Determinantes Sociais na Medicina Misco
Determinantes Sociais na Medicina Misco
Questão 1
Questao 2
Questao 3
Questão 5
Leia o texto abaixo, e julgue as asserções subsequentes.
Um movimento ideológico que tinha como projeto a mudança da prática
médica através de um profissional médico que fosse imbuído de uma nova
atitude. Como projeto de mudança da prática médica, a medicina preventivista
representou uma leitura liberal e civil dos problemas do crescente custo da
atenção médica nos EUA e uma proposta alternativa à intervenção estatal,
mantendo a organização liberal da prática médica e o poder médico. (Arouca,
1975:239)
A. O texto afirma que o movimento preventista teve origem no Brasil.
B. O texto infere que a prática médica não necessitava de mudanças.
C. O texto infere que o profissional médico deveria ser imbuído de novas atitudes.
D. O texto infere que o custo da atenção à saúde nos EUA era estável.
E. O texto afirma que a medicina preventista representou uma leitura retrógrada dos
problemas.
Questão 6
Questão 7
Questão 8
“A política de saúde de uma época reflete o momento histórico no qual foi criada, a
situação econômica, os avanços do conhecimento científico, a capacidade das
classes sociais influenciarem a política etc." (CEFOR, s.d.). Nessa perspectiva, é
correto afirmar que a Era Vargas (1930 - 1945), em relação às ações de saúde
coletiva, é a época do auge
A. do Sanitarismo Campanhista.
Universidade de Rio Verde – UniRV
Faculdade de Medicina
Campus Luziânia
B. do Modelo Preventivista
C. da Medicina da Família e Comunidade.
D. da Reforma sanitária.
GABARITO:
1- D
2- A
3- D
4- D
5- C
6- D
7- A
8- A
9- A
RESUMO M1 – MISCO Educação permanente: os profissionais devem ser capazes de aprender
continuamente, tanto na sua formação, quanto na sua prática. Desta forma, os
CONTEÚDO 1: As Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de profissionais de saúde devem aprender a aprender e ter responsabilidade e
Graduação em Medicina, Contemplações, Estrutura do Curso de Graduação compromisso com a educação e o treinamento/estágios das futuras gerações de
em Medicina. profissionais, não apenas transmitindo conhecimentos, mas proporcionando
condições para que haja benefício mútuo entre os futuros profissionais e os
1. PERFIL DO FORMANDO EGRESSO/PROFISSIONAL: profissionais dos serviços.
Médico, com formação generalista, humanista, crítica e reflexiva. Capacitado a
atuar, pautado em princípios éticos, no processo de saúde-doença em seus diferentes Conhecimento, Competências e Habilidades Específicas:
níveis de atenção, com ações de promoção, prevenção, recuperação e reabilitação à saúde, Promover estilos de vida saudáveis, conciliando as necessidades tanto dos seus
na perspectiva da integralidade da assistência, com senso de responsabilidade social e clientes/pacientes quanto às de sua comunidade, atuando como agente de
compromisso com a cidadania, como promotor da saúde integral do ser humano. transformação social;
Atuar nos diferentes níveis de atendimento à saúde, com ênfase nos
2. COMPETÊNCIAS E HABILIDADES: atendimentos primário e secundário;
Competências Gerais: Comunicar-se adequadamente com os colegas de trabalho, os pacientes e seus
Atenção à saúde: os profissionais de saúde, dentro de seu âmbito profissional, familiares;
devem estar aptos a desenvolver ações de prevenção, promoção, proteção e Informar e educar seus pacientes, familiares e comunidade em relação à
reabilitação da saúde, tanto em nível individual quanto coletivo. Cada profissional promoção da saúde, prevenção, tratamento e reabilitação das doenças, usando
deve assegurar que sua prática seja realizada de forma integrada e continua com técnicas apropriadas de comunicação;
as demais instâncias do sistema de saúde. Os profissionais devem realizar seus Realizar com proficiência a anamnese e a consequente construção da história
serviços dentro dos mais altos padrões de qualidade e dos princípios da clínica, bem como dominar a arte e a técnica do exame físico;
ética/bioética, tendo em conta que a responsabilidade da aten ção à saúde não se Dominar os conhecimentos científicos básicos da natureza
encerra com o ato técnico, mas sim, com a resolução do problema de saúde, biopsicosocioambiental subjacentes à prática médica e ter raciocínio crítico na
tanto a nível individual como coletivo; interpretação dos dados, na identificação da natureza dos problemas da prática
Tomada de decisões: o trabalho dos profissionais de saúde deve estar médica e na sua resolução;
fundamentado na capacidade de tomar decisões visando o uso apropriado, Diagnosticar e tratar corretamente as principais doenças do ser humano em
eficácia e custo-efetividade, da força de trabalho, de medicamentos, de todas as fases do ciclo biológico, tendo como critérios a prevalência e o potencial
equipamentos, de procedimentos e de práticas. Para este fim, os mesmos devem mórbido das doenças, bem como a eficácia da ação médica;
possuir habilidades para avaliar, sistematizar e decidir a conduta mais apropriada; Reconhecer suas limitações e encaminhar, adequadamente, pacientes portadores
Comunicação: os profissionais de saúde devem ser acessíveis e devem manter de problemas que fujam ao alcance da sua formação geral;
a confidencialidade das informações a eles confiadas, na interação com outros Otimizar o uso dos recursos propedêuticos, valorizando o método clínico em
profissionais de saúde e o público em geral. A comunicação envolve comunicação todos seus aspectos;
verbal, não verbal e habilidades de escrita e leitura; o domínio de, pelo menos, Exercer a medicina utilizando procedimentos diagnósticos e terapêuticos com
uma língua estrangeira e de tecnologias de comunicação e informação; base em evidências científicas;
Liderança: no trabalho em equipe multiprofissional, os profissionais de saúde Utilizar adequadamente recursos semiológicos e terapêuticos, validados
deverão estar aptos a assumirem posições de liderança, sempre tendo em vista cientificamente, contemporâneos, hierarquizados para atenção integral à saúde,
o bem estar da comunidade. A liderança envolve compromisso, responsabilidade, no primeiro, segundo e terceiro níveis de atenção;
empatia, habilidade para tomada de decisões, comunicação e gerenciamento de Reconhecer a saúde como direito e atuar de forma a garantir a integralidade da
forma efetiva e eficaz; assistência entendida como conjunto articulado e continuo de ações e serviços
Administração e gerenciamento: os profissionais devem estar aptos a fazer preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso em todos
o gerenciamento e administração tanto da força de trabalho, dos recursos físicos os níveis de complexidade do sistema;
e materiais e de informação, da mesma forma que devem estar aptos a serem
gestores, empregadores ou lideranças na equipe de saúde;
Atuar na proteção e na promoção da saúde e na prevenção de doenças, bem Diagnóstico, prognóstico e conduta terapêutica nas doenças que acometem o
como no tratamento e reabilitação dos problemas de saúde e acompanhamento ser humano em todas as fases do ciclo biológico, considerando-se os critérios da
do processo de morte; prevalência, letalidade, potencial de prevenção e importância pedagógica;
Realizar procedimentos clínicos e cirúrgicos indispensáveis para o atendimento Promoção da saúde e compreensão dos processos fisiológicos dos seres
ambulatorial e para o atendimento inicial das urgências e emergências em todas humanos – gestação, nascimento, crescimento e desenvolvimento,
as fases do ciclo biológico; envelhecimento, atividades físicas, desportivas e as relacionadas ao meio social e
Conhecer os princípios da metodologia científica, possibilitando-lhe a leitura ambiental.
