IFSP - EaD
O CONJUNTO DOS NÚMEROS COMPLEXOS
Prof. Me. José Maria Carlini
1) INTRODUÇÃO
Você já deve ter-se deparado com a resolução de uma equação quadrática cujo Delta
era menor que zero. Esta foi uma questão que atormentou os matemáticos durante muitos séculos ,
pois havia a desconfiança que era possível continuar os cálculos, mas ninguém ainda sabia como.
Ora, o quadrado de qualquer número real é sempre positivo ou nulo, e o que fazer com o
cálculo de um número cujo quadrado fosse negativo ?! Impossível !
Realmente não há nenhum número real que resolva a dificuldade. Depois de muitos
matemáticos pensarem no assunto surgiu uma nova idéia que se resumiu na criação de um novo
conjunto numérico, estranho de início, mas que trouxe para a Álgebra um novo campo de trabalho.
2) DEFINIÇÕES
a) Unidade complexa ou imaginária :
Dizemos que “ ”, e “ i ” é a chamada unidade complexa ou imaginária.
b) Número complexo ou imaginário :
Dizemos que z é um número complexo se ele for igual à soma “z = a + bi”, onde a e b
são números reais quaisquer e “ i ” é a unidade imaginária que acabamos de definir.
Assim, z = 4 + 3i, ou z = -2 –i, ou ainda z = 4i, e para encerrar, z = -19, são números
complexos. O penúltimo deles possui a = 0, e é chamado complexo puro, e o último possui b = 0 e é
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então um número real já conhecido por nós.
Vemos pelo último exemplo que os números reais também são complexos, mas que nem
todo complexo é real. Em linguagem de conjuntos, escrevemos : .
3) POTÊNCIAS DA UNIDADE IMAGINÁRIA
Conhecida a unidade i, vamos calcular suas potências de expoente natural :
, pois qualquer número diferente de zero elevado ao expoente zero dá 1 como potência;
,pois todo número elevado à primeira potência dá como resultado o mesmo número;
; justificativa dada com o uso da definição;
; justificativa pela definição e multiplicação de potências de mesma base ;
; definição e propriedades das potências de potências;
; definição e propriedades das potências de mesma base ;
; potência de potência;
, dê você as justificativas desta e das demais potências a seguir :
Deduza você as quatro últimas potências de i cujos resultados foram dados nas linhas
anteriores.
Você, observador que é, já deve ter percebido que as potências inteiras de “i” têm
sempre os mesmos resultados, e que eles são 1, i, -1 e –i, ..., e sempre nesta mesma ordem.
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Isto quer dizer que, com facilidade é possível calcular qualquer potência de i, bastando pa-
ra isso dividir o expoente por 4 e observarmos o resto.
Exemplo : Calcular as seguintes potências da unidade imaginária :
a)
Resolução : Dividimos 15 por 4 e o resto será 3. Então :
b) :
Resolução : Mesmo processo :
c) Calcular as expressões :
1) E = :
Resolução : E =
2) Y = {{(
Resolução : E =
Exercícios : Calcular os valores das expressões. (Não tenha medo da aparência que
elas têm) :
1) ; 2) (25 ) : ; 3) ; 4)
Resp.:(1) -1; 2) ; 3) 1 ; 4) -1)
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4) PLANO DE ARGAND-GAUSS
Imagine o plano cartesiano ortogonal que já utilizamos muitas vezes para traçar gráficos de
funções. Chamemos o eixo das abscissas (eixo x) de Eixo Real, o eixo das ordenadas (eixo y) de
Eixo Imaginário. Estes dois eixos determinam um único plano que será chamado de Plano de
Argand-Gauss e que representará o Conjunto C de todos os Números Complexos, conforme mostra a
Seja um ponto Z pertencente ao plano de Argand-Gauss.
Este ponto é chamado Afixo do complexo z = a + bi, onde “a”é a abscissa de Z, pertencente
ao eixo horizontal, ou Eixo Real, e “b” é a ordenada de Z, pertencente ao eixo vertical, ou Eixo
Complexo.
Como exemplo, veja na figura 2 a representação do número complexo Z = 4 + 2i.
A distância entre Z e a origem O do plano é denominada “módulo” de Z, que é representa-
4
do por |Z| ou por , e temos que |Z| = , conforme aplicação do teorema de Pitágoras
no triângulo OAZ, retângulo em A. Observe a figura 3.
Notamos ainda a existência do ângulo formado pelo segmento OZ e o eixo real. Perce-
bemos que é ângulo agudo do triângulo retângulo OAZ, e a Trigonometria nos ensinou que assim
estão definidas as seguintes razões :
Assim podemos dizer que .
A forma é chamada forma algébrica de z, e é a forma
trigonométrica ou polar de z.
