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Oferta de Blocos na Bacia do Amazonas

1. O documento apresenta um resumo geológico e histórico exploratório da Bacia do Amazonas, localizada no norte do Brasil. 2. Foram identificados oito blocos exploratórios disponíveis para licitação, totalizando 14.712 km2. 3. A bacia possui atualmente dois campos em produção de gás natural: Azulão e Japim, com reservatórios na Formação Nova Olinda.

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Paula Martins
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Oferta de Blocos na Bacia do Amazonas

1. O documento apresenta um resumo geológico e histórico exploratório da Bacia do Amazonas, localizada no norte do Brasil. 2. Foram identificados oito blocos exploratórios disponíveis para licitação, totalizando 14.712 km2. 3. A bacia possui atualmente dois campos em produção de gás natural: Azulão e Japim, com reservatórios na Formação Nova Olinda.

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AGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO,

GÁS NATURAL E BIOCOMBUSTÍVEIS


OFERTA PERMANENTE

BACIA DO AMAZONAS
Sumário Geológico e Setores em Oferta

Superintendência de Avaliação Geológica e Econômica


SAG

Elaborado por:
Elaine Loureiro, Juliana Jannuzzi e Cibele Saudino

Revisão e Atualização
Hemert Amorim e Heloisa Moure

2021
AGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO,
GÁS NATURAL E BIOCOMBUSTÍVEIS
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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 1

2. HISTÓRICO EXPLORATÓRIO ........................................................................................ 2

3. EVOLUÇÃO TECTONOESTRATIGRÁFICA ................................................................. 4

4. SISTEMA PETROLÍFERO ................................................................................................ 8

4.1. Geração e Migração................................................................................................... 8

4.2. Rocha reservatório ................................................................................................... 10

4.3. Rochas Selantes....................................................................................................... 11

4.4 Trapas ........................................................................................................................ 12

4.5 Plays Exploratórios................................................................................................... 12

5. SETORES EM OFERTA ................................................................................................. 13

5.1. Descrição Sumária ........................................................................................................... 13

5.2. Avaliação dos Blocos Propostos .................................................................................... 13

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................................................... 14


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1. INTRODUÇÃO

Localizada na região Norte do Brasil, abrangendo os Estados do Amazonas


e Pará, a Bacia do Amazonas é classificada como bacia paleozoica
intracratônica. Ocupa uma área de aproximadamente 500.000 km2 e possui um
formato linear alongado na direção ENE-WSW, sendo limitada a norte pelo
Escudo das Guianas e a sul pelo Escudo Brasileiro. Separa-se a leste da Bacia
do Marajó através do Arco de Gurupá, e a oeste da Bacia do Solimões pelo Arco
de Purus (CUNHA et al., 2007).

Estão disponíveis para o Terceiro Ciclo da Oferta Permanente oito blocos


exploratórios. São eles: AM-T-113, AM-T-133, AM-T-149, AM-T-150, AM-T-152,
AM-T-153 e AM-T-169, no setor SAM-O; e AM-T-114, no setor SAM-L,
totalizando a área de 14.712 km2 (Figura 1).

