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Direito Administrativo I: Ius Gentium e Relações Internacionais

O documento discute a construção do direito internacional moderno, começando com a expansão ultramarina europeia nos séculos XV e XVI. Abrange o pensamento de Francisco de Vitoria sobre o direito das gentes e a emergência do conceito de ius inter gentes para regular as relações com povos não cristãos. Também examina como as descobertas levaram a debates teológicos sobre a legitimidade da colonização.

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Direito Administrativo I: Ius Gentium e Relações Internacionais

O documento discute a construção do direito internacional moderno, começando com a expansão ultramarina europeia nos séculos XV e XVI. Abrange o pensamento de Francisco de Vitoria sobre o direito das gentes e a emergência do conceito de ius inter gentes para regular as relações com povos não cristãos. Também examina como as descobertas levaram a debates teológicos sobre a legitimidade da colonização.

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HRI-1

Direito Administrativo I (Universidade de Lisboa)

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CONSTRUÇÃO DO MUNDO MODERNO

1. Expansão Ultramarina e Direito das Gentes: do ius gentium ao ius inter


gentes

Direito das gentes

Ius gentium romano:

Suarez qd fala de drt das gentes fala no sentido novo (drt q regula as relações entre estados)
mas tb usa mais no sentido medieval.
Ponto de partida é Roma e o drt romano não podia ser aplicado aos não cidadãos, qual era
então o drt aplicado entre pessoas com diferentes cidadanias? O ius gentium não era o drt
internacional privado mas tinha a mesma função.
O ius gentium surge na resolução do casos concreto, a partir do sec III surge o problema em
saber q solução o pretor aplica se uma das partes é um cidadão romano e outro não o é. A
solução não podia ser do drt romano e tb não podia ser a do peregrino, cria-se então o pretor
peregrino para resolver estes problemas, encontrando uma solução, podia basear-se em
casos já resolvidos, o edito do pretor anterior (copia das soluções q se vão fazendo),
jurisprudentes.
O ius gentium surge da necessidade de criar soluções para problemas jurídicos em q não se
pode aplicar ius civile. Faz sentido manter o ius gentium até ao edito caracala, pois a partir
daqui são todos cidadãos por isso não faz sentido aplicar o ius gentium pq se pode aplicar a
tds o drt romano.
O ius gentium permitiu ao ius civile q ele pudesse adaptar-se, tornar-se mais flexível, ser
menos formal e mais adequado. Ele foi um dos factores q permitiu a mudança do drt romano.
O ius gentium não morreu, pq ele foi construído numa logica destas, tem de bater smp nos
momentos q são comuns aos vários ornamentos. Após a queda do império do ocidente,
começou a ser entendido como sendo tendencialmente universal, um drt q reune o q é
comum a tds os ornamentos. Ganhou raízes no pensamento medieval e na baixa idade media
e encontramos esta definição nas fontes cm sendo o drt comum da humanidade, onde estão
alguns princípios coincidindo ou não com o drt natural.

Regras definidas pelo pretor peregrino:


 Decisões anteriores
 Critério que o pretor encontra (justiça)
 Equidade
 Direito natural (substrato comum que se aplica a todos: vocação universal) trata-se de
direito interno.
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Introdução

As relações internacionais são as relações que se estabelecem entre entidades com


personalidade jurídica internacional. Em 1648 assistimos à Paz de Vestefália que se trata de
um conjunto de tratados que põe fim à guerra dos 30 anos. A partir daqui podemos falar na
modernidade do direito internacional público, porém a professora não concorda que seja aqui
que começa. Devemos olhar para os autores da segunda escolástica, nomeadamente
Francisco de Vitória.
Em 1815 assistimos ao Congresso de Viena que põe fim à expansão das invasões francesas.
O século XIX é um seculo muito rico para as relações internacionais, o direto pensado como
direito europeu até 1856.
Os descobrimentos e a reforma protestante são dois marcos importantes para compreender
as relações internacionais.
A partir do seculo XVII o estado é o principal actor das relações internacionais. Ate aqui
encontramos outras configurações diferentes de estado. No seculo XIX assistimos à
arbitragem internacional.

Revolução francesa e Congresso Viena de 1815

Princípio legitimidade Como é que a Europa responde aos novos desafios do


liberalismo?
Princípio autodeterminação
Princípios que se opõem Princípio da nacionalidade

A segunda escolástica
Direito das gentes é diferente de direito internacional público (este conceito surge no seculo
XVIII com Benten: law of nation não é usada por Benten, mas sim lei internacional).
No seculo XVI tenta-se autonomizar direito das gentes do direito natural. No direito
internacional há uma fonte direito que vai contribuir para as discussões internacionais: direito
canónico.
Doutrina da guerra justa: Santo Agostinho, doutrina desenvolvida pelos teólogos medievais. O
pensamento de STA tem uma influência Aristotélica (escolástica medieval).
As relações internacionais são pensadas em sintonia com a teologia e com a filosofia. Não nos
esqueçamos que os juristas são simultaneamente teólogos, ocupando-se estes de temas
jurídicos. O direito positivo encontra-se vinculado ao direito natural.
O Imperador do Sacro-Império à época dos Descobrimentos consulta teólogos sobre aspectos
decisivos da colonização na América.
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Pensarmos a história das relações internacionais implica referir os autores da segunda


escolástica, estes autores entre os seculos XV a XVII procuram expor uma teoria global da
sociedade e do estado.
O papa Alexandre VI em 1493 declara que alguns territórios a descobrir pertencem a
Espanha, porém mais tarde em 1494 Portugal e Espanha assinam o tratado de Tordesilhas
onde partilham as descobertas ocidentais.

A segunda escolástica representa o pensamento de STA tendo em consideração:


 Retomar o gosto pela antiguidade (humanismo), onde se reliam os textos de
Aristóteles,
 Preocupa-se em resolver questões concretas/ práticas, debatendo os problemas que os
reinos ibéricos se debatem.
Consequência dos Descobrimentos
(coloca à teologia vários problemas: relação que se estabelece
com o novo mundo)

Os professores de teologia começam a discutir estes problemas.

Carlos V, Rei de Espanha e Imperador do Sacro Império em 1550 ordena a uma Universidade
Espanhola que os professores acabem com as questões da legitimidade das Américas.
Afirmando que a questão deveria ser discutida numa junta fechada (1550/1551):
 Bartolomeu de Las Casas (defensor dos Índios)
 Sepulveda (defende a tese da escravidão por natureza Aristotélica)

Em Portugal em 1532, D. João III cria a Mesa da consciência e são discutidas as questões
relativas à colonização do Brasil.
A organização politica procura institucionalizar estes problemas (governante autolimita-se
para discutir estes problemas).

 Francisco de Vitória

Dominicano, estuda teologia em Paris, o grande nome era STS (seculo XIII). Vitória quando
regressa a Salamanca para dar a cadeira de PRIMA substitui o manual: Suma teológica de STA
(obra que recebe o pensamento de Aristóteles).
Vitória sofreu influência de Aristóteles por si e pela obra de STA (discussão de temas
importantes: índios e elaboração do comentário à Suma teleológica).

Aristóteles diz-nos que o homem é um animal político, homem tem uma predisposição para
viver em sociedade. Temos um guia que nos força a conviver, precisamos de regras para
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regular a vida em sociedade. Para Vitória todos os homens têm esta vocação para se
relacionarem – regra de direito natural.
Há uma tendência para nos organizarmos em comunidade, assim todas as comunidades
políticas têm necessidade de conviver e se organizarem numa comunidade superior – ORBE.
Se uma comunidade politica tem como finalidade prosseguir o bem comum, a comunidade
politica internacional tem como finalidade prosseguir o bem comum de todas as comunidade.

Partimos de uma ideia de uma comunidade politica universal.

Vitória é original no seu pensamento à época quando preconiza a ideia de que o mundo é
igualmente uma comunidade política regida por regras comuns. Estas regras comuns
constituem o direito das gentes, direito universal de todo o género humano, na tradição do
direito romano.

O sentido q mais nos interessa é aquele q surge no inicio do seculo XVI com Francisco de
Vitoria q pegou numa definição romana e ao mudar uma palavra, muda o conceito de ius
gentium, aparece como ius inter gentes (povos). Vitoria constrói algo novo.
Estamos no início do seculo XVI, com os descobrimentos procuram-se novos territórios
noutras partes, assim sendo, há alguém q sai da respublica cristiana, dentro ela as normas
estavam bem definidas e tínhamos uma instância de recurso máxima (pápa).
Para a professora o drt internacional público não nasce só no seculo XVI, pois há algumas
regras q se aplicam nas relações entre diferentes comunidades politicas.
O paradigma só pode mudar qd certos europeus se passam a relacionar com outros povos q
não são os do “livro” (não são muçulmanos nem judeus). Estava smp pressuposto q os judeus
ou os muçulmanos eram infiéis pq podiam ter aderido à fé cristã e não o fizeram. Os povos
que se vão encontrar noutros continentes são povos q desconhecem a religião cristã, pq
nunca tiveram contacto com estes ensinamentos e por isso não são chamados infiéis, serão
chamados gentius.
Este ius inter gentes é essencialmente o direito q se aplica nas relações com os povos
gentiuns, nasce para isso.
Vitoria tinha noção do q se passava no terreno, ele sabe pq ele aprendeu num colégio q era
um colégio onde saiam missionários com destino ao Novo Mundo. Ele tem conhecimento do q
os Espanhóis estão a fazer aos Índios (surge unificado pq ele vê o q os espanhóis fizeram mal,
ele não faz distinção entre as diferentes tribos e civilizações). Estava a ser tomado tudo o q
era dos Índios com violência. Os espanhóis podem fazer guerra aos índios? Podem ocupar as
suas propriedades, escravizá-los? Vitoria é da 2ª escolástica, é um movimento q surge pela
década de 20/30 do seculo XVI e q vai ate 1617 (morte Suarez). Movimento de autores
portugueses e espanhóis e q recuperam o pensamento de são tomas de aquino, deturpando
mais o seu pensamento o adaptam ao seculo XVI, moldam aos problemas do seculo XVI,
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Vitoria mais próximo de STA e Suarez mais longe de STA. A península ibérica é o bastião
católico da europa.

Os textos de Vitória tratam da ocupação das Américas pelos espanhóis:


 1ª Lição sobre os Índios: nesta lição, Vitória constrói um aspecto – direito natural de
comunicação. Saber se os índios eram legítimos senhores das suas coisas. Existe uma
configuração de títulos não legítimos (aos olhos de Vitória) para os espanhóis ocuparem
aquelas terras. Direito das gentes tem força de lei, é vinculativo. As regras que se
aplicam às relações entre estados, não depende só deles porque existe uma
comunidade política universal.
 2ª Lição sobre a guerra

Direito próprios do ius gentium:


 Direito de sociabilidade e comunicação (todos os homens independentemente da sua
religião têm direito de propriedade).
 Princípio da liberdade do comércio.

A partir de meados do seculo XVI temos os autores identificados como católicos, os da contra
reforma, eram lidos com preconceito.

Francisco Vitoria: 1483-1546


Francisco Suarez: 1548-1617

Contexto novo com dúvidas novas a q é preciso responder com o aparecimento da reforma
protestante.
Pensamento de Vitoria orientado para fora da Europa juntamento com outros autores desta
primeira fase da segunda escolástica (Domingos Souto).Esta ideia de sair para fora da europa
é mt típica daquele início de seculo XVI em q a PI está a sair para fora. Depois as coisas
mudam, não há um alargamento do ius intergentes para fora da europa.
Porquê?
 Problemas q correspondiam ao momento inicial do processo de colonização (podemos
ocupar os seus territórios, podemos dominá-los, etc). Estas perguntas foram resolvidas
no terreno por sim podemos fazer isso tudo. A legislação régia é mt vezes protectora
destas populações, pq há uma pressão mt forte por parte dos jesuítas para q assim
seja. O q sucede é a ideia do facto consumado.
 Encontramos no início do seculo XVII, a ideia de q na presença do facto consumado é
preciso reduzir os danos ao mínimo, mas os outros problemas deixaram de se colocar.
 Ao longo da segunda metade do seculo XVI a europa volta-se para dentro por causa
dos conflitos internos: católicos e protestantes.
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Gaio: “Quod naturalis ratio inter omnes homines constituit, vocatur ius gentium” (aquilo q a
razão natural estabelece entre tds os anos, chamamos ius gentium: o ius gentium é aquilo q é
estabelecido cm direito entre todos os homens pela razão). Para Vitoria este é um direito da
orbe (comunidade das comunidades: comunidade de tds os estados). Nas lições de Vitoria
encontramos o conceito de orbe, de ius inter gentes, etc. Vitória vai buscar a concepção
tomista de concepção politica (poder politico é autónomo do poder espiritual. Este poder
temporal pertence a todas as comunidade politicas independentemente da sua religião).

Vitória vem dps justificar a possibilidade de domínio. Pq? Talvez pq se sentiu pressionada, etc.
Vitória coloca dps possibilidades condicionais de domínio se se verificarem uma serie de
circunstâncias, ao contrário de Las Casas q diz q em circunstância nenhuma se poderá fazer.
Ele considerava q o ius inter gentes tinha princípios específicos e q eram aplicáveis a toda a
orbe, ou seja, há certos direitos q qq povo tem relativamente aos outros povos.