Conhecida uma das duas formas de apresentação de um complexo, podemos transformá-
la na outra conforme os exemplos a seguir:
Exemplos :
1) Escreva o complexo z = 5 – 5i na forma polar :
Resolução : Para transformar o complexo, escrito na forma algébrica, na forma polar ou
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trigonométrica, devemos conhecer seu módulo e seu argumento. Assim:
Cálculo do módulo :
Cálculo do argumento : (menor determinação)
A forma polar do complexo é : z =
2) Escreva o complexo z = 6.(cos60º + i.sen60º) na forma algébrica :
Resolução : z = 6.(cos60º + i.sen60º) = 6.( 3+3 , que é a forma
solicitada.
Exercícios :
1) Escreva na forma trigonométrica os complexos :
a) z = - 1 – i : f) z = 42i ;
b) z = 5 ; g) z =
c) z = ; Resp.:( a) ;
d) z = -3i ; b) ; c) z=14.(cos330º+isen330º);
e) z = 100; d) d = 3(cós 270º +isen270º) ; e) z = 100(cos0 +isen0) ;
f) z = 42.(cos90º+isen90º); g) z= ).
2) Escreva os complexos na forma algébrica :
a) z = 20.(cos30º+isen30º); b) z = 20.(cos210º+isen210) ; c) z = cos120º+isen120º ;
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d) z = 8.( ; e) z = e.(cos ; f) z = 1.(cos0 + isen0).
Resp.:( a) z = b) z = - ; c) z = ; d) z = 8i ;
e) z = -e ; f) 1 )
5) OPERAÇÕES COM COMPLEXOS NA FORMA ALGÉBRICA
É razoável pensarmos que a “invenção” de um novo conjunto de “seres” matemáticos só
se justifica se houver alguma possibilidade de operá-los, compará-los ou até utilizá-los em outras
áreas do conhecimento, além da própria matemática.
Isto realmente acontece com os números complexos. Para que tais exigências se cum-
prissem, foi necessário perceber que, em primeiro lugar, não existe relação de ordem em C. Ou seja,
não há um número complexo maior ou menor que outro, como ocorre com os números reais, assim
como não há ordem entre os pares ordenados e entre os pontos de um plano. Dois números comple-
xos ou são iguais ou diferentes, jamais um menor que o outro.
Vejamos agora as operações :
a) Adição e Multiplicação de complexos na forma algébrica
Para adicionar, subtrair ou multiplicar dois complexos na forma algébrica, operamos
segundo as regras de tais operações com os polinômios.
Exemplos :
1) Efetuar as operações indicadas :
a) 5 + 6i + 3 - 6i - ( -2 + i) + ( -3 – 4i) ;
Resolução :
5 + 6i + 3 – 6i - ( -2 + i) + ( -3 – 4i) =
= 5 + 6i + 3 - 6i + 2 - i - 3 – 4i =
= 5 + 3 + 2 - 3 + 6i - 6i - i - 4i =
7
= 7 - 5i
b) (5 – 4i). (2 +8i) – (6 -3i).4 + (3 – 2i)
Resolução :
(5 – 4i),(2 + 8i) – (6 – 3i).4 + (3- 2i).(3- 2i) =
= 10 + 40i – 8i - 32i - 24 +12i + 9 -6i -6i + 4i =
= 10 + 40i – 8i – 32.(-1) – 24 + 12i + 9 – 6i – 6i + 4.(-1) =
= 10 + 40i – 8i + 32 – 24 + 12i + 9 -6i -6i -4 =
= 23 + 32i
Obs.: Naturalmente uma potenciação com expoentes maiores que 3 dará um trabalho
razoável. Para que isso não ocorra, trabalharemos esta operação quando estivermos trabalhando com
a forma trigonométrica dos complexos.
b) Divisão de dois complexos :
Para dividirmos dois números complexos escritos na forma algébrica, utilizaremos o arti-
fício de multplicar o numerador e o denominador da fração formada por eles pelo conjugado do
denominador da fração :
Exemplo : Efetuar a operação indicada :
a)
Resolução :
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b)
Resolução :
c) (4 +2i).(3- 4i) – (1-5i) +
Resolução :
(4 +2i).(3- 4i) – (1-5i) + = 12-16i+6i-8i - (1 - 10i + 25i ) + . =
Exercícios :
Efetue as operações indicadas :
1) (
2) (p – qi).(p +qi) + (p +qi)
3)
4)
5)
Resp.:( 1) ; 2) ; 3) ;
4) 7 + 64i ; 5) )
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6) OPERAÇÕES COM COMPLEXOS NA FORMA TRIGONOMÉTRICA
Você deve ter percebido que as operações de multiplicação, divisão e potenciação
podem exigir muito trabalho. Imagine calcular a 25ª potência de um complexo !
