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Julgados de Paz: Lei e Competências

Este documento descreve a lei que regula a competência, organização e funcionamento dos julgados de paz em Portugal. Os julgados de paz lidam com processos declaratórios de valor inferior a €15.000 sobre assuntos como obrigações contratuais, entrega de bens móveis e direitos de condóminos.

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Julgados de Paz: Lei e Competências

Este documento descreve a lei que regula a competência, organização e funcionamento dos julgados de paz em Portugal. Os julgados de paz lidam com processos declaratórios de valor inferior a €15.000 sobre assuntos como obrigações contratuais, entrega de bens móveis e direitos de condóminos.

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Julgados de Paz

Aprovado pela Lei n.o 78/2001, de 13 de Julho.

O presente diploma entrou em vigor decorrida a respectiva vacatio legis .

As alterações posteriormente aprovadas estão inseridas no próprio articulado.

Última alteração: Lei n.o 54/2013, de 31 de julho.

Gerado automaticamente em 26-out-2022 referente a 31-jul-2013 a partir do LegiX.


Não dispensa a consulta do Diário da República.

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Índice
L 78/2001 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
CAPÍTULO I – Disposições gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
CAPÍTULO II – Competência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
SECÇÃO I – Disposições gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
SECÇÃO II – Da competência em razão do valor, da matéria e do território . . . . 5
CAPÍTULO III – Organização e funcionamento dos julgados de paz . . . . . . . . . . . 7
CAPÍTULO IV – Dos juízes de paz e dos mediadores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
SECÇÃO I – Disposições gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
SECÇÃO II – Juízes de paz . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
SECÇÃO III – Dos mediadores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
CAPÍTULO V – Das partes e sua representação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
CAPÍTULO VI – Do processo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
SECÇÃO I – Disposições gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
SECÇÃO II – Do requerimento inicial e contestação . . . . . . . . . . . . . . . . 15
SECÇÃO III – Da pré-mediação e da mediação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
SECÇÃO IV – Do julgamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
SECÇÃO V – Disposições finais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
CAPÍTULO VII – Disposições finais e transitórias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22

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Julgados de Paz
L 78/2001
A Assembleia da República decreta, nos termos da alínea c) do artigo 161.o da Constituição,
para valer como lei geral da República, o seguinte:

CAPÍTULO I
Disposições gerais
Artigo 1.o
Âmbito

A presente lei regula a competência, organização e funcionamento dos julgados de paz e a tra-
mitação dos processos da sua competência.

Artigo 2.o
Princípios gerais

1 – A actuação dos julgados de paz é vocacionada para permitir a participação cívica dos inte-
ressados e para estimular a justa composição dos litígios por acordo das partes.
2 – Os procedimentos nos julgados de paz estão concebidos e são orientados por princípios de
simplicidade, adequação, informalidade, oralidade e absoluta economia processual.

Artigo 3.o
Criação e instalação

1 – Os julgados de paz são criados por diploma do Governo, ouvidos o Conselho dos Julgados
de Paz, o Conselho Superior da Magistratura, a Ordem dos Advogados e a Associação Nacional
de Municípios Portugueses.
2 – O diploma de criação define a circunscrição territorial do julgado de paz.
3 – A instalação dos julgados de paz é feita por portaria do membro do Governo responsável
pela área da justiça.

(A redação do n.o 1 foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de
2013.)

Artigo 4.o
Circunscrição territorial e sede

1 – Os julgados de paz podem ser concelhios ou de agrupamento de concelhos.


(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)

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2 – Os julgados de paz têm sede no concelho para que são exclusivamente criados, ou, no caso
de agrupamento de concelhos, no concelho que é, para o efeito, designado no diploma de cria-
ção.
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
3 – Podem ainda ser constituídos julgados de paz junto de entidades públicas de reconhecido
mérito, sendo o seu âmbito de jurisdição definido no respetivo ato constitutivo.
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
4 – Dentro da respetiva área de circunscrição, os julgados de paz podem funcionar em qualquer
lugar apropriado e podem estabelecer diferentes locais para a prática de atos processuais.
(Redação renumerada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, correspondendo ao anterior n.o 3.)

Artigo 5.o
Custas

1 – Nos julgados de paz há lugar a pagamento de custas.


2 – A tabela de custas é aprovada por portaria do membro do Governo responsável pela área da
justiça.
3 – Quando haja lugar à remessa do processo para o tribunal de 1.a instância ou quando seja
interposto recurso da sentença proferida, são devidas pelas partes as custas estabelecidas no
Regulamento das Custas Processuais, aprovado pelo Decreto-Lei n.o 34/2008, de 26 de feve-
reiro, correspondentes aos atos em causa.
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
4 – Sendo o processo remetido para o tribunal de 1.a instância, nos termos do n.o 3 do artigo
59.o da presente lei, é devido, a título de encargo, o pagamento dos atos praticados, aplicando-
se o Regulamento das Custas Processuais, aprovado pelo Decreto-Lei n.o 34/2008, de 26 de
fevereiro.
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
5 – Os montantes obtidos a título de custas nos julgados de paz são repartidos pelo Ministério da
Justiça e pelos municípios, em termos a fixar em portaria do membro do Governo responsável
pela área da justiça, conforme ato constitutivo.
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)

CAPÍTULO II
Competência
SECÇÃO I
Disposições gerais

Artigo 6.o
Da competência em razão do objecto

1 – A competência dos julgados de paz é exclusiva a acções declarativas.


