0% acharam este documento útil (0 voto)
8 visualizações1 página

Princípio da Dialeticidade nos Recursos

O documento discute as novas regras trazidas pelo CPC/2015 sobre a necessidade de o recurso impugnar especificamente os fundamentos da decisão recorrida, em linha com o princípio da dialeticidade, evitando a mera reprodução dos argumentos da petição inicial. O texto também analisa a inovação quanto à previsão do agravo interno contra qualquer decisão do relator.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
8 visualizações1 página

Princípio da Dialeticidade nos Recursos

O documento discute as novas regras trazidas pelo CPC/2015 sobre a necessidade de o recurso impugnar especificamente os fundamentos da decisão recorrida, em linha com o princípio da dialeticidade, evitando a mera reprodução dos argumentos da petição inicial. O texto também analisa a inovação quanto à previsão do agravo interno contra qualquer decisão do relator.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

DOUTRINA

"Trata-se do princípio da dialeticidade dos recursos que preconiza que “o recurso tem de
combater a decisão jurisdicional naquilo que ela o prejudica, naquilo que ela lhe nega pedido ou
posição de vantagem processual, demonstrando o seu desacerto, do ponto de
vista procedimental (error in procedendo) ou do ponto de vista do próprio julgamento ( error in
judicando)”[1].
Não obstante, na prática são comuns recursos que se limitam a reproduzir, em seu corpo, os
fundamentos da petição inicial ou da contestação sem atacar especificamente os fundamentos
da decisão. E tal prática vem sendo combatida pela jurisprudência dos Tribunais Superiores ( v.
g. Súmulas 182, STJ).
(...)
Nesse sentido, o art. 932, inciso III, do CPC, autoriza o relator a não conhecer de recurso
inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da
decisão recorrida. No mesmo sentido, o § 1º do art. 1.021 estabelece que “na petição de agravo
interno, o recorrente impugnará especificadamente os fundamentos da decisão agravada”.
Comentando o art. 932, inciso III, Teresa Arruda Alvim Wambier et al esclarece que “[…] O que
se pretende com esse dispositivo é desestimular as partes a redigir recursos que não sejam
umbilicalmente ligados à decisão impugnada”[2].
Daniel Amorim Assumpção Neves, a propósito do novo comando do art. 1.021, § 1º, considera
que o recorrente, ao invés de “copiar” e “colar” os fundamentos da petição inicial ou da
contestação, pode fazer remissão aos mencionados fundamentos jurídicos. E arremata
argumentando que “o limite dessa fundamentação remissiva é verificado na matéria fática,
porque nesse caso a impugnação deverá se desenvolver no tocante à valoração probatória, o
que, por razões lógicas, não poderá ser feita nem na petição inicial, nem na contestação”[3].
A jurisprudência do STJ, ainda na vigência do CPC/1973, registrava precedente no sentido de
que “a reprodução, na apelação, dos argumentos contidos na petição inicial não impede, por si
só, o conhecimento do recurso, mormente quando da fundamentação se extraia irresignação da
parte com a sentença prolatada”[4]. O mencionado acórdão serve de alerta aos magistrados
para que interpretem com cautela as novas disposições legais, analisando casuisticamente o
mencionado pressuposto recursal.
(MANUCCI, Renato Pessoa. Dialeticidade dos recursos, novo CPC e o princípio da primazia do
julgamento do mérito. In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, XX, n. 163, ago 2017. Disponível em:
<[Link]
n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=19318&revista_caderno=21>. Acesso em janeiro de
2019.)

"O legislador traz regra inédita sobre a petição de interposição do recurso de apelação, sempre
defendida pela doutrina. Assim, para além dos requisitos que foram reproduzidos no art. 1010,
CPC/2015, o inciso III do mesmo dispositivo inova ao prever a indicação das razões de fato e de
direito que justificam a sua irresignação de modo a prestigiar o princípio da dialeticidade. À
semelhança da petição inicial, o recurso deve conter os fundamentos de fato e de direito que
embasam o inconformismo do recorrente, para demarcar a extensão do recurso e do
contraditório, em especial confrontando a motivação em face dos fundamentos da sentença.
(...)
O CPC/2015, em seu art. 1.021, traz regramento inédito sobre o agravo interno, generalizando o
seu cabimento contra qualquer decisão proferida pelo relator, diversamente do que ocorria com
o código revogado que previa o seu cabimento apenas em quatro hipóteses, acima indicadas. A
norma afasta com louvor a atual confusão entre o agravo interno e o agravo regimental. (...).
O § 1º, art. 1.021, CPC/2015, com a nítida finalidade de afastar os recursos protelatórios e assim
prestigiar o princípio da celeridade processual, dispõe que "na petição de agravo interno, o
recorrente impugnará especificamente os fundamentos da decisão agravada". Trata-se de regra
inédita que compõe a regularidade formal do recurso não prevista na lei revogada. A ideia é
elidir a repetição de argumentos já afastados pela decisão recorrida." (grifos no original)
(FLEXA, Alexandre; MACEDO, Daniel; BASTOS, Fabrício.” Novo Código de Processo Civil, Temas
inéditos, mudanças e supressões. 2ª tiragem. Salvador: Jus Podivm, 2015, p. 663 e 678).

Você também pode gostar