e sobre a característica patriarcal da sociedade brasileira. Assim,
foi possível apreender a visão das mulheres dentro do mercado de trabalho e a expectativa delas para
o futuro. Trata-se de uma pesquisa exploratória com o uso de questionário enviado por rede social
que coletou duzentas e sessenta e três respostas válidas. As mulheres expuseram suas dificuldades,
mas também trouxeram uma visão até certo ponto positiva das relações de trabalho para o gênero
feminino que vêm melhorando, embora ainda muito longe do ideal. A pesquisa indica a necessidade
de mais estudos visando atualizar a problemática e responder outras perguntas importantes para se
alcançar a igualdade de gênero em posições de liderança, principalmente, nas organizações.

Palavras-chave: Carreira. Gestão de pessoas. Igualdade de gênero. Liderança feminina. Relações


trabalhistas.

Abstract
The research proposal described in this article was to show the perception that women workers of
the last years have in relation to their work environment, difficulties in their careers, gender bias,
stereotypes such as the diabolization of women, sabotaging attitude of men at work in relation to
women and on the patriarchal characteristic of Brazilian society. Thus, it was possible to apprehend
the vision of women within the labor market and their expectations for the future. This is an
exploratory survey using a questionnaire sent through a social network that collected two hundred
and sixty-three valid responses. Women exposed their difficulties, but they also brought a somewhat
positive view of the working relationships for the female gender that have been improving, although
still far from ideal. The research indicates the need for further studies to update the problem and
answer other important questions to achieve gender equality in leadership positions, especially in
organizations.

Keywords: Career. People management. Gender equality. Female leadership. Working relationships

1
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP - Brasil - daniela_clf@[Link]
2
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP - Brasil - professorbarros@[Link]

REVISTA ADMPG, V.13, e2321517, 2023: 1-13 1


Resumen
La investigación descrita en este artículo tuvo como propósito mostrar la percepción que tienen
las trabajadoras en los últimos años en relación a su entorno laboral, dificultades en sus carreras,
prejuicios de género, estereotipos como la satanización de la mujer, la actitud saboteadora de
los hombres en trabajo en relación con la mujer y sobre la característica patriarcal de la sociedad
brasileña. Así, fue posible aprehender la visión de la mujer dentro del mercado laboral y sus
expectativas para el futuro. Se trata de una investigación exploratoria mediante un cuestionario
enviado a través de una red social que recogió doscientas sesenta y tres respuestas válidas. Las
mujeres expusieron sus dificultades, pero también aportaron una visión un tanto positiva de las
relaciones laborales para el género femenino, las cuales han ido mejorando, aunque todavía lejos
de ser ideales. La investigación indica la necesidad de más estudios encaminados a actualizar el
problema y responder otras preguntas importantes para lograr la igualdad de género en los puestos
de liderazgo, principalmente en las organizaciones.

Palabras-clave: Carrera. Gestión de personas. Igualdad de género. Liderazgo femenino. Relaciones de


trabajo.

1. Introdução
A entrada da mulher no mercado de trabalho limitadores atribuídos às mulheres que causam
é uma realidade não tão antiga e ainda em efeitos indesejáveis e fazem com que elas sejam
expansão, mas não é por isso que elas não preteridas ou excluídas dos processos de seleção
estejam alcançando altas posições em suas para cargos de comando” (SANTOS; ANTUNES,
respectivas carreiras. 2013, p. 56).
De acordo com Martins (2007, p.135) os empregos Nesse sentido os autores complementam que
de escritório tiveram um grande afluxo de na época da inserção da mulher no mercado de
mulheres no fim do século XIX e, nos anos 1920, trabalho houve uma avalanche de preconceitos
as mulheres tornaram-se majoritárias nos que perduram até os dias de hoje, os quais
escritórios como datilógrafas, telefonistas ou podemos observar através de pesquisas que
estenodatilógrafas. comprovam que as mulheres ainda ganham
Porém, parafraseando a autora, esses eram os menos que os homens, executando as mesmas
cargos máximos que as mulheres poderiam tarefas (QUERINO, et al., 2013, p.2).
alcançar. Os cargos que exigiam qualificação Para Lima e Lima (2013, p.700), “observa-se,
sempre eram destinados para os homens. A parte na história recente, a existência de um novo
técnica, como contabilidade, produção, entre conjunto de conceitos que melhor explicam a
outros, somente os homens poderiam alcançar. relação entre a organização e as pessoas”, fato
Para Querino, Domingues e Luz (2013, p.2), esse que vem em consonância com as mudanças
“desde o século XX, observamos o aumento que estão acontecendo com a entrada das
significativo da participação da mulher no mulheres nas organizações.
mercado de trabalho, isso se deu devido ao As organizações vêm passando por mudanças
grande crescimento da indústria, propiciando consideráveis ao longo dos anos, primeiro, no que
cenário para inserção feminina.” diz respeito à inserção da mulher no mercado de
Os autores mostram que entre os séculos XIX trabalho, que passou a questionar sua posição,
e XX é que foi possível notar a entrada das seu papel, sua identidade, e suposta fragilidade,
mulheres no ambiente profissional. Já como e a marcar presença nas organizações por meio
trabalhadoras, saindo da posição de donas de da conquista de alguns espaços pertencentes
casa subordinadas aos respectivos maridos. exclusivamente aos homens (KANAN, 2010).
A caminhada para cargos de liderança tem Grzybovski et al. (2002, p.186), afirmam que “a
muitos desafios para todos, porém para a mulher sociedade empresarial vivencia um momento de
há particularidades na trajetória de carreira transição, de um modo de produção industrial
que tornam a jornada ainda mais desafiante. A para um modo de produção ancorado na
liderança feminina está envolta de “estereótipos informação e no conhecimento, com crescimento