2 – Para a execução das decisões dos julgados de paz aplica-se o disposto no Código de Pro-
cesso Civil e legislação conexa sobre execuções das decisões dos tribunais de 1.a instância.

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Artigo 7.o
Conhecimento da incompetência

A incompetência dos julgados de paz é por estes conhecida e declarada oficiosamente ou a pe-
dido de qualquer das partes e determina a remessa do processo para o julgado de paz ou para
o tribunal judicial competente.

SECÇÃO II
Da competência em razão do valor, da matéria e do território

Artigo 8.o
Em razão do valor

Os julgados de paz têm competência para questões cujo valor não exceda e15 000.

(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)

Artigo 9.o
Em razão da matéria

1 – Os julgados de paz são competentes para apreciar e decidir:


(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)

a) Ações que se destinem a efetivar o cumprimento de obrigações, com exceção das que
tenham por objeto o cumprimento de obrigação pecuniária e digam respeito a um contrato
de adesão;
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
b) Ações de entrega de coisas móveis;
c) Ações resultantes de direitos e deveres de condóminos, sempre que a respetiva as-
sembleia não tenha deliberado sobre a obrigatoriedade de compromisso arbitral para a
resolução de litígios entre condóminos ou entre condóminos e o administrador;
d) Ações de resolução de litígios entre proprietários de prédios relativos a passagem for-
çada momentânea, escoamento natural de águas, obras defensivas das águas, comunhão
de valas, regueiras e valados, sebes vivas; abertura de janelas, portas, varandas e obras
semelhantes; estilicídio, plantação de árvores e arbustos, paredes e muros divisórios;
e) Ações de reivindicação, possessórias, usucapião, acessão e divisão de coisa comum;
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
f) Ações que respeitem ao direito de uso e administração da compropriedade, da superfí-
cie, do usufruto, de uso e habitação e ao direito real de habitação periódica;
g) Ações que digam respeito ao arrendamento urbano, exceto as ações de despejo;
h) Ações que respeitem à responsabilidade civil contratual e extracontratual;
i) Ações que respeitem a incumprimento contratual, exceto contrato de trabalho e arrenda-
mento rural;
j) Ações que respeitem à garantia geral das obrigações.

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2 – Os julgados de paz são também competentes para apreciar os pedidos de indemnização


cível, quando não haja sido apresentada participação criminal ou após desistência da mesma,
emergentes de:

a) Ofensas corporais simples;


b) Ofensa à integridade física por negligência;
c) Difamação;
d) Injúrias;
e) Furto simples;
f) Dano simples;
g) Alteração de marcos;
h) Burla para obtenção de alimentos, bebidas ou serviços.

3 – A apreciação de um pedido de indemnização cível, nos termos do número anterior, preclude


a possibilidade de instaurar o respetivo procedimento criminal.

Artigo 10.o
Competência em razão do território

Os factores que determinam a competência territorial dos julgados de paz são os fixados nos
artigos 11.o e seguintes.

Artigo 11.o
Foro da situação dos bens

1 – Devem ser propostas no julgado de paz da situação dos bens as acções referentes a direitos
reais ou pessoais de gozo sobre imóveis e as acções de divisão de coisa comum.
2 – Quando a acção tiver por objecto uma universalidade de facto, ou bens móveis ou imóveis
situados em circunscrições diferentes, é proposta no julgado de paz correspondente à situação
dos imóveis de maior valor, devendo atender-se para esse efeito ao valor patrimonial; se o pré-
dio que é objecto da acção estiver situado em mais de uma circunscrição territorial, pode ser
proposta em qualquer das circunscrições.

Artigo 12.o
Local do cumprimento da obrigação

1 – A acção destinada a exigir o cumprimento de obrigações, a indemnização pelo não cum-


primento ou pelo cumprimento defeituoso e a resolução do contrato por falta de cumprimento é
proposta, à escolha do credor, no julgado de paz do lugar em que a obrigação devia ser cum-
prida ou no julgado de paz do domicílio do demandado.
2 – Se a acção se destinar a efectivar a responsabilidade civil baseada em facto ilícito ou fun-
dada no risco, o julgado de paz competente é o correspondente ao lugar onde o facto ocorreu.

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Artigo 13.o
Regra geral

1 – Em todos os casos não previstos nos artigos anteriores ou em disposições especiais é com-
petente para a acção o julgado de paz do domicílio do demandado.
2 – Se, porém, o demandado não tiver residência habitual ou for incerto ou ausente, é deman-
dado no julgado de paz do domicílio do demandante.
3 – Se o demandado tiver domicílio e residência em país estrangeiro, é demandado no do do-
micílio do demandante e, quando este domicílio for em país estrangeiro, é competente para a
causa qualquer julgado de paz em Lisboa.

