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Texturas de Rochas Ígneas

Este documento descreve diferentes tipos de texturas em rochas ígneas com base em três aspectos: grau de cristalinidade, tamanho dos grãos e perfeição de forma dos grãos. É discutido texturas vítreas, hipocristalinas e holocristalinas, e texturas baseadas em tamanho de grãos como equigranular, inequigranular porfirítica e poiquilítica. Referências bibliográficas sobre o tema são também fornecidas.

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Texturas de Rochas Ígneas

Este documento descreve diferentes tipos de texturas em rochas ígneas com base em três aspectos: grau de cristalinidade, tamanho dos grãos e perfeição de forma dos grãos. É discutido texturas vítreas, hipocristalinas e holocristalinas, e texturas baseadas em tamanho de grãos como equigranular, inequigranular porfirítica e poiquilítica. Referências bibliográficas sobre o tema são também fornecidas.

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Petrologia Magmática (GEO 232). Profa.

Cristiane Castro Gonçalves


Departamento de Geologia – Escola de Minas – Universidade Federal de Ouro Preto

TEXTURA DE ROCHAS ÍGNEAS

Best, M. G. 2003. Igneous and metamorphic petrology. 2nd edition, Blackwell, Oxford-UK, 729 p.
CAPÍTULO 7
Winter, J. D. 2010. Principles of igneous and metamorphic petrology, 2nd edition, Pearson Education,
New Jersey-USA, 702 p. CAPÍTULO 3
MacKenzie W.S., Donaldson, Guilford C. 1982. Atlas of Igneous Rocks and their Textures. Longman
Scientific & Technical, Essex, England.
Notas de aula. Texturas das Rochas Ígneas. Curso de Pós-Graduação - DEGEO/EM/UFOP. Profa.
Hanna Jordt Evangelista.

TEXTURA se refere às relações geométricas entre os componentes de uma rocha (grãos


minerais, vidro vulcânico). As texturas podem ser agrupadas segundo aspectos relativos ao grau de
cristalinidade do agregado mineral, ao tamanho e forma de grãos e ao arranjo entre os componentes.
Essas feições trazem importantes informações acerca dos processos/mecanismos relativos à história de
cristalização das rochas.

1. Quanto ao grau de cristalinidade: relativo ao grau de cristalização; proporção relativa entre grãos
minerais (cristais) e vidro:

100% de cristais 100% vidro vulcânico


variadas proporções de cristais e vidro

holocristalina hipocristalina vítrea ou holohialina

1.1. Textura vítrea ou holohialina:

Obs.: vidros de composição ácida: obsidiana; variedades pitchstone (>4% de água); pedra pomes ou
pomicito (altamente vesicular); vitrófiro (com fenocristais); ignimbrito (piroclástica com fragmentos
de pedra pomes, de fenocristais e shards, que são fragmentos de vidro com forma cuspada) e perlito
(com fraturas concêntricas). Vidros de composição básica: taquilito (=sideromelana) e a variedade
escória (vesicular).

Textura Esferulítica: é uma textura radial em que cristais fibrosos de um ou mais minerais,
formados por processo de devitrificação do vidro vulcânico, divergem a partir de um núcleo.
Esferulitos compostos de agregados de álcali-feldspato e quartzo são muito comuns, em rochas

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hipocristalinas de composição riolítica. Essa textura indica um elevado grau de superresfriamento


(undercooling).
Textura Perlítica: compreende fraturas concêntricas em rochas vítreas ácidas, resultantes da
contração durante o resfriamento.

1.2. Textura hipocristalina: caracterizada pela coexistência, em variadas proporções, de


grãos minerais e material amorfo (vidro vulcânico).
• Textura Hialopilítica: textura em que a quantidade de vidro é muito grande e nele
encontram-se micrólitos, em geral de plagioclásio, ou microfenocristais.

1.3. Textura holocristalina: caracterizada por agregado constituído essencialmente por grãos
minerais (100 % de cristais).

Uma vez que se devenvolvem cristais (texturas hipo e holocristalinas), deve-se descrever
tamanho, aspectos geométricos e feições dos grãos individuais, relações mútuas ou arranjo entre os
grãos e qualquer material amorfo. Tem-se, então, a definição de diferentes tipos texturais, alguns deles
listados a seguir.