Títulos legitimos:
- Direito de comunicação natural (direito q tds os povos têm de livre circulação, livre escola
cidadania, etc), se por acaso os índios impedissem os Espanhóis de exercerem este direto
podíamos ter um motivo para a guerra justa.
- Violação do direito de marginalização (índios não podem impedir os missionários de pregar,
não são é obrigados a converterem-se e se os impedirem de pregar voltamos a ter um motivo
para a guerra justa).
- Escolha voluntária e livre de um outro rei
- Atribuição aos convertidos de um Príncipe cristão
- Há certos crimes/ leis ou práticas q são de tal forma cruéis para aquela população/
comunidade q podem justificar uma intervenção armada por parte dos espanhóis
Apesar de tudo Vitória entendia q se houvesse justa causa dever-se-ia smp encontrar uma
solução pacífica.
Está a construir o ius inter gentes e a construir princípios de drt das gentes. As lições querem
rsp aos problemas da altura, ele acaba por construir teoricamente drt das gentes e princípios.
A guerra dos 30 anos é um conflito paradigmático pq começa por ser um conflito entre
protestantes e católicos mas depois a partir de uma certa altura temos estados católicos e
protestantes de um lado e outros do outro, o q temos é um conflito entre Espanha e França.

 Francisco Suarez

Suarez está mt mais empenhado em seguir o pensamento de STA em por exemplo depor o
seu rei, pq o poder político reside na comunidade. Há um recentramento do problema q estão
a ser discutidos, mas nunca voltamos para trás após Vitória.
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Desenvolve em parte o pensamento de Vitória e introduz algumas novidades. É jesuíta e


chegou a estudar direito canónico, mas não conclui o curso, porque ingressa na companhia de
jesus. Doutora-se em teologia em Évora e leciona em Coimbra.
Está mais liberto do pensamento de STA e Aristóteles por não ser dominicano e por isso
insiste na ideia de que o conceito de direto se baseia mais numa vontade (corrente
voluntarista) do que numa ideia de razão. Os autores discutem se a lei eterna provem de um
elemento voluntarista (raízes em Santo Agostinho, defende que a lei eterna corresponde à
vontade de Deus. Valorização do elemento da vontade.) ou racional (deus não pode deixar de
querer o bem, Deus depois imprime no coração dos homens). STA é um racionalista, entende
direito natural baseado na razão. Suarez diz que a lei baseia-se num pressuposto racional,
mas o elemento mais importante da lei não é o facto dela ser racional, mas sim ser o produto
de uma vontade. Embora os dois elementos sejam importantes, o conceito de vontade é
definidor. Daqui nasce a sua distinção do direito das gentes. Suarez está preocupado em
esclarecer o que ele entende ser o direito das gentes. Para Suarez o conceito de direito das
gentes é uma ponte entre direito natural e lei humana, tendo características que o aproximam
de um e de outro. Para Suarez há princípios de drt natural (eternos, perfeitos e imutáveis) que
são tb princípios de drt das gentes. Consensus gentium é talvez o que aproxima o direito das
gentes do direito humano. O direito das gentes está entre o direito natural e humano mas ele
enquadra no humano, pois tem por base o conceito de consenso dos povos, esta cria o direito
das gentes. Direito das gentes para Suarez pode ser alterado, por isso é que não é direito
natural.
Suarez reconhece que há um conjunto de direito das gentes que são próprios do direito
natural, mas o ius gentium não se reduz a esses princípios.
Retoma o pensamento de Vitoria sobre a sociabilidade das comunidades políticas, Suarez
destaca a necessidade que as comunidades políticas têm, há uma interdependência e essas
relações são estabelecidas com as regras que o direito das gentes estabelece.
Realça um outro aspecto que é uma distinção entre direito das gentes externo e interno.
Suarez antecipa uma distinção e concretiza a distinção que Vitoria já tinha feito. Quando
falamos de ius gentium podemos falar de dois conceitos diferentes: relações que as
comunidades políticas estabelecem umas entre as outras (conceito de direito público), em
oposição a outro preceito que são comuns às várias comunidades políticas.

Os contextos de Suarez e Vitoria são muito distintos. A ideia de q há uma escola q se


identifica com a segunda escolástica e q parte do pensamento de STA, tb a atitude q os
primeiros têm relativamente o texto de STA e a posição q os segundos têm é bastante
diferente. Há pontos comuns, mas eles chegam ou não para falarmos de uma só escola?
Há também pontos comuns da segunda escolástica e da escola jusracionalista, oficialmente
começada por Grócio. Talvez Suarez e Grocio estejam mais próximos que Suarez e Vitória.

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Grocio contribui para uma secularização do direito, introduz este elemento no conceito de
direito natural. O direito natural é tudo aquilo que sabemos que podemos ou não fazer porque
somos homens, através da razão. Mesmo se deus não existisse o direito natural continuaria a
existir. Este argumento é dado pelos autores católicos da segunda escolástica (Vasquez).
A obra de Grocio serve aos estados, é uma obra prática, serve para os governantes quando
querem fazer a guerra ou a paz, essa não é a preocupação de Suarez (obra mais teórica). A
obra de Grócio destina-se ao direito das gentes. Grocio é uma figura conhecida em toda a
europa, Suarez não tem tanta projecção internacional. Grocio é um prodígio, nasce num
contexto muito turbulento em que o país que ele habita, a Holanda declara a sua
independência aos Espanhóis. Criança educada nos cânones humanistas, milagre da Holanda.
É um jurista mas também historiador, teólogo. O mar não pode ser apropriado, todos os povos
podem navegar e estabelecer relações de comércio, é o que permite com que a Holanda
prospere do ponto de vista económico.
A Holanda é uma nação calvinista, Grocio envolve-se numa controversa religiosa, é preso por
18 meses. Foge da prisão e vai para Paris e é lá que Grócio vai terminar a obra De Iure Belli Ac
Pacis em 1625. Grocio em 1635 é convidado pelo PM Sueco para ser o seu embaixador em
Paris. Grocio quando se desloca da Suécia para a Alemanha morre em 1645.

Há uma distinção fundamental: direito das gentes natural (contem preceitos de direito
natural, aplicam-se sempre) e direito das gentes voluntário/ positivo (direito das gentes
humano, corresponde ao direito que o estado estabelece entre si e que tem uma origem
humana).
A vontade juridicamente entendida tem um papel mt importante da concepção moderna de
direito das gentes (a vontade do estado), na contraposição entre Vitoria e Suarez é mt nítido.
A questão do contexto histórico explica bem a diferença q se faz em termos jurídicos, há uma
major relevância na definição do direito e na forma como encontramos as regras jurídicas. A
ideia de uma vontade na construção jurídica acompanha a necessidade de fazer afirmar
poderes emergentes. Há mais propensão para se valorizar uma linha em q o direito deriva da
actuação dos sujeitos, mais marcado no início do seculo XVII. Resulta a autonomia política de
cada uma das comunidades.

Há uma mudança nos sujeitos, Vitoria falava de gentes como comunidade politica. Quando
Suarez e Grócio já não encontramos os povos. O nascimento do direito das gentes e do estado
é paralelo, o estado não é a única forma de organização politica, não foi sempre assim.
Escolhemos começar no seculo XVI, mas há todo um passado relevante. Quando vemos surgir
o estado, estamos já no fim de um caminho e no início de outro.
No início do seculo XVII temos a ideia de relações entre estados, Suarez não usa esta
designação, mas qd ele fala de comunidade perfeita está a falar de estado. Durante muit tmp
Grocio foi considerado o pai do DIP, pq Vitoria e Suarez ficaram excluídos? Grocio foi muito
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mais lido posteriormente e muito mais traduzido daí ele há uns tempos ter sido considerado o
pai do DIP. Quando falamos do seculo XVI e parte do seculo XVII estes autores são autores de
países q têm um peso muito grande nas relações internacionais mas depois isto vai deixar de
acontecer, vão afirmar-se novas potências e estas entram em decadência.
Grocio nunca disse q podíamos contruir um direito sem um substrato teológico, encontram-se
aspectos em q Grocio está próximo de Suarez. Todos estes autores eram teólogos, mas era a
teologia a base de tudo. Todas as grandes questões do direito eram discutidas na teologia.
Grócio é diferente, é alguém q apesar de discutir estas questões, a visão de Grócio é uma
visão que é uma visão mais orientada para o problema jurídico. A posição dos Espanhóis e
Portugueses é a de que o mar deveria ser deles, Grócio tem uma posição oposta, diz q o mar
é livre, é de todos. Grocio coloca os problemas de outra forma, ele vai inovando a segunda
escolástica. Estamos em plena guerra religiosas e Grocio quer q o direito das gentes possa ser
alicerçado no direito natural, possa ser construído a partir das normas consuetudinárias nas
relações entre os povos e nos tratados. Há um problema religioso, e Grocio quer construir um
direito em q se possa superar as divergências religiosas, o estado se possa afirmar pelas
relações internacionais independentemente da posição religiosa, as relações possam
estabelecer-se sem a tutela papal. Importa estabelecer um novo direito, direito q possa
abarcar novas realidades q se afirma apos a paz de Vestefalia.d entro de cada estado é o
soberano desse estado q define quais as religiões q podem ser praticadas. O q sobra para o
súbdito: converter-se ou sair do país. Passa a ser assim de forma evidente. A paz de vestefalia
não trás liberdade religiosa.
Grócio parece mais pratico na abordagem, são sempre questões concretas. A doutrina do mar
é livre não é da origem de Grócio. Há uma preocupação com a dimensão externa mais
profunda, em Grocio há uma preponderância muito grande nas fontes e a forma como se
interpretam. Actuação marcada pelos agentes políticos, comunidade politica perfeita, há uma
plena autonomia política. Há um poder politico determinado. Vitoria entendia q encontramos
um direito das gentes independentemente de encontrarmos um poder politico, não há uma
concepção positivista do direito, no seculo XVII esta concepção é mais visível. Maior
preponderância pelos aspectos positivos. Podemos identificar a origem das regras com a
razão (Grócio).
Grócio é muito utilitarista, é pragmático, tem q existir um direito das gentes pq nenhum é tao
poderoso q sozinho possa fazê-lo. Para Grocio parte tudo mais de uma avaliação formal,
preenchimento ou não dos requisitos.
Ao avançar no seculo XVII avançamos para uma concepção de direito das gentes q é cada vez
mais uma concepção de direitos entre estados, há comunidades políticas q não são para
Suarez, Grocio ou para Puffendorf e q seriam para Vitória. O actor das relações internacionais
é o estado.

CONSTRUÇÃO DO MUNDO MODERNO


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2. Estado, razão de Estado e soberania nas Relações Internacionais

O triunfo dos estados soberanos


A temática das relações internacionais não poderá ser exclusivamente abordada somente a
noção mais objectiva das relações entre povos, não podemos descurar os aspectos que
envolviam a Europa nos seculos XVI, XVII e XVIII. Os descobrimentos, as guerras cristãs entre
outros factores condicionaram as relações estabelecidas entre os povos e tiveram uma
importância fulcral para o desenvolvimento das relações internacionais.

Estado e soberania
O conceito de estado não surge pronto no início do seculo XVI, o que sucede é que o
renascimento vai procurar a racionalização da vida politica. Maquiavel é considerado o autor
que usa o conceito estado na época moderna, exprimindo esta mutação da organização
política efectiva. Se na obra de Maquiavel encontramos este conceito moderno de estado,
quando ele escreve sobre as guerras em Itália, ele vai usar a palavra estado de uma forma
muito impropria, que não corresponde ao conceito moderno de estado, muitas vezes ele fala
de governante e fala de alguém que parece ser o dono do estado e isto não é compatível com
o conceito moderno de estado. O conceito vai-se contruindo nos seculos anteriores, vemo-la
também em termos práticos. O Estado a partir do seculo XVI passa então a designar a
organização política e jurídica de que uma comunidade de homens tem necessidade sobre o
seu próprio território. Passa então a existir uma comunidade de estados soberanos onde as
relações travadas entre eles passa a ser disciplinada por regras precisas como tratados ou
acordos. Apos Maquiavel vamos assistir à construção do conceito de ciência do estado e
posteriormente ao conceito de direito publico como direito do estado.
A concepção patrimonial de estado (reino é da posse do rei) é diferente da concepção
moderna de estado. A concepção patrimonial começa a ser cada vez mais comprometida a
partir dos seculos XXI, XXII. O governante não é o dono do território que governa e tem a ver
com uma ideia que surge no direito canónico e com a ideia de ministério: o ministro é alguém
que serve, o ministério é o serviço. O papel de autoridade máxima dentro da igreja tinha sido
pensado como um serviço: o rei serve o reino. A ideia de serviço/ ofício é uma ideia que
começa a chegar aos autores do pensamento politico e começa a ser importante na
separação de esferas (património da coroa e o património do rei).
Ao lado da concepção patrimonial de poder existiu igualmente uma concepção paternalista,
onde a função do rei é o de pai da pátria e os seus poderes funcionais deveriam ser exercidos
em benefício dos cidadãos e não no seu próprio benefício.
Antes de termos estado temos reino, coroa num sentido que se vai gradualmente
aproximando do que vai ser o estado, associada a uma concepção não patrimonial mas
também com aquilo a que Bodin (seculo XVI) vai chamar de soberania, exprimindo assim o
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poder superior na ordem temporal. Apesar de Bodin nos falar do poder do príncipe, os autores
posteriores vão considerar soberania uma faculdade do Estado, explicando assim o
funcionamento da sociedade internacional. A construção só fica completa no seculo XIX com o
estado liberal, há um caminho que antes de vai fazendo.