Artigo 14.o
Regra geral para pessoas colectivas

No caso de o demandado ser uma pessoa colectiva, a acção é proposta no julgado de paz da
sede da administração principal ou na sede da sucursal, agência, filial, delegação ou represen-
tação, conforme a acção seja dirigida contra aquela ou contra estas.

CAPÍTULO III
Organização e funcionamento dos julgados de paz
Artigo 15.o
Das secções

Os julgados de paz podem dispor, caso se justifique, de uma ou mais secções, dirigidas cada
uma delas por um juiz de paz.

Artigo 16.o
Serviço de mediação

1 – Em cada julgado de paz existe um serviço de mediação que disponibiliza a qualquer interes-
sado a mediação, como forma de resolução alternativa de litígios.
2 – O serviço tem como objetivo estimular a resolução, com caráter preliminar, de litígios por
acordo das partes.
3 – O serviço de mediação é competente para mediar quaisquer litígios que possam ser objeto
de mediação, ainda que excluídos da competência do julgado de paz.
4 – O regulamento, as condições de acesso aos serviços de mediação dos julgados de paz e as
custas inerentes são aprovados por portaria do membro do Governo responsável pela área da
justiça.

(A redação do n.o 3 foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de
2013 e com produção de efeitos desde 19 de maio de 2013, data de entrada em vigor da Lei n.o 29/2013, de 19 de
abril.)

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Artigo 17.o
Atendimento e apoio administrativo

1 – Cada julgado de paz tem um serviço de atendimento e um serviço de apoio administrativo.


2 – Os serviços previstos no número anterior podem ser comuns às secções existentes.
3 – O diploma de criação dos julgados de paz define a organização dos serviços de atendimento
e apoio administrativo, que podem ser partilhados com a estrutura existente na autarquia em
que estiverem sediados.

Artigo 18.o
Uso de meios informáticos

É adoptado o uso de meios informáticos no tratamento e execução de quaisquer actos ou peças


processuais, salvo disposição legal em contrário, desde que se mostrem respeitadas as regras
referentes à protecção de dados pessoais e se faça menção desse uso.

Artigo 19.o
Pessoal

Os julgados de paz não têm quadro de pessoal.

Artigo 20.o
Modalidade e horário de funcionamento

Os julgados de paz funcionam em horário a definir no respectivo diploma de criação.

CAPÍTULO IV
Dos juízes de paz e dos mediadores
SECÇÃO I
Disposições gerais

Artigo 21.o
Impedimentos e suspeições

1 – Aos juízes de paz é aplicável o regime de impedimentos e suspeições estabelecido na lei do


processo civil para os juízes.
2 – As suspeições e os pedidos de escusa relativos aos juízes de paz são apreciados e decidi-
dos pelo Conselho dos Julgados de Paz.
3 – Aos mediadores é aplicável o regime de impedimentos e escusa estabelecido na Lei da Me-
diação, aprovada pelo Lei n.o 29/2013, de 19 de abril.

(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013 e com

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produção de efeitos desde 19 de maio de 2013, data de entrada em vigor da Lei n.o 29/2013, de 19 de abril.)

Artigo 22.o
Dever de sigilo

1 – Os juízes de paz e os mediadores não podem fazer declarações ou comentários sobre os


processos que lhes estão distribuídos.
2 – Não são abrangidas pelo dever de sigilo as informações que, em matéria não coberta pelo
segredo de justiça ou pelo sigilo profissional, visem a realização de direitos ou interesses legíti-
mos, nomeadamente o do acesso à informação.

SECÇÃO II
Juízes de paz

Artigo 23.o
Requisitos

Só pode ser juiz de paz quem reunir, cumulativamente, os seguintes requisitos:

a) Ter nacionalidade portuguesa;


b) Possuir licenciatura em Direito;
c) Ter idade superior a 30 anos;
d) Estar no pleno gozo dos direitos civis e políticos;
e) Não ter sofrido condenação, nem estar pronunciado por crime doloso;
f) Ter cessado, ou fazer cessar imediatamente antes da assunção das funções como juiz
de paz, a prática de qualquer outra actividade pública ou privada.

Artigo 24.o
Recrutamento e selecção

1 – O recrutamento e a seleção dos juízes de paz é da responsabilidade do Ministério da Justiça,


em colaboração com o Conselho dos Julgados de Paz, e é feito por concurso aberto para o efeito,
mediante avaliação curricular e provas públicas.
2 – Não estão sujeitos à realização de provas públicas:

a) Os magistrados judiciais ou do Ministério Público;


b) Quem tenha exercido funções de juiz de direito nos termos da lei;
c) Quem exerça ou tenha exercido funções como representante do Ministério Público;
d) Os docentes universitários que possuam os graus de mestrado ou doutoramento em
Direito;
e) Os antigos bastonários, presidentes dos conselhos distritais e membros do conselho
geral da Ordem dos Advogados;
f) Os antigos membros do Conselho Superior da Magistratura, do Conselho Superior dos
Tribunais Administrativos e Fiscais e do Conselho Superior do Ministério Público.