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da participação de mulheres no mercado de para as mulheres. É comum o trabalho em
trabalho”. excesso, gestores ruins, colegas apáticos, tarefas
Borges (2007, p. 598) relata que “gênero pode ser desgastantes, estresse, falta de tempo para a
entendido como o processo pelo qual a sociedade família e amigos, exaustão e burnout. Muitas
classifica e atribui valores e normas, construindo vezes, a causa dessa verdadeira infelicidade
assim, as diferenças e hierarquias sexuais, está relacionada ao modo como conduzimos
delimitando o que seriam papéis masculinos e ou deixamos de conduzir a vida profissional,
femininos”. deixando de lado necessidades, anseios e tudo
Essa transição empresarial mostra que as que realmente faz a diferença (SANTOS, 2021).
mulheres estão cada vez mais fazendo parte do Nesse contexto, é fundamental reconhecer qual
mercado de trabalho, mas isso não é tudo, pois, é a oportunidade e o momento certo para dar o
o caminho que elas percorrem até chegar ao topo próximo passo na carreira, pois quando não se
da pirâmide, quando chegam, ainda é pouco tem consciência de qual é a decisão a tomar, pode
explorado. ficar estagnado em um trabalho que não traz
Grzybovski et al (2002, p.186) apontam que realização ou fazer escolhas que não agregam
“Apesar dos avanços ocorridos nas últimas valor à vida profissional. De fato, é preciso ter
décadas em relação às mulheres que ocupam objetivos claros e focar em metas de curto,
cargos gerenciais nas empresas, o preconceito e médio e longo prazos, buscar continuamente
a discriminação ainda são poderosas barreiras à novos conhecimentos, aprimorar habilidades
presença feminina nos negócios”. e desenvolver as atitudes adequadas. Carnegie
(2021) sugere cultivar algumas capacidades
Assim, o objetivo principal dessa pesquisa foi essenciais tais como: escrita, falar em público,
identificar as necessidades das mulheres em gestão de pessoas, marca pessoal, postura,
relação ao mercado de trabalho e os percalços dentre outras.
que elas encontram conforme constroem suas
carreiras profissionais. Nesse cenário, há ainda muitos estereótipos,
diferenças e desigualdades de gênero que podem
construir barreiras para a ascensão de mulheres
2. Carreira, Mulheres e Trabalho
a cargos de liderança nas organizações. De
Dutra (2017) verificou em suas pesquisas que acordo com Canabarro e Salvagni (2015, p.90):
o planejamento de carreira não é um processo Durante muitos anos, coube à mulher apenas
natural para os brasileiros nem para os latino- o papel referente à esfera do privado, no que
diz respeito a cuidar dos filhos, do marido e
americanos de maneira geral, podendo-se de todas as tarefas domésticas. Aspectos de
afirmar que existe uma carência na construção produção de bens, ou mesmo das decisões
de um projeto profissional em que a pessoa centrais à ordem pública, são marcadas
historicamente como sendo de competência
possa realmente assumir o protagonismo de ao universo masculino, atribuindo ao
sua carreira. Se não há o hábito de analisar homem, em igual medida, a pertença de uma
oportunidades oferecidas pela própria empresa suposta representação da força, da virilidade
e da segurança social.
onde trabalha nem pelo mercado de trabalho
onde atua ou tem possibilidades de vir a atuar, Fenômenos culturais parecem ter,
é porque a pessoa abriu mão, mesmo que historicamente, conduzido a mulher à posição
inconscientemente, de conquistar seu espaço de doméstica, o que constitui um dos fatores que
profissional. contribuíram e contribuem para a restrição ao
Gold (2019) vai na mesma linha e conta acesso e, ao mesmo tempo, agregam dificuldades
que antigamente carreira se relacionava às quanto à sua participação na liderança e na
oportunidades de desenvolvimento que as administração de organizações de trabalho
organizações ofereciam aos seus empregados, (KANAN, 2010).
mas que isso mudou muito e que atualmente É possível detectar certa ambiguidade na
cabe a cada pessoa fazer a gestão de sua própria representação dos papeis femininos na
carreira, isto é, assumir o protagonismo de seu sociedade, ora as mulheres eram vistas como
crescimento e desenvolvimento profissional. boas e maravilhosas, ora vistas como ruins e
Com efeito, o mercado de trabalho e, más.
Ao longo da história, a imagem do
principalmente o mundo corporativo, pode feminino esteve ligada a ambiguidades.
ser muito hostil e competitivo e ainda mais Os homens, aqueles a quem cabiam os

