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Lacan e a Estrutura das Psicoses

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O texto discute a abordagem de Lacan em relação à estrutura das psicoses, especialmente

em contraste com as concepções de Freud e Jung. Alguns pontos importantes

Diferenças entre as estruturas das neuroses e das psicoses: Lacan ressalta a


importância de compreender as diferenças fundamentais entre as estruturas das neuroses e
das psicoses. Ele critica a visão junguiana, que propõe uma solução para as psicoses
semelhante à abordagem freudiana das neuroses. Enquanto nas neuroses há uma
possibilidade de substituição imaginária em resposta à recusa da realidade, nas psicoses
essa substituição não é viável. Isso sugere que as psicoses envolvem uma ruptura mais
profunda com a realidade e uma desconexão maior com os mecanismos de defesa comuns
às neuroses.

"Trata-se de apreender a diferença de estrutura entre o afastamento da


realidade nas neuroses e nas psicoses levando em conta o gozo."

"A solução junguiana para as psicoses - introversão da libido no mundo


interior do sujeito - é análoga a solução freudiana para as neuroses..."

Pressão para sair do narcisismo e investir nos objetos: Lacan argumenta que há uma
pressão na vida psíquica para sair das fronteiras do narcisismo e direcionar a libido para os
objetos, especialmente em direção ao Outro. Ele sugere que essa pressão ocorre quando o
investimento narcísico ultrapassa um certo limite. Isso pode ser observado em fenômenos
como hipocondria e parafrenia, que estão ligados a uma estase da libido do eu.

"Haveria na vida psíquica uma pressão para sair das fronteiras do


narcisismo, ou do gozo do Um, e colocar a libido nos objetos, vou dirigir-se
ao Outro..."

"Os fenômenos da hipocondria e da parafrenia, termo utilizado por Freud


para falar da esquizofrenia, estão ligados a uma estase da libido do eu..."

A retirada de investimento nas palavras na esquizofrenia: Freud destaca a retirada de


investimento nas palavras como um aspecto central da esquizofrenia. Ele argumenta que é
através das alterações na linguagem que Freud identifica a existência do inconsciente
estruturado como linguagem. Nesse contexto, as palavras são submetidas ao processo
primário, semelhante ao que ocorre na produção de imagens de sonho a partir de
pensamentos latentes."Freud continua a opor libido do eu e libido objetal, de tal forma que
na neurose renuncia-se ao objeto real, mas a libido que lhe é retirada subsiste no
inconsciente..."

"Freud continua a opor libido do eu e libido objetal, de tal forma que na neurose
renuncia-se ao objeto real, mas a libido que lhe é retirada subsiste no
inconsciente..."

"É no seu texto 'O inconsciente', notadamente no capítulo VII, 'Avaliação do


Inconsciente'... que a retirada de investimento nas palavras na esquizofrenia
aparece em todo o esplendor do inconsciente estruturado como linguagem."
O papel da palavra na esquizofrenia: Freud observa que, na esquizofrenia, as palavras
são tratadas como coisas, condensadas ou deslocadas, e a relação entre as palavras
predomina sobre a relação entre as coisas. Isso sugere uma intensificação do investimento
na palavra como uma forma de tentativa de cura, na tentativa de recuperar objetos
perdidos. Lacan retoma essa ideia, destacando que os esquizofrênicos tratam as coisas
concretas como se fossem abstratas, evidenciando uma fixação erótica no significante.
Essas passagens fundamentam a discussão sobre a estrutura das psicoses, especialmente
a esquizofrenia, destacando a importância do investimento na linguagem e nas palavras,
bem como a ruptura com a realidade e a intensificação do narcisismo característico dessas
condições

"Freud diz então que os esquizofrênicos tratam as coisas concretas como se


fossem abstratas, o que Lacan retoma dizendo que o significante parece
exterior ao sujeito psicótico..."

"Freud observa que o encadeamento do pensamento é dominado pelo


elemento que tem como conteúdo uma sensação do corpo..."

O texto discute a abordagem de Lacan em relação à estrutura das psicoses, especialmente


em contraste com as concepções de Freud e Jung. Lacan enfatiza a importância de
compreender as diferenças fundamentais entre as estruturas das neuroses e das psicoses,
criticando a visão junguiana que propõe uma solução para as psicoses semelhante à
abordagem freudiana das neuroses. Ele argumenta que nas psicoses, há uma ruptura mais
profunda com a realidade e uma desconexão maior com os mecanismos de defesa comuns
às neuroses. Além disso, destaca a pressão na vida psíquica para sair das fronteiras do
narcisismo e direcionar a libido para os objetos, especialmente em direção ao Outro,
quando o investimento narcísico ultrapassa um certo limite.

Freud, por sua vez, destaca a retirada de investimento nas palavras como um aspecto
central da esquizofrenia. Ele argumenta que é através das alterações na linguagem que
identifica a existência do inconsciente estruturado como linguagem. Nesse contexto, as
palavras são submetidas ao processo primário, semelhante ao que ocorre na produção de
imagens de sonho a partir de pensamentos latentes. Além disso, observa que, na
esquizofrenia, as palavras são tratadas como coisas, condensadas ou deslocadas, e a
relação entre as palavras predomina sobre a relação entre as coisas. Isso sugere uma
intensificação do investimento na palavra como uma forma de tentativa de cura, na tentativa
de recuperar objetos perdidos.

Um exemplo ilustrativo é o caso da paciente de Viktor Tausk, mencionado por Freud. A


paciente, após uma briga com o amante, lamenta-se de que seus olhos estavam tortos, o
que justifica por uma série de recriminações ao amante. Ela associa a alteração em sua
visão com a ideia de que o amante era um "entortador de olhos", expressando suas
angústias e conflitos internos por meio de uma linguagem simbólica e rebuscada. Esse
exemplo evidencia a relação entre a linguagem, a percepção corporal e os processos
psíquicos na esquizofrenia, conforme discutido por Freud.

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