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3 – O regulamento do concurso é aprovado por portaria do membro do Governo responsável


pela área da justiça.

(A redação dos ns. 1 e 2 foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro
de 2013.)

Artigo 25.o
Provimento e nomeação

1 – Os juízes de paz são providos por período de cinco anos.


2 – Os juízes de paz são nomeados pelo Conselho dos Julgados de Paz, que sobre eles exerce
poder disciplinar.
3 – No termo do período a que se refere o n.o 1, o Conselho dos Julgados de Paz pode deliberar,
de forma fundamentada, a sua renovação, devendo ter em conta a vontade manifestada pelo juiz
de paz, a conveniência de serviço, a avaliação do mérito do juiz de paz, o número de processos
entrados e findos no julgado de paz em que o juiz exerce as suas funções, bem como a aprecia-
ção global do serviço por este prestado no exercício das mesmas, devendo tal procedimento ser
adotado caso se justifique ulteriores renovações.

(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)

Artigo 26.o
Funções

1 – Compete ao juiz de paz proferir, de acordo com a lei ou equidade, as decisões relativas a
questões que sejam submetidas aos julgados de paz, devendo, previamente, procurar conciliar
as partes.
2 – O juiz de paz não está sujeito a critérios de legalidade estrita, podendo, se as partes assim o
acordarem, decidir segundo juízos de equidade quando o valor da ação não exceda metade do
valor da alçada do julgado de paz.
3 – O juiz de paz deve explicar às partes o significado e alcance do juízo de equidade, a dife-
rença entre esse critério e o da legalidade estrita, e indagar se é nesta base que pretendem a
resolução da causa.

(A redação dos ns. 2 e 3 foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro
de 2013.)

Artigo 27.o
Incompatibilidades

1 – Os juízes de paz em exercício não podem desempenhar qualquer outra função pública ou
privada de natureza profissional.
2 – Podem, no entanto, exercer funções docentes ou de investigação científica, desde que auto-
rizados pelo Conselho dos Julgados de Paz e que não envolvam prejuízo para o serviço.

(A redação do n.o 2 foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de

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2013.)

Artigo 28.o
Remuneração

A remuneração dos juízes de paz é a correspondente ao escalão mais elevado da categoria de


assessor principal da carreira técnica superior do regime geral da Administração Pública.

Artigo 29.o
Disposições subsidiárias

É aplicável subsidiariamente aos juízes de paz, quanto a deveres, incompatibilidades e direitos,


o regime dos trabalhadores que exercem funções públicas, em tudo quanto não seja incompatí-
vel com a presente lei.

(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)

SECÇÃO III
Dos mediadores

Artigo 30.o
Mediadores

1 – Os mediadores que colaboram com os julgados de paz são profissionais independentes,


habilitados a prestar serviços, nos termos da presente secção.
2 – No desempenho da sua função, o mediador deve atuar de acordo com o disposto no estatuto
do mediador de conflitos, previsto na Lei da Mediação, aprovada pela Lei n.o 29/2013, de 19 de
abril.
3 – Os mediadores estão impedidos de exercer a advocacia no julgado de paz onde prestam
serviço.

(A redação dos ns. 1 e 2 foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro
de 2013 e com produção de efeitos desde 19 de maio de 2013, data de entrada em vigor da Lei n.o 29/2013, de 19
de abril.)

Artigo 31.o
Requisitos

Sem prejuízo do disposto no artigo seguinte, o mediador, a fim de colaborar com os julgados de
paz, tem de reunir os seguintes requisitos:
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)

a) Ter mais de 25 anos de idade;


b) Estar no pleno gozo dos seus direitos civis e políticos;
c) Possuir licenciatura;

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(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
d) Ter frequentado e obtido aproveitamento em curso ministrado por entidade formadora
certificada pelo Ministério da Justiça, nos termos da Lei da Mediação, aprovada pela Lei
n.o 29/2013, de 19 de abril;
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
e) Não ter sofrido condenação nem estar pronunciado por crime doloso;
f) Ter o domínio da língua portuguesa;
g) (Revogada).
(Redação revogada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de
2013.)