Os autores medievais compreendem que a jurisdição aderia ao território, ou seja, a soberania


do Estado tem como limites as suas fronteiras, e neste sentido, o problema que surge à época
é o de saber qual é então o estatuto dos vastos territórios que não estão associados ao
território de um estado já construído. Neste sentido, não pertencem à soberania do Estado
nem se poderá aplicar o direito publico interno.
Bockenforde assinala que o nascimento do Estado constitui um processo de secularização do
poder. Alem desta máxima, a personalidade colectiva do estado exigiu a sua representação
através de órgãos ou sujeitos, traduzindo a ideia de que o estado actua através dos seus
órgãos (embaixadores, juízes).
Quem assina o tratado são os estados e não o sujeito, a vinculação dura para lá da vida
daquelas pessoas. A ideia de continuidade tem origem no pensamento medieval depois vai-se
juntar às outras ideias (conjunto grande de acontecimentos e ideias que se juntam) que
funciona para construir novos conceitos que surgem naturalmente.
A razão de estado é logo apropriada por aqueles que a defendem e por aqueles que a
criticam.
A ideia de Maquiavel de que os fins justificam os meios para a manutenção do poder político
causou escândalo porque era a defesa de uma conduta que toda a gente sabia que existia
mas que não podia ser defendida. No fundo a novidade de Maquiavel é só essa. Os autores
que criticam identificam uma boa razão de estado, uma boa forma de actuar e que é útil,
correcta e juridicamente legitima.
Estes conceitos espalham-se rapidamente porque partem de realidades anteriores, são
assimiladas muito rapidamente. Porem a palavra estado não vai ser sempre usada da maneira
que hoje a entendemos.
Na transição do seculo XVI para o seculo XVII dá-se a inserção deste conceito. Ao contrário de
Vitoria que admite que qualquer comunidade politica pode participar na orbe, Suarez afirma
que só as comunidades perfeitas.
A partir do momento em que temos estados com soberania externa temos que falar em
igualdade jurídica. O problema do estado e da soberania não está resolvido.
Hobbes e Hegel negam a existência de DIP pq não há nenhuma entidade que possa julgar.
Hegel entendia que o DIP era direito interno, pq só esse tem associado a si próprio uma
coerção.

Vitoria, Suarez, Puffendorf, Grócio consideravam que o ius gentium não era um direito interno
mas sempre um direito internacional.
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Se no seculo XVI os expoentes europeus eram Portugal e Espanha, no seculo XVII há uma
clara ascensão de França que trás o conceito de razão de estado, com forte implicação nas
relações internacionais.

Porem, uma doutrina geral do Estado surge apenas no seculo XIX, apesar dos vários
elementos, como povo, território e poder politico já se encontrarem presentes na doutrina
anterior. A construção plena destes elementos não foi imediata e associada a eles estão
também presentes elementos sociológicos e psicológicos, tornando assim possível o
aparecimento da consciência nacional e da ideia de nação. Os estados não aceitam poderes
superiores na ordem temporal, sendo assim fácil perceber que a ideia de soberania permite
explicar a recusa da subordinação a poderes externos sobre o seu território e população.

Evolução do conceito de estado

A criação do conceito de estado não surge apenas com Maquiavel, e a criação deste conceito
não foi algo imediata, foi acompanhada de importantes transformações institucionais. A
transformação do conceito de casa real para o conceito de estado foi progressiva e
acompanhou igualmente as transformações que se viviam à época.
Na idade media as instituições tinham como foco a defesa, a justiça, a administração do
património régio e da casa real e a cobrança de receitas. Apenas no final do seculo XVIII
assistimos a um alargamento das funções do estado (segurança, educação, assistência).
Existe uma clara reflexão de como obter o poder e qual a dimensão adequada do Estado
(forma como é mais fácil conservar o poder). Esta consciência terá influência no princípio do
equilíbrio político que vem de Vestefália. Para conservar o poder há que manter o equilíbrio,
de modo a que não existam Estados hegemónicos.
Vestefália representa o triunfo da diplomacia moderna. O segredo de estado vai ser objecto
de discussão. Ate onde o governante pode ir? As fronteiras são ténues, há uma forte aposta
na espionagem (obter informações sobre os outros estados), esta valorização do segredo irá
ser depois criticada, a actuação do estado deve ser pública, mas nesta altura a informação
era confidencial. O segredo de estado traduz-se então por um conjunto de informações que é
da reserva estrita do rei e dos seus conselheiros. Golpe interno (poder governante tem para
obter mais poder. A valorização do segredo associado à espionagem – comunicações podem
ser intercetadas, por isso há mensagens cifradas para que não sejam conhecidas. Importância
do papel dos embaixadores e uma clara desvalorização do papel da moral, preocupação
excessiva em engradecer o papel do rei.
A economia política pretende obter fórmulas práticas para obter o engrandecimento do
Estado, há uma valorização da economia, cria-se um sistema fiscal coerente. O Estado exerce
assim um papel activo na economia, permitindo a celebração de tratados de comércio (obter
recursos diferentes, obter fontes de riqueza da forma mais prática).
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Existia uma cláusula da nação mais favorecida, onde o Estado que a concede vai beneficiar os
mesmos direitos que tem a nação maia favorecida.

Princípio do equilíbrio: desaparece o poder do imperador e do Rei. É um critério para a paz,


podendo ser necessário fazer a guerra. Princípio adoptado para organização comunidade
internacional, onde todos eles ao estados soberanos.

Manifestações do princípio do equilíbrio depois da Paz de Vestefália:

1659 Tratado dos Pirenéus entre Espanha e França (importante papel no contexto das RI).
Valorização da guerra – Luís XIV: valorização por vários conflitos europeus, exemplo máximo
da ideia de razão de Estado.

 1º Conflito 1667-1668 Guerra da Revolução


Dote não é pago, por isso os direitos sucessórios da mulher teriam que ser devolvidos.
Espanha não paga e Luís XIV invade territórios Espanhóis, mas não consegue pois forma-se
uma aliança contra ele, a Holanda coliga-se com a França.

 2º Conflito 1672-1678
França ataca a Holanda. Significa o fim dos países baixos, como a grande potência marítima
do seculo XVII.

 3º Conflito Guerra Palatinado


Avanço das fronteiras francesas para lá do Reno.
Portugal não participa em nenhum destes conflitos. O primeiro conflito em Portugal aparece
no século XVIII na guerra da sucessão Espanhola. Havia pretensões por parte do Rei de
França, bem como do Imperador do Sacro Império.
Carlos II quando morre designa o neto de Luís XIV para seu herdeiro, Filipe Duque de Anjou, o
que vai determinar uma reacção por parte do Império, formando-se uma grande aliança,
constando aqui a presença de Portugal.
Este conflito tem como resultado a subida de Filipe de Anjou ao trono Espanhol. A guerra
termina com uma conferência de paz. Este tratado tem textualmente previsto o princípio do
equilíbrio na Europa (concretização efectiva escrita).
Espanha perde os seus territórios fora da península, depois desta guerra. Há um
fortalecimento da Áustria por ser o detentor de vários territórios a que a França teve que
abdicar pela subida do Duque ao trono.
Em 1688 assistimos a um triunfo marítimo e comercial por parte de Inglaterra. Há uma
importação do modelo Holandês para Inglaterra, fusão entre a Holanda e Inglaterra e explica
o porque a Inglaterra se torna o principal adversário de França.
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A igualdade dos estados na sociedade internacional

Se ficou assente que os estados são soberanos no plano interno, são igualmente sujeitos da
sociedade internacional com consequente igualdade no plano internacional. Assim, os
deveres a que os estados se encontravam adstritos e os direitos que podiam gozar na
sociedade internacional tinham a mesma medida para todos os estados.
A admissão de um estado na comunidade internacional é feita através do seu reconhecimento
pelos estados já existentes nessa comunidade, exprimindo assim a intenção de se
estabelecerem relações diplomáticas com o novo estado. Não havia qualquer legitimidade
política nem jurídica para uma intervenção dos estados nos assuntos internos de outros
estados.
Não existia entre os estados quaisquer vínculos de subordinação a poderes superiores, como
também não existia um órgão comum que regesse as relações entre estados, a doutrina é
levada a valorizar o papel dos estados soberanos, independentes e iguais como seus sujeitos.
A sociedade internacional é compreendida por uma associação de estados soberanos, sendo a
solidariedade e a procura da paz que justifica a sua existência.

Os estados não cristãos e a relação com os estados cristãos

Com os descobrimentos a sociedade internacional depara-se com outro grande problema e


surgem ouras importantes questões, não se resumindo o problema apenas a saber se é lícito
fazer guerra aos povos conquistados (problema da guerra justa) ou se é lícito apropriarem-se
dos seus bens (problema dos títulos de aquisição territorial). Para a teologia o problema é
mais denso e vasto, procurando assim os teólogos a busca de critérios gerais que
procurassem resolver estes e outros problemas, constituindo assim uma preocupação da
segunda escolástica, bem como de outros teólogos e juristas europeus.

A soberania

A partir da idade media Bodin concretiza o conceito de soberania (é o poder absoluto e


perpetuo de uma republica) em duas máximas:
 O rei é o imperador do seu reino
 Os príncipes não reconhecem superior

Desde o seculo XVI os territórios independentes vão atravessar profundas transformações


políticas, com uma legislação própria, uma organização judicial, uma administração e um
sistema de funcionários. No seculo XVII assistimos ao desenvolvimento da administração das
finanças, o exército e a diplomacia.
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Para Bodin a soberania é um poder pessoal do príncipe (poder legislativo, punitivo, judicial e
de fazer paz ou a guerra). São dois os atributos de soberania: é indivisível e é perpétua. A
concepção de Bodin em que soberania é o poder máximo na ordem temporal, coloca-nos
perante o problema das regras que podem vincular os governantes no plano das relações
internacionais, na falta de uma autoridade temporal comum. Bodin reflecte sobre dois temas
essencialmente:´
 Os tratados devem ser respeitados pelos estados como instituto próprio do direito de
paz (pacta sunt servanda)
 A negociação deve assentar na fé da palavra de cada uma das partes

A guerra devera sempre ser evitada, através da preparação de um exército permanente e da


fortificação de fronteiras.
Este conceito introduzido por Bodin, nas relações internacionais preconiza a ideia de
personalidade jurídica internacional do estado, como direito de dirigir as relações
internacionais sem dependência ou subordinação a outro estado.

O território e as fronteiras do Estado

As delimitações geográficas no seculo XVI e ss são muito diferentes daquelas que hoje
concebemos. A delimitação das fronteiras resultava muitas vezes de acordos internacionais,
de arbitragem ou em caso limite da guerra.
Os príncipes absolutos da Europa vão utilizar os conceitos de Estado e soberania para
justificar a racionalização do espaço politico europeu.

A fronteira ganha duas dimensões especiais:


 Delimita a soberania do reino
 Estabelece os limites dos poderes fiscais e jurisdicionais

Todo e qualquer Estado é constituído por um território, é impossível conceber um Estado sem
território. A delimitação fronteiriça constitui um elemento definidor do Estado e do direito do
Estado.

O estado e Thomas Hobbes


O estado é uma ficção, é uma pessoa artificial/ moral, mantém-se, não morre, estado é
eterno, o que vai ajudar a compreender o problema das dívidas que o estado contrai, sendo o
estado eterno, tem uma obrigação política.
Hobbes é um opositor da teria política Aristotélica (valorização do conceito de natureza). Para
Hobbes o homem é egoísta, preocupação natural não é o bem comum. Todos somos iguais no
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estado natureza, poder é artificial. Existe um pacto individual reciproco em que todos
concordam em perder o direito de se auto-governar, criando duas novas entidades:
- Estado (leviatã)
- Soberano (alguém que representa a multidão)

Este soberano não tem vontade própria, representa a vontade da comunidade, uma vontade
fictícia para garantir a paz através desta pessoa moral (Puffendorf).

O mar e o problema da liberdade dos mares


Ao abordarmos a temática do mar, teremos que obrigatoriamente distinguir os limites do mar
territorial e o da jurisdição sobre o mar. Porém, neste período não existe uma clara distinção
entre estes dois conceitos.
Abordando a querela mare clausum – mare liberum, que teve uma especial importância à
época dos descobrimentos. Não só Portugal como outras potenciais que se iniciaram na
expansão ultramarina concebem a tese da doutrina do mar fechado. Porém países como
França ou Holanda vão afirmar a doutrina oposta, onde invocam o conceito romano do mar
como coisa comum a todos e impossível de apropriação particular. Este conceito trabalhado
pelos romanos, vai igualmente ser trabalhado pelos teólogos da segunda escolástica, indo no
mesmo sentido de que o mar é comum a todos, tais como a maioria dos autores
renascentistas e do barroco. Grócio em 1609 é dos principais autores que defendem esta
posição da doutrina de que o mar é uma coisa comum e insusceptivel de ser ocupada e de
que o seu uso é livre para todos os fins lícitos (pesca). Uma das teses que sustenta esta
posição é a comunicação natural entre os povos, que constitui uma exigência da sociabilidade
humana.
Os autores da segunda escolástica entendiam que a comunicação e comércio eram princípios
de direito natural, na medida em que são preceitos próprios que comandam a convivência do
género humano.
A jurisdição sobre o mar pertence ao Estado costeiro e estendia-se ate ao extremo atingido
pelo tiro de um canhão.

Consequências importantes da tese sobre a liberdade dos mares:


 Liberdade de navegação pacifica dos navios de todos os Estados, excluindo os piratas.
 Direito de pesca de todos os povos
 Repressão dos factos que violem os princípios gerais do direito das gentes.

Serafim de Freitas sustenta a tese oposta, onde consideravam juridicamente possível em


alguns casos conveniente a apropriação parcial ou o exercício de faculdades de protecção
sobre o mar alto.