crítica de artigos técnicos-científicos e a participação na produção de
conhecimentos; 4. ORGANIZAÇÃO DO CURSO
Lidar criticamente com a dinâmica do mercado de trabalho e com as políticas de O Curso de Graduação em Medicina deve ter um projeto pedagógico, construído
saúde; coletivamente, centrado no aluno como sujeito da aprendizagem e apoiado no professor
Atuar no sistema hierarquizado de saúde, obedecendo aos princípios técnicos e como facilitador e mediador do processo ensino-aprendizagem. Este projeto pedagógico
éticos de referência e contra-referência; deverá buscar a formação integral e adequada do estudante através de uma articulação
Cuidar da própria saúde física e mental e buscar seu bem-estar como cidadão e entre o ensino, a pesquisa e a extensão/assistência.
como médico; As Diretrizes Curriculares e o Projeto Pedagógico devem orientar o Currículo
Considerar a relação custo-benefício nas decisões médicas, levando em conta as do Curso de Graduação em Medicina para um perfil acadêmico e profissiona l do egresso.
reais necessidades da população; Este currículo deverá contribuir, também, para a compreensão, interpretação,
Ter visão do papel social do médico e disposição para atuar em atividades de preservação, reforço, fomento e difusão das culturas nacionais e regionais, internacionais
política e de planejamento em saúde; e históricas, em um contexto de pluralismo e diversidade cultural.
Atuar em equipe multiprofissional; O Currículo do Curso de Graduação em Medicina poderá incluir aspectos
Manter-se atualizado com a legislação pertinente à saúde. complementares de perfil, habilidades, competências e conteúdos, de forma a considerar
a inserção institucional do curso, a flexibilidade individual de estudos e os requerimentos,
Com base nestas competências, a formação do médico deverá contemplar demandas e expectativas de desenvolvimento do setor saúde na região.
o sistema de saúde vigente no país, a atenção integral da saúde num sistema A organização do Curso de Graduação em Medicina deverá ser definida pelo
regionalizado e hierarquizado de referência e contra-referência e o trabalho respectivo colegiado do curso, que indicará a modalidade: seriada anual, seriada semestral,
em equipe. sistema de créditos ou modular.
A estrutura do curso de graduação em medicina deverá:
3. CONTEÚDOS CURRICULARES ter como eixo do desenvolvimento curricular as necessidades de saúde dos
Os conteúdos essenciais do curso de graduação em Medicina devem guardar indivíduos e das populações referidas pelo usuário e identificadas pelo setor
estreita relação com as necessidades de saúde mais freqüentes referidas pela comunidade saúde;
e identificadas pelo setor saúde. Devem contemplar: utilizar metodologias que privilegiem a participação ativa do aluno na construção
Conhecimento das bases moleculares e celulares dos processos normais e do conhecimento e a integração entre os conteúdos, além de estimular a
alterados, da estrutura e função dos tecidos, órgãos, sistemas e aparelhos, interação entre o ensino, a pesquisa e a extensão/assistência;
aplicados aos problemas de sua prática e na forma como o médico o utiliza; incluir dimensões éticas e humanísticas, desenvolvendo no aluno atitudes e
Compreensão dos determinantes sociais, culturais, comportamentais, valores orientados para a cidadania;
psicológicos, ecológicos, éticos e legais, nos níveis individual e coletivo, do promover a integração e a interdisciplinaridade em coerência com o eixo de
processo saúde-doença; · Abordagem do processo saúde-doença do indivíduo e desenvolvimento curricular, buscando integrar as dimensões biológicas,
da população, em seus múltiplos aspectos de determinação, ocorrência e psicológicas, sociais e ambientais;
intervenção; inserir o aluno precocemente em atividades práticas relevantes para a sua futura
Compreensão e domínio da propedêutica médica – capacidade de realizar vida profissional;
história clínica, exame físico, conhecimento fisiopatológico dos sinais e sintomas; utilizar diferentes cenários de ensino-aprendizagem permitindo ao aluno
-
capacidade reflexiva e compreensão ética, psicológica e humanística da relação conhecer e vivenciar situações variadas de vida, da organização da prática e do
médico-paciente; trabalho em equipe multiprofissional;
-
propiciar a interação ativa do aluno com usuários e profissionais de saúde desde O Curso de Graduação em Medicina deverá utilizar metodologias e critérios para
o início de sua formação, proporcionando ao aluno lidar com problemas reais, acompanhamento e avaliação do processo ensino-aprendizagem e do próprio curso, em
assumindo responsabilidades crescentes como agente prestador de cuidados e consonância com o sistema de avaliação definido pela IES à qual pertence.
atenção, compatíveis com seu grau de autonomia, que se consolida na graduação
com o internato;
através da integração ensino-serviço vincular a formação médico-acadêmica as CONTEÚDO 2: Modelo Flexneriano e Modelo preventivista
necessidades sociais da saúde, com ênfase no SUS.
1. Identidade, dimensão e estruturação: um recorte
5. ESTÁGIOS E ATIVIDADES COMPLEMENTARES a. Histórico:
a. Estágios: GERAL: Período medieval – estudo e recitação de textos hipocráticos e
A formação médica incluirá, como etapa integrante da graduação, estágio galênicos, geralmente sem associação prática. Até o séc. XV o ensino da medicina era
curricular obrigatório de treinamento em serviço, em regime de internato, em serviços atribuído e destinado aos religiosos. Após esse período, judeus se interessam pela
próprios ou conveniados, e sob supervisão direta dos docentes da própria formação. Na época a medicina se chamava física e os médicos se chamavam físicos. Na
Escola/Faculdade, com duração mínima de 2700 horas. Inquisição ocorre a abominação da prática médica, período pelo qual grandes epidemias
O estágio curricular obrigatório de treinamento em serviço incluirá assolam a Europa em virtude do fanatismo religioso e a ausência de disposição básica da
necessariamente aspectos essenciais nas áreas de Clínica Médica, Cirurgia, Ginecologia - higiene.