Artigo 32.o
Seleção e reconhecimento de qualificações de mediadores

1 – A seleção dos mediadores habilitados a prestar os serviços da sua especialidade em cola-


boração com os julgados de paz é feita por concurso curricular aberto para o efeito.
2 – O regulamento do concurso é aprovado por portaria do membro do Governo responsável
pela área da justiça.
3 – Caso o mediador concorrente seja cidadão da União Europeia ou do espaço económico
europeu cujas qualificações tenham sido obtidas fora de Portugal e pretenda colaborar com os
julgados de paz deve obter prévio reconhecimento das mesmas, nos termos da Lei n.o 9/2009,
de 4 de março, alterada pela Lei n.o 41/2012, de 28 de agosto, junto do serviço do Ministério da
Justiça definido por portaria do membro do Governo responsável pela área da justiça, estando
ainda sujeito aos requisitos de acesso referidos no artigo anterior.
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
4 – As medidas de compensação admissíveis nos termos do artigo 11.o da Lei n.o 9/2009, de 4
de março, alterada pela Lei n.o 41/2012, de 28 de agosto, são reguladas pela portaria referida
no número anterior.
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
5 – Caso o mediador concorrente pretenda colaborar com os julgados de paz em regime de livre
prestação deve apresentar, conjuntamente com a apresentação de candidatura ao concurso, a
declaração prévia referida no artigo 5.o da Lei n.o 9/2009, de 4 de março, alterada pela Lei n.o
41/2012, de 28 de agosto, estando ainda sujeito aos requisitos de acesso referidos no artigo
anterior.
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)

(A redação da epígrafe foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de
2013.)

Artigo 33.o
Listas de mediadores

1 – Em cada julgado de paz há uma lista contendo, por ordem alfabética, os nomes das pessoas
habilitadas a exercer as funções de mediador nesse julgado de paz e, bem assim, o respetivo
endereço profissional.
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
2 – As listas são anualmente atualizadas, por despacho do membro do Governo responsável

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pela área da justiça, e publicadas no Diário da República.


3 – A inscrição nas listas é efetuada automaticamente no seguimento de seleção no procedi-
mento referido no artigo anterior.
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
4 – A referida inscrição não investe os inscritos na qualidade de trabalhador que exerce funções
públicas nem garante o pagamento de qualquer remuneração fixa por parte do Estado.
5 – É excluído da lista o mediador que haja sido condenado ou pronunciado por crime doloso.
6 – A fiscalização da atividade dos mediadores que exerçam funções em julgados de paz é da
competência do serviço do Ministério da Justiça definido por portaria do membro do Governo
responsável pela área da justiça.
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)

(A redação da epígrafe foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de
2013.)

Artigo 34.o
Regime

Os mediadores habilitados para colaborar com os julgados de paz são contratados em regime
de prestação de serviços, por períodos de dois anos, suscetíveis de renovação.

(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)

Artigo 35.o
(Revogado)

(Redação revogada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)

Artigo 36.o
Remuneração do mediador

1 – A remuneração do mediador é atribuída por cada processo de mediação, independente-


mente do número de sessões realizadas, sendo o respetivo montante fixado pelo membro do
Governo responsável pela área da justiça.
2 – O mediador não tem direito ao pagamento de ajudas de custo ou ao reembolso de despesas
de deslocação.

(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)

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CAPÍTULO V
Das partes e sua representação
Artigo 37.o
Das partes

Nos processos instaurados nos julgados de paz, podem ser partes pessoas singulares ou cole-
tivas, bem como outras entidades com personalidade judiciária.

(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)

Artigo 38.o
Representação

1 – Nos julgados de paz, as partes têm de comparecer pessoalmente, podendo fazer-se acom-
panhar por advogado, advogado estagiário ou solicitador.
2 – A assistência é obrigatória quando a parte seja analfabeta, desconhecedora da língua por-
tuguesa ou, por qualquer outro motivo, se encontrar numa posição de manifesta inferioridade,
devendo neste caso o juiz de paz apreciar a necessidade de assistência segundo o seu prudente
juízo.
3 – É também obrigatória a constituição de advogado na fase de recurso, se a ela houver lugar.

(A redação do n.o 2 foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de
2013.)

Artigo 39.o
Litisconsórcio e coligação

É admitido o litisconsórcio e a coligação de partes apenas no momento da propositura da ação,


salvo para regularizar uma situação de litisconsórcio necessário, caso em que essa regulariza-
ção tem de ocorrer no prazo de 10 dias após a decisão que julgue ilegítima alguma das partes
por não estar em juízo determinada pessoa.

(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)

Artigo 40.o
Apoio judiciário

O regime jurídico do apoio judiciário é aplicável aos processos que corram os seus termos nos
julgados de paz e ao pagamento da retribuição do mediador.

(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)

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CAPÍTULO VI
Do processo
SECÇÃO I
Disposições gerais

Artigo 41.o
Incidentes

São apreciados e decididos pelo juiz de paz os incidentes processuais suscitados pelas partes
que não sejam expressamente excluídos pelo disposto na presente lei.

(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)

Artigo 41.o -A
Procedimentos cautelares

Nos limites do disposto no artigo 9.o , sempre que alguém mostre fundado receio de que outrem
cause lesão grave ou dificilmente reparável ao seu direito pode requerer junto do julgado de paz
competente a providência conservatória ou antecipatória concretamente adequada a assegurar
a efetividade do direito ameaçado.

(Redação aditada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)

Artigo 42.o
Distribuição dos processos

A distribuição dos processos é feita no julgado de paz de acordo com regulamento internamente
aprovado.

