Julgados de Paz: Lei e Competências
Julgados de Paz: Lei e Competências
Índice
L 78/2001 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
CAPÍTULO I – Disposições gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
CAPÍTULO II – Competência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
SECÇÃO I – Disposições gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
SECÇÃO II – Da competência em razão do valor, da matéria e do território . . . . 5
CAPÍTULO III – Organização e funcionamento dos julgados de paz . . . . . . . . . . . 7
CAPÍTULO IV – Dos juízes de paz e dos mediadores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
SECÇÃO I – Disposições gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
SECÇÃO II – Juízes de paz . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
SECÇÃO III – Dos mediadores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
CAPÍTULO V – Das partes e sua representação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
CAPÍTULO VI – Do processo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
SECÇÃO I – Disposições gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
SECÇÃO II – Do requerimento inicial e contestação . . . . . . . . . . . . . . . . 15
SECÇÃO III – Da pré-mediação e da mediação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
SECÇÃO IV – Do julgamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
SECÇÃO V – Disposições finais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
CAPÍTULO VII – Disposições finais e transitórias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
Julgados de Paz
L 78/2001
A Assembleia da República decreta, nos termos da alínea c) do artigo 161.o da Constituição,
para valer como lei geral da República, o seguinte:
CAPÍTULO I
Disposições gerais
Artigo 1.o
Âmbito
A presente lei regula a competência, organização e funcionamento dos julgados de paz e a tra-
mitação dos processos da sua competência.
Artigo 2.o
Princípios gerais
1 – A actuação dos julgados de paz é vocacionada para permitir a participação cívica dos inte-
ressados e para estimular a justa composição dos litígios por acordo das partes.
2 – Os procedimentos nos julgados de paz estão concebidos e são orientados por princípios de
simplicidade, adequação, informalidade, oralidade e absoluta economia processual.
Artigo 3.o
Criação e instalação
1 – Os julgados de paz são criados por diploma do Governo, ouvidos o Conselho dos Julgados
de Paz, o Conselho Superior da Magistratura, a Ordem dos Advogados e a Associação Nacional
de Municípios Portugueses.
2 – O diploma de criação define a circunscrição territorial do julgado de paz.
3 – A instalação dos julgados de paz é feita por portaria do membro do Governo responsável
pela área da justiça.
(A redação do n.o 1 foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de
2013.)
Artigo 4.o
Circunscrição territorial e sede
2 – Os julgados de paz têm sede no concelho para que são exclusivamente criados, ou, no caso
de agrupamento de concelhos, no concelho que é, para o efeito, designado no diploma de cria-
ção.
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
3 – Podem ainda ser constituídos julgados de paz junto de entidades públicas de reconhecido
mérito, sendo o seu âmbito de jurisdição definido no respetivo ato constitutivo.
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
4 – Dentro da respetiva área de circunscrição, os julgados de paz podem funcionar em qualquer
lugar apropriado e podem estabelecer diferentes locais para a prática de atos processuais.
(Redação renumerada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, correspondendo ao anterior n.o 3.)
Artigo 5.o
Custas
CAPÍTULO II
Competência
SECÇÃO I
Disposições gerais
Artigo 6.o
Da competência em razão do objecto
Artigo 7.o
Conhecimento da incompetência
A incompetência dos julgados de paz é por estes conhecida e declarada oficiosamente ou a pe-
dido de qualquer das partes e determina a remessa do processo para o julgado de paz ou para
o tribunal judicial competente.
SECÇÃO II
Da competência em razão do valor, da matéria e do território
Artigo 8.o
Em razão do valor
Os julgados de paz têm competência para questões cujo valor não exceda e15 000.
