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Critérios para Orçamentação em BIM

Este documento apresenta critérios básicos de modelagem para orçamentação em BIM de projetos arquitetônicos com base em um estudo de caso. A lista de critérios sintetiza os parâmetros necessários para que o modelo BIM forneça as informações requeridas para a orçamentação, mantendo a compatibilidade entre o projeto e o orçamento.

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Critérios para Orçamentação em BIM

Este documento apresenta critérios básicos de modelagem para orçamentação em BIM de projetos arquitetônicos com base em um estudo de caso. A lista de critérios sintetiza os parâmetros necessários para que o modelo BIM forneça as informações requeridas para a orçamentação, mantendo a compatibilidade entre o projeto e o orçamento.

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Critérios básicos de modelagem para

orçamentação em BIM de um projeto


arquitetônico
Basic modelling parameters for BIM budgeting of an
architectural project design
Roberta Bastos de Oliveira
Universidade de Brasília | Brasília – DF | Brasil | robertab.o@[Link]
Lissa Gomes Araújo
Universidade de Brasília | Brasília – DF | Brasil | lissagomesaraujo@[Link]
Michele Tereza Marques de Carvalho
Universidade de Brasília | Brasília – DF | Brasil | micheletereza@[Link]
Raquel Naves Blumenschein
Universidade de Brasília | Brasília – DF | Brasil | raquelblum@[Link]

Resumo
Apesar do foco acadêmico e mercadológico em requisitos de projeto para aplicação do processo
BIM, a modelagem de projetos também deve fornecer informações necessárias ao
gerenciamento, uma das muitas disciplinas que também podem trabalhar nesse fluxo de
processos, a fim de evitar retrabalho caso sejam esquecidas na concepção. Assim, o presente
trabalho apresenta uma lista de critérios básicos sintetizados após um estudo de caso de
produção de projetos de edificações complexas. É preciso verificar se a parametrização do
modelo reflete as necessidades das bases orçamentárias e a estrutura analítica de projeto,
mantendo a compatibilização entre produtos.
Palavras-chave: BIM. Projeto. Orçamento. Parâmetros. Critérios.

Abstract
Despite the academic and market focus on project requirements for BIM implementation, the
model also must provide the needed information to allow management, one of the many
subjects also able to work under this information process, to avoid rework if forgotten on
concept stages. So, this study presents a list of basic criteria synthetized after a case study of
project design of special buildings. It is necessary to verify if the parametrization of the model
reflect the needs of the unitary costs databases and the work breakdown structure, maintaining
compatibilization between final products.
Keywords: BIM. Project. Budgeting. Parameters. Criteria.

INTRODUÇÃO

O governo federal brasileiro lançou, em 2018, a “Estratégia BIM BR”, que objetiva a
implantação gradativa da metodologia BIM (Building Information Modeling) nas
iniciativas públicas junto ao setor da construção civil. Dividida em fases, o foco inicial