Porém, se utilizarmos a forma polar ou trigonométrica desse complexo, nosso trabalho
diminuirá consideravelmente, conforme será mostrado em seguida :
a) Multiplicação de dois complexos
Sejam os números complexos e .
Se calcularmos o produto entre eles, teremos:
. =
= =
Isto nos mostra que ao multiplicarmos dois complexos, multiplicamos os seus
módulos e adicionamos os seus argumentos.
b) Divisão de dois complexos
Vista a fórmula da multiplicação, e considerando serem multiplicação e divisão duas
operações inversas, poderemos afirmar que ao dividirmos dois complexos, dividimos os seus módu-
los e subtraímos seus argumentos. Então :
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c) Potenciação de um complexo (Primeira fórmula de Moivre)
Dados o complexo e o racional n, elevar o complexo à n-ésima
potência significa multiplicá-lo n vezes por si mesmo, ou seja :
(Primeira fórmula de Moivre)
Assim, para elevarmos um complexo a uma potência, elevamos o módulo a ela e multi-
plicamos o argumento tantas vezes quantas o expoente indicar.
d) Radiciação de um complexo (Segunda fórmula de Moivre)
Conhecido o complexo , sua raiz n-ésima será um outro com-
plexo tal que :
Então: , que
vem a ser a segunda fórmula de Moivre.
Isto, como veremos, mostra que há n raízes diferentes de z, bastando para obtê-las va-
riar o valor do número inteiro k.
Exemplos :
Dado o complexo z = 24.(cos80º + i.sen80º), calcular :
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Resolução :
1)
Obs.: Perceba que há 3 raízes cúbicas do complexo z, e sua representação no plano de
Ar-
gand-Gauss é a seguinte :
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Exercícios :
1) Calcular :
a) ; b) z = ; c) z = ; d) z = ; e) z = .
2) Calcular o valor de e representá-la no plano de Argand-Gauss.
3) Calcular :
a) ; b) ; c) ; d)
Resp.:(1a) -3i. 3i ; 1b) 2(cos36º+isen36º), 2(c0s108º+isen108º), -2, 2(cos252º+isen252º),
2(cos324º+isen324º) ; 1c) 72(cos270º+i.sen270º) ; 1d) 0,5.(cos325º+i.sen325º); 1e)
2) i – 2
; 3a) -i; 3b) ; 3c) ; 3d) i).
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7) EQUAÇÕES BINÔMIAS E TRINÔMIAS
1) Introdução
As equações que iremos resolver são chamadas binômias, quando forem escritas na
forma , e as trinômias quando forem escritas na forma , em ambos
os casos, a, b e c são números complexos e n é natural.
Como veremos, o número de raízes complexas de uma equação é igual ao seu grau, logo
as binômias possuem n e as trinômias, 2n raízes em C, lembrando que as raízes reais são complexas.
2) Resolução das equações binômias
Dada a equação binômia , para resolvê-la devemos isolar a variável :
, que possui n valores complexos.
Exemplo
Resolva em C a equação
Resolução
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Logo, o conjunto Verdade da equação será : V= { }
3) Resolução das equações trinômias
Seja a equação trinômia .
Se fizermos nessa equação , a equação na variável y passará a ser a seguinte,
, que é de segundo grau, e pode ser resolvida com o uso da fórmula tão conhecida
por todos : y= . Achados os valores de y, voltamos á variável x, resolvendo uma
equação binômia, conforme o exemplo a seguir.
Podemos perceber que as equações biquadradas já resolvidas por todos no final do
Ensino Fundamental também são trinômias.
Exemplo
Resolva a equação em C
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Se fizermos x , a equação se transformará na seguinte de 2º grau .
Assim teremos os valores de z calculados com o uso da fórmula de “Báscara”:
. Temos então 2 valores dis-
tintos para z : -1 e 8. Porém, a equação inicial possuía a variável x, e para chegarmos a esta variável
devemos nos lembrar da substituição que fizemos, e assim escrever :
Se z = -1, então Então:
Para k = 0 teremos
Para k = 1 teremos
Se z = 8, então . Logo :
Para k = 0 teremos
Para k = 1 teremos
Resposta : V = { }
Exercícios
Resolva as equações no conjunto dos números complexos
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Resp.:(a) V={ }; b) V={ }
c)V= {
k) V={ -2, 8}; l)
m) V={ 0, }.
[ [ [ [ [ [ : ] ] ] ] ] ]
(O)-(0)-(0)-(0)-(0)-(0)-(0)-(0)-(0)-(0)-(0)-(0)-(O)
Junho.2018
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