Obstetrícia, Pediatria e Saúde Coletiva, devendo incluir atividades no primeiro, segundo e 1562: introdução da prática hospitalar e modificação do modelo d leitura textual.
terceiro níveis de atenção em cada área. No Brasil Colônia, a introdução de médicos se dá nesse período. Do séc. XVII a diante,
O Colegiado do Curso de Medicina poderá autorizar, no máximo de 25% da mudam-se as práticas e o avanço das ciências básicas como a Anatomia Patológica, a
carga horária total estabelecida para este estágio, a realização de treinamento Microbiologia e a Fisiologia, modificam o estudo da medicina e gera uma prática médico-
supervisionado fora da unidade federativa, preferencialmente nos serviços do Sistema científica.
Único de Saúde, bem como em Instituição conveniada que mantenha programas de EVOLUÇÃO DA MEDICINA ➔ EDUCAÇÃO MÉDICA
Residência credenciados pela Comissão Nacional de Residência Médica e/ou outros ENSINO MÉDICO DE PORTUGAL ➔ “LENTE” = professores que realizavam a
programas de pós-graduação. leitura de textos de Galeno e Hipócrates.
b. Atividades Complementares BRASIL: 1759 – A Reforma Pombalina realiza transformações no ensino médico
As atividades complementares deverão ser incrementadas durante todo o Curso e exige o ingresso do candidato na escola médica.
de Graduação em Medicina e as Instituições de Ensino Superior deverão criar mecanismos Durante o período Brasil Colônia, o ensino médico era praticado em Portugal
de aproveitamento de conhecimentos, adquiridos pelo estudante, através de estudos e em virtude da ausência de escolas médicas na colônia. A mudança estrutural se dá com a
práticas independentes presenciais e/ou a distância. Podem ser reconhecidos: chegada da família real (22 de janeiro de 1808) e menos de um mês depois a fundação da
Monitorias e Estágios, primeira escola médica e cirúrgica em Salvador (em virtude de estar ocupada pelos
Programas de Iniciação Científica; franceses e não mais permitir o envio de médicos para as colônias). No mesmo ano é
Programas de Extensão; criada uma segunda faculdade no RJ. Dessa forma, suspende-se o envio de alunos para
Estudos Complementares; Portugal.
Cursos realizados em outras áreas afins. 1812: ocorre a primeira reforma do ensino médico (4 para 5 anos).
1826: Lei de 9 de setembro – direito à título de cirurgião e médico.
6. ACOMPANHAMENTO E AVALIAÇÃO 1828: ampliação da lei e desaparecimento das cartas de licenciamento.
A implantação e desenvolvimento das diretrizes curriculares de medicina devem 1832: EMs são denominadas Faculdades e o curso é estendido para 6 anos.
ser acompanhados e permanentemente avaliados, a fim de permitir os ajustes que se 1879: “Lei do ensino livre” – portas abertas à iniciativa privada.
fizerem necessários à sua contextualização e aperfeiçoamento. 1884: unificação dos cursos de médico e cirúrgico.
As avaliações somativa e formativa do aluno deverão basear-se nas competências, 1945: Criação do Conselho Federal de Medicina (autarquia federal) = É o serviço
habilidades e conteúdos curriculares. autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios, pa ra
executar atividades típicas da Administração Pública, que requeiram, para seu melhor
funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada ; e dos Conselhos de Paulo Freire “Ensinar não é transferir conhecimento”, fazendo a educação transcender
Regionais. o cognitivo em busca de significado mais amplo. E o MBE (Medicina Baseada em Evidências)
Por meio do Código de Ética Médica são criados os estatutos. Em 1969 dita m-se bastante criticado pelo enfoque estatístico e quantitativo.
as diretrizes e o currículo básico da formação médica. Em 1999 se realiza o primeiro
Exame Nacional de Curso para Medicina e em 2001, institui-se as Diretrizes Curriculares. 4. Estado Atual do Ensino Médico Brasileiro:
Atualmente, as EMs [públicas e privadas] pertencem a Associação Brasileira de Educação Autonomia das EMs a partir do governo Fernando Henrique, com determinação
Médica. do perfil do estudante: cidadão com atitude ética, formação humanística, consciência da
responsabilidade social, capacidade de atuar em equipe interdisciplinar e multiprofissional
2. A Reforma Flexner: seus impactos etc. Porém, mesmo com tantas mudanças, da metade do século XIX até os dias atuais,
1910 (EUA): processo de transformações na educação médica em acordo com o percebemos que as transformações foram pouco significativas do ponto de vista de
Conselho de Educação Médica. O modelo brasileiro era baseado no europeu e foi mudanças curriculares e metodológicas. A fundamentação das matrizes teóricas continuou
oficializado em 1968 – com a divisão em ciclos: básico (2 anos) e profissionalizante (4 sendo transmitida em aulas teóricas e práticas e com ênfase nos impactos da evolução
anos). Atualmente seguimos os princípios da reforma flexneriana. A implantação do tecno-científica
paradigma flexneriano foi complicada. Tinha duas condições:
1. Resolver problemas anteriores; RELATÓRIO FLEXNER:
2. Preservar o que foi bom no paradigma anterior. Em 1910, a Fundação Carnegie convidou o educador Abraham Flexner, diretor
Assim, o modelo Flexner foi associado ao modelo de ensino médico que de uma escola secundária de Kentucky, a realizar um estudo sobre a situação das escolas
privilegiava a formação científica de alto nível e com pouco destaque a abordagem médicas americanas e canadenses. O documento elaborado após esse estudo, conhecido
humanista. Hoje, busca-se resgatar esse ato falho. O modelo de Flexner enfatiza como “Relatório Flexner”, reforça a luta pelo ideário científico da medicina. Um novo
especializações precoces dando uma ideia de pseudo-especialista. O modelo tecnicista paradigma médico surge desse episódio: a Medicina Científica, ou Flexneriana, passa a
privilegiou a criação das especialidades e excluiu as ciências humanas do processo. O ideal nortear a formação dos futuros médicos e se insinua na reconstituição do próprio
seria: OLHAR SOBRE O SUJEITO E NÃO SOBRE O OBJETO. processo de trabalho médico. As principais propostas desse documento para o
desenvolvimento do ensino nas escolas de medicina são:
3. Reformas Curriculares e o Paradigma da Integralidade: ✓ definição de padrões de entrada e ampliação, para quatro anos, da
As reformas precisam se adequar ao perfil médico que se quer criar. A maioria duração dos cursos;
dos cursos de Medicina no país são regulados pela Resolução n. 8, de 8 de outubro de ✓ introdução do ensino laboratorial;
1969. As mais recentes atualizações nas Diretrizes ainda não foram implantadas por ✓ estímulo à docência em tempo integral
completo, ou seja, 2 anos de ciclo básico. Após esse período, passa-se ao ciclo profissional, ✓ expansão do ensino clínico, especialmente em hospitais;
com 5 atividades práticas de clínica: prática em enfermarias; aulas práticas ambulatoriais; ✓ vinculação das escolas médicas às universidades;
estágio em internato; estágio extracurriculares e atividades de extensão curricular. ✓ ênfase na pesquisa biológica;
Dois fatores contribuíram para uma perspectiva moral característica do ensino ✓ vinculação da pesquisa ao ensino;
médico: ✓ estímulo à especialização médica;
1. Alcance da visão cartesiana de mundo (dualismo: mente-corpo / causa-efeito); ✓ controle do exercício profissional pela profissão organizada.