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relatos à posteridade, expressavam seus carreira da mulher executiva, ainda há
sentimentos e opiniões de forma dupla, questões específicas quanto à sua relação
ora demonstrando amor e admiração às com o parceiro amoroso e a maternidade
mulheres, ora demonstrando ódio e repulsa. que influenciam negativamente sua vida
O olhar masculino reservava às mulheres profissional. Pesquisa nos EUA, realizada
imagens diferentes, sendo em determinados com o objetivo de explorar a vida profissional
momentos um ser frágil, vitimizado e santo, e privada de mulheres bem remuneradas e
e, em outros, uma mulher forte, perigosa e com elevado nível de instrução, sugere que,
pecadora. Essas características levaram a quanto mais bem-sucedido o homem, maior
dois papéis impostos às mulheres: o de Eva, é a probabilidade de que ele se case e tenha
que servia para denegrir a imagem da mulher filhos. Com as mulheres bem-sucedidas
por ele maculada; e o de Maria, santa Mãe ocorre o inverso. Aquelas que desejam
zelosa e obediente, que deveria ser alcançado ser mães e executivas enfrentam maiores
por toda mulher honrada. (FOLLADOR, dificuldades para encontrar um parceiro
2009, p.6) amoroso (HEWLETT, 2002, apud CARVALHO
NETO; et al, 2010, p.7).
Esse poder que o homem tinha sobre a mulher,
inclusive de serem responsáveis por relatarem Vasconcelos (2005, p3) diz que “percebemos
o que lhes convinham e defini-las como boas ou claramente a diabolização da mulher que,
más tem sentidos históricos e filosóficos pouco comparada à Eva, é considerada culpada por
falados atualmente. todos os males. Era aconselhado aos homens
afastar-se dela se pretendessem conseguir a
Muitas mulheres possuem o desejo de se
salvação.”
tornarem mães sem renunciar à carreira, mas
são incontáveis aspectos da vida profissional De acordo com Vasconcelos (2005, p.2), a
quando chega a maternidade sobre os quais representação do feminino esteve, no decorrer
pouco se discute, como por exemplo os impactos da história, quase sempre associada a imagens
da maternidade no trabalho e a arte de ser dicotômicas. Frágil ou forte, vítima ou culpada,
mãe e ter uma carreira profissional de sucesso santa ou pecadora, a mulher aparece na história
conciliando a maternidade e a carreira sem prioritariamente através do olhar masculino,
culpas, mas com otimismo. O fato é que não há sendo as figuras de Eva e Maria os principais
regras ou uma fórmula sobre como ser mãe e referenciais simbólicos dessa oposição, na
aliar isso com a vida profissional, embora seja sociedade ocidental.
possível, como mostram incontáveis exemplos De acordo com Blay (2001, p.606), em 1901, as
desempenhar ambos os papéis com paixão e operárias, que juntamente com as crianças
eficiência (MULHERES EMPREENDEDORAS, constituíam 72,74% da mão de obra do setor
2022). têxtil, denunciavam que ganhavam muito menos
Ainda segundo Follador (2009, p.6b) a mulher do que os homens e faziam a mesma tarefa,
“provocava medo no homem por causa de trabalhavam de 12 a 14 horas na fábrica e muitas
acontecimentos que eram inexplicáveis, como ainda trabalhavam como costureiras, em casa.
a maternidade” e esse medo provocado pelo Após a criação do Partido Socialista, nos EUA,
desconhecido teria levado o homem a manter surge a União Socialista das Mulheres, com
a mulher sob seu controle, garantindo sua a finalidade de reivindicar o direito de voto
superioridade em relação a ela. feminino. Entre os anos 1900 e 1908, sempre
A própria história de Adão e Eva pode ser nos Estados Unidos, nascem vários clubes de
interpretada como um artificio usado pelos mulheres, uns intimamente ligados ao Partido
homens como embasamento para isso, ao Socialista, outros mais autônomos, anarquistas
associar-se a imagem de Eva com coisas ruins, ou não. Todos exigiam o direito de voto para as
como pecado e tentação e descrever-se a mulheres. (GIANNOTTI, 2007, p.5).
maternidade como obrigação de Eva e todas as A história do dia internacional das mulheres,
suas descendentes. sem dúvidas, é um marco. Ao falar sobre a
As mulheres sofrem mais do que os homens com evolução da mulher na história, essa data é
o estresse de uma carreira, pois as pressões do sempre lembrada, seguida da motivação de se ter
trabalho fora de casa se duplicaram. Sabe-se uma data especial para as mulheres.
que, em alguns momentos da vida, a mulher tem Durante a Segunda Conferência
Internacional da Mulher Socialista, em
necessidades especiais. A maternidade é um bom Copenhagen, em 1910, uma mulher chamada
exemplo disso. Clara Zetkin propôs que fosse criado o Dia
Além de todos esses desafios para a Internacional da Mulher, sendo escolhido