Figura 1. Mapa de localização da Bacia do Amazonas, com destaque para os blocos


disponíveis para o Terceiro Ciclo da Oferta Permanente.
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2. HISTÓRICO EXPLORATÓRIO
A Bacia do Amazonas é área pioneira de exploração de petróleo no norte
do país. As atividades de pesquisa iniciaram-se em 1917 através do Serviço
Geológico e Mineralógico do Brasil (SGMB), que tinha como foco principal a
descoberta de jazidas de carvão. As primeiras perfurações na bacia com foco
em petróleo datam de 1925, quando foram descobertos os primeiros indícios de
óleo e acumulações subcomerciais de gás nas proximidades de Itaituba, levando
a intensificação das pesquisas (PAIVA, 1955; PETROBRAS, 2011).
Com a criação da Petrobrás na década de 1950, a exploração de petróleo
teve um grande impulso. Entre 1953 e 1967 foram perfurados 53 poços
estratigráficos e 58 poços pioneiros, resultando nas descobertas subcomerciais
de óleo e gás na região de Nova Olinda (1956-1957 poços 1-NO-1-AM, 1-NO-3-
AM e 1-NO-4-AM). Indicações de gás foram obtidas em poços nas regiões de
Buiuçu, Cuminá, Faro, Andirá, Fordlândia, Sampaio, e dos Rios Abacaxis e
Cupari. Enquanto indicações de óleo foram reportadas nas proximidades de
Autás Mirim, Andirá e Maués. Apesar das descobertas antieconômicas, esta fase
exploratória foi fundamental como fonte de novos dados para o conhecimento
geológico e para a pesquisa de óleo e gás na Bacia do Amazonas.
Entre 1971 e 1990 foram realizados levantamentos sísmicos sistemáticos
e perfurados 4 poços estratigráficos e 34 poços pioneiros, dois deles perfurados
pela Pecten/Idemitsu sob regime de contrato de risco. Esta fase exploratória
resultou nas descobertas de gás e óleo nos poços 1-LT-1-AM (Lago Tucunaré)
e 1-ICA-1-AM (Igarapé Cuia), que apesar de significativas foram declaradas
subcomerciais. Indicações de gás ocorreram nas localidades de Belterra,
Fazenda Cachoeira, Fazendinha, Tauari e Riacho Castanho Mirim enquanto
indicações de óleo foram reportadas em 1-IJU-1-AM (Igarapé Jacuraru) e 1-
PAM-1-AM (Paraná do Autás-Mirim) (COPPE/ UFRJ, 2001).
Em uma terceira fase exploratória, que se iniciou em 1996, a Bacia do
Amazonas revelou-se portadora de gás em escala comercial viável com a
descoberta do Campo de Azulão no poço 1-RUT-1-AM em 1999, que testou um
prospecto no chamado trend estrutural do Rio Uatumã. Tal descoberta,

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juntamente com as descobertas subcomerciais de 1985 reabriram perspectivas


para a porção oeste da Bacia. Em 2001, com a perfuração do poço 1-BRSA-98-
AM (1-IMP-1-AM), foi descoberta uma segunda acumulação de gás comercial o
Campo de Japiim.
Até o momento foram perfurados 182 poços exploratórios,
levantados 42.101 km lineares de sísmica 2D e 1.278 km² de sísmica 3D na
bacia. Além de dados gravimétricos e magnetométricos em toda sua extensão
(Figura 2).

Figura 2. Mapa de localização da área em oferta para o Terceiro Ciclo da Oferta Permanente
com distribuição dos dados sísmicos e de poços utilizados para a avaliação da Bacia do
Amazonas.

A Bacia do Amazonas possui atualmente três blocos sob Contrato de


Concessão e dois Campos de Produção: Azulão e Japim. Como resultado das
atividades exploratórias, o campo de Azulão está em desenvolvimento com
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reservatórios da Formação Nova Olinda, que possuem porosidade média de


20% e permeabilidade de 300 mD, saturados com gás natural não associado
(ANP, 2019).

3. EVOLUÇÃO TECTONOESTRATIGRÁFICA

A origem da Bacia do Amazonas tem sido investigada por vários


pesquisadores, mas ainda constitui tema aberto a discussões. De acordo com
Cunha ET AL. (2007) postula-se que sua origem esteja relacionada à dispersão
de esforços no fechamento do Ciclo Brasiliano.
O arcabouço estrutural é representado por duas amplas plataformas (uma
ao norte e outra a sul), duas linhas de charneira (identificado a partir de variações
do mergulho estrutural apresentado pela seção sedimentar paleozoica) e uma
calha central segmentada nas direções E-W e SW-NE. Tanto em sua borda norte
quanto em sua borda sul, afloram rochas de idades siluriana, devoniana, permo-
carbonífera e localmente proterozoicas (NEVES, 1990).
A evolução tecnoestratigráfica da bacia engloba duas megassequências
deposicionais de primeira ordem totalizando mais de 5000 metros de
preenchimento sedimentar (Figura 3). A primeira paleozoica, associada a rochas
sedimentares e um grande volume de intrusões de diques e soleiras de diabásio,
e a segunda mesozoica-cenozoica sedimentar. Segundo os mesmos critérios da
Estratigrafia de Sequências a megassequência paleozoica abrange quatro
sequências de segunda ordem, denominadas de Sequência Ordovício-
Devoniana, Devono-Tournaisiana, Neoviseana e Pensilvaniano-Permiana.