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Títulos invocados pelos juristas portugueses para a pretensão dos reis sobre o monopólio de
comércio e navegação:
 Descoberta
 Ocupação
 Posse titulada
 Costume
 Bulas pontifícias
 Defesa da fé
 Protecção das populações locais

Razão de Estado
A procura de uma maior racionalização da política levou à formação do conceito: razão de
estado. O tema alusivo à dimensão dos estados continua a ser um tema debatido, devido à
independência perante as grandes potencias europeias, especialmente quando se trata de
estados vizinhos. Poderemos afirmar que a comunidade internacional tinha-se organizado,
tinham definido que não existiam autoridades superiores reconhecidas de cariz internacional,
havia-se afirmado sim um critério de equilíbrio entre os estados, sendo este o único que
permitira a paz.

Outro dos temas relevantes para os escritores da época prendia-se com a identificação de
critérios moralmente aceitáveis para a comunicação entre estados:
 Autores da razão de estado católica: submissão da política à honestidade, existindo
deveres de verdade não só de pessoas como dos estados.
 Seguidos da má ou maquiavélica razão de estado: a convivência e a utilidade do
estado poderia admitir a mentira, a fraude e a simulação.

Maquiavel nunca usou esta expressão, mas lendo a sua obra podemos encontrar a defesa de
alguns princípios que podem ser condizentes com o que chamamos razão de estado.
Giovani Botero usa esta expressão mas não foi o primeiro, porém o conceito de razão de
estado ganha enfase com este autor: conhecimento dos meios adequados à conservação do
poder.
Giovanni della Casa terá sido o primeiro autor a usar esta expressão em 1547.

O termo razão de estado foi usado em dois sentidos:


 Mais amplo: ligada aos escritos sobre a política: a acção de governar, tudo o que anda
à volta da polis. Pode viver com uma visão ética. Próximos do Aristotelismo político, na
sua perspectiva da vida boa como finalidade do estado.
 Mais restrito (mais conhecido): meios necessários à conservação do poder (Botero).
Afasta-se de uma razão moral e ética, cria-se a ideia de que quem governa pode utilizar
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todos os meios, mesmos aqueles que eticamente e juridicamente não são admissíveis.
O governante antes era um exemplo a seguir (idade medieval), é a imagem da virtude,
aquele que esta ao serviço dos outros. Nos autores políticos encontramos alguém que é
diferente, alguém que esta acima das regras que se aplicam aos outros. O governante
está num lugar especial por isso pode ter um comportamento diferente. Isto é o que é
novo em termos de discurso. Aqui a razão de estado ocupa-se de dois tipos de
problemas: 1) as causas da grandeza e da decadência dos estados; 2) modos e critérios
de actuação do estado, aptos para a sua conservação.

Um dos primeiros objectos da razão de estado é a conservação do próprio estado, esta


necessária à vida social do homem. Esta temática transporta-nos para uma outra essencial, o
do príncipe superior à lei.
A temática da conservação está também intimamente ligada com o conceito de conveniência
ou utilidade do estado, assim, a actuação do estado seria justificada desde que útil ou
conveniente. As ideias medievais dão assim origem a novas ideias, em que os fins se
resumem às conveniências do estado, ou seja, os meios necessários à sua conservação.
Neste sentido, os pensadores católicos chamam a atenção para a temática da moral e da
justiça na acção política, não devendo estas ser postas em causa por uma perspectiva
instrumental do poder político.

Ligação da razão de estado com o problema do segredo de estado (informações reservadas).


São ainda mais importantes em tempo de guerra. O dever de verdade é um dever evangélico,
mas há autores que fazem perguntas, criticando a razão de estado, pois há momentos em
que não se pode revelar tudo. O segredo de estado passa então a ser considerado como um
conjunto de acções imprescindíveis para a conservação da comunidade política. O que sucede
é que com a conjugação de todos estes elementos (segredo de estado, fim da utilidade)
contribui em grande medida para o desenvolvimento do absolutismo e a separação entre
político e direito.
Na crítica que encontramos nos autores que criticam a razão de estado restrita é muito dura,
severa e rigorosa. Ao lado desta razão de estado diziam que poderia construir-se uma boa
razão de estado, ela é compatível com a ética e a moral, direito, justiça.
A virtude da prudência mudou também, hoje vemos como cautela, mas na época medieval
era vista de outra forma, a prudência era vista como a capacidade de distinguir o que esta
certo do que esta errado. A prudência política é vista com uma capacidade de ajuizar o que é
ou não conveniente. Passamos de um critério de justiça para um critério de oportunidade/
utilidade. Isto é visto como uma visão protestante do mundo, há um preconceito ideológico. A
visão ética da política ligada à justiça e ao direito prevalece ate muito tarde na PI.

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Na PI continuamos agarrado á ideia tomista de que o poder esta ligado à comunidade politica.
O poder é entregue de deus ao próprio governante. É o rei que tem que ajuizar para que
serve o poder politico, não tem que dar contas à comunidade.
A razão de estado só pode existir pq se fez um caminho que permite q ela exista enquanto
tal.

A razão de estado católica


A preocupação desta doutrina prende-se em circunscrever a política à moral e ao direito, e
neste sentido, a condução dos assuntos de estado não poderia ser indiferente à ética e ao
direito divino.

Esta teoria vai encontrar no ambiente peninsular da contra-reforma o ambiente propício para
triunfar.
Há muitos autores católicos a teorizar a razão de estado. Surge por um teólogo católico na
corte de Carlos V.
A construção que os outros fazem acerca de uma teoria é que a fazem ganhar enfase (caso
de Mauiavel).

CONSTRUÇÃO DO MUNDO MODERNO

3. Paz de Vestefália

O papa e o imperador do sacro império (Itália, Áustria, Republica Checa, Hungria, Polónia)
desaparecem com a Paz de Vestefália.
Há um princípio do equilíbrio político.
A ideia com que ficamos é que no plano das RI é em Vestefalia que nasce o estado, a
soberania, cria-se o conceito de estado nação e que se defender e prepara o princípio da
tolerância religiosa. O que o autor tenta fazer é desconstruir todas estas afirmações. Acha que
Vestefalia é sobrevalorizada e não tem as consequências imediatas que muitos lhes atribuem.
Podemos afirmar que Vestefália marca a emergência da diplomacia como modo de regular as
disputas entre estados soberanos.
Vestefalia corresponde a dois tratados e que põem fim à guerra dos 30 anos. Não houve um
conflito permanente, há momentos de guerra. O problema começa por ser interno do império
e rapidamente os estados pequenos que compõem o império entram em luta com o
imperador e conseguem o apoio da Suécia e da holanda que estavam em guerra com
Espanha. Não estamos apenas perante um conflito entre católicos e protestantes, na verdade
quem esta em confronto são Espanha e França. Quando França entra na guerra entra ao lado
dos estados germânicos e da Suécia.

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Esta guerra foi muito devastadora, a paz é quase uma paz da exaustão, sem ter existido uma
vitória militar, há uma vitória politica para França. Os dois tratados são muito ambíguos em
saber qual é a situação dos estados. Formalmente vão ser dados alguns poderes aos vários
territórios. Os estados que eram soberanos, soberanos ficaram, não precisaram de Vestefália
para se afirmar. O conceito de estado nação é um conceito do estado XIX.
Ao legitimar a povorização atrasou a unificação da Alemanha.
Início do conflito com base religiosa que se conjuga com outras questões transformando-se
num conflito de potências.

Conflitos:
 Conflito de base religiosa: temos o imperador que é católico e tem o problema para
gerir de príncipes que aderem aos princípios de Lutero. Nas primeiras décadas há uma
tentativa de negociar o estatuto religioso, há uma situação de conflito que se tenta
negociar mas há desde logo um factor de rebelião. Pequenos conflitos exigem violência
civil, que exigem soluções jurídicas no plano politico para as questões religiosas. 1555
Paz de Ausgeburgo do ponto de vista religioso vem reconhecer alguma possibilidade de
acolhimento do luteranismo no espaço do império. O princípio estabelece que a religião
que é do território politicamente autonomizado que existem dentro do império, seguida
pelo príncipe deverá ser a religião adoptada pelos cidadãos. O príncipe pode escolher a
religião do seu território. Quem não quiser seguir esta religião terá que sair do
território. A conversão dos príncipes ao luteranismo traduz também um critério político
e económico. Quando há mudança de religião por parte de bispos, há uma
secularização do património. Há assim um atrativo para que estas mudanças
ocorressem. Princípio do reservado eclesiástico: há uma equiparação, mas aquilo que
for secularizado vai ter que ser devolvido. As secularizações feitas até 1552 terão que
ser revertidas. Terá que haver uma devolução do património. Esta regra não foi
aprovada. A religião é um problema político. Há uma quebra da fidelidade quando
alguém não segue a religião dos governantes. A paz de Ausgeburgo não consegue
resolve o problema interno do império. O papa não reconhece os imperadores que são
eleitos por príncipes protestantes. Começa o fim do império.
 Conflito contra o imperador
 Conflito de potências

Fase de equilíbrio
Há um reconhecimento de igualdade jurídica entre os estados depois de Vestefália. Diz-se que
o problema religioso está ultrapassado, mas a professora considera que não. Os estados
podem relacionar-se entre si independemente da religião que professam.

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Nenhum estado se pode tornar tao poderoso que tenha um domínio absoluto em que depois
não possa ser contrariado. É um problema porque vai necessariamente trazer a guerra. A
razão de estado está muito presente no estabelecimento de alianças.
Admite-se que em muitos casos é sempre preferível a paz, parece óbvio mas não é.
A guerra é o último dos meios a que devemos recorrer, há requisitos para a fazer. Há
momentos em que é mesmo preciso fazer uma guerra pq ela é uma forma de reposição da
justiça. Renunciar a uma paz injusta, a injustiça tem que ser resolvida através de todos os
meios possíveis antes da guerra, se existir um meio pacífico ele será sempre uma opção. O
pensamento medieval e em parte o moderno é incompatível com as injustiças.
Porque é que depois de Vestefália alguns autores (Grócio) fazem alguma concessão em que
há situações que podem não ser as mais justas mas que são equilibradas. O equilíbrio aqui é
um equilíbrio politico que consegue manter a paz pode ser preferível a paz mesmo que uma
paz não justa. O que pode justificar isto? O que sucedeu no seculo XVI e XVII na Europa.
Encontramos em Grócio o horror à guerra devido às guerras religiosas que ocorrem no centro
da europa. As consequências desta guerra são terríveis. Precisa-se encontrar um sistema que
mantenha a paz. Ate às invasões francesas não voltamos a ter um conflito de dimensão
europeia como a guerra dos 30 anos. Temos um equilíbrio que pode às vezes pender mais
para um lado e outras vezes pende mais para outro. França ate ao final do seculo XVIII não é
uma potência europeia que se possa afirmar como invencível por todas s outras. Nunca
assume um papel de potência europeia única até às invasões francesas. Este equilíbrio é fruto
dos conflitos anteriores e uma tentativa de não voltar a um conflito tao profundo como foi a
guerra dos 30 anos.

Análise ao texto de Luís Moita

A guerra dos 30 anos devastou a europa entre 1618 e 1648, traduz-se num conflito complexo
onde se interligam dimensões religiosas, interesses das potências da época, rivalidades
dinásticas e rebeliões dos príncipes contra o Imperador.

Existem muitos autores que consideram Vestefália como o momento de excelência da


transição da época medieval para a modernidade, de tal forma que há quem fale de Estado
Vestefaliano. Não poderemos de todo ignorar Vestefália, até porque ela é um marco da
história, porém não lhe deveremos atribuir certas designações, o autor esforça-se por
desconstruir ideias erradas e mitos acerca deste período:
 Vestefália não inaugura o conceito de soberania,
 Vestefália não representou a origem do Estado nacional territorializado
 Vestefália não fundou o moderno sistema europeu de Estados- nações.

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Falar de Vestefália implica falar obrigatoriamente da guerra dos 30 anos, aquilo que muitas
vezes se diz que esta guerra se traduziu numa guerra religiosa, não é verdade, na medida em
que esta guerra foi muito mais que um conflito religioso, traduziu-se num confronto entre as
potências da época, um choque entre interesses dinásticos a juntar a uma rebelião dos
príncipes alemãs contra o imperador.
Inevitavelmente esta guerra foi também um conflito religioso, importa esclarecer o que
sucedeu em 1517 quando Lutero afixa na Catedral de Wittemberg as suas 95 teses e o
enorme impacto que teve à época, assinalando a origem da reforma protestante. A maioria
dos príncipes alemães, o reino da Suécia e a generalidade da Escandinávia aderem a esta
nova religião. Paralelamente Calvino proclama uma doutrina próxima à de Lutero, espalhando-
se a sua doutrina pela Suíça, norte de França e pelas províncias unidas da flandres. Todos
estes príncipes irão unir-se numa liga contra o imperador do sacro império, Carlos V. Em 1555
em Augsburgo é assinado um tratado entre estas partes que reconhecia a liberdade religiosa
dos luteranos (acordo não abrangia os calvinistas). O que sucede é que depois de assinado
este tratado dá-se a Defenestração de Praga, concluindo assim que este conflito era muito
mais que uma simples guerra religiosa, traduzia-se essencialmente num conflito entre
potências da época. A Suécia ganha algum protagonismo na sua tentativa de enfraquecer o
imperador e afirma-se como uma potência neste conflito. França alia-se à Suécia, aos cantões
helvéticos, e a alguns Estados italianos numa tentativa de afronta ao imperador, mas
essencialmente contra Espanha. O Cardeal Richelieu era o então PM de Luís XIII e personificou
esta vontade, em que a razão de estado era justificativa, onde os interesses do Estado
superavam as solidariedades religiosas. A guerra dos 30 anos traduziu-se assim por um
conflito de base religiosa mas que significou um afrontamento entre as principias potências
europeias do seculo XVII.
Esta guerra como já vimos traduziu-se também numa rebelião contra o imperador do sacro
império. O sacro império romano-germânico foi uma forma peculiar de organização política
que prolongou o imaginário do império romano clássico. Em termos territoriais ocupava
essencialmente o espaço germânico com o epicentro em Viena, abrangia um enorme
território da europa central. Os príncipes que governavam as suas nações estavam
submetidos a uma dupla tutela: o poder espiritual (papa) e o poder temporal (imperador). A
Paz de Vestefália traduz a completa emancipação dos príncipes alemães face ao imperador e
representou uma vitória dos Bourbons contra os Habsburgos. O imperador passa assim a
desempenhar um papel de menor relevo neste processo de emancipação.