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o dia 08 de março, porque em 1857, nessa Essas exigências levavam à formação de um
data, 129 tecelãs de uma fábrica de tecidos estereótipo que relegava o sexo feminino
em Nova Iorque foram carbonizadas ao âmbito do lar, onde sua tarefa seria a de
durante uma reivindicação por melhores cuidar da casa, dos filhos e do marido, e,
condições de trabalho. Em 1975, a ONU sendo sempre totalmente submissa a ele.
incluiu o dia 08 de março em seu calendário
oficial de comemorações e a data passou Atualmente essa visão de mulher como dona
a ser reconhecida como marco da luta de casa, esposa e mãe ainda é estabelecida para
feminina pela defesa dos direitos humanos as mulheres como se fosse uma regra, mas, na
(GUGLIELMO, 2006, p.111).
verdade, é uma cultura muito antiga que está
Para Woitowicz (2006, p.1) A origem do dia 8 de arraigada na sociedade.
março não é consenso entre os pesquisadores, O fato é que a mulher contemporânea tem que
contudo, é inegável que se trata da busca se dividir entre o cuidado do lar e a profissão,
pelo reconhecimento das causas femininas, sendo ainda milhões de mulheres prisioneiras
especialmente das operárias. do lar, já que não conseguem resolver um grande
dilema: conciliar o cuidado dos filhos, as tarefas
2.1. Mulheres Brasileiras e trabalho
domésticas, com a profissão (QUERINO, et al.,
Desde a colonização do Brasil, o papel da mulher 2013).
brasileira perpassa por funções às vezes exóticas,
ora degradantes e até desumanas. Elas foram 2.2. As mulheres nas Organizações
admiradas, temidas como representantes de Para Santos (2013, p.92), as organizações podem
Satã e foram reduzidas a objetos de domínio e ser consideradas como sistemas abertos que
submissão por receberem um conceito de “não- mantém um processo de troca infinita com o
função”, tendo sua real influência na evolução ambiente e se caracterizam pelo crescimento,
do ser humano, marginalizada e até aniquilada pela diferenciação, pela ordem hierárquica, pela
(SILVA et al, 2005, p.71). dominância, pelo controle e pela competição. Já,
Nas sociedades em geral, podemos citar o Brasil segundo Silva (2009, p.17):
como exemplo de onde sobressaem as relações Uma organização é composta por várias
de gênero assimétricas e hierárquicas, que se funções, cada qual com a responsabilidade
manifestam tanto no âmbito profissional quanto de dar apoio à empresa na realização de
suas atividades e no alcance dos resultados
nas relações familiares. (QUERINO, et al., 2013, almejados. Há os responsáveis por produzir
p.5). os bens e serviços, os incumbidos de vendê-
los e aqueles que são encarregados do
De acordo com Costa (2013, p.50), a conquista da planejamento financeiro das atividades.
cidadania política pelas mulheres brasileiras tem
É possível entender, também, que as organizações
despertado pouco interesse nas ciências sociais
são manifestações concretas de instituições e
e nos estudos de mulher, apesar dos inegáveis
uma associação de pessoas com papéis e tarefas
avanços.
específicas (BERNARDES, 1993).
Silva et al (2005, p.72) afirmam que o inconsciente
Para Braga (1987, p.36), as organizações são,
das mulheres brasileiras talvez ainda esteja
por um lado, complexas e muito difíceis de ser
atrelado às ideias passadas por gerações. O
entendidas e, por outro, possuem propósitos,
desregramento, pecado e danação originados
recursos próprios e poder. Muitos aspectos da
da fragilidade moral do sexo feminino tiveram
atividade humana, como trabalho, educação,
enorme utilidade ao poder social masculino.
recreação e lazer, são largamente influenciados
Além de enfrentar as pressões externas, as pelas organizações modernas.
mulheres ainda têm as dificuldades internas
De acordo com Kanan (2010, p.254), durante
para lidar, afinal, em um mundo onde elas sempre
séculos, coube à mulher apenas o domínio
foram consideradas inferiores aos homens, não é
privado: cuidar da casa e dos filhos. A partir do
fácil ter que afirmar o contrário para si mesma
século XX, ela entrou, com mais consistência, no
todos os dias. Segundo Follador (2009, p.8):
mundo produtivo das organizações, masculino
Levando em consideração que o Brasil foi
colonizado por ocidentais, podemos concluir historicamente, reivindicando espaços no
que os homens no Brasil possuíam os mesmos domínio público.
conceitos, em relação à mulher, que os
moradores do velho continente. Assim, desde Nesse sentido, Oliveira (2011, p.111), afirma que as
o período colonial a exigência de submissão, mulheres brasileiras adquiriram o estatuto de
recato e docilidade foi imposta às mulheres. trabalhadora assalariada durante os anos 1970, o