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
Artigo 9.o
Em razão da matéria
a) Ações que se destinem a efetivar o cumprimento de obrigações, com exceção das que
tenham por objeto o cumprimento de obrigação pecuniária e digam respeito a um contrato
de adesão;
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
b) Ações de entrega de coisas móveis;
c) Ações resultantes de direitos e deveres de condóminos, sempre que a respetiva as-
sembleia não tenha deliberado sobre a obrigatoriedade de compromisso arbitral para a
resolução de litígios entre condóminos ou entre condóminos e o administrador;
d) Ações de resolução de litígios entre proprietários de prédios relativos a passagem for-
çada momentânea, escoamento natural de águas, obras defensivas das águas, comunhão
de valas, regueiras e valados, sebes vivas; abertura de janelas, portas, varandas e obras
semelhantes; estilicídio, plantação de árvores e arbustos, paredes e muros divisórios;
e) Ações de reivindicação, possessórias, usucapião, acessão e divisão de coisa comum;
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
f) Ações que respeitem ao direito de uso e administração da compropriedade, da superfí-
cie, do usufruto, de uso e habitação e ao direito real de habitação periódica;
g) Ações que digam respeito ao arrendamento urbano, exceto as ações de despejo;
h) Ações que respeitem à responsabilidade civil contratual e extracontratual;
i) Ações que respeitem a incumprimento contratual, exceto contrato de trabalho e arrenda-
mento rural;
j) Ações que respeitem à garantia geral das obrigações.
Artigo 10.o
Competência em razão do território
Os factores que determinam a competência territorial dos julgados de paz são os fixados nos
artigos 11.o e seguintes.
Artigo 11.o
Foro da situação dos bens
1 – Devem ser propostas no julgado de paz da situação dos bens as acções referentes a direitos
reais ou pessoais de gozo sobre imóveis e as acções de divisão de coisa comum.
2 – Quando a acção tiver por objecto uma universalidade de facto, ou bens móveis ou imóveis
situados em circunscrições diferentes, é proposta no julgado de paz correspondente à situação
dos imóveis de maior valor, devendo atender-se para esse efeito ao valor patrimonial; se o pré-
dio que é objecto da acção estiver situado em mais de uma circunscrição territorial, pode ser
proposta em qualquer das circunscrições.
Artigo 12.o
Local do cumprimento da obrigação
Artigo 13.o
Regra geral
1 – Em todos os casos não previstos nos artigos anteriores ou em disposições especiais é com-
petente para a acção o julgado de paz do domicílio do demandado.
2 – Se, porém, o demandado não tiver residência habitual ou for incerto ou ausente, é deman-
dado no julgado de paz do domicílio do demandante.
3 – Se o demandado tiver domicílio e residência em país estrangeiro, é demandado no do do-
micílio do demandante e, quando este domicílio for em país estrangeiro, é competente para a
causa qualquer julgado de paz em Lisboa.
Artigo 14.o
Regra geral para pessoas colectivas
No caso de o demandado ser uma pessoa colectiva, a acção é proposta no julgado de paz da
sede da administração principal ou na sede da sucursal, agência, filial, delegação ou represen-
tação, conforme a acção seja dirigida contra aquela ou contra estas.
CAPÍTULO III
Organização e funcionamento dos julgados de paz
Artigo 15.o
Das secções
Os julgados de paz podem dispor, caso se justifique, de uma ou mais secções, dirigidas cada
uma delas por um juiz de paz.
Artigo 16.o
Serviço de mediação
1 – Em cada julgado de paz existe um serviço de mediação que disponibiliza a qualquer interes-
sado a mediação, como forma de resolução alternativa de litígios.
2 – O serviço tem como objetivo estimular a resolução, com caráter preliminar, de litígios por
acordo das partes.
3 – O serviço de mediação é competente para mediar quaisquer litígios que possam ser objeto
de mediação, ainda que excluídos da competência do julgado de paz.
4 – O regulamento, as condições de acesso aos serviços de mediação dos julgados de paz e as
custas inerentes são aprovados por portaria do membro do Governo responsável pela área da
justiça.
(A redação do n.o 3 foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de
2013 e com produção de efeitos desde 19 de maio de 2013, data de entrada em vigor da Lei n.o 29/2013, de 19 de
abril.)