SECÇÃO II
Do requerimento inicial e contestação

Artigo 43.o
Apresentação do requerimento

1 – O processo inicia-se pela apresentação do requerimento na secretaria do julgado de paz.


2 – O requerimento pode ser apresentado verbalmente ou por escrito, em formulário próprio,
com indicação do nome e do domicílio do demandante e do demandado, contendo a exposição
sucinta dos factos, o pedido e o valor da causa.
3 – Se o requerimento for efectuado verbalmente, deve o funcionário reduzi-lo a escrito.
4 – Se estiver presente o demandado, pode este, de imediato, apresentar a contestação, observando-
se, com as devidas adaptações, o disposto no n.o 2 do presente artigo.

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5 – Em caso de irregularidade formal ou material das peças processuais, são as partes convida-
das a aperfeiçoá-las oralmente no início da audiência de julgamento.
6 – Não há lugar a entrega de duplicados legais, cabendo à secretaria facultar às partes cópia
das peças processuais.
7 – Caso o requerimento a que se refere o n.o 1 do presente artigo seja apresentado pessoal-
mente, é logo o demandante notificado da data em que terá lugar a sessão de pré-mediação.
8 – A apresentação do requerimento determina a interrupção da prescrição, nos termos gerais.

Artigo 44.o
Limitações à apresentação do pedido

É admitida a cumulação de pedidos apenas no momento da propositura da acção.

Artigo 45.o
Citação do demandado

1 – Caso o demandado não esteja presente aquando da apresentação do requerimento, a secre-


taria deve citá-lo para que este tome conhecimento de que contra si foi instaurado um processo,
enviando-lhe cópia do requerimento do demandante.
2 – Da citação devem constar a data da sessão de pré-mediação, o prazo para apresentação da
contestação e as cominações em que incorre no caso de revelia.

Artigo 46.o
Formas de citação e notificação

1 – As citações e notificações podem ser efectuadas por via postal, podendo, em alternativa, ser
feitas pessoalmente, pelo funcionário.
2 – Não se admite a citação edital.
3 – As notificações podem ser efectuadas pessoalmente, por telefone, telecópia ou via postal e
poderão ser dirigidas para o domicílio ou, se for do conhecimento da secretaria, para o local de
trabalho do demandado.
4 – Não há lugar à expedição de cartas rogatórias e precatórias.

Artigo 47.o
Contestação

1 – A contestação pode ser apresentada por escrito ou verbalmente, caso em que será reduzida
a escrito pelo funcionário, no prazo de 10 dias a contar da citação.
2 – Não há lugar à prorrogação do prazo para apresentar a contestação.
3 – O demandante é imediatamente notificado da contestação e, se não o houver sido anterior-
mente, da data da sessão de pré-mediação.

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Artigo 48.o
Reconvenção

1 – Não se admite a reconvenção, exceto quando o demandado se propõe obter a compensação


ou tornar efetivo o direito a benfeitorias ou despesas relativas à coisa cuja entrega lhe é pedida.
2 – Caso a cumulação do valor do pedido do demandante e do valor do pedido do reconvinte
seja superior ao limite da alçada do julgado de paz, a reconvenção é ainda admissível, desde
que o valor desta não ultrapasse aquela alçada.
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
3 – O demandante pode, caso haja reconvenção, responder à mesma no prazo de 10 dias con-
tados da notificação da contestação.
(Redação renumerada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, correspondendo ao anterior n.o 2.)

SECÇÃO III
Da pré-mediação e da mediação

Artigo 49.o
Pré-mediação

1 – Recebido o pedido e iniciado o processo no julgado de paz, é realizada uma pré-mediação,


desde que qualquer uma ou ambas as partes não tenham previamente afastado esta possibili-
dade.
2 – A realização da pré-mediação pode ocorrer de imediato se as partes estiverem presentes e,
se houver concordância destas e disponibilidade de mediador, ser logo seguida de sessão de
mediação.

Artigo 50.o
Objectivos da pré-mediação

1 – A pré-mediação tem como objectivo explicar às partes em que consiste a mediação e verifi-
car a predisposição destas para um possível acordo em fase de mediação.
2 – Afirmada positivamente a vontade das partes, é de imediato marcada a primeira sessão de
mediação.
3 – Verificada negativamente a vontade das partes, o mediador dá desse facto conhecimento ao
juiz de paz, que designa data para a audiência de julgamento.
4 – (Revogado.)

(A redação do n.o 4 foi revogada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro
de 2013.)

Artigo 51.o
Marcação da mediação

1 – Se as partes estiverem de acordo em passar à fase da mediação, é celebrado um protocolo


de mediação e é marcada data para a primeira sessão num dos dias imediatamente seguintes à

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sessão de pré-mediação, sem prejuízo de poder ser logo realizada caso o mediador designado
esteja disponível.
2 – Cabe às partes escolher um mediador de entre os constantes da lista a que se refere o
n.o 2 do artigo 33.o da presente lei, sendo que, caso não cheguem a acordo, cabe à secretaria
designá-lo.
3 – A mediação tem lugar na sede do julgado de paz.