O preenchimento sedimentar dessas sequências se deu em função das


variações eustáticas do nível do mar e também da tectônica, marcada pelos
eventos paleozoicos que ocorreram na borda oeste da antiga placa gondwânica
e pela separação mesozoica do Oceano Atlântico na borda leste. Como
consequência todas as sequências sedimentares mencionadas possuem
quebras significativas da sedimentação associadas à expressivas discordâncias

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regionais que as separam. A sequências foram descritas de acordo com a carta


estratigráfica publica por Cunha et al. (2007).

Primeiramente, a Sequência Ordovício-Devoniana reúne os sedimentos


clásticos marinhos glaciogênicos do Grupo Trombetas. Depositou-se de leste
para oeste ultrapassando o Arco de Gurupá, nesse momento inexistente. A
oeste, o arco de Purus impedia a conexão com a Bacia do Solimões. O Grupo
Trombetas abrange as formações Autás Mirim, composta por arenitos e
folhelhos neríticos neo-ordovicianos; Nhamundá, contituídas por arenitos
neríticos e depósitos glaciogênicos eosilurianos; Pitinga, composta por folhelhos
e diamictitos silurianos e formações Manacapuru e Jatapu, que correspondem a
arenitos, pelitos neríticos neossilurianos-eodevonianos e arenitos e siltitos
marinhos parálicos litorâneos eodevonianos, respectivamente.

Em seguida, a Sequência Devono-Tournaisiana reune os sedimentos


marinhos sobrepostos por incursões glaciais dos grupos Urupadi e Curuá. O
Grupo Urupadi abrange as formações Maecuru, composta de arenitos e pelitos
neríticos a deltaicos, de idade neo-emsiana-eo-eifeliana; Ererê, contituída por
siltitos, folhelhos e arenitos neríticos, parálicos, de idade neo-eifeliana-
eogivetiana. O Grupo Curuá abrange as formações Barreirinha, Curiri e Oriminá.

A formação Barreirinhas é composta de três membros sendo o mais


inferior, Abacaxis, composto de folhelhos cinza-escuros e pretos e carbonosos,
ambiente distal euxínico (apresenta alta resistividade, radiotividade e baixa
velocidade sônica), de idade eofrasniano até o eo ou mesofameniano. O
posterior, Membro Urubu, apresenta folhelhos cinza-escuros marinhos
(apresenta menor radiotividade e velocidade sônica mais alta), de idade meso-a
neo-fameniana. O último Membro Urariá, caracterizada por folhelhos cinza-
escuros a claros e siltitos de sedimentação marinha regressiva (apresenta
regular radiotividade e velocidade sônica), de idade neofameniana. A Formação
Curiri é composta de diamictitos, folhelhos, siltitos e arenitos de ambientes glacial
a periglacial, de idade fameniana a struniana. A Formação Oriximiná, composta

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de arenitos e siltitos de ambiente marinho raso/fluvial, de idade “struniana” a


mesotournaisiana.

A Sequência Neoviseana corresponde aos arenitos e pelitos fluvio-


deltaicos e litorâneos com influência de tempestades da Formação Faro, e tem
seu topo marcado pela Orogenia Chaquita ou Eo-Herciniana que causou extenso
processo erosivo nesta sequência.