Artigo 17.o
Atendimento e apoio administrativo
Artigo 18.o
Uso de meios informáticos
Artigo 19.o
Pessoal
Artigo 20.o
Modalidade e horário de funcionamento
CAPÍTULO IV
Dos juízes de paz e dos mediadores
SECÇÃO I
Disposições gerais
Artigo 21.o
Impedimentos e suspeições
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013 e com
produção de efeitos desde 19 de maio de 2013, data de entrada em vigor da Lei n.o 29/2013, de 19 de abril.)
Artigo 22.o
Dever de sigilo
SECÇÃO II
Juízes de paz
Artigo 23.o
Requisitos
Artigo 24.o
Recrutamento e selecção
(A redação dos ns. 1 e 2 foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro
de 2013.)
Artigo 25.o
Provimento e nomeação
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
Artigo 26.o
Funções
1 – Compete ao juiz de paz proferir, de acordo com a lei ou equidade, as decisões relativas a
questões que sejam submetidas aos julgados de paz, devendo, previamente, procurar conciliar
as partes.
2 – O juiz de paz não está sujeito a critérios de legalidade estrita, podendo, se as partes assim o
acordarem, decidir segundo juízos de equidade quando o valor da ação não exceda metade do
valor da alçada do julgado de paz.
3 – O juiz de paz deve explicar às partes o significado e alcance do juízo de equidade, a dife-
rença entre esse critério e o da legalidade estrita, e indagar se é nesta base que pretendem a
resolução da causa.
(A redação dos ns. 2 e 3 foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro
de 2013.)
Artigo 27.o
Incompatibilidades
1 – Os juízes de paz em exercício não podem desempenhar qualquer outra função pública ou
privada de natureza profissional.
2 – Podem, no entanto, exercer funções docentes ou de investigação científica, desde que auto-
rizados pelo Conselho dos Julgados de Paz e que não envolvam prejuízo para o serviço.
(A redação do n.o 2 foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de
2013.)
Artigo 28.o
Remuneração
Artigo 29.o
Disposições subsidiárias
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
SECÇÃO III
Dos mediadores
Artigo 30.o
Mediadores
(A redação dos ns. 1 e 2 foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro
de 2013 e com produção de efeitos desde 19 de maio de 2013, data de entrada em vigor da Lei n.o 29/2013, de 19
de abril.)
Artigo 31.o
Requisitos
Sem prejuízo do disposto no artigo seguinte, o mediador, a fim de colaborar com os julgados de
paz, tem de reunir os seguintes requisitos:
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
d) Ter frequentado e obtido aproveitamento em curso ministrado por entidade formadora
certificada pelo Ministério da Justiça, nos termos da Lei da Mediação, aprovada pela Lei
n.o 29/2013, de 19 de abril;
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
e) Não ter sofrido condenação nem estar pronunciado por crime doloso;
f) Ter o domínio da língua portuguesa;
g) (Revogada).
(Redação revogada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de
2013.)
Artigo 32.o
Seleção e reconhecimento de qualificações de mediadores
(A redação da epígrafe foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de
2013.)
Artigo 33.o
Listas de mediadores
1 – Em cada julgado de paz há uma lista contendo, por ordem alfabética, os nomes das pessoas
habilitadas a exercer as funções de mediador nesse julgado de paz e, bem assim, o respetivo
endereço profissional.
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
2 – As listas são anualmente atualizadas, por despacho do membro do Governo responsável
(A redação da epígrafe foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de
2013.)
Artigo 34.o
Regime
Os mediadores habilitados para colaborar com os julgados de paz são contratados em regime
de prestação de serviços, por períodos de dois anos, suscetíveis de renovação.
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
Artigo 35.o
(Revogado)
(Redação revogada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
Artigo 36.o
Remuneração do mediador
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
CAPÍTULO V
Das partes e sua representação
Artigo 37.o
Das partes
Nos processos instaurados nos julgados de paz, podem ser partes pessoas singulares ou cole-
tivas, bem como outras entidades com personalidade judiciária.