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que lhes conferiu uma nova identidade que não decorrem desse convívio.
estava mais restrita ao espaço privado da família. Realmente, ao se observar com atenção a
Elas começaram a se movimentar, buscar pirâmide hierárquica das empresas, de forma
mais profissões, tomar posição no mercado de geral, ver-se-á que à medida que se dirige ao topo,
trabalho e seguir por profissões mais valorizadas existem cada vez menos mulheres, ademais,
que possibilitaram que elas chegassem a posições mesmo quando as mulheres sobem na hierarquia,
de liderança. Em relação aos cargos gerenciais: ainda existem salários menores para elas do que
Em 1980, a participação da mulher brasileira para eles, mesmo quando ambos têm a mesma
nesse grupo ocupacional era de apenas 12,3%. função e a mesma formação. Isso mostra que há
Essa proporção experimentou, contudo, um
crescimento significativo ao longo da década várias armadilhas e muito mais obstáculos que
seguinte, atingindo o valor de 22,3% em 1991. aparecem na trajetória das mulheres do que na
O acesso crescente da mulher na categoria carreira dos homens, dificultando sua ascensão
ocupacional de gerente resultou das
mudanças ocorridas na condição feminina e aos cargos mais elevados (FERREIRA, 2020).
nas relações de gênero, a partir dos anos 70. Trabalhadores e trabalhadoras são inseridos
Não há dúvida de que o acesso da mulher à
ocupação de gerente se constitui no exemplo
no mercado de trabalho marcados por
paradigmático de um novo momento da desigualdades atribuídas ao sexo. A diferença
condição feminina. As mulheres alocadas salarial entre homens e mulheres que exercem
na função gerencial são ainda uma minoria, a mesma função é cada vez maior no País. No
mas o impacto de sua presença nessa função
pode ter um significado maior do que o da sua começo do século XXI, pesquisa do Ministério
própria representação numérica (OLIVEIRA, do Trabalho constatou que as mulheres estavam
2011, p.112) recebendo em média dois terços do salário
Parece que finalmente as mulheres chegaram lá, dos homens em todos os setores da economia
mas ainda não é possível saber o que isso significa (WOITOWICZ, 2006).
para elas. De fato, em relação as mulheres Tais desigualdades continuam acontecendo
no século atual, muito tem a se fazer, mas há mesmo na segunda metade deste século, pois
avanços, como mostram Silva et al. (2005). não é nada incomum observar que a maioria dos
Atualmente as mulheres estão avançando melhores cargos, funções e mesmo oportunidades
nas áreas da cultura e da política. O povo
brasileiro elegeu 288 mulheres para o cargo nas organizações ainda são oferecidos a homens.
de prefeito e 5000 para o cargo de vereadoras O pior e mais surpreendente é que as melhores
nas eleições de 2004. Nos últimos 15 anos, oportunidades do mercado de trabalho não são
entraram no mercado de trabalho brasileiro
mais de 12 milhões de mulheres. Nos dias deliberadamente concedidas a homens apenas e
atuais, mais de 30 milhões de mulheres tão-somente por outros homens explicitamente
trabalham fora de casa. (SILVA et al, 2005, machistas ou misóginos. Segundo Whitty-
p.74).
Collins (2022), essa preferência por homens
Ao longo da história humana, líder era quem deve-se a um machismo invisível que existe em
fosse mais forte, falava mais alto e detinha o cada um de nós, tanto homens como mulheres.
poder, isto é, homens, mas agora, é quem escuta É esse tipo de machismo que, silenciosa e
com atenção, cria relacionamentos e integra as sorrateiramente, mina as oportunidades e
pessoas. Ou seja, a liderança moderna é baseada impede a ascensão das mulheres no mercado.
em competências emocionais que respeita as Deveras, não espanta que mulheres deixem de
pessoas, seus sentimentos, anseios e expectativas receber uma promoção porque têm filhos ou
um tipo de liderança que Dalpra e Luna (2021) simplesmente por haver a possibilidade de tê-los,
chamam de feminina. porque no machismo invisível isso as impediria
Os computadores aprenderam a fazer contas de assumir as responsabilidades que cargos de
e criar projeções. A partir de agora, ser – de maior responsabilidade exigem.
fato – humano é a única forma de não ficar No ambiente empresarial, mulheres serem
ultrapassado. Então, como aprender a liderar interrompidas por um homem enquanto falam
pessoas quando as exigências são cada vez mais durante uma reunião ainda é visto como algo
delicadas e sutis? normal. E, não obstante todas as dificuldades,
Apesar disso, as mulheres têm ainda um longo se uma mulher conquista um cargo de
caminho a percorrer. Ainda hoje se estabelecem responsabilidade ou uma posição de destaque na
grandes distâncias entre homens e mulheres, organização que trabalha há anos, logo surgem
e são importantes os conflitos emocionais que comentários maldosos de cunho sexual pelo fato
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simples fato de ter sido uma mulher que recebeu múltipla escolha, elaboradas com base no
a promoção e não um homem. Tais situações referencial teórico e com o propósito de atender
ocorrem sistematicamente em milhares de ao objetivo proposto pela pesquisa, obtendo-se o
organizações pelo mundo todo, reforçadas total de 263 respostas consideradas válidas.
e alimentadas por meio de comentários Após o recebimento dos questionários
aparentemente inocentes e piadinhas sexistas, preenchidos, as respostas foram tabuladas e
que perpetuam a discriminação de gênero, o que, analisadas com utilização do software Microsoft
por sua vez, compromete a trajetória de carreira Excel© que permite a elaboração de gráficos e
das mulheres. É preciso um choque de consciência tabelas, bem como de estatísticas básicas, sendo,
para acordarmos e refletirmos com seriedade portanto, de uma pesquisa qualitativa com
sobre até que ponto cada um de nós, mesmo tratamento quantitativo.
sendo contra comportamentos discriminatórios, Registra-se que, por se tratar de um survey
contribuímos inadvertidamente para que as (pesquisa de opinião pública) com participantes
mulheres sejam preteridas e não vençam no não identificados, não foi necessário obter
mercado de trabalho (WHITTY-COLLINS, 2022). registro nem avaliação do Comitê de Ética em
As mulheres dedicam-se tanto ao trabalho Pesquisa, motivo pelo qual não se apresenta o
quanto o homem e, quando voltam para casa, Certificado de Apresentação de Apreciação Ética.
instintivamente dedicam-se com a mesma
intensidade ao trabalho doméstico e, embora 4. Análise dos Dados
alguns homens ajudem em casa, não chegam Os dados foram analisados com auxílio do
nem perto da energia que a mulher oferece Microsoft Excel® que permitiu obter gráficos
(PROBST, 2003, p.4). e medidas estatísticas básicas. A Tabela um
Segundo Freitas (2001, p.11), em um grupo, apresenta a etária das respondentes em
como em certos ambientes de trabalho, quantidade e percentuais encontrados, sendo que
“tradicionalmente reservado aos homens, não é os maiores percentuais estão nas faixas de idade:
fácil para uma mulher chegar se fazer respeitar; 36 a 46 anos e de 25 a 35 anos, respectivamente.
ela está sujeita a piadas grosseiras, gestos
obscenos, desdém a respeito do que diz e faz,
recusa em ter o seu trabalho levado a sério”.
Tabela 1 - Faixa Etária
De tudo que foi referenciado até aqui, é notório Fonte: pesquisa
que a mulher do século XXI conseguiu colher os O percentual de mulheres respondentes que
frutos que outras mulheres plantaram durante estavam trabalhando durante a realização
a história, porém, também é indiscutível que da pesquisa somou 87,5% enquanto 12,5% não
ainda precisa melhorar ainda mais. estavam empregadas.
3. Metodologia Outra variável importante para conhecer o
perfil das entrevistadas, foi o setor em que elas
Esta é uma pesquisa exploratória (TUMELERO, atuavam, conforme mostra a tabela 2.
2019), pois objetivou proporcionar maior
familiaridade com um problema do tipo
survey (SANTOS, 2007) e, para tanto, envolveu
levantamento bibliográfico e com mulheres que
tiveram experiências práticas com o problema de
pesquisa.
Os dados foram coletados por meio de um
questionário online disponível no Google
Forms©, cujo link foi divulgado na rede social
Facebook dos pesquisadores e aceitou apenas
respostas de mulheres maiores de idade (de 18
anos e acima) que estavam ativas ou já estiveram Tabela 2 - Setor de Trabalho
Fonte: Pesquisa
ativas no mercado de trabalho.
O questionário de pesquisa continha quinze O gráfico 1 apresenta o resultado da pergunta
questões, todas com opções de resposta de sobre discriminação no trabalho (grau de