A Sequência Pensilvaniano-Permiana é formada pelos clásticos,


carbonatos e evaporitos continentais e de ambiente marinho restrito do Grupo
Tapajós e engloba as formações Monte Alegre, de idade neobashkiriana,
marcada por arenitos eólicos e de wadis intercalados com siltitos e folhelhos de
interduna e lagos; Itaituba, depositada entre o neobashkiriano e moscoviano,
representada por folhelhos, carbonatos e anidritas de fácies lagunar e marinho
raso; Nova Olinda, do moscoviana ao gzheliano, composta por calcários, anidrita
e halitas de inframaré e planícies de sabkha, subdividida pelos membros Arari e
Fazendinha; e Formação Andirá, permiana, caracterizada pela sedimentação
predominantemente continental, representada por arenitos e sedimentos
vermelhos (red beds) e raras anidritas, de fácies lacustrinas e fluviais.

Posterior à deposição da sequência paleozoica, ocorreram manifestações


magmáticas datadas do triássico e jurássico que culminaram na abertura do
Oceano Atlântico Norte. Esse magmatismo gerou extensas soleiras e diques de
rochas básicas na seção paleozoica. A leste da bacia, as intrusões alojaram-se
preferencialmente na seção devoniana-carbonífero, enquanto a oeste, na
sequência evaporítica permo-carbonífera preferencialmente na Formação Nova
Olinda, e em menor escala nas rochas clásticas devonianas (GONZAGA et al.,
2000).

Posteriormente o primeiro dos eventos tectônicos mais importantes da


bacia ocorreu no Eojurássico-Eocreatáceo. O evento transpressional Juruá foi
responsável pelo desenvolvimento do trend nordeste de falhas reversas e

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anticlinais assimétricos que afetaram tanto a megasequência paleozoica como


suas intrusões magmáticas. (GONZAGA et al., 2000).

Após esse evento depositaram-se os sedimentos continentais da


megassequência mesozoica-cenozoica, incluídas no Grupo Javari. No
neocretáceo, desenvolveu-se na bacia um sistema fluvial de alta energia
resultando na deposição dos sedimentos arenosos da Formação Alter do Chão.
No Paleógeno, com o soerguimento da Cadeia Andina, o depocentro sedimentar
terciário foi deslocado e os rios de alta energia cederam lugar para rios
meandrantes e lagos de baixa energia, onde predominava a deposição dos
pelitos correspondentes a Formação Solimões.

Também no Cenozoico ocorreu o segundo evento tectônico de


proeminência da bacia através de pulso tectônicos transcorrentes que
reativaram zonas de fraqueza antigas e criaram diversos outros feixes de falhas
que cortam a bacia nas direções NE-SW e NW-SE. Por exemplo, cita-se as
reativações resultantes no Sistema de Falhas Transcorrentes de Urucará
(MOHRIAK et al., 2009).

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Figura 3. Diagrama estratigráfico da Bacia do Amazonas (CUNHA et al., 2007).


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4. SISTEMA PETROLÍFERO

O sistema petrolífero da Bacia do Amazonas foi avaliado com base nas


características geológicas identificadas na área de estudo além da bibliografia
disponível. Os principais sistemas petrolíferos identificados foram: Barreirinha-
Nova Olinda(!), Barreirinha-Monte Alegre(!) mas também foram identificadas
ocorrências no sistema Barreirinha-Curiri(!), que apresenta indícios de
hidrocarbonetos em alguns poços.

