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Cidadania e Democracia em Atenas

O documento descreve aspectos da democracia ateniense, incluindo: 1) Atenas era uma pólis com governo democrático direto onde todos os cidadãos masculinos participavam; 2) A democracia foi estabelecida por Clístenes e floresceu sob Péricles, com poderes legislativo, executivo e judicial; 3) A participação política estava limitada a homens livres atenienses.

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Cidadania e Democracia em Atenas

O documento descreve aspectos da democracia ateniense, incluindo: 1) Atenas era uma pólis com governo democrático direto onde todos os cidadãos masculinos participavam; 2) A democracia foi estabelecida por Clístenes e floresceu sob Péricles, com poderes legislativo, executivo e judicial; 3) A participação política estava limitada a homens livres atenienses.

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10º ano

Módulo 1
O modelo Ateniense
1.1 A democracia antiga.
1.1.1 Um mundo de cidades-estado.

– A Grécia Antiga no espaço tem 3 zonas: Grécia Continental, Grécia Asiática, Grécia
Insular com um Território montanhoso que ocupa cerca de 80%. Povos indo-
europeus vieram para a zona, formando os Gregos ou Helenos
– A Pólis ou cidade-estado são minúsculas comunidades independentes em torno de
um núcleo urbano. Atenas é composta pela:
Acrópole (zona dos deuses)
Ágora (zona de negócios/mercado e discussão da vida política; cheia de pórticos,
que abrigam do sol escaldante; construções destinadas ao funcionamento dos órgãos
do governo da cidade)
Zona residencial
Zona rural/Porto

NOTA: as casas eram simples, pois para os Gregos o mais importante era
conviver, filosofar, exercitar.

1.1.2 A Democracia ateniense.


– Para além do seu poderio económico e militar, Atenas era um brilhante
centro cultural e político.
– Longo caminho até à Democracia que levou 2 séculos:
– Isonomia é a igualdade perante a lei – as leis eram iguais e valiam para
todos, sem exceção
A isocracia é igualdade de aceso aos cargos políticos – todo o cidadão tinha o
direito e o dever de participar no governo da pólis, sendo que cada cidadão é
um voto – “governo dos pobres”, como afirmaram Platão e Aristóteles, pois
são eles os mais numerosos.
Isegoria: igual direito de todos ao uso da palavra – todos podiam defender
livremente as suas opiniões;
– Clístenes: fundador da Democracia estabeleceu uma nova divisão
administrativa do território, o que fracionou em 10 tribos, subdividas em 10
demos (100 ao todo). Destas circunscrições eram sorteados, todos os anos, os
cidadãos que deviam prestar serviço nos diferentes órgãos políticos da cidade.
Daí a expressão “Democracia”, ou seja, o poder dos demos, ou, poder do povo.
– Péricles: político ateniense – século V a.C. – auge de Atenas responsável pela
criação das mistoforias (espécie de pagamento feito pelo Estado aos que
exerciam funções públicas – cidadãos mais pobres podem participar no
governo da cidade);
– Democracia direta: Cada cidadão atuava por si próprio desempenhando, à
vez, os cargos necessários ao bom andamento dos assuntos da cidade. Não
havia partidos políticos, um corpo profissional de juízes ou de altos
funcionários do Estado. É um exercício de cidadania.
– Sistema de eleição por sorteio: não interessa fazer notar apenas os mais
cultos da cidade, mas sim assegurar a participação de todos.

– O exercício dos poderes.