Esta paz foi consagrada por dois tratados assinados simultaneamente em 1648: tratado de
Munster e o tratado de Osnabruck. Em ambos os tratados um dos signatários é o imperador,
mas como os seus opositores se recusaram a encontrar-se, os tratados foram assinados
separadamente. Estes tratados tinham como finalidade por fim ao conflito religioso,
proclamando uma paz cristã, universal e perpétua. Porém, estes tratados não trouxeram
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liberdade religiosa, na medida em que, mesmo que ninguém pudesse ser perseguido pelas
sua convicções, cada um dos príncipes optaria livremente pela sua fé, e esta opção vinculava
os habitantes do seu território, mas os seus súbditos no caso de discordarem tinham que
emigrar, daí não se poder afirmar que se traduz numa completa liberdade religiosa.

Apesar dos tratados que assinaram a Paz de Vestefália terem precariamente pacificado a
questão religiosa, quase que aboliram a tutela do imperador sobre os príncipes, ter fragilizado
a dinastia de Habsburgos e ter fortalecido a França e a Suécia, não parece ao autor que o
conjunto de todas estas alterações se possa afirmar que estamos face a um sistema
vestefaliano.

 A ideia da razão de Estado


Apesar de nesta época as sociedades caminharem no sentido de uma centralização do poder,
na realidade o estado-nação nasce nuns casos antes e noutros casos depois de Vestefália.
Estes tratados também não inauguraram o estado laico, visto a laicidade ser um dos atributos
do estado moderno. Conforme anteriormente descrevemos existia a exigência de uma
confissão a uma comunidade política, na base do princípio cuiús regio, eius religio.

Vestefália está longe de levar à ideia definida e concreta de estado nação. Não nos
esqueçamos que conduziu à pulverização dos centros de poder político na faixa central da
europa, numa variedade imensa de principados. A unificação da Alemanha e de Itália deram-
se 2 séculos depois. Assim até poderemos afirmar que Vestefália provavelmente retardou a
consagração deste princípio. Nesta origem está a emancipação dos príncipes ao imperador,
fragmentando assim o poder político.

 A ideia de soberania e de jurisdição territorial


O estado soberano também não se traduziu num produto da Paz e Vestefália. Toda a
proliferação de principados autónomos significou o alastramento de poderes dotados de
alguma prerrogativas de soberania, parcialmente liberto dos poderes do papa e do imperador.
A prática e o reconhecimento da soberania é anterior a Vestefália. Jean Bodin em 1576
teorizou o conceito de soberania e Maquiavel em 1527 ajuda também na construção deste
conceito. Antes de Vestefália alguns príncipes já conduziam políticas externas autónomas e
celebravam alianças por conta própria. O autor considera discutível que se consagre nestes
tratados a pura e simples soberania dos príncipes.
O modelo de soberania vigente revestia a forma de absolutismo real, estava assim longe da
configuração do estado-moderno, onde a soberania já não estava no monarca, mas antes na
nação concebida como um colectivo que delega nos seus representantes o direito a governar.

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Vestefália não criou o território como espaço de referenciação política, nem criou a fronteira
como delimitação geográfica do exercício do poder, o que existiu foi uma demarcação
territorial das pertenças religiosas definidas pelos príncipes.
Apesar de se ter refeito o desenho geopolítico da europa e de se ter reconhecido aos súbditos
o direito de emigrar não legitima que se atribua a Vestefália nascença do estado cuja
soberania se estende por determinado território.

 A ideia de nova ordem e de sistema Vestefaliano


Em meados do seculo XVII ainda estamos longe do estado moderno, pois só mais tarde o
estado nação se dissemina no continente europeu.
- O Estado é principesco
- Os regimes são absolutistas
- O príncipe tem uma legitimidade dinástica hereditária distinta da legitimidade do
moderno estado-nação

O ordenamento europeu posterior a Vestefália não corresponde a um sistema de homogéneo


estatocêntrico. Após os tratados de Vestefália existiam na europa diversas comunidades
políticas, de natureza estatal, imperial, de pequena ou de micro-escala, permitindo concluir
que não há fundamento para a qualificação de sistema homogéneo e estatocêntrico.

 Conclusão
Só no século XVIII põe em movimento uma nova evolução, a passagem do estado principesco
ao estado nação, com forte impacto para as Revoluções quer Francesa, quer Americana.
O autor considera que a origem do sistema internacional de estados nacionais remonta ao
congresso de viena de 1815, onde o estado nação resulta da confluência do fim do anterior
regime ditado pela revolução francesa com a emergência do capitalismo industrial.
Os estados são principesco, dinásticos e absolutistas em convívio com o sacro império e com
muitos outros microterritórios relativamente autónomos. Só na passagem do século XVIII para
o XIX é que assistimos à consolidação de verdadeiros estados nacionais.

CONSTRUÇÃO DO MUNDO MODERNO

4. Guerra e Paz
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Uma guerra é um conflito armado entre dois ou mais estados, excluindo assim do conceito de
guerra os conflitos internos e os conflitos entre estados não soberanos. Só encontramos na
época moderna pq antes não temos estados. O conflito é de esfera externa, pretende-se
excluir conflitos dentro da jurisdição, como a guerra civil. A guerra é um conflito internacional.
Os estados estão juridicamente vinculados ao conteúdo da carta das nações unidas. A
disciplina da guerra diz-nos que em primeiro lugar os estados podem declarar guerra mas
apenas em legítima defesa (artigo 51 CNU). Esta actuação é condicionada pq precisa da
ratificação do conselho de segurança. O conselho de seguranças pode tomar todas s medidas
que entender para resolver um conflito entre estados membros. A acção militar deveria ser
conduzida pelo conselho de segurança (espirito da carta), mas não é isto que tem acontecido.
Tem sucedido uma delegação num país para que esse país organize (guerra da Correia, 1ª
guerra do Iraque), temos um mandato que o conselho confere a um estado para que esse
estado organize uma resposta armada. A votação do CS é complexa (direito veto membros
permanentes). A legítima defesa é sempre apontada como uma das causas da guerra justa.
Se recuarmos encontramos um conceito diferente. Na altura da guerra justa (Santo
Agostinho) estamos perante a queda do Império Romano. Santo Agostinho vai organizar o
pensamento cristão sobre a guerra, que tinha tido um percurso muito diversificado. Nos
primeiros autores encontramos um pacifismo absoluto (guerra esta vedada aos cristãos), mas
para outros autores há certas causas em que os cristãos poderiam participar na guerra. Santo
Agostinho organiza as ideias que circulam sobre a guerra, é o autor da doutrina da guerra
justa com longa duração pq ela irá pelo menos até ao seculo XVII.
Durante toda a época medieval, a paz não significa apenas a ausência de guerra, deve
igualmente ser uma paz justa. Justiça e paz constituem o lema finalista do poder político
medieval. Assim, a paz só se alcança se tiver por base a justiça.
Santo Agostinho diz-nos que a guerra é permitida aos cristãos, mas ela é a última forma de
resolver, sendo possível resolver um conflito entre dois poderes externos diferentes se o
puderem resolver pacificamente melhor. Mas se não conseguirem resolver o conflito, se for
necessário recorrer à guerra tem que existir uma justa causa, um justo motivo (requisito mais
importante). A legítima defesa é a primeira das justas causa. Legitima defesa: agressão
ilícita actual ou eminente do próprio ou terceiros, sem possibilidade de recurso a uma
autoridade superior (só hoje faz sentido esta última parte). O conceito ius ad bellum (direito
de ir para a guerra) começa a ser progressivamente instituído. Ius in bello (direito na
guerra), uma vez declarada a guerra o que se pode e não pode fazer. Tem que haver
proporcionalidade (Santo Agostinho).Este conceito de guerra justa pegou, a partir daqui os
autores vão todos formular esta visão de Santo Agostinho. Há uma adesão total a esta
doutrina da guerra justa. Inocêncio IV e Cardeal Hostiensis têm posições diferentes. Inocêncio
IV diz que para declarar guerra tem que haver justo motivo contra qualquer comunidade
politica. O cardeal Hostiensis dizia que contra a comunidade islâmica existia sempre justo
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motivo, pq não lhes reconhecia legitimidade de poder político. A linha que prevalece é a linha
de Inocêncio IV.

Para o Cardeal Hostiensis eram consideradas guerras justas:


 Guerra contra infiéis,
 Guerra autorizada por uma entidade judicial,
 Guerra autorizada pelos príncipes,
 Guerra feita por povos fiéis para se protegerem dos inimigos.

No século XVI assistimos a um momento de alguma contradição entre duas grandes correntes
do pensamento político:
 Evangelismo político Erasmiano: Erasmo desenvolve a ideia da guerra como última
ratio, onde só é lícito recorrer quando se esgotaram os meios diplomáticos, ou quando
o Estado exerce a legítima defesa.
 Maquiavelismo: a política assenta na autonomia da arte da guerra. A guerra traduz-se
num método de condução do estado.

Grócio aponta três vias de resolução amigável dos conflitos:


 Conferencia amigável entre as partes,
 O compromisso através de árbitros (mediadores),
 A sorte.

Guerra justa e Guerra Santa

A teoria da guerra justa é de Santo Agostinho (seculo V) e tem um justo motivo. A guerra
santa é um conceito posterior e que começa a ser construído no espaço do império romano
do oriente (seculo VIII), começa a ser construído para um espelho, um espelho da guerra
santa como entendida pela decadência do império romano do oriente. Entre os autores
bisantinos que se começa a ideia de guerra santa, pegando na guerra justa e dizendo que há
justos motivos para declarar a guerra qd se quer defender a religião. A guerra santa é por
definição uma guerra justa. A guerra santa é uma guerra com justo motivo, mas cujo motivo
tem que ser religioso. O problema é o problema do cisma entre a igreja oriental e ocidental,
quebra-se a unidade da cristandade e a partir dai temos dois conjuntos de cristãos. Temos
uma cisão profunda entre dois grandes grupos (igreja de Roma e cristãos do oriente). Há o
problema da 4ª cruzada, um problema que agrava mais o cisma e impede qualquer tipo de
reconciliação. Dentro da ideia da guerra santa temos o conceito circunscrito da Cruzada, esta
é uma guerra justa, santa, esta guerra é uma guerra cuja iniciativa cabe formalmente ao
próprio papado. Quem proclama a cruzada é o papa, proclama-a com determinados benefícios
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espirituais para aqueles que participem (perdão dos pecados) a cruzada é uma guerra santa
indulgenciada. Na 4ª cruzada mais ou menos intencionalmente Constantinopla foi saqueada,
aconteceram mortes, violações, numa cruzada de cristãos contra cristãos.
No seculo XIII vemos um retomar muito forte da doutrina da guerra justa. Em STA
encontramos uma organização extrema, uma teorização que obedece a requisitos muito bem
definidos. Ele organiza o que estava desorganizado sem deixar dúvidas. Ele clarifica as coisas.

Requisitos STA:
- Há sempre a necessidade de justa causa (inimigos têm que ser sempre culpados de alguma
injustiça).
- A guerra tem que ser declarada por uma autoridade competente.
- Só são justas as regras que não feitas por ambição ou crueldade, mas por amor (ninguém
pode travar guerra com justa causa, mas com uma intenção que não é recta, pq é fácil
aproveitar uma justa causa e travar guerra para destruir o inimigo ou para ganhar poder).

Em Portugal, a situação coloca-se em duas frentes:


- Guerra contra Castela e Leão para sermos independentes
- Guerra da reconquista (se a reconquista da PI foi ou não foi uma cruzada. É uma guerra justa
e uma guerra santa e a partir de uma certa altura também indulgenciada).
Vitória diz que pode haver justa causa mas que mesmo assim eu possa prescindir da guerra.
Vitoria recoloca num problema da guerra que é o contexto do novo mundo e dos conflitos que
se irão estabelecer. Estes conflitos têm que obedecer aos mesmos requisitos dos cristãos, pq
eles têm um poder politico que é legítimo, não se pode travar guerra contra eles por qualquer
motivo.

Vitória considera que a guerra é justa em duas situações:


 Guerra defensiva (é sempre permitido opor a força à força),
 Guerra ofensiva (punir a injustiça sofrida).