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
Artigo 38.o
Representação
1 – Nos julgados de paz, as partes têm de comparecer pessoalmente, podendo fazer-se acom-
panhar por advogado, advogado estagiário ou solicitador.
2 – A assistência é obrigatória quando a parte seja analfabeta, desconhecedora da língua por-
tuguesa ou, por qualquer outro motivo, se encontrar numa posição de manifesta inferioridade,
devendo neste caso o juiz de paz apreciar a necessidade de assistência segundo o seu prudente
juízo.
3 – É também obrigatória a constituição de advogado na fase de recurso, se a ela houver lugar.
(A redação do n.o 2 foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de
2013.)
Artigo 39.o
Litisconsórcio e coligação
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
Artigo 40.o
Apoio judiciário
O regime jurídico do apoio judiciário é aplicável aos processos que corram os seus termos nos
julgados de paz e ao pagamento da retribuição do mediador.
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
CAPÍTULO VI
Do processo
SECÇÃO I
Disposições gerais
Artigo 41.o
Incidentes
São apreciados e decididos pelo juiz de paz os incidentes processuais suscitados pelas partes
que não sejam expressamente excluídos pelo disposto na presente lei.
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
Artigo 41.o -A
Procedimentos cautelares
Nos limites do disposto no artigo 9.o , sempre que alguém mostre fundado receio de que outrem
cause lesão grave ou dificilmente reparável ao seu direito pode requerer junto do julgado de paz
competente a providência conservatória ou antecipatória concretamente adequada a assegurar
a efetividade do direito ameaçado.
(Redação aditada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
Artigo 42.o
Distribuição dos processos
A distribuição dos processos é feita no julgado de paz de acordo com regulamento internamente
aprovado.
SECÇÃO II
Do requerimento inicial e contestação
Artigo 43.o
Apresentação do requerimento
5 – Em caso de irregularidade formal ou material das peças processuais, são as partes convida-
das a aperfeiçoá-las oralmente no início da audiência de julgamento.
6 – Não há lugar a entrega de duplicados legais, cabendo à secretaria facultar às partes cópia
das peças processuais.
7 – Caso o requerimento a que se refere o n.o 1 do presente artigo seja apresentado pessoal-
mente, é logo o demandante notificado da data em que terá lugar a sessão de pré-mediação.
8 – A apresentação do requerimento determina a interrupção da prescrição, nos termos gerais.
Artigo 44.o
Limitações à apresentação do pedido
Artigo 45.o
Citação do demandado
Artigo 46.o
Formas de citação e notificação
1 – As citações e notificações podem ser efectuadas por via postal, podendo, em alternativa, ser
feitas pessoalmente, pelo funcionário.
2 – Não se admite a citação edital.
3 – As notificações podem ser efectuadas pessoalmente, por telefone, telecópia ou via postal e
poderão ser dirigidas para o domicílio ou, se for do conhecimento da secretaria, para o local de
trabalho do demandado.
4 – Não há lugar à expedição de cartas rogatórias e precatórias.
Artigo 47.o
Contestação
1 – A contestação pode ser apresentada por escrito ou verbalmente, caso em que será reduzida
a escrito pelo funcionário, no prazo de 10 dias a contar da citação.
2 – Não há lugar à prorrogação do prazo para apresentar a contestação.
3 – O demandante é imediatamente notificado da contestação e, se não o houver sido anterior-
mente, da data da sessão de pré-mediação.
Artigo 48.o
Reconvenção
SECÇÃO III
Da pré-mediação e da mediação
Artigo 49.o
Pré-mediação
Artigo 50.o
Objectivos da pré-mediação
1 – A pré-mediação tem como objectivo explicar às partes em que consiste a mediação e verifi-
car a predisposição destas para um possível acordo em fase de mediação.
2 – Afirmada positivamente a vontade das partes, é de imediato marcada a primeira sessão de
mediação.
3 – Verificada negativamente a vontade das partes, o mediador dá desse facto conhecimento ao
juiz de paz, que designa data para a audiência de julgamento.
4 – (Revogado.)