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concordância com a afirmação “As mulheres
sofrem discriminação no trabalho”.).

Gráfico 1 - As mulheres sofrem discriminação no trabalho.


Fonte: Pesquisa
Os resultados mostram que as mulheres ainda Em complemento, perguntou-se se as próprias
têm forte percepção de que sofrem discriminação as próprias participantes da pesquisa já teriam
no trabalho, o que é uma má notícia considerando sofrido assédio ou discriminação em seus
as ações afirmativas e as práticas de igualdade ambientes de trabalho obtendo-se os resultados
implementadas pelas empresas, pois apenas demonstrados no gráfico 2.
4,6% das respostas foram para “nem concordo, Somando as respostas de quem já sofreu assédio
nem discordo” e 3,4% foram para “discordo”. ou discriminação no ambiente de trabalho e, até
Sobre essa percepção das mulheres é possível mesmo os dois, verifica-se que 65% das mulheres
citar Antunes, Carlotto e Stray (2012, p.31) ao que responderam à pesquisa já sofreram desse
afirmarem que a lógica das relações de poder tipo de abuso. Mais uma vez trata-se de um
“contribui para a invisibilidade dessa situação, índice alto, que permite inferir a necessidade de
mascarando situações discriminatórias, porém mais ações corporativas visando coibir esse tipo
não percebida pelas mulheres”. de situação.

Gráfico 2 - Você já sofreu discriminação/assédio no seu ambiente de trabalho


Fonte: Pesquisa

Sobre assédio, a grande maioria, isto é, 82,9% Na contramão das respostas até aqui
das mulheres respondentes afirmou que já viu apresentadas, que trouxeram um aspecto
alguém relatando ou passando por um episódio negativo da realidade das mulheres no ambiente
de assédio no ambiente de trabalho. de trabalho, em relação as necessidades no
Sobre assédio, Freitas (2001, p.9), afirma que ambiente de trabalho, 38,4% das respondentes
o “fenômeno em si não é novo, contudo, a sua concordam em partes e 30,4% concordam
discussão e a sua denúncia, em particular no firmemente com a afirmação de que o ambiente
mundo organizacional, constituem, sim, uma de trabalho atende às necessidades delas como
novidade. Está ligado a um esforço repetitivo profissionais, conforme apresentado no gráfico 3.
de desqualificação de uma pessoa por outra, Outro ponto que vem sendo levantado nas
podendo conduzir ou não ao assédio sexual.” discussões sobre a inserção e o desenvolvimento

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da mulher no ambiente
de trabalho é a questão
salarial, pois alguns
estudos mostram
que, muitas vezes, as
mulheres acabam tendo
um salário menor que o
homem para fazerem a
mesma atividade.
De fato, dados do IBGE
(2013) indicam que o
nível de escolaridade das
Gráfico 3 - O meu ambiente de trabalho atende às minhas necessidades como mulher/
mulheres aumentou, profissional
sendo mais elevado do que o dos homens, mas Fonte: pesquisa
ainda há uma disparidade salarial em relação
aos homens, que continuam ganhando mais. As mulheres pesquisadas foram questionadas
Assim, a crescente empregabilidade feminina se concordavam com a afirmação de Follador
se expressa em um cenário de luta pelo direito (2009, p.6b) constante no tópico dois sobre as
à igualdade de condições sociais entre homens mulheres provocarem medo nos homens por
e mulheres (LUSTOSA, 2009, apud BRANDÃO; causa de acontecimentos que eram inexplicáveis,
FERRAZ; LIMA, 2015, p.2). obtendo-se os resultados apresentados no gráfico
4.
A pergunta seguinte do
questionário, gráfico 5,
foi feita para verificar o
grau de concordância das
respondentes em relação à
citação de Vasconcelos (2005,
p. 3) sobre a “diabolização
da mulher” apresentada no
tópico dois deste estudo.
Essa pergunta ficou bem
dividida, mas é possível
Gráfico 4 - A Mulher provocava medo no homem notar a antítese nas
Fonte: pesquisa respostas quando 33,8%
A pergunta feita no questionário sobre o homem delas discordam e segunda opção mais votada
ganhar mais que a mulher teve um total de 88,2% (30%) foi a alternativa “concordo firmemente”. As
respostas desabonando tal fato e, o que chega respostas apresentadas no gráfico 5 demonstram
a causar espanto, é que
11,8% das entrevistadas
responderam que
concordam que o homem
ganhe mais que a mulher
para realizar a mesma
atividade.
Esse percentual
representa um total de 31
respostas, mostrando que
a desigualdade salarial,
além de existir, é aprovada
por algumas das mulheres
que participaram da Gráfico 5 - Grau de concordância com a citação sobre a Diabolização da Mulher.
pesquisa. Fonte: pesquisa

