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Web 2.0 na Educação de Jovens Vulneráveis

Este trabalho apresenta os resultados de um estudo exploratório sobre o uso da Web 2.0 na educação digital de jovens socialmente vulneráveis. A metodologia incluiu pesquisa qualitativa com jovens para analisar as implicações da Web 2.0 no processo de educação digital. Os resultados demonstraram que a Web 2.0 tem implicações fundamentais ao longo do processo de educação digital, viabilizando o desenvolvimento das capacidades informacionais dos indivíduos.

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Web 2.0 na Educação de Jovens Vulneráveis

Este trabalho apresenta os resultados de um estudo exploratório sobre o uso da Web 2.0 na educação digital de jovens socialmente vulneráveis. A metodologia incluiu pesquisa qualitativa com jovens para analisar as implicações da Web 2.0 no processo de educação digital. Os resultados demonstraram que a Web 2.0 tem implicações fundamentais ao longo do processo de educação digital, viabilizando o desenvolvimento das capacidades informacionais dos indivíduos.

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UM ESTUDO EXPLORATÓRIO SOBRE O USO DA WEB 2.

0 NA
EDUCAÇÃO DIGITAL DE JOVENS SOCIALMENTE
VULNERÁVEIS
Maria Cilene de Sousa Lima1*

Fabricio Oliveira de Araújo1

Manoel Messias Souto1

Faculdades Integradas de Patos-FIP1

mariacsl204@[Link]*
Resumo
Este trabalho apresenta os resultados de um estudo exploratório com jovens socialmente
vulneráveis, com o objetivo de analisar quais as implicações da Web 2.0, no processo de
educação digital dessas pessoas. A metodologia utilizada se baseia num arcabouço de
práticas em pesquisa qualitativa. Os resultados demonstraram que a Web 2.0 tem
implicações fundamentais ao longo do processo de educação digital, viabilizando o
desenvolvimento das capacidades informacionais dos indivíduos.

Palavras-chave: Web 2.0. Educação Digital. Vulnerabilidade Social.

Abstract

This paper presents the results of an exploratory study developed with socially
vulnerable youths, with the aim of analyzing the implications of Web 2.0 in digital
education process of these people. The methodology is based on a framework of
practices in qualitative research. The results showed that Web 2.0 has major
implications throughout digital education process, enabling the development of
informational capabilities of individuals.

Keywords: Web 2.0. Digital Education. Social Vulnerability.

1. Introdução
Ao longo da última década, o Brasil, a exemplo de outros países em desenvolvimento,
tem vivenciado uma crescente implantação de projetos e programas de inclusão digital,
assim bem como o desenvolvimento de políticas educacionais por parte de organizações
não governamentais (ONGs), empresas, e notadamente, do Governo (NETO e
MIRANDA, 2010).
Entretanto, o avanço tecnológico imposto à sociedade, sem a devida análise e
adequação dos processos de ensino e aprendizagem, torna-se cada vez mais crítica a
missão de conceber ações eficazes no tocante à inclusão digital. Em contrapartida, o
subgrupo da população mais excluído destes movimentos é composto pelos indivíduos
socialmente vulneráveis. Para Oliveira (1995), os grupos sociais vulneráveis poderiam
ser definidos como aqueles conjuntos ou subconjuntos da população brasileira situados
na linha de pobreza, além de considerar que nem todos os vulneráveis são indigentes,
pois se entende que além dos indigentes, muitos grupos sociais que se encontram acima
da linha da pobreza também são vulneráveis.

Dessa forma, Carneiro e Veiga (2004) concluem que, vulnerabilidades e riscos


remetem às noções de carências e de exclusão. Pessoas, famílias e comunidades são
vulneráveis quando não dispõem de recursos materiais e imateriais para enfrentarem
com sucesso os riscos a que são ou estão submetidas, nem de capacidades para adotar
cursos de ações/estratégias que lhes possibilitem alcançar patamares razoáveis de
segurança pessoal/coletiva. Se há uma década, questões como infraestrutura e acesso
eram tidas como prioritárias no processo de democratização das TICs, atualmente,
novos fatores têm sido acrescentados à problemática que envolve a exclusão digital. Por
conseguinte, novos esforços investigativos se fazem necessários neste contexto, de
modo a considerar os desafios emergentes no campo da Educação Digital.

1.1. Objetivos de Pesquisa


Identificar como se desenvolve a Educação Digital de jovens, socialmente vulneráveis,
que vivenciam um processo primário de educação digital;
Analisar as características e implicações do uso da Web 2.0;
Entender o seu efeito, no que diz respeito à Educação Digital, do ponto de vista da
Inclusão Digital, no contexto da Vulnerabilidade Social.