4.1. Geração e Migração


Segundo Gonzaga et al. (2000), corroborado por Pedrinha et al. (2008),
a principal cozinha de geração de hidrocarbonetos presente na Bacia do
Amazonas está localizada no seu depocentro (Figura 4). Além disso, de acordo
com o primeiro autor, sua porção leste é mais susceptível a geração de gás
natural devido à grande quantidade de intrusões que supermaturaram os
folhelhos da Formação Barreirinha e a porção oeste é mais propensa a geração
de óleo, tanto por haver um maior soterramento quanto por intrusão de rochas
ígneas.
Segundo Gonzaga et al. (2000) as condições termais apropriadas para
que a Formação Barreirinha Inferior iniciasse a geração foram alcançadas no
depocentro entre o Carbonífero e o Permiano e grande parte da expulsão
ocorreu entre o Permiano e Triássico. Com relação aos diques e soleira de
diabásio, estes atuaram como redutores da porosidade, sendo responsáveis
pelo processo de supermaturação apenas na porção leste da bacia, onde
intrudiram a seção devoniana.
Os folhelhos da Formação Barreirinha são os mais importantes geradores
de hidrocarbonatos da bacia. Esta unidade pode ser dividida em duas seções
distintas, a porção basal, denominada Barreirinha Inferior, consiste em folhelhos
negros de idade devoniana que variam de 30 a 40 metros de espessura. Valores
de Carbono Orgânico Total (COT) nessa unidade variam entre 3 e 8% e análises
geoquímicas indicam a predominância de querogênio tipo II (GONZAGA et al.,
2000). A porção superior, denominada Barreirinha Superior, alcança a
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espessura de 150 metros e apresenta valores de COT entre 1 e 2%, exibindo


predominância de querogênio tipo III.

Figura 4 - Mapa da cozinha de geração, ressaltando a expulsão de hidrocarboneto) com a


localização dos blocos indicados para a Oferta Permanente e as notas de acordo com o
critério de Geração + Migração. Modificado de Costa (2002) e Pedrinha ET AL. (2008).

A migração primária teria se direcionado para os arenitos devonianos


sotopostos e sobrepostos à geradora, enquanto a migração secundária teria
ocorrido a partir de falhas e/ou microfraturas, as quais conectam os folhelhos da
unidade estratigráfica geradora com os reservatórios sobrejacentes.
As acumulações podem ocorrer em áreas situadas fora da cozinha de
geração, considerando rotas de migração de longas distâncias e a alimentação
dos reservatórios a partir de hidrocarbonetos gerados pelo efeito térmico da
intrusão de soleiras, fato corroborado pelos indícios de hidrocarbonetos
constatados nos poços perfurados na região.

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Secundariamente, os folhelhos da Formação Pitinga são apontados como


possíveis rochas geradoras. Esta formação atinge 120 metros de espessura no
depocentro da bacia e exibe valores de Carbono Orgânico Total (TOC)
geralmente inferiores a 2%. Apresenta índices de hidrogênio e oxigênio
indicativos de querogênio tipo II.

4.2. Rocha reservatório


As principais descobertas de hidrocarbonetos ocorrem associadas a arenitos
das Formações Nova Olinda, Monte Alegre e ainda nas formações Curiri.
Ressalta-se ainda a ocorrência de indícios de óleo e gás em arenitos de diversas
unidades estratigráficas, incluindo as formações Itaituba, Faro, Oriximiná, Ererê,
Maecuru, Manacapuru e Nhamundá.
Os arenitos da Formação Nova Olinda representam o principal reservatório
nos campos Japiim e Azulão. Além de estarem dispostos favoravelmente em
relação aos blocos da região centro-leste da área estudada, apresentam
características de permo-porosidade em torno de 320 mD e 24%,
respectivamente. Essa Formação compreende ciclos de sedimentação
siliciclástica, carbonática e evaporítica, sendo os reservatórios formados por
arenitos de ambiente parálico, vistos no Campo Azulão (ANP, 2019).
Enquanto isso, os arenitos da Formação Monte Alegre apresentam
porosidades que variam entre 20 e 25% e permeabilidades entre 150 e 380 mD.
Suas camadas foram depositadas em ambiente desértico continental a
transicional do tipo sabkha, exibem sedimentos fluviais e eólicos. A Figura 5
mostra o mapa de isópaca da Formação Monte Alegre com a localização dos
blocos indicados para este Ciclo de Oferta Permanente (Modificado de Neves,
(1990)).

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Figura 5 - Mapa da da isópaca da Formação Monte Alegre com a localização dos blocos
em oferta. Modificado de Neves (1990).