(A redação do n.o 4 foi revogada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro
de 2013.)
Artigo 51.o
Marcação da mediação
sessão de pré-mediação, sem prejuízo de poder ser logo realizada caso o mediador designado
esteja disponível.
2 – Cabe às partes escolher um mediador de entre os constantes da lista a que se refere o
n.o 2 do artigo 33.o da presente lei, sendo que, caso não cheguem a acordo, cabe à secretaria
designá-lo.
3 – A mediação tem lugar na sede do julgado de paz.
(A redação do n.o 1 foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de
2013 e com produção de efeitos desde 19 de maio de 2013, data de entrada em vigor da Lei n.o 29/2013, de 19 de
abril.)
Artigo 52.o
(Revogado)
(Redação revogada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
Artigo 53.o
Mediação
1 – Ao processo de mediação é aplicável o disposto na Lei da Mediação, aprovada pela Lei n.o
29/2013, de 19 de abril, com as especificidades previstas na presente lei.
2 – (Revogado).
3 – (Revogado).
4 – (Revogado).
5 – (Revogado).
6 – (Revogado).
(A redação do n.o 1, bem como as indicadas revogações foram introduzidas pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho,
com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013 e com produção de efeitos desde 19 de maio de 2013, data de
entrada em vigor da Lei n.o 29/2013, de 19 de abril.)
Artigo 54.o
Falta de comparência à pré-mediação ou à mediação
1 – Se uma das partes não comparecer à sessão de pré-mediação ou a uma sessão de medi-
ação, não apresentando justificação no prazo de três dias, o processo é remetido à secretaria
para marcação da data de audiência de julgamento.
2 – Compete à secretaria marcar nova data, sem possibilidade de adiamento, para a pré-
mediação ou para a sessão de mediação, dentro dos três dias seguintes à apresentação da
justificação.
3 – Reiterada a falta, o processo é remetido para a fase de julgamento, devendo a secretaria no-
tificar as partes da data da respetiva audiência, a qual deve ter lugar num dos 10 dias seguintes.
(A redação dos ns. 1 e 2 foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro
de 2013.)
Artigo 55.o
Desistência
Artigo 56.o
Acordo
1 – Se as partes chegarem a acordo, é este reduzido a escrito e assinado por todos os interve-
nientes, para imediata homologação pelo juiz de paz, tendo valor de sentença.
2 – Se as partes não chegarem a acordo ou apenas o atingirem parcialmente, o mediador co-
munica tal facto ao juiz de paz.
3 – Recebida a comunicação, é marcado dia para a audiência de julgamento, do qual são as
partes notificadas.
4 – A audiência de julgamento realiza-se no prazo máximo de 10 dias contados da data da res-
pectiva notificação das partes.
SECÇÃO IV
Do julgamento
(A presente secção foi aditada dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro
de 2013.)
Artigo 57.o
Audiência de julgamento
(A redação dos ns. 2 e 3 foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro
de 2013.)
Artigo 58.o
Efeitos das faltas
1 – Quando o demandante, tendo sido regularmente notificado, não comparecer no dia da au-
diência de julgamento nem apresentar justificação no prazo de três dias, considera-se tal falta
como desistência do pedido.
2 – Quando o demandado, tendo sido pessoal e regularmente citado, não comparecer, não
apresentar contestação escrita, nem justificar a falta no prazo de três dias, consideram-se con-
fessados os factos articulados pelo autor.
3 – Compete à secretaria marcar, sem possibilidade de adiamento, nova data para a audiência
de julgamento, dentro dos cinco dias seguintes à apresentação de justificação.
4 – Reiterada a falta, operam as cominações previstas nos números anteriores.
(A redação do n.o 2 foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de
2013.)
Artigo 59.o
Meios probatórios
1 – Até ao dia da audiência de julgamento devem as partes apresentar as provas que reputem
necessárias ou úteis, não podendo cada parte oferecer mais de cinco testemunhas.
2 – As testemunhas não são notificadas, incumbindo às partes apresentá-las na audiência de
julgamento.
