OS SABÁS – A RODA DO ANO
A Roda do Ano ( Hemisfério Sul) A Roda do Ano representa o
sagrado círculo onde a Deusa virgem
concebe seu filho, o vê crescer, se apaixona por ele, até que a
morte leve-o a Terra da Juventude Eterna, para
novamente renascer. Muitas pessoas tem dificuldade de aceitar
que o deus morra, por não entenderem que ele
realmente é Eterno - tão eterno quando a natureza. Ele sacrifica-se
para dar continuidade a própria vida,
fechando o Sagrado Círculo - Criação, crescimento, apogeu e
declínio. A Destruição do velho revigora a força
Natural, pois este é substituído pelo novo. Essa Roda é marcada
por oito Sabbaths:.
Os sabás são datas muito importantes de serem observadas. Eles
representam o deslocamento da Terra em
relação ao Sol, a mudança das estações climáticas e o ciclo de
vida, morte e renascimento do Deus Cornífero.
São oito sabás: quatro menores (solstícios e equinócios) e quatro
maiores (datas intermediárias entre os
solstícios e equinócios). O sabás menores são: Yule, Ostara, Litha
e Mabon. E os sabás maiores são: Imbolc,
Beltane, Lughnasadh (também chamado de Lammas) e Samhaim.
Cada sabá tem o seu jeito próprio de ser realizado. E um mesmo
sabá pode ser realizado de diversas formas
diferentes. Assim como para os esbás, não há regra que governe
esses ritos.
Há uma questão importante a ser discutida sobre esse assunto.
Desde que os sabás seguem o ciclo das
estações, o mais óbvio seria que as datas dos sabás do hemisfério
norte e do hemisfério sul fossem invertidas.
Assim, enquanto no norte se estaria comemorando o equinócio de
primavera (Ostara), aqui no sul se estaria
comemorando o equinócio de outono (Mabon).
Porém, nem sempre se faz assim. Há wiccans que preferem não
inverter as datas e comemorar, por exemplo, o
equinócio de primavera em pleno outono. À primeira vista parece
absurdo, mas há uma explicação. Ao se
celebrar pelo norte, está-se conectando à egrégora que os festivais
do norte foram. É uma egrégora
antiquíssima e, por isso, muito forte. Além disso, realizamos os
sabás dentro do círculo mágico, ou seja, no
"entremundos". Desde que dentro do círculo estamos além dos
limites de tempo e espaço, pode-se comemorar
o equinócio de primavera no outono sem problemas.
Há também aqueles que simplesmente não se sentem à vontade
com isso e preferem inverter as datas. Esses,
ao invés de se conectar à egrégora nortista, preferem se ligar às
energias telúricas da terra, comemorando
determinado sabá perfeitamente alinhado com a estação do ano.
Essa é mais uma questão que deve ser
resolvida por cada wiccan. Se o wiccan é mais ritualístico e
prefere se ligar a egrégora nortista, que comemore
pelo norte. Se é um wiccan mais telúrico, então vai se dar melhor
comemorando pelo sul.
Os nortistas normalmente também usam o argumento de que as
estações no Brasil não são tão bem marcadas
como no norte e, por isso, não tem muita importância celebrarmos
os sabás em desacordo com as estações.
Realmente em certas regiões do Brasil as estações não são tão
bem marcadas, mas é sempre possível se notar
os sinais de determinada estação na Natureza.
Agora irei apresentar sucintamente o significado de cada sabá:
Yule
Sua comemoração acontece por volta do dia 21 de junho. Nesse
período a Deusa da a luz a seu filho
e amante, o Deus Cornífero. Yule é um tempo de grande
escuridão, da mais longa noite do ano, quando o
inverno se estabelece. Entre os antigos povos primitivos, era o dia
em que imploravam que o inverno não
fosse por demais rigoroso e que as forças da natureza estivessem
sempre ao seu lado. Como o Deus Cornífero
também é o Sol, Yule marca o renascimento desse astro dentro da
Roda do Ano. No período de Yule, devemos
ornamentar nosso altar com um azevinho, folhas de figueira ou
cipreste e manter velas acesas simbolizando o
retorno da luz do Sol. Esse é o tempo da realização de feitiços e
preparação de amuletos voltados para a
proteção. Em Yule, honramos a Deusa no seu aspecto divino e
eterno de Mãe, sendo o Deus sua criança
divina, o novo ano solar.