Os arenitos e diamictitos da Formação Curiri, depositadas em vales glaciais


escavados em resposta à rebaixamentos do nível do mar, podem atingir valores
de porosidade entre 6-20% e permeabilidade entre 1 e 400 mD, constituindo-se
em potenciais reservatórios.

4.3. Rochas Selantes


As rochas responsáveis por selar os reservatórios da Formação Monte
Alegre são representadas pelos carbonatos e pelas anidritas da Formação
Itaituba. Já as rochas selantes da Formação Nova Olinda são constituídas pelas
anidritas e as halitas da mesma unidade estratigráfica.
Na Formação Curiri, as rochas selantes são folhelhos e diamictitos, também
da mesma unidade litoestratigráfica.

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4.4 Trapas
Na Bacia do Amazonas, comumente, as acumulações ocorrem em trapas
estruturais, estratigráficas e possivelmente trapas mistas. Grande parte das
trapas estruturais está associada a altos desenvolvidos a partir de eventos
tectônicos paleozoicos de natureza compressiva, anteriores à principal fase de
geração. Além disso, as trapas podem se relacionar, a eventos transpressivos e
transtensivos terciários gerando falhas reversas e anticlinais (NEVES, 1989).

4.5 Plays Exploratórios


São apresentados para a Bacia do Amazonas dois plays exploratórios
principais: O primeiro é representado pelos arenitos da Formação Nova Olinda,
depositados em ambientes flúvio-deltáico-estuarinos, de praias de shoreface
superior e eólicos, de idade carbonífera, sendo este comprovado nos campos de
Japiim e Azulão.

O segundo também de caráter terrigeno é representado pelos arenitos da


Formação Monte Alegre, depositados em ambiente desértico, continental a
transicional do tipo sabkha, e exibem boas características permoporosas, sendo
reportados vários indícios de hidrocarbonetos em poços e óleo e gás em
acumulações não comercias.

A bacia também apresenta outro play potencial, ainda não comprovado,


constituído pelos arenitos Neo-Devonianos da Formações Curiri, depositados
em ambiente marinho com influência glacial.

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5. SETORES EM OFERTA

5.1. Descrição Sumária

Para o Terceiro Ciclo da Oferta Permanente da ANP estão em oferta 8 blocos,


incluídos nos setores SAM-O e SAM-L, totalizando uma área de 14.712 km².

A maioria dos blocos se localizam próximos ao depocentro da bacia, a SSW


da cozinha de geração, na região propícia à geração de óleo e gás sengundo as
interpretação de Gonzaga et al. (2000) e Pedrinha et. al. (2008).

5.2. Avaliação dos Blocos Propostos

Na área dos blocos foram mapeadas oportunidades exploratórias nos


reservatórios das Formações Nova Olinda e Monte Alegre. No entanto, devido à
escassez e problemas de imageamento dos levantamentos sísmicos
disponíveis, as oportunidades foram mapeadas em, no máximo, três linhas
sísmicas, o que contribui para a incerteza da interpretação.
Foram mapeadas oportunidades exploratórias em quase todos os blocos.
A exceção foi o bloco AM-T-169 que não possui dados sísmicos ou poço na área
do polígono.
Nos blocos AM-T-113, nas proximidades do poço 1-JUT-1-PA, e AM-T-
153, próximo ao poço 1-JAB-1-AM, foram mapeadas oportunidades em
estruturas geradas pelo ambiente de tectônica compressiva, decorrente do
Diatrofismo Juruá, evento que deformou toda a placa Sulamericana no período
Mesozoico, proporcionando a formação de diversos anticlinais em toda a Bacia
do Amazonas (CUNHA et al., 2007).
Na Formações Nova Olinda ocorrem diversos níveis de soleiras, o que
proporciona estruturas de “chapeu de coco”, inclusive no topo da própria
formação, podendo ocorrer, trapas e possíveis acumulações em dois níveis
distintos.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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