2. Domínio da ciência na prática médica.
Tal tendência pertence a filosofia utilitarista (Kant) e pragmática (Regra: Tais diretrizes imprimiram indelevelmente ao ensino as propriedades científicas
subdeterminação da teoria pelos dados / Indivíduo caracterizado por poucas propriedades que lhe faltavam para impulsionar a nova concepção médica baseada na ciência cartesiana.
– racional e auto interessado). Ocorre a divisão da Medicina em áreas de especialização O fechamento de um número significativo de escolas – processo que já havia se iniciado
que nem sempre se comunicam. antes do surgimento do Relatório Flexner – traz, enfim, a desejada padronização das
A inclusão das ciências humanas é fundamental para contextualiza r o binômio práticas 18 pedagógicas e o esforço das instituições em buscar e manter a qualidade do
médico-paciente em âmbito social, sem a inclusão de valores empíricos. Necessidade de ensino, tal como concebida naquele documento. Mendes (1985) explica o advento da
conhecer o ser humano como ator social do processo histórico, sem deixar de lado o Medicina Científica sob a ótica dos interesses sociais da Fundação Carnegie, uma vez que
conhecimento técnico-científico. Surge então o: PBL (Aprendizagem Baseada em aquela instituição havia escolhido, como objeto de trabalho, estudos sobre profissões que
Problemas] que é uma filosofia educacional que se aproxima da Pedagogia da Autonomia exerciam algum impacto direto na comunidade, tais como direito, medicina e teologia.
Essa instituição tinha como pressuposto que o melhoramento e a elitização dos 5. A exclusão de práticas alternativas foi necessária para a viabilização da
profissionais dessas áreas permitiriam que eles desempenhassem um papel estabilizador medicina científica. Essa firmou-se como eficaz porque era comprovada
nas comunidades, devido à sua natural capacidade de liderança (Berliner, 1975 apud cientificamente, ao contrário das práticas baseadas no empiricismo ou
Mendes, 1985). De fato, pôde-se notar uma hierarquização da educação médica, uma vez no curandeirismo.
que as escolas passaram a contar com um maior número de homens, brancos e de classe 6. A tecnificação do ato médico legitima o mecanicismo e o biologicismo
média alta, únicos estudantes que poderiam custear os estudos em medicina (encarecidos citados anteriormente ao alijar do processo de trabalho o componente
após o Relatório Flexner). não-científico das relações humanas. A difusão da tecnologia contribui
A Medicina Flexneriana calcou-se em elementos estruturais que acabaram por para a progressividade do uso da técnica científica em detrimento da
reconstruir o processo de trabalho médico. O seu entendimento faz-se necessário para a percepção dos sentidos.
compreensão de tais mudanças: 7. A ênfase na medicina curativa interpreta a fisiopatologia como o próprio
1. O Mecanicismo faz uma analogia do corpo humano com a máquina. O agravo, e não como sua expressão. Esse elemento reduz
primeiro é interpretado como um sistema em equilíbrio, possuidor de consideravelmente o universo de problemas a se confrontar, bem como
fragilidades que naturalmente geram danos passíveis de intervenção restringe o universo de intervenções possíveis.
através de métodos químicos, físicos e elétricos. Esse complexo, 8. A concentração de recursos de deve às exigências da sociedade
segundo a visão científica corrente, pode ser fragmentado em partes industrial e da lógica mercantilista na assistência médica. Os serviços e
menores para otimizar a compreensão dos problemas e facilitar o a tecnologia concentram-se onde há quem possa pagar por eles, e não
processo de treinamento dos profissionais. onde deles se necessita. É uma das manifestações da ausência de
2. O Biologicismo tenta explicar as causas e conseqüências das doenças regulação estatal e da concepção da saúde como mercadoria sujeita às
através de alterações biológicas diversas, e sua força vem da descoberta leis de mercado, e sua conseqüência imediata foi a consolidação do
dos microrganismos no século XIX. Imediatamente após a constatação espaço hospitalar como ambiente hegemônico da prática médica.
de que pequenos seres unicelulares compartilhavam do mesmo meio
que o homem e que alguns relacionavam-se com doenças, não se sabia Os elementos anteriormente citados reformularam o processo de trabalho na
ainda a extensão da interação entre os seres humanos e os medida em que deslocaram o foco de atenção da sociedade para o indivíduo, tecnificaram
microorganismos, o que justifica a tentação de generalizar-se o seu papel a assistência médica e reduziram o universo dos problemas de saúde – daí por diante
nos infortúnios referentes à saúde. considerados problemas médicos – através do mecanicismo, do biologicismo e da ênfase
na cura individual. Como se verá a seguir, o modelo recém-implantado disseminou-se
Somam-se a esse contexto as melhorias sanitárias e as mudanças nos padrões de rapidamente pelas nações ocidentais, e assistiu a um avanço tecnológico sem precedentes
vida na Alemanha e na França à época. Ainda assim, O progresso obtido nos níveis de na história da humanidade.
saúde teria sido, segundo Mendes (1985), predominantemente associado à inovações A medicina científica assistiu à transformação da clínica, que perdeu acuidade na
tecnológicas, como as vacinas recém-descobertas, contribuindo assim para a legitimação percepção integral do indivíduo ao reorganizar a sua produção, ao mesmo tempo em que
do biologicismo na medicina Flexneriana. O Biologicismo, intimamente relacionado ao relegou à tecnologia a visão do homem através de seus tecidos, órgãos e sistemas. O
novo modelo, procura isentar os fatores de ordem econômica e social na determinação misto de objetividade e subjetividade, de ciência e arte preconizado por Hipócrates é
dos agravos à saúde. substituído pela progressiva desumanização da relação médico-paciente e pela valorização
3. O individualismo está presente na medicina científica devido à eleição do substrato biológico, que muitas vezes conduz à constatação da ausência de alterações
do indivíduo como objeto da mesma, em detrimento das coletividades a despeito dos sintomas sofridos pelo paciente.
humanas. O paciente é visto como uma eventual vítima de conjunções A desumanização do atendimento, como já foi dito anteriormente, é uma crítica
de fatores desfavoráveis e fatalidades que lhe atingem individualmente, frequente ao modelo da medicina científica e vem sendo atribuída a Flexner, que não teria
e é no âmbito pessoal que se deve intervir para minimizar o infortúnio. se preocupado com esse aspecto do exercício médico. Tal relação direta não é, contudo,
Pode-se, inclusive, atribuir ao indivíduo a responsabilidade pelo tão facilmente demonstrável. Em sua defesa, Ferreira (2001) escreve:
aparecimento de suas enfermidades.