2. Quanto ao tamanho dos grãos:

2.1. Tamanho Absoluto dos grãos:


Textura fina: <1mm
Textura média: 1 - 5mm
Textura grossa: >5mm

Observação:
Textura Afanítica: textura típica de rochas vulcânicas ou intrusivas em pequenas
profundidades, que consiste em mosaico de grãos não visíveis a olho nu. Decorre da rápida redução da
temperatura, que causa uma alta taxa de nucleação. Distinguem-se:
• Textura microcristalina: grãos podem ser identificados em seções delgadas
por meio de microscópio petrográfico;
• Textura criptocristalina: grãos não podem ser individualizados nem mesmo
através de microscópio petrográfico
Textura Fanerítica: quando a rocha é composta por grãos suficientemente grandes para
serem identificados a olho nu.

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2.2. Tamanho Relativo dos grãos


Textura equigranular: os grãos minerais são aproximadamente do mesmo tamanho.
Textura inequigranular: o tamanho dos grãos varia consideravelmente (comum em
rochas vulcânicas). Distinguem-se:

• Textura inequigranular porfirítica (comum em rochas vulcânicas, devido


à grande variação de tamanho dos grãos): definida pela existência de cristais relativamente grandes
(denominados fenocristais ou pórfiros), envolvidos por uma massa de cristais mais finos (matriz). A
matriz pode apresentar grãos com diferentes tamanhos (finos, médios e/ou grossos), além de material
amorfo. Se a matriz for vítrea, define-se, então, a textura vitrofírica.

• Textura inequigranular glomerofírica ou glomeroporfirítica: aglomerados


de fenocristais em matriz vítrea ou de granulação fina, respectivamente. Forma-se quando os
fenocristais dispersos no magma colidem, aderindo uns aos outros, ou por nucleação e crescimento
sobre fenocristais pré-existentes.

• Textura inequigranular seriada: caracterizada por variação contínua no


tamanho dos grãos, isto é, não há um hiato na granulação como na porfirítica. Pode ser decorrente das
diferentes taxas de nucleação dos minerais.

• Textura inequigranular hiatal: definida pela ausência de determinada faixa


de tamanho, na distribuição de tamanho dos grãos de determinado agregado. Tem-se a textura
porfirítica como um exemplo.

CUIDADO deve ser tomado ao se definir texturas seriada e hiatal, uma vez que as dimensões de um
grão em seção delgada depende de sua orientação em relação ao corte da seção!!!

Muitas vezes, texturas inequigranulares indicam diferentes estágios de cristalização. Textura


vitrofírica e porfirítica com matriz fina, ou mesmo afanítica, registram diferentes estágios de
resfriamento do magma. Enquanto os fenocristais registram o resfriamento lento, em ambiente
plutônico, a matriz é resultado de resfriamento rápido, relativo à extrusão ou intrusão rasa. A textura
porfirítica com matriz fanerítica, por sua vez, não necessariamente registra diferentes estágios de
resfriamento, pois caracteriza ambiente plutônico. Esse tipo de textura pode refletir diferentes taxas de
nucleação dos minerais.

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• Textura poiquilítica (pecilítica): caracterizada por cristais grandes de um


mineral (hospedeiro ou oikocryst), que contêm grande número de inclusões menores de outro(s)
mineral(is) (chadacrysts). As inclusões costumam ser mais antigas (isto é, cristalizaram-se primeiro)
do que o mineral hospedeiro. Contudo, se a taxa de nucleação das inclusões é muito maior do que a do
hospedeiro, eles podem ter a mesma idade. Uma evidência textural para uma origem simultânea de
inclusões e mineral hospedeiro é a variação de tamanho dos grãos inclusos, do centro do cristal
hospedeiro para sua borda. Não se enquadram na textura poiquilítica cristais com inclusões de origem
secundária (p. ex.: plagioclásio saussuritizado, isto é, transformado parcialmente em epidoto).

• Textura ofítica/ subofítica: é uma variante da textura poiquilítica, em que as


inclusões são ripas de plagioclásio e o mineral hospedeiro é, comumente, piroxênio (augita). A textura
subofítica é um tipo particular de textura ofítica, na qual as ripas de plagioclásio estão só parcialmente
contidas na augita.

• Textura intersticial: distinguem-se as texturas intersertal e intergranular.

• Textura intersertal: é uma textura hipocristalina em que o material vítreo


(que pode estar alterado em minerais de argila, clorita, analcima ou palagonita) ocupa os interstícios
entre os grãos minerais (nos basaltos, comumente o vidro ocupa os interstícios entre ripas de
plagioclásio). Se o material vítreo engloba ripas de plagioclásio, usa-se o termo hialofítica.