Tratado da guerra:
Lição de Vitória de pergunta e resposta (método escolástico). Questões que Vitória trata?
1. É lícito aos cristãos fazerem guerra? Vitória diz que em certas situações sim.
2. Em quem reside a autoridade para declarar a guerra? Há um conjunto de respostas
anterior mas que tem um sentido diferente agora pq estamos na época moderna,
nasce o estado, soberania como poder do príncipe. Para Vitória o poder reside na
comunidade política autónoma e em quem a representa.
3. Qual pode ser a razão e causa da guerra? Ofensa sofrida e legítima defesa. Não há
justa causa quando falamos de diferença de religião, proveito económico, etc.
4. Diferença do ius ad bellum e ius in bello.
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Ius ad bellum:
- Causa justa
- Autoridade (competente)
- Intenção (recta)
Ius in bello:
- Condutas que são licitas, permitidas em teatro de guerra. Vitória é muito cauteloso
como enuncia pq à partida ele parece rejeitar algumas questões (não se pode matar
inocentes, mulheres, não se podem escravizar pessoas, etc), tem uma postura
limitativa, há uma linha de limitação das condutas que muitas vezes eram condutas
normais na guerra. Vitória diz que não devem ter lugar apesar de serem mais ou menos
frequentes na guerra. Estes autores parecem às vezes recear fazer afirmações absoltas
que fechem completamente a porta. Encontramos a linha de Vitória em Suarez, Molina.
Suarez põe a possibilidade de recurso concreto a outros meios (possibilidade de
arbitragem). Molina e Suarez afirmam que se deve avaliar a possibilidade de ganhar o
conflito, será que se deverá travar o conflito?
Regulamos primeiro, por via de tratados e conferências no seculo XIX, o ius in bello por causa
das regulações dos prisioneiros de guerra.
Para Suarez, a guerra é um modo de exercício da justiça vindicativa, e por isso, a realização
do poder jurisdicional.
Nos autores que preconizam a concepção de estado, passa a existir um problema de
oportunidade, utilizar a guerra com outros fins. Bodin, tem a ideia de que se eu tenho um
conflito externo, internamente as pessoas se vão unir contra o inimigo externo e toda a
contestação interna desaparece. O que interessa à razão de estado é a manutenção do poder.
Os governantes têm que actuar para conservar o poder. Até a utilização da paz pode ser vista
nesta perspectiva. Pode ser conveniente a paz podre, mas não é justa, mas pode ser uma
forma de conservar poder, pode ser a forma que o governante encontre para manter a sua
população a salvo, não um critério de justiça, mas sim um critério de medo. No fundo, para
estes autores, é em função da oportunidade e conveniência do objecto que a guerra deve ser
justificada e combatida.

Grocio não desliga a guerra do direito. A visão de Grocio é uma visão jurídica, pq as guerras
vao smp existir, por isso temos que criar guerras que não evitam a guerra mas têm a sua
regulação. Quando ele fala do ius in bello, ele tem uma postura muito mais premissa que os
autores da segunda escolástica (morte por veneno, violação, mas não poe grandes problemas
no homicídio premeditado e populações).

A partir do seculo XVII a tendência é mais na linha de Grocio ou nos autores da razão de
estado, aos poucos vai desaparecendo as justificações alusivas à causa justa do ius ad
bellum. Passam a estar presentes por critérios jurídicos ou de oportunidade. Cada vez mais a
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guerra é vista como um fenómeno político, quando volta a surgir a preocupação no seculo XIX
começamos pela regulação do ius in belo. Encontramos convenções que são vistas como
abertas, surgem assinadas entre um conjunto de estados após o congresso de Viena de 1815.
Neste congresso temos um novo conceito, a ideia não tanto dos tratados bilaterais, mas de
um acto final que pode assinado por vários estados, em que os estados se vinculam
reciprocamente mas não com o modelo comum (logica contratual bilateral). Passamos a ter
estados que se vinculam entre si. À margem continuam a fazer-se tratados bilaterais. Este
modelo vai servir às organizações internacionais (estrutura aberta).
Conferencias 1899 e 1907, criamos o caminho para uma mundialização do direito
internacional. Nestas conferências de Haya temos pela primeira vez de forma consistente a
limitação dos meios que podem ser usados em teatro de guerra. Nada disto será respeito na
guerra dos Balcãs e na primeira guerra.

A guerra da Crimeia foi talvez a primeira guerra da época contemporânea, há uma influência
imensa da impressa escrita, temos socorro (embrião da cruz vermelha), temos uma
actualização muito visível do tipo de armamento.

A regulação do ius as bellum só ficara na sociedade das nações e com a carta das nações
unidas.
A guerra não pode ser convocada por qualquer pretexto e há um conjunto de regras que
Grócio vai enunciar quando os estados estão em guerra.
O tema da guerra torna-se jurídico em Grócio, ele não é um pacifista como Erasmo, mas não
acredita que a guerra pode ser enunciada sem qualquer fundamento.
Ele é um marco para os autores que se seguem. Iremos encontrar três correntes, tem por
base a distinção feita entre o direito das gentes natural e o voluntário positivo (base do
conhecimento dos povos: forma tácita (costume) e tratados).

1. Corrente Jusnaturalista (Thomasius e Puffendorf)


Prevalece o direito das gentes natural (direito natural aplicado aos estados). Thomas Hobbes
é um negador do direito das gentes, contribui em grande medida para a formação do conceito
de Estado. O direito das gentes é meramente direito natural. Existe um direito próprio
aplicado aos estados mas ele não tem força vinculativa. Os autores do realismo político
afirmam que acima do estado não podia haver outra organização que se impusesse ou que
prevalecesse. Afirmavam que o que se verificava entre os estados era um estado de natureza.
O reconhecimento do direito das gentes é apenas direito natural aplicado aos estados.
Puffendorf é um autor importante para compreender o conceito de direito natural. É um
teórico do conceito de direito. Afirma que o direito natural é uma rede (descer concretamente
a cada um dos países) de configuração de princípios e regras que são aplicáveis a qualquer
realidade. Acentua a concretização do direito natural ainda mais liberto da temática religiosa.
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Tem uma obra de 1672: Do direito natural e das gentes, onde expõe de forma sistemática o
conceito de direito natural. Concebe o estado como uma pessoa fictícia (colectiva). O direito
das gentes não pode ser visto separado do direito natural (quando aplicado aos estados é
direito das gentes). Os tratados eram contratos privados, não tinham força vinculativa. O
direito positivo era a concretização do direito natural.

2. Positivismo (Gentili)
Preocupam-se com o direito das gentes voluntário. O direito das gentes é um direito de cariz
prático que define as regras aplicadas aos estados. O autor tem duas importantes obras, uma
delas: Iure Bello de 1588. É um percursor de Grócio, mas não pertence à escola do direito
natural. Discute as regras que devem ser aplicadas aos estados em guerra. É advogado, um
prático. Outra das suas obras: De legationibus é um dos primeiros tratados dedicados ao
direito diplomático. Zouche é o sucessor de Gentili, é um grande nome da escola do
positivismo, elabora um manual dedicado ao direito internacional.

3. Corrente Grociana (Wolff e Vattel)


Procura valorizar os dois elementos, não havendo componentes mais importantes.
Wolff (1679-1754) é um autor alemão que é discípulo de Puffendorf. É um sistematizador, é
um homem dos conceitos.
Vattel (1714-1767) é suíço e um diplomata. A sua obra é inspirada em Wolff, escreve uma
obra de 8 volume sobre o direito natural. Um direito natural de acordo com um método
científico (pode ser concretizado em qualquer sociedade). Relação próxima entre o direito
natural e o direito positivo. Em 1749 escreve um livro sobre o direito das gentes, onde fala
sobre a relação entre DN e DG. Vattel lê a obra de Wolff e considera-a fundamental, mas
considera que a mensagem de Wolff merece ser conhecida para além das Universidades e
escreve assim um livro em francês inspirado em Wolff, simplifica-o: 1758. Esta obra de DG vai
conhecer um enorme sucesso, é um manual de RI e DI, é criado para a diplomacia num
ambiente mas prático.

Silvestre Pinheiro Ferreira publica uma edição crítica da obra de Vattel, 80 anos depois e
espalha-se por toda a Europa culta.
Inovações de Wolff: peso dos conceitos. Constrói um sistema conceptual que não existia
anteriormente. DG necessário porque os Estados têm que necessariamente obedecer.
Afirma que o DG natural de Grócio não era suficiente, temos que distinguir princípios eternos.

Paralelismo Direito Gentes e Direito Natural provém da razão humana

Há o DG necessário mas ao Homem aplicam-se determinados princípios que não


podem ser directamente aplicados aos Estados, têm que ser adaptados.
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DN é por definição imutável, temos que criar para o


DG um conceito que nos permitem adaptar DN ao
DG, regras que não são imutáveis.
Visam flexibilizar os
princípios DN
quando são aplicados aos
Estados.

DG voluntário porque
provém da vontade das nações

Grócio DG voluntário – consentimento expresso que se exprime por tratados ou costumes.

Wolff DG voluntário – conceito que se aplica a todas as nações porque ele diz que há um
consentimento presumido (regras que são adaptadas do DN). Usa um mecanismo inovador
mas vai refutar por Vattel.

Consentimento universal: ideia fictícia de que existe um legislador universal.


Estado supremo
Tarefa de concretizar o que são os preceitos de DN.

Vattel recusa a ideia de civitas máxima (não pode haver entidade superior ao Estado), embora
mantenha a ideia DG voluntário.

Dentro das regras DN existem regras que se podem aplicar directamente aos Estados – DG
necessário e outras que processam adaptação DG voluntário.
DG convencional não é universal, é particular, porque só vincula as partes que o celebram.
Força vinculativa: princípio pacta sun servanda.
DG costumeiro manifesta-se pelo costume internacional.

Necessário
Universal
Voluntário (presumido

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Direito das Gentes


Positivo (tratados expresso
e tácito
Convencional (formas
manifestação diferentes)
Particular
Costumeiro

Vattel reproduz o esquema de Wolff.

Ao longo do século XVIII desenvolve-se a construção dogmática em torno do direito público


(só se desenvolve porque se constrói o conceito de Estado.

DP externo ou outra construção DG.

DP falamos do internacional e externo DG.

DP externo (aborda fins distintos) DIP

Século XVII e XVIII defende-se a primazia do Estado (regras aplicam-se aos estados nas suas
relações) devem respeitar a soberania dos estados.

Como se concretiza?
Reforma 1772: Estatutos Universidade de Coimbra – integram cadeiras novas (direito pátrio):
Direito natural e das gentes.
Usus modernus pandectas: está na base dos estatutos (Puffendorf e Wolff) condicionam a
reforma.
Desde 1772 e 1843 estuda-se direito natural e direito gentes utilizam o manual de Martini
(simplificação de Wolff).
Nas universidades há a concretização do ensino do direito das gentes entendido com as duas
linhas diferentes.
Contexto politico e militar seculo XVII e XVIII

A propósito da guerra no período moderno vamos falar de conflitos relevantes em concreto e


não só da teorização da guerra.
Apesar de ser um contexto europeu, os conflitos muitas vezes são exportados para os
territórios fora da europa.
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Na transição do século XVII para o século XVIII há uma sequência em Vestefália de uma
prática que se desenvolve na aplicação de alguns princípios (princípio do equilíbrio). Há uma
predominância do interesse político para manter o equilíbrio. Vestefália é um sequência de
conflitos que acaba por continuar depois, alguns conflitos ate são anteriores á guerra dos 30
anos. Temos estados envolvidos em vários conflitos com potências diferentes, vão mudando
de alianças.
Tratado dos Pirenéus põe fim à guerra franco-espanhola (1659). Esta guerra continua pq
durante a guerra dos 30 anos a frança aproveitou para destabilizar espanhola. Há uma
continuidade para la de 1648 por causa dos territórios. O tratado define cedências de
território e define que Luís XIV casaria com Maria Teresa de Áustria que era irmã do rei de
Espanha Carlos II. A França abdica de reclamar direitos sucessórios sobre o trono espanhol.
Espanha pagava um dote a França que acabou por não ser pago na totalidade o que gera um
conflito posterior.

Dá origem a uma guerra sucessória entre 1711 e 1714. Como o dote não foi pago há um
problema sucessório em Espanha pq Carlos II falece sem herdeiros. França diz que há um
incumprimento de um tratado. Os outros estados à volta, entra o Reino Unido com o apoio do
império e da casa de Áustria contra a frança com a sucessão de filipe no trono espanhol. Filipe
de Anjou é neto de Luís XIV. As outras potências apoiam a casa de Áustria contra a França
com o Aqueduto de Áustria (reina como Carlos VI como Imperador do sacro império).
Inglaterra recua novamente qd este é eleito imperador. A sucessão vai mesmo recair sobre
Filipe de Anjou. Neste tratado negoceiam-se outras coisas, como jurisdições fora da europa.
Guerra luso-holandesa inicia-se antes da guerra dos 30 anos. Entre 1580 e 1640 temos uma
união dinástica, mas continuam a subsistir duas coroas, unidas na mesma pessoa. A partir de
1581 há um conflito entre as províncias unidas dos países baixos contra Filipe II de Espanha.
Portugal acaba por ser arrastado para os conflitos espanhóis. Em 1640 temos a nossa
independência que vai durar ate 1668. Até 1668 não estivemos smp em conflito, mas não
deixam de ser 28 anos de guerra contra Portugal. França promete ajudas a Portugal mas as
ajudas são poucas. A guerra com a holanda é considerado o primeiro conflito à escala
mundial.

Guerras importantes do século XVIII

Estas guerras vão marcar o aparecimento de novos protagonistas que vão ter influência nos
séculos futuros. Os territórios baixos espanhóis e alguns de Itália passam para a Áustria.

1. Sucessão polaca 1735-1738

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Interesse pelo que irá suceder em Itália. Os reis são eleitos, o rei é afastado e aparecem dois
pretendes: Franças e Áustria. Quando o bisneto de Luís XIV sobe ao trono em 1715, casa mais
tarde com a filha do Rei da Polónia. Luís XV vai apoiar então na sucessão polaca esta
pretensão.
Nápoles e Sicília vão regressar à esfera espanhola, Nápoles passa a ser um reino
independente. Na Toscana há uma ligação com a Áustria. Em Itália há uma divisão do poder
entre espanhóis e austríacos.