Imbolc
Celebrado por volta do dia 31 de julho ou 1 de agosto. Imbolc
marca o restabelecimento da Deusa
após ter dado à luz ao seu filho Deus. Ela é acordada, então, pela
luz dos dias, que se tornam gradativamente
mais longos. Seu filho já não é mais um bebê, tendo se tornado
um jovem sedutor, e seu poder é sentido no
morno calor dos dias, agora um pouco mais compridos. Esse calor
fertiliza a Terra, ou seja, a Deusa, e
proporciona ao longo do período a germinação das sementes. É o
sabbath dedicado à purificação. É a festa da
fertilidade, caracterizada por muitas velas acesas, que representam
nossa própria iluminação e inspiração.
Imbolc também é conhecido como Oimelc, Lupercalia, Festa de
Pã, dia de Brigit, além de outro nomes. Nesse
período, não existem flores nem frutos no altar, representando o
que acontece com a natureza. É tempo
propício para a realização de feitiços ligados à fertilidade e à
prosperidade.
Ostara
Celebrado por volta do de 21 de setembro, é o Equinócio de
Primavera. Neste dia comemoramos o
primeiro dia de primavera, quando as energias da natureza
desabrocham de forma exuberante. É o tempo em
que a Deusa envolve a Terra com seu manto fértil e o Deus
Cornífero vivência sua maturidade. No período de
Ostara, noites e dias são iguais e tanto o Deus como a Deusa
impelem os animais selvagens à reprodução. É o
tempo em que vivenciamos o começo enquanto ação que nos leva
a novos acontecimentos. Nosso altar deve
estar decorado com narcisos e ovos coloridos. Os narcisos
representamos primeiras flores da primavera e os
ovos pintados, a fertilidade. Devem ser realizados feitiços ligados
a começos, ou seja, novos amores, nova
casa, novo emprego, nova vida, etc. Em Ostara, a Deusa é
reverenciada no seu aspecto de Deusa da
Primavera, e o Deus, no seu aspecto de Deus da Fertilidade.
Beltane
É celebrado no dia 31 de Outubro. Beltane marca a entrada do
Deus Cornífero no seu período adulto;
ele já não é mais um jovem sedutor e se transformou num
verdadeiro homem. Dentro de si habita toda a
potência da natureza masculina, e ele deseja a Deusa
ardentemente. Ela também se apaixona, e juntos fazem
amor sobre as relvas floridas. Nesse ritual, deve-se colocar no
jardim um tronco ou mesmo um bambu, no
centro de um grande círculo. Esse poste deve ser muitas fitas
coloridas que cairão quase até o solo. As pessoas
deverão dançar em círculo, segurando a ponta de uma fita. Na
verdade, esse poste representa nada mais nada
menos do que o fallus, ou seja, o órgão genital masculino. Deve-
se ter também nesse período o caldeirão
repleto de água com flores boiando na sua superfície. O altar deve
estar decorado com uma grande variedade
de flores. É tempo dos feitiços ligados à fertilidade feminina e ao
amor. A Deusa é, então, venerada como
noiva, e o Deus, como Senhor da Floresta; Beltane é tempo de
celebração da Sagrada União.
Litha
É celebrado por volta de 21 de dezembro. É o tempo do solstício
de verão, quando os poderes da
Natureza se encontram no apogeu, e a Terra se encontra banhada
pela fertilidade da Deusa e do Deus. Tudo é
claro, e o sol brilha com enorme intensidade. É tempo das flores
solares, como o girassol e a calêndula. O
altar deve ter muitos girassóis expressando a potência do Sol
nessa época. Ervas mágicas devem ser
queimadas no incensário e é também o tempo de colher. Os
feitiços são os que estão destinados a aumentar
nossas energias e também os de proteção. A Deusa é honrada no
seu aspecto Gaia, Mãe Terra, e o Deus, no
seu Aspecto de Deus Sol.