Assembleias (poder legislativo):
1: Eclésia ou Assembleia Popular: reúne-se 4 vezes por mês; discute e vota leis
(poder legislativo); decide da paz e da guerra;
2: Bulé ou Conselho dos 500: participa com a Eclésia o poder legislativo, uma
vez que elabora as propostas de lei. No intervalo das sessões da Eclésia,
resolve assuntos correntes, cabendo-lhe o poder de decisão. São 50 por tribo,
10X50=500 e ninguém pode ser membro da Bulé mais que duas vezes na vida.
Magistrados (poder executivo)
3: Arcontes: tirados à sorte, um por tribo, magistrados que, com o tempo,
viram os seus poderdes reduzidos, limitando-se sobretudo ao desempenho de
funções religiosas e judiciais; organizam as grandes cerimónias fúnebres e
religiosas e a presidência dos tribunais, daqui são os membros para o
Areópago, o que conferia ao arcontado muito do seu prestígio.
4: Estrategos: únicos magistrados eleitos com base na sua competência:
comandavam a marinha e o exército. (Destaque para Péricles como
comandante).
5- Tribunais (poder judicial)
– Areópago: tribunal formado por antigos arcontes onde exercem o cargo de
forma vitalícia, ou seja, para a vida toda: julgam crimes de homicídio e de
desrespeito pelos deuses da cidade.
– Helieu ou Tribunal Popular: constituído por 6000 juízes sorteados
anualmente, à razão de 600 por tribo, julgam a maior parte dos delitos e
funciona por secções, julgando e dando sentenças de absolvição ou
condenação.
– Oratória era uma das capacidades mais úteis e apreciadas, dada a
democracia direta e a ampla comunidade que dela fazia parte. Era o dom da
palavra que permitia convencer e brilhar em política pelo qual foram fundadas
escolas de retóricas neste período.
– Evitar os abusos de poder e a corrupção era uma preocupação constante,
que explica em parte, a grande rotatividade dos mandatos políticos.
– Ostracismo: havia o medo de uma só pessoa ficar com o poder. Por isso,
todos os anos, os membros da Eclésia escreviam, numa pequena placa, o
nome do cidadão que tinha excessiva proeminência na cidade. Se reunissem
6000 votos, tinha de sair da cidade por um período de 10 anos, retomando,
após esse tempo, a vida onde tinha continuado, sem nada perder (bens e
direitos).

1.1.3 Os limites da democracia antiga.


A participação democrática estava reduzida a um número pequeno de
cidadãos. Este conceito de cidadão era atribuído aos indivíduos do sexo
masculino atenienses, filhos de pais atenienses, que tivesse o serviço militar
obrigatório cumprido. Era-lhes concedido o direito à governação da cidade.
– Metecos: Estrangeiros, principalmente os oriundos da pólis. Em Atenas
estavam-lhes vedadas a aquisição de terras e a participação na vida política.
Tratam dos negócios da cidade, comércio e artesanato; não possuem direitos
políticos; participam no exército e não têm direito a ter terras.
– Escravos: Indivíduos sem direitos, sem personalidade civil e sem direito a
possuir família e bens consideradas propriedades de outros.
– Mulheres: Cuidam dos trabalhos domésticos e da educação das crianças.
Eram tutela através do casamento, do pai ou do marido e não lhes era
concedido o direito de possuir casa nem bens.

1.2.1 A educação para o exercício público do poder:


 Educação até aos 7 anos: crianças educadas no gineceu pela mãe0;
 Educação após os 7 anos: os rapazes aprendem os ofícios para a vida
enquanto às raparigas são ensinadas tarefas domésticas, os rapazes vão
à escola e preparam-se para serem cidadãos;
 O Estado não intervém na educação dos jovens e deixa essa tarefa aos
pais, mas recomenda, que a criança saiba: nadar, ler, escrever e
exercícios físicos;
 Disciplinas: leitura, escrita e aritmética; recitam poemas de Homero e
Hesíodo para aprender a história dos heróis e servirem de exemplo aos
mais novos e depois para apreciarem as coisas bonitas, contendo
também a poesia e música;
 Muita preparação física com o objetivo de preparar os jovens a cumprir
adequadamente o serviço militar (dos 18 aos 20 anos). Aos 15 vão pro
ginásio e palestras. Nos ginásios aprendem também matemática e
filosofia. Platão fundou a Academia em honra do herói Academo;
– Aos 18 anos: serviço militar.
– Pós serviço militar: exercício da vida cívica.
– Para aprofundar conhecimentos, os sofistas, professores itinerantes,
davam aulas, andando de cidade em cidade e entusiasmando os mais
novos com os conhecimentos.