(A redação do n.o 1 foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de
2013 e com produção de efeitos desde 19 de maio de 2013, data de entrada em vigor da Lei n.o 29/2013, de 19 de
abril.)

Artigo 52.o
(Revogado)

(Redação revogada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)

Artigo 53.o
Mediação

1 – Ao processo de mediação é aplicável o disposto na Lei da Mediação, aprovada pela Lei n.o
29/2013, de 19 de abril, com as especificidades previstas na presente lei.
2 – (Revogado).
3 – (Revogado).
4 – (Revogado).
5 – (Revogado).
6 – (Revogado).

(A redação do n.o 1, bem como as indicadas revogações foram introduzidas pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho,
com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013 e com produção de efeitos desde 19 de maio de 2013, data de
entrada em vigor da Lei n.o 29/2013, de 19 de abril.)

Artigo 54.o
Falta de comparência à pré-mediação ou à mediação

1 – Se uma das partes não comparecer à sessão de pré-mediação ou a uma sessão de medi-
ação, não apresentando justificação no prazo de três dias, o processo é remetido à secretaria
para marcação da data de audiência de julgamento.
2 – Compete à secretaria marcar nova data, sem possibilidade de adiamento, para a pré-
mediação ou para a sessão de mediação, dentro dos três dias seguintes à apresentação da
justificação.
3 – Reiterada a falta, o processo é remetido para a fase de julgamento, devendo a secretaria no-
tificar as partes da data da respetiva audiência, a qual deve ter lugar num dos 10 dias seguintes.

(A redação dos ns. 1 e 2 foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro

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de 2013.)

Artigo 55.o
Desistência

1 – As partes podem, a qualquer momento, desistir da mediação.


2 – Sendo a desistência anterior à mediação, é esta comunicada à secretaria.
3 – Caso a desistência ocorra durante a mediação, a comunicação é feita ao mediador.

Artigo 56.o
Acordo

1 – Se as partes chegarem a acordo, é este reduzido a escrito e assinado por todos os interve-
nientes, para imediata homologação pelo juiz de paz, tendo valor de sentença.
2 – Se as partes não chegarem a acordo ou apenas o atingirem parcialmente, o mediador co-
munica tal facto ao juiz de paz.
3 – Recebida a comunicação, é marcado dia para a audiência de julgamento, do qual são as
partes notificadas.
4 – A audiência de julgamento realiza-se no prazo máximo de 10 dias contados da data da res-
pectiva notificação das partes.

SECÇÃO IV
Do julgamento

(A presente secção foi aditada dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro
de 2013.)

Artigo 57.o
Audiência de julgamento

1 – Na audiência de julgamento são ouvidas as partes, produzida a prova e proferida sentença.


2 – Não é admissível mais do que um adiamento de audiência ou de sessão de audiência de
julgamento, mesmo que por acordo das partes.
3 – Não é admissível o adiamento da audiência de julgamento por acordo das partes por período
superior a 10 dias.

(A redação dos ns. 2 e 3 foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro
de 2013.)

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Artigo 58.o
Efeitos das faltas

1 – Quando o demandante, tendo sido regularmente notificado, não comparecer no dia da au-
diência de julgamento nem apresentar justificação no prazo de três dias, considera-se tal falta
como desistência do pedido.
2 – Quando o demandado, tendo sido pessoal e regularmente citado, não comparecer, não
apresentar contestação escrita, nem justificar a falta no prazo de três dias, consideram-se con-
fessados os factos articulados pelo autor.
3 – Compete à secretaria marcar, sem possibilidade de adiamento, nova data para a audiência
de julgamento, dentro dos cinco dias seguintes à apresentação de justificação.
4 – Reiterada a falta, operam as cominações previstas nos números anteriores.

(A redação do n.o 2 foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de
2013.)

Artigo 59.o
Meios probatórios

1 – Até ao dia da audiência de julgamento devem as partes apresentar as provas que reputem
necessárias ou úteis, não podendo cada parte oferecer mais de cinco testemunhas.
2 – As testemunhas não são notificadas, incumbindo às partes apresentá-las na audiência de
julgamento.
3 – Requerida a prova pericial e ouvida a parte contrária, se o juiz de paz entender que a diligên-
cia é pertinente ou não dilatória, manda remeter os autos ao tribunal de 1.a instância competente,
para a produção da prova necessária.
4 – Produzida a prova pericial, são os autos devolvidos ao julgado de paz onde a ação corria
termos para aí prosseguir o julgamento da causa.

(A redação dos ns. 3 e 4 foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro
de 2013.)

Artigo 60.o
Sentença

1 – A sentença é proferida na audiência de julgamento e reduzida a escrito, dela constando:

a) A identificação das partes;


b) O objeto do litígio;
c) Uma sucinta fundamentação;
d) A decisão propriamente dita;
e) O local e a data em que foi proferida;
f) A identificação e a assinatura do juiz de paz que a proferiu.

2 – A sentença é pessoalmente notificada às partes, imediatamente antes do encerramento da


audiência de julgamento.