• Textura intergranular: grãos minerais, comumente piroxênios, ocupam os


interstícios entre ripas de plagioclásio. Distingue-se da textura ofítica por não haver continuidade ótica
entre os grãos de piroxênio que ocupam interstícios adjacentes.

3. Quanto a perfeição de forma dos grãos:

Textura euédrica (= idiomorfo = automorfo): o cristal é todo limitado por faces cristalinas;
indica que o grão cresceu livremente na fusão e, portanto, é de cristalização precoce no magma.
Portanto, grãos euédricos são comuns em rochas vulcânicas.
Textura subédrica (= hipidiomorfo = hipautomorfo): o cristal é apenas parcialmente limitado
por suas faces cristalinas. O grão é anédrico nas porções que está em contato com minerais precoces,
isto é, que se formaram antes dele, e euédrico no contato com grãos de minerais que se formaram
depois dele.
Textura anédrica (= alotriomorfo = xenomorfo): as faces cristalinas estão ausentes.
Normalmente, tal feição textural indica cristalização tardia. O cristal teve de moldar-se aos espaços

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disponíveis entre os outros minerais já formados. No entanto, certos fenocristais de cristalização


precoce podem ser anédricos devido a sua corrosão marginal posterior, durante o resfriamento do
magma.
• Distinguem-se:
Textura granular anédrica (= granular alotriomorfa): predominam grãos anédricos, com
tamanho uniforme.
Textura granular euédrica (= granular panidiomorfa): predominam grãos euédricos e de
tamanho uniforme.
Textura granular subédrica (= granular hipidiomorfa): predominam grãos subédricos, com
tamanho uniforme. É a textura comum dos granitos, sendo então chamada de textura granítica,
embora também seja encontrada em outros tipos de rocha, como em gabros.

3.1. Termos específicos:


Textura esqueletiforme: caracterizada por grãos mal formados, incompletos ou ocos.
Os vazios encontram-se preenchidos por matriz fina ou vítrea. É uma textura indicativa de
resfriamento ultra-rápido (quench texture). Um tipo particular é a textura spinifex em rochas
ultamáficas vulcânicas chamadas komatiitos, em que olivinas, piroxênios e opacos são esqueletiforme
(em forma de espinha de peixe) ou dentríticos.

Textura dendrítica: caracterizada por grãos definidos por arranjo regular de fibras
com a mesma orientação ótica, fazendo, portanto, parte de um único cristal, assemelhando-se a folhas
ou penas.

Textura corroída (com embaiamento = embayment): fenocristal com reentrâncias


irregulares (chamadas de cavernas de corrosão) e arestas arredondadas, resultantes da corrosão por
reação com o magma, ou, em alguns casos, de um crescimento em desequilíbrio. As cavernas de
corrosão são chamadas de embaiamento (embayment).

Textura em peneira (sieve): quando há fenocristais que contêm inúmeras inclusões


de gotículas de vidro, o que é resultante de reabsorção incompleta de fenocristal pelo magma ou da
incorporação do vidro durante o crescimento.

Xenocristais / xenólitos: cristais ou fragmentos de rochas encaixantes englobados


pelo magma.

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4. Texturas definidas por grãos orientados ou bandamento

Bandada (definida como estrutura): caracterizada por camadas de cor, de mineralogia e/ou
de granulação diferentes. É também chamada de estrutura acamadada. O bandamento de cor é
produzido pelo fluxo do magma e é comum em vulcânicas ácidas, como em obsidianas compostas por
camadas vermelhas (mais oxidadas) e pretas. As camadas resultam do fluxo laminar da lava, que gera
gradientes de temperatura e, conseqüentemente, variações na solubilidade de voláteis, nas taxas de
nucleação e de difusão. Bandamento mineralógico ou granulométrico é caracterizado por camadas
de mineralogia ou granulação diferentes. Pode ser resultante de processos de cristalização fracionada,
como nos Complexos Gabróicos Acamadados, ou de fluxo laminar, como em certos diques máficos.
No caso dos complexos acamadados distinguem-se as texturas cumulus ou cumuláticas.