Como citar:
OLIVEIRA, R. B. de; ARAÚJO, L. G. .; CARVALHO, M. T. M. .; BLUMENSCHEIN, R. N. Critérios básicos de
modelagem para orçamentação em BIM de um projeto arquitetônico. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE
TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NA CONSTRUÇÃO, 3., 2021, Uberlândia. Anais
[...]. Porto Alegre: ANTAC, 2021. p. 1-9. Disponível em:
[Link] Acesso em: 3 ago. 2021.
da estratégia está nos processos de elaboração de projetos técnicos, e
posteriormente, será direcionado às atividades relacionadas à execução de obras,
como o gerenciamento de tempo e a orçamentação [1].
Nesse sentido, esforços têm sido envidados para a disseminação do conhecimento
necessário para tal implementação, tanto entre os profissionais do mercado como no
meio acadêmico. Naturalmente, seguindo as etapas da estratégia nacional e
acompanhando a tendência internacional de discussão sobre a metodologia BIM, o
atual foco dessa disseminação é a produção de projetos técnicos dentro da
metodologia proposta.
No entanto, dada a interdisciplinaridade característica da metodologia BIM, é
importante considerar todas as áreas de conhecimento relacionadas: apesar do atual
foco em projetos técnicos, os requisitos de modelagem devem ser respeitados
enquanto tais projetos são pensados e desenvolvidos, principalmente quanto à correta
disposição da informação necessária a um planejamento adequado.
Especificamente quanto à orçamentação, o detalhamento dos quantitativos é
dependente do nível de informação presente no modelo BIM, que podem estar
modeladas em 3D, ou simplesmente inseridas como metadados de seus componentes
[2]. Nesse sentido, o LOD (Level Of Development), que envolve tanto o nível de detalhe
do modelo; detalhamento do 3D com incorporações de elementos gráficos, como o
nível de informação dos objetos; e dados associados não necessariamente
identificáveis visualmente, mas sim em forma de parâmetros inseridos [3]; deve ser
considerado desde a fase de concepção e desenvolvimento dos projetos técnicos, a
fim de habilitar o correto desenvolvimento do orçamento em BIM. A definição prévia
do nível de informação requerido tem potencial de reduzir o retrabalho necessário
para adaptação do modelo às necessidades das outras disciplinas, que tende a ocorrer
quando essa etapa é negligenciada. Autores associam ainda a atenção ao LOD a
benefícios na fase de execução de obra, por prevenir mudanças diretas no canteiro,
uma vez que o LOD adequado possibilita uma eficaz detecção de interferências [4].
Ainda que em processo de aprendizado, o entendimento por parte dos projetistas
sobre quais as informações são requeridas nas próximas etapas e como parametrizá-
las tem muitas vantagens já apontadas. Assim, esse artigo se propõe a apresentar
brevemente registros encontrados na literatura sobre orçamentação em BIM, e
compilar requisitos de orçamentação em BIM levantados pelos autores, com recorte
para o projeto arquitetônico, a partir de uma aplicação em um estudo de caso ao longo
de dois anos de trabalho.

ESTADO DA ARTE

Publicações internacionais no tema de orçamentação em BIM nem sempre permitem


uma comparação direta dos métodos e softwares utilizados. A realidade nacional é
específica, sobretudo quando se trata de obras públicas, nas quais a utilização do
banco de dados de domínio público SINAPI (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e

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Índices da Construção Civil) é obrigatória, tornando imprescindível que o software de
orçamento possua composições unitárias e permita detalhamento em formato
sintético e analítico. Existem vários softwares utilizados internacionalmente para
orçamentação, inclusive de autoria BIM [5], que não dão suporte às necessidades
brasileiras, como o Autodesk Navisworks, utilizado amplamente nas fases 4D e 5D em
outros países.
Por meio de uma comparação entre o método tradicional de levantamento de
quantidades e a utilização das tabelas do Autodesk Revit foi evidenciado a necessidade
de conhecimento de ferramentas avançadas de tecnologia da informação, o que
poderia ser apontado como um impasse para a sua adoção [6]. Todavia, com uma
adoção em massa do BIM por parte dos profissionais de engenharia e arquitetura, a
capacitação passa a ser pré-requisito para se manterem no mercado.
Na verificação do estado da arte acerca do tema orçamentação em BIM foram
encontradas publicações que puderam ser basicamente divididas em dois eixos
principais: os que ainda não usam a dimensão 5D do BIM porque estão na fase inicial
de implantação, cujo foco são os projetos, e os que buscam a extração automática de
quantitativos pelas tabelas geradas pelos softwares de projeto, e por isso não
necessariamente realizam o orçamento em BIM [6].
É importante desmistificar a ideia de que o uso das tabelas de quantidades, por
exemplo do Autodesk Revit, pelo fato de terem sido geradas automaticamente,
correspondem a aplicação do BIM no orçamento. Acredita-se que seja uma evolução
da forma tradicional, visto que a etapa de levantamento de quantidades é considerada
a mais crítica, com métodos heterogêneos que buscam otimizar essa etapa [2; 7-8].
Entretanto, é necessário explorar melhor os potenciais existentes, e ir além da
extração automática de quantidades, onde o objetivo principal deve ser a associação
de cada item modelado diretamente a uma composição de custo unitário, com a
utilização de arquivos em extensão IFC (Industry Foundation Classes).
A seguir, tem-se a apresentação de uma aplicação prática da orçamentação em BIM
com a utilização de software específico de um projeto arquitetônico, com o
levantamento de requisitos necessários à essa evolução, em processo alternativo aos
já apresentados e com melhor aproveitamento do potencial da metodologia.