4. A especialização resultou da troca entre a globalidade do objeto da “É certo que Flexner (...) poderia haver deixado escapar a preocupação
prática médica e a profundidade do conhecimento de suas dimensões com a sensibilidade humana, componente essencial do exercício
específicas. profissional nesse campo, que vincula saúde à qualidade de vida e realça
a dimensão ética do trabalho médico com ênfase num relacionamento administradores/profissionais de saúde. É o primeiro passo de um processo de
afetivo, de respeito, dedicação e fraternidade. Aparentemente, a planejamento. Ela constitui um modo de se obter informações sobre um conjunto de
importância concedida aos aspectos técnicos da profissão, que, no problemas e dos recursos potenciais para o seu enfrentamento, constituindo-se uma
contexto do estudo por ele realizado, apareciam como de máxima ferramenta importante para apoiar um processo de planejamento participativo
prioridade, levou-o a conceder menos destaque ao caráter humano da
prática, caráter esse que naquele momento histórico era PRINCÍPIOS BÁSICOS:
suficientemente valorizado, até mesmo com a consigna do „sacerdócio 1. Coletar somente dados pertinentes e necessários
da medicina‟. Ferreira (2001: 39). 2. Obter informações que possam refletir as condições e as especificidades locais
3. Envolver a população na realização da estimativa rápida
Esse processo de desumanização pode ser atribuído, em parte, à inserção das
modalidades de produção capitalista na prática médica, bem como à fragmentação do DADOS PRIMÁRIOS:
trabalho médico e à consequente perda da responsabilidade sobre o paciente por parte a) Informações coletadas diretamente por meio de entrevistador/pesquisador
dos profissionais especialistas. Ao longo do século XX ocorreu, portanto, uma e o informante-chave
desumanização do que antes era naturalmente humanizado e, por ser esse processo b) Outra forma de coleta de dados primários é a observação, onde o
posterior a Flexner, tal preocupação não se constituiu necessariamente em uma pesquisador registra sua percepção sobre a área estudada: aspectos físicos,
prioridade. condição e densidade das habitações, sistema de drenagem, presença de
esgoto a céu aberto, acúmulo de lixo, etc…
Modelo Sujeito Objeto Meios de Formas de
Trabalho Organização DADOS SECUNDÁRIOS:
Médico Doença (patologia
Modelo - especialização e outras) Tecnologia Rede de serviços de saúde a) Apresentados e disponíveis por outros organismos governamentais ou não
médico- - complementariedade Doentes (clínica e médica Hospital b) Podem ser obtidos junto a registros oficiais como: IBGE ou demais órgãos oficiais
assistencial (paramédicos) cirurgia) (indivíduo) de pesquisa, SES, SMS, Ação Social, Educação, Meio Ambiente; Conselhos de
privatista Saúde e Sistemas de Informações (e-SUS AB, SIM, Sinasc, Sinan, SIS Pré –Natal,
Campanhas sanitárias
Hiperdia) …
Modelo Sanitaristas Modos de Tecnologia Programas especiais
Sanitarista - auxiliares transmissão sanitária Sistemas de vigilância
Fator de risco epidemiológica e sanitária LIMITAÇÕES:
Danos, riscos, Tecnologias de Políticas públicas saudáveis a) Uma pesquisa que não quantifica o tamanho dos problemas
necessidades e comunicação Ações intersetoriais b) Uma coleção de entrevistas baseadas na opinião de pessoas da população. Na
Vigilância Equipe de Saúde determinantes social, de Intervenções específicas Estimativa Rápida, os informantes são escolhidos porque ocupam uma posição na
de Saúde População (cidadãos) dos modos de planejamento e (promoção, prevenção e
vida e saúde programação recuperação)
comunidade que os habilita representar pontos de vista de um grupo ou de
(condições de situacional e Operações sobre grupos populacionais
vida e trabalho) tecnologias problemas e grupos c) Não é uma base de comparação dos problemas em diferentes áreas, na mesma
médico- populacionais municipalidade ou em relação a outros municípios.
sanitárias
[Link]óteses de Solução:
✓ Momento de comparar crenças iniciais com as informações atuais
✓ O que precisa acontecer para o problema ser solucionado?
✓ O que precisa ser providenciado?
✓ O que pode realmente ser feito?
✓ Encontrar alternativas
✓ Elaborar propostas de superação do problema central em estudo.
➔ O que fazer? Como fazer, em que condições? Com que estratégias? Com que
recursos? Para obter que efeitos? Com que finalidade e para beneficiar a quem?
5. Aplicação à Realidade:
✓ As decisões tomadas deverão ser executadas
✓ Compromisso com o meio
✓ Planeja a execução das ações pelas quais se compromete
✓ Coloca as decisões em prática e registra todo o processo, avaliando os
1. Observação da Realidade: resultados quando possível.
✓ Ponto de partida e de chegada AÇÃO – REFLEXÃO – AÇÃO
✓ Processo criativo de ação-reflexão sobre um determinado aspecto EX:
extraído, observado ou vivido; ➔ OBSERVAÇÃO DA REALIDADE:
✓ Registra as observações 1. Exploração da área
✓ Analisa o registrado 2. Visita domiciliar
✓ Elege o foco do estudo a partir de um critério 3. Consulta multidisciplinar
✓ Redige o problema ➔ PONTOS CHAVES:
✓ Justifica a escolha do problema 1. Hipertensão Arterial
2. Diabetes Mellitus escravos africanos e diversos outros estrangeiros. Muitas dessas doenças tornaram-se
➔ HIPÓTESES DE SOLUÇÃO: endemias e outras provocaram epidemias. Eram frequentes as doenças sexualmente
1. Promover alimentação saudável e orientação em relação à hipertensão e à transmissíveis, a lepra (hanseníase), tuberculose, febre amarela, cólera, malária, varíola,
diabetes. leishmaniose, além das provocadas por desnutrição, acidentes com animais peçonhentos
➔ APLICAÇÃO À REALIDADE: e as decorrentes das aglomerações urbanas nas cidades e das condições precárias de
1. Apresentação de seminário trabalho nas lavouras.
2. Esclarecimento de dúvidas Não se pode falar em existência de uma política de saúde, porém eram tomadas
3. Interação com a população medidas que visavam minimizar os problemas de saúde pública que afetavam a
4. Lanche coletivo produção econômica e prejudicavam o comércio internacional.
Surgem as primeiras Casas de Misericórdia, que se destinavam ao abrigo dos
“Do meio observavam os problemas e para o meio levarão uma resposta de seus doentes, indigentes e viajantes, sem assistência médica e tratamento aos problemas de
estudos, visando transformá-lo em algum grau.” (Berbel, 1996) saúde.