• Textura Cumulus ou cumulática: gerada pelo acúmulo de cristais numa câmara


magmática. Há vários tipos de texturas cumuláticas, por exemplo: adcumulática, que descreve o
acúmulo de cristais de uma única fase mineral, cujos contatos resultam da interferência mútua durante
o crescimento e remoção do líquido intercumulus; crescumulática, que refere-se à textura constituída
de cristais alongados fazendo um alto ângulo com o acamamento ou com as bordas do pluton;
heteradcumulática, que descreve o acúmulo de cristais inclusos do modo poiquilítico em outro
mineral, que pode representar o líquido intercumulus; ortocumulática, o líquido intercumulus
cristaliza na forma de sobrecrescimento das fases cumulus, com a nucleação e cristalização de outras
fases (similar a textura intergranular).

• Textura orbicular: camadas concêntricas com alternância rítmica da composição


mineralógica. No interior de cada camada pode-se ter diferentes arranjos dos grãos definindo
diferentes texturas.

Textura Fluidal: arranjo orientado de cristais inequidimensionais devido ao fluxo magmático


laminar.

Textura Traquítica: tem-se ripas de feldspato (em geral sanidina) alinhadas segundo uma
direção preferencial, por vezes contornando fenocristais. É o resultado de um fluxo laminar
(escoamento) do magma. Comum nos traquitos. Tem-se a possibilidade de micrólitos orientados de
feldspatos, ou delgadas ripas desse mineral, estarem envolvidos por material hipocristalino ou
holocristalino. Nesse caso distinguem-se as texturas: hialopilítica (descrita anteriormente) e
pilotáxica, respectivamente. Se os micrólitos não estão orientados, diz-se que a textura é feltrosa. Se a
quantidade de grãos de minerais máficos (olivina, piroxênios, opacos) nos interstícios das ripas de

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feldspato for grande, a textura é intergranular. Essas texturas são comuns em andesitos, traquitos e
alguns basaltos.

5. Texturas definidas por intercrescimento de grãos

Textura consertal (ou suturada): é uma variedade da textura granular anédrica, em que o
contato entre os grãos é interdigitado, parecendo serrilhado.

Textura Gráfica (se visível a olho nu) ou micrográfica: intercrescimento de quartzo


cuneiforme, semelhante a hieróglifos, em K-feldspato ou em Na-feldspato. Resulta, geralmente, de
cristalização de fusão com composição e temperatura próxima a do eutético do sistema granítico
subsolvus e é comum em pegmatitos graníticos.
Textura Granofírica (ou micrográfica): semelhante à textura micrográfica, mas mais fina e
menos regular; consiste num intercrescimento de quartzo e álcali-feldspato (comumente
mesopertítico) resultante de cristalização no sistema granítico hipersolvus. A rocha granítica que
apresenta essa textura é denominada granófiro. O sufixo fírico significa que a textura do granófiro é
porfirítica, sendo que o intercrescimento de quartzo e álcali-feldspato rodeia fenocristais de
plagioclásio.

Textura Simplectítica: intercrescimento de dois minerais em que um deles tem hábito


vermiforme. Quando há intercrescimento de quartzo vermicular em plagioclásio, quando em contato
com álcali-feldspato, tem-se uma variedade dessa textura, a textura mirmequítica ou mirmequita.
Pode formar-se por substituição do feldspato potássico por plagioclásio, segundo a reação: KAlSi3O8 +
Na+ = NaAlSi3O8 + K+ em combinação com 2KAlSi3O8 + Ca2+ = CaAl2Si2O8 + SiO2 + 2K+. Como o
plagioclásio cálcico é mais pobre em sílica, sobra o quartzo vermicular.

• Intercrescimentos lamelares:
Intercrescimentos lamelares são também definidos como texturas de exsolução. Entretanto, o
intercrescimento de lamelas de alcali-feldspato em plagioclásio, assim como lamelas de ilmenita em
piroxênios, durante a co-cristalização dessas fases em ensaios laboratoriais, ressaltam a necessidade de
se ter cuidado ao usar termos com conotação genética, como é o caso das exsoluções.

Pertita ou Textura pertítica: intercrescimento de lamelas de plagioclásio sódico (albita) em


feldspato potássico. O K-feldspato é o hospedeiro. Forma-se devido à exsolução de um álcali-
feldspato durante resfriamento lento. Pertitas de granulação mais grossa, como a pertita de veios, pode
formar-se secundariamente por infiltração metassomática.

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Mesopertita: intercrescimento de plagioclásio albítico e feldspato potássico, em que a


proporção dos dois feldspatos é quase igual. Forma-se devido à exsolução de álcali-feldspato, cujos
teores de K e Na eram aproximadamente iguais.

Antipertita: intercrescimento de lamelas de feldspato potássico num cristal de plagioclásio (o


hospedeiro).