1.2.2 As grandes manifestações cívico-religiosas.

– Tipos de culto:
– Culto Cívico: embora se adorassem as mesmas divindades, cada cidade
tinha os seus cultos privados, venerando, em especial, os deuses
protetores da cidade; cidadãos realizam cultos e velam pela manutenção
dos templos e tarefas do quotidiano religioso.
– Culto Privado: culto realizado sobretudo em casa.

– As representações dramáticas:

– Festas em honras de Dionísio (Primavera).


– Tipos de teatro: tragédia e comédia.
– Principais autores: Ésquilo, Sófocles, Eurípedes– Tragédia; Aristófanes
comédia.

– Jogos:

– A crença nos mesmos deuses originou pontos de referência religiosa, lugares


sagrados, onde convergiam peregrinos de toda a Hélade. Embora existissem
numerosos santuários, os mais famosos eram Delfos, Olímpia, Nemeia e
Corinto, em todas se realizavam, periodicamente, competições artístico-
desportivas de caráter religioso que atraíam multidões: os jogos.
– São uma forma de devoção tipicamente grega. Jogos Ístmicos (Corinto);
Jogos Nemeus (cidade de Nemeia – em honra de Hércules e Zeus); Jogos
Píticos (Delfos – santuário de Apolo); Jogos Olímpicos (Olímpia, os mais
famosos da época).
– Jogos Olímpicos: 776 a.C.; período de tréguas, ou seja, sem guerras; para
além das cerimónias religiosas, temos também provas desportivas; prémio era
uma coroa de glória, já que as vitórias eram perpetuadas na pintura, poesia,
escultura, elevando-os à categoria de heróis e usufruindo de honras e glórias
no regresso à cidade.

Arquitetura
– A arquitetura grega é essencialmente uma arquitetura religiosa. Embora
construíssem casas, edifícios públicos ou muralhas, os Gregos reservavam para
os templos os projetos mais minuciosos e os materiais mais ricos, geralmente o
mármore. Apesar de estarem em ruínas, ainda se vê proporção, a harmonia
dos mesmos.
– Três ordens: ordem dórica, ordem jónica e ordem coríntia.
– Estes edifícios eram concebidos para serem vistos do exterior, sobressaindo
as colunas.
– O facto de partirem de regras e proporções predeterminadas, deu aos
arquitetos a possibilidade de se concentrarem nos pormenores.
Ordem dórica: mais robusta e sóbria. A coluna não contém base, o fuste tem
caneluras de aresta viva e termina num capitel com moldura simples; a
arquitrave é lisa e no friso alternam tríglifos e métopas.
Ordem jónica: mais elegante e leve. A coluna contém base, as estrias do fuste
são arredondadas e o capitel desenvolve-se em volutas graciosas. A
arquitetura divide-se em três faixas ligeiramente salientes e o friso recebe uma
decoração contínua.
Ordem coríntia: muito semelhante à ordem Jónica, a ordem coríntia distingue-
se pelo capitel profundamente decorado com folhas de acanto. Foi utilizada
sobretudo no período helenístico e durante o período. As plantas dos
monumentos eram simples: normalmente retangulares, apresentavam uma
antecâmara, uma sala onde era colocada a estátua da divindade e uma
oferenda.

Escultura
– Os Gregos pensavam que os deuses eram semelhantes ao Homem. Embora
imortais e dotados de poderes extraordinários, partilhavam com os humanos o
raciocínio, os sentimentos e a aparência física.
– A procura da beleza física ideal estava bem de acordo com o espírito grego,
que sempre valorizou o corpo humano e sempre buscou a perfeição.
– As esculturas aparentam uma expressão serena e contemplativa. Por isso
dizemos que a escultura grega é idealista.
– Idealismo escultórico conduziu os artistas à procura da fórmula exata da
beleza. Encontraram-na, à semelhança do que aconteceu na arquitetura, no
rigor das proporções.
– A Pintura grega utilizava cores vivas, sendo que a cerâmica era sobretudo
preta, vermelho e branco. Os temas eram comuns ao quotidiano, deuses e
tarefas.

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