➔ Terceira fase 1974-1984 → Crise econômica e abertura política Cresce a insatisfação da sociedade e surgem os movimentos sociais que
✓ Crise do petróleo, recessão mundial e redução de empréstimos internacionais. denunciam a ineficiência das estruturas de saúde pública e previdenciária, reivindicam
✓ Concentração de renda para minoria e empobrecimento para grande parcela da serviços de saúde e lutam por melhores condições de vida à população menos favorecida.
população. 1975: V Conferência Nacional de Saúde. O Governo Federal
propôs a criação de um sistema nacional de saúde; Envolvendo
Implantou-se um sistema de saúde caracterizado pelo predomínio o poder: FEDERAL - ESTADUAL – MUNICIPAL;
financeiro das instituições previdenciárias e por burocracia que priorizava a 1976: Criação do Programa de Interiorização das Ações de
mercantilização da saúde. Saúde e Saneamento (PIASS) para extensão da cobertura dos
1966: Unificação dos IAPs, com a criação do Instituto Nacional de serviços de saúde prioritariamente nas zonas rurais e pequenas cidades.
Previdência e Assistência Social (INPS), responsável pelos 1977: Efetivou-se nova reordenação burocrático-
benefícios previdenciários e assistência médica aos segurados e administrativa do sistema de saúde com a criação do Sistema
familiares. O INPS passou a ser o grande comprador dos serviços Nacional de Previdência e Assistência Social (SIMPAS),
privados de saúde. É ampliada a chamada medicina de grupo. composto pelos órgãos:
1971: Ampliação da assistência médica da previdência com a inclusão a) Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) → pagamento de
dos trabalhadores rurais, empregadas domésticas e benefícios aos segurados;
trabalhadores autônomos. b) Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social
Com recursos limitados, o Ministério da Saúde fica em segundo plano e (INAMPS) → prestação de assistência médica individual e curativa
se torna ineficiente para enfrentar os problemas de saúde pública que se por meio de serviços privados contratados e conveniados;
agravam devido às condições precárias de vida impostas à maioria da população. c) Fundação Legião Brasileira de Assistência → assistência à população
Os sanitaristas campanhistas perdem espeço e as ações de saúde carente;
pública se reduzem ao controle e erradicação de algumas endemias d) Instituto de Administração Financeira da Previdência e Assistência
comandadas pela então criada Superintendência de Campanhas de Saúde Pública Social;
(SUCAM). e) Empresa de Processamento de Dados da Previdência Social
O sistema previdenciário é desvinculado ao Ministério do Trabalho, (DATAPREV);
passando à subordinação do Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS), o que f) Fundação Nacional de Bem-Estar do Menor;
não traz mudanças nas características em curso dos serviços de saúde. Também foi criado g) Central de Medicamentos.
o Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Social (FAS), cujos recursos eram
A política econômica do período refletiu nas altas taxas de morbidade e esvaziamento do INAMPS, que se estadualizou por meio da sua fusão
mortalidade por doenças endêmicas e algumas epidemias, altas taxas de mortalidade com as secretarias estaduais de saúde, e o aumento, mesmo que
materna e infantil, doenças resultantes ou agravadas pelas condições de vida e trabalho, e insuficiente, da cobertura de serviços de saúde.
aumento das mortes por doenças cardiovasculares e câncer. 1988: Promulgação da Constituição Federal → Aprovado o
1978: Começa a ser difundida na América Latina o conceito de Sistema Único de Saúde
Atenção Primária à Saúde e os princípios da medicina
comunitária (desmedicalização, autocuidado de saúde, atenção CONTEÚDO 5: Criação do Sistema Único de Saúde - SUS, Princípios
primária realizada por não profissionais de saúde, participação da Doutrinários, Legislação do SUS (lei 8.080/90 e 8.142/90).
comunidade, implantação de programas vinculados a medicina curativa
na formação dos estudantes de medicina). CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988
1981: Criação do Conselho Consultivo de Administração da
TÍTULO VIII - DA ORDEM SOCIAL
Saúde Previdenciária (CONASP) que propõem mudança do
modelo assistencial (melhor qualidade da atenção, ampliação de
Capítulo II
serviços, descentralização e hierarquização por nível de complexidade). Seção II - Da Saúde
Vários sanitaristas entraram para áreas estratégicas do INAMPS.
1983: Criado o Programa de Ações Integradas de Saúde cujo Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante
objetivo era articular todos os serviços que prestavam assistência à políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos
saúde da população de uma região e integrar ações preventivas e e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e
curativas. Para isso, havia repasse de recursos do INAMPS para os recuperação.
governos estaduais para a construção de Unidades Básicas de Saúde e
contratação e capacitação de profissionais. Art. 197. São de relevância pública as ações e serviços de saúde, cabendo ao
poder público dispor, nos termos da lei, sobre sua regulamentação,
Esses acontecimentos se devem aos fortalecimentos dos movimentos sociais fiscalização e controle, devendo sua execução ser feita diretamente ou através
e de saúde que se organizaram nos diversos espaços (universidades, sindicatos, de terceiros e, também, por pessoa física ou jurídica de direito privado.
comunidades e associações).
1984: Movimento Diretas Já, porém não aprovado; Art. 198. (*) As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede
- Escolha de Tancredo Neves para presidente, que com sua morte logo regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único, organizado de
após, a presidência foi assumida por seu vice José Sarney. acordo com as seguintes diretrizes:
I - descentralização, com direção única em cada esfera de governo;
6. 1985 a 1988 – Nova República II - atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo
1985: José Sarney toma posse e envia ao Congresso a proposta de dos serviços assistenciais;
convocação da Assembleia Nacional Constituinte. III - participação da comunidade.
Parágrafo único. O Sistema Único de Saúde será financiado, nos termos do art. 195,
Diversas entidades e movimentos sociais se mobilizam e estimulam a
participação popular no processo de discussão da nova Carta Constitucional, o que foi com recursos do orçamento da seguridade social, da União, dos Estados, do Distrito
favorável para se colocar a saúde na agenda política e difundir as propostas da Reforma Federal e dos Municípios, além de outras fontes. (*) Emenda Constitucional nº 29, de
Sanitária. 2000.
1986: 8º Conferência Nacional de Saúde. Cria espaço para o
debate dos problemas do sistema de saúde e de propostas de Art. 199. A assistência à saúde é livre à iniciativa privada.
reorientação da assistência médica e de saúde pública. § 1º. As instituições privadas poderão participar de forma complementar do Sistema
1987: As Ações Integradas de Saúde passam a ser o Sistema Único de Saúde, segundo diretrizes deste, mediante contrato de direito público ou
Unificado e Descentralizado de Saúde (SUDS), que possibilitou a convênio, tendo preferência as entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos.
formação dos conselhos estaduais e municipais de saúde, a § 2º. É vedada a destinação de recursos públicos para auxílios ou subvenções às
desconcentração de recursos e poder da esfera federal para estadual, o instituições privadas com fins lucrativos.