3 – Requerida a prova pericial e ouvida a parte contrária, se o juiz de paz entender que a diligên-
cia é pertinente ou não dilatória, manda remeter os autos ao tribunal de 1.a instância competente,
para a produção da prova necessária.
4 – Produzida a prova pericial, são os autos devolvidos ao julgado de paz onde a ação corria
termos para aí prosseguir o julgamento da causa.
(A redação dos ns. 3 e 4 foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro
de 2013.)
Artigo 60.o
Sentença
3 – Nos processos em que sejam partes incapazes, incertos e ausentes, a sentença é notificada
ao Ministério Público junto do tribunal judicial territorialmente competente.
(A redação do n.o 3 foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de
2013.)
Artigo 61.o
Valor da sentença
As decisões proferidas pelos julgados de paz têm o valor de sentença proferida por tribunal de
1.a instância.
SECÇÃO V
Disposições finais
(A presente secção foi aditada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de
2013.)
Artigo 62.o
Recursos
1 – As decisões proferidas nos processos cujo valor exceda metade do valor da alçada do tri-
bunal de 1.a instância podem ser impugnadas por meio de recurso a interpor para a secção
competente do tribunal de comarca em que esteja sediado o julgado de paz.
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor aquando da entrada em vigor da nova
lei de organização do sistema judiciário.)
2 – O recurso tem efeito meramente devolutivo.
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
Artigo 63.o
Direito subsidiário
É subsidiariamente aplicável, no que não seja incompatível com a presente lei e no respeito pe-
los princípios gerais do processo nos julgados de paz, o disposto no Código de Processo Civil,
com exceção das normas respeitantes ao compromisso arbitral, bem como à reconvenção, à
réplica e aos articulados supervenientes.
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
CAPÍTULO VII
Disposições finais e transitórias
Artigo 64.o
Rede dos julgados de paz
1 – (Caducado).
2 – Fica o Governo habilitado a estabelecer com os municípios ou com entidades públicas de
reconhecido mérito a área de competência territorial dos julgados de paz.
3 – O Governo celebra com as autarquias ou com as entidades públicas de reconhecido mérito
protocolos relativos às instalações, equipamentos e pessoal de apoio necessários à instalação
e ao funcionamento dos julgados de paz.
(A redação da epígrafe e do articulado foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1
de setembro de 2013.)
Artigo 65.o
Conselho dos julgados de paz
a) Nomear, colocar, transferir, exonerar, apreciar o mérito profissional, exercer a ação dis-
ciplinar e, em geral, praticar todos os atos de idêntica natureza respeitantes a juízes de
paz;
b) Apreciar e decidir as suspeições e os pedidos de escusa relativos aos juízes de paz;
c) Autorizar férias, admitir a justificação de faltas e atos de natureza análoga referentes a
juízes de paz;
d) Emitir recomendações genéricas e não vinculativas aos juízes de paz;
4 – O Conselho dos Julgados de Paz pode nomear pessoa de reconhecido mérito e experiência,
que realize inquéritos, processos disciplinares, avaliações de juízes de paz e outros atos inspe-
tivos.
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
5 – Cabe à Assembleia da República assegurar ao Conselho dos Julgados de Paz os meios
indispensáveis ao cumprimento das suas atribuições e competências, designadamente instala-
ções adequadas, pessoal de secretariado e apoio logístico, através de dotação especial inscrita
no seu orçamento.
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
6 – O Conselho dos Julgados de Paz acompanha a criação, a instalação e o funcionamento dos
julgados de paz e apresenta à Assembleia da República um relatório anual de avaliação, até ao
dia 30 de abril do ano seguinte àquele a que respeita.
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
(A redação da epígrafe foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de
2013.)
Artigo 66.o
(Revogado)
(Redação revogada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
Artigo 67.o
Processos pendentes
As acções pendentes à data da criação e instalação dos julgados de paz seguem os seus termos
nos tribunais onde foram propostas.
Artigo 68.o
(Revogado)
(Redação revogada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)