ESTUDO DE CASO

A metodologia adotada para este artigo é de um estudo de caso de produção de


projetos e documentos técnicos de edificações complexas por equipe multidisciplinar
da Universidade de Brasília, cujo principal requisito é a utilização do BIM em todos os
processos de projeto, orçamentação e análises de desempenho.
Para o presente trabalho, o foco é a orçamentação de projetos arquitetônicos,
elaborados no Autodesk Revit. Foram obedecidas as exigências nacionais para obras
públicas, e o uso de composições unitárias refletiu as particularidades do sistema

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construtivo adotado (paredes de concreto moldadas in loco) e das ferramentas
disponíveis até o momento.
O software utilizado para a orçamentação foi o OrçaFascio, que, com o plug-in
OrçaBIM operando no ambiente do Autodesk Revit, permite a associação das
composições unitárias previamente selecionadas com os objetos modelados por meio
de filtros, decorrentes dos parâmetros atribuídos na fase de projeto como mostra a
Figura 1. Sua escolha foi motivada pelo rápido e fácil aprendizado para manuseio,
necessários devido à alta rotatividade de membros da equipe, em contraponto a
outros softwares com interface complexa e que exigem treinamento robusto. Além
disso, um memorial de cálculo mais completo, porém objetivo, pode ser gerado para
fins de auditoria interna e externa. Entre os pontos fracos, identificou-se a necessidade
de selecionar as composições unitárias previamente ao levantamento de
quantitativos, uma vez que já existem outros no mercado capazes de sugerir
composições com base nos parâmetros atribuídos nos objetos, e que possuem
plataforma de visualização própria sem a necessidade de uma licença do software de
projeto.
Figura 1: Interface e vinculação de parâmetros no OrçaBIM

Fonte: as autoras.

Nesse contexto, com a evolução do processo por efeito aprendizado e pelo avanço do
conhecimento dos pesquisadores com relação ao BIM, foram sendo percebidos e
registrados requisitos básicos por meio de tentativas e erros, com o objetivo de refinar
o orçamento e reduzir o tempo gasto na atribuição dos filtros.

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RESULTADOS E DISCUSSÕES

Diante do exposto, cinco requisitos foram considerados imprescindíveis para uma


efetiva orçamentação em BIM com a utilização do software Orçafascio e seu plug-in
OrçaBIM. Todos partem do objetivo principal: parametrização do modelo conforme as
necessidades orçamentárias, já que a quantificação de insumos e serviços deve ser
possibilitada pela modelagem [3].
ALINHAMENTO DAS FAMÍLIAS USADAS NA MODELAGEM
Com o desenvolvimento da maturidade BIM de todos os envolvidos e a integração
orçamentista-projetista, uma etapa de interação melhorou significativamente o
processo de orçamentação: o mapeamento de todas as famílias criadas pela equipe de
Arquitetura e a criação de uma planilha, internamente denominada “Planilha de
Famílias”, onde foram indicadas o nome das categorias e dos elementos modelados.
No projeto paramétrico, o projetista deve definir uma família, que é um conjunto de
relações e regras para controlar os parâmetros pelos quais as instâncias dos elementos
podem ser geradas, dentro do contexto de cada objeto [7].
Com essas famílias mapeadas, os orçamentistas conseguiram indicar quais os
parâmetros devem ser atribuídos aos objetos para que seja possível a sua
quantificação conforme as unidades requeridas como área, volume, comprimento, ou
outro a ser criado por meio de fórmulas. Esse procedimento otimizou o tempo gasto
na atribuição de filtros dentro do OrçaBIM, uma vez que o nome das categorias e
parâmetros já foram previamente definidos.
Infere-se que, no futuro, as empresas devem estabelecer como pré-requisito a
verificação da viabilidade da estrutura do modelo [7], e que a modelagem por
parâmetros, embora não necessariamente disponibilize a visualização 3D, surge como
uma alternativa simples para extração de quantitativos para orçamentos de cunho
operacional [9].
ATENDIMENTO À ESTRUTURA ANALÍTICA DE PROJETO (EAP)
A elaboração da Estrutura Analítica de Projeto (EAP), internacionalmente conhecida
como Work Breakdown Structures (WBS), é a principal técnica para gerenciamento do
escopo sugerida pelo PMBOK [10], e se provou ferramenta fundamental no
alinhamento de necessidades entre a equipe de arquitetura e a de custos no presente
estudo de caso. Sendo assim, sugere-se a definição conjunta de uma estrutura de
trabalho que seja refletida na divisão dos elementos, por exemplo em pavimentos, ou
em fases de construção, de acordo com as necessidades específicas. A divisão de todo
o trabalho garante um melhor controle do escopo do projeto e, portanto, um
planejamento mais preciso e estimativa de custos [11].
Nesse sentido, se as equipes estabelecerem que o orçamento e o cronograma serão
divididos em pavimentos, todo os projetos devem seguir o mesmo padrão. Dentro do
projeto arquitetônico, essa informação pode vir por meio dos níveis de lançamento do