Lammas.
É celebrado por volta do dia 2 de fevereiro. Também conhecido
sob nome de Lughnasadh, é o
período da colheita, quando as plantas da primavera mostram seus
frutos e sementes, assegurando, assim,
futuras colheitas. Nesse período, o Deus Cornífero gradualmente
perde sua força, e as noites vão
lentamente ficando mais longas do que os dias. A Deusa observa
ternamente o fenecimento de seu amante,
sabendo que, dentro dela, ele vive enquanto seu filho. No altar
devemos colocar ramos de trigo, espigas de
milho e flores da estação. Assamos bolos e pães, e os comemos
junto com outros frutos do verão. É tempo de
agradecer o alimento recebido e realizar os feitiços ligados à
prosperidade. A Deusa é, então, honrada no seu
aspecto Semente, e o Deus é reverenciado no seu aspecto de
Senhor da Colheita.
Mabon
É celebrado por volta de 21 de março. É o equinócio de outono,
quando a colheita iniciada em
Lammas atinge sua plenitude. Mais uma vez dias e noites são
iguais, e o Deus se prepara para partir, deixando
seu corpo físico e ingressando na sua jornada rumo ao impessoal,
para dar lugar ao renascimento da Deusa. A
Natureza declina, preparando-se para o inverno. As folhas caem
melancolicamente, e tudo parece fenecer tal
qual o luminoso Sol. Nesse período o altar deve ser adornado com
flores da estação e alguns frutos. É tempo
de realização, de feitiços banidores daquilo que não mais se quer,
como hábitos sedimentados ou, mesmo,
doenças. A Deusa é, então honrada no seu aspecto de Mãe Terra
Provedora, e o Deus é homenageado no seu
aspecto de Grão.
Samhain
É celebrado por volta do dia 30 de abril, 1 de maio. É o período
de despedida do Deus Cornífero, que
vai penetrar na eterna escuridão e retornar, renascido em Yule.
Samhain é também conhecido sob nome de
Festa dos Mortos e Festa das Maçãs. Por ser uma das datas mais
importantes para as bruxas, em que se
comemora a passagem do ano, ponto em que a Roda completou
seu ciclo, Samhain também tornou-se
conhecido como Dia das Bruxas. Samhain é tempo de reflexão,
em que olhamos para o Ano que passou e
procuramos reconhecer nossos atos e deles extrair o significado
de nossa vivência. Nesse dia, as bruxas
sentem que o grande portal que separa a realidade física da
espiritual está aberto, e nessa noite relembramos
nossos ancestrais e podemos estabelecer intensa ligação com eles.
O altar deve ser ornamentado com maças e
folhas de cipreste, e em seu centro deve-se colocar uma cuia cheia
de água e algumas velas acesas. É o dia da
celebração da escuridão e da morte , e os espíritos nos auxiliam na
leitura de oráculos. Em Samhain
reverenciamos a Deusa no seu aspecto de Senhora dos Mistérios e
o Deus, em seu aspecto de Senhor da
Morte. É o período em que o ciclo se cumpre, deixando-nos a
esperança do renascimento.
E após o Samhain (pronuncia-se "Sauin" ou "Sauain") virá
novamente o Yule, o que dará continuidade ao
ciclo de vida, morte e renascimento do Deus e da mudança das
estações da Natureza. Vemos com a Roda do
Ano que o tempo na Wicca não é visto de uma forma linear, como
costumamos ver na nossa sociedade
pragmática. Ao contrário, é visto de uma forma cíclica. Tudo o
que foi, será. Tudo o que será já foi. Presente,
passado e futuro são construtos humanos e não realidades
perenes.