MÓDULO 2: Dinamismo Civilizacional da Europa Ocidental nos séculos XIII a XIV – espaços, poderes e
vivências
Unidade 2: O espaço português – a consolidação de um reino cristão ibérico
2.1. A fixação do território – do termo da Reconquista ao estabelecimento e fortalecimento de fronteiras
DA RECONQUISTA À FIXAÇÃO DAS FRONTEIRAS DE PORTUGAL
AFIRMAÇÃO DE PORTUGAL COMO ENTIDADE
POLÍTICA INDEPENDENTE
(D. Afonso Henriques) - Transformação de Portugal
em reino e seu reconhecimento
1143 – Tratado de Zamora
1179 – Bula Manifestis Probatum
A FIXAÇÃO DO TERRITÓRIO
(D. Afonso Henriques a D. Afonso III) - Reconquista
cristã/Alargamento do território, processo que
assumiu, simultaneamente:
Uma vertente política, possibilitando
Uma vertente religiosa, pois estava em a afirmação e engrandecimento dos
causa uma «guerra santa», não menos monarcas que se sentiam com o direito
importante do que a travada a oriente. legítimo à terra conquistada aos
muçulmanos.
Os reis portugueses contaram com:
- várias bulas papais, concedendo
indulgências (que ofereciam a remissão dos
pecados) aos que participassem na luta;
- o apoio de cruzados que por aqui
passavam a caminho da Palestina (ex: conquista
de Lisboa);
- ação das ordens militares religiosas na
conquista, pacificação e desenvolvimento Estabelecimento e fortalecimento das fronteiras
económico. com Castela*
1267 – Tratado de Badajoz (D. Afonso III)
1297 – Tratado de Alcanises (D. Dinis)
Professora Alexandra Godinho
*Entre a conquista definitiva do Algarve (1249) e o estabelecimento definitivo das fronteiras
portuguesas (1297) decorreu quase meio século, período durante o qual houve vários litígios com o
rei de Leão e Castela.
Em 1252, Afonso X de Leão e Castela reivindicou o ex-reino algarvio de Niebla (onde se incluía Silves),
alegando que a sua soberania lhe tinha sido cedida pelo respetivo rei mouro. O Papa Inocêncio IV
interveio na disputa e chegou-se à celebração de um primeiro tratado de paz (1253), pelo qual se
acordou o casamento de D. Afonso III com D. Beatriz, filha ilegítima do rei de Leão e Castela; D.
Afonso III, provisoriamente, renunciaria aos seus direitos sobre o Algarve, em favor do sogro.
Após várias negociações diplomáticas, por um novo tratado (Tratado de Badajoz, 1267), o rei Afonso
X de Leão e Castela transferiu os seus direitos sobre aquele território para o neto D. Dinis, nascido,
entretanto, do casamento entre D. Afonso III e Beatriz de Castela.
Posteriormente (1295-1297), Portugal reacendeu as hostilidades com Castela ao envolver-se na
guerra civil que assolou aquele reino. Pelo Tratado de Alcanises (1297), celebrado já entre D. Dinis e
o rei Fernando IV de Castela, chegou-se a novo entendimento:
- foram acordados casamentos reais;
- deliberou-se uma paz de 40 anos;
- fixaram-se os limites territoriais: por exemplo, Portugal abdicou da soberania sobre as terras de
Aroche e Aracena e dos direitos que possuía em Valença e Aiamonte; em contrapartida, recebeu
Olivença, Campo Maior, Sabugal, Castelo Rodrigo e Almeida.
Com pequenas exceções (como o caso de Olivença, integrada na Espanha no século XIX), o território
português adquiriu assim, em finais do século XIII, a sua configuração definitiva.
Professora Alexandra Godinho