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3 – Nos processos em que sejam partes incapazes, incertos e ausentes, a sentença é notificada
ao Ministério Público junto do tribunal judicial territorialmente competente.

(A redação do n.o 3 foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de
2013.)

Artigo 61.o
Valor da sentença

As decisões proferidas pelos julgados de paz têm o valor de sentença proferida por tribunal de
1.a instância.

SECÇÃO V
Disposições finais

(A presente secção foi aditada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de
2013.)

Artigo 62.o
Recursos

1 – As decisões proferidas nos processos cujo valor exceda metade do valor da alçada do tri-
bunal de 1.a instância podem ser impugnadas por meio de recurso a interpor para a secção
competente do tribunal de comarca em que esteja sediado o julgado de paz.
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor aquando da entrada em vigor da nova
lei de organização do sistema judiciário.)
2 – O recurso tem efeito meramente devolutivo.
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)

Artigo 63.o
Direito subsidiário

É subsidiariamente aplicável, no que não seja incompatível com a presente lei e no respeito pe-
los princípios gerais do processo nos julgados de paz, o disposto no Código de Processo Civil,
com exceção das normas respeitantes ao compromisso arbitral, bem como à reconvenção, à
réplica e aos articulados supervenientes.

(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)

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CAPÍTULO VII
Disposições finais e transitórias
Artigo 64.o
Rede dos julgados de paz

1 – (Caducado).
2 – Fica o Governo habilitado a estabelecer com os municípios ou com entidades públicas de
reconhecido mérito a área de competência territorial dos julgados de paz.
3 – O Governo celebra com as autarquias ou com as entidades públicas de reconhecido mérito
protocolos relativos às instalações, equipamentos e pessoal de apoio necessários à instalação
e ao funcionamento dos julgados de paz.

(A redação da epígrafe e do articulado foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1
de setembro de 2013.)

Artigo 65.o
Conselho dos julgados de paz

1 – O Conselho dos Julgados de Paz é o órgão responsável pelo acompanhamento da criação e


instalação dos julgados de paz, que funciona na dependência da Assembleia da República, com
mandato de legislatura.
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
2 – O conselho é constituído por:
a) Uma personalidade designada pelo Presidente da Assembleia da República, que pre-
side;
b) Um representante de cada Grupo Parlamentar representado na Comissão de Assuntos
Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias da Assembleia da República, e por tal
Comissão indicado;
c) Um representante do Ministério da Justiça;
d) Um representante do Conselho Superior da Magistratura;
e) Um representante da Associação Nacional de Municípios Portugueses.
f) Um representante dos juízes de paz, eleito de entre estes.
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)

3 – Ao Conselho dos Julgados de Paz compete:


(A redação do presente número e respetivas alíneas foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em
vigor no dia 1 de setembro de 2013.)

a) Nomear, colocar, transferir, exonerar, apreciar o mérito profissional, exercer a ação dis-
ciplinar e, em geral, praticar todos os atos de idêntica natureza respeitantes a juízes de
paz;
b) Apreciar e decidir as suspeições e os pedidos de escusa relativos aos juízes de paz;
c) Autorizar férias, admitir a justificação de faltas e atos de natureza análoga referentes a
juízes de paz;
d) Emitir recomendações genéricas e não vinculativas aos juízes de paz;

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e) Propor à Assembleia da República e ao Governo as providências legislativas ou regula-


mentares relativas aos julgados de paz;
f) Emitir parecer sobre diplomas legislativos ou regulamentares relativos aos julgados de
paz;
g) Colaborar nos concursos de recrutamento e nos cursos e ações de formação dos juízes
de paz;
h) Aprovar os regulamentos indispensáveis ao cumprimento das suas funções;
i) Exercer as demais funções conferidas por lei.

4 – O Conselho dos Julgados de Paz pode nomear pessoa de reconhecido mérito e experiência,
que realize inquéritos, processos disciplinares, avaliações de juízes de paz e outros atos inspe-
tivos.
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
5 – Cabe à Assembleia da República assegurar ao Conselho dos Julgados de Paz os meios
indispensáveis ao cumprimento das suas atribuições e competências, designadamente instala-
ções adequadas, pessoal de secretariado e apoio logístico, através de dotação especial inscrita
no seu orçamento.
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)
6 – O Conselho dos Julgados de Paz acompanha a criação, a instalação e o funcionamento dos
julgados de paz e apresenta à Assembleia da República um relatório anual de avaliação, até ao
dia 30 de abril do ano seguinte àquele a que respeita.
(Redação dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)

(A redação da epígrafe foi dada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de
2013.)

Artigo 66.o
(Revogado)

(Redação revogada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)

Artigo 67.o
Processos pendentes

As acções pendentes à data da criação e instalação dos julgados de paz seguem os seus termos
nos tribunais onde foram propostas.

Artigo 68.o
(Revogado)

(Redação revogada pela Lei n.o 54/2013, de 31 de julho, com entrada em vigor no dia 1 de setembro de 2013.)

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