§ 3º. É vedada a participação direta ou indireta de empresas ou capitais estrangeiros na igualitário às ações e aos serviços para a sua promoção, proteção e
assistência à saúde no País, salvo nos casos previstos em lei. recuperação.
§ 4º. A lei disporá sobre as condições e os requisitos que facilitem a remoção de órgãos, § 2º. O dever do Estado não exclui o das pessoas, da família, das empresas e da sociedade.
tecidos e substâncias humanas para fins de transplante, pesquisa e tratamento, bem como
a coleta, processamento e transfusão de sangue e seus derivados, sendo vedado todo tipo Art. 3º. A saúde tem como fatores determinantes e condicionantes, entre
de comercialização. outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o
trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e
Art. 200. Ao Sistema Único de Saúde compete, além de outras atribuições, nos termos serviços essenciais; os níveis de saúde da população expressam a organização
da lei: social e econômica do País.
I - controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e substâncias de interesse para a saúde Parágrafo único. Dizem respeito também à saúde as ações que, por força do disposto
e participar da produção de medicamentos, equipamentos, imunobiológicos, no artigo anterior, se destinam a garantir às pessoas e à coletividade condições de bem-
hemoderivados e outros insumos; estar físico, mental e social
II - executar as ações de vigilância sanitária e epidemiológica, bem como as de saúde do
trabalhador; TÍTULO II - DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
III - ordenar a formação de recursos humanos na área de saúde;
IV - participar da formulação da política e da execução das ações de saneamento básico; DISPOSIÇÃO PRELIMINAR
V - incrementar em sua área de atuação o desenvolvimento científico e tecnológico; Art. 4º. O conjunto de ações e serviços de saúde, prestados por órgãos e
VI - fiscalizar e inspecionar alimentos, compreendido o controle de seu teor nutricional, instituições públicas federais, estaduais e municipais, da Administração direta
bem como bebidas e águas para consumo humano; e indireta e das fundações mantidas pelo Poder Público, constitui o Sistema
VII - participar do controle e fiscalização da produção, transporte, guarda e utilização de Único de Saúde (SUS).
substâncias e produtos psicoativos, tóxicos e radioativos; § 1º. Estão incluídas no disposto neste artigo as instituições públicas federais, estaduais e
VIII - colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho. municipais de controle de qualidade, pesquisa e produção de insumos, medica mentos,
inclusive de sangue e hemoderivados, e de equipamentos para saúde.
LEI Nº 8.080, DE 19 DE SETEMBRO DE 1990 - Lei Orgânica da § 2º. A iniciativa privada poderá participar do Sistema Único de Saúde (SUS),
Saúde, de 19 de setembro de 1990 em caráter complementar.
Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, Capítulo I - Dos Objetivos e Atribuições
a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras
providências. Art. 5º. São objetivos do Sistema Único de Saúde (SUS):
I - a identificação e divulgação dos fatores condicionantes e determinantes da saúde;
DISPOSIÇÃO PRELIMINAR II - a formulação de política de saúde destinada a promover, nos campos econômico e
social, a observância do disposto no § 1º do art. 2º desta lei;
Art. 1º. Esta lei regula, em todo o território nacional, as ações e serviços de III - a assistência às pessoas por intermédio de ações de promoção, proteção e
saúde, executados isolada ou conjuntamente, em caráter permanente ou recuperação da saúde, com a realização integrada das ações assistenciais e das atividades
eventual, por pessoas naturais ou jurídicas de direito Público ou privado. preventivas.
TÍTULO I - DAS DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 6º. Estão incluídas ainda no campo de atuação do Sistema Único de Saúde
(SUS):
Art. 2º. A saúde é um direito fundamental do ser humano, devendo o Estado I - a execução de ações:
prover as condições indispensáveis ao seu pleno exercício. a) de vigilância sanitária;
§ 1º. O dever do Estado de garantir a saúde consiste na formulação e execução de b) de vigilância epidemiológica;
políticas econômicas e sociais que visem à redução de riscos de doenças e de outros c) de saúde do trabalhador; e
agravos e no estabelecimento de condições que assegurem acesso universal e d) de assistência terapêutica integral, inclusive farmacêutica;
II - a participação na formulação da política e na execução de ações de saneamento com as diretrizes previstas no art. 198 da Constituição Federal, obedecendo ainda aos
básico; seguintes princípios:
III - a ordenação da formação de recursos humanos na área de saúde; I - universalidade de acesso aos serviços de saúde em todos os níveis de assistência;
IV - a vigilância nutricional e a orientação alimentar; II - integralidade de assistência, entendida como conjunto articulado e contínuo das
V - a colaboração na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do ações e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso
trabalho; em todos os níveis de complexidade do sistema;
VI - a formulação da política de medicamentos, equipamentos, III - preservação da autonomia das pessoas na defesa de sua integridade física e moral;
imunobiológicos e outros insumos de interesse para a saúde e a participação IV - igualdade da assistência à saúde, sem preconceitos ou privilégios de qualquer
na sua produção; espécie;
VII - o controle e a fiscalização de serviços, produtos e substâncias de interesse V - direito à informação, às pessoas assistidas, sobre sua saúde;
para a saúde; VI - divulgação de informações quanto ao potencial dos serviços de saúde e a sua utilização
VIII - a fiscalização e a inspeção de alimentos, água e bebidas para consumo pelo usuário;
humano; VII - utilização da epidemiologia para o estabelecimento de prioridades, a alocação de
IX - a participação no controle e na fiscalização da produção, transporte, recursos e a orientação programática;
guarda e utilização de substâncias e produtos psicoativos, tóxicos e VIII - participação da comunidade;
radioativos; IX - descentralização político-administrativa, com direção única em cada esfera de
X - o incremento, em sua área de atuação, do desenvolvimento científico e governo:
tecnológico; a) ênfase na descentralização dos serviços para os municípios; SERCIÇO ASCENDENTE
XI - a formulação e execução da política de sangue e seus derivados. – MUNIPAL PARA FEDERAL
§ 1º. Entende-se por vigilância sanitária um conjunto de ações capaz de b) regionalização e hierarquização da rede de serviços de saúde;
eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e de i ntervir nos problemas X - integração em nível executivo das ações de saúde, meio ambiente e saneamento
sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e circulação de bens e básico;
da prestação de serviços de interesse da saúde, abrangendo: XI - conjugação dos recursos financeiros, tecnológicos, materiais e humanos da União,
I - o controle de bens de consumo que, direta ou indiretamente, se relacionem dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios na prestação de serviços de assistência
com a saúde, compreendidas todas as etapas e processos, da produção ao à saúde da população;
consumo; e XII - capacidade de resolução dos serviços em todos os níveis de assistência; e
II - o controle da prestação de serviços que se relacionam direta ou XIII - organização dos serviços públicos de modo a evitar duplicidade de meios para fins
indiretamente com a saúde. idênticos.