2. Fundamentação Teórica
No contexto da Educação Digital, facilmente nos deparamos com temas como: inclusão
digital, alfabetização digital e letramento digital. Na prática, a falta de definições claras
para esses conceitos, podem gerar confusão e dificultar o estabelecimento de objetivos
de um estudo, até mesmo seu desenvolvimento. Desse modo, apresentamos adiante uma
definição detalhada de cada um desses conceitos, assim como seus relacionamentos.

A iniciar pela inclusão digital, temos que saber que, essa se trata de uma reação
lógica a um problema sério das populações socialmente vulneráveis: a exclusão digital.
Assim, Araujo (2008) considera a inclusão digital um dos processos primários na
Educação Digital, visto que, apesar de vivermos em uma sociedade democrática, as
oportunidades não são iguais para todos os cidadãos. Adicionalmente, Silva (2005)
defende a inclusão digital como um novo fator de cidadania. E, por uma questão de
ética, essa oportunidade deve ser oferecida a todos.

Na busca pela igualdade no direito de inclusão, a escola pode dar sua


contribuição, tornando as TICs acessíveis à sociedade. Todavia, vale destacar que a
participação apenas com o acesso à estrutura física é um equívoco (ALMEIDA, 2005).
A inclusão digital não é uma questão que possa ser resolvida através da simples compra
de computadores para a população socialmente vulnerável e ensinando as pessoas a
utilizar esse ou aquele software (SILVA, 2005).

Os conceitos de alfabetização e letramento possuem significados bastante


próximos, todavia não são considerados semelhantes (PASSOS; SOUZA; SANTOS,
2007). A alfabetização pode ser entendida como a simples habilidade de reconhecer os
símbolos do alfabeto e fazer as relações necessárias para a leitura e a escrita. O
letramento, contudo, é a competência em compreender, assimilar, reelaborar e chegar a
um conhecimento que permita uma ação consciente (SILVA, 2005).

Desse modo, Buzato (2003) considera que, pessoas alfabetizadas não são
necessariamente letradas. Mesmo sabendo ler e escrever, isto é, codificar e decodificar
textos, muitas pessoas não aprenderam a construir uma argumentação, redigir um
documento formal ou interpretar um texto, por exemplo.

O letramento tradicional se diferencia do letramento digital, visto que este


conduz as práticas de leitura e de escrita digitais na cibercultura, de modo diferente
daquele, onde são conduzidas as práticas de leitura e de escrita quirógrafas e
topográficas (SOARES, 2002). Ademais, o letramento digital não se trata apenas de
apenas de ensinar o sujeito a codificar e decodificar a escrita, aprender a utilizar
interfaces gráficas e programas de computador, mas da habilidade de construir sentido,
e trabalhar ampla e interativamente com a informação eletrônica (BUZATO, 2003).

Em meio a esse cenário, o amadurecimento do uso da internet e a busca por uma


maior integração social deram origem a uma transformação na Web. Surgia assim uma
nova filosofia informacional, a Web 2.0, que representa mais que ferramentas e sítios;
representa um conceito de convergência das relações humanas, intermediada pela rede
mundial de computadores.

Considerada a segunda versão de serviços online, a Web 2.0 utiliza a internet


como plataforma aberta para o suporte de funções anteriormente realizadas por
softwares instalados em um computador local (SILVA, 2005). Em contrapartida,
O’Reilly (2005) advoga que não se trata apenas da combinação de serviços, mas sim da
consolidação da inteligência coletiva na realização e gestão de trabalho colaborativo em
rede aberta, franca, na qual todos podem participar.

O uso da Web 2.0 potencializa não só a conexão e o acesso instantâneo às


informações, mas principalmente, a participação e a coautoria por meio das mais
diversas ferramentas disponibilizadas na rede (ALMEIDA, 2008). Através das
ferramentas da Web 2.0, o usuário pode postar todo o conteúdo informacional online, de
forma pública ou privada, elevando o grau de compartilhamento e aumentando a
divulgação, de modo a potencializar o processo de ensino-aprendizagem (LUVIZOTTO
e FUSCO, 2009).

A emergência da Web 2.0 é algo que vai muito além do mero domínio
tecnológico. Ela é, mais do que uma revolução tecnológica, uma revolução social e
cultural, expandindo-se a todas as áreas da sociedade. Em poucos anos, a Web 2.0
mudou drasticamente o modo como as pessoas utilizam a internet e interagem com os
outros, com a informação, e com o conhecimento (MOTA, 2009).