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uma dualidade grande na percepção das de alta gestão são em maioria, ocupados por
mulheres que participaram do estudo. mulheres, mais um indicativo de que, mesmo
Ao se depararem com uma pergunta em relação com os avanços conquistados pelas mulheres, as
às dificuldades na carreira por serem mulheres, diferenças de gênero ainda estão muito presentes
as respondentes mostraram pontos de vistas nas empresas brasileiras.
equilibradamente diferentes, gerando mais uma Por fim, procurou-se captar a percepção das
vez, ambiguidade, pois 50,6% afirmaram que respondentes quanto à sociedade brasileira,
não encontraram
dificuldades na
carreira “só por
serem mulheres”,
enquanto as demais
49,4% disseram que
sim, que tiveram
dificuldades na
carreira por serem
mulheres.
Embora a diferença
percentual seja
pequena, ainda
é absolutamente Gráfico 6 - O Brasil é um país Patriarcal.
Fonte: pesquisa
preocupante que praticamente metade da
amostra declare que ser mulher é sinônimo de questionando-as quanto à afirmação de que o
problemas na carreira. País é patriarcal.
Sobre a visão de futuro, as mulheres que
participaram da pesquisa também ficaram 5. Considerações Finais
bastantes divididas, causando estranheza, pois, A pesquisa descrita neste artigo visou entender
se na questão anterior é possível verificar que o ponto de vista das mulheres trabalhadoras
50,6% nunca tiveram dificuldades nas carreiras nestas primeiras décadas do século XXI em
ligadas a gênero, nessa questão, é possível relação ao mercado de trabalho e as expectativas
identificar um percentual maior de mulheres delas para o futuro.
(53,2%) que acha que vai começar ou continuar Os resultados permitem notar que as mulheres
encontrando esse tipo de dificuldade, contra ainda enfrentam dificuldades nas suas
46,8% que acham que não terão problemas. respectivas carreiras e que grande parte já viu
Essa pequena diferença expressa na comparação alguma colega de trabalho sofrendo assédio ou já
entre os gráficos 4 e 5 abre espaço para a sofreu assédio no ambiente de trabalho.
possibilidade de que, das mulheres que ainda Os dados possibilitam inferir que as mulheres
não sentiram dificuldade até hoje, venham ainda estão “abaixo” dos homens no mercado de
a enfrentar, pois esperam encontrar essas trabalho e que ainda existe a discriminação de
dificuldades em algum momento de suas gênero nas empresas brasileiras.
carreiras profissionais. Com essas respostas também foi possível verificar
Vale um destaque a maioria absoluta das que, por mais que as mulheres saibam que
entrevistadas, isto é, 79,8%, concordou com a existe e vejam a discriminação, elas ainda ficam
afirmação de que os homens tentam boicotar divididas quando afirmam não ter encontrado
mulheres por medo do potencial delas (apenas dificuldades na carreira “só por ser mulher”.
20,2% afirmaram que os homens não tentam Ao mesmo tempo em que a maioria das
boicotar as mulheres no trabalho). pesquisadas concordou com a afirmação de que
Na visão das mulheres que responderam ao as “mulheres sofrem discriminação no ambiente
questionário, a maioria dos cargos de alta gestão de trabalho”, elas também afirmaram em sua
em suas respectivas empresas são ocupados por maioria que o ambiente de trabalho atende às
homens (56,7%), algumas apontaram não ter suas necessidades como mulher e profissional, o
certeza (12,9%) e 30,4% afirmaram que os cargos que é uma boa notícia.