2. Sucessão austríaca 1740-1748


Carlos VI, Imperado morre e tem também territórios austríacos, não tem descendentes pois a
sua filha não podia suceder à coroa imperial.
A Prússia é a partir da segunda metade do século XVIII uma grande potência. Tem uma
configuração geográfica que não é contínua. É uma nação calvinista. O Rei da Prússia vai
conseguir uma posição que mais ninguém tem no Sacro-Império, opondo-se à Áustria.
Frederico II, seu filho em 1740 invade um território austríaco devido aos problemas da
sucessão do trono. Dando assim início à guerra da sucessão austríaca.

3. Sete anos 1756-1763


Conflito com os mesmos protagonistas, iniciada pela Prússia, ataca de forma preventiva
territórios da Boémia. Tem um novo aliado, a Inglaterra que é inimigo de França que por sua
vez era aliado da Prússia. Curiosamente França e Áustria aliam-se nesta guerra. Esta guerra
vai resolver quem é que vai dominar o mundo for a da Europa. Vence a Inglaterra e França
perde várias colónicas.

4. Russo-Turca 1768-1774
Rússia é uma potência europeia desde o período de Pedro o grande quando chega ao mar
negro, podendo assim passar pelos estreitos ao mediterrâneo. Esta guerra vai terminar com a
independência da Crimeia.

Império Otomano (Turquia) tem uma enorme influência na Europa devido a ocupar um enorme
território. É um outro protagonista deste período. No final do século XVIII percebe-se que este
império tem dificuldade em se manter, sobretudo devido aos países com que faz fronteira.

Entre 1772 e 1775 a Polónia vai ser partilhada por 3 estados ate deixar de existir como estado
independente, de forma a equilibrar a balança do poder.

Todas estas guerras são guerras cirúrgicas, são guerras de gabinete, em nada comparadas
com a guerra dos 30 anos, devido à influência do direito (Grócio). O tema da guerra e da paz

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é importante do ponto de vista da HRI, a partir do século XVIII há uma preocupação numa paz
perpétua.

DO CONGRESSO DE VIENA À SOCIEDADE DAS NAÇÕES

1. Meios de resolução pacífica

A arbitragem é o meio muito usado no seculo XIX para resolver disputas internacionais. A
arbitragem é um meio de resolução pacífica mas não é o único. Os outros meios de resolução
pacífica que estão tipificados têm uma dimensão mais política do que jurídico, ao contrário da
arbitragem. Convenção de 1899 vai basear-se distinguindo entre bons ofícios, mediação e
arbitragem.

Nos bons ofícios e na mediação temos a intervenção de um terceiro, mas não temos uma
decisão que seja vinculativa para as partes. Num caso temos um oferecimento por parte de
um terceiro para tentar resolver o conflito entre as partes e noutro caso podemos ter o pedido
por uma das partes para resolver esse conflito. Os bons ofícios e a mediação podem surgir por
solicitação das partes ou de forma espontânea. Nos bons ofícios temos uma intervenção que
tenta levar as partes a entrar numa conversação, há um terceiro que tenta levar que as
partes possam entrar em negociação. Pressupõem confiança das partes naquele terceiro. Na
arbitragem temos necessidade de um acordo das partes para se submeterem à arbitragem.

A arbitragem internacional serve para resolver problemas jurídicos, a avaliação que o árbitro
faz é um juizo jurídico, sendo diferente da mediação e dos bons ofícios. Na mediação o
mediador tem como função apresentar uma solução que as partes podem ou não aceitar. Esta
solução juridicamente pode não ser a decisão mais acertada, considera ser a solução melhor
para resolver o conflito. Na arbitragem a decisão apresentada é jurídica, continua a haver
uma margem de juizo equitativo, mas ainda assim nunca se desliga da solução jurídica. A
resposta que o árbitro dá é uma resposta toda ela juridicamente fundamentada. Esta decisão
não é uma decisão que as partes podem afastar, porque foi a sua vontade de se submeter à
arbitragem que a vinculou.
Entre 1798 e 1889 tivemos 156 conflitos internacionais sujeitos à arbitragem. 9 delas em que
Portugal foi parte.
Este recurso intenso à arbitragem durante o seculo XIX, os árbitros estão a criar as soluções
para o caso concreto, recorrendo muito aos princípios do processo civil (igualdade entre
partes, princípio do dispositivo, do contraditório). Estes princípios têm que ter uma
concretização. Com base nestes princípios vão construindo as soluções para cada caso.
Começa-se a pensar que deveriam existir algumas regras não só para salvaguarda das partes
como também do árbitro. Surge também uma consciência que esta matéria deve ser
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regulada, mantendo sempre como soberana a vontade das partes. Estas regras aplicam-se se
as partes não ditarem o contrário.
A partir de 1889 após a criação do tribunal permanente cria-se uma lista de árbitros. As
partes podiam escolher outro árbitro, podem definir outras regras que não as da convenção
que eles assinaram. São regras sempre supletivas.

Após a assinatura das convenções, os estados vão fazer vários tratados bilaterais em que se
comprometem a recorrer à arbitragem quando surge entre eles um conflito internacional
(arbitragem obrigatória). Esta arbitragem só é obrigatória pq as partes antes por sua vontade
assim o estipularam. Ela é obrigatória mas continua a ser voluntária.
Da primeira convenção (26 estados) de Haia para a segunda temos quase como que uma
mundialização do DIP (44 Estados, mas só 4 estavam de fora). Esta alteração corresponde
muito a uma característica: tendência para a mundialização (ideia de que o DIP não pode ser
construído apenas duma perspectiva europeia). É preciso construir um DI diferente, mas há
sempre uma influência fortíssima da matriz europeia no novo modelo, pq há territórios
consideráveis que estão sob a jurisdição de países europeus. As coisas mudam mais com os
processos de descolonização. Porém sentiu-se a necessidade de incluir outros estados e
outros territórios de modo a poder vincular e ter força efectiva. As conferências de Haia mais
do que uma regulação concreta, são significativas pela mudança de paradigma.
Somos nós que encontramos fases no processo arbitral.
A escolha do árbitro e o compromisso arbitral são geralmente simultâneo. Com a escolha do
árbitro vem simultaneamente o compromisso (momento serve para definir o que as partes
entendam, mas tem que ter uma definição de objecto), depois para lá disso pode estar ou não
o direito a aplicar ou aspectos que tenham a ver com o processo em si. O nosso contexto é
jurisdicional mas não é judicial, as partes podem convencionar e o árbitro ou aceita as
condições ou não aceita (denota uma maior liberdade na forma como as partes estabelecem
os meios, mas se elas não estabelecem, essa liberdade passa a ser do juíz árbitro).
Há uma terceira fase, a fase processual pura: momento em que são apresentadas as
alegações pelas partes, testemunhas, documentos como apresentação de prova que o juiz
arbitro vai avaliar.
Num quatro momento a decisão final. As decisões arbitrais eram geralmente cumpridas pq as
partes é que se vincularam. O que verdadeiramente foi discutido foi: e se uma parte não
concordar e quiser recorrer? Na esfera externa recorre-se para quem? E se existirem vícios da
decisão judicial? Não há uma resposta satisfatória. Podia ter-se introduzido uma solução na
Convenção de Haia de 1899: consagração específica na possibilidade de integrar vícios. A
partir do momento que tivemos tribunal permanente de arbitragem podíamos supor a
questão de um supremo, mas tal não foi realizado (esta jurisdição obrigatória).

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TPA foi pensado inicialmente para disputas entre estados, mas no final do século XX temos
smp o estado contra um particular. Estas arbitragens são importantes para construir um novo
DI, pq se pode discutir inúmeras coisas. Há direito que tem que ser revisto e ser renovado.
Estas convenções de Haia vão ser violadas de forma rápida e massiva.

2. Da Revolução francesa ao congresso de Viena e a nova ordem internacional

A revolução francesa de 1789 é a continuação do triunfo de determinados princípios


afirmados na revolução americana.

- Direitos fundamentais
- Ascensão da burguesia
- Princípio da separação de poderes
- Transferência do poder soberano para a nação
- Princípio da auto-determinação dos povos (as comunidades têm o direito de se auto-
governarem) – revolução americana

1792 proclamação de uma república – momento republicano. Luís XVI e Maria Antonieta são
presos e mortos. A Europa monárquica vai responder com uma guerra contra a França.
Os ideais espalham-se e criam repúblicas irmãs que vão aparecendo junto das fronteiras
francesas (republicas italianas).
Napoleão transforma esta primeira fase nas guerras napoleónica, proclamando-se imperador
francês em 1804, e em 1806 consegue a dissolução do imperador do sacro império. Cria-se a
confederação do Reno (estado satélite de França).
Napoleão é detido em 1812 quando invade a Rússia. Em 1814 abdica do trono e é restaurada
a monarquia em França, por Luís XVIII que é irmão de Luís XVI.
Em 1814 a paz é estabelecida no 1º tratado de Paris (Prússia, Rússia, Áustria e Inglaterra).

Deve realizar-se uma grande conferencia europeia para reger ma nova fase na Europa. Em
Setembro de 1814 inicia-se a Conferência de Viena que dura até Jun 1815 (grande congresso
de Paz na Europa).

- Definição da condição da paz


- Definição configuração principal que vai regular as RI europeias.
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É denominado também do congresso dos reis porque tem a presença de vários reis mas
também de inúmeros diplomatas. Define-se de forma pactuada, há um consenso quanto aos
princípios que passam a vigorar, alguns deles por 100 anos. A solução permite uma paz
duradoura.
Há um princípio que vai ser reafirmado que vem de Vestefália – Princípio equilíbrio político
(evitar que os estados isolados consigam alcançar um poder hegemónico de modo a permitir
o avanço civilizacional).
Do ponto de vista territorial assistimos a um novo desenho da europa, pois em 1811 mais de
metade da europa é francesa. França mantém a sua dimensão antes da revolução francesa: 2
tratados de Paris – há perdas territoriais para a França e há a fixação de uma indeminização
que nunca foi paga.

Criam-se estados tampão para garantir que os impulsos franceses de expansão não se
verificam mais.

- A norte criam-se os países baixos com enorme importância estratégica pois


permite facilmente a movimentação.
- Na fronteira do Reno, a França cede uma parte do território para formar a
Renânia Prussiana. A Prússia ganha uma faixa territorial junto à França.
- A Suíça ganha em 1815 uma figura de neutralidade permanente.
- A sul na fronteira com Itália o reino de Piamonte serve também como estado
tampão.

A Itália que tinha sido invadida por Napoleão vai voltar a ter uma influência austríaca a Norte
com a restituição da Casa dos Bourbons e a a casa Espanhola a sul em Nápoles.
No espaço alemão é criada a confederação germânica com apenas 39 estados dos mais de
200 que havia anteriormente. Todos estes estados mantém a sua independência. A
presidência pertencia à Áustria mesmo depois de ter perdido a coroa do Sacro Império. Dentro
destes estados existia naturalmente a ascensão da Prússia e da Áustria. Existe uma aliança
para manter a segurança dos 39 estados de modo a garantir autonomia interna e externa.
A Inglaterra não tem interesse territorial no continente europeu, ganha pontos estratégicos do
ponto de vista colonial e comercial.
Em Espanha dá-se a restituição da Casa dos Bourbons.
Portugal consegue que fique consagrado o retorno do território de Olivença que nunca foi
concretizada, bem como também a definição da fronteira do Brasil.

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O princípio do equilíbrio ganha assim uma nova reorganização geográfica que permite que os
estados fiquem controlados.

Outro princípio consagrado por Viena e que vai ter várias concretizações no século XIX é o
princípio da liberdade aplicado aos rios internacionais (navegação e comércio). Este princípio
é garantido a todas as nações e o policiamento é garantido pela criação de comissões geridas
de forma internacional.
Viena trás também a afirmação do princípio da legitimidade monárquica que vai sofrer
várias alterações.

- Os tronos legítimos eram aqueles que existiam antes da


Revolução Francesa.
- Restaurar as dinastias reinantes.
- Afirma-se contrário aos ideais liberais (princípio anti-
revolucionário)

Esta nova definição das fronteiras/ dinastias vai-se manter, o que significa uma reacção por
parte destas casas contra o aparecimento dos movimentos revolucionários na Europa
(princípio das nacionalidades).
Pretende-se garantir na Santa Aliança (Áustria, Rússia e Prússia) que é iniciada com uma
invocação à Santíssima trindade. Esta aliança pretende assegurar poder monárquico na
Europa. Inglaterra não aceita a tendência mais conservadora da Santa Aliança e procura
celebrar outro tratado. Forma-se então uma Quarta Aliança (Áustria, Rússia, Prússia e
Inglaterra). Esta nova aliança deve reunir-se de forma periódica para discutir os assuntos mais
importantes. Determina que as delegações do ponto de vista diplomático (estados) podem
criar congressos. Este mecanismo sugerido por Inglaterra vai permitir uma paz duradoura até
1914.
Nos congressos há a participação dos chefes de estado. As conferências são mais técnicas e
especializadas, com a presença dos Ministros dos NE.
Realizam-se vários congressos e em 1818 cria-se a Penta Aliança onde passa a constar a
presença da França.
A partir destas conferencias, vai-se tentar impedir a divulgação dos movimentos
revolucionários pela Europa, o que não tem sucesso na América (colónias espanholas e
portuguesas vão desenvolver movimentos revolucionários e de independência.
Esta ideia da Santa Aliança avança com a ideia de um princípio que não vinga totalmente
(não interferência nos assuntos internos do estado). Há um dever de interferência quando
existem revoluções internas que se manifesta contrário `monarquia, há uma obrigação destes
estados de intervir.