Ainda nesse contexto, D’Andréa (2007) considera que, se o processo de


letramento digital implica na construção de indivíduos aptos a lidar com as novas
tecnologias, a utilização das ferramentas disponíveis na Web 2.0 torna ainda mais
necessária uma formação que incentive o sujeito a se posicionar sobre as situações
cotidianas, que envolvem os processos interativos mediados pelo computador.

3. Metodologia
A pesquisa foi desenvolvida nos moldes de um arcabouço metodológico composto por
cinco etapas distintas, conforme ilustrado na Figura 1. A seguir, uma breve explanação
sobre este framework de estudo.
Figura 1 - Framework Metodológico da Pesquisa
Nessa etapa de diagnose, investigamos o problema da exclusão digital e suas
implicações para jovens socialmente vulneráveis. Dada a natureza do problema, foi
percebida a necessidade de proceder-se o estudo, com base na abordagem qualitativa de
pesquisa. Estratégia exploratória foi adotada, tendo em vista uma melhor adequação à
problemática apresentada.

As etapas de Estudo e Planejamento, Execução, Análise e Reflexão são


realizadas interativamente, dentro uma iteração (período). Isto é, a cada seis meses,
realizamos as atividades delimitadas pelo ciclo de iteração (Figura 1). O objetivo desta
estratégia é identificar ajustes e realizar melhorias na metodologia adotada.

Para compor a unidade de análise, isto é, o grupo de jovens socialmente


vulneráveis, recrutamos jovens que comprovassem ter renda familiar igual ou inferior a
um salário mínimo. Uma vez definido o grupo de participantes, realizamos,
semanalmente, workshops com esses jovens, que ocorrem sempre com temas diferentes,
previamente planejados, e que envolvem atividades que requerem o uso da Web 2.0
como instrumento de aprendizagem.

Esses encontros semanais são realizados nos laboratórios de informática das


escolas parceiras. A dinâmica de execução dos workshops consiste em propor
questionamentos e problemas aos jovens, para que eles apresentem soluções criativas,
identificadas com o auxílio da Web 2.0.
Apesar de tratar-se de um estudo exploratório, ao longo desta pesquisa fizemos
uso de uma abordagem multi-instrumental, em busca dos objetivos estabelecidos. Isto é,
no decorrer do estudo, adotamos técnicas como observação, grupos focais, e algumas
abordagens etnográficas, e da teoria fundamentada para analisar o problema.

4. Análise dos Resultados


Conforme exposto anteriormente, as sessões de workshops tinham por objetivo propor
questionamentos aos jovens, e como resultado, uma série de respostas diversificadas
eram obtidas e compartilhadas por eles, muitas vezes com ajuda mútua.

Frequentemente, as descobertas feitas pelos adolescentes tomavam outros


rumos, levando a debates que se ligavam com a sala de aula, aos aspectos sociais dos
mesmos e às investigações mais complexas de temas. Sem qualquer conhecimento
específico em informática, passavam a buscar cursos sobre hardware, hipertexto, e
programação para web, dentre uma variedade de temas.

Para efeitos de comparação, realizamos alguns experimentos baseados num


modelo de educação digital centrado no professor, tendo como objeto de estudo,
software de natureza “office”, e sites da web 1.0. Em seguida, realizávamos, sempre
com os mesmos participantes, outro experimento, baseado na filosofia da Web 2.0.
Posteriormente, empregávamos a técnica de Grupos Focais, para saber o que mais
motivou ou desmotivou os jovens em tais experimentos.

Os dados qualitativos coletados permitiram observar que os experimentos


realizados na Web 2.0 tiveram melhor aceitação por parte dos participantes. Além disso,
através de observação, nos experimentos com a Web 2.0, foi possível constatar um
maior engajamento dos participantes, trocando opiniões, e compartilhando informações
através das redes sociais.

Os resultados mostram que a Web 2.0, muitas vezes, é responsável pelos


primeiros contatos dos jovens com o computador. Mas sem estímulo, a prática da
utilização acaba se tornando superficial; notamos o quão importante é o papel da escola
no processo de educação digital, para direcionar e instigar esses jovens, para o uso
consciente da tecnologia, de modo a tirar o melhor proveito dos recursos
informacionais.
Se por um lado, a Web 2.0 age como uma força propulsora para alavancar a
inclusão digital dos jovens, por outro, esta filosofia assume papel estratégico dentro de
um processo maior, o da Educação Digital, que parece necessitar da mesma atenção que
o processo educacional, dito tradicional.