§ 2º. Entende-se por vigilância epidemiológica um conjunto de ações que
proporcionam o conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer Capítulo III - Da Organização, da Direção e da Gestão
mudança nos fatores determinantes e condicionantes de saúde individual ou
coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e Art. 8º. As ações e serviços de saúde, executados pelo Sistema Único de Saúde
controle das doenças ou agravos. (SUS), seja diretamente ou mediante participação complementar da iniciativa
§ 3º. Entende-se por saúde do trabalhador, para fins desta lei, um conjunto de privada, serão organizados de forma regionalizada e hierarquizada em níveis
atividades que se destina, através das ações de vigilância epidemiológica e de complexidade crescente. DIZ RESPEITO AO FINANCIAMENTO
vigilância sanitária, à promoção e proteção da saúde dos trabalhadores, assim
como visa à recuperação e reabilitação da saúde dos trabalhadores Art. 9º. A direção do Sistema Único de Saúde (SUS) é única, de acordo com o inciso I
submetidos aos riscos e agravos advindos das condições de trabalho ... do art. 198 da Constituição Federal, sendo exercida em cada esfera de governo pelos
seguintes órgãos:
Capítulo II - Dos Princípios e Diretrizes I - no âmbito da União, pelo Ministério da Saúde;
II - no âmbito dos Estados e do Distrito Federal, pela respectiva Secretaria de Saúde ou
Art. 7º. As ações e serviços públicos de saúde e os serviços privados contratados ou órgão equivalente; e
conveniados que integram o Sistema Único de Saúde (SUS), são desenvolvidos de acordo III - no âmbito dos Municípios, pela respectiva Secretaria de Saúde ou órgão equivalente.
III - acompanhamento, avaliação e divulgação do nível de saúde da população
Art. 10. Os municípios poderão constituir consórcios para desenvolver em con junto as e das condições ambientais;
ações e os serviços de saúde que lhes correspondam. IV - organização e coordenação do sistema de informação de saúde;
§ 1º. Aplica-se aos consórcios administrativos intermunicipais o princípio da direção única, V - elaboração de normas técnicas e estabelecimento de padrões de qualidade e
e os respectivos atos constitutivos disporão sobre sua observância. parâmetros de custos que caracterizam a assistência à saúde;
§ 2º. No nível municipal, o Sistema Único de Saúde (SUS) poderá organizar-se em distritos VI - elaboração de normas técnicas e estabelecimento de padrões de qualidade para
de forma a integrar e articular recursos, técnicas e práticas voltadas para a cobertura total promoção da saúde do trabalhador;
das ações de saúde. VII - participação de formulação da política e da execução das ações de saneamento básico
e colaboração na proteção e recuperação do meio ambiente;
Art. 11. (Vetado). VIII - elaboração e atualização periódica do plano de saúde;
IX - participação na formulação e na execução da política de formação e desen volvimento
Art. 12. Serão criadas comissões intersetoriais de âmbito nacional, subordinadas ao de recursos humanos para a saúde;
Conselho Nacional de Saúde, integradas pelos Ministérios e órgãos competentes e por X - elaboração da proposta orçamentária do Sistema Único de Saúde (SUS), de
entidades representativas da sociedade civil. conformidade com o plano de saúde;
Parágrafo único. As comissões intersetoriais terão a finalidade de articular políticas e XI - elaboração de normas para regular as atividades de serviços privados de saúde, tendo
programas de interesse para a saúde, cuja execução envolva áreas não compreendidas no em vista a sua relevância pública;
âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). XII - realização de operações externas de natureza financeira de interesse da saúde,
autorizadas pelo Senado Federal;
Art. 13. A articulação das políticas e programas, a cargo das comissões intersetoriais, XIII - para atendimento de necessidades coletivas, urgentes e transitórias, decorrentes de
abrangerá, em especial, as seguintes atividades: situações de perigo iminente, de calamidade pública ou de irrupção de epidemias, a
I - alimentação e nutrição; autoridade competente da esfera administrativa correspondente poderá requisitar bens e
II - saneamento e meio ambiente; serviços, tanto de pessoas naturais como de jurídicas, sendo-lhes assegurada justa
III - vigilância sanitária e farmacoepidemiologia; indenização;
IV - recursos humanos; V - ciência e tecnologia; e XIV - implementar o Sistema Nacional de Sangue, Componentes e Derivados;
VI - saúde do trabalhador. XV - propor a celebração de convênios, acordos e protocolos internacionais relativos à
saúde, saneamento e meio ambiente;
Art. 14. Deverão ser criadas Comissões Permanentes de integração entre os serviços de XVI - elaborar normas técnico-científicas de promoção, proteção e recuperação da saúde;
saúde e as instituições de ensino profissional e superior. XVII - promover articulação com os órgãos de fiscalização do exercício profissional e
Parágrafo único. Cada uma dessas comissões terá por finalidade propor prioridades, outras entidades representativas da sociedade civil para a definição e controle dos padrões
métodos e estratégias para a formação e educação continuada dos recursos humanos do éticos para pesquisa, ações e serviços de saúde;
Sistema Único de Saúde (SUS), na esfera correspondente, assim como em relação à XVIII - promover a articulação da política e dos planos de saúde;
pesquisa e à cooperação técnica entre essas instituições. XIX - realizar pesquisas e estudos na área de saúde;
XX - definir as instâncias e mecanismos de controle e fiscalização inerentes ao poder de
Capítulo IV - Da Competência e das Atribuições polícia sanitária;
XXI - fomentar, coordenar e executar programas e projetos estratégicos e de
Seção I - Das Atribuições Comuns atendimento emergencial.
Art. 15. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios exercerão, em
seu âmbito administrativo, as seguintes atribuições: TÍTULO III - DOS SERVIÇOS PRIVADOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE
I - definição das instâncias e mecanismos de controle, avaliação e de
fiscalização das ações e serviços de saúde; Capítulo I - Do Funcionamento
II - administração dos recursos orçamentários e financeiros destinados, em
cada ano, à saúde; Art. 20. Os serviços privados de assistência à saúde caracterizam-se pela
atuação, por iniciativa própria, de profissionais liberais, legalmente
habilitados, e de pessoas jurídicas de direito privado na promoção, proteção e § 4°. Aos proprietários, administradores e dirigentes de entidades ou serviços contratados
recuperação da saúde. é vedado exercer cargo de chefia ou função de confiança no Sistema Único de Saúde
(SUS).
Art. 21. A assistência à saúde é livre à iniciativa privada.
Art. 3°. Os recursos referidos no inciso IV do art. 2° desta lei serão repassados de
forma regular e automática para os Municípios, Estados e Distrito Federal , de
acordo com os critérios previstos no art. 35 da Lei n° 8.080, de 19 de setembro de 19 90.