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projeto, para que seja possível quantificar por exemplo a alvenaria do pavimento
térreo separada do pavimento superior. Sendo assim, uma parede que tenha sido
lançada no térreo, porém extrudada até o pavimento de cobertura, não atenderia a
EAP, devendo estar modelada separadamente. Caso contrário, o orçamento não
refletiria esse mesmo padrão, salvo com a edição manual ou adoção de percentuais,
que não é o foco de um processo BIM que preza pela assertividade.
CONFORMIDADE COM A BASE DE DADOS ORÇAMENTÁRIA
Após a definição da base orçamentária principal e do conhecimento de seus cadernos
técnicos e forma de aferição dos serviços, foi possível elencar quais os parâmetros
adicionais devem ser inseridos, em sua maioria em forma de texto, para atender ao
padrão de tal base. No presente estudo, a base principal foi o SINAPI.
Um exemplo desse impacto foi a orçamentação do sistema construtivo das obras,
paredes de concreto moldadas in loco, com composições diferentes para o sistema de
fôrmas, devido à variação da produtividade da mão de obra se forem localizadas em
faces internas da edificação ou em panos de fachada. Tal informação foi então
repassada para a equipe de arquitetura, que por sua vez, criou um parâmetro
denominado “local de instalação” separando as paredes internas e externas para que
essa quantificação pudesse estar nos padrões da composição de custo unitária. Com a
informação adicionada, foi possível a criação de uma fórmula no OrçaBIM na qual a
parede com o local de instalação “externa” teria uma face interna e a outra como pano
de fachada, e as “internas” com duas faces internas.
Felisberto et al. [12] comentam que os parâmetros de texto são eficazes nessa
compatibilização e que ajudam a melhorar o processo e a precisão das estimativas pré-
licitação.
LINKS DOS MODELOS ARQUITETÔNICOS
O planejamento dos processos de projeto também deve passar pela aquisição de
hardware compatível com o nível de processamento exigido pelos modelos. Devido às
limitações de processamento computacional, o projeto pode ser modelado
separadamente e linkado posteriormente no Autodesk Revit em um único modelo de
visualização para um panorama geral do projeto.
No estudo de caso em questão, devido à natureza das soluções sugeridas pelas equipes
de pesquisa, os projetos foram subdivididos em blocos funcionais, refletidos na EAP, o
que permitirá a implantação parcial ou total das soluções de acordo com a necessidade
e o planejamento do cliente.
Dessa forma, foi levantada a necessidade da criação de um parâmetro em forma de
texto que possibilitasse essa quantificação separada para cada modelo linkado. Caso
contrário, sem a atribuição desse filtro o OrçaBIM apresenta a quantidade total de
elementos, como todas as lajes ou todas as paredes, o que não estaria em
conformidade com a EAP.

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PADRONIZAÇÃO E MANUTENÇÃO DE PARAMETRIZAÇÃO ADOTADA
É imprescindível a padronização dos processos por meio de documentos técnicos que
registrem a evolução da maturidade BIM, um “protocolo BIM” que registre todas as
etapas e os padrões estabelecidos em todo o seu desenvolvimento [13-14]. Dentro
desse protocolo, deve existir também a padronização da nomenclatura dos elementos
modelados, sejam eles arquivos, famílias ou filtros.
O fluxo de trabalho exigido pelo OrçaBIM, embora demorado inicialmente durante a
aplicação dos filtros nas composições orçamentárias, permite uma otimização nas
etapas seguintes quando há atualização dos projetos e, consequentemente, do
orçamento. Quando os filtros já foram estabelecidos corretamente, a vinculação de
um novo modelo permite a atualização automática dos quantitativos.
No entanto, essa automatização só funciona se não houver nenhuma mudança na
nomenclatura das categorias e parâmetros entre as versões do projeto, o que
inicialmente foi um problema no estudo de caso. As regras são válidas inclusive para a
diferenciação do gênero das palavras, onde uma parede com o parâmetro “local de
instalação” interna, não será lida pelo OrçaBIM caso seja trocado para “interno”,
exigindo retrabalho para adequação dos filtros. Situação semelhante ocorre quando
não existe nomenclatura das famílias definida em fase preliminar de projeto, mas, com
a evolução para anteprojeto e executivo, os projetistas optam por trocar.