⇒ Outros exemplos de intercrescimento lamelar são: lamelas de augita em ortopiroxênio, ou


vice-versa; lamelas de pigeonita em augita, ou vice-versa; lamelas de plagioclásio e
anfibólio em piroxênio; de magnetita em olivina; dentre outros.
Intercrescimentos radiais definem outros tipos texturais, como: textura esferulítica, ou
simplesmente intercrescimento radial de grãos, ou ainda, se há uma geometria em leque,
textura variolítica.

6. Texturas definidas por sobrecrescimentos (overgrowth)

Os sobrecrescimentos são definidos por envoltórias que permitem diferenciar um grão mineral
(núcleo) bordejado por grão (s) que formam bordas de reação. Pode se ter sobrecrescimentos de
mesma composição do grão inicial (mesma fase mineral), ou com composição variando segundo uma
solução sólida, ou ainda, com composição distinta, formando uma fase mineral diferente. Há os
sobrecrescimentos esqueletais e/ou dendríticos, cujos aspectos geométricos foram descritos
anteriormente, e além desses distinguem-se:

Textura corona (= borda de reação; ou simplesmente corona): quando se tem um grão


mineral bordejado por um ou mais cristais de uma outra fase mineral, formando um envoltório, por
exemplo: ortopiroxênio em torno de olivina em certos gabros. Essa textura é decorrente da reação
incompleta do mineral interior com a fusão residual ou com fluidos magmáticos, produzindo o mineral
exterior. Também pode ser o resultado de uma reação metamórfica (ex.: hornblenda em torno de
piroxênio marginalmente corroído é gerada quando a concentração de H2O no magma em cristalização
atinge um valor crítico, desestabilizando o piroxênio; ou xenocristais de quartzo em magma basáltico
insaturado em sílica reagem com o magma gerando uma borda de reação com clinopiroxênio acicular).

Textura quelifítica (= quelifita): termo especial dado à textura corona, quando se tem
sobrecrescimento de fibras de piroxênio ou horblenda em olivina ou granada.

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Textura rapakivi: termo especial dado à textura corona, quando se tem sobrecrescimento de
feldspato sódico em grão de feldspato potássico. Uma das hipóteses para se explicar a cristalização de
um K-feldspato anterior à cristalização de plagioclásio, é por mistura de magmas (magma mixing), em
que o K-feldsptato, já cristalizado num magma félsico mais frio, torna-se arredondado por dissolução
marginal quando a temperatura aumenta devido à mistura de um magma mais básico. O novo magma
deve ser mais rico nos componentes necessários à cristalização do plagioclásio, que então se cristaliza
envolvendo o ortoclásio arredondado.

Zonamento de grãos (textura zonada): típica de minerais que formam soluções sólidas,
como os plagioclásios, quando o cristal apresenta variação composicional, em geral do centro para a
borda (concêntrico). A variação química pode ser abrupta, oscilatória (que pode refletir variação
cíclica de parâmetros como a PH2O) ou gradacional. A textura reflete um desequilíbrio, evidencia
reação incompleta do mineral em cristalização com o magma durante o resfriamento. Os piroxênios,
principalmente a titanoaugita, podem apresentar um zonamento em ampulheta (hourglass).

7. Texturas definidas por cavidades

Textura Vesicular: definida por vazios arredondados ou alongados, em rochas vulcânicas,


gerados por bolhas de gás exsolvido do magma durante o rápido resfriamento.

Textura Amigdalóide: quando há vesículas preenchidas ou parcialmente preenchidas por


minerais secundários (carbonatos, zeólitas, calcedônea, quartzo, clorita ou analcima).

Diferenças texturais entre rochas plutônicas e rochas vulcânicas


Vulcânicas:
- inequigranulares (grande variação de tamanho), comumente porfiríticas ou vitrofíricas.
- os fenocristais são euédricos (crescimento em suspensão numa fusão).
- zonamento composicional dos minerais é marcante (rápida cristalização, desequilíbrio).
- texturas esqueletiformes são mais comuns (=condições de undercooling).

Plutônicas:
- equigranulares ou inequigranulares, mas com menor variação de tamanho dos grãos.
- cristais tendem a ser subédricos ou anédricos (= interferência mútua durante o crescimento).
- zonamento químico menos pronunciado (cristalização lenta, em equilíbrio).
- reações marginais entre grãos (por exemplo mirmequita) e exsoluções (por exemplo pertita)
são comuns.

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