Os resultados obtidos por meio deste estudo mostram que a Web 2.0 propicia
uma maior motivação dos jovens em busca do conhecimento, estimulando a
autoaprendizagem. Isto se mostrou uma forma valiosa para que os jovens possam
desenvolver suas capacidades informacionais. A dinâmica de estimulo à
autoaprendizagem adotada nos workshops foi utilizada, de modo conceitualmente
semelhante, por Mitra (2003), através do estudo que ficou mundialmente conhecido
como The Wole in The Wall (O Buraco na Parede).

De acordo com Mitra (2003), no atual modelo de ensino, o professor determina o


método de estudo e os alunos simplesmente cumprem o proposto, mas o que deveria
acontecer é justamente o contrário. Primeiro, o professor apresenta o tema e, depois,
permite que os alunos criem livremente seus métodos de pesquisa em busca de uma
solução. Isto é, uma vez apresentado o problema, os alunos são estimulados a fazer as
próprias descobertas sem a intervenção direta do educador. O que se espera de todo esse
processo é estimular a inversão de papéis feita antes de iniciar um novo tema,
promovendo estímulos ao processo de busca e aquisição de conhecimento.

Dessa forma, os resultados obtidos nos permitem expressar que a Web 2.0
contempla estágios importantes da educação digital dos indivíduos. À medida que a
experiência da Web 2.0 vai sendo apresentada ao jovem, a maturidade do uso também
tende a acompanhar tal desenvolvimento (Figura 2).

Em outras palavras, o indivíduo encontra na Web 2.0, o instrumental necessário


para desenvolver suas capacidades informacionais. Seja através de redes sociais, wikis,
blogs, canais de ensino EAD, ou quaisquer outras formas de canais, o jovem tem acesso
a uma maneira simples para integrar-se à rede de informações, compartilhando,
buscando e criando conhecimento.
Figura 2. Estágios do Desenvolvimento Proporcionados pela Web 2.0

A Figura 2 representa a consolidação das nossas hipóteses com base em nossa


análise qualitativa, corroborada pela literatura correlata. Esse tipo conhecimento é
bastante difundido em pesquisas de natureza exploratória, como é o caso desta.

5. Conclusão
Este estudo nos permitiu observar que a Web 2.0 tem implicações importantes, ao longo
de todo o ciclo da Educação Digital. As redes sociais, blogs, wikis, dentre outros
inúmeros aplicativos, são meios atrativos para os jovens. O livre acesso à informação é
algo restrito aos jovens socialmente vulneráveis, todavia, o desejo de integração social
despertado pela Web 2.0, é, muitas das vezes, responsável pela aproximação desses
jovens com o computador, promovendo assim, o processo de inclusão digital.

A sintonia existente entre educação digital e Web 2.0, não é mero acaso, pois se
sabe que uma das sugestões da Web 2.0 é a valorização das redes de pessoas em
detrimento das redes de computadores, isto é, o foco passa a ser o usuário. Com a Web
2.0 é diferente, porque as próprias ferramentas despertam o interesse dos usuários. As
redes sociais são um ótimo exemplo dessa sinergia.

A partir disso, os jovens socialmente vulneráveis encontram na rede, meios para


desenvolver suas capacidades informacionais, mas ainda dependentes de
direcionamento pedagógico, para conscientizá-los das possibilidades disponibilizadas
pela Web 2.0. Notamos a necessidade do envolvimento da escola no processo de
desenvolvimento das capacidades informacionais dessas pessoas, dando-lhes a correta
orientação, para que os mesmos atinjam o patamar da proatividade e da
autoaprendizagem em rede.

A Web 2.0 demonstrou ser um canal democrático de busca, compartilhamento e


construção colaborativa do conhecimento, fornecendo livre acesso à informação, por
partes das populações socialmente vulneráveis. Adicionalmente, um fator a ser melhor
explorado por trabalhos futuros, seria o estudo das formas como a Web 2.0 pode atuar,
na busca de soluções para alguns dos problemas enfrentados por jovens socialmente
vulneráveis. Levantamos aqui, a hipótese de que, a conectividade das relações em rede,
proporcionada pela Web 2.0, pode ser utilizada como potencial coadjuvante para o
desenvolvimento de soluções concretas, para problemas reais, das populações
socialmente vulneráveis.

6. Referências

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