CONCLUSÃO

O presente trabalho se propôs a comentar a visão acadêmica da modelagem da


informação em projetos arquitetônicos inseridos no processo BIM e como tal
informação é utilizada para a elaboração de orçamentos. Apesar das fontes
comentarem diversidade de softwares e demandas do LOD necessário, enfatizou-se a
necessidade de aprofundar a extração de quantitativos além da geração automática
de tabelas, e teste dos softwares para que se adequem à realidade de orçamentação
brasileira. O segundo objetivo, de resumir o conhecimento sobre o tema em um
estudo de caso de edificações especiais complexas, permitiu a elaboração de cinco
requisitos para a orçamentação em BIM a partir de projetos arquitetônicos:
alinhamento das famílias usadas na modelagem, atendimento à estrutura analítica de
projeto, conformidade com a base de dados orçamentária, links dos modelos
arquitetônicos, e padronização e manutenção da parametrização adotada.
Embora os cinco requisitos levantados possam ser considerados simples por
profissionais que já tem familiaridade com o processo BIM, sua implementação no
estudo de caso provocou uma melhora significativa nos processos de orçamentação
no fluxo de informações entre a equipe de custos e a equipe de projeto arquitetônico.
Mais ainda, as deficiências percebidas na modelagem do projeto arquitetônico
puderam ser estendidas aos demais projetos complementares. Uma vez que a
automatização da quantificação é uma das vantagens frequentemente apontadas para

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uso da metodologia BIM, tais requisitos são fundamentais para uso do potencial
completo dessa metodologia.
Vale ressaltar que tais procedimentos são passíveis de aplicação somente com o
trabalho colaborativo, ou seja, com a participação do orçamentista desde a concepção
do projeto, e não do modo tradicional, apenas na última etapa antes da execução.
Deve haver constante retroalimentação da planilha de famílias, até que sejam
validados os parâmetros atribuídos, e só então o projeto pode ser modelado de fato,
além da elaboração da EAP em conjunto com todas as partes envolvidas, escolha da
base de dados orçamentária e conhecimento dos seus cadernos técnicos, e a
padronização de nomenclatura, documentos e forma de modelagem (modelo único
ou vários linkados).
O processo de orçamentação, foco deste trabalho, só será efetivo se a concepção dos
projetos atender aos requisitos e prover o nível de informação necessário. Caso
contrário, um orçamento em BIM pode se igualar a um produto tradicional sem
nenhum benefício que justifique a sua utilização.
É importante salientar também que a quantificação e estimação possibilitadas pelos
modelos em BIM são apenas o primeiro passo no processo de orçamento como um
todo. A maior precisão e automação no levantamento de quantitativos oferecida pelo
BIM não lida com condições específicas do canteiro ou com a complexidade da
edificação, que dependem da experiência do orçamentista [7].
Os aspectos aqui relatados são apenas alguns dos requisitos que uma orçamentação
em BIM precisa apresentar aos projetistas para um uso da metodologia em seu nível
de maturidade ideal. Dependendo dos softwares e, consequentemente, dos arquivos
produzidos, problemas como perda de informação de elementos e uso de diferentes
métodos de quantificação aparecem como novos desafios a serem superados em prol
da qualidade dos modelos gerados. Além destes, planejamento, gerenciamento
sistêmico e trabalho colaborativo continuam essenciais para uso do modelo BIM assim
como são essenciais para modelos tradicionais de projeto. Tais metas de
gerenciamento podem ser alcançadas após elaboração de um plano de execução BIM
pelas pessoas interessadas.

REFERÊNCIAS
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