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Porque é que é convocado o Congresso de Viena de 1815? É convocado no seguimento da


derrota do exército de Napoleão. Quando o congresso está a decorrer Napoleão regressa a
França e é posteriormente exilado. O congresso tem o objectivo de reorganizar
territorialmente a derrota (as grandes casas europeias a porem-se de acordo: santa aliança).
Santa Aliança: Áustria, Prússia e Rússia. Entre 1815 e 1848 as coisas mantém-se, há algum
sossego. Eles conseguem ir gerindo as coisas. Temos uma reorganização territorial e uma
tentativa de afirmação do princípio da legitimidade. Moimento de renovação e inovação
jurídica no DIP e ficará. Mas noutro plano politico em que se verdadeiramente se quis voltar
ao passado mas já não era possível.

Neutralidade
Conceito muito recente como hj conhecemos (século XVIII). Admite-se que é um drt dos
estados e um dever tb dos estados. Assume-se quando existe uma possibilidade de
intervenção ou não na guerra, mas hoje não é assim, mesmo estando longe pode fazer
sentido de declarar neutralidade pq a capacidade de intervenção tb se tornou global.
Anteriormente a neutralidade não tinha sido pensada assim: concepção da escolástica que
entendiam q o estado nunca era neutro (guerra justa: auxiliar esse estado (Molina: dever de
auxiliar o estado) ou guerra injusta: dever não auxiliar). Ideia de direito ou dever de
intervenção.
Os autores políticos dizem que a postura em alguém que colabora ou não tem a ver com
avaliação com aquilo que a guerra poderá trazer a ele próprio (apurar face à razão de estado
qual a posição a assumir).
No século XVIII surge a ideia de neutralidade, essencialmente para os conflitos que se
tratavam no mar (o que acontece quando se travam um conflito entre dois estados: reacção
de alguns estados europeus para a criação da liga da neutralidade armada 1780 ate 1783
liderada pela Rússia. Tinha como objectivo proteger os barcos destas nações e é uma
neutralidade armada). A neutralidade não é só pensada no plano militar, o problema é que há
actos que podem ser considerados uma violação da neutralidade.
A conferência de Haia de 1907 regulava as obg dos estados perante os pais ou pessoas q se
declaravam neutras. É a primeira regulação internacional sobre neutralidade. Nem smp os
estados q mantem neutralidade mantém esta neutralidade, ela nem smp é respeitada pelos
países diligerantes. Mas hj em dia há um maior respeito.

Gradualmente se estabelece uma diferença entre o estatuto de neutralidade e outra coisa é a


declaração de neutralidade como estatuto permanente de um estado (Ex. Suiça).

3. A descolonização da América e a partilha de África


Geralmente pensamos no DIP do ponto de vista europeu. Os problemas surgem a partir do
momento em que várias potências europeias pretendem as colonizações no século XIX.
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O problema coloca-se em Portugal quando o Brasil se torna independente. Tentou-se


transformar o modelo de colonização do Brasil em África (comercio de escravos). Portugueses
apercebem-se que se tornava mais fácil comprar escravos do que fazer escravos. Podiam-se
obter através da guerra, mas a guerra teria que ser justa, outra forma era comprá-los, para se
comprar alguém era suposto que essa pessoa tivesse uma causa legítima de aquisição
(captura em guerra justa, condenação por crimes graves, nascimento: condição da mãe
determina a escravidão do filho). Travar guerras é dispendioso e incerto, portanto seria
preferível e seguro comprar. Quando compram escravos sabem que foram feitos escravos
justamente. O interesse dos portugueses em Africa é este: trazer escravos para a europa mas
principalmente para o continente americano. A partir de certa altura cruzam-se dois aspectos:
este interesse que se desenvolve em africa como tentativa de colonização (Portugal começa a
colonizar território africano no seculo XIX, o resto da europa só tem estas ambições no final
do seculo XIX), por outro lado podemos cruzar com a abolição do tráfico, africa deixa de ser
pensada gradualmente só como um território para busca de escravos. Isto coincide com uma
concepção do final de seculo XIX, a distinção quer de pessoas através do estudo do cérebro
(fenomenologia). Ideia de que as pessoas têm diferentes raças, a forma como se justifica a
colonização europeia é horrível. O problema torna-se numa disputa europeia para territórios
que estavam fora da europa. Portugal apercebe-se que aqueles direitos históricos estão em
crise. Os direitos que Portugal invocava (direitos antigos) que legitimava a posição nos
territórios. Bélgica tina assumido a neutralidade permanente por imposição e em 1876
Leopoldo II convocou a conferência de Bruxelas que marca o início da nova colonização
africana por parte dos europeus. Portugal não foi convocado, foi dito q era preciso intervir em
africa como uma missão humanitária (civilização dos povos africanos), esta é a suposta
missão duma associação criada na altura, mas esses não eram os verdadeiros interesses. Em
1878 Leopoldo II com um conjunto de investidores forma um comité com objectivos
comerciais. Quando isto acontece PT apercebe-se q aqueles interesses q tinha em africa e
julgava seu domínio estavam em risco, começa a desenvolver esforços para a celebração de
alguns tratados bilaterais para proteger os territórios que tinham ocupado mas tb aqueles que
PT tinha pretensões de ocupar. Em 1879 este comité passa a actuar como um Estado. Vamos
ter uma situação única (AIC) actua como um estado tendo consequências inesperadas.
Entretanto PT já tinha tido alguns conflitos coma Inglaterra onde se tinha discutido a
jurisdição discutida em arbitragem, geralmente favorecendo PT. Inglaterra deixa de submeter
os processos a arbitragem. Inglaterra invocava que PT não tinha meios para assegurar a
jurisdição dos territórios que reclamava.
Portugal achou que para não ter mais problemas com Inglaterra achou q era importante
celebrar um tratado com Inglaterra onde ficassem bem definidas as pretensões de ambas as
nações. É por causa deste tratado que é convocada a conferencia de Berlim q é uma reação
contra este tratado de 1884.

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Tratado assinado entre PT e Inglaterra 1884, tratado importante para PT, pois PT jogou mt na
tentativa de encontrar o reconhecimento da sua presença à Inglaterra nos territórios africanos
(neutralizando qualquer oposição que Inglaterra pudesse vir a ter). Delimitação da soberania
do Zaire, liberdade de circulação nos territórios, liberdade comércio nos rios, pauta aduaneira
favorável à Inglaterra, extinção do tráfico da escravidão, etc. Este tratado tinha que ser
ratificado pelas camaras dos deputados em Portugal. Alemanha tinha preocupação que
Inglaterra não crescesse ainda mais. Há uma reacção não de um estado (belga), mas de uma
associação que assume a partir de então uma pretensão a ter também ocupação territorial
naquela região. Temos um conjunto de protestos que vão surgir para a Inglaterra não ratificar
o tratado. Quando isto acontece PT sugere a realização de uma conferência (no fundo ele tb
não chegaria para proteger os interesses de PT). Esta sugestão é informal, irá realizar-se na
Alemanha. Começa no final de 1884 e termina no início de 1885. A AIC está a movimentar-se
na esfera internacional para conseguir o seu reconhecimento como estado, este
reconhecimento chega em Abril de 1884 por parte dos EUA de forma mt precoce. Alemanha é
o segundo país e fá-lo nas vésperas da conferência, AIC chega ao congresso já com dois
reconhecimentos por parte de Estados. Cada um dos estados vai reconhecer a AIC como
estado. Portugal é o último país a reconhecer a AIC sobre uma pressão imensa. A AIC não tem
qualquer domínio estadual, são uma associação europeia com territórios em Africa. O povo
não tem qualquer correspondência com a associação. Era importante que Portugal
reconhecesse AIC como estado, porque era necessário que todos os estados a
reconhecessem, para a AIC poder estar como estado no acto final.

Objectivos Conferência:
- Liberdade comercial bacia Congo-Zaire
- Liberdade navegação para os rios Congo e Ninjer

Portugal contava com as pretensões de Inglaterra mas tal não sucedeu. Portugal passa a
apostar noutros parceiros.

1ª Declaração Conferência: vai criar a Bacia convencional do Congo (território artificial pq


abrange uma área muito vasta), para dentro dessa bacia aplicar certas regras que eram
regras que se aplicavam independentemente da jurisdição exigente, para fazer com que os
estados que não tem jurisdição posam ter as mesmas vantagens. Seja criada uma comissão
internacional integrada por todos os estados da conferência de Berlim, inicialmente essa
comissão pudesse resolver problemas de comércio em todo o território da bacia, mas há
países que se opõem (Inglaterra, Portugal). Onde existisse jurisdição de um estado europeu, a
comissão tinha uma missão de fiscalização. A ideia é criar uma zona de livre estabelecimento
de comércio. A ideia é aplicar a estes rios africanos internacionais o regime que existia para
os rios europeus e que tinha sido fixado em Viena (regras de livre circulação). Nas margens a
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jurisdição é do estado que tem jurisdição naquele território, mas no curso do rio é
inteiramente livre.

2ª Declaração da Conferência: relativo ao tráfico ou à escravatura. Tem alguma novidade pq


até então quer em legislação interna ou tratados o que tínhamos era uma obrigação dos
estados em limitar/ proibir o trafico de escravos pelos seus nacionais, a ideia é
essencialmente dirigida aos europeus. O que resulta desta declaração é que os estados
europeus têm que através de uma missão civilizadora acabar com a escravidão e com o
tráfico, mesmo aquele que tinha continuado a ser praticado internamente pelos africanos. O
tráfico no Atlântico vai acabando. Aquelas pessoas que eram vendidas para ser transportadas
para o continente americano, continuam a ser vendidas do lado oriental (Moçambique) saem
para vários sítios para a Índia. Do lado ocidental não saem, o tráfico torna-se interno, saem
para territórios que não estavam sob jurisdição europeia, e tb para aqueles que estavam sob
jurisdição sob mecanismos que afirmavam que não eram escravos.

3ª Declaração da Conferência: sobre neutralidade territorial (os territórios que integram a


bacia convencional são territórios neutrais, independemente que os estados têm jurisdição
possam ou não assumir). Assunção de um estatuto de neutralidade que abrange
determinados territórios, o estado não se assume a si como neutro.

Última Declaração da Conferência:

Artigo 34: ideia de uma notificação. O que não diz e devia dizer: nada refere que se possa
aplicar os critérios para o interior. As costas do continente africano 1885 já estavam
praticamente todas ocupados, por isso este problema na se punha. Falta tb o prazo para
notificar, e se não notificar o que acontece, os outros podem reagir e em que prazo? Este
artigo é muito vago.

Artigo 35: as potências reconhecem que há condições para ser reconhecida a ocupação por
outra potência. Ocupação efectiva (exista autoridade suficiente para garantir que aquela
potência controla verdadeiramente o território). Este critério não foi preenchido em Africa,
talvez apenas para territórios diminutos. As ocupações que existam aquele momento este
artigo não se aplicava. O que é a autoridade suficiente? É preciso representação político-
administrativa, presença militar? Há uma construção doutrinária pq o testo não diz.
Dois artigos complementares
Pq é que são artigos tao vagos?
Inglaterra e Alemanha consideravam que se punha em causa as suas pretensões com
critérios mais rigorosos. O preenchimento fica na esfera de quem pode impor condições de

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preenchimento. Estes artigos acabam por não resolver nada nem tao pouco ter critérios
seguros.

A esfera de influência relativa é uma reserva de um dado território a favor de um estado


civilizado (europeu essencialmente). Há uma pretensão q um estado tem a ocupar um
território. O critério invocado era o da contiguidade. Este estado que quer avançar pode fazer
o seguinte: pode negociar com outros estados q tb possam ter interesse a criação de uma
esfera de influência relativa, pq ela só é reconhecida pelos estados q assinarem esse tratado.
A partir do momento em q reconheço a esfera não posso a partir desse momento praticar
actos de ocupação. Esta esfera é uma forma de precaução.
Há a esfera absoluta mas quem não tem relevo na questão africana. Ela tem um objectivo
específico (concessão de certos direitos num território de q um estado domina e confere a
outro estado determinados direitos. Existe uma jurisdição delegada).

Questão do ultimato
Ultimato teve imensa importância para o crescimento do partido republicano. Portugal queria
o apoio dos países europeus para exigir a Inglaterra q a questão fosse resolvida por
arbitragem.

Em 1884 PT sentiu necessidade para a zona do Congo a negociação com Inglaterra, pq não
fez o mesmo em 1886 pós conferencia? Pq fez tratados com a Alemanha e a França e não
com Inglaterra?
Razões:
- PT estava convencido q Inglaterra não tinha pretensões e de facto não tinha e depois passa
a ter em 1888/1889 (ideia de uma ligação férrea entre unir o Cairo ao Cabo).
- PT não quis negociar pq PT ficou ressentido com a conferencia de Berlim (Inglaterra nunca
apoiou PT em Berlim).

No governo PT da época há a presença de algumas figuras politicas que se consideravam


germanófilos. A partir de 85/86 esta ideia pode ter contribuído para que PT não tenha
prevenido tds as frentes.
PT tenta a arbitragem e depois do ultimato e da cedência em 90 os esforços diplomáticos têm
simpatia manifestada pelos governantes de uma serie de países. Mas cm não houve nenhum
acordo entre os estados não se fez nada, isoladamente ninguém quis avançar. Pt perde a
possibilidade de usar aquele território do mapa cor-de-rosa.
A colonização massiva ocorre mais no final dos anos 90, final do seculo XIX, ocorrendo pela
via militar. Há um conflito latente entre potências de problemas fora da europa e q depois no
seculo XX será transposto entre as potências por motivos europeus.
A crise da final os ano 20 e 30 teve uma importância enorme na guerra.
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O pacto da sdn tem inovações importantes (objectivos a q a sdn se propunha: artigo 8º). A
sdn em grande medida vai preparar a ONU.

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