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Entende-se que este estudo é de grande 62342007000400009&lng=en&nrm=iso>. acesso
importância para o tema das mulheres no em 01 Dez. 2020. [Link]
mercado de trabalho, pois ele trouxe o ponto de S0080-62342007000400009.
vista atual de mulheres que vivem o dia a dia
BRAGA, Nice. O processo decisório em
das empresas, evidenciando alguns avanços na
organizações brasileiras. Revista de
questão e outros pontos que ainda merecem
Administração Pública, v. 21, n. 3, p. 35-57, 1987.
atenção.
Os números mostram que as mulheres têm BRANDÃO, Rebeca Almeida; FERRAZ, Sofia
salários menores, sofrem discriminação, Batista; LIMA, T. C. B. Mulheres e Valores do
são menosprezadas e assediadas, mas as Trabalho: Estudo em uma Multinacional. Revista
respondentes mostraram, até certo ponto, Organizações em Contexto-online, v. 11, n. 22, p.
uma divisão na percepção desses fatos e indica 487-514, 2015.
que é essencial para as mulheres encarar CANABARRO, Janaína Raquel dos Santos;
as dificuldades do relacionadas ao público SALVAGNI, Julice. Mulheres líderes: As
feminino no mundo corporativo, adotando desigualdades de gênero, carreira e família nas
estratégicas para lidar com elas e superá-las, a organizações de trabalho. Revista de Gestão
fim de conquistar o lugar de destaque que elas e Secretariado, [S.l.], v. 6, n. 2, p. 88-110, ago.
merecem, por meio de uma postura resiliente, 2015. ISSN 2178-9010. Disponível em: <https://
empática e eficaz. [Link]/secretariado/article/
Por isso, a pesquisa indica a necessidade de view/347>. Acesso em: 16 set. 2020. doi: https://
mais estudos visando atualizar a problemática [Link]/10.7769/gesec.v6i2.347.
e responder outras perguntas importantes: será CARNEGIE, Dale. Como fazer sua (próxima)
que esse problema realmente está diminuindo carreira decolar. Rio de Janeiro: BestSeller, 2021.
ou está tão enraizado que as mulheres se
acostumaram? Será que tem diminuído ou vem CARVALHO NETO, Antônio Moreira de; TANURE,
acontecendo de uma forma mais sutil? Enfim, a Betânia; ANDRADE, Juliana. Executivas:
diversidade, em todas as suas formas, ainda é um carreira, maternidade, amores e preconceitos.
tema que merece a atenção dos legisladores e das RAE eletrônica, v. 9, n. 1, p. 0-0, 2010.
organizações. DALPRA, Patrícia; LUNA, Fabiana de. O código
Referências feminino da liderança: o futuro das organizações
e de seus líderes. Curitiba: Artera, 2021.
ANTUNES, Bruna Meurer; CARLOTTO, Mary DUTRA, Joel Souza. Gestão de carreiras: a
Sandra; STREY, Marlene Neves. Mulher e pessoa, a organização e as oportunidades. São
trabalho: visibilizando o tecido e a trama que Paulo: Atlas, 2017.
engendram o assédio moral. Psicologia em
Revista, v. 18, n. 3, p. 420-445, 2012. FERREIRA, Lucelena. Mulheres na liderança:
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BERNARDES, C. Teoria geral da administração: nas organizações. São Paulo: Matrix, 2020.
a análise integrada das organizações. São Paulo:
Atlas, 1993. FOLLADOR, Kellen Jacobsen. A mulher na
visão do patriarcado brasileiro: uma herança
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comemorar o Dia Internacional da Mulher.
Retirado em, v. 10, n. 08, 2006. Disponível
em <[Link]
[Link]> Acesso em
04/010/2020.

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Common questions

Com tecnologia de IA

A crença de que cada um deve gerir sua própria carreira valoriza a autonomia e protagonismo, mas pode representar um desafio adicional para mulheres que enfrentam obstáculos estruturais e culturais, como o machismo invisível. Elas devem aprender a navegar por essas barreiras enquanto assumem o controle de suas trajetórias de desenvolvimento profissional .

Embora a participação feminina tenha crescido consideravelmente, as mulheres enfrentam barreiras como a disparidade salarial, vieses inconscientes e a divisão de papéis de gênero que limitam sua ascensão. O machismo invisível e a falta de oportunidades equitativas, mesmo para as qualificadas, são desafios persistentes que se manifestam de forma sutil, dificultando sua progressão em direção a cargos de alta gestão .

Desde o século XX, as mulheres enfrentaram desafios como a resistência cultural à sua entrada no mercado de trabalho, a luta por reconhecimento como trabalhadoras assalariadas, e a discriminação de gênero em cargos gerenciais. Embora tenha havido um incremento gradual na participação em cargos de gestão, persistem barreiras salariais e de gênero nas organizações que continuam a dificultar a igualdade plena .

O novo modo de produção baseado em informação e conhecimento desloca a ênfase da força física para competências cognitivas e interacionais, áreas nas quais mulheres podem se destacar. Isso pode ampliar as oportunidades de liderança para mulheres, desde que sejam superados os preconceitos vigentes sobre papéis de gênero .

Na definição moderna, liderança é ancorada em competências emocionais como empatia e habilidade de ouvir, que são características culturais e socialmente atribuídas às mulheres. Isso pode ajudar a corrigir percepções negativas mantendo práticas de liderança assertivas mais humanizadas e inclusivas, ajudando mulheres a serem vistas como líderes eficazes .

A liderança moderna valoriza competências emocionais, como a empatia e a habilidade de construir relações, que são tipicamente associadas a um estilo de liderança feminino. Essa mudança beneficia as mulheres por abrir espaço para que suas habilidades naturais sejam reconhecidas e valorizadas em posições de liderança, superando o modelo tradicional de liderança baseado na força e autoridade masculina .

A noção de gênero como um construto social implica que as diferenças e hierarquias sexuais são construídas culturalmente, afetando as expectativas e interações no local de trabalho. Essa percepção permite criticar as normas tradicionais e trabalhar rumo a uma maior igualdade e inclusão, embora ainda persista como desafio na prática organizacional cotidiana .

O machismo invisível atua de forma silenciosa, impedindo a ascensão das mulheres através de preconceitos sutis que persistem nas dinâmicas de poder e decisão nas organizações. É mencionado que mesmo sem a intenção explícita, tanto homens quanto mulheres podem manter essas barreiras, o que reforça a necessidade de um 'choque de consciência' para identificar e corrigir esses padrões .

As mulheres podem adotar estratégias como a resiliência, empatia, e eficácia para superar barreiras de gênero. É crucial que enfrentem dificuldades, adotem uma postura proativa e assertiva, estabeleçam redes de apoio e mentoria, e se mantenham informadas e críticas em relação às dinâmicas de poder nas organizações .

Interrupções em reuniões, mesmo que sutis, refletem e perpetuam a marginalização das mulheres no ambiente de trabalho. Esses comportamentos deslegitimam sua voz e autoridade, reforçando dinâmicas de poder que favorecem homens e mantêm a